quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Tesouros perdidos

 

Alemanha - 1972

Essa foi uma descoberta recente. Estava fechando a compra do último álbum da trilogia Inspirations, do ótimo guitarrista Bernie Marsden, Trios, dedicado aos power trios (os outros são Kings – dedicado a B.B.King, Freddie King e Albert King- e Chess – dedicado à famosa gravadora de Chicago) e imediatamente surgiu um monte de opção do mesmo vendedor. A capa e a data de um determinado álbum me chamaram a atenção. Uma audição no Youtube confirmou o que eu imaginava e a banda Odin foi incluída na encomenda. Trata-se de um quarteto com um tecladista alemão, um baixista holandês e baterista e vocalista ingleses residentes na Bavária. O multiculturalismo produziu um grupo de hard progressivo da melhor estirpe, no começo dos mágicos anos 70, que traz até uma breve referência ao guerreiro rock progressivo brasileiro do período. Isso mesmo, segure seu queixo! As possibilidades do rock são realmente inimagináveis!

 O grupo se conheceu no âmbito universitário da região mais desenvolvida culturalmente da Alemanha. Mal começaram a percorrer o rico circuito de clubes da região, chamaram a atenção do selo Vertigo, cujo foco era incentivar as revelações com potencial de gravação (e mercado). Nem é preciso dizer a gigantesca contribuição que a iniciativa deu para enriquecer a história do rock, certamente isso já foi inúmeras vezes abordado aqui. Enfim, chegou a vez do Odin, que lançou seu álbum único e homônimo em 1972.

 


Entre as 7 faixas do álbum, três possuem mais de 8 minutos, uma é versão para Gemini, do grupo britânico Quatermass e uma é um tributo a Frank Zappa, com citação de várias músicas do lendário guitarrista e compositor americano. O disco abre com uma bela composição própria em que o guitarrista Rob Terstall, que passou uma temporada no Brasil, faz uma breve referência à incipiente cena prog brazuca local. Nas liner notes ele cita um dos belos solos da música como Rio Style (sic), emulando o guitarrista que o encantou quando esteve pelos trópicos, o baiano Pepeu Gomes.

 Aliás, o trabalho de guitarra é um dos pontos altos do Odin, embora sejam latentes as camadas do onipresente teclado de Jeff Beer (sobrenome adequado para quem mora na cervejeira Bavária). Esse contraponto segue as escolas de Jon Lord e Vincent Crane (Atomic Rooster), mas quando o teclado se faz mais presente, o som lembra bastante os trabalhos iniciais de Yes e ELP. Guitarrista, tecladista e o baixista Ray Brown se revezam nos vocais. Apesar da mistura de nacionalidades, o som do Odin segue a receita do prog alemão, muito associado ao movimento Krautrock.

No geral, o som do grupo agrada muito aos amantes do bom rock setentista. O trabalho recebeu resenhas satisfatórias nas principais publicações do gênero, mas não foram suficientes para garantir o sucesso comercial que garantiria a sobrevida do combo, que foi dissolvido antes mesmo do cumprimento de uma extensa agenda de apresentações por vários pontos da Europa. Jamais se ouvir falar do destino dos integrantes do conjunto.

 Já nos na os 90, surgiu o CD SWF Sessions, com as faixas tiradas de apresentações na radio alemã. Esse é o álbum que adquiri, com as mesmas músicas do único disco lançado pelo grupo. Aliás, SWF Sessions virou uma chancela de qualidade de muita banda boa e desconhecida surgida no período. Se encontrar algum desses por aí, saiba que as chances do conteúdo ser de primeira são enormes. Algo comparável com as marcas Rockpalast e Sábado Som.




O primeiro show da história do rock aconteceu há 74 anos

Onde e quando teria acontecido o primeiro show da história do rock? Difícil precisar tal fato, visto que quando os lendários bluesmen do Delta do Mississipi começaram a acelerar suas harmonias, a essência do rock já estava ali. E o que dizer das incendiárias apresentações de Sister Rosetta Tharpe nos anos 30 e 40 com suas canções gospel na base de uma agressiva guitarra? Mas com o propósito de criar ou alavancar um gênero quando este ainda sequer havia sido denominado, podemos apontar o dia 21 de março de 1952, na Cleveland Arena, em Ohio, EUA, como o marco zero do rock alive. Neste caso, a resposta é o The Moondog Coronation Ball, promovido pelo lendário DJ Alan Freed, um dos muitos pais do Rock and Roll.

