MUSICA&SOM
MUSICA É VIDA
sábado, 2 de maio de 2026
Recordando o álbum ao vivo ''O Coliseu'' do João Pedro Pais de 2010.
John Corabi - New Day (2026) USA

Demorou, mas finalmente aconteceu. Para um homem que já emprestou a sua voz rouca e cheia de soul a gigantes como Mötley Crüe e The Dead Daisies, é quase um paradoxo que John Corabi só agora, em 2026, nos entregue o seu primeiro álbum a solo de material original.
New Day não soa a uma estreia; soa a uma colheita. É o som de um músico que passou décadas a observar o mundo da berma da estrada e que, finalmente, decidiu abrir o baú das canções que guardou para o momento certo.
Avaliação: John Corabi – New Day (2026)
A Estética de Nashville e o Toque de Marti Frederiksen
Gravado sob o sol de Nashville em 2025, o álbum beneficia imenso da produção de Marti Frederiksen. Há uma tonalidade quente, orgânica e melancólica que remete diretamente para o final dos anos 60. Mas não se enganem: isto não é um exercício de nostalgia barata. Corabi usa essas cores para pintar um autorretrato honesto, onde o rock clássico se funde com o blues e a soul sem nunca soar forçado.
Guia de Viagem por New Day
Faixa | Vibe / Influência | O que a torna especial |
"New Day" | Confiança Serena | Define o tom do álbum com uma autoridade tranquila. |
"That Memory" | Creedence / Southern Rock | Rock 'n' roll puro, com um "pé na terra" que lhe assenta que nem uma luva. |
"When I Was Young" | Reflexão Madura | Uma meditação sobre o envelhecimento feita com graça e sem amargura. |
"1969" | Hino Agridoce | Captura o caos de um ano histórico com um refrão que se cola ao ouvido. |
"Love That’ll Never Be" | Power Ballad | A "fatia de arena" do disco: eufórica, melancólica e imensa. |
"Everyday People" | Sly & The Family Stone | Um cover inspirado que encerra o álbum em total harmonia com o resto da obra. |
O Compositor no seu Ápice
O que separa New Day de outros lançamentos do género é a maturidade da escrita. Canções como "Laurel" evocam a aura de Laurel Canyon, trazendo uma sensação de que o mundo moderno é um lugar mais complexo e difícil de navegar do que os dias dourados do rock.
Corabi mostra-se um "metamorfo" elegante: em "One More Shot" ele recupera o groove funk que o tornou vital nos Dead Daisies, enquanto em "Your Own Worst Enemy" ele entrega um rock atrevido e conduzido pelo órgão, soando como alguém que sabe exatamente o que está a fazer, mas que ainda tem a energia de um principiante.
O Veredito Final
New Day é o triunfo do "Hooligan" que se tornou sábio. John Corabi entrega um disco que filtra todos os seus "ontens" através da lente da experiência. A voz dele continua a ser um dos tesouros mais autênticos do rock — uma ferramenta que exala vida, suor e soul.
Este não é apenas um novo dia para Corabi; é, possivelmente, o seu melhor dia.
Nota: 9.0/10
"Corabi não está a tentar provar nada a ninguém. E é precisamente por isso que este álbum é tão genial. É o som de um cantor que, finalmente, se sente em casa na sua própria pele."
Destaques: "1969", "That Memory", "Love That’ll Never Be".
Recomendado para: Fãs de The Dead Daisies, Creedence Clearwater Revival, Humble Pie e qualquer pessoa que aprecie Rock com o coração na manga.
Temas:
01. New Day
02. That Memory
03. Faith, Hope And Love
04. When I Was Young
05. One More Shot
06. 1969
07. Laurel
08. Good To Be Back Here Again
09. Love That’ll Never Be
10. Cosi? Bella
11. Your Own Worst Enemy
12. Everyday People
Banda:
John Corabi - Vocals, lead/rhythm guitars
Marti Frederiksen - Backing vocals, guitars, piano, percussion
Evan Frederiksen - Drums, bass, B3 organ, programming, mandolin
Convidados:
Richard Fortus - Lead Guitar
Paul Taylor - Piano, Organ, Clavinet
D.A. Karkos - Backing vocals
Matt Farley - Backing vocals
John Farley - Backing vocals
Charlie Starr - Lead/rhythm guitars on 3
Elegant Weapons - Evolution (2026) Internacional

Se o primeiro disco dos Elegant Weapons foi o nascimento de um projeto ambicioso, Evolution (2026) é o momento em que a criatura ganha consciência e toma o seu lugar no topo da cadeia alimentar do Metal moderno. Richie Faulkner não deu apenas um nome apropriado ao álbum; ele deu-lhe um propósito.
Após meses na estrada, a química entre os músicos consolidou-se, transformando o que poderia ser apenas um "supergrupo de estúdio" numa unidade coesa, pesada e surpreendentemente emocional.
Avaliação: Elegant Weapons – Evolution (2026)
O Motor do Metal: A Nova Cozinha
Embora Faulkner e Romero sejam as faces visíveis, a entrada de Dave Rimmer (Uriah Heep) e Christopher Williams (Accept) em estúdio mudou o jogo. A secção rítmica é agora uma fundição de aço: Williams traz a precisão teutónica do seu trabalho nos Accept, enquanto Rimmer oferece aquele "groove" clássico que só décadas de Uriah Heep podem ensinar.
Análise das Faixas: Diversidade e Identidade
Faixa | Destaque | Vibe Musical |
"Evil Eyes" | Riff principal | Metal melódico clássico com um balanço contagiante. |
"Bridges Burn" | Refrão | O single perfeito: cativante, épico e feito para as rádios. |
"Generation Me" | Atitude | Peso à la Black Sabbath com uma crítica feroz às redes sociais. |
"Come Back to Me" | Solo Bluesy | Uma balada com alma, elevada pelo Hammond de Adam Wakeman. |
"Rupture" | Instrumental | Pessoal e intensa; inspirada na cirurgia de Faulkner em 2021. |
"Keeper of the Keys" | Progressão | A "magnum opus" do disco, com teclados grandiosos e solos duplos. |
Os Convidados e os Momentos Épicos
O álbum brilha especialmente quando Faulkner decide partilhar o palco. Em "Thrown to the Wolves", o duelo de guitarras com a estrela em ascensão Jared James Nichols é um convite ao air guitar desenfreado — um tributo ao Hard Rock old school que não soa datado, mas sim revitalizado.
Outro ponto fundamental é a participação de Adam Wakeman. Seja no órgão Hammond em "Come Back to Me" ou na introdução majestosa de "Keeper of the Keys", ele adiciona uma textura que remete aos anos 70, mas com a produção moderna e musculada de Andy Sneap.
O Coração da Máquina: "Rupture"
É impossível ouvir "Rupture" sem sentir o peso da história de Richie Faulkner. O som do batimento cardíaco no início da faixa instrumental serve como um lembrete da sua mortalidade e da sua força. É um momento de vulnerabilidade artística que mostra que os Elegant Weapons têm muito mais no arsenal do que apenas velocidade e distorção; eles têm humanidade.
O Veredito Final
Evolution é um passo de gigante para a banda. Ronnie Romero confirma que é o vocalista definitivo para este projeto, adaptando-se perfeitamente desde o peso "Sabbático" até ao Blues mais contido. Sob a produção de Andy Sneap, o disco soa imenso, mas mantém a sujeira necessária do Rock 'n' Roll.
Se o primeiro disco foi uma introdução, este segundo é a afirmação de que os Elegant Weapons estão aqui para ficar. Eles encontraram o equilíbrio perfeito entre o Hard Rock clássico e o Metal melódico contemporâneo.
Nota: 9.2/10
"Richie Faulkner não está apenas a tocar guitarra; ele está a celebrar a vida. Evolution é o som de uma banda que sobreviveu à tempestade e agora está pronta para conquistar o horizonte."
Destaques: "Bridges Burn", "Keeper of the Keys", "Generation Me".
Recomendado para: Fãs de Judas Priest, Rainbow, Black Sabbath e de qualquer pessoa que aprecie guitarras com "sangue nas guelras".
Temas:
01. Evil Eyes
02. Generation Me
03. Bridges Burn
04. Holy Roller
05. Come Back To Me
06. The Devil Calls
07. Thrown To The Wolves
08. Shooting Shadows
09. Rupture
10. Mercy Of The Fallen
11. Keeper Of The Keys
Banda:
Ronnie Romero (Lords of Black, Rainbow, MSG) - Vocals
Richie Faulkner (Judas Priest) - Guitars
Dave Rimmer (Uriah Heep) - Bass
Christopher Williams (Accept) - Drums
Destaque
Recordando o álbum ao vivo ''O Coliseu'' do João Pedro Pais de 2010.
Recordando o álbum ao vivo ''O Coliseu'' do João Pedro Pais de 2010. Mentira | Ao Vivo no Coliseu Álbum Completo: https://o...
-
Adoro a língua francesa e a sua sonoridade. Até gosto do facto de a pronúncia de grande parte das suas palavras ser diferente daquela que a...
-
Já nestas páginas escrevi sobre o meu adorado Nick Cave. A propósito de um disco, e também sobre uma particular canção deste The Boatman’...
-
Quem teve a oportunidade de assistir ao incrível documentário “Get Back” , de Peter Jackson , lançado em serviços de streaming no fina...
