segunda-feira, 20 de julho de 2026

ROCK ART


 

Heavier Things (Aware / Columbia, 2003), John Mayer

 


É possível uma cena de filme influenciar o futuro de uma pessoa? Para o cantor e compositor John Mayer, foi exatamente isso o que aconteceu. Aos 13 anos, ao ver Michael J. Fox encenar o solo de “Johnny B. Goode” no filme De Volta para o Futuro, Mayer decidiu o que queria ser profissionalmente: guitarrista. 

Filho de um diretor escolar e de uma professora de inglês, John Mayer nasceu em 16 de outubro de 1977, em Bridgeport, Connecticut, mas cresceu na vizinha Fairfield. Até aquela cena do filme, a guitarra elétrica era um mistério para o garoto; a partir dali, tornou-se obsessão. Não demorou para que seu pai alugasse uma guitarra, e Mayer passou a dedicar horas aprendendo acordes e dedilhados. O presente de um vizinho — uma fita de Stevie Ray Vaughan — fez o jovem mergulhar no blues, iniciando uma “caçada genealógica” que o levou a Buddy Guy, B.B. King, Freddie King, Albert King e Jimi Hendrix. 

Após breve passagem pela Berklee College of Music, em Boston, Mayer percebeu que a sala de aula não era suficiente. Em 1998, mudou-se para Atlanta, formou o duo LoFi Masters com Clay Cook e logo depois iniciou carreira solo. O EP Inside Wants Out chamou atenção, mas foi em 2001, com o lançamento de Room For Squares, que Mayer explodiu no mainstream. O disco vendeu pouco mais de 5 milhões de cópias, rendeu um Grammy por “Your Body Is a Wonderland” e o alçou ao posto de astro pop. Mas o sucesso trouxe um dilema: Mayer queria ser levado a sério como compositor e guitarrista, não apenas como galã de rádio. 

Dois anos depois, em setembro de 2003, surgia Heavier Things. Como o título sugere, o álbum buscava profundidade maior, mesmo sem perder a leveza melódica que já era sua marca. Um passo adiante para provar que Mayer não seria uma moda passageira, mas um artista disposto a amadurecer diante das câmeras, dos microfones e, sobretudo, da própria consciência. 

Produzido por Jack Joseph Puig, conhecido pelo polimento técnico e pelo equilíbrio entre clareza e emoção, Heavier Things trouxe uma sonoridade mais elaborada do que o trabalho anterior. Mayer gravou partes do disco em seu apartamento em Nova York, o que lhe deu liberdade criativa, mas contou também com sessões no prestigiado Avatar Studios. A Columbia Records, ciente do risco de saturar o público, optou por uma campanha de marketing discreta. Nada de exagero: Mayer seria apresentado como cantor e compositor legítimo, mais preocupado com a música do que com a fama. 

Em termos de arranjo, o álbum incorporou metais, loops e camadas discretas de estúdio que enriqueceram o pop acústico de Mayer sem descaracterizá-lo. O próprio título, Heavier Things, foi escolhido pelo artista por sua ambiguidade: “coisas pesadas”, mas também algo sem definição fixa, um termo que, segundo ele, poderia soar ao mesmo tempo profundo e banal. 

Capa do primeiro álbum de John Mayer, Room for Squares.

Enquanto Room for Squares falava em tons juvenis sobre amores e descobertas, Heavier Things caminha em direção à introspecção, à busca por clareza e ao confronto com a incompletude. Mayer equilibra canções leves com faixas que questionam sua própria identidade, sua espiritualidade e o sentido da vida. É um disco de contradições: ambicioso e minimalista, pop e filosófico, romântico e irônico. 

“Clarity” abre o álbum como quem ergue a cortina e deixa a luz entrar lentamente. O trompete de Roy Hargrove, músico convidado, colore a melodia em tons dourados, enquanto a bateria de Questlove (do The Roots), fluida e meio jazzística, estabelece um ritmo que parece respirar. John Mayer canta como se tentasse segurar o instante entre os dedos, sabendo que ele inevitavelmente escapa. É uma introdução contemplativa, um convite a parar o tempo por alguns minutos. 

Em seguida, “Bigger Than My Body” rompe essa serenidade com energia elétrica, transformando a inquietação em música. Inspirada por um show do Coldplay, a faixa é movida pelo desejo de ultrapassar limites. O uso do pedal AdrenaLinn cria uma textura cintilante, que amplifica o sentimento de urgência. Mayer soa impaciente e ao mesmo tempo confiante, como quem escreve um manifesto pessoal de crescimento. É pop carregado de esperança, feito para soar grande. 

