sábado, 27 de junho de 2026

Álbum da Semana: Jerry Garcia Band's GarciaLive Volume Seven: November 8th 1976, Sophie's, Palo Alto (2016)

 

Um antigo supermercado convertido que ainda conservava vestígios de sua antiga função, o Sophie's era [em 1976] um ponto de encontro essencial para a Garcia Band, um local confortável e descolado que recebeu a banda quatro vezes naquele ano… E para Garcia, era também um território familiar, um retorno à cidade onde ele havia se comprometido com a música pela primeira vez.

-Nicholas G. Meriwether, notas de encarte

Hoje faz dois anos que me mudei para o norte da Califórnia, e que melhor maneira de comemorar do que com um show do Jerry? Esta gravação da Jerry Garcia Band em 1976, em Palo Alto, ficou praticamente esquecida até que as fitas foram encontradas no depósito de Donna Jean Godchaux na década de 2010. Essa formação da JGB contava com Donna nos vocais, Keith Godchaux no piano, John Kahn no baixo e Ron Tutt na bateria. Um quinteto familiar e cativante, que oferece um contraste interessante com as formações posteriores da JGB, que geralmente contavam com tecladistas sem ligação com a banda.

Em 2021, abordei a lentidão do Grateful Dead de 1976 em meu post sobre os shows de 18 e 21 de junho , e isso se aplica à maior parte deste setlist também. É possível ouvir o ritmo reggae de "Row Jimmy" logo no início de "Knockin' on Heaven's Door". A presença dos Godchaux é fortemente sentida (como era durante sua passagem pelo Grateful Dead) – Keith complementa os solos expansivos de Garcia no piano e Donna adiciona outra dimensão aos vocais. Ela até assume os vocais principais, como no destaque "Stir It Up", um clássico de Marley que ela interpreta com maestria.

“Who Was John?” é uma interpretação super blues de Jerry, um deleite para os fãs de improvisação, com mais de quatorze minutos de duração. Aliás, “Don't Let Go” é uma fera de vinte e dois minutos. Jerry assume o protagonismo por volta dos quatro minutos, e o que se segue é a improvisação mais deliberada, tranquila e coletiva da noite. Kahn faz um solo de baixo por volta dos quatorze minutos, que Jerry e Keith complementam suavemente antes de todo o grupo se unir em pleno volume. Para fechar com chave de ouro, temos uma versão arrasadora de “Mighty High”. Este lançamento é um dos meus favoritos absolutos da série GarciaLive e uma recomendação fácil para qualquer fã de Garcia, seja ele iniciante ou experiente.

Ouça o GarciaLive Volume Seven aqui .



“Automatic for the People” – R.E.M.

 

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O R.E.M. pretendia fazer um álbum com rocks mais pesados para suceder o premiado “Out of Time” de 1991. Porém durante as gravações em estúdio, o direcionamento musical das canções que iam surgindo apontava para andamentos mais lentos e acústicos e com pouco uso de bateria.

O resultado final é um álbum com doze canções, e apenas três rocks um pouco mais rápidos. As baladas dominam o trabalho e tratam de temas como morte, perda e nostalgia. John Paul Jones escreveu os arranjos de cordas de algumas músicas do disco.

“Automatic for the People”, lançado em 1992, apesar de seu clima mais triste e sombrio que o dos álbuns anteriores da banda, é o maior sucesso de público e crítica do R.E.M.

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O disco é aberto pela ótima Drive, uma das que têm arranjo de cordas do baixista e tecladista do Led Zeppelin.

Everybody Hurts, talvez a música mais conhecida do disco, foi escrita em resposta ao alto índice de suicídios entre jovens e fala que mesmo que tudo pareça perder o sentido na vida é preciso resistir, buscar ajuda e prosseguir. Hoje ela é usada nos anúncios do grupo de assistência humanitária Médicos sem Fronteira.

Sweetness Follows é outra que trata das amarguras da vida, porém de uma maneira esperançosa: os momentos sombrios são seguidos pela doçura.

O rock Ignoreland é uma crítica mordaz às políticas dos presidentes dos EUA: Ronald Reagan e George Bush (pai). A música começa com os versos: “Esses bastardos roubaram todo o poder das vítimas dos EUA ao longo dos anos / Destruindo todas as coisas virtuosas e verdadeiras”. E termina com: “Eu sei que isso é vitríolo (ácido), sem solução, desabafo / Mas me sinto melhor depois de gritar. Você não?”

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Um dos três rocks do disco, Man on the Moon – os outros são The Sidewinder Sleeps Tonite e Ignoreland – é uma homenagem ao comediante Andy Kaufman e, em 1999, deu o título ao filme de Milos Forman sobre a vida de Kaufman. A música faz parte da trilha sonora.

