domingo, 30 de agosto de 2026

Joe Strummer & The Mescaleros: elixir para a juventude eterna


Muitos roqueiros só conhecem Joe Strummer pelo seu trabalho histórico no The Clash e ignoram a sequência de sua carreira no The Mescaleros. Strummer esteve no The Clash por dez anos, entre 1976-86. Entre 1986-99, ele trabalhou na trilha sonora do filme "Sid & Nancy", voltou a trabalhar com seu parceiro de The Clash, Mick Jones, no segundo álbum do Big Audio Dynamite (co-escrevendo e produzindo a maioria das canções com Jones), participou do filme "Walker" em 1987 (como ator e na trilha sonora) e do filme "Straight to Hell" (junto com a banda The Pogues, com a qual excursionou como guitarrista em 87-88), participou do filme "Mystery Train" (89, de Jim Jarmusch), entre diversos outros filmes em que atuou, ou forneceu canções e produziu a trilha.
Ainda em 89, ele soltou um álbum solo chamado "Earthquake Weather" (com sua então banda "Latino Rockabilly War"), que foi um fracasso comercial e de crítica. Entre 90-91, ele produziu outro álbum dos Pogues, "Hell's Ditch", e substituiu Shane MacGowan, seu cantor, numa turnê (imagine só isto!). Foram anos que o próprio Strummer descreveu como "anos selvagens". Lá por volta de 95, ele passou a trabalhar com outras bandas participando em canções delas. Assim foi no The Levellers, no Black Grape, com Lee "Scratch" Perry, etc. Foi uma época também em que ele esteve envolvido numa briga judicial com a gravadora original do The Clash, a Epic Records. A confusão durou quase oito anos e terminou com a gravadora concordando em deixá-lo gravar álbuns solo com outra gravadora (se o Clash se reunisse, porém, eles deveriam gravar com a Sony). Foi também uma época em que ele foi DJ no BBC World Service com seu programa de meia hora chamado "London Calling". Depois desses anos turbulentos, Strummer formou The Mescaleros, em 99, que lançariam três álbuns até a morte dele. A formação original consistiu de Strummer (vocais e guitarras), Antony Genn (guitarra), Scott Shields (baixo), Martin Slattery (teclados, guitarra, sopros), Pablo Cook (percussão) e Steve Barnard (bateria). O projeto surgiu da união de Strummer, Cook e Genn para produzir trilhas sonoras. O nome "The Mescaleros" foi tirado de um filme de cowboy a que Strummer assistiu. O primeiro show aconteceu em Sheffield em jun/99. Eles excursionaram intensamente pelos próximos seis meses (Reino Unido, EUA, Europa, Austrália, Japão) e assinaram com o selo Hellcat Records (especializado em Punk californiano) por onde lançaram seus três álbuns.
O primeiro foi "Rock Art & The X-Ray Style", de out/99. Levou dez anos para que Joe Strummer conseguisse, então, dar sequência ao seu primeiro álbum solo, "Earthquake Weather". Foi um trabalho muito diferente do The Clash. Strummer foi mentor da viagem musical da banda por uma enorme variedade de estilos para além do Punk Rock e, desde então, só expandiu sua visão. Então, aqui neste trabalho havia batidas exóticas, Funk, letras altamente poéticas, algo inovador e totalmente anti-Punk. Entretanto, era Strummer em seu apogeu criativo, cheio de ambições e maturidade. Tymon Dogg, amigo de longa data, ingressou na banda em 2000 (violino e violão espanhol). A banda seguiu passando por mudanças de formação: John Blackburn e Jimmy Hogarth tocaram baixo, Andy Boo tocou percussão, Simon Stafford também tocou baixo, Luke Bullen entrou na bateria etc. Em jul/2001, surgiu "Global a Go-Go", o segundo álbum. Foi outro trabalho muito diferente do som do The Clash. Descrito como um "Folk-Rock internacionalista excêntrico", este disco era dominado por instrumentos acústicos (violino, ritmos africanos, indianos etc.). Esqueça petardos roqueiros, provocações Punk. Strummer se concentrava em letras bem trabalhadas e reflexões. Era um dos grandes ícones do Punk Rock disposto a mexer com as perspectivas de seu público. Música inteligente e singularmente absorvente. Nos shows, Strummer sempre incluía canções do Clash e clássicos do Reggae (regularmente a última era "Blitzkrieg Bog", dos Ramones). Mas os Mescaleros fundiam muito bem Reggae, Jazz, Funk, Hip Hop, Country e, claro, Punk Rock.
O último concerto aconteceu em 22/nov/2002, em Liverpool. Antes, em 15/nov, no Acton Town Hall, Mick Jones se juntou a Joe Strummer no palco, pela primeira vez em quase vinte anos, durante a canção "Bankrobber" (do Clash). Ao final desta turnê, a banda foi direto para o estúdio, mas Strummer morreu de um defeito cardíaco congênito em 22/dez/2002. O último álbum, "Streetcore", foi póstumo e lançado em out/2003. Por incrível que pareça, este álbum foi o melhor deles. Ao contrário dos dois primeiros enraizados em música do mundo temperada com Rock, este "Streetcore" era ancorado no Rock'n'Roll e num Reggae mortalmente pesado (do melhor jeito que o próprio Clash fez no final dos anos 70 e início dos anos 80). Ritmos matadores, fusões sublimes, enormes batidas, música inspirada, força e poder, urgência e letras expressivas. Um dos grandes álbuns de 2003 e o melhor que Strummer fez depois de "London Calling". Bem, houve momentos em que os Mescaleros atingiam o poder e a glória originais do The Clash. Strummer tinha a energia de alguém com a metade de sua idade e era capaz de dinamitar qualquer lugar. Um roqueiro com poderes invencíveis! Duvida? Então, aumente aí o volume e confira a banda no Roseland Ballroom, NYC, em 1999:



Grandes álbuns do Prog-Rock: Epidaurus - "Earthly Paradise" (1977)

 


Todos os envolvidos no Epidaurus eram nascidos no chamado "Vale do Ruhr" (região metropolitana mais populosa da Alemanha ocidental, englobando Dortmund, Bochum, Essen e Gelsenkirchen). Eram eles Christiane Wand (vocais), Günter Henne e Gerd Linke (teclados), Heinz Kunert (baixo), Manfred Struck e Volker Oehmig (bateria), sem guitarras. O grupo foi montado em Bochum, em 1975, com foco em tocarem Rock Progressivo orquestral e instrumental. No centro do projeto e funcionando como líderes estava o tecladista Günter Henne e o baterista Manfred Struck, mas Kunert era o mais experiente (tendo tocado em diversas bandas locais, desde os anos 60). Struck e Henne, ambos com formação erudita, já haviam tocado numa banda juntos ("Teraohm", entre 70-72). Linke também já tocara no final dos anos 60 e início dos 70 em diversas bandas de Beat Music. Ele tinha um emprego na indústria automobilística e ficou sabendo que um novo grupo em formação estava procurando por um segundo tecladista. Foi assim que ele conheceu Henne, Struck e Kunert. Isto era set/75 e o quarteto se autodenominou "Epidaurus" (cidade da Grécia antiga).
Heinz Kunert, Günter Henne, Volker Oehming e Gerd Linke
(Christiane Wand sentada)
As ideias logo evoluíram para o plano de gravarem um LP e, tendo conseguido agendamento para frequentes shows, passaram a querer completar a formação com uma cantora. Encontraram Christiane Wand, uma soprano com treinamento erudito. Em jun/77, chegou a hora da produção do álbum. Como o estúdio próprio de gravação em Langerndreer (área entre Dortmund e Bochum) não estava completo ainda, a banda rumou para o Hermes Sound Studio, em Kamen (perto de Dortmund). Lá, gravaram e mixaram tudo (em apenas 3 dias). Todos ali, banda e técnicos, eram bem exigentes e buscaram o tempo todo um resultado de excelência musical (até hoje, surpreende o nível da qualidade sonora alcançado). Klaus Brühs cuidou dos equipamentos; Manfred Struck, embora um excelente baterista, junto com Hans Schade (engenheiro de som do estúdio), foram responsáveis pelas gravações e mixagens. Por causa desse interesse maior de Struck no trabalho de engenharia, Volker Oehmig ingressou na banda como segundo baterista (por isso, foram gravadas faixas com cada um dos bateristas). Peter Mayer (flauta transversa) também tocou em duas faixas ("Andas" e "Silas Marner") como convidado (aliás, "Silas Marner" tinha esse nome por causa do livro de George Eliot, "Silas Marner: o tecelão de Raveloe", de 1861). Três faixas instrumentais tiradas do início da banda foram encaixadas no lado 2 (Manfred Struck tocando nelas). As duas faixas do lado 1 contavam com os vocais de Christiane Wand (cantando letras em inglês) haviam sido compostas especialmente para a nova formação com vocais e nelas o baterista já foi Volker Oehmig. Com as gravações completadas, a banda tentou contato com gravadoras para lançamento do disco. Eles foram até a Metronome/Polygram, em Hamburgo, duas vezes tentando que o álbum fosse lançado pelo selo deles, Brain Records (então proeminente na Alemanha). As negociações aconteceram com Hartwig Biereichel, o diretor de A&R da gravadora (na época, também baterista da banda Novalis, de som similar ao Epidaurus). Acabou que toda a negociação não deu em nada, assim com com outras gravadoras (outras grandes nem abriram conversas). Claro que foi um erro das gravadoras, pois o Epidaurus estava lhes oferecendo um álbum que seria reconhecido como um dos grandes do Rock Progressivo e certamente poderia ter-lhes produzido outros naquele estilo. Por isso, o álbum teve lançamento da própria banda (sem qualquer selo/gravadora apoiando - em relançamentos futuros, a Garden of Delights, selo de Bochum especializado em coisas perdidas, comprou os direitos). Somente 500 cópias foram feitas do lançamento original. A capa foi criada pelo baterista Volker Oehmig. O álbum intitulado "Earthly Paradise" foi vendido em um única loja, a Elpi, em Bochum. Sob a liderança dos tecladistas Günter Henne/Gerd Linke e do baterista Manfred Struck, toda a banda ensaiou e desenvolveu as ideias daquelas canções. Os ensaios aconteciam duas ou três vezes por semana e duravam por cinco ou seis horas. Eles eram gravados e, depois, a banda ouvia tudo, analisava e melhorava as canções. Evidentemente que o Epidaurus foi influenciado pelos grandes grupos da época (Genesis, Yes, Gentle Giant), mas houve influências vindas também do Manfred Mann, do Supertramp etc. (Günter Henne era um entusiasta de artistas de música eletrônica pioneira como o japonês Isao Tomita - uma canção dele sempre era a primeira dos shows).
"Earthly Paradise" representou a continuidade dada pelo Rock alemão à perda de fôlego do Prog inglês em 1977. Dinâmicas progressões musicais, arranjos refinados, duas faixas no lado 1 + três faixas no lado 2 totalizando apenas 32 minutos de um álbum curto. O destaque realmente era o uso dos múltiplos teclados (órgão Hammond, mellotron, mini Moog, clavinete, piano Fender Rhoads e clássico Steinway) em longos solo de grande virtuosismo. Mini suítes, paisagens sonoras idílicas e bucólicas, vocais bonitos (ainda que na linha operística), Prog sinfônico em seu melhor formato (sem excesso de pompa). Apesar do lado 1 ser excelente, o lado 2 - totalmente instrumental - era ainda melhor: perfomances mais sólidas, coesas, fortes e versáteis, acrescidas por uma eletrônica Space cheia de efeitos, bem ao gosto alemão. Neste verdadeiro "paraíso de teclados" Prog, principalmente nas faixas "Andas" e "Mitternachtstraum" (trad.: sonho da meia-noite), o deleito sonoro ficava garantido pelo desbunde técnico, pelas atmosferas eletrônicas algo experimentais (pense Tangerine Dream), bem Ambient, sob a base baixo/bateria. Uma pérola obscura e pedida do Prog-Rock



POEMAS CANTADOS DE ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA


Barcas Novas
Adriano Correia de Oliveira

Lisboa tem suas barcas
Agora lavradas de armas.
Lisboa tem suas barcas
Agora lavradas de armas.

São de guerra as barcas novas
Sobre o mar com sua guerra.
São de guerra as barcas novas
Sobre o mar com sua guerra.

Barcas novas levam guerra
E as armas não lavram terra.
E as armas não lavram terra.

INSTRUMENTAL

De Lisboa sobre o mar
Barcas novas são mandadas.
De Lisboa sobre o mar
Barcas novas são mandadas.

Barcas novas levam guerra
Sobre o mar com suas armas.
Barcas novas levam guerra
Sobre o mar com suas armas.

Barcas novas levam guerra
E as armas não lavam terra.
E as armas não lavam terra.


Cana Verde
Adriano Correia de Oliveira

No cimo da cana verde
Voava a esperança e pousou.
Olhei-te nos olhos fundos
Teu olhar me incomodou.

Verde cana, cana verde
Entre o restolho se perde.
Verde cana, cana verde
Entre o restolho se perde.

Cana verde deu-lhe o vento
Tua mão me procurou.
No cimo da cana verde
Voava a esperança e pousou.

Cana verde deu-lhe o vento
Tua mão me procurou.
No cimo da cana verde
Voava a esperança e pousou.

Verde cana, cana verde
Entre o restolho se perde.
Verde cana, cana verde
Entre o restolho se perde.

INSTRUMENTAL

Cana verde deu-lhe o vento
Tudo em redor se agitou.
No cimo da cana verde
Voava a esperança e pousou.

Verde cana, cana verde
Entre o restolho se perde.
Verde cana, cana verde
Entre o restolho se perde.

No cimo da cana verde
Voava a esperança e pousou.
Procurai a cana verde
Que o vento agitou.

No cimo da cana verde
Voava a esperança e pousou.
Procurai a cana verde
Que o vento agitou.

Verde cana, cana verde
Entre o restolho se perde.
Verde cana, cana verde
Entre o restolho se perde.




Moreira da Silva – O Último Malandro

 

frente1959

Colaboração do sergipano Everaldo Santana

fenixcapaselobMoreira da Silva 1968 - versoseloa
fenixverso
selofenix

O lançamento original desse vinil é de 1958 e depois teve alguns re-lançamentos, por outros selos e com outras capas.

verso1959

A maioria das músicas, em anos anteriores, já haviam sido lançadas em 78 RPM, como por exemplo “Acertei no Milhar” de Wilson Batista e Geraldo Pereira, publicada originalmente em 1940.

Moreira da Silva – O Último Malandro
1958 – Odeon
1968 – Imperial
Fenix

01. Que Barbada (Valdrido Silva / Moreira da Silva / Jucata)
02. Amigo Urso (Henrique Gonçalez)
03. Vara Criminal (Moreira da Silva / Ribeiro Cunha)
04. Olha o Padilha (Bruno Gomes / Ferreira Gomes / Moreira da Silva)
05. Dormi no Molhado (Moreira da Silva)
06. Dona História Com Licença (Moreira da Silva)
07. Jogando Com o Capeta (Moreira da Silva / Ribeiro Cunha)
08. Acertei no Milhar (Wilson Batista / Geraldo Pereira)
09. Na Subida Do Morro (Geraldo Pereira / Moreira da Silva / Ribeiro Cunha)
10. Averiguações (Wilson Batista)
11. Esta Noite Eu Tive Um Sonho (Wilson Batista / Moreira da Silva)
12. Chang-lang (Moreira da Silva / Ribeiro Cunha)

MUSICA&SOM ☝



Jacinto Limeira – Pensando Nela 1980

capa

 

Esse é um dos melhores discos do Jacinto Limeira.

seloaselob

Direção e produção de Abdias; Arranjos e regência de Maestro Chiquinho do Acordeon.

verso

Destaque para “A Cinturinha Dela” de Jacinto Limeira; e para “Forró em Bonfim” de Jacinto Limeira e Julio César.

Jacinto Limeira – Pensando Nela
1980 – Uirapuru

01. A Cinturinha Dela (Jacinto Limeira)
02. Forró em Bonfim (Jacinto Limeira / Julio César)
03. Pensando Nela (Jacinto Limeira / Roldão Brasil)
04. Baião da Espanha (Jacinto Limeira)
05. Matando a Esperança (Genário)
06. Poder da Evolução (Jacinto Limeira)
07. Pra Minha Economia (Miraldo Aragão / Jacinto Limeira)
08. Cobra Coió (Zé Marcolino)
09. Homenagem a Eterna Mamãe (Jacinto Limeira)
10. Sertão Amigo (Antônio Carlos Cerqueira)
11. A Luz da Verdade (Antônio Barros)
12. Tô Contigo e Não Abro (Jacinto Limeira / Ivan Bulhões)

MUSICA&SOM ☝



Noca do Acordeon – Está na onda 1975

 

Capa

Colaboração do Lourenço Molla, de João Pessoa – PB

Selo BSelo A

Mais um belo disco do Noca do Acordeon, os forrozeiros provavelmente vão preferir o lado B.

Verso

Nesse disco Noca demonstra muita versatilidade em diversos ritmos e como sempre expressando muita emoção na ponta dos dedos.

Noca do Acordeon – Está na onda
1975 – Replay

01. Coimbra (Raul Ferrão – José Galhardo)
02. Seleção de boleros
Meu Benzinho (Jorge Bulange)
Historia de un amor (Carlos Almaran)
Que te vaja bien (Federico Baena)
03. Granada (Agustin Lara)
04. Recordando o Hawaí (Adauto Pereira de Mattos)
05. Eu sigo sozinho (Adauto Pereira de Mattos)
06. Eu te darei bem mais (Alberto Festa – Memo Remige)
07. Sonhando de alto mar (Alventino Cavalcante – Celson – Carlos)
08. Pertinho do céu (Adauto Pereira de Mattos)
09. Amargurado (Adauto Pereira de Mattos – Palmeira)
10. A banda (Chico Buarque de Hollanda)
11. Enrolado (Adauto Pereira de Mattos)
12. Assanhadinho (Adauto Pereira de Mattos)

MUSICA&SOM ☝



ROCK ART


 

Mephistopheles - In Frustration I Hear Singing 1969

 

Com o nome inspirado na lenda faustiana do século XVI — Mefistófeles era o diabo a quem Fausto vendeu sua alma —, este sexteto emergiu do underground psicodélico e gravou um álbum, o estranhamente intitulado "In Frustration I Hear Singing". Este LP de 12 faixas, perdido e reencontrado nos arquivos da Reprise Records, é um protótipo da psicodelia do final dos anos 60, um exercício musical com títulos de canções peculiares ("The Cricket Song", "The Girl Who Self-Destroyed"), letras bizarras ("Listen to the crickets/listen everyday/listen to the crickets/tell me what they say") e instrumentação rock desajeitada ("Do Not Expect a Garden" apresenta um trompete; "Vagabond Queen" é acompanhada por uma flauta). 

Mephistopheles conta com um conjunto de músicos talentosos e experientes, com um forte senso melódico. O trabalho de guitarra, especialmente em músicas como "Dead Ringer" e a faixa-título, é particularmente impressionante. O guitarrista Fred Tackett é membro do Little Feat desde 1988. Rockasteria.


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Isao Suzuki - Orang-Utan 1975

 

A popularidade do baixista Isao Suzuki disparou com o lançamento de Blow Up pela gravadora Three Blind Mice. Na época em que gravou este, seu quarto álbum para a gravadora, ele já havia vencido a votação dos leitores da revista Swing Journal. E este álbum, com seu título um tanto peculiar, não decepciona.

Suzuki tinha um talento especial para se cercar de músicos excepcionais e tocar música brilhante e envolvente, firmemente enraizada na tradição do jazz. Desta vez, ele escolheu como peça fundamental o saxofonista Kenji Mori, cuja execução soberba no saxofone alto, clarinete baixo e flauta nos remete fortemente a Eric Dolphy. O gênio da guitarra Kazumi Watanabe oferece performances maravilhosamente sutis em todas as faixas. Além disso, e não menos importante, Mari Nakamoto — uma das melhores vocalistas de jazz que o Japão já produziu — participa como convidada e canta "Where Are You Going?", de Shirley Horn, com resultados excelentes. jazznblues.club.




Atomic Rooster - Death Walks Behind You 1970

 

"Devil's Answer" pode ser o álbum pelo qual  o Atomic Rooster  é lembrado, mas foi seu segundo álbum que alertou que eles estavam prestes a criar algo deslumbrante — simplesmente porque o próprio disco é uma obra de beleza quase sobrenatural. Com apenas o organista  Vincent Crane  remanescente da formação original, e John Du Cann assumindo algumas das composições,  Death Walks Behind You  começa a galope e termina em ritmo acelerado. A faixa-título é assustadora o suficiente para qualquer fã de filmes de terror da Hammer, com seus pianos descendentes e guitarras estridentes ao estilo de Psicose, enquanto "Gershatzer", um dueto para órgão e percussão, prova que o novo baterista  Paul Hammond  é mais do que páreo para o falecido  Carl Palmer . É entre esses extremos dramáticos, no entanto, que  Rooster  atinge seu ápice, com a majestosa "VUG", a contemplativa "Nobody Else" e a verdadeiramente incrível "Tomorrow Night" (uma das canções de amor mais assustadoras já lançadas nas paradas do Reino Unido), todas impressionantes.  As notas de Crane , aliás, nos lembram que o álbum continha uma versão diferente do sucesso, com um final estendido que mergulha em um caos inimaginável — um choque para os fãs de pop, talvez, mas uma ponte fabulosa para a subsequente "7 Streets". Possivelmente, a melhor evidência de que este é  o álbum-obra-prima do Atomic Rooster , contudo, não vem simplesmente do que está no álbum, mas do que foi deixado de fora. Um excelente trabalho de relançamento e remasterização restaura a arte original em toda a sua glória de capa dupla, mas você procurará em vão por faixas bônus — não porque não houvesse nenhuma para adicionar, mas porque simplesmente não caberiam. Afinal, depois de ouvir  Death Walks Behind You do início ao fim, você realmente não precisará de mais surpresas.