domingo, 24 de maio de 2026

THE ARCHESTRA RIO/Avant-Prog • Belarus

 

THE ARCHESTRA

RIO/Avant-Prog • Belarus

Biografia do Archestra: O
conjunto bielorrusso Archestra surgiu em 2012 após a dissolução da banda de avant-prog RATIONAL DIET. O violinista Kirill Krystia (violino) formou a banda juntamente com os ex-membros do RATIONAL DIET, Nokolay Semitko (bateria) e a esposa de Krystia, Nadia Krystia (vocal, violino, violoncelo). O grupo também inclui Evgenij Lukjanchik (saxofone, clarinete) e Ivan Lichko (piano). Este novo conjunto combina prog de câmara, rock em oposição, jazz moderno, música experimental e elementos de improvisação. O resultado é um som vibrante e energético que remete à frescura da abordagem de UNIVERS ZERO e HENRY COW na década de 1970, com uma energia avant-rock moderna que lhe confere uma personalidade própria. O álbum de estreia da banda, "Arches", foi lançado em 2013.


Arches
The Archestra RIO/Avant-Prog

 Para falar sobre o THE ARCHESTRA e seu álbum "Arches", preciso primeiro falar sobre sua banda de origem, RATIONAL DIET. Eles eram uma banda de sete integrantes da Bielorrússia e seu álbum "At Work", de 2008, simplesmente me impressionou. Eu não esperava um disco tão poderoso, onde as cordas causam um verdadeiro caos. Uma gravação cinco estrelas, na minha opinião. Olga Podgaiskaya tinha acabado de entrar para a banda para esse álbum e eu não tenho palavras para descrever essa tecladista de formação clássica com uma voz incrível. Ela contribuiu muito para "At Work".

O álbum seguinte, "Phenomena And Existences", viu Olga assumir um papel maior na composição, e ela se dedicou mais à música de câmara, o que causou uma ruptura na banda. Assim, as diferenças artísticas levaram à separação do grupo: Olga formou o THE FIVE STORY ENSEMBLE, uma banda de câmara semelhante ao ARANIS, enquanto Kiryll Krystsia, a violinista, formou o THE ARCHESTRA. Há alguns membros em comum nos dois álbuns. Kiryll convidou Nadia para cantar e também para tocar violino e violoncelo, e embora, na minha opinião, ela não seja tão talentosa vocalmente quanto Olga, ela é muito boa. "Arches" combina esse estilo de câmara com muitos sons elétricos potentes. Lembra um pouco o último álbum do RATIONAL DIET, "Phenomena And Existences", mas um pouco melhor. Ambos são álbuns sólidos, com 4 estrelas na minha opinião.

Meu top cinco inclui "Window", onde os vocais e as cordas realmente impressionam. O fagote, aliás, está presente em todo o álbum, dando-lhe uma atmosfera sombria no geral. Outra faixa de destaque é "Train", que é tão intensa desde o início. O baixo sacode a paisagem sonora. Há uma calmaria repleta de suspense aos 2 minutos. Mais contrastes, seguidos por uma seção jazzística por volta dos 5 minutos. As três músicas seguidas, incluindo as duas faixas de "Triptych" e "Toscin", completam meu top cinco. Um final forte, e aquela curta faixa de encerramento também é excelente, com aquelas agradáveis ​​melodias de piano misturadas a sons arrepiantes. Eu gosto muito quando Nadia canta naquele registro mais grave algumas vezes em "Toscin".

Dou 4 estrelas, mas, na minha opinião, o álbum "At Work" é o que você precisa ter quando se fala da música dessas três bandas.