Uma das baladas mais bonitas do álbum é Nightswimming, que conta apenas com a voz de Michael Stipe acompanhada ao piano pelo baixista Mike Mills e um sutil arranjo de cordas de John Paul Jones.

Para mim, nunca a melancolia soou tão bela quanto neste álbum. E apesar de temas tão soturnos, sempre existe uma chama de esperança em cada uma de suas canções.

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Peter Buck, Mike Mills, Michael Stipe e Bill Berry

FAIXAS

Todas as faixas compostas por Bill Berry, Peter Buck, Mike Mills e Michael Stipe.

Lado A

1) Drive
2) Try not to Breathe
3) The Sidewinder Sleeps Tonite
4) Everybody Hurts
5) New Orleans Instrumental Number 1
6) Sweetness Follows

Lado B 

1) Monty Got a Raw Deal
2) Ignoreland
3) Star Me Kitten
4) Man on the Moon
5) Nightswimming
6) Find the River

MÚSICAS















“Você Conhece?” Quatermass

 

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O Quatermass foi um trio britânico de rock progressivo que estava na ativa entre os anos de 1969 e 1971. Lançaram apenas um álbum, o ótimo “Quatermass” em 1970. Assim como seria no Emerson Lake and Palmer, o trio não tinha guitarra e os teclados atuavam como instrumento principal, completados por baixo e bateria.

John Gustafson (baixo e vocais), J. Peter Robinson (teclados) e Mick Underwood (bateria) eram excelentes e experientes músicos com passagens em outras bandas. O trio fazia um rock progressivo pesado e sofisticado.

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Infelizmente, como tantas bandas deste rico período, não conseguiram a projeção e o sucesso que tanto mereciam.

A capa do único álbum foi concebida pelo prestigioso estúdio Hipnosis.

O nome do trio veio de um personagem de uma série de ficção científica da TV britânica: Prof. Bernard Quatermass.

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O Prof. Bernard Quatermass (Andrew Kieir) em cena do filme “Quatermass and the Pit” de 1967, dirigido por Roy Ward Baker.

MÚSICAS







As 3 canções que fariam “Sgt. Pepper’s” dos Beatles ser ainda melhor!

 

Sabemos que o álbum “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” dos Beatles é um dos mais importantes de todos os tempos. Presença constante entre os “10 Mais” de praticamente todas as listas de “Melhores”. O álbum é realmente extraordinário e um divisor de águas na música e na cultura mundiais. Foi a partir dele que o rock passou a ser visto como arte possível e não apenas diversão descartável.

Nothing is real

and nothing to get hung about.

Este texto não vai discorrer aqui sobre o álbum que foi lançado em 1967, e sim afirmar que o que já é o suprassumo da arte roqueira, poderia ser ainda melhor. Bom, pelo menos em minha opinião! O artigo específico sobre o álbum é este

Acontece que estava prevista a entrada de 3 músicas que, por motivos hoje controversos, acabaram por não figurar na versão definitiva do álbum: Strawberry Fields Forever, Penny Lane e Only a Northern Song.

Gravações do videoclipe de Strawberry Fields Forever

Quando as sessões de gravação começaram, no final de 1966, as três primeiras músicas foram When I’m Sixty-Four, Strawberry Fields Forever e Penny Lane. O que dava ao álbum um conceito de reminiscências das infâncias dos quatro beatles. Em fevereiro de 1967, a gravadora EMI e o empresário Brian Epstein pressionaram o produtor George Martin pelo lançamento de um single, já que o álbum estava demorando muito. E na verdade ele só sairia em maio de 1967.

Desta forma Strawberry Fields Forever e Penny Lane foram lançadas em compacto com dois lados A. Para completar o erro, conforme lamentou posteriormente George Martin, Brian Epstein não deixou as duas canções serem incluídas no álbum.

A música reservada a George Harrison no álbum seria Only a Northern Song, porém George Martin não a considerava boa o suficiente para figurar no álbum e Harrison escreveu Within You Without You, que considero muito inferior à anterior e a música menos excelente do disco.

Strawberry Fields Forever é a cara do que “Sgt. Pepper’s” se tornou com o passar dos anos. Creditada a Lennon/McCartney, mas composta por John Lennon com base em suas lembranças do jardim de um orfanato do Exército da Salvação em Liverpool. Um rock psicodélico sofisticadíssimo que consumiu cerca de 55 horas de gravação. A versão final é a colagem de duas tomadas distintas com altura e velocidade diferentes, mas que conferem uma aura surreal à música.

John Lennon

As memórias de infância de John são misturadas a passagens oníricas na letra. A música foi a primeira do grupo em que se faz uso do lendário teclado Mellotron e gerou um videoclipe.

Penny Lane possui aquela típica sonoridade nostálgica que associamos a seu autor Paul McCartney, embora também exale psicodelia. Penny Lane é um rua de Liverpool que foi muito importante na infância e adolescência dos quatro Beatles. Paul mistura fatos reais e imaginários na letra da canção. Ela também ganhou um videoclipe gravada na Penny Lane, Liverpool.