“Something’s Missing” mergulha no oposto: o vazio inexplicável. O arranjo é discreto, a voz melancólica, a letra repleta de imagens triviais que escondem angústia. O refrão não explode — apenas se arrasta como quem se questiona sem encontrar resposta. Mayer fala do incômodo de se ter tudo e ainda assim sentir falta de algo, tocando na ferida da insatisfação contemporânea. 

Esse clima se desdobra em “New Deep”, mas agora temperado com sarcasmo. John Mayer ironiza a busca por profundidade espiritual, chegando à conclusão de que talvez a apatia seja o novo sentido das coisas. “Numb is the new deep” (“Ser insensível é a nova profundidade”), canta Mayer, rindo de si mesmo. O instrumental é contido, quase minimalista, reforçando o caráter de comentário existencial feito com uma sobrancelha levantada. 

Detalhe da arte de duas das páginas do encarte do álbum Heavier Things.

“Come Back to Bed” muda o registro e se aproxima do soul. Os metais entram quentes, o groove é suave e a voz de Mayer pede, implora, deseja. Não é só um chamado para o corpo, mas para a alma do outro: um amor que faz falta em todos os níveis. A vulnerabilidade é escancarada, e a canção se torna um dos momentos mais maduros do disco. 

Na contramão do glamour, “Home Life” apresenta Mayer fantasiando com a vida doméstica. O desejo por rotina, estabilidade e aconchego surge em contraste com a fama global que ele experimentava. É quase paradoxal ouvir um artista em ascensão cantar sobre o sonho de simplicidade, mas é justamente nessa contradição que a música encontra sua força. 

“Split Screen Sadness” chega carregada de melancolia cinematográfica. A metáfora da tela dividida traduz a distância entre duas pessoas que já não se encontram mais, vivendo cada uma em seu próprio enquadramento. As camadas instrumentais crescem e recuam, como ondas emocionais. Mayer canta com honestidade brutal, confessando que teria preferido uma luta até o fim a uma despedida silenciosa. 

Com “Daughters”, tudo se reduz ao essencial. Apenas violão, voz e um toque de percussão discreta. É simples, direta, quase um sussurro que acabou ecoando pelo mundo inteiro. A letra, voltada para os pais e mães, se transformou em mensagem universal. Não por acaso, essa faixa lhe rendeu o Grammy de “Canção do Ano” em 2005. Uma balada pequena em arranjo, mas imensa em alcance. 

“Only Heart” devolve a leveza ao álbum. As guitarras ganham brilho retrô, o ritmo se solta e Mayer parece brincar em estúdio. É pop com atitude, menos preocupado em soar profundo e mais interessado em liberar energia. Uma pausa ensolarada depois da intensidade emocional que veio antes. 

Por fim, “Wheel” fecha o disco como reflexão serena. A metáfora da roda — ciclos que começam, terminam e retornam — serve de base para uma despedida tranquila. John Mayer canta sobre o amor que dá e que, acredita, um dia voltará. A faixa termina em voz quase solitária, deixando o ouvinte suspenso, como se a roda ainda girasse sem destino final.

John Mayer  posa com os dois troféus conquistados  nas categorias de  
"Melhor Performance Vocal Pop Masculina " e "Canção do Ano" (por "Daughters")  
na 47ª edição do Grammy Awards, em Los Angeles, em  fevereiro de 2005.

Lançado em 9 de setembro de 2003, Heavier Things estreou em primeiro lugar na Billboard 200, vendendo mais de 317 mil cópias na primeira semana. No total, alcançou disco triplo de platina nos Estados Unidos e certificados em países como Canadá, Austrália e Reino Unido. 

A crítica, porém, foi dividida. A Billboard afirmou que John Mayer se consolidava como cantor e compositor legítimo, enquanto a Rolling Stone o chamou de “mais sofisticado” que em Room for Squares. A Spin, por outro lado, considerou o álbum excessivamente polido. O Entertainment Weekly ironizou a pretensão do título do disco, mas reconheceu canções de impacto como “Bigger Than My Body”. 

O Grammy para “Daughters” elevou o status do disco. Mayer dedicou o prêmio à avó falecida, mas confessou, anos depois, achar que Alicia Keys merecia mais. De toda forma, Heavier Things lhe deu reconhecimento não apenas como pop star, mas como compositor capaz de dialogar com temas universais. 