Grandes canções: Mott The Hoople - Ready For Love (1972)

 


"Ready For Love" foi originalmente escrita pelo guitarrista Mick Ralphs e lançada por sua banda, o Mott The Hoople, no álbum "All The Young Dudes", de 1972. Este disco foi um divisor de águas para eles, que vinham desde 1969, já haviam lançado quatro álbuns, todos sem sucesso e baixas vendas. David Bowie, que era fã da banda, lhes pediu para que continuassem e ofereceu uma canção, "All The Young Dudes". Lançada como single em jul/72, foi um tremendo sucesso no Reino Unido. Bowie também produziu-lhes um álbum, também chamado "All The Young Dudes" (de set/72), que se tornaria o maior sucesso da carreira deles. O álbum transformou-os de promessas para líderes do movimento Glam-Rock.
Em 73, Mick Ralphs deixou o Mott The Hoople e fundou junto com Paul Rodgers (vocalista do Free) o Bad Company (uma nova versão de "Ready For Love" foi gravada no álbum de estreia da banda lançado em jun/74). Esta versão se tornou muito popular e uma das favoritas dos fãs do Bad Company, mas considero a versão original do Mott The Hoople imbatível por muitos aspectos, mas principalmente pela coda instrumental "After Lights" que a segue, uma clara demonstração do brilhante talento de Ralphs, uma das mais lindas passagens de guitarra de todos os tempos. Ralphs foi quem cantou "Ready For Love" na versão do Mott The Hoople, mas não ficou satisfeito com seus próprios vocais. Ele pediu que Ian Hunter a cantasse, mas a canção ficou fora do alcance vocal de Hunter. Então, quando o Bad Company se formou, ele pediu que Paul Rodgers a cantasse. Ainda que a versão do Bad Company seja matadora e tenha entrado para a história, os vocais inseguros de Ralphs na versão original adicionaram um peso às letras, algo que a segurança e autoconfiança de Rodgers não são capazes de capturar. "Ready For Love" é uma das melhores composições feitas por Mick Ralphs, um claro destaque no álbum "All The Young Dudes", uma das favoritas dos fãs que, além de tudo, ainda após todo o sentimento vibrante que ela deixava, ainda se refestelavam com a pungente "After Lights", outra composição de Mick Ralphs, embasbacante em sua performance de guitarra. Uma maravilha!
Ready for Love/After Lights / 
Walking down the rocky road / Andando pela estrada pedregosa
Wondering where my life is leading / Querendo saber onde minha vida está levando
Rolling on to the bitter end / rolando até o fim amargo
Finding out along the way / Descobrindo ao longo do caminho
What it takes to keep love living / O que é preciso para manter o amor vivo
You should know how it feels my friend / Você deve saber como é meu amigo
Ooh want you to stay / Ooh quero que você fique
Ooh want you today / Ooh quero você hoje
And I'm ready for love / E eu estou pronto para o amor
Oh baby I'm ready for love / Oh baby, eu estou pronto para amar
Ready for love / pronto para o amor
Oh baby I'm ready for love / Oh baby, eu estou pronto para amar
Oh oh oh oh oh

Don't let go you know I'm ready for you / Não deixe ir, você sabe que eu estou pronto para você
Don't you be slow you know what I'm going to do / Não seja lenta, você sabe o que eu vou fazer
Give it to me you know what I'm talking of / Dê-me, você sabe do que eu estou falando
Give it to me I'm ready for love / Dá pra mim, que eu estou pronto para amar

Now I'm on my feet again / Agora eu estou por mim mesmo de novo
Better things are bound to happen / Melhores coisas estão prestes a acontecer
All my dues surely must be paid / Todas minhas dívidas certamente serão pagas
Many miles and many tears / muitas milhas e muitas lágrimas
Times were hard but now they're changing / Os tempos eram difíceis, mas agora eles estão mudando
You should know that I'm not afraid / Você deve saber que eu não estou com medo
Ooh want you to stay / Ooh quero que você fique
Ooh want you today / Ooh quero você hoje
I'm ready for love / Eu estou pronto para o amor
Oh baby I'm ready for love / Oh baby, eu estou pronto para amar
Ready for love / pronto para o amor
Oh baby I'm ready for love / Oh baby, eu estou pronto para amar
Oh oh oh oh oh

