Tracklist: 01 – Everybody’s Valentine 02 – Mean Lovin’ Machine 03 – Monday Morning 04 – The Voices 05 – Today I Forgot To Cry 06 – Kiss Me 07 – And When You Cry 08 – After a Long Life 09 – One Legged Woman 10 – Quiet
Tracklist: 01 – Come In Stranger (Take 1) 02 – Ballad Of A Teenage Queen (Take 2) 03 – Sugartime (Undubbed) 04 – I Can’t Help It If I’m In Love With You (Undubbed) 05 – Hey Good Lookin’ (Undubbed) 06 – Train Of Love (Take 3) 07 – Born To Lose (Undubbed) 08 – Oh Lonesome Me (Undubbed) 09 – Thanks A Lot (Undubbed) 10 – Home Of The Blues (Undubbed) 11 – I Could Never Be Ashamed Of You (Undubbed) 12 – Guess Things Happen That Way (Undubbed) 13 – You’re The Nearest Thing To Heaven (Undubbed) 14 – One More Ride (Incomplete) 15 – Cold, Cold Heart (Take 3) 16 – Don’t Make Me Go (Take 3) 17 – I Walk The Line (Take 3) 18 – Down The Street To 301 (Take 1)
Em 1977, os Cramps procurava um novo baterista. Com a guitarrista Poison Ivy operando como uma dominatrix sob demanda, a tarefa de entrevistar possíveis candidatos - não que a banda estivesse sobrecarregada de interesse em cobrir a vaga - coube ao vocalista Lux Interior e ao guitarrista Bryan Gregory. Eles se encontraram com um colega transplantado de Ohio, Nick Knox (nome real: Nick Stephanoff) em um restaurante de NYC por recomendação de um amigo. Knox mal falou uma palavra durante a entrevista, concentrando-se em degustar, fatia após fatia, uma torta de sobremesa coberta com bolas de sorvete. Estranhados e sem obter liga com o entrevistado, os dois membros do Cramps decidiram que a oportunidade não seria boa para Knox, mas concordaram em dizer ao baterista que ele só não conseguira o teste porque seu cabelo era muito longo. Mais tarde naquele mesmo dia, Lux reencontrou o baterista na lendária casa noturna nova-iorquina Max's Kansas City e percebeu que Knox havia cortado o cabelo. "Agora você vai me dar um teste?", ele perguntou. Impressionado com a dedicação à causa, o cantor disse a Knox que ele poderia fazer um teste para a banda. "Bom", respondeu o baterista, "porque se você dissesse: Não, eu iria dar um soco na sua cara". É mole? Estou incluindo aqui esta história para ilustrar o fato de que os Cramps nunca foram como as outras bandas. "Nós nos considerávamos muito perigosos", disse Poison Ivy à revista MOJO, em 2003. "E ali estava aquele cara, que não era realmente como nós, mas era desajustado o suficiente para se encaixar totalmente no nosso bando de desajustados". Em 1978, depois que a nova formação completou a gravação de seu primeiro EP, "Gravest Hits", ela teve oportunidade de se apresentar no California State Mental Hospital, um centro psiquiátrico em Napa/CA, e ela aproveitou a oportunidade. A apresentação, em 13 de junho, foi capturada em uma câmera Sony Portapak preto e branco e um único microfone, pelo coletivo de arte Target Video, de San Francisco/CA. Continua sendo uma das gravações ao vivo mais incomuns do cânone Punk. É justo dizer que uma certa mitologia se apegou ao show nas últimas quatro décadas. Em uma resenha realizada para a revista New York Rocker pelo escritor Howie Klein, há menção de dois pacientes do hospital que fugiram das instalações durante o show: "Nós não vamos mais atrás deles", um membro da equipe teria dito. "Eles não têm dinheiro e estarão de volta em alguns dias". Quando Lux Interior foi questionado sobre o show pelo jornalista da revista Sounds, Peter Silverton, em mar/1980, o número de presidiários fugitivos naquele dia havia subido para onze (ré-ré-re. Poison Ivy, em várias ocasiões, contou à entrevistadores de olhos arregalados que 50 pacientes fugiram). E isto durante um set de apenas 20 minutos. Ah, esta história toda é demais!