 Alan Freed é um personagem imperioso na história do rock. Sua biografia é tão curiosa quanto trágica. Trompetista amador natural de Cleveland, enveredou-se pela radifusão ainda na tenra juventude e tornou-se o primeiro DJ de pele branca a tocar rythmn’n’blues (R&B) no rádio. Os chamados race records eram ignorados pelas grandes emissoras e gravadoras, exceto em sua estação, a WJW, cuja audiência crescia exponencialmente numa América ainda fortemente segregada, inclusive pela força da lei. Para driblar o preconceito e a fúria institucional, o DJ denominou aquele novo ritmo de rock and roll, um termo popular nos anos 20, que significava nada menos do que “sexo”. Estava criado o gênero musical que abalaria as estruturas do mundo pelas próximas décadas.




Freed notou que a geração do pós guerra, os adolescentes nascidos em meio à 2ª Guerra Mundial, tinha especial interesse nos ritmos produzidos pelos artistas negros dos EUA. A procura pelos discos de R&B pelos jovens brancos era crescente e Freed logo sacou que aqueles singles mereciam ser tocados no rádio. Estava colocando a mão em vespeiro aos misturar jovens brancos e negros antes mesmo do fenômeno Elvis Presley. Foi quando ele se juntou ao empresário Leo Mintz, dono de uma grande loja de discos que fazia fortuna com a venda dos discos de R&B, a Rendezvouz Records. Isso sem falar na multidão que se formava em frente sua loja para apenas ouvir os discos da turma negra, já que aquela galera não tinha grana para gastar. Somado ao alto índice de audiência do programa de Freed, surgia ali uma oportunidade para ganhar mais dinheiro com eventos voltados para aquele público.

 A ousadia não foi pequena. Os dois reservaram nada menos do que uma arena de hóquei com capacidade para 10 mil pessoas para o Moondogs Rock and Roll Party. O nome se baseou na uivada que Freed sempre dava antes de tocar uma música de R&B em seu programa. O line up do evento juntava artistas brancos e negros relativamente conhecidos do público, como Paul Williams and His Hucklebuckers, The Dominoes, Varetta Dillard, Danny Cobb e o ainda pouco conhecido The Rockin’ Highlanders.

 No dia do evento a confusão estava anunciada antes mesmo do show começar. Dentro do ginásio, 10 mil jovens se espremiam, enquanto do lado de fora o dobro tentava entrar. Quando Freed subiu ao palco para anunciar o início do concerto, ninguém acreditava que aquele sujeito branquelo era mesmo o locutor que apresentava aqueles ritmos predominantemente negros no programa de rádio. Enquanto a excitação crescia dentro da arena, do lado de fora um motim começava a tomar forma, com milhares de pessoas com ou sem ingresso tentando entrar. O rock já nascia oficialmente com confusão e seu primeiro show teve apenas uma música. Antes que o saxofonista Paul Hucklebuck Williams pudesse encerrar sua primeira canção, polícia e o corpo de bombeiros adentaram a arena para dispersar a multidão, com bombas de efeito moral e jatos de água.

 Apesar do fracasso do evento, o objetivo principal havia sido alcançado. No dia seguinte, o Rock and Roll estava na manchete de todos os jornais, não só de Cleveland, mas em todo território americano. A influência de Freed cresceu de tal forma que pouco tempo depois ele teve que se mudar para Nova Iorque, onde apresentou seu famoso programa Rock and Roll Party, o mais importante do nascente gênero musical que tomava forma. Com o (merecido) apelido de Rei do Rock and Roll, seu radio show passou a ser transmitido não só para todo o país, mas também para a Europa. A bomba estava detonada! O sucesso foi tão grande que Freed foi convidado para participar do primeiro filme dedicado ao rock and Roll, Rock Around the Clock (que no Brasil ganhou o nome de Ao Balanço das Horas), com Bill Halley, The Platters e Tony Martinez no elenco. Onde quer que fosse exibido, em qualquer canto do mundo, a confusão era garantida e muitos cinemas foram destruídos, inclusive no Brasil.  No filme, a missão de um grupo de rapazes era disseminar o novo ritmo ao redor do mundo. Mais autobiográfico impossível.