Paul McCartney

A música deu notoriedade à rua que lhe emprestou o nome a transformando em atração turística. Algumas expressões usadas na letra são tipicamente liverpudianas, como “Finger Pie” que tem uma conotação sexual e foi incluída por Paul para divertir seus conterrâneos, que segundo ele “gostavam de um pouco de sacanagem”.

Only a Northern Song é uma das canções mais psicodélicas dos Beatles e tem uma instrumentação que é uma verdadeira “viagem” com seus sons distorcidos. Sua letra, poderíamos dizer, é cheia de metalinguagem ao se referir sarcasticamente ao estilo de composição do grupo.

George Harrison

Apenas uma Canção do Norte pode se referir tanto a Liverpool, cidade do norte da Inglaterra, quanto à editora musical Northern Song que publicava as músicas de Lennon e McCartney. Em um trecho da música podemos notar a bronca de George Harrison com o fato da dupla não lhe dar o devido valor como músico e compositor: “Não importa realmente que acordes eu toco/Que palavras eu digo ou que hora do dia é/Já que é apenas uma canção do norte”. Creio que foi por isto que ela não entrou no disco e não pela sua alegada, e injustificada, falta de qualidade musical.

MÚSICAS


Strawberry Fields Forever

Penny Lane

Only a Northern Song

“Você Conhece?” Bacamarte

 

Eu gosto muito da sonoridade da palavra bacamarte. Sua origem está no francês braquemart, que no princípio – século XIV – era um tipo de espada de lâmina grossa. Em algum ponto incerto passou a se referir a uma arma de fogo de cano largo e grande calibre, que ao ser disparada espalha chumbo grosso no inimigo. Em espanhol, a espingarda é conhecida por outra palavra muito legal: trabuco.

Bacamarte, a espingarda.

Na minha infância, eu não perdia os desenhos animados da produtora Hanna Barbera. Um deles era “Bacamarte & Chumbinho”, nome nacional muito mais divertido do que o original “Punkin’ Puss & Mushmouse”. O desenho mostrava as disputas de um gato e um rato caipiras.

Bacamarte e Chumbinho, o desenho animado.

A tal espingarda deu nome a um dos melhores grupos de rock progressivo do Brasil, cujo único álbum “Depois do Fim”, de 1983, é reconhecido internacionalmente como um dos 100 Melhores Álbuns de Rock Progressivo de Todos os Tempos (pelo site Prog Archives).

O Bacamarte foi criado em 1974 por uma garotada do Rio de Janeiro em torno do guitarrista Mario Neto, um fã dos Beatles e de música clássica. Em 1977, o grupo participou do programa Rock Concert da TV Globo e conseguiu uma boa repercussão. Porém foi só na década seguinte, graças à explosão do rock nacional, que o trabalho da banda conseguiu divulgação em rádios especializadas e apresentações no Circo Voador.

Bacamarte, a banda, no Circo Voador.

Com esforço financeiro do próprio Mario Neto, eles gravaram seu único álbum em 1983. A cantora de MPB Jane Duboc foi convidada a fazer os vocais em quatro das oito faixas do disco, as demais são instrumentais.

O interessante deste álbum é que, apesar de temporalmente gravado na década de 1980, sua sonoridade nos remete ao rock progressivo da década de 1970, em particular aos trabalhos de bandas, com vocais femininos, como Renaissance e Curved Air. Os arranjos instrumentais elaborados executados com maestria pelo grupo contrastavam com o som pop e direto do rock daqueles tempos. “Depois do Fim” é um álbum conceitual que relata o mundo depois do apocalipse.

A capa do álbum “Depois do Fim”.

A banda se separou em 1984 e se reuniu ocasionalmente em alguns momentos. Em 1999, Mario Neto havia lançado o álbum “Sete Cidades” com o nome de Bacamarte, embora só ele – de membro original – tenha participado. Na última década o Bacamarte tem contado com a presença de Jane Duboc em alguns shows.

Show em 2012, com Jane Duboc.

MÚSICAS

O álbum “Depois do Fim” e a faixa-bônus: Mirante das Estrelas.


Parte I: 1) UFO; 2) Smog Alado

Parte II: 3) Miragem; 4) Pássaro de Luz; 5) Caño

Parte III: 6) Último Entardecer; 7) Controvérsia

Parte IV: 8) Depois do Fim; 9) Bônus: Mirante das Estrelas


Destaque

Álbum da Semana: Jerry Garcia Band's GarciaLive Volume Seven: November 8th 1976, Sophie's, Palo Alto (2016)

  Um antigo supermercado convertido que ainda conservava vestígios de sua antiga função, o Sophie's era [em 1976] um ponto de encontro e...