Don't let go you know I'm ready for you / Não deixe ir, você sabe que eu estou pronto para você
Don't be slow you know what I'm going to do / Não seja lenta, você sabe o que eu vou fazer
Why don't you give it to me you know what I'm talking of / Por que você não dá aquilo para mim, você sabe do que eu estou falando
Give it to me I'm ready for love / Dá pra mim que eu estou pronto para amar
Oh I'm cold and I'm ready for love / Ah, eu estou com frio e eu estou pronto para o amor
Oh baby I'm ready for love / Oh baby, eu estou pronto para amar
Ready for love / pronto para o amor
Oh baby I'm ready for love / Oh baby, eu estou pronto para amar
Oh oh oh oh oh
Ooh ahh
(Instrumental)



Nick Cave, Shane MacGowan e Mark E Smith num encontro/debate em 1988


Nick Cave, Shane MacGowan (do The Pogues) e Mark E. Smith (do The Fall) já debateram num pub em 1988 (um encontro organizado pelo semanário NME). Se você curtir Mark E. Smith em sua forma mais truculenta, irá adorar. Como você pode esperar, Cave ficou lacônico (afinal, sempre odiou jornalistas), MacGowan mostrou-se afável (afinal, rolava uma birita) e Smith ficou volúvel e controverso, como sempre (por exemplo, ele afirmou que o único bom álbum de Bob Dylan foi "The Traveling Wilburys, vol. 1" e que Morrissey era irlandês, é mole?). 
Smith: "Não há nada de novo no Acid House para mim, amigo. Eu uso esse processo há anos. Anos duros. Pode ser novo para você, mas não presuma que seja novo para mais ninguém, porque você está errado, cara". "Tínhamos arranjos de Jazz em 82, quando o resto daqueles idiotas tocava música lounge e pseudo New Wave, então não fale comigo sobre isso, porque eu sei do que estou falando, cara". "Não me fale sobre a opressão, meus pais e avós foram explorados ao máximo. Enviados para guerras, eles tiveram gangrena nos dentes".
Só um aperitivo. Este é Mark E. Smith gingando como um lutador profissional. Espere até ler abaixo o trecho em que MacGowan (a quem Smith chamou o tempo todo de "Sean") chamou Nietzsche de "um maníaco fascista que se fazia passar por filósofo". Pelas barbas do profeta, que encontro foi este? Vou transcrever este trecho impagável:
Smith: Se vamos falar de filosofia, isso é um monte de besteira! Os nazistas adotaram seu credo e o distorceram, citando-o erroneamente o tempo todo.
MacGowan: É a sede de poder. Tente reinterpretar essa frase. Você não pode, isso é o que é.
Smith: Ele não era nazista – você só está dizendo isso, porque algum maldito professor politécnico disse que ele era.
MacGowan: Estou dizendo isso porque li dois de seus livros onde ele rejeitava os fracos, os feios, os radicalmente [racialmente?] impuros, o Cristianismo, Sócrates, Platão. Ele era contra qualquer um que não tivesse um corpo forte, traços perfeitos...
Smith: Essa é a "análise de mesa de centro". Ele era a pessoa mais anti-alemã e pró-semita…
MacGowan: Seus livros estavam cheios de ódio.
Smith: Você acabou de dizer que fica cheio de ódio quando sobe no palco.
MacGowan: Eu não saio por aí dizendo que Sócrates era um idiota, Jesus Cristo era um idiota, não é?
Smith: Jesus Cristo foi a maior praga para a raça humana. E todos eles, socialistas e comunistas – cristianismo de segunda categoria. Está tudo bem para vocês, católicos. Fui criado com católicos irlandeses. Alguns dos meus melhores amigos são católicos irlandeses.
MacGowan: Ouça-o.
Smith: Hitler era um católico vegetariano, não fumante e não bebedor. A maneira como você está falando sobre Nietzsche é que qualquer pessoa que não fuma e não bebe é nazista. Esse é o nível do seu debate, amigo. Você não sabe porra nenhuma sobre Nietzsche, cara!
Todo este papo, lembra-me algumas discussões que presenciei na juventude em bares/clubes nas quais amigos/conhecidos debatiam com fervor usando argumentos de principiantes que me assustavam pelo nível de fragilidade. Na biografia de Nick Cave, "Bad Seed", um cara que esteve neste debate relata que enquanto Cave (que acabara de passar sete semanas numa reabilitação) estava limpo e sóbrio, MacGowan tinha "tomado Ecstasy e bebido uma garrafa de uísque na vinda para o pub". MacGowan contou depois:
"Eu estava fora de mim, Cave estava completamente sóbrio, bebendo chá, e Mark E. Smith estava chateado e muito beligerante. Deve ter sido muito difícil para Nick, mas eu não estava naquela situação, você entende o que quero dizer. Estávamos reclamando e delirando e Nick ficou muito quieto. Fiquei surpreso com o quão frio ele estava, considerando-o. Na época, eu estava muito chateado com a turnê e falei sobre isso na entrevista, e ele disse: 'Bem, por que você simplesmente não para?' e não consegui pensar em um bom motivo, porque estava na engrenagem e você não consegue sair dela. Nick revelou ter uma inteligência selvagem. Ele é uma pessoa intensa. Foi uma ótima entrevista, dois irmãos de alma e Mark E. Smith. Cave estava acabando com nós dois, ele basicamente instigou a briga entre eu e Mark Smith. Ele ficou agitando e vendo até onde aquilo iria chegar. Mark E. Smith ficou me dizendo coisas que eu não poderia deixá-lo sem resposta, coisas sobre a Irlanda e o Exército Britânico. O repórter Sean O’Hagan também ficou maluco, ele é de Armagh [cidade na Irlanda do Norte], católico. Nick ficou só curtindo à medida que a coisa ficava cada vez mais intensa e os repórteres se juntaram e eu comecei a ficar maluco".
Kkkkkk. Vou fechar com Nick Cave, Shane MacGowan e Kylie Minogue (!) cantando "Death Is Not The End", de Bob Dylan (do jeitinho igual ao que está no álbum "Murder Ballads", de Nick Cave & The Bad Seeds):



Grandes canções: The Cardigans - "Carnival" (1995)

 

"Carnival" surgiu em mar/95 como primeiro single do álbum "Life", o segundo da banda sueca The Cardigans. Este single deu à eles a primeira aparição nas paradas do Reino Unido, levando-os a relançar o single "Sick & Tired", que alcançou o Top 40, puxando "Carnival" para o nº. 35. Este single também foi ao nº. 44 na Holanda. Os Cardigans foram uma das bandas mais legais de Pop Rock surgidas na era do Alt-Rock. Dois fanáticos de Heavy Metal (o guitarrista Peter Svensson e o baixista Magnus Sveningsson haviam montado a banda em 92), cansados das poucas chances nesta seara, se aproximaram da vocalista Nina Persson, uma amiga estudante de escola de artes (que nunca havia cantado antes profissionalmente) e do tecladista Lars-Olof Johansson e do baterista Bengt Lagerberg. O quinteto começou a fazer demo tapes em 93 e uma delas chegou às mãos do produtor Tore Johansson. A banda assinou contrato e lançou o álbum "Emmerdale", em mai/94. O single "Rise & Shine" tornou-se um hit nas rádios suecas e uma votação de leitores da revista Slitz elegeu "Emmerdale" o melhor álbum de 94. A banda engatou uma turnê pela Europa e gravou seu segundo álbum, o alegre "Life", um contraponto à estreia. "Life" trouxe a banda no seu lado mais animado, com todas suas inflexões açucaradas (ainda não incômodas por conta dos arranjos espertos). Na capa, uma angélica foto de Persson numa roupa de esquiadora toda feliz. "Life", lançado em mar/95, foi o álbum da grande virada da banda. Era um Pop Rock doce sim, mas os Cardigans agregavam dificultadores para classificações fáceis. Havia letras com sentimentos deprimidos e melancólicos (algo que entrava em choque com os arranjos otimistas/positivos) e havia os covers do Black Sabbath/Ozzy Osbourne (surpreendentes, com doces arranjos Pop Rock e vocais comoventes, tornado as canções praticamente irreconhecíveis). "Life" trouxe diversas regravações de canções de "Emmerdale" e focou num som ultra doce e fofo, algo exuberante/juvenil (um entusiasmo em aproveitar a vida) em arranjos excelentes. Embora, os Cardigans tenham planejado "Life" como uma espécie de piada, ele tornou-se um dos melhores álbuns dos anos 90. Vendeu mais de 1,5 milhão de cópias ao redor do mundo e foi "disco de platina" no Japão. O single "Carnival" foi o primeiro deles no qual Nina Persson recebeu crédito por compositora. A canção tratava de um amor não correspondido da narradora por um cara e menciona um "carnaval" (a descrição na verdade parece se referir a um parque de diversões) ao qual a narradora gostaria de ir com o cara, mas não vai porque ele nunca responde a ela.
Carnival /  Carnaval
I will never know / Eu nunca vou saber
'Cause you will never show / Pois você nunca vai mostrar
Come on and love me now / Venha e me ame agora
Come on and love me now / Venha e me ame agora

Carnival came by my town today / O parque chegou em minha cidade hoje
Bright lights from giantwheels / Luzes brilhantes de rodas-gigantes
Fall on the alleyways / Caem nos becos
And I'm here / E eu estou aqui
By my door / Perto da minha porta
Waiting for you / Esperando por você

I will never know / Eu nunca vou saber
'Cause you will never show / Pois você nunca vai mostrar
Come on and love me now / Venha e me ame agora
Come on and love me now / Venha e me ame agora

I hear sounds of lovers / Eu ouço os sons dos apaixonados
Barrel organs, mothers / Realejos, mães
I would like to take you / Eu gostaria de pegar você
Down there / ali em baixo
Just to make you mine / Só pra te fazer meu
In a merry-go-round / Num carrossel




Grandes álbuns do Prog-Rock: Haikara - "Haikara" (1972)


Haikara
foi uma banda finlandesa de Rock Progressivo fundada em 1971, na cidade de Lahti (no sul do país). O estilo original da banda (misturando elementos do King Crimson, Jethro Tull, Van der Graaf Generator e do Tasavallan Presidentti) gerou três álbuns até 76 (depois, houve uma volta em 98 que gerou outros dois álbuns), mas seu primeiro trabalho, desde então, tornou-se um clássico Prog. Os membros fundadores da banda foram Vesa Lattunen (vocais, guitarras/violão, piano/órgão e arranjos), Markus Heikkerö (bateria) e Timo Vuorinen (baixo). Logo, o trio gravou uma "demo tape" e buscou veiculá-la na rádio. A importante gravadora Finnlevy chegou a ficar interessada na fita, mas, após algum tempo, o produtor Jukka Hauru comunicou-lhes que não formalizaria um contrato de gravação devido à falta de experiência do grupo em estúdios. Foi a Ab Discophon Oy (outra importante gravadora finlandesa e representante local da RCA Victor norte-americana) quem assinou um contrato com a Haikara. Ao mesmo tempo, a banda transformou-se num quinteto com a entrada de Vesa Lehtinen (vocais) e Harri Pystynen (flauta e sax), ambos egressos do The Charlies, grupo na praia do Blues-Rock.
Lattunen, Lehtinen, Pystynen, Heikkerö e Vuorinen
A cena de Rock Progressivo na Finlândia no início dos anos 70 foi pequena em quantidade de nomes (eu poderia citar o Wigwam que começou tudo em 1968, a produção solo do multi-instrumentista Pekka Pohjola, egresso do próprio Wigwam, a produção do guitarrista Jukka Tolonen e de sua banda de origem, o Tasavallan Presidentti), mas robusta o suficiente para criar um mercado viável, pelo menos, dentro do território finlandês. A Haikara (tradução: cegonha) não chegou a ser tão popular quanto os citados, mas sua produção resistiu bem ao tempo e hoje é reconhecido como um dos projetos artisticamente mais criativos a emergir naquela cena. De fato, o autointitulado álbum de estreia lançado em 1972 experimentou apenas um pequeno sucesso doméstico (e, na época, quase nenhum reconhecimento fora da Finlândia), ainda que ali estivesse um som único e personalíssimo, diferente de qualquer outro dentro do Prog-Rock. Consistindo de apenas cinco faixas, havia ali uma mistura curiosa de vocais cantados em finlandês com guitarras pesadas, andamentos complexos, partes Folk pastorais e a inclusão de uma seção de metais (dois trompetes e dois trombones, mas também um violoncelo) - músicos convidados pela banda - criando um som grandioso (por vezes, até folclórico) e de impacto.
A faixa de abertura, "Köyhän Pojan Kerjäys" (tradução: Os pedidos do pobre menino), de quase 6 minutos, bem ritmada, agregando folclore finlandês, Jazz-Rock, Brass-Rock e os sopros impulsionando uma miscelânia sonora interessantíssima (a letra fala de um pobre comum, cujas visões assustadoras do mundo são as quatro composições seguintes). E o álbum seguia se tornando mais complexo. "Luoja Kutsuu" (tradução: Deus te chama), de quase 8 minutos, trazia um toque mais sofisticado oscilando entre climas (ora reflexivos, ora expansivos), um solo de órgão circundado por metais cadenciados e a marcação do baixo. Passagens Folk se alternavam com jams psicodélicas, guitarras difusas, contrastes sonoros, num ecletismo inspirado. Realmente um álbum que criou um mundo próprio. Flauta e violoncelo guiando a canção numa espécie de marcha fúnebre usando elementos de música erudita (na letra, o cantor anunciava seu ódio amargo ao Cristianismo organizado e aos líderes do mundo num visão distópica). O lado 1 fechava com "Yksi Maa & Yksi Kansa" (tradução: um país e uma nação), de quase 10 minutos. As paisagens sonoras sombrias, com o violoncelo criando climas soturnos e o sax puxando a levando a canção, guitarra distorcida e baixo trotante, entre letras sonhadoras. O lado 2 trazia apenas duas faixas. "Jälleen On Meidän" (tradução: é nosso novamente), de quase 11 minutos, era liderada por um sax bem jazzístico, melodia cadenciada, baixo fazendo bela base, vocais de grande entrega, até um ponto em que somente permanece um baixo dedilhado e, aos poucos, retomam guitarra (solando ao fundo) e o onipresente sax numa atmosfera onírica. O álbum fechava com "Manala" (tradução: mundo inferior), outra de quase 11 minutos, talvez o grande destaque. Abrindo com uma melodia totalmente suave na flauta, vocais suaves, violão e baixo calmos, logo o clima transforma-se em algo distorcido, sombrio e assustador capitaneado por um sax, piano e outros elementos que criam uma atmosfera demente. De repente, outra mudança, uma clima marcial, vocalizações e um sax jazzístico. Música abstrata, poderosa e com um final retumbante e muito bonito. A capa (feita pelo baterista) unia personagens do folclore finlandês, a vida selvagem e um lado mais sombrio da vida (como o dragão vindo no céu) criando uma sensação similar a da audição do álbum, de admiração, porém sujeita à surpresas repentinas. 
Em 74, a banda lançou outro álbum, "Geafar", também muito bom, ainda que um degrau abaixo da estreia. O cantor Lehtinen saiu e a irmão de Lattunen, Auli, entrou nos vocais. Entretanto, as vendas fracas levaram a gravadora a cobrar uma linha mais comercial. A banda não concordou e o contrato foi encerrado. Ainda em 74, o líder Vesa Lattunen passou a colaborar com Jukka Kuoppamäki em seu álbum "Väinämöinen". Isto gerou oportunidade que a Haikara gravasse um novo álbum para o selo Satsanga Records, de Kuoppamäki.
O resultado foi "Iso Lintu" (tradução: pássaro grande), lançado em 76, um trabalho diferente, com um Rock mais direto, inferior ao Prog anterior. A recepção foi mista e não vendeu melhor do que seus antecessores. A banda, então, se envolveu em divergências artísticas e se separou. Lattunen e Pystynen tentaram continuar a Haikara com uma nova formação, gravaram um novo single (que foi incluído numa coletânea da gravadora Hi-Hat), mas novamente o sucesso comercial foi modesto. Ao mesmo tempo, as atividades da banda diminuíram e seus integrantes seguiram para outros projetos. No final dos anos 90, a Haikara voltou (Lattunen era o único membro da formação original), lançou dois álbuns ("Haikara IV - Domino", em 98, e "Tuhkamaa", em 2001), um outro foi planejado, mas Lattunen faleceu em mar/2005. 