Heavier Things foi a ponte entre o Mayer romântico de Room for Squares e o artista maduro de Continuum, lançado em 2006. Aqui, ele experimentou arranjos mais ricos, ousou no lirismo e mostrou que sua música poderia abarcar tanto o pop radiofônico quanto reflexões existenciais. 

O disco provou que Mayer não era apenas o autor de um hit adolescente, mas alguém disposto a dialogar com o blues, o soul e, ao mesmo tempo, com as inquietações de sua geração. Foi nesse equilíbrio entre leveza e peso, ironia e sinceridade, que Heavier Things se tornou essencial.

 

Todas as faixas escritas e compostas por John Mayer, exceto onde indicado.

 

1."Clarity"                  

2."Bigger Than My Body"                  

3."Something's Missing"                   

4."New Deep"                        

5."Come Back to Bed"                       

6."Home Life" (Mayer; David LaBruyere)    

7."Split Screen Sadness"                   

8."Daughters"                        

9."Only Heart"                       

10."Wheel"

 

John Mayer — vocal em todas as faixas, guitarras em todas as faixas

David LaBruyere — baixo em todas as faixas, exceto a 8

Jamie Muhoberac — teclado em todas as faixas, exceto a 9

Lenny Castro — percussão em todas as faixas, exceto 6, 9 e 10


"Clarity" (videoclipe oficial)

"Bigger Than My Body" (videoclipe oficial)

"Something's Missing"

"New Deep"

"Come Back to Bed"

"Home Life"

"Split Screen Sadness"

"Daughters" (videoclipe oficial)

"Only Heart"

"Wheel"

Matanza lançou o compacto em vinil "Assim Começa a Bebedeira" em 2016,


Matanza lançou o compacto em vinil "Assim Começa a Bebedeira" em 2016, pela gravadora Deck/Polysom, como um lançamento especial para colecionadores. O disco marcou o primeiro compacto de 7 polegadas da banda e chegou um ano após o álbum Pior Cenário Possível, trazendo uma faixa inédita e uma homenagem a uma das maiores influências do grupo.
No lado A está "Assim Começa a Bebedeira", composição do guitarrista Donida. A música reúne todos os elementos que consagraram o chamado "countrycore" do Matanza: riffs pesados, levada acelerada, humor ácido e uma narrativa divertida sobre uma noite de bebedeira que se estende até a manhã de segunda-feira, transformando uma discussão de bar em uma verdadeira celebração do caos etílico. A faixa foi gravada no Estúdio Tambor, no Rio de Janeiro, e tornou-se rapidamente uma das favoritas dos fãs.
O lado B apresenta uma versão de "Boys From the County Hell", clássico da banda irlandesa The Pogues. A gravação ganhou ainda mais peso com a participação especial de Billy Graziadei, da banda Biohazard. A escolha da música evidencia a forte influência do punk, do folk e do rock de raiz na sonoridade do Matanza, elementos que sempre fizeram parte da identidade do grupo.
Curiosidade: este compacto foi um dos últimos lançamentos inéditos do Matanza antes do encerramento de suas atividades, em 2018. Além de agradar aos colecionadores de vinil, serviu como uma homenagem às raízes musicais da banda e reforçou a ligação entre o country, o punk e o heavy metal que definiu sua carreira.



Lançado em 1983, Madonna marcou a estreia de Madonna


Lançado em 1983, Madonna marcou a estreia de Madonna e deu início a uma das carreiras mais influentes da história da música pop. Misturando dance-pop, pós-disco, synth-pop e a energia da cena clubber de Nova York do início dos anos 1980, o álbum apresentou uma artista que já demonstrava forte personalidade e visão artística. Embora a produção principal tenha ficado a cargo de Reggie Lucas, Madonna interferiu ativamente no resultado final, chegando a chamar John "Jellybean" Benitez para remixar algumas faixas, insatisfeita com parte do trabalho inicial.
Musicalmente, o disco é construído sobre sintetizadores, baterias eletrônicas e linhas de baixo marcantes, criando um som dançante que envelheceu muito bem. As letras abordam temas como romance, desejo, independência e diversão, sempre com um tom leve e sedutor. Faixas como "Holiday", "Lucky Star", "Borderline", "Burning Up" e "Everybody" transformaram Madonna em uma sensação das pistas de dança antes mesmo de ela dominar as paradas de sucesso. "Holiday" tornou-se seu primeiro grande hit internacional, enquanto "Borderline" e "Lucky Star" consolidaram sua presença na MTV, onde seu visual e atitude passaram a influenciar uma geração inteira.
Madonna de 1983 é um dos discos de estreia mais importantes da música pop. Seu sucesso foi gradual, impulsionado pela sequência de singles, até alcançar grande repercussão comercial e abrir caminho para a explosão mundial da cantora nos anos seguintes. Mais do que um simples primeiro álbum, ele estabeleceu as bases do estilo que faria de Madonna a "Rainha do Pop": domínio da cultura dance, preocupação com a imagem, talento para criar refrões memoráveis e uma capacidade incomum de antecipar tendências.



Lançado em 25 de março de 1977, Works Vol. 1 é o quinto álbum de estúdio do Emerson, Lake & Palmer


Lançado em 25 de março de 1977, Works Vol. 1 é o quinto álbum de estúdio do Emerson, Lake & Palmer e um dos projetos mais ambiciosos da história do rock progressivo. Editado como um LP duplo pela Atlantic Records, o disco surgiu após um hiato de quase três anos da banda. Em vez de seguir a fórmula tradicional, o trio decidiu dividir o álbum de forma inédita: cada integrante ocupou um lado do vinil com composições próprias, enquanto o quarto lado reúne o grupo tocando em conjunto.
A proposta evidencia a personalidade musical de cada integrante. Keith Emerson abre o álbum com o monumental "Piano Concerto No. 1", uma obra de cerca de 18 minutos gravada com a London Philharmonic Orchestra, refletindo sua forte influência da música erudita. A peça demonstra seu virtuosismo ao piano e sua habilidade como compositor, aproximando o rock da música clássica de maneira ousada.
O segundo lado pertence a Greg Lake, que apresenta um conjunto de canções mais melódicas e acessíveis. Entre elas destaca-se "C'est la Vie", uma delicada balada acústica que se tornou um dos maiores sucessos da carreira do ELP, além de faixas como "Hallowed Be Thy Name" e "Closer to Believing", que evidenciam seu talento como cantor e compositor.
No terceiro lado, Carl Palmer explora diferentes estilos, misturando rock, jazz e música clássica. Faixas como "L.A. Nights", "New Orleans" e uma releitura de "Tank" destacam sua técnica impressionante na bateria e sua versatilidade musical.
O quarto lado reúne novamente o trio e traz duas composições memoráveis. A primeira é "Fanfare for the Common Man", adaptação da obra de Aaron Copland, que se tornou um dos maiores clássicos do ELP graças ao marcante riff de sintetizador de Keith Emerson e ao poderoso trabalho rítmico de Carl Palmer. O álbum encerra com "Pirates", uma longa suíte sinfônica que combina orquestrações, mudanças de andamento e interpretações dramáticas, considerada por muitos fãs uma das obras-primas da banda.



Lançado em 24 de maio de 1988, OU812 é o oitavo álbum de estúdio do Van Halen e o segundo com Sammy Hagar nos vocais


Lançado em 24 de maio de 1988, OU812 é o oitavo álbum de estúdio do Van Halen e o segundo com Sammy Hagar nos vocais, consolidando a nova fase da banda iniciada com 5150 (1986). O disco foi gravado no lendário 5150 Studios, de Eddie Van Halen, e produzido pela própria banda em parceria com o engenheiro Donn Landee. O resultado foi um álbum que equilibrou hard rock, melodias marcantes e um refinamento na produção, alcançando o primeiro lugar na Billboard 200 e vendendo mais de quatro milhões de cópias apenas nos Estados Unidos.
Musicalmente, OU812 mostra um Van Halen mais maduro, combinando o virtuosismo da guitarra de Eddie Van Halen com refrões acessíveis e maior presença dos teclados. Ao mesmo tempo, o álbum preserva a energia característica da banda, graças ao trabalho preciso de Alex Van Halen na bateria e às linhas de baixo e harmonias vocais de Michael Anthony. A química entre os quatro músicos consolidou a chamada fase "Van Hagar", que renderia alguns dos maiores sucessos comerciais do grupo.
Entre os destaques está "When It's Love", uma poderosa power ballad que alcançou o Top 5 da Billboard Hot 100 e se tornou um dos maiores sucessos da carreira da banda. Também merecem atenção "Finish What Ya Started", que surpreende pela influência do country e do blues em sua construção; "Black and Blue", um hard rock vigoroso impulsionado pelos riffs de Eddie; "Mine All Mine", que abre o álbum com sintetizadores grandiosos; e "Cabo Wabo", inspirada no famoso bar de Sammy Hagar em Cabo San Lucas, no México.
Apesar do forte apelo comercial, o álbum também traz momentos mais pesados, como "A.F.U. (Naturally Wired)" e "Source of Infection", que evidenciam a impressionante técnica de Eddie Van Halen. O encerramento fica por conta de "A Apolitical Blues", versão da banda Little Feat, única regravação lançada pelo Van Halen durante a era Sammy Hagar.