Na verdade, este antológico show não precisa de fake news, nem exageros, pois está tudo lá, em preto e branco. Após um set da banda de San Francisco, The Mutants (olha só o nome!), os Cramps deram início ao seu set com "Mystery Plane", após a qual Lux Interior informou ao público que a banda era da cidade de NYC e havia dirigido 3.000 milhas "para tocar para vocês". E completou maravilhosamente: "Alguém me disse que vocês são loucos, mas não tenho tanta certeza disso”, continuou ele. "Vocês parecem estar bem para mim". Kkkkkkk. É óbvio que aquele não era um público típico de Punk Rock. Havia homens de terno dançando ao lado da banda, vários usando chapéus de cowboy, algumas mulheres de meia-idade bem vestidas segurando bolsas e vários amigos da banda (alguns dos quais claramente haviam se entregue a alguns narcóticos antes do show). Durante a apresentação do segundo single da banda, "Human Fly", uma jovem começa a gritar atonalmente no microfone de Interior e durante a canção seguinte, o lado B do single, "Domino", ela já está no palco brincando com o cantor. Foi um show tão caótico quanto você pode imaginar. "Foi como ir a Marte, em termos de interação com o público", disse o guitarrista dos Mutants, Brendan Early, à revista Vice, em 2015. "Esse é o show do Cramps que deveria ter sido interrompido", disse Lux Interior à Sounds, em 1980. "O público estavam fazendo tudo que você pode imaginar. Imaginem alguma coisa e eles estavam fazendo isso. Eles eram bizarros, dançarinos como você nunca viu antes na vida. Pessoas deitadas umas sobre as outras no chão. Oh, Deus, Nós não queríamos parar com aquilo". "Eles estavam gritando, 'Ward T, Ward T', assim para nós. Descobrimos mais tarde que Ward T é o bairro de onde ninguém volta...". "Ambas as bandas concordaram que foi o melhor show que já haviam feito", observou Howie Klein em sua resenha. "O entusiasmo e o nível de energia foram altíssimos e um público mais agradecido, entusiasmado e de mente aberta nunca será reunido novamente". "The Cramps - Live At Napa State Mental Hospital" hoje existe em DVD ou simplesmente você pode vê-lo abaixo. Histórico total!
O "Tangerine Dream" é inquestionavelmente um dos grupos eletrônicos mais influentes de todos os tempos. Sua música teve imenso impacto no Prog-Rock, na Ambient Music, na New Age, no Techno, no Trance, bem como em trilhas sonoras para filmes. Fundado como um grupo de Rock psicodélico em 1967, o grupo foi inicialmente associado com a cena Krautrock com seus primeiros álbuns bem abstratos. Mas eles foram pioneiros no uso de sequenciadores em 1974-75, o que acabou sendo algo bem sucedido artistica e comercialmente. O grupo tornou-se prolífico compositor de trilhas, incorporou instrumentação digital, teve uma fase de orientação mais Pop, outra mais voltada à Dance Music (que o grupo tanto influenciou), enfim, numa longa e rica carreira que continua até os dias atuais. Edgar Froese nasceu em Tilsit, Prússia Oriental, em 1944, e não foi muito influenciado por música no seu crescimento. Ele foi mais atraído pelos movimentos dadaísta e surrealista, assim como por figuras do mundo literário tais como Gertrude Stein, Henry Miller e Walt Whitman. Froese organizou eventos multimídias durante os anos 60 e começou a nutrir a ideia de combinar suas influências artísticas e literárias com a música.
Ele, então, tocou num grupo chamado "The Ones" (que gravou apenas um single antes de se dissolver em 1967). Na sequência, ele montou a primeira formação do Tangerine Dream no final daquele ano: Froese (guitarras), Kurt Herkenberg (baixo), Lanse Hapshash (bateria), Volker Hambach (flauta) e Charlie Prince (vocais). Este quinteto passou a tocar Acid Rock (na linha do Grateful Dead e Jefferson Airplane) ao redor de Berlin em vários eventos de estudantes. O nome escolhido para o grupo veio de uma estrofe da letra de "Lucy In The Sky With Diamonds", dos Beatles ("Picture yourself in a boat on a river / With tangerine trees and marmalade skies / Somebody calls you, you answer quite slowly / A girl with kaleidoscope eyes"). Só para você ter uma ideia, o primeiro concerto aconteceu em jan/68 no refeitório da Universidade de Berlim e o grupo se apresentou no IEST (Internationalen Essener Songtage 1968, em Essen) em set/68, evento estudantil considerado o nascimento do Rock alemão independente e maior festival da época na Alemanha (40 mil pessoas assistiram a mais de 150 artistas - além de artistas alemães como Floh de Cologne e Amon Düül, também tocaram artistas internacionais como The Fugs e Frank Zappa & The Mothers Of Invention). Neste ponto, o Tangerine Dream não tinha nada de música eletrônica. O som era cheio de jams pesadas, com pitadas de Hard Rock e até Free Jazz. Foi o Electronic Beat Studio, criado em 1968, com grana da Berlinförderungsgesetz (lei de incentivo econômico) e sob direção do compositor de vanguarda Thomas Kessler, que apresentou a muitos grupos musicais de Berlim um então novo instrumento, o sintetizador (lembrando que até 1971 ele não era comercializado em lojas e os primeiríssimos foram o MiniMoog e o ARP americanos e o EMS inglês).
