terça-feira, 30 de junho de 2026

ARDO DOMBEC Prog eclético • Alemanha

 

ARDO DOMBEC

Prog eclético • Alemanha

Biografia do Ardo Dombec:
Pouco se sabe sobre o ARDO DOMBEC, exceto que foi uma banda alemã de rock progressivo do início dos anos 70 que lançou um álbum com uma sonoridade pesada, bluesy e com toques de jazz, resultando em um som quase totalmente alemão. Frequentemente comparados ao COLOSSEUM, sua música apresenta muito saxofone, muitas vezes acompanhado por guitarra elétrica e flauta. Seus arranjos são animados e vibrantes, mas as letras são bastante sombrias e cínicas em contraste. A banda era formada por Helmut Hachmann no saxofone e flauta, Harald Gleu na guitarra e vocais, Wolfgang Spillner na bateria e vocais, e Michael Ufer no baixo.

Seu único CD, intitulado simplesmente "Ardo Dombec" (1971), reúne praticamente tudo o que a banda já gravou. Às vezes, seu material jazzístico flerta com o pop e, em outros momentos, soa francamente barroco. A banda obviamente aprecia ritmos estranhos e complexos, ao estilo do SOFT MACHINE. Embora pareçam privilegiar as faixas vocais (que não são exatamente o seu forte), é nas seções instrumentais que eles realmente brilham. Tecnicamente falando, a qualidade musical é bastante boa, mas as composições podem carecer um pouco de inspiração e empolgação.

Não é um álbum essencial, de forma alguma, mas certamente vale a pena ouvir, nem que seja apenas pelos grooves marcantes do sax de Hachmann.


 O ARDO DOMBEC lançou este único álbum de estúdio em 1971. A banda era alemã e era um quarteto formado por guitarra/vocal, baixo, flauta/saxofone e bateria. O saxofone se destaca bastante, muito mais do que a guitarra ou a flauta, que também têm seus solos. Os vocais são razoáveis ​​e em alemão, e a capa do álbum é um desperdício. A música simplesmente não me impressiona. Eu ia dizer que é "baunilha", mas baunilha é o meu sorvete favorito, e este álbum não me agrada. Dei risada da faixa de 8 segundos chamada "Oh, Sorry", que apresenta ruídos experimentais antes de um som de arranhão, e então ele diz "Oh, sorry". Não há nenhuma faixa que se destaque para mim neste álbum. Como eu disse, a guitarra não está tão em evidência quanto eu esperava, mas temos um solo legal logo no primeiro minuto de "Supper Time" e, na faixa final, um solo de guitarra surpreendente aos 4 minutos, onde ele arrasa. Há também um pouco de gaita em "Down-Town-Paradise-Lost". Há também vocais acelerados em algumas faixas de 2 minutos e meio. Outros já mencionaram, e eu concordo, que este álbum soa mais como Proto-Prog do que Krautrock. Portanto, uma nota baixa de 3 estrelas para este.





NEIL ARDLEY Jazz Rock/Fusion • Reino Unido

 

NEIL ARDLEY

Jazz Rock/Fusion • Reino Unido

Biografia de Neil Ardley:
Neil Ardley foi um músico e compositor londrino da década de 1960, que compôs e tocou primeiro para a John Williams Big Band e depois para a New Jazz Orchestra, onde gravou com nomes como Jack Bruce, David Greenslade e muitos outros. Ele foi pioneiro em um estilo de composição que mesclava métodos clássicos com a espontaneidade do jazz.

Na década de 1980, Ardley aventurou-se na música eletrônica e, nos últimos anos, concentrou-se em peças vocais e corais. Ardley faleceu aos 66 anos, em 2004.



Kaleidoscope of Rainbows
Neil Ardley Jazz Rock/Fusion

 O intelectual britânico Neil Ardley compõe jazz-rock complexo e, em seguida, conta com a ajuda de muitos músicos experientes (muitos dos quais haviam servido nas fileiras do Nucleus de Ian Carr).