Durante um show, ainda em 1958, que acabou em grande confusão por causa da atuação desmedida e provocadora da polícia, Freed acabou preso ao gritar no microfone que “a polícia não quer que vocês se divirtam”. Após este incidente uma avalanche tomou conta de sua vida. Ao promover a dança entre um bailarino negro e uma bailarina branca em um de seus programas, a emissora recebeu milhares de cartas e telefonemas furiosos, especialmente do Sul dos EUA. Dias depois seu programa estava cancelado pela direção da rede de tv. No rádio, onde continuava sua carreira, Freed foi envolvido, dois anos depois, em um escândalo chamado payola (mistura de payment com victrola) que sugeria  recebimento de pagamentos ilegais em troca de divulgação de alguns artistas, o chamado jabaculê no Brasil. Nada ficou comprovado, mas o governo americano conseguiu o bode expiatório de que precisava para aumentar sua munição em sua guerra contra o rock (que entre outros tantos fatos levaria Elvis a servir o exército em uma base na Alemanha no auge de sua popularidade). Freed foi condenado, ainda, por evasão de impostos entre 1957 e 1959, auge de sua carreira. Estava falido e queimado. Morreria em 1965, aos 43 anos, na miséria e vítima do alcoolismo, sem ver a consolidação do estilo que ajudou a criar.

 


 O governo americano conseguia barrar a avalanche rock temporariamente. Com Elvis fora do país e a morte de ídolos como Buddy Holly e James Dean, além do escândalo de Lewis ao se casar com uma prima de 13 anos, o objetivo da sociedade conservadora estava atingido. Só não esperavam que aquela revolução batesse na Inglaterra, mexesse com os talentosos jovens daquelas ilhas e voltasse com força total para o contra ataque que marcaria de vez a saga demolidora do Rock and Roll: a “Invasão Britânica” liderada pelo terremoto seguido de tsunami da Beatlemania. Mas isso é uma outra deliciosa história.

POEMAS CANTADOS DE ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA


A Noite Dos Poetas
Adriano Correia de Oliveira

Ó habitantes da terra e água
Com os semblantes cheios de mágoa
Saltem depressa para a cidade
Com a promessa da liberdade.

Invadam tudo comam pessoas
A cantar loas de meter medo
O mundo é mudo pertence às cobras
Que trepam escadas no arvoredo.

Haverá sinais no nevoeiro
Vinho veneno e ansiedade
Só um barqueiro cantando breve
Muito sereno na tempestade.

INSTRUMENTAL

Ó habitantes da terra e água
Com os semblantes cheios de mágoa
Saltem depressa para a cidade
Com a promessa da liberdade.

E os poetas a delirar
Devoram lírios no meio do mar
Constroem barcas que o vento vira
Pesadas barcas e uma lira.


A Vila De Alvito
Adriano Correia de Oliveira

A Vila de Alvito
Tem ruas e praças.
Homens e mulheres
E muitas desgraças.

E muitas desgraças.
E muitas desgraças.

A Vila de Alvito
Tem dois Lavradores
Tem muita riqueza
E raros amores.

A Vila de Alvito
Tem uma cruz ao lado
Quem manda na vila
Não lhe dá cuidado.

Não lhe dá cuidado.
Não lhe dá cuidado.

Maltezes ganhões
Sangue misturado
Na Vila de Alvito
É que eu fui criado.

INSTRUMENTAL

A Vila de Alvito
Tem ruas e praças.
Homens e mulheres
E muitas desgraças.

E muitas desgraças.
E muitas desgraças.

A Vila de Alvito
Tem dois Lavradores
Tem muita riqueza
E raros amores.

A Vila de Alvito
Tem uma cruz ao lado
Quem manda na vila
Não lhe dá cuidado.

Não lhe dá cuidado.
Não lhe dá cuidado.

Maltezes ganhões
Sangue misturado
Na Vila de Alvito
É que eu fui criado.



Alceu Valença – Maracatus, Batuques e Ladeiras 1994

 

capa

Colaboração do Arlindo

CDencarteLP

O disco foi lançado em LP e em CD.

versoCD

“A musa inspiradora é a cidade de Olinda. Canto os ares nordestinos ao ritmo dos maracatus e dos caboclinhos. É um álbum muito bem produzido, por Paulo Rafael e José Milton, com direção artística de Sérgio Carvalho. E tivemos um orçamento generoso, que nos permitiu utilizar orquestras de frevo, em músicas como Diabo Loiro, de J. Michiles, e ‘Valores do Passado’, de Edgard Morais. Há canções delicadas, como ‘Pétalas’ e ‘Ladeiras’.” (Fonte)

