terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Novinho da Paraíba – Novinho da Paraíba 1994

 

Frente

Colaboração do Lourenço Molla, de João Pessoa – PB

Selo ASelo B

Mais um disco do Novinho da Paraíba.

Verso

Produção musical de Gennaro e Sérgio Kyrillos.

Novinho da Paraíba – Novinho da Paraíba
1994 – Nova Produções

01. No cantinho da cancela (Petrúcio Amorim – Novinho da Paraíba)
02. Pra te dar amor (Gilvan Neves)
03. Firirim fom fom (Maciel Melo)
04. Xerém (Nazaré Pereira – F. Neto Oliveira)
05. Gostava tanto de você (Edson Trindade)
06. Olinda, Recife (Petrúcio Amorim – Novinho da Paraíba)
07. Sanfoneiro macho (Pinto do Acordeon)
08. Tributo Zé Marcolino (Maciel Melo)
09. Teu amor (Petrúcio Amorim – Novinho da Paraíba)
10. Galope do absurdo (Bráulio de Castro)
11. Ter vejo te desejo (João Paulo Jr. – Alcymar Monteiro)
12. Forró pimenta do reino (Petrúcio Amorim – Novinho da Paraíba)

MUSICA&SOM ☝



Marinalva e sua gente – Cheguei Passarela

 

Capa

Sempre achei que a Marinalva tivesse poucos discos gravados. Até pouco tempo atrás eu conhecia apenas 3 trabalhos dela, os álbuns “Poeira do caminho”, “Viva o nordeste” e o disco “Enxugue o rato” que trás a versão cantada desse grande sucesso de Luiz Moreno originalmente solado por Abdias.

Bolacha Lado ABolacha lado B

Há algum tempo, conheci um vendedor de discos que me apresentou diversos trabalhos dela. De uma vez só peguei mais 4 LPs por ela lançados, e já tenho noticias de outros mais. Será que alguém por aqui sabe quantos trabalhos Marinalva já lançou?

Contra-capa

Nesse LP destaco as faixas “Dançando armado” de Iranildon Edvaldo Santana e Coronel Bolachinha e a faixa “Meu triângulo” de Calazans Saburi e Zezinho.

Marinalva e sua gente – Cheguei
Passarela

01. Vem cá morena (Inácio Virgolino – Zezinho)
02. Tu és minha flor (Oscar Barbosa – Marinalva e Raminho)
03. Faca virgem (Calazans Sabugi – Zezinho)
04. Dançando armado (Iranildon Edvaldo Santana – Coronel Bolachinha)
05. Rouxinho da Bahia (Ferreira Pinto)
06. Menino chorão (Calazans Sabugi – Cacá Ribeiro)
07. Forró do atchim (Adalberto Rodrigues – Marinalva)
08. Meu triângulo (Calazans Sabugi – Zezinho)
09. Voltar pra minha terra (Tinga – Bernardo – Zezinho)
10. Forroteque (João Gonçalves – Coronel Caruá)

MUSICA&SOM ☝



Ana Cristina Cash – The Sunshine State (2026)

Ana Cristina Cash – The Sunshine State (2026)

Tracklist:
01 – Daybreak
02 – Cheap Margaritas
03 – Florida Girl
04 – Janice
05 – Last Call
06 – Don’t Give Up
07 – Un Break (Daybreak Versión En Español)
08 – Cheap Margaritas (Spanglish Version)
09 – Tu Última Llamada (Last Call Versión En Español)


Roc Marciano – 656 (2026)


Roc Marciano – 656 (2026)

Tracklist:
01 – Trick Bag
02 – Childish Things
03 – Hate Is Love
04 – Yves St. Moron
05 – Prince & Apollonia
06 – Vanity
07 – Rain Dance (feat. Errol Holden)
08 – Tracey Morgan Vomit
09 – Trapeze (feat. Errol Holden)
10 – Good For You
11 – Easy Bake Oven
12 – Melo

The Macc Lads – Wild Cider Wife (2026)

The Macc Lads – Wild Cider Wife (2026)

Tracklist:
01 – Curly Clare
02 – You Can Always Have More Kids
03 – Moaning Lisa
04 – Black Latrine
05 – Beer Of God
06 – Eat You All Up
07 – Wild Cider Wife
08 – Middle Fingers
09 – Mary, Queen Of Pox
10 – Grandad’s Jack The Lad
11 – Drinks For Girls
12 – Shabbi Gabardine
13 – Cadaver
14 – Mongleton

Tom Speight – Perfect Strangers (Deluxe Edition) (2026)

 

Tom Speight – Perfect Strangers (Deluxe Edition) (2026)

Tom Speight – Perfect Strangers (Deluxe Edition) (2026)

Tracklist:
01 – Buzzing
02 – Adaline
03 – Whole Wide World
04 – Perfect Strangers
05 – Adore
06 – Higher
07 – Sungirl
08 – My Friends
09 – Girlfriend
10 – Let Forever Be Today
11 – Getting to Know You
12 – Mystery
13 – Saskia’s Song
14 – I Liked You the Best

Royals – High Stakes & Heartaches (2026)


Royals – High Stakes & Heartaches (2026)

Tracklist:
01 – All In
02 – Talk About It (feat. Last Night Saved My Life)
03 – Fever (feat. Enrose)
04 – Spinning Out
05 – Good For Me (feat. WSTR)
06 – Killer
07 – Break Me
08 – Getaway
09 – California Weather
10 – End Of Us
11 – Can’t Let Go
12 – A Thousand Days (feat. Lauren Coleman)
13 – Sombre Song

POEMAS CANTADOS DE CAETANO VELOSO


Triste Bahia
Caetano Veloso

Triste Bahia
Oh, quão dessemelhante estás e estou
Do nosso antigo estado

Pobre te vejo a ti
Tu a mim, empenhado
Rica te vejo eu
Já tu a mim, abundante

Triste Bahia
Oh, quão dessemelhante
A ti tocou-te a máquina mercante
Quem tua larga barra tem entrado
A mim vem me trocando e tem trocado
Tanto negócio e tanto negociante

Triste
Oh, quão dessemelhante
Triste

Pastinha já foi à África
Pastinha já foi à África
Pra mostrar capoeira do Brasil

Eu já vivo tão cansado
De viver aqui na Terra
Minha mãe, eu vou pra Lua
Eu mais a minha mulher

Vamos fazer um ranchinho
Todo feito de sapê
Minha mãe, eu vou pra Lua
E seja o que Deus quiser

Triste
Oh, quão dessemelhante
Ê, galo cantou
Ê, galo cantou, camará
Ê, cocorocô
Ê, cocorocô, camará
Ê, vamo-nos embora
Ê, vamo-nos embora, camará
Ê, pelo mundo afora
Ê, pelo mundo afora, camará
Ê, triste Bahia
Ê, triste Bahia, camará
Bandeira branca enfiada em pau forte
Bandeira branca enfiada em pau forte
Bandeira branca enfiada em pau forte
Bandeira branca enfiada em pau forte

Afoxé leî, leî, leô
Afoxé leî, leî, leô
Afoxé leî, leî, leô
Afoxé leî, leî, leô

Bandeira branca
Bandeira branca enfiada em pau forte
Bandeira branca enfiada em pau forte
Bandeira branca enfiada em pau forte

O vapor de cachoeira não navega mais
O vapor de cachoeira não navega mais
O vapor de cachoeira não navega mais no mar
O vapor de cachoeira não navega mais no mar
O vapor de cachoeira não navega mais no mar

Triste Recôncavo
Oh, quão dessemelhante
Triste
Maria, pé no mato, é hora
Maria, pé no mato, é hora
Arriba a saia, vamo-nos embora
Arriba a saia, vamo-nos embora

Maria, pé no mato, é hora
Maria, pé no mato, é hora
Arriba a saia, vamo-nos embora
Arriba a saia, vamo-nos embora

Pé dentro, pé fora
Quem tiver pé pequeno vai embora
Pé dentro, pé fora
Quem tiver pé pequeno vai embora
Pé dentro, pé fora
Quem tiver pé pequeno vai embora

Oh, virgem mãe puríssima
Oh, virgem mãe puríssima
Oh, virgem mãe puríssima

Bandeira branca enfiada em pau forte
Bandeira branca enfiada em pau forte
Trago no peito a estrela do Norte
Bandeira branca enfiada em pau forte
Bandeira branca enfiada em pau forte
Trago no peito a estrela do Norte


Tristeza do Jeca (com Maria Bethânia)
Caetano Veloso

Nestes versos tão singelos
Minha bela, meu amor
Pra você quero contar
O meu sofrer a minha dor

Sou igual o sabiá
Quando canta é só tristeza
Desde o galho onde ele está

Nesta viola eu canto
E gemo de verdade
Cada toada representa
Uma saudade

Eu nasci naquela serra
Num ranchinho a beira-chão
Todo cheio de buraco
Onde a lua faz clarão

Quando chega a madrugada
Lá no mato a passarada
Principia o barulhão

Nesta viola eu canto
E gemo de verdade
Cada toada representa
Uma saudade

Lá no mato tudo é triste
Desde o jeito de falar
Pois o jeca quando canta
Dá vontade de chorar

E o choro que vai caindo
Devagar, vai se sumindo
Como as águas vão pro mar


 

Grandes canções: Deep Purple - "Space Truckin'" (1972)

 

"Space Truckin'" veio primeiro ao mundo como a faixa de fechamento do monumental álbum "Machine Head" (gravado em dez/71 e lançado em mar/72), do Deep Purple. Ritchie Blackmore já contou que a composição desta canção começou com o riff do refrão, inspirado na melodia-tema do programa de TV "Batman" (sim, aquele mesmo estrelado por Adam West e Burt Ward). Blackmore perguntou ao cantor Ian Gillan se ele poderia escrever uma letra sobre o riff e o restante da canção evoluiu a partir daí. Quando a banda tocou "Space Truckin'" pela primeira vez ao vivo, foi acrescentada uma parte instrumental (que originalmente fazia parte de "Mandrake Root") e isso provocou uma gradual evolução levando-a a se tornar um momento-vitrine para o órgão Hammond de Jon Lord e para os solos de guitarra de Ritchie Blackmore. Isso fez com que a duração dela fosse para mais de 20 minutos e sempre como último número do set principal. Um bom exemplo desse arranjo está no discaço "Made In Japan" (gravado em ago/72 e lançado em dez/72), no qual Blackmore também faz citação do solo de "Fools", do álbum "Fireball" (gravado entre set/70-jun/71 e lançado em set/71). Jon Lord fazia seu solo através de um modulador e parte num sintetizador ARP. Ritchie Blackmore dividia o solo de guitarra em duas partes, uma mais tranquila apenas com a bateria e outra bem porrada e com a banda toda. Nesta segunda parte, Blackmore costumava quebrar sua guitarra, tocá-la com seu pé e depois jogá-la no ar. Um desses momentos está eternizado na filmagem feita no California Jam Festival, em 1974, quando ele deixou cair uma guitarra na borda do palco, quebrou uma segunda contra a câmera de TV e depois ateou fogo em seu amplificador (que subsequentemente explodiu). Quando o Deep Purple voltou com esta formação em 1984, todo essa arranjo de "Space Truckin'" foi refeito incluindo partes de outras canções. No álbum "Live In London" (gravado em 74, mas só lançado em 82), há uma versão de 31 minutos para "Space Truckin'", lotada de improvisações e incluindo até uma parte do riff de "Child In Time". Duca total.
Space Truckin' / Viajando Pelo Espaço
We had a lot of luck on Venus / Tivemos um bocado de sorte em Vênus
We always had a ball on Mars / Sempre fizemos uma farra em Marte
Meeting all the groovey people / Encontramos pessoas bacanas
We've rocked the Milky Way so far / Botamos a Via Láctea pra dançar
We danced around with Borealis / Dançamos ao redor da Borealis
We're space truckin' round the stars / Nós estamos viajando pelo espaço ao redor das estrelas

Come on, come on, come on / Venha, venha, venha
Let's go space truckin' / Vamos viajar pelo espaço
Come on, come on, come on / Venha, venha, venha
Space truckin' / Viajar pelo espaço

Remember when we did the moonshot / Lembram quando fotografamos a lua
And Pony Trekker led the way / E Pony Trekker abriu o caminho
We'd move to the Canaveral moonstop / Nos nos mudamos para o Cabo Canaveral
And everynaut would dance and sway / E os astronautas dançaram e gingaram
We got music in our solar system / Botamos música no nosso sistema solar
We're space truckin' round the stars / Nós estamos viajando pelo espaço ao redor das estrelas

Come on, come on, come on / Venha, venha, venha
Let's go space truckin' / Vamos viajar pelo espaço
Come on, come on, come on / Venha, venha, venha
Space truckin' / Viajar pelo espaço

The fireball that we rode was moving / A bola de fogo que montávamos se movia
But now we've got a new machine / Mas agora temos uma nova máquina
Yeah, yeah, yeah, yeah the freaks said / Sim, sim, sim, sim os malucos disseram
Man, those cats can really swing / Pô, aqueles caras realmente mandam bem

They got music in their solar system / Eles têm música em seu sistema solar
They've rocked around the Milky Way / Eles abalaram a Via Láctea
They dance around the Borealis / Eles dançam ao redor da Borealis
They're space truckin' everyday / Eles ficam viajando pelo espaço todo dia

Come on, come on, come on / Venha, venha, venha
Let's go space truckin' / Vamos viajar pelo espaço
Come on, come on, come on / Venha, venha, venha
Space truckin' / Viajar pelo espaço

Yeah, yeah, yeah, space truckin' / Sim, sim, sim, viajar pelo espaço
Yeah, yeah, yeah, space truckin' / Sim, sim, sim, viajar pelo espaço
Yeah, yeah, yeah, space truckin' / Sim, sim, sim, viajar pelo espaço
Yeah, yeah, yeah, yeah / Sim, sim, sim, sim



"Jimi Plays Berkeley": uma longa e estranha viagem cinematográfica

"Jimi Plays Berkeley" nunca foi pensado para ser um filme finalizado. Como tantas coisas associadas ao rico legado do icônico guitarrista, "Jimi Plays Berkeley" tomou forma no vácuo turbulento criado pela morte prematura de Hendrix, em set/70. Que tenha se tornado um item comercial quando outras filmagens de shows de Hendrix definharam em outros lugares, em cofres ou foram deixadas sem serem reclamadas, foi algo devido inteiramente às manobras do empresário de Jimi, Michael Jeffery. O projeto começou em mai/70 como uma tarefa simples de Jeffery para Peter Pilafian. Pilafian era um faz-tudo musical. Ele era um violinista que se apresentou com "The Mamas & The Papas" e participou de uma série de álbuns durante a época. Ele também esteve envolvido no Monterey Pop Festival de 1967, onde Hendrix fez sua triunfante estreia americana. Aparentemente do nada, Jeffery entrou em contato com ele para avaliar seu interesse em filmar dois shows de Jimi Hendrix.
Jimi no palco em Berkeley (30/mai/70, 1º show)
"Inicialmente, Michael Jeffery queria que eu cobrisse os shows de Berkeley"
, explica Palafian. "Essa era nossa missão principal". Com pouca orientação de Jeffery além de documentar as performances, Pilafian organizou uma pequena equipe de produção e viajou de Los Angeles até Berkeley (que ficava 6 horas de viagem para o norte) para filmar os dois shows de Hendrix no Berkeley Community Theater em 30/mai/70. Hendrix poderia facilmente ter lotado o Oakland Coliseum, o local do último show do Experience no ano anterior, mas Jeffery tinha um motivo alternativo. Em vez disso, ele optou por fazer com que o promotor local Bill Graham agendasse dois shows em uma noite no famoso teatro de Berkeley. "Basicamente, Michael Jeffery queria a cobertura desses shows", lembra Pilafian. "Ele provavelmente tinha algum instinto sobre a importância provável daquele momento. As coisas estavam acelerando naquela época e Jeffery sentiu a importância de filmar esse tipo de coisa. Fomos lá com nossa equipe e, sendo bons documentaristas, cobrimos material periférico que estava acontecendo em Berkeley naquela época e falamos com as pessoas sobre o que elas pensavam sobre Hendrix". Com Pilafian e sua equipe prontos, Jeffery rapidamente colocou os planos em movimento para gravar profissionalmente ambas as performances. Hendrix contratou o caminhão de gravação móvel do famoso engenheiro de som Wally Heider e designou Abe Jacobs, que cuidava do som do guitarrista na turnê, para fazer a engenharia da gravação no local. As duas apresentações de Jimi em Berkeley não faziam parte de um itinerário de turnê. Hendrix havia começado uma sequência solta de datas nos EUA em 1970 com um show esgotado no Los Angeles Forum em 25/abr, mas o guitarrista havia restringido Jeffery a essencialmente agendar shows nos fins de semana, deixando os dias úteis para gravações em estúdio. "Nós apenas fazíamos o trabalho nos fins de semana e havia um tempo livre entre os shows", lembra o baterista do Experience, Mith Mitchell. "Jimi, sendo como era, estava usando muito o Electric Lady Studios, mesmo que ele estivesse inacabado".
Devon Wilson e Jimi numa limusine a caminho do Berkeley Community Theater
Os shows em Berkeley foram um de uma série do que Hendrix, sua banda e equipe viriam a conhecer como "fly-outs". Os dias de turnês de perua e pura resistência física já tinham passado, mas não eram esquecidos. "As turnês naquela época não eram tão sofisticadas quanto são hoje", relembra o baixista do Experience, Billy Cox"Hoje, as turnês têm apenas 100 milhas, 200 milhas. Cobríamos os EUA inteiro. Voávamos para o Texas e voltávamos depois". No dia das apresentações, Hendrix e seu pequeno grupo de companheiros de banda, amigos selecionados e equipe de estrada de confiança voaram para o oeste, para a Califórnia. Jeffery havia informado à comitiva de que os shows seriam filmados e gravados, antes da partida. Hendrix, por sua vez, consentiu com uma passagem de som à tarde no local para garantir que todos os requisitos técnicos seriam atendidos e verificados com antecedência. Esta foi uma concessão rara, sugere Billy Cox, pois Hendrix não gostava de passagens de som e geralmente as evitava. Pilafian foi instruído por Jeffery a encontrar Hendrix e sua equipe no hotel deles e o cineasta estava de prontidão quando o guitarrista e sua pequena comitiva chegaram em Berkeley. "Tínhamos acesso total a Jimi, porque estávamos trabalhando para Jeffery", relembra Pilafian. "Nós nos coordenamos com sua gerência antes que eles chegassem e nos víamos como parte da equipe". Essa proximidade de estranhos a Hendrix era altamente incomum. Em nenhum lugar, isso é melhor demonstrado do que na famosa cena em que um dos operadores de câmera de Pilafian vai do hotel até o local dos shows dentro da limusine do guitarrista. Essas imagens verdadeiras e nunca vistas da vida privada de Jimi, das quais existe uma escassez de filmagens em qualquer lugar, forneceram um vislumbre fascinante, ainda que fugaz, do lendário guitarrista longe do palco.