Lado 1: 1. "Prólogo/Rainbow One" (10:25) camadas e mais camadas de arpejos minimalistas executados polirritmicamente em forma de rondó — até 3:05, quando todos se unem em uma jam incrível ao estilo de Don Ellis, Earth, Wind & Fire e Average White Band. E então, a maior peculiaridade de todas (especialmente para uma música de Jazz-Rock Fusion) é o fato de que os primeiros solos instrumentais só começam no sétimo minuto! (De Ian Carr, é claro.) Muito interessante — e agradável! (18,75/20) 2. "Rainbow Two" (7:35) um dueto suave de baixo acústico e flauta abre esta faixa antes da entrada dos instrumentos de sopro. Embora matematicamente interessante, eventualmente, a música suave e cadenciada se torna um tanto soporífera. (13,25/15)

Lado 2: 1. "Rainbow Three" (3:28) O violoncelo, à la Jean-Luc Ponty, assume o protagonismo sobre uma trama rítmica percussiva e afro-folk, composta por bateria, percussão e baixo elétrico com pegada funky. Tudo desacelera no final para um desfecho bastante suave. (8,875/10)

2. "Rainbow Four" (6:15) Esta faixa começa soando como uma fusão de jazz tradicional com minimalismo moderno, mas então tudo se transforma em uma música no estilo de Sketches of Spain, com trompete, flautas e outros instrumentos de sopro em solos que se entrelaçam em uma belíssima balada com sonoridade espanhola. Melodias absolutamente lindas, executadas com uma inventividade incrível na construção de um coral. Solo de saxofone soprano no quarto minuto. A dor e a angústia do solista se tornam extremamente poderosas no quinto e sexto minutos! Música não fica muito melhor do que isso! (10/10)

Lado 3: 1. "Rainbow Five" (4:25) soa como uma fusão moderna da big band ORCHESTRA de DON ELLIS com um som suave do Weather Report. Ótimo solo de clarinete no primeiro e único solo extenso da música. Termina com outro motivo peculiar de metais executado por toda a banda. (9/10)

3. "Rainbow Six" (7:39) Flautas e outros instrumentos de sopro vibram uns ao redor dos outros como borboletas antes da entrada do baixo elétrico, vibrafone, percussão manual e metais, criando ondas suaves com texturas que lembram Kind of Blue. O baixo e a guitarra jazz são os únicos elementos que interrompem essas ondas suaves de sopro — o baixo criando uma atmosfera que remete a Eberhard Weber. No terço final da música, as ondas ondulantes dos instrumentos de sopro começam a mostrar um toque minimalista. Bela melodia. Uma composição muito interessante. (13,5/15)

Lado 4: 1. "Rainbow Seven/Epilogue" (14:58) soa e parece uma espécie de mistura de vários (se não todos) os temas e estilos das outras músicas — a parte do epílogo definitivamente espelha a abertura em uma variação reorientada. Um pouco mais lenta e espaçosa que o lado de abertura, há um ótimo trabalho de guitarra e piano elétrico (que não era tão presente nas músicas anteriores). Adoro o som pulsante do baixo e o sopro de big band. O extenso solo de guitarra de Ken Shaw é um pouco jazzístico demais e não tão rock 'n' roll, e então vem o solo de sax de Brian Smith. Faltando quatro minutos para o final, há uma mudança completa para um tema totalmente novo e diferente, com baixo e bateria conduzindo a banda a um ritmo que acelera quase imperceptivelmente, com os metais e outros instrumentos acompanhando e enriquecendo a música. (27/30)

Tempo total: 54:46

Um álbum com composições maravilhosamente nítidas e limpas, executadas e gravadas com igual definição e clareza. Com nenhuma faixa ultrapassando 18 minutos — e três com menos de 15 minutos —, não é de se admirar que a qualidade do som seja tão excelente.

Nota A-/cinco estrelas; uma pequena obra-prima de fusão jazz-rock primorosamente elaborada — um álbum que acredito que todo amante de prog vai adorar.