Alceu Valença – Maracatus, Batuques e Ladeiras
1994 – BMG

01. Paixão (Alceu Valença)
02. Amor Que Vai (Alceu Valença)
03. Dia de Cão (Vicente Barreto / Alceu Valença)
04. Embolada (Alceu Valença)
05. Pra Clarear (Alceu Valença)
06. Maracajá (Alceu Valença)
07. Saudação ao Sol (Tradicional / Adpt. Alceu Valença)
08. De Onde Vem (Alceu Valença)
09. Pare Repare Respire (Alceu Valença)
10. Ladeiras (Alceu Valença)
11. Pétalas (Hebert Azul / Alceu Valença)
12. Valores do Passado (Edgard Morais)
13. O Carnaval da Minha Janela (Alceu Valença)
14. Diabo Louro (J. Michiles)

MUSICA&SOM ☝



Carlos André – Para recordar e xamegar 1993

Frente p

 

Colaboração do Lourenço Molla, de João Pessoa – PB

Selo A pSelo B p

Carlos André era conhecido como Oséas Lopes quando participava do Trio Mossoró e adotou esse nome para sua carreira solo.

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O lado A é um pout pourri composto de diversas músicas de diversos estilos e o lado B tem alguns forrós.

Carlos André – Para recordar e xamegar
1993 – CID

01. Pout-pourri
A noite do meu bem (Dolores Duran)
Beija-me muito (Consuelo Velasquez Vers: David Nasser)
Talvez, talvez, talvez (Quizas, quizas, quizas) (Oswaldo Farres Vers: Haroldo Barbosa)
Perfidia (Alberto Dominguez Vers: Lina Pesce)
Caminhemos (Herivelton Martins)
Não me diga adeus (Paquito – Luiz Soberano – João da Silva)
Tudo acabado (J. Piedade – Oswaldo Martins)
Atiraste uma pedra (Herivello Martins – David Nasser)
Tão somente uma vez (Solamente una vez) (Agustin Lara Vers: Waldomiro Bariani Ortencio)
Camino verde (Carmelo Larrera)
Carinhoso (Pixinguinha – João de Barro)
Ronda (Paulo Vanzolini)
Tortura de amor (Waldick Soriano)
Aquellos ojos verdes (Nilo Menendez – Adolfo Ultrera)
Meus tempos de criança (Ataulfo Alves)
Risque (Ary Barroso)
Despedida (Roberto Carlos – Erasmo Carlos)
02. Escadaria (Pedro Raimundo – Oseinha)
03. Onde morou nosso amor (Oseinha – Socorro Maria)
04. Tonelada de forró (João Mossoró – Bartô Galeno – Oseinha)
05. Forró em Fortaleza (Ivan Peter – Bella Maria)
06. Bonequinha linda (Tony Eldon – Oseinha)
07.
Madeira Mamoré (Zé Candido)
De Terezina a São Luiz (João do Vale – Helena Gonzaga)
Capital da Ilha (João Vale – Luiz Guimarães)

MUSICA&SOM ☝



terça-feira, 11 de agosto de 2026

Elba Ramalho – Fruto 1988

 

capa

Colaboração do Arlindo

foto

seloa
selob

Nesse disco, a Elba se afasta mais do forró.

verso

Participação especial de Dominguinhos na faixa “Salve-se Quem Puder”de Dominguinhos e Fausto Nilo.

Elba Ramalho – Fruto
1988 – Philips

01. Doida (Nando Cordel)
02. Salve-se Quem Puder (Dominguinhos / Fausto Nilo)
03. Segredo de Menina (Paulo Debétio / Waldir Luz)
04. Estrela Grande (Caetano Veloso)
05. Palavra de Mulher (Chico Buarque)
06. Dragão Encantado (Tadeu Mathias)
07. Pisa no Meu Coração (Nando Cordel / Fausto Nilo)
08. Um Bilhete Pro Seu Lua (Gonzaguinha) Participação: Gonzaguinha
09. O Girassol da Baixada (Jaime Além)
10. A Flor da Magia (Zé Américo / Salgado Maranhão)
11. Luã (Maurício Mattar / Geraldo Azevedo)

MUSICA&SOM



ROCK ART

 



Eire Apparent - Sun Rise 1969

 

