quinta-feira, 7 de julho de 2022

Sucessos dos Anos 90: Onde é que Eles Andam?

 

Sucessos dos Anos 90: Onde é que Eles Andam?


Foram one hit wonders. Que é o mesmo que dizer “espero que corra tudo bem contigo” antes de fazer figas. Nomes outrora gigantes que hoje poucos se recordarão. Não se preocupem, há boas razões para isso.

Saiba neste post o que é feito de Kriss Kross4 Non Blondes, Los Del Rio, Chumbawamba, Lou Bega ou Natalie Imbruglia.

Ora então… liguemos a localização. Quando dissermos RIP, já ninguém sabe onde andam. Quando dissermos ‘Coma Induzido’ quer dizer que os artistas de outrora ainda fazem umas coisas, mesmo que longe dos olhares da ribalta.

KRISS KROSS – JUMP

Estávamos em 1992 e os Kriss Kross tomavam conta desta brincadeira toda. Estiveram no topo da Billboard durante 2 meses, abriram para Michael Jackson, tiveram jogos da Sega (!), um fartar vilanagem minha gente.

Em 1996 a parelha desapareceu completamente de cena, após dois álbuns falhados.

A parelha tinha 17 anos.

Estado: RIP

4 NON BLONDES – WHAT’S UP?

Em 1993 uma tal de Linda Perry enchia os ouvidos da malta com a inspiração que devemos reconhecer em “hey, hey, heeeyyyy”. Ela cantava mais qualquer coisa mas ninguém se importava. Estava lá o “hey”. 

A banda não chegou sequer ao segundo álbum e Linda Perry fez-se à vida solo.

Foi entretanto responsável por hits de Pink (Get The Party Started), Gwen Stefani (What You’re Waiting For?) e Christina Aguilera (Beautiful).

Hey…

Estado: Coma Induzido

LOS DEL RIO – MACARENA

https://www.youtube.com/watch?v=gwWRjvwlLKg

A ‘malha de bolso’ para qualquer DJ de casamento fez-se ouvir, um pouco por todo o Universo, corria o ano de 1994. Aliás, qual Mundial de Futebol dos EUA qual quê, año de Macarena, presupuesto!

Ano de Antonio Romero e Rafael Ruiz, que era o par de indivíduos que aparecia no videoclip (e os únicos que nem se dignavam a fazer a célebre coreografia… pfff!).

Esta gente basicamente encheu o bolsillo e… pouco mais.

Convém referir que a parelha espremeu de tal forma o moneymaker que em Todos os Álbuns lançados a partir de A Mi Me Gusta havia… uma versãozinha alternativa da Macarena para degustar. “Hey!”

Em 2008 foi lançado um álbum carinhosamente baptizado de Macarena Quinceañera… isto é gente que sabe contar meus caros.

Hoje não sabemos sinceramente o que é feito deles. Se os virem na rua mandem-lhes um saludo dos nossos por favor

Estado: Coma Induzido (por motivos de O Que Seria Um Casamento Sem Macarena)

NATALIE IMBRUGLIA – TORN

A actriz de TV que deixou a terra dos cangurus para ser feliz martelou-nos com Torn até não poder mais, estávamos em 1997.

O teledisco era todo giro, a miúda não era feia, pimba, 4 milhões de cópias por todo o Mundo. Ah pois é. E agora Natalie?

“Conversation has run dry”.

Natalie ainda tentou mais três álbums e desapareceu educadamente de cena.

Voltou às lides da representação (entrou em Johnny English), foi juíz do X Factor da Austrália e… nada mais a declarar.

Estado: RIP

NEW RADICALS – YOU GET WHAT YOU GIVE

Isto bateu para burro (1998) e, sejamos sérios, não valia um charuto. Ainda por cima ‘tinha a mania’, com tiradas do estilo “come around we’ll kick your asses” para gente que fez umas coisas musicais tipo o Beck, o Marilyn Manson, a Courtney Love e… os Hanson.

Separaram-se ainda antes de lançarem novos singles e hoje Gregg Alexander, esse mauzão, dedica-se a escrever letras. Santana, Ronan Keating e Sophie Ellis Bextor (eish!) foram alguns dos que recrutaram os serviços do ex-líder desta banda que um dia passou nas rádios de Sábado a Sexta.

Estado: Coma Induzido

CHUMBAWAMBA – TUBTHUMPING

Havia Outra música em 1997 para além desta? Ah… a Torn, claro. Era tudo a encher K7s, de 60’ e 90’ sem Dolby NR, desta traquitana.

Uma banda curiosa porque andou a tentar a sorte desde 1982, atingiu a mouche no final dos anos 90 e depois decidiu que… a cousa estava feita.

Lançaram 19 álbums.

Até hoje procura-se quem consiga dizer Duas músicas deles.

Estado: RIP

LOU BEGA – MAMBO Nº 5

David Lubega (para os amigos) massacrou as danceterias de final dos 90s com este hino inspirado numa trilha de 1949.

Depois de hibernar, voltou a fazer-se ouvir em 2013, num álbum discreto nos EUA que ainda marcou uns pontinhos pela sua Alemanha natal.

Hoje, Lou pode passar a meia-noite de dia 31 de Dezembro a seu lado. Não estamos a brincar, eis a informação das suas redes sociais:

> Lou Bega + 3 dançarinas num show de 45mins, metade playback

> Lou Bega + 3 dançarinas num show de 60mins, metade playback com duas partes:

  1. Lou Bega ‘Best Of’
  2. Lou Bega ‘A Little Bit of 80s’

> Lou Bega e banda de 8 elementos, com secção de sopros e vocalistas de apoio, assim como 2 dançarinas num show de 90mins com duas partes:

  1. Lou Bega
  2. Lou Bega e banda ‘Best Of’

Está à espera de quê? Marque já o seu Lou Bega ó fáxavor!

Estado: Coma Induzido

Bónus:

CRAZY TOWN – BUTTERFLY

Anos loucos em que já se falava mp3 e Limp Bizkit.

Entrou rapidamente para o top 100 da Billboard e vendeu que se fartou.

Ao final da tarde (praticamente, estes one hit wonders têm disto…) a banda separou-se, o guitarrista Rust Epique morreu em 2004 e o líder Shifty Shellshock (ou Seth Binzer para os colegas) apareceu em programas como Celebrity Rehab.

Dizer ainda que Butterflyfoi buscar inspiração a uma faixa dos Red Hot Chili Peppers (confira aqui a música inspiradora Pretty Little Ditty de 1989).

Foi considerada pela VH1 como a 34ª “Most Awesomely Bad Song Ever”.

Estado: RIP

Espero que tenham gostado desta viagem pelo tempo. Fiquem por aí enquanto descobrimos o que andam a fazer os melhores artistas de one hit wonders dos anos 80!

quarta-feira, 6 de julho de 2022

In2TheSound no Hard Club: Porto celebrou Adrian Borland e The Sound

 

In2TheSound no Hard Club: Porto celebrou Adrian Borland e The Sound

O ano de 2019 marca duas décadas que Adrian Borland deixou o reino dos vivos. O mundo da música perdia um dos mais geniais compositores do seu tempo, curiosamente, a época dourada do rock.

Chamaram-lhe pós-punk e new wave, mas, tal como o próprio Borland disse a Júlio Isidro, em 1985, “é simplesmente rock”.

Falo-vos deste génio atormentado que foi Adrian Borland porque o Porto reviveu e celebrou apaixonadamente a sua existência e, em especial, a sua música, imortalizada, essencialmente, pelo que fez com os The Sound.

A proposta da promotora At The Rollercoaster era simples: visionamento do documentário Walking in the opposite direction, realizado por Marc Waltman e produzido por Jean Paul Van Mierlo, um retrato sincero e fiel àquilo que foi a vida atormentada, mas também genial, de Adrian Borland; seguido de concerto pela banda tributo aos The Sound, de seu nome In2TheSound, que apresenta como selo de garantia a presença na bateria de Mike Dudley, co-fundador dos The Sound.

Como diria o outro, “é melhor do que nada”!

Os The Sound tocaram uma vez em Portugal, no Rock Rendez Vous, em 1984, e passaram por cá novamente no ano seguinte, mas apenas para uma promoção televisiva no programa Acabou-se o Arroz Doce, apresentado por Júlio Isidro.

Ora, para quem tem os The Sound no topo das escolhas musicais e nunca os viu ao vivo poder ouvir a sua música ao vivo, mais de 30 anos depois, e com um selo de garantia… tem que se dar por satisfeito. Serviu, pelo menos, a muitos para desatar um nó antigo.

Antes da coisa acontecer, a expectativa era grande. Este vosso devoto escriba não é grande fã de bandas tributo. Ainda para mais quando a voz não é a do verdadeiro vocalista. E, no caso em apreço, os The Sound são, seguramente, 70% (se não mais!) um feito de Adrian Borland, afinal o gajo que todos estavam ali para celebrar.

Mas foi bem. Aliás, foi muito bem. A festa aconteceu, o público, sedento, correspondeu e, no final, o vocalista Marco van Putten confessou que o concerto tinha sido a melhor recepção já que tiveram. “Porto rules”, escreveria mais tarde num autógrafo.

Walking in the opposite direction: um documentário excepcional sobre Adrian Borland

Mas voltemos ao documentário que retrata as diversas fases criativas de Adrian Borland, dos The Outsiders aos White Rose Transmission, passando obviamente pelos The Sound, afinal, a razão pelo qual o seu nome está escrito nas estrelas.

O retrato do constante jorro criativo de Borland é acompanhado pelo enquadramento pessoal e psíquico de Adrian, passando a imagem de estarmos perante um ser de criatividade excepcional, mas cujos demónios derrubaram por diversas vezes, até ao trágico desfecho.

“There’s a devil in me, Trying to show his face, There’s a God in me, Wants to put me in my place, I’ve got to get a hold of myself, I’ve got to be in possession”, canta em Possession (in From the Lions Mouth).

Contada por diversos protagonistas que, ao longo de 20 anos, se cruzaram musical e pessoalmente com Adrian Borland, o filme Walking in the opposite direction releva, ainda mais, a personalidade e a força criativa que ele era, ao mesmo tempo, que põe a nu algumas das suas fraquezas, em que a doença (perturbação esquizo-afectiva) assume papel fulcral.

O testemunho do pai é delicioso pela franqueza e pelo orgulho no filho, que apoiou nas lides musicais desde a primeira hora.

Um espírito verdadeiramente atormentado na cabeça de um génio criativo e produtivo que, pelos vistos, não é para humanos!

Seguiu-se o concerto dos In2TheSound e a coisa pegou mesmo. Motivado pelo que vira no documentário, o público fã e sedento fez a festa desde o primeiro acorde de «Silent air», que abriu a cerimónia.

Na torrente de hinos que se seguiu, «Fatal flaw» foi o interruptor e «I can’t escape myself» o momento em que a plateia afirmou que estava ali para tomar participar activamente na celebração.

«Barria Alta» e «Hand of love» serviram para o pessoal respirar, porque a seguir foi… a loucura.

«Total recall» revelou os numerosos vocalistas presentes na plateia e «Winning» foi a chancela de que a noite estava mais do que ganha e que todos sairiam dali… a ganhar!

«The fire» e o fabuloso «New Dark Age» (“And we’ve broken our fingers, Broken our faith, Broken our hearts so many times, They can’t be broken anymore, Scratched away at the walls for years, All we’ve got to show is the dust on the floor, And here it comes, a New Dark Age”), tema épico e de arritmia persistente, que, em crescendo final, parece ganhar contornos proféticos.

«Party of the mind» e «Monument», ambos do álbum «All Fall Down», 1982), fecharam o concerto, que, no entanto, ainda estava longe de acabar. Afinal, o Porto celebrava, finalmente, Adrian Borland e The Sound.

O regresso ao palco de Mike Dudley, Carlo van Putten (voz), JoJo Brandt (guitarra), Carsten Lienke (baixo) e Michael von Hehl (teclados) era inevitável. Banda e público eram já apenas um. Cantava-se em uníssono e bem alto, numa espécie de catarse colectiva. Celebrava-se o génio de um músico, perpetuado no trabalho de uma banda que todos os que ali estavam, de uma forma ou outra, amam.

Arrisco dizer que 95% dos presentes nunca viram The Sound ao vivo. O próprio vocalista dos In2TheSound nunca viu. Felizes os que estiveram no Rock Rendez Vous em 1984.

Para os demais fica esta lembrança:

E se o filme documental entusiasmou, o concerto, excelente, foi a apoteose.

O regresso a palco foi uma espécie de entrada por detrás, uma chamada de atenção, um aviso de que a coisa ainda não tinha acabado e algo de muito bom ainda estava para acontecer. E aconteceu!

«Skeletons» deu o mote, «Possession» atormentou ainda mais as almas inquietas da plateia, «Sense of purpose» tentou aquietá-las um pouco sem sucesso e a estocada final foi dada com «Heartland».

Terminava o concerto e, de alguma forma, esfumava-se, finalmente, o demónio. Destino que tiveram todos os que tanto atormentaram Adrian Borland, mas que, ao mesmo tempo, fizeram dele um criador de excepção de algumas das melhores pérolas do rock dos nossos tempos. Um luxo!

Seguramente, para todos e cada um dos presentes no Hard Club ficou a faltar “aquela música”! Para este escriba faltaram… duas: «Missiles» e «Winter» (bem, pelo menos, foi possível ouvir um cheirinho de ambas no documentário Walking in the opposite direction).

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