ARCTURUS Tech/Prog Metal Extremo • Noruega

 

ARCTURUS

Tech/Prog Metal Extremo • Noruega

Biografia do Arcturus
Formada em Oslo, Noruega, em 1987 (originalmente chamada Mortem) - Dissolvida em 2007 - Reformada em 2011.

Em 1987, Steinar Johnsen (Sverd), Jan Axel Blomberg (Hellhammer) e Marius Vold formaram uma banda chamada MORTEM. Sverd na guitarra, Hellhammer na bateria e Vold no baixo. Eles lançaram uma fita demo e um EP de 7 polegadas antes de 1990, não se conhecem outros trabalhos da banda. Em 1990, o nome foi alterado para ARCTURUS. Eles mudaram seu estilo do death metal à la Mortem para o black metal, sua origem. Entre 1990 e 1993, mantendo a mesma formação, a banda lançou "My Angel",

ainda um trabalho inicial, antes que pudessem demonstrar todo o seu potencial.

Em 1993, uma mudança repentina aconteceu. Sverd abandonou a guitarra e retornou ao seu instrumento principal, o teclado. Samoth foi contratado como novo guitarrista e Kristoffer Rygg (Garm) juntou-se à banda nos vocais. O mini-CD "Constellation" foi lançado antes da saída de Samoth em 1994. Carl August Tideman (do TRITONUS e WINDS) na guitarra juntou-se à banda para gravar "Aspera Hiems Symphonia", juntamente com Skoll, do ULVER, no baixo. A banda lançou um álbum muito interessante neste caso. Álbum recomendado para quem gosta de Death Metal ou Black Metal, mas duvido que a maioria dos ouvintes de metal progressivo tire muito proveito dele. Sua música é única, pois mostra como vocais guturais e instrumentos simplistas podem dar origem a uma música interessante. As letras são curtas e simples; a banda ainda não apresentou muita complexidade, mas está um passo à frente de outras bandas de Black Metal.
Como Carl esteve na banda apenas para esse álbum específico, Knut Magne Valle assumiu as guitarras e permanece na banda até hoje.

A formação atual é composta por Sverd nos teclados, Hellhammer na bateria, Garm nos vocais e Knut nas guitarras.

No final de 1996, a banda começou a gravar "La Masquerade Infernale", onde atingiu seu auge. Há um uso extensivo de teclados com vários efeitos, sons de violoncelo que se destacam em algumas faixas e assumem o protagonismo em uma delas, mostrando como instrumentos acústicos além das guitarras podem se encaixar no Black Metal. As acrobacias vocais atingem um ponto interessante neste álbum, oferecendo uma sonoridade muito sombria, mas estranhamente perversa. Canções melódicas. No geral, o álbum é muito sombrio, porém bastante extenso instrumental e vocalmente. O trabalho de composição de Sverd resulta em um álbum que soa como uma Mascarada Demoníaca Infernal (como o próprio nome sugere...).

Aqui mencionarei uma das faixas deste CD. "Chaos Path" é provavelmente uma das faixas mais singulares e poderosas de todos os lançamentos de Black Metal. Instrumentais incrivelmente pesados ​​com ritmos de órgão marcantes sustentando a potência do baixo e do barítono de Knut (ao contrário da maioria dos guitarristas, o instrumento de escolha de Knut é um barítono com notas muito mais graves). Os vocais são muito caóticos, soando como duas vozes travessas. Travessas não significam necessariamente más; elas demonstram grande virtuosismo melódico, reforçando a atmosfera da música e trazendo a letra à tona de maneira caótica. No total, são quatro minutos e meio de "Chaos Path", com a letra falando sobre o caos (com pouquíssimas repetições), usando todas as formas mais sombrias para descrevê-lo, e o efeito musical criando a atmosfera desejada.