 Para um álbum que nunca teve um grande sucesso comercial, de uma banda que não é muito lembrada por si só,  Sunrise , do  Eire Apparent  , é surpreendentemente conhecido, pelo menos como um artefato entre  os fãs de Jimi Hendrix  , devido ao fato de o guitarrista tê-lo produzido (e tocado em algumas partes). Mas fica a dúvida: quantas pessoas realmente ouviram o álbum? Acontece que é uma agradável, melodiosa e, por vezes, ousada incursão no pop/rock psicodélico, semelhante em muitos aspectos ao   álbum  Little Games , dos  Yardbirds , com a diferença de que o Eire Apparent  parecia muito mais à vontade com o estilo pop psicodélico aqui do que  Keith Relf ,  ​​Jimmy Page e companhia naquele  disco dos Yardbirds  . A mistura de sons líricos de guitarra acústica e elétrica, algumas orquestrações leves e de bom gosto (cordas e metais) e conceitos líricos alucinantes funcionam extremamente bem. Este é um lançamento surpreendente de pop psicodélico, suavemente alucinante na maior parte do tempo, com algumas contribuições marcantes de  Hendrix .  Quase tão importantes quanto as faixas são os indícios, ainda em estágio embrionário, da  futura versatilidade de Ernie Graham como compositor em músicas como "Rock & Roll Band" e "Magic Carpet" — seu trabalho é mais enraizado e, em geral, mais acessível do que o de  Mick Cox , o outro grande compositor do grupo (embora ele faça uma contribuição agradável com "Let Me Stay"). Entre as melhores músicas, a habilidade musical geral do grupo e  as contribuições de Hendrix , o álbum como um todo se mostra extremamente forte e consistente, valendo a pena ser ouvido por si só, mesmo que não tenha inovado musicalmente. O disco deveria ter tido um desempenho melhor, mas seu lançamento pela Buddah (que praticamente não tinha presença na Inglaterra) limitou seu impacto internacional — e, de qualquer forma, o grupo já havia perdido a maior parte de seu público britânico naquela época. Além disso, provavelmente as rádios americanas não sabiam onde encaixá-la, já que transitava entre as categorias pop e psicodélica (e de forma bem ousada), com elementos de roots rock. E também perdeu uma oportunidade: o lançamento original do LP não incluía o lado B do single "Rock & Roll Band", que explorava muito do mesmo território que  os Hollies  explorariam alguns anos depois, transformando-o em um sucesso no Top 10 com "Long Cool Woman (In a Black Dress)". Compare isso com músicas como "The Clown", que mergulhava no metal psicodélico dentro de uma estrutura pop que lembrava, ainda que de longe, tanto  a música de  Hendrix quanto a dos Yardbirds. de "Happenings Ten Years' Time Ago" -- e podemos ver a versatilidade desse grupo. É toda música admirável, mas aparentemente era muito difícil de vender facilmente sem um single de sucesso para atrair o público. E ainda vale a pena ouvir tudo, mesmo quatro décadas depois. [O CD da Repertoire Records de 1991 incluía "Rock & Roll Band" como faixa bônus.] 




John Mayall - Blues from Laurel Canyon 1968

 

O primeiro álbum de Mayall após o fim dos Bluesbreakers  marcou o retorno do artista às suas raízes, depois da fusão de jazz e blues de  Bare Wires .  Blues from Laurel Canyon  é um álbum de blues do início ao fim. Prova disso é o solo de guitarra logo aos 50 segundos da faixa de abertura. De fato,  Mayall  dispensou toda a seção de metais em  Blues from Laurel Canyon , optando pelo sólido, porém relativamente limitado, acompanhamento de  Mick Taylor  (guitarra),  Colin Allen  (bateria) e  Stephen Thompson  (baixo). Imediatamente, fica evidente que  John Mayall  não perdeu sua conexão com o blues. "Vacation", a faixa de abertura do álbum, nos lembra exatamente por que esse artista é tão celebrado por sua habilidade como compositor. O impressionante  Mick Taylor  (ainda adolescente) demonstra seu valor como guitarrista de blues, enquanto  Steve Thompson  (também no final da adolescência) trabalha de forma soberba com um dos bateristas mais interessantes do gênero,  Colin Allen .  Blues from Laurel Canyon  é tão impecável quanto  Bluesbreakers com Eric Clapton , e igualmente interessante musicalmente. Não só é um dos melhores  álbuns de John Mayall  , como também um destaque no gênero blues.









Destaque

Tesouros perdidos

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