A primeira formação do Tangerine Dream só durou cerca de dois anos e, em 1969, Edgar Froese conheceu o baterista Klaus Schulze. A habilidade de Schulze sustentar ritmos incomuns por longos períodos fez Froese propor-lhe se juntar ao Tangerine Dream. A dupla logo conheceu Conrad Schnitzler (na época, aluno do artista performático Joseph Beuys). Schnitzler era engenheiro mecânico e mantinha o (hoje lendário) Zodiac Club (dedicado à cultura underground). Com esta formação em trio, em 1970, surgiu a segunda formação do Tangerine Dream, que gravou o álbum "Electronic Meditation" (de jun/70). Froese tocava guitarras (6 e 12 cordas), órgão Farfisa, piano e efeitos; Schnitzler tocava violoncelo, violino, guitarra e efeitos; Schulze tocava percussões. O material foi fruto de uma sessão num estúdio privado (espécie de ensaio) e nem foi originalmente planejado para ser lançado. Música amplamente experimental, obtusa, com objetos domésticos gravados e filtrados através de processadores de efeitos, o que criava uma atmosfera esparsa e vanguardista. Claro, o álbum tinha muitas falhas, mas era forte em vários aspectos e apresentava muitas promessas. Timbres, passagens e texturas descontrolamente experimentais traziam um esforço R'n'R para um som decididamente vanguardista (pense num Krautrock underground cheio de ótimas guitarras selvagens, efeitos sonoros, barulho e experimentos). Curiosamente, não era algo "difícil", mas bem acessível, com elementos da música do Pink Floyd e Amon Düül da época. Pouco depois, Klaus Schulze e Conrad Schnitzler abandonaram a banda (Schulze fundaria o Ash Ra Tempel e, depois, iniciaria carreira solo, que o tornaria mundialmente conhecido; Schnitzler montou o Kluster, depois o Eruption e seguiu em carreira solo).
Edgar Froese conheceu, então, Christoph Franke (de 17 anos e tocando bateria no Agitation Free). Franke havia feito conservatório e estudo música erudita (sendo influenciado por compositores como John Cage e Karlheinz Stockhausen). Froese completou um novo trio com a adição do organista Steve Schroyder, um construtor de órgãos. Com engenharia de Dieter Dierks, eles lançaram o single "Ultima Thule" e o álbum "Alpha Centauri" (de apenas 3 faixas), ambos em 1971. Instrumentos convencionais, efeitos eletrônicos crepitantes e giratórios, Space Rock viajal, porém tudo bem "raiz" (e bem distante do refinamento e som revolucionário dos lançamentos de 74/75). Froese tocava além das guitarras, baixo, órgão, Mellotron e efeitos; Franke tocava bateria, percussões, flauta, piano-harpa, cítara; Schroyder tocava órgãos Hammond e Farfisa, percussões e efeitos. A música deixava os limites do Rock rumo ao espaço sideral, em movimentos lentos e via teclados vintage. Guitarras e bateria escanteados em favor de um Space Rock exploratório/aventureiro, estranho e cheio de efeitos. O sintetizador aparecia aqui, mas timidamente e eram os instrumentos "normais" que comandavam tudo. O trabalho seguinte, o álbum duplo "Zeit" (tradução: tempo), de 72, inaugurou o uso de um sintetizador (comprado um ano antes e aqui usado de forma intensa, pela primeira vez) e sedimentou a afinidade pelo Space Rock. Chris Franke tocava percussão, flautas, piano-harpa, cítara e o sintetizador VCS3 EMS. Edgar Froese tocava guitarras, baixo, órgão e geradores de som. Steve Schroyder tocava órgão e efeitos de ecos. Havia até a participação de um quarteto de cordas. Efeitos eletrônicos sinistros, manipulações sonoras, tudo amplamente viajante e abstrato, camadas e camadas de teclados meditativos, música evocativa, flutuante, introspectiva, hipnótica. Em 72, Schroyder saiu (após o surgimento de problemas pessoais, ele partiria para trabalhar com o Ash Ra Tempel, depois o Augenstern, lidou com o conceito de "Oitava Cósmica", fundou a Star Sounds Orchestra e estabeleceu contato com a cena Techno, entre tanta coisa numa longa carreira que dura até hoje). Estes dois álbuns, apesar de Space Rock, resultaram em música que ultrapassava o estilo.
Franke, Froese e Baumann
O Tangerine Dream ganhou, então, sua formação mais estável quando o tecladista Peter Baumann entrou (o trio Froese-Franke-Baumann, os três tocando teclados, permaneceria junto até 1977 e, mesmo após a saída de Baumann, a dupla Froese-Franke comporia a espinha dorsal do grupo por mais uma década). "Atem", lançado em 73, finalmente conquistou ao grupo atenção ampla e fora da Europa. O disco era mais melódico, Rock Progressivo misturado com Art Rock e muito Space Rock. Seria o último pelo selo alemão Ohr (que tinha uma orelha como símbolo, totalmente influente na seara de música eletrônica/experimental, chefiado por Rolf-Ulrich Kaiser). Edgar Froese estava aborrecido com Kaiser que "rotulava" todos em sua gravadora como "doidões". De qualquer maneira, "Atem" manteve o mesmo Space Rock feito nos dois álbuns anteriores, acrescentando Mellotron. É considerado o mais acessível desta fase, mas a música era não estruturada, nada convencional e amplamente experimental. O antenado DJ inglês John Peel elegeu-o o "álbum do ano", isto chamou a atenção de Richard Branson (dono da Virgin Records) e o grupo conseguiu (em dez/73) assinar um contrato de cinco anos. Começava a famosa "fase Virgin" da banda. Embora a gravadora tivesse, na época, menos de um ano de existência, já tornara-se uma figura importante na indústria fonográfica graças ao enorme sucesso de "Tubular Bells", de Mike Oldfield. O primeiro álbum nesta nova fase foi "Phaedra", um marco não só para a banda, mas também para toda a música instrumental. Branson dera liberdade ao Tangerine Dream no Manor Studios (cujas instalações ficavam na zona rural de Shipton-on-Cherwell, em Oxfordshire, Inglaterra, e eram propriedade da Virgin) e ali eles usaram sequenciadores/sintetizadores Moog, pela primeira vez. O resultado foi uma "barragem implacável e indutora de ritmo e som", uma atualização eletrônica do minimalismo clássico do final dos anos 60/início dos anos 70 (pense em Terry Riley). Embora jornalistas conservadores tenham sido hostis em suas resenhas (obviamente, aquilo não era exatamente Rock tradicional), "Phaedra" entrou no Top 20 britânico e rendeu ao Tangerine Dream um grande público global. Realmente, "Phaedra" é vista hoje como uma das obras mais importantes e emocionantes da história da música eletrônica, um resumo brilhante e convincente do Space Rock de vanguarda do Tangerine Dream equilibrado com a tecnologia dos sintetizadores/sequenciadores Moog (que estavam começando a ganhar adeptos em círculos não acadêmicos). A faixa-título (de 15 minutos) é incomparável pela profundidade de som e visão. Com foco no transe arpejado (que entra e sai da mixagem), a faixa progride através de várias passagens, incluindo algumas linhas de teclados surpreendentemente melódicas e uma variedade de efeitos misteriosos de Moog e Mellotron, explosões gasosas e efeitos de vento. Apesar do caos iminente, a faixa soa como uma obra cuidadosamente composta. Melhor: além desta maravilhosa peça, há outras três faixas excelentes em "Phaedra", emotivas, comoventes, com momentos aqui e ali mais experimentais, vozes tratadas, sussurros, arpejos hipnóticos. Talvez, "Phaedra" ainda soe mais poderoso hoje, do que quando gravado. Incrível. Em jun/74, o Tangerine Dream fez seu primeiro show num país de língua inglesa (no Victoria Palace, em Londres). Isto foi seguido por uma turnê de três semanas pelo Reino Unido durante a qual a música era visualmente apoiada por um "sintetizador de vídeo". Uma inovação. Os shows consistiam, em grande parte, de jams, o que tornava cada noite uma experiência única.
Os álbuns seguintes, "Rubycon" (apenas 2 longas faixas, uma de cada lado do LP) e o ao vivo "Ricochet" (gravado durante a turnê de 1975 pela França e Inglaterra, ambos lançados neste mesmo ano), foram baseados no conceito utilizado em "Phaedra". O trio aprimorou sua arte como pioneiros da música eletrônica (e do uso dos primeiros sintetizadores) tornando-se virtuoso do estilo, mantendo as coisas, ao mesmo tempo, orgânicas, porém imprevisíveis. "Rubycon" mantêm-se até hoje um companheiro sólido e perfeita sequência para "Phaedra". Psicodelia misteriosa, que flui através de ondas tensas de eco e Mellotron, enquanto linhas primitivas de sequenciador borbulham na superfície. Momentos assombrados de escuridão impulsionados por arpejos de sintetizador. Vários graus de tensão, guitarras gravadas ao contrário, atmosferas distantes, cordas e flautas, vapores. Ambient antes da Ambient Music. Pink Floyd sem Rock. Sombrio demais para meditação. Bom demais. Apenas duas faixas épicas, parafernália de teclados (diversos sintetizadores, órgãos, pianos, Mellotron etc.), outro passo na metamorfose, música hipnotizante e derretendo, cerebral, relaxante, puras paisagens sonoras eletrônicas. Um monolito (comparado com os álbuns da fase Ohr), oferecendo uma viagem onírica surreal, ao mesmo tempo calmante e opressora. Arrebatador e essencial (junto com "Phaedra").
"Ricochet" entregava tudo isso ao vivo, com a formação mais memorável, evoluindo continuamente para o próximo patamar de experimentação pulsante, sem se perder ou ser excessivamente indulgente (como tantas outras bandas do estilo). Este disco capturou o trio num momento em que ele sabia exatamente o que estava fazendo. Pura diversão. Energético e atemporal. Uma foto sonora da banda quando ela era jovem, influente e no auge do estilo.
"Stratosfear", de 76, trouxe uso de instrumentos mais orgânicos (como piano de cauda e guitarras de 6 e 12 cordas, cravo e órgão de boca), não tratados, e adicionou vocais, um movimento que gerou críticas. No entanto, ambas inovações não alteraram o som de forma acentuada (os instrumentos orgânicos assumiam um papel mais textural, embelezando os efeitos em vez de trabalharem suas próprias convenções melódicas) e a incorporação cada vez maior do sequenciador continuou a distanciar o Tangerine Dream do mainstream da música instrumental eletrônica. A banda foi se tornando mais rítmica, evocativa, escultural, hipnótica. Uma turnê europeia de 31 shows foi seguida pela primeira turnê (16 shows) pelos EUA, no início de 1977. Ainda em 76, o diretor americano William Friedkin contratou a banda para compor a trilha sonora do filme "Sorcerer". O inusitado foi que Friedkin, emocionado com o resultado, refez o filme com base na música. Seria o início de uma lucrativa carreira pelas trilhas sonoras.
Após outra turnê pelos EUA em ago/77, a banda lançou o álbum duplo "Encore", um dos melhores álbuns ao vivo deles. Cada uma das longas peças tinha seu próprio conjunto de movimentos tal qual como se estivéssemos ouvinto sinfonias eletrônicas. Drones fúnebres, solos de piano e texturas experimentais. Ecos de Rock Progressivo e de música de vanguarda. Infelizmente, seria a última gravação com Baumann (no final de 77, ele deixaria a banda por divergências artísticas e problemas pessoais). Os membros restantes, Froese e Franke, embarcariam numa ousada experiência contratando o multi-instrumentista inglês Steve Jolliffe (ex-Steamhammer, banda de Blues-Rock). Além disso, o baterista Klaus Krüger foi adicionado. Este quarteto gravou o álbum "Cyclone", de 78, um trabalho atípico, com letras e vocais, e com o som centrado mais na mudança de arpejos do que em estruturas rítmicas percussivas (aquele pulso hipnótico pelo qual o grupo ficou tão conhecido). Ainda assim, não foi um experimento fracassado. A turnê subsequente não recebeu a resposta desejada e Steve Jolliffe deixou a banda. Para o álbum seguinte, "Force Majeure", de 79, a dupla Froese/Franke manteve Klaus Krüger, mas trouxe Eduard Meyer (convidado, no violoncelo) e um terceiro pianista treinado, Johannes Schmoelling. "Force Majeure" trouxe a banda exibindo novamente suas raízes Space Rock. Desta vez, no entanto, guitarra e bateria tinha tanto destaque quanto os teclados. Música intensa, hipnótica, sobre um leito constante de sequenciadores pulsantes e bateria processada com vários efeitos sonoros e muitos teclados. Maravilhoso. Seria o fim de uma era. A partir de "Tangram", de 1980, uma nova direção musical surgiria, mais próxima da New Age melódica e direta, mais ligada às trilhas sonoras.
Curtis Lee Mayfield nasceu em 1942 e começou sua carreira musical no coral Gospel. No lado norte de Chicago, ele conheceu Jerry Butler em 1956 (aos 14 anos) e começou o grupo vocal "The Impressions". Como compositor, Mayfield foi um dos primeiros a trazer temas de consciência social para a Soul Music. Em 1965, ele escreveu "People Get Ready" para os Impressions, uma das canções mais inesquecíveis (nº. 24 no ranking das "500 Greatest Songs Of All Time"). Com ela, ele recebeu muitos prêmios, entre eles o "500 songs that shaped R'n'R" do Rock and Roll Hall Of Fame. "People Get Ready" foi originalmente lançada como single e faixa-título do álbum de mesmo nome. Tornaria-se a canção mais famosa dos Impressions, na qual Mayfield exibiu sem crescente senso de consciência social-política. Martin Luther King chamou-a de hino não oficial do movimento dos direitos civis e frequentemente a usava para fazer as pessoas se acalmarem ou confortá-las. Mayfield declarou: "Foi tirada da minha igreja ou da minha educação e mensagens da igreja. Como se não houvesse esconderijo e fuga a imagens desse tipo. Senti esse tipo de inspiração religiosa muito profundamente quando a escrevi". "People Get Ready" é uma canção dentro de uma longa lista de tradicionais canções sobre liberdade dos negros norte-americanos que usa o trem como uma imagem. A ideia vem da noção espiritual de uma vez morto o corpo, a alma segue numa viagem para o pós-vida. Uma canção que se tornou clássica e influenciou uma enorme gama de artistas desde a Country Music, o Rock inglês, o Pop americano e australiano, artistas do Reggae e gente de todo tipo.
Curtis Mayfield, Samuel Gooden e Fred Cash (que substituiu Jerry Butler)
People Get Ready / Pessoas se preparem
People get ready, there's a train comin' / Pessoas se preparem, há um trem chegando
You don't need no baggage, you just get on board / Você não precisa de nenhuma bagagem, apenas suba a bordo
All you need is faith to hear the diesels hummin' / Tudo que você precisa é de fé para ouvir o zumbido dos motores diesel
You don't need no ticket you just thank the lord / Você não precisa de nenhum bilhete, apenas agradeça ao Senhor
People get ready, there's a train to Jordan / Pessoas se preparem, há um trem para o Jordão
Picking up passengers coast to coast / Pegando passageiros de costa a costa
Faith is the key, open the doors and board them / Fé é a chave, abra as portas e entre
There's hope for all among those loved the most / Há esperança para todos aqueles que amam mais
There ain't no room for the hopeless sinner whom would hurt all mankind / Não há espaço para o pecador desesperado que machucaria toda a humanidade
Just to save his own / Apenas para salvar a si mesmo
Have pity on those whose chances grow thinner / Tenha piedade daqueles cujas chances diminuem
For there is no hiding place against the kingdoms throne / Pois não há esconderijo contra o trono do reino
People get ready, there's a train comin' / Pessoas se preparem, há um trem chegando
You don't need no baggage, just get on board / Você não precisa de nenhuma bagagem, apenas suba a bordo
All you need is faith to hear the diesels hummin' / Tudo que você precisa é de fé para ouvir o zumbido dos motores diesel
You don't need no ticket, just thank the lord / Você não precisa de nenhum bilhete, apenas agradeça ao Senhor