Lançado em 1984 pela gravadora Barclay/PolyGram, Em Cartaz... é um dos álbuns mais importantes da carreira de Tunai


Lançado em 1984 pela gravadora Barclay/PolyGram, Em Cartaz... é um dos álbuns mais importantes da carreira de Tunai. O disco consolidou o artista como um dos grandes nomes da MPB romântica dos anos 1980, reunindo melodias sofisticadas, letras sensíveis e uma produção refinada que valorizava sua voz suave e seu talento como compositor. Foi também o trabalho que apresentou ao público seu maior sucesso, "Frisson", canção que atravessou gerações e permanece como um clássico da música brasileira.
A sonoridade do álbum equilibra MPB, pop e baladas românticas, com arranjos elegantes de teclados, violões e cordas. Grande parte das composições nasceu da parceria entre Tunai e o letrista Sérgio Natureza, responsável por letras poéticas que tratam do amor, da saudade e dos encontros da vida cotidiana. O resultado é um disco coeso, marcado por melodias envolventes e interpretações delicadas.
O grande destaque é "Frisson", uma das baladas mais conhecidas da música brasileira. A canção alcançou enorme sucesso nas rádios e ganhou ainda mais popularidade em 1999, ao integrar a trilha sonora da novela Suave Veneno. Ao longo dos anos, foi regravada por diversos artistas, tornando-se a obra mais emblemática da carreira de Tunai.
Além de "Frisson", o álbum apresenta outras faixas marcantes, como "Tudo de Bom", "Eternamente", "Por Todos os Cantos" e "Mar do Nosso Amor", esta última composta em parceria com Milton Nascimento. As músicas revelam a habilidade de Tunai em criar melodias memoráveis sem abrir mão da sofisticação harmônica característica da MPB.



Lançado em 1993 pela WEA, ** Ó! ** é o quarto álbum de estúdio do Ultraje a Rigor composto inteiramente por músicas inéditas.


Lançado em 1993 pela WEA, ** Ó! ** é o quarto álbum de estúdio do Ultraje a Rigor composto inteiramente por músicas inéditas. O disco chegou em um momento de transição para a banda, quando o cenário do rock brasileiro era dominado pelo grunge e por uma nova geração de grupos. Apesar das dificuldades enfrentadas com a gravadora e da pouca divulgação, o álbum preserva o humor ácido, a irreverência e a crítica social que sempre marcaram o trabalho liderado por Roger Moreira.
A produção foi realizada em um período curto, com orçamento reduzido, o que resultou em um som mais direto e cru do que os discos anteriores. Ainda assim, o álbum mantém guitarras marcantes, refrões pegajosos e letras carregadas de ironia, abordando temas como relacionamentos, comportamento e situações do cotidiano com o sarcasmo característico da banda.
O principal destaque é "Acontece Toda Vez Que Eu Fico Apaixonado", escolhida como música de trabalho. A canção ganhou um videoclipe de boa repercussão na MTV Brasil e tornou-se a faixa mais lembrada do álbum, embora seu sucesso não tenha sido suficiente para impulsionar as vendas do disco. Outras músicas, como "Pela Décima Vez", "Faz o Que Eu Digo" e "Não Vai Dar", mostram um Ultraje um pouco mais maduro, sem abrir mão do rock bem-humorado que o consagrou na década de 1980.



Nik West lança cover incrível de "Just Friends (Sunny)" de Musiq Soulchild


A baixista, cantora e compositora Nik West, natural de Phoenix, Arizona, acaba de lançar uma versão belíssima e resplandecente do sucesso de 2000 de Musiq Soulchild, "Just Friends (Sunny)". Ela traz seu timbre rico e exuberante para o clássico do neo-soul/R&B e entrega uma performance vocal primorosa. Nik West infunde sua voz com uma  alma suave e sensual, sem esforço algum . A canção tem um arranjo e uma execução impecáveis, elevados pelo fantástico trabalho de baixo de West. 