POEMAS CANTADOS DE JOSÉ MÁRIO BRANCO


Capotes Brancos, Capotes Negros
José Mário Branco

Capote preto, capote branco 
Quem dá o flanco 
Nunca se defende bem 

Capote branco, capote preto 
O Xico-esperto 
Usa a cor que lhe convém 

Em tempos que já lá vão 
Vinham uns homens de mão 
A soldo da reacção 
Armar brigas e banzé 
Junto ao Palácio de Sebastião José 
Mas o Pombal, sabido 
Estava prevenido 
E tinha preparado 
O seu esquadrão privado 

E não pisavam o risco 
No Bairro Alto os brigões de S Francisco 
Enquanto o povo assistia 
Às contradições que havia 
No seio da fidalguia 
Vinha a bófia endireitar 
O Bairro Alto que ela andava a entortar 
Os reaccionários, de um lado 
Capote preto, cruzado 
Do outro lado, os brancos 
Que os punham logo a fancos 
E não sei porque razão 
Quem se lixava era sempre o mexilhão


Casa Comigo Marta
José Mário Branco

Chamava-se ela Marta 
Ele Doutor Dom Gaspar 
Ela pobre e gaiata 
Ele rico e tutelar 
Gaspar tinha por Marta uma paixão sem par 
Mas Marta estava farta mais que farta de o aturar 
- Casa comigo Marta 
Que estou morto por casar 
- Casar contigo, não maganão 
Não te metas comigo, deixa-me da mão 

Casa comigo Marta 
Tenho roupa a passajar 
Tenho talheres de prata 
Que estão todos por lavar 
Tenho um faisão no forno e não sei cozinhar 
Camisas, camisolas, lenços, fatos por passar 
- Casa comigo Marta 
Tenho roupa a passajar 
- Casar contigo, não maganão 
Não te metas comigo deixa-me da mão 

Casa comigo Marta 
Tenho acções e rendimentos 
Tenho uma cama larga 
Num dos meus apartamentos 
Tenho ouro na Suíça e padrinhos aos centos 
Empresto e hipoteco e transacciono investimentos 
- Casa comigo Marta 
Tenho acções e rendimentos 
- Casar contigo, não maganão 
Não te metas comigo deixa-me da mão 

Casa comigo Marta 
Tenho rédeas p´ra mandar 
Tenho gente que trata 
De me fazer respeitar 
Tenho meios de sobra p´ra te nomear 
Rainha dos pacóvios de aquém e além mar 
- Casas comigo Marta 
Que eu obrigo-te a casar 
- Casar contigo, não maganão 
Só me levas contigo dentro de um caixão



Josa Vaqueiro do Sertão – Na Sombra da Jaqueira 1969

 

Na Sombra da Jaqueira - frente cd

Colaboração do sergipano Everaldo Santana, o disco pertence ao acervo do Castanheiro.

Na Sombra da Jaqueira - verso cd

Direção artística de Pedro Sertanejo, supervisão de Oswaldinho e Dominguinhos.

Josa Vaqueiro do Sertão – Na Sombra da Jaqueira
1969 – Cantagalo

01 – Na Sombra da Jaqueira (Josa Vaqueiro do Sertão)
02 – Corda de meu Coração (J. Nordestino – Josa Vaqueiro do Sertão)
03 – Poeira voando (Manoel A. Filho – Josa Vaqueiro do Sertão)
04 – Estou ruendo (Salgadeira Filho – Josa Vaqueiro do Sertão)
05 – Ano novo (Josa Vaqueiro do Sertão)
06 – Marcha da Fogueira (Josa Vaqueiro do Sertão)
07 – Amor enchucalhado (José Cândido)
08 – Almanaque sertanejo (Josa Vaqueiro do Sertão – Alexandre Alves)
09 – Coração gelado (Josa Vaqueiro do Sertão – Valdice Soares)
10 – Volte a festejar (Josa Vaqueiro do Sertão – Josinete Soares)
11 – Valente é o Bentiví (Osvaldo Eurico – Vadeca Lima)
12 – Pra bem longe de mim (Josa Vaqueiro do Sertão – Eliseu Ventania)

MUSICA&SOM ☝



Zetinha – É o norte que canta 1973

 

capa

Colaboração do Jhonatas Pasternack, de São Paulo – SP

verso

“Esse Lp foi gravado no ano de 1973 pelo selo “TAL” um dos selos da gravadora “TODAMERICA”,
Um Lp repleto de Côcos e Baiões que fazem contraste co alguns Xotes.”

Zetinha – É o norte que canta
1973 – Todamerica

01. Coco de Alagoas (Juvenal L0pes)
02. Sonhei Com Ela (Raimundo Batista Cena)
03. Rosa Encarnada (Raimundo Batista Cena)
04. Viva os Três Santos (Juvenal L0pes)
05. Morena Linda (José Conceição Dias – Zetinha)
06. Exclamação de Amor (José Conceição Dias – Zetinha)
07. Fantasia de São João (José Dutra Filho)
08. Namoro Agarradinho (Juvenal L0pes)
09. Minha Partida (José Lima Rodrigues – Zetinha)
10. Deitada em Meus Braços (Zetinha)
11. Desprezo Cruel (José Conceição Dias – Zetinha)
12. Venha Cá (Raimundo Batista Cena)

MUSICA&SOM ☝



Chico Triunfo – Eu sei de tudo

 

Chico Triunfo - frente cd

Colaboração do sergipano Everaldo Santana

Disco do acervo do Castanheiro.

Chico Triunfo – Eu sei de tudo
RN

01 – Melô da Mariazinha
02 – Menina apaixonada
03 – É no meu Ceará
04 – Eu sei de tudo
05 – Bochechuda
06 – Forró do Tio Mané
07 – Êta Forrozinho bom
08 – Maria doida
09 – É bem malhor
10 – Bebi demais
11 – Baião do Assaré
12 – Tudo bem

MUSICA&SOM ☝



ROCK ART


 

Destaque

Kim Fowley – International Heroes (1973)

Kim Fowley faleceu em janeiro último, aos 75 anos de idade, e este International Heroes (1973) vive há já quatro décadas (42 anos, mais mês...