Pilafian conhecera Hendrix no Monterey Pop Festival em 1967, mas não teve mais contato com ele desde aquela breve apresentação. No entanto, ele estava genuinamente intrigado por Hendrix e esperava capturar sua personalidade inimitável e presença de palco da forma mais vívida possível. O impulso de revelar ainda mais detalhes sobre o celebrado guitarrista surgiu quase imediatamente após conhecer Hendrix. No entanto, Jeffery já havia predeterminado a tarefa de Pilafian. "Estávamos lá para obter cobertura de shows, não para fazer um documentário pessoal dos bastidores sobre Jimi", admite Pilafian. "Nós meio que tentamos fazer uma entrevista com ele. Lembro-me de filmar algumas coisas no quarto do hotel, mas não deu muito certo. Também passamos algum tempo nos bastidores com ele, mas não deu em nada. Jimi se isolou bastante com um grupo de seu pessoal para que ele não ficasse muito exposto em nenhum período de tempo. Essa foi claramente sua escolha. Eu meio que queria transmitir isso, já que era parte da cena geral de Hendrix, mas nossa missão era focar no show". Na época dos shows em Berkeley, Hendrix havia reformulado o Experience para incluir o baterista original Mitch Mitchell e o baixista Billy Cox. O trio havia se unido como uma unidade e havia uma camaradagem entre os três músicos que não existia durante os meses finais do Experience original, em 1969. "Quando Billy entrou na banda propriamente, se é que existe tal coisa, como uma unidade de três integrantes, isso me deu muito mais liberdade", lembrou Mitch Mitchell. "Comecei a me sentir incrivelmente feliz. Para mim, a banda com Jimi, Billy e eu, eu diria que, do ponto de vista musical, essa foi possivelmente a melhor banda que tivemos com Jimi. Foi uma delícia esperar pelos shows. Alguns deles estavam no mesmo circuito de shows de antes — os grandes festivais deixaram muito a desejar, mas houve alguns shows muito agradáveis"
Jimi no palco em Berkeley (30/mai/70, 2º show)
Hendrix deu ao público de Berkeley e à equipe de filmagem de Pilafian duas de suas melhores performances. Seu repertório não apenas abrangeu canções favoritas mais antigas, como "Purple Haze", "Hey Joe" e "I Don't Live Today", mas Hendrix também apresentou interpretações extraordinárias de novas músicas, como "Straight Head" (conhecida ainda como "Pass It On" na época desta performance) e "Hey Baby (New Rising Sun)". A tomada rápida e fascinante de Jimi para "Johnny B. Goode", de Chuck Berry, permanece como um dos momentos marcantes de sua carreira, assim como sua leitura prolongada e de tirar o fôlego de "Hear My Train A Comin'". Jimi Hendrix não criava setlists com antecedência, optando em vez disso por operar somente pelo feeling, lendo seu público e reagindo de acordo. "Não havia uma lista de canções há algum tempo", lembra Mitchell. "Quando Billy começou conosco e a liberdade de escopo começou, isso foi algo intencional de Jimi. Haveria muito mais coisas jogadas fora para fugir do que o público queria ou esperava ouvir". Sem ideia do que estava por vir ou em quais canções focar, a equipe de Pilafian deixou suas câmeras rodarem e capturou tudo o que puderam. "Usamos quatro câmeras para a filmagem do show", explica Pilafian. "Tínhamos alguém na sacada do teatro e, o mais importante, alguém bem na frente de Jimi, na beira do palco". Embora a equipe de filmagem de Pilafian tenha felizmente capturado partes de ambos os shows (a captura de "Johnny B. Goode" por si só justificou todo o esforço), eles não tinham operadores de filme e câmera suficientes para cobrir o show tão extensivamente quanto outras aparições de Hendrix em festivais como Monterey Pop e Woodstock. Por décadas, os fãs de Hendrix têm sido atormentados por partes incompletas e muitas vezes aleatórias de joias como "Hear My Train A Comin'" e "I Don't