Em suas páginas do Instagram e do Facebook, West conta como surgiu sua versão de “Just Friends (Sunny)”. Ela disse que, dez anos atrás, postou um vídeo dela tocando a música em seu quarto. É um vídeo simples, sem muitos adornos, apenas dela tocando baixo e cantando. Ela explicou que havia estado na Austrália no dia anterior, onde passou um tempo com Prince durante a turnê Piano & a Microphone de 2016. Antes de ir embora, Prince lhe deu seu gorro, e ela o vestiu, pegou seu baixo e gravou o vídeo de “Just Friends (Sunny)” em seu quarto. 


Pouco tempo depois, Prince me mandou uma mensagem dizendo o quanto ele tinha adorado. Nunca vou me esquecer disso. Quando postei, milhões de pessoas assistiram. Milhares de vocês dançaram, compartilharam e continuaram me fazendo a mesma pergunta: “Quando você vai lançar isso?”. Então a vida mudou. Depois que Prince faleceu, achei difícil voltar a ouvir essa música. Cada vez que a ouvia, ela me transportava de volta àquele momento. Mas algumas músicas esperam o momento certo. Dez anos depois, “Just Friends” finalmente é de vocês… Obrigado por esperarem.


A espera definitivamente valeu a pena. Sua versão do clássico é sublime, trazendo uma vibração e uma sensação totalmente novas para a música. Ao longo dos anos, West continuou a crescer como cantora, compositora, musicista e artista, mostrando que Prince sempre reconheceu o verdadeiro talento quando o viu. Ele descobriu West no YouTube e a orientou e trabalhou em estreita colaboração com ela por vários anos. Ela disse que Prince é um dos maiores mentores que já teve. West está atualmente em turnê por oito países e tem 11 shows agendados, com o próximo marcado para 25 de julho em Jena, Alemanha. Visite seu site oficial para conferir a agenda completa da turnê.





Vídeo de Nik West interpretando "Just Friends (Sunny)" em seu quarto em 2016


"Get On The Boat" de Prince

 


"Get On The Boat" é a décima segunda e última faixa do 31º álbum de estúdio de Prince, 3121, lançado em 21 de março de 2006 pela NPG Records. Essa faixa dinâmica explode com funk e urgência. Apresenta um arranjo de metais incrível, uma batida feroz e uma linha de baixo poderosa. Prince infunde sua voz com muita fúria e convicção. Os vocais de apoio marcantes de Támar Davis complementam perfeitamente o vocal principal rouco de Prince. E o titã do funk, Maceo Parker, acende uma chama arrebatadora com um solo de saxofone poderoso. Prince adoça o groove com seu piano suave com toques latinos, e Ray Monteiro libera um funk visceral com um solo de trompete matador. Além disso, a música conta com uma ponte maravilhosa e um trabalho de percussão estelar de Sheila E. 

"Get On The Boat" tem como tema bíblico a busca pela salvação espiritual à medida que o Apocalipse se aproxima. Faz referência à Arca de Noé – mencionada no livro de Gênesis – uma embarcação colossal de libertação de um dilúvio cataclísmico iminente. A canção exorta pessoas de todas as raças, nações e crenças a se unirem e embarcarem no barco da salvação para receberem libertação e redenção diante da tribulação do fim dos tempos.


 A música de Prince sempre teve elementos espirituais, mas eles se tornaram muito mais pronunciados depois que ele se converteu à fé das Testemunhas de Jeová em 2001. Ele sempre buscou um equilíbrio espiritual em sua arte. E esta faixa é um ótimo exemplo dessa busca. Ela tem uma mensagem religiosa clara, mas transmitida no estilo ousado e funky inimitável de Prince, o que impede que soe como um sermão.  


"Get On The Boat" foi escrita e produzida por Prince. Ele tocou guitarra e teclados na faixa. Os outros músicos foram Joshua Dunham (baixo), Cora Coleman-Dunham (bateria) e Sheila E. (percussão). A seção de metais foi composta por Maceo Parker (saxofone), Greg Boyer (trombone), Ray Monteiro (trompete) e Candy Dulfer (saxofone). O cantor Támar Davis fez os vocais de apoio.

 

3121 tem a distinção de ser o único álbum do Prince a estrear no topo da Billboard 200, vendendo 183.000 cópias em sua primeira semana. Posteriormente, vendeu mais de um milhão de cópias em todo o mundo. Recebeu certificação de ouro pela RIAA com vendas superiores a 500.000 unidades nos EUA. A coletânea recebeu cinco indicações ao Grammy, incluindo Melhor Álbum de R&B. "Get On The Boat" não foi lançada como single. 



Prince interpretando "Get On The Boat" na série de concertos de verão da GMA em 16 de junho de 2006.

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