Pouco se ouviu falar da banda depois disso, mas em 2000 começaram as gravações de seu último lançamento. Concluído em 2002, "Sham Mirrors" foi lançado. Afastando-se ainda mais de suas canções sombrias, eles apresentaram "La Masquerade Infernale", um álbum com múltiplos solos de teclado extensos, instrumentação eficaz e vocais mais diretos. O álbum era mais acessível que seus lançamentos anteriores, mas ainda assim apresentava uma identidade própria. Menos voltado para uma música demoníaca e fervilhante, e mais para um ritmo acelerado, aproximando-se de lançamentos como "Light of Day, Day of Darkness" do Green Carnation. "Sham Mirrors" não alcança a mesma intensidade, mas desafia os instrumentais e a escuridão que pode envolver o ouvinte.

Em 2003, foi anunciado que Garm havia deixado a banda. Os vocais foram assumidos por Øyvind Hægeland, do Siral Architect. Nada se ouviu falar de suas músicas ainda, mas eles afirmaram que estavam começando a gravar um álbum com lançamento previsto para 2005.

No geral, "La Masquerade Infernale" e "Sham Mirrors" são os álbuns principais da banda, e seus trabalhos anteriores são desejados apenas pelos fãs. Para os fãs de Black Metal, este é um item indispensável. Quem se interessa por metal em geral também deveria se interessar por esta banda. Estes dois álbuns são obras de arte excepcionais, que incorporam intervenções clássicas em meio à sonoridade pesada e aos vocais caóticos do Black Metal.
Faixas principais: Chaos Path, Alone, Ad Astra (instrumental), Star Crossed, Master of Disguise, Ad Absurdum, Nightmare Heaven.
Quem aprecia um som pesado deve dar uma chance a esta banda; quem não gosta de metal em geral deve passar longe. O som deles é único, sem influências externas, poderoso, pesado, caótico, mas ainda assim melódico. Progressivo é o termo usado para descrever aqueles que extraem o melhor do estilo e expandem ao máximo o espaço sonoro, e é exatamente isso que o ARCTURUS com Sverd's Compositions fez.

Arcturian
Arcturus Tech/Extreme Prog Metal

 Após o lançamento de Sideshow Symphonies, o Arcturus ficou uma década sem lançar álbuns de estúdio e retorna com este novo trabalho bastante sólido. Embora não apresente nenhuma faixa épica propriamente dita (todas as músicas têm menos de seis minutos), ainda oferece uma mistura de metal progressivo com toques de metal sinfônico e black metal. A inclusão de uma seção de cordas (a menos que meus ouvidos me enganem) permite que a banda realmente destaque seu aspecto sinfônico. Sebastian Grouchot participa como violinista, adicionando um toque melancólico a faixas como Crashland.

Assim como os álbuns anteriores da série Sideshow Symphonies, este não parece tão impactante e inovador quanto seus três primeiros álbuns de estúdio (incluindo o clássico Sham Mirrors). Ainda assim, se você gostou daqueles, provavelmente vai gostar deste também, e mesmo que outros músicos tenham explorado o território experimental do Arcturus, Arcturian continua sendo um exemplo refinado desse tipo de metal progressivo com nuances sombrias.



Sideshow Symphonies
Arcturus Tech/Extreme Prog Metal


 Em termos de títulos de álbuns do Arcturus, "Sideshow Symphonies" é bastante apropriado. "Symphonies" (Sinfonias) está presente no sentido de que a música está profundamente imersa em sonoridades progressivas, com apenas alguns indícios do estilo black metal de seus primeiros trabalhos, como nos clássicos Sham Mirrors ou La Masquerade Infernale (e estes estão mais profundamente enterrados do que nunca). E "Sideshow" (Show) no sentido de que este não soa como um álbum de primeira linha, digno de um grande evento do Arcturus.

Talvez parte do problema seja que o álbum explora um lado um pouco mais suave do som da banda, que, após os momentos bombásticos dos dois álbuns anteriores, pode parecer um tanto contido e tímido. Ainda assim, é um lançamento interessante por si só, com influências que vão de Pink Floyd (Shipwrecked Frontier Pioneer) a, juro, um toque de IQ (imagine Peter Nicholls cantando Hibernation Sickness Complete e você entenderá o que quero dizer), mas consigo compreender por que é um álbum deles frequentemente negligenciado.



