A seguir, temos um verdadeiro hino do rock espanhol do final dos anos setenta, uma obra-prima do rock urbano e urgente, com letras que são ao mesmo tempo despreocupadas e fortemente influenciadas pelo contexto social da transição e pelo movimento pré-Movida. Composta para o filme homônimo de Fernando Colomo , estrelado por Carmen Maura, "¿Qué hace una chica como tu en un sitio como este?" (O que uma garota como você está fazendo num lugar como este?) reflete a atmosfera de uma Espanha em pleno florescimento cultural após várias décadas de ditadura.
Como o título sugere, a letra descreve um encontro em um bar decadente de Madri, onde o narrador se aproxima da protagonista, uma sofisticada "femme fatale, sempre em apuros" que parece não se encaixar no ambiente sombrio e suburbano sugerido pela atmosfera da canção. A famosa frase com a qual ela "quebra o gelo" é o que dá título à música. Toda a canção consiste em perguntas e frases que o narrador dirige à misteriosa garota ( "Que tipo de aventuras você veio buscar?" ), e permanece incerto se o encontro teve um final feliz.
O tom da música é lento e sombrio, mas o som é cru e urbano, com influências marcantes do rock urbano clássico e do glam rock britânico — marcas registradas do som mais puro do Burning Man. No geral, "¿Qué hace una chica como tu en un sitio como este?" (O que uma garota como você está fazendo num lugar como este?) reuniu todos os ingredientes para se conectar com a juventude da época, ansiosa por romper com os padrões e explorar novas liberdades, e se tornar um dos grandes hinos atemporais do rock espanhol.
Gravado com um verdadeiro time de titãs do fusion, incluindo o trompetista Eddie Henderson, o baixista Stanley Clarke e o tecladista Herbie Hancock, Dance of Magic canaliza as lições que o baterista Norman Connors aprendeu trabalhando com Pharoah Sanders, Sam Rivers e Sun Ra, reunindo ritmos latinos, texturas eletrônicas e misticismo cósmico para criar um funk-jazz não-denominacional, porém profundamente espiritual. A extensa faixa-título de 21 minutos ocupa toda a primeira metade do disco, capturando uma jam session monumental que explora os limites da improvisação livre, mas nunca ultrapassa o ponto de não retorno. A bateria furiosa de Connors é como um rastro de migalhas de pão que guia seus colaboradores de volta para casa. As três faixas restantes são menores em escala, mas não menos épicas em escopo, culminando com a explosiva "Give the Drummer Some".
os Estilos Musicais: Fusion, Crossover , Funk-Jazz, Avant-Garde.
Faixas: 01 - Dance Of Magic (21:00) 02 - Morning Change (06:29) 03 - Blue (10:20) 04 - Give The Drummer Some (02:22)
Formação: Norman Connors - Bateria Stanley Clarke - Baixo Cecil McBee - Baixo Herbie Hancock - Piano, Fender Rhodes, Piano Elétrico Gary Bartz - Saxofones Alto e Soprano Carlos Garnett - Saxofones Tenor e Soprano Art Webb - Flauta Eddie Henderson - Trompete Anthony Wiles - Balifone Airto Moreira - Percussão Alphonse Mouzon - Percussão Anthony Wiles - Percussão Billy Hart - Percussão
Gravado no Pershing Club em Chicago, Illinois, o terceiro álbum de Jamal (que inclui o sucesso "Poinciana") foi um ponto de virada em sua carreira. Seu uso liberal do silêncio influenciou muitos músicos de jazz, incluindo Miles
Davis. Styles: Cool Post-Bop
Tracks: 01 - But Not for Me (03:31) 02 - The Surrey with the Fridge on Top (02:35) 03 - Moonlight in Vermont (03:09) 04 - (Put Another Nickel In) Music! Music! Music! (02:56) 05 - No Greater Love (03:26) 06 - Poinciana (08:07) 07 - Woody N' You (03:40) 08 - What's New (04:08)
Line-up: Ahmad Jamal – Piano Israel Crosby - Double bass Vernel Fournier - Drums
Entre as mais complexas e singulares bandas que se propuseram a unir a absurda técnica musical ao death metal com severas tendências progressivas e atmosféricas, os noruegueses do Extol se mantiveram ativos desde 1997 com uma proposta cada vez mais aprimorada, que evoluía a passos largos a cada novo lançamento.
Desde 2007, porém, após o seu até então mais dinâmico trabalho, The Blueprint Dives, os músicos deixaram o grupo em hiato indefinido para se dedicarem a outros projetos (a saber, Mantric e Dr Midnight and the Mercy Cult), retornando apenas em 2012, ao anunciar o documentário Extol: of Light and Shade e o seu novo álbum de estúdio. Produzido por Jens Bogren, a obra foi lançada pela Indie Recordings no final do último mês de junho.
O passado ligado ao technical death metal da banda permanece praticamente intacto em “Betrayal”, faixa de abertura marcada pelas complexas alterações de andamento e passagens mais tranquilas para quebrar os trechos caóticos. Interessante notar que apesar da técnica apurada, os noruegueses não martelam o ouvinte com nada que seja incompreensível, mantendo tudo de forma extremamente coerente, como também pode ser visto em “Open The Gates”, que apesar do início meio meshuggiano acaba por apresentar um desenvolvimento mais prog (sem abandonar a agressividade).
Mantendo a mesma linha, a gélida “Wastelands” traz uma série de momentos extremamente quebrados, com um Extol transbordando e acumulando ideias que se complementam dentro de músicas relativamente curtas (se compararmos com outras bandas de estilo semelhante, as faixas poderiam facilmente chegar ao dobro da duração), o mesmo ocorrendo em “A Gift Beyond Human Reach”, que soa como uma versão grosseira e infernal do Haken.
Talvez para uma banda norueguesa seja praticamente impossível esconder as raízes extremas do black metal, e em “Faltering Moves” o trio extrapola essas influências de formaum tanto quanto arrastada e atmosférica (nada mal para uma banda que sempre tratou de temas cristãos em suas músicas), bem diferente da técnica inserção brutal de jazz em “Behold The Sun” e da bonita, porém completamente dispensável, instrumental “Dawn of Redemption”.
“Ministers” segue um rumo diferente e consegue ficar no limite entre aquele death metal rebuscado da escola Schuldiner, o metal progressivo e novamente o (un)black metal. Esta tendência se mantém em “Extol”, faixa que dá nome à banda (certo, lançada vinte anos depois de sua fundação), e, talvez como uma referência aos seus primórdios, é relativamente mais simples e dentro do praticado por congêneres desde um distante final de década de noventa. O seu fim praticamente se interliga com a última faixa, “Unveilling The Obscure”, notável pelo equilíbrio entre o mais extremo e o mais progressivo lado da banda, cuja união é, de fato, a sua característica mais marcante.
E esse equilíbrio aparentemente é o objetivo musical pelo qual o Extol trabalha ao longo de todo o álbum e, apesar de atingi-lo de forma exímia em boa parte, em determinados momentos acaba por se perder em um mar de informações em uma jornada que se revela mais complexa e esquisita do que o planejado, necessitando de diversas tentativas antes de atingir a real superfície e contemplá-lo por completo.
Porém, isso soa perfeitamente plausível para um disco de retorno, quando a banda ainda está recolocando as coisas em seu devido lugar e buscando uma nova forma de trabalho, por mais que já esteja há praticamente duas décadas junta.
O mais importante é como os noruegueses não parecem ter retomado as atividades apenas com o intuito de seguir com a sua discografia sem grandes novidades, mas sim em pegar todos os elementos que foram desenvolvidos ao longo dos anos e levá-los para outro nível, algo essencial para reerguer-se e ficar novamente acima do extremamente saturado cenário.
E isso eles estão muito, mas muito próximos de atingir.
Faixas: 01. Betrayal 02. Open The Gates 03. Wastelands 04. A Gift Beyond Human Reach 05. Faltering Moves 06. Behold The Sun 07. Dawn of Redemption 08. Ministers 09. Extol 10. Unveilling The Obscure
Na guitarra, Tom, do Gemini Five. No baixo, Goran (ex-Sexydeath), mais a dupla Andy (vocais) e Michael (bateria), ambos ex-Lipstixx 'n' Bulletz. É com esse elenco de primeira que o Toxic Rose vem construindo uma boa reputação na efervescente cena hard e metal escandinava. O som, definido pelo próprio quarteto como modern metal, incorpora elementos clássicos e modernos numa abordagem que esbanja energia e vivacidade — em contraste com as letras, que mais parecem confissões em páginas de diário. O visual é aquilo: amando ou odiando, é preciso reconhecer que há todo um investimento nesse aspecto.
Com lançamento previsto para o dia 4 de setembro em edição limitada de 350 cópias, o single Don't Hide in the Dark / I Drown in Red já caiu na net e, é claro, pediu aquela conferida. Ok, são apenas duas músicas, mas isto aqui, meu amigo, é o suficiente para assegurar o Toxic Rose entre os melhores grupos da leva surgida nos últimos tempos. A evolução, no sentido mais amplo que a palavra pode ter, se deu com um brilhantismo surpreendente — um salto de qualidade e maturidade, engrandecido pela produção muito mais caprichada em relação ao trabalho de estreia, lançado em dezembro de 2012.
As semelhanças com o Crashdïet de Generation Wild são constantes, mas a cama de teclados sobre a qual a enxurrada de guitarra, baixo e bateria repousa é um tremendo diferencial. O vocal é competente e parte pro grito na hora certa. O instrumental traz uma timbragem totalmente século XXI e a execução é certeira, inclusive nos solos. E uma coisa que é fundamental, ao meu ver, no rock: ambas as músicas contam com refrões — e refrões potentes, marcantes.
Por mais que esteja em sintonia com os novos tempos, que exigem que artistas e bandas menores volta e meia lancem algo para atrair os holofotes, o formato de apenas duas músicas é terrível para quem vicia rápido demais ... e acaba nos deixando sem ter para onde correr.
Em três anos de estrada, o Toxic Rose lançou apenas sete músicas oficialmente. Parece pouco para se avaliar a qualidade de uma banda, né? Mas acredite, quando estamos falando desses caras, realmente, basta ouvir este single.
Desde que atingiu nível de reconhecimento entre o grande público, a banda californiana Avenged Sevenfold sempre esteve sujeita a algumas das reações mais exaltadas, seja por parte do fanatismo (por vezes exagerado) de seus admiradores, quanto por parte daqueles que preferem passar horas exercitando o seu preconceito contra o trabalho do grupo.
Independente disso, o quinteto vem desenvolvendo uma identidade musical praticamente única, partindo do metalcore padrão dos primeiros trabalhos até se tornar um dos mais bem sucedidos nomes da heavy metal americano atual, em especial após a segunda metade da década passada.
Três anos após Nightmare, seu último trabalho de estúdio, e a recuperação após a perda de um de seus membros originais, o Avenged Sevenfold propõe com Hail To The King uma renovação em diversos sentidos. Produzido novamente por Mike Elizondo, o álbum marca a estreia do baterista Arin Ilejay, e de acordo com a banda, deve ser encarada como uma experiência extra musical (em conjunto com uma animação e um jogo, ainda a serem lançados).
Iniciando o disco, “Shepherd of Fire” não traz diferenças instrumentais tão exorbitantes se compararmos com os momentos mais cadenciados e soturnos do Avenged Sevenfold dos dois últimos álbuns. Por outro lado, algumas mudanças estão mais notáveis em três fatores: a simplicidade nas estruturas e na composição, as letras focadas em temas fantasiosos e épicos, e a voz de M. Shadows, mais contida e harmônica, um ponto extremamente positivo por todo o disco.
Estes fatores ficam ainda mais claros em “Hail To The King”, faixa que havia sido divulgada previamente, e segue caminho totalmente voltado ao heavy metal tradicional até o osso, em um andamento quase... Manowar, beirando algo extremamente genérico. Não muito diferente, porém voltada para o hard rock oitentista, “Doing Time” soa praticamente sem inspiração ou melodias sequer memoráveis.
“This Means War” traz a forte influência do Metallica que a banda sempre carregou, estampada aqui com uma incômoda similaridade em relação à faixa "Sad But Trueä, e apesar dos pesares, é um dos bons momentos no disco. O mesmo pode ser dito sobre “Requiem”, aonde os americanos concentram ainda mais os elementos épicos e sinfônicos, interessantemente casados com um ritmo arrastado e melancólico.
Apesar de eles nunca perderem a mão no que diz respeito às baladas de seus álbuns, “Crimson Day” não foge do padrão, nem apresenta exatamente grandes novidades, enquanto “Heretic” tenta mais uma vez inserir a fórmula de heavy metal e hard rock ao seu som já característico, porém de forma um tanto quanto forçada e artificial, sem o sentimento devidamente necessário.
O álbum volta aos trilhos com “Coming Home”, carregada de excelentes passagens que remetem diretamente ao Iron Maiden, principalmente se comparada com os trabalhos mais recentes dos ingleses. A seguinte, “Planets”, traz uma sucessão de mudanças de andamento a princípio desconexas e boas intenções melódicas, principalmente na combinação entre ritmos cadenciados e arrastados com arranjos orquestrais, mas por fim acaba se alongando mais do que o necessário ao longo dos seus seis minutos. Com aquela sensação de encerramento de jornada épica, “Acid Rain” é mais uma balada carregadíssima, e para o bem ou para o mal, condizente com o espírito do restante da obra.
Como a própria banda já havia dito, a música em Hail To The King seria mais direta, orientada por riffs e focada nas influências clássicas. E se olharmos apenas por esse lado, não se pode negar que eles cumpriram o objetivo. Porém, o grande problema no resultado final do trabalho é que eles simplesmente deixaram de lado algumas de suas características primordiais mais marcantes,
Não apenas isso, diversos momentos do disco deixam a impressão de que o Avenged Sevenfoldimpôs limites ao seu próprio estilo de composição, forçando uma simplicidade artificial e deixando uma estranha sensação de que o potencial não foi devidamente aproveitado. O trabalho de guitarras acaba por soar repetitivo (calcado sempre nas mesmas ideias e estruturas), semelhante ao serviço do novo baterista, Arin Ilejay: reto, maçante, simplesmente tentando soar como um bate estaca em nossos ouvidos em vez de implementar com linhas criativas.
A bem da verdade, com raras exceções, as músicas soam excessivamente genéricas, sem nenhuma característica marcante que a difira do mar saturado de bandas medíocres que encontramos por aí (e isso eles já deixaram bem claro não ser). Mesmo as faixas que chegam a se destacar, como “Requiem” e “Coming Home”, apesar de interessantes não são necessariamente mais do que sombra das detalhadas composições anteriores, principalmente as presentes em suas excelentes obras anteriores, como no autointitulado, de 2007, e no já citado Nightmare.
Mudanças musicais e novos experimentos podem não ser apenas elementos positivos na carreira de uma banda, mas muitas vezes são necessários e rejuvenescedores à sua carreira. Porém, esse processo deve ser o mais natural possível, e em Hail To The King, o Avenged Sevenfold parece estar tentando enfiar goela abaixo de si mesmo uma gama de influências sem saber muito bem o que fazer com elas, como se estivessem querendo provar alguma coisa
– algo que já não é necessário para eles. E há muito tempo.
Faixas: 01. Shepherd of Fire 02. Hail To The King 03. Doing Time 04. This Means War 05. Requiem 06. Crimson Day 07. Heretic 08. Coming Home 09. Planets 10. Acid Rain
Não é de hoje que sabemos que as gravadoras tem um papel importante na indústria musical. Os caras descobrem talentos investem neles e lançam seus discos e os promovem, mas é claro que existem as falcatruas (e não são poucas e nem raras) e nesse negócio não existem santos. Só que sem elas por trás será que os seus contratados teriam feito sucesso? É uma pergunta boa para levantar uma discussão cheia de detalhes, mas aqui não é a hora e nem é o proposito deste texto teorizar ou querer dar uma resposta pronta e acabada para essa questão. O que se propõe é contar um pouquinho da trajetória destes grandes selos que fizeram fama através de seus contratados que circulam nos nossos aparelhos, nas revistas que lemos e nos shows que frequentamos. Para começar esta série resolvi escolher a Elektra sediada nos EUA, os caras lançaram muita coisa boa de rock durante a sua história e assim como os artistas nossos de cada dia, eles também importância e eu como colecionador me interesso por eles também e por isso resolvi embarcar nessa e te convido para dar esse role junto comigo, aceita?
Para quem não sabe, não conhece a Elektra, ela tem um catálogo variado e muito cujo alguns artistas do cast são lendas da música, no rock, por exemplo, têm vários (que veremos logo abaixo). Faz parte do catálogo da Warner desde que foi comprada por ela em 1973. A história dela começa nos anos 50 e de forma independente assim como muitas começaram e ao longo dos anos foram crescendo, crescendo e crescendo. Jac Holzman (inspirado na mitologia grega) fundou a Elektra Records em 10 de outubro de 1950. A primeira gravação foi álbum de poemas de arte alemã musicado por John Gruen cujas vozes foram cantadas por Georgiana Bannister. A masterização e a prensagem do material foram realizadas nos estúdios da RCA, mas o resultado não foi o esperado. Depois de muita insistência conseguiu refazer o processo outra vez e dessa vez ele supervisionou tudo e em 1951, a Elektra tinha conseguido uma tiragem de sua primeira gravação para comercializar do jeito que bem entendesse.
Apesar do começo não ser nada agradável, o jovem empresário não desistiu continuou dando a cara a tapa e brigando para vencer, e para isso acontecer ele pegou a estrada e mudou-se para Nova York e lá fixou residência no Greenwitch Village. Junto com seu amigo Paul Rickolt compra em apartamento (batizado de The Record Loft) onde aconteceria o processo de gravação e também de venda do material. O acervo disponível, dos caras era expressivo, tinha mil cópias e um detalhe legal é que quarenta por cento desses discos eram de folk e claro que os maiores frequentadores seriam o pessoal do folk (residentes na área inclusive) e entre eles estava Bob Dylan.
Um dos frequentadores da loja chamado George Pickow em uma de suas visitas começou a falar sobre uma cantora de folk, a sua esposa. Jaz Holzman ficou interessado e quis conhece-la e depois do ocorrido adorou a voz dela e ofereceu contrato de gravação e lançou o primeiro álbum de Joan Ritchie, mas o resultado final foi tímido, pois as vendas não foram além de duas mil cópias. Apesar dos pesares resolveu investir em mais equipamentos novos para gravação que continuavam e tinham como preferência o folk (que era a música popular da época e essa era a aposta da jovem gravadora). No ano de 1954, a Elektra expande os seus horizontes musicais e começa a fazer as suas primeiras gravações de blues com Sonny Terry & Brownie Mcghee e nesse período a gravadora muda-se para um prédio novo e maior.
O sucesso bateu na porta da Elektra de maneira inesperada, pois Jac Holzman havia conhecido Theodore Bikel, um ator, que estava tendo um lugar ao sol na Broadway. Como estava mais interessado em ser atuar nas grandes produções não demonstrava interesse em gravar, mas foi convencido por Holzman depois de muita insistência. O material gravado foi uma série de canções folclóricas (que ele conhecia) e o lançamento de “Folk Songs of Israel” teve boa aceitação no mercado e depois disso rolaram mais lançamentos tornando-o principal nome (sucesso comercial) do selo em 1961.
As principais contribuições da Electra para o mercado fonográfico foi o lançamento de coletâneas com trechos de músicas de vários artistas para a rádio cujo objetivo era alcançar outras camadas da população. O negócio era apresentar o material da gravadora para as rádios e foi bem sucedida nessa empreitada, pois as rádios manifestaram interesse por vários dos artistas integrantes do seu cast e os concorrentes aproveitaram para copiar essa tática e usa-la com a mesma finalidade.
Nos anos 60 muitas mudanças estavam por vir, mas a Electra ainda concentrava-se no folk e começava a aglutinar no seu catálogo grandes nomes desse cenário e a cantora Judy Collins era uma das pérolas do acervo. Aos poucos Holzman foi distribuindo entre Paul Rothchild e Mark Abramson a função de produtores e volveu-se para o gerenciamento da gravadora. Lembram-se do Bob Dylan que frequentava o The Record Loft? Então, ele teve a chance de assinar com ele só que não rolou porque o lançamento do primeiro disco do rei do folk fez Jac Holzman mudar os seus planos porque ele tinha transferido o escritório para Santa Mônica, na Califórnia e mais uma vez precisou retornar para Nova York.
A gravadora já havia se aventurado no blues e chegando a gravar e lançar alguns nomes e em 1963 começou a levar a sério o gênero e em 1965 resolveu investir na Butterfield Blues Band cujas gravações do primeiro álbum foram assinadas por Paul Rothchild e apesar de custar os olhos da cara essa gravação compensou pelo retorno obtido com as vendas que inclusive superaram todos os outros artistas do selo. A gravadora obteve um tropeço com o Livin’ Spoonful e posteriormente decidiu ampliar ainda mais os seus horizontes musicais e resolveu partir o para os mercados do rock e do pop que estava nascendo na Califórnia.
É ai que a coisa começa a ficar boa. Jaz Holzman assina com o Love (de Arhtur Lee) cujo primeiro lançamento é compacto que conta com as músicas “My Little Red Book” e “A Message to Pretty” em 1966, que resultou num grande sucesso comercial para a Electra. Em 1967, o Love solta o clássico Forever Changes mantendo o sucesso. Quando os tempos são bons tudo tende a melhorar ainda quando esta na caminho certo sem desvios à direita ou à esquerda e eles provaram conspirar a favor de Jac Holzman e numa noite no Whisky a go-go ficou impressionado com a apresentação de grupo The Doors e imediatamente oferece contrato e joga a responsabilidade da produção nas mãos de Paul Rothchild (cuja aceitação rolou a contragosto após muita insistência de seu patrão). Uma semana depois já tinham o primeiro disco pronto para ser lançado e também tinham dois singles promocionais, o primeiro foi Break on Through, que ficou abaixo das expectativas. Já o segundo single que era uma versão editada da faixa “Light my Fire” arrebentou, explodiu nas rádios do país e claro ficou no topo outro marco para a gravadora, pois era a primeira vez que isto acontecia para ela. A história dos Doors já é bem conhecida e sabe-se muito bem que foram e são muito bem sucedidos comercialmente e fazem sucesso (são importantes) até hoje.
O selo para desfazer da sua imagem ligada apenas ao folk e ao blues passou a investir pesado no rock e no pop e nessa época a gravadora contratou Tim Bucley, MC5, The Stooges e Incredible Strings Band cujo reconhecimento aconteceu ao longo das carreiras de cada um. A Electra não tinha no seu cast apenas esses artistas tinha muitos outros como: Rhinoceros, Earth Opera, Clearlight, Eclection, Stalk Forest-Group, Sirens, cujos discos atualmente encontram-se recônditos nas prateleiras dos milhares de colecionadores do rock sessentista. Os negócios da Electra ganharam dimensões enormes e além de ter uma boa fatia do mercado preenchida com lançamentos caseiros passou a assinar contratos de distribuição e licenciamentos com outras gigantes como MCA, Decca e Capitol Records.
Em 1970, a Warner Brothers uma gigante do ramo comprou a Electra, mas Jac Holzman continuou como presidente da companhia. Sob nova direção, o selo ainda assinou com outros artistas na década de 1970, que se tornariam estrelas da música norte americana, no soft-rock e neste casos estamos falando do grupo Breed e da cantora Carly Simon. Ambos estouraram nas rádios e ajudaram a abarrotar ainda mais os cofres da gravadora cujas receitas não eram nenhum pouco modestas. A Electra também entrou na onda do punk rock querendo abocanhar uma fatia desse mercado musical e apostou as suas fichas no Television e o resultado desse investimento é clássico Marquee Moon cuja procura é alta nos dias de hoje. Os britânicos do Queen tiveram lançamentos distribuídos nos EUA pela Electra. Nessa aos 42 anos de idade, Jác Holzman resolve aposentar-se encerrando a sua bem sucedida carreira pelo mundo da música.
No começo da década de 1980, o selo registra uma existência de sucessos e o fato de ser bem sucedido torna-se um desafio para esta nova década cujo gênero em voga é o heavy metal e neste campo a banda assinou com o Motley Crue, que se tornou um grande sucesso e o Metallica foi outra grande aquisição que rendeu ótimos frutos para a gravadora através dos lançamentos de Master of Puppets, And Justice For All e Black Album todos muito bem sucedidos comercialmente (multiplatinados). No pop tiveram nas mãos o Simple Red e mantiveram-se firmes na estrada com um catálogo recheado de artistas e lançamentos rentáveis, ou seja, os caras atacavam por todos os lados. Outras mudanças que ocorreram ao longo dos tempos foi a mudança do logo.