Live Today", sem falar na ausência de muitos outros momentos inspirados. Pilafian pode oferecer pouco consolo, pois para cada joia preservada para a posteridade como "Voodoo Child (Slight Return)", muitas outras simplesmente escaparam do alcance de sua equipe. Logo após o show, pouco foi feito com o material que foi filmado e gravado. As fitas master do show foram enviadas para Eddie Kramer no Electric Lady Studios, mas a filmagem começou uma odisseia peculiar por si só, graças inteiramente a Michael Jeffery. Peter Pilafian explica: "Depois que filmamos o show, Michael Jeffery, sendo o canalha que era, se recusou a adiantar o pagamento pela maior parte do que tínhamos feito. Eu basicamente disse a ele que ele não poderia ficar com o filme até recebermos um cheque. Enquanto isso, eu o coloquei na geladeira e essa foi a última vez que ouvi falar dele por vários meses. De repente, quando Jimi morreu, começamos a receber telefonemas dele. Isso foi alguns dias após a morte de Jimi. De repente, essa filmagem se tornou muito importante, e Jeffery disse que ele iria transferir o dinheiro e assim por diante, mas eu não achei que essa seria a melhor vantagem da situação. Eu basicamente o segurei em vez de apenas dar a ele o negativo não processado"
Jimi tocando em Berkeley, CA (30/mai/70 – 2º show)
"Na verdade, nunca nos preocupamos em revelar o filme porque nunca recebemos dinheiro dele. Ele ficou na nossa geladeira por quase quatro meses. Nenhum de nós jamais viu o que filmamos. Se não fossemos pagos, eu não revelaria o filme. Eu era ingênuo, mas não tão ingênuo assim"
"Agora, de repente, toda aquela pressa e eu estava recebendo muita pressão para finalizar o filme", continua Pilafian. "Eu recusei e declarei meu desejo de fazer um filme sobre aquilo, porque até aquele ponto, era simplesmente uma cobertura de show". Jeffery ficou numa situação altamente incomum. Ele ainda não havia visto nenhuma das filmagens, mas com seu artista agora falecido e o interesse em todas as coisas de Hendrix num pico sem precedentes, o combativo ex-agente britânico do MI-5 que virou empresário Pop cedeu e aceitou um acordo. "Consegui que Jeffery concordasse com um acordo de que faríamos e entregaríamos um filme finalizado e ele pagaria o custo disso", explica Pilafian. "Demos início a isso e Baird Bryant foi o editor". Bryan era colega de Pilafian e da operadora de câmera Joan Churchill e foi selecionado para editar o material para criar um filme para o cinema. "Eu era amigo de Peter e Joan, e eles queriam que eu fosse lá e filmasse aquilo com eles originalmente, mas eu recuei", detalha Bryant. "Quando eles voltaram com todas as filmagens, eles nem tinham dinheiro suficiente para revelá-las. Eles simplesmente as colocaram na prateleira por meses. Peter realmente não sabia como fazer um filme com o que eles tinham. Eles me pegaram como editor e me deram carta branca e disseram: 'Aqui está. Faça um filme'". Quase imediatamente, a falta de material de palco, especialmente performances completas das canções, levou os cineastas a expandir o conteúdo para incluir muito da cena política de Berkeley. "O material (da performance de Hendrix) era muito escasso", admite Bryant. "Quando olho para ele agora, posso ver que usei as tomadas das luzes do palco para me ajudar a passar por ele até certo ponto. No entanto, ainda tem um impacto incrível"
Para ampliar o escopo político do filme, Bryant e Pilafian incorporaram filmagens de moradores de Berkeley protestando (com pouco sucesso) contra a exibição de Woodstock em um cinema local. Bryant também editou filmagens de tumultos que foram filmadas independentemente por Johann Rush. "Nós compramos um pouco de filme desse cinegrafista que filmou os tumultos de Berkeley e usamos essas coisas em 'Machine Gun'", explicou Bryant. "Eu sabia sobre ele porque eu tinha encontrado esse cara anteriormente em Nova Orleans, onde ele tinha sido um novo cinegrafista. Ele também tinha trabalhado num documentário italiano de 35 mm chamado 'America: God's Own Country'. Ele era como um cinegrafista de combate. Ele tinha filmado os tumultos em Los Angeles e adorava entrar no meio da batalha com balas voando por todo lado. Ele estava em São Francisco e eu entrei em contato com ele e perguntei se conhecia alguém que tivesse filmagens dos tumultos em Berkeley. Ele disse, 'Sim, eu conheço!' Então, eu trabalhei esse material no filme". Apesar dos esforços deles, nenhum material estranho conseguiu igualar a clareza e o poder do próprio “Machine Gin” de Jimi. Com uma versão editada agora em mãos, Bryant e Pilafian ainda não tinham o título do filme. "Foi engraçado, quando Baird e eu levamos o filme para a casa de títulos para pedir um título, ainda não sabíamos como chamar a coisa", relembra Pilafian. "Estávamos parados na janela escrevendo o pedido e eu olhei para Baird e perguntei: 'Como vamos chamar esse pequeno filme?' Um de nós apenas disse... 'Que tal Jimi Plays Berkeley?' O nome veio bem no último minuto".
Com uma cópia de 'Jimi Plays Berkeley' debaixo do braço, Pilafian voou para NYC para conhecer Michael Jeffery. Nem Jeffery, nem ninguém de seu staff tiveram qualquer contribuição para o filme naquele momento. Pilafian esperava que seus esforços fossem recebidos com entusiasmo, mas em vez disso, seu relacionamento com Jeffery começou mal e se deteriorou rapidamente. "Nós entregamos o filme, que tinha sido originalmente filmado em 16mm, por cerca de US$ 22.000", lembra Pilafian. "Baird e eu criamos o melhor filme que pudemos com o material que tínhamos. Jeffery se recusou a me pagar, mas disse que o faria em cerca de três ou quatro semanas. Isso nunca aconteceu. Então, advogados se envolveram e as coisas se arrastaram. Finalmente, negociamos um acordo em que eu aumentaria minha porcentagem (de lucro) em troca de pagamento imediato. Claro, ele me pagou com um cheque sem fundo que não foi compensado por um mês". Com Pilafian agora posto de lado, Jeffery decidiu criar seu próprio filme a partir dos materiais subjacentes. Ele estava bem ciente do impacto comercial que os filmes Monterey Pop e Woodstock tiveram na carreira de Jimi. Ele estava determinado a maximizar o desejo considerável do público de ver qualquer filmagem de seu falecido herói. Para renovar o filme, Jeffery designou o engenheiro do Electric Lady Studios, John Jansen, para reeditar o filme, "Jimi Plays Berkeley" foi feito como um documentário de uma hora", descreve Jansen. "Jeffery queria que fosse um longa-metragem e me perguntou se eu poderia fazê-lo. Eu disse claro, 'Por que não?' Eu nunca erraria. Então, eu recoloquei toda a filmagem de volta, porque eles haviam cortado tudo muito estranho. A música nunca fora sincronizada corretamente. Tudo o que eu sei é que todos — todos os cinegrafistas devem ter tomado ácido — principalmente o cara na sacada com a lente de zoom. Porque toda vez que você olha para a filmagem dele, ele estava aumentando e diminuindo o zoom supostamente no tempo com a música. Um horror! E eu estava lá editando o filme, bem na hora em que saí do Electric Lady Studios e fui para a Inglaterra. Alguém gritou: 'O carro chegou'. Eu disse: 'Graças a Deus' e joguei o filme no chão, pulei no carro, dirigi até o aeroporto e fui embora".
Sem se deixar abater, Jeffery completou um novo corte do filme. Esta edição reduziu mais as filmagens do protesto de Berkeley e teve um tempo de execução de menos de uma hora. Jeffery levou o filme para a estrada, aceitando reservas em faculdades e cinemas independentes, onde começou a desfrutar de um culto de seguidores. Jeffery frequentemente agendava o filme junto com sua outra incursão cinematográfica, o desastroso "Rainbow Bridge". Jeffery até fez turnê com "Jimi Plays Berkeley" em shows, usando-o como parte do projeto na Europa que apresentava Cat Mother & The All-Night Newsboys e Jimmy & Vela — dois grupos de artistas restantes em seu escritório de gestão. A morte de Jeffery em um acidente de avião em mar/73 atrapalhou qualquer desenvolvimento posterior do filme. Com o advento do DVD/Blu-ray, surgiu a oportunidade de fornecer aos fãs material bônus ou edições expandidas de filmes cult exatamente como "Jimi Plays Berkeley". Teria sido maravilhoso revisitar o filme e tentar restaurar o máximo possível das magníficas performances de Jimi em concertos. Infelizmente, nenhuma das sobras do filme foi entregue à família Hendrix pela administração anterior que controlou o legado do guitarrista por mais de duas décadas. Talvez, elas possam surgir algum dia e ajudar a revelar ainda mais o comando e a vitalidade extraordinários de Jimi. "Jimi Plays Berkeley" continua sendo um retrato falho, mas essencial, de quão especial era uma apresentação de Jimi Hendrix.



Destaque

Novinho da Paraíba – Novinho da Paraíba 1994

  Colaboração do Lourenço Molla, de João Pessoa – PB Mais um disco do Novinho da Paraíba . Produção musical de Gennaro e Sérgio Kyrillos. N...