Grandes álbuns do Prog-Rock: Soft Machine - "Bundles" (1975)

 

"Fourth" (lançado em fev/71 - já comentado na postagem anterior - leia aqui) foi acompanhado de uma turnê pela Holanda e Alemanha, em mar/71, gravando no Gondel Filmkunst Theater, em Bremen, para o famoso Beat Club TV Show. Na volta, a banda seguiu fazendo shows pela Inglaterra (Guildford, Manchester, Londres, Brighton, Watford, Bournemouth, Newcastle-Upon-Tyne, Leeds etc.). Em jul/71, houve uma turnê pelos EUA (NYC, várias cidades de Ohio, Detroit/MI, Chicago/IL, Boston/MA, Houston e San Antonio no Texas) na qual as diferenças musicais quanto a direção musical do grupo saíram de controle e Robert Wyatt foi expulso em ago/71 (ele já vinha há algum tempo infeliz com suas ideias musicais sendo rejeitadas pelos outros). Ele participaria, na sequência, da big band Fusion Centipede, antes de formar sua própria banda, a Matching Mole (um trocadilho em francês para "Soft Machine", que ele alegou na época ter sido tirado do equipamento de iluminação de palcos "Matching Mole"). Em 73, ele teria o fatídico acidente na festa de Gilli Smyth (do Gong) que o deixaria paraplégico e embarcou numa elogiada carreira solo em 74. Wyatt foi substituído pelo baterista australiano Phil Howard. Com ele, a Soft Machine (agora Elton Dean, Hugh Hopper, Phil Howard, Mike Ratledge) excursionou pela Europa no final de 71 e começou a gravar o álbum seguinte, mas novas divergências musicais levaram Howard a ser demitido após a gravação do lado 1 de "Fifth" no início de 72, com o lado 2 sendo gravado por seu substituto, John Marshall. A banda seguiu em turnê pela Itália e França e "Fifth" só foi lançado em jul/72. 
Neste álbum, a banda continuou seu progressivo distanciamento de sua mistura original de Rock psicodélico e Rock Progressivo em direção ao Jazz Fusion. Foi basicamente isto que gerou todo o conflito com Wyatt (insatisfeito com esta direção). "Third" já havia o incomodado, mas "Fourth" invadiu profundamente o território do Jazz-Rock e este "Fifth" apresentou a Soft Machine trabalhando quase completamente no idioma do Jazz. Na época da saída de Wyatt, o tecladista Mike Ratledge comentou que ele "nunca gostara ou aceitara trabalhar em compassos complexos". Entretanto, seu substituto escolhido, Phil Howard, provou também não ser o cronometrista que Ratledge e Hugh Hopper (baixo) tinham em mente e toda aquela orientação para o Free Jazz levou à sua demissão durante as gravações. Os ritmos propulsivos de Howard, no entanto, deram uma contribuição vital para o álbum. Composições de Ratledge como "All White" e "Drop", à medida em que ganhavam impulso, se fundiam em grooves de condução ("All White" era focada muito na performance no sax de Elton Dean, enquanto "Drop" mostrava o órgão cheio de Fuzz de Ratledge). Em certas partes do álbum, parecia haver um elemento de tensão entre a abordagem mais estruturada de Ratledge e Hopper e as inclinações de forma livre de Dean. Seu estilo mais solto e radical ficava enfatizado em "As If", outra canção de Ratledge. Sim, sei que há muitos roqueiros que preferem os lançamentos anteriores da banda por considerar tudo que veio de "Fourth" em diante menos atraente (e não estarem interessados tanto em Jazz), mas destaco não ser justo o descarte puro e simples. Claro, não era um álbum de Rock, nem mesmo de Jazz-Rock - era essencialmente um álbum de Jazz, com os músicos mais preocupados com as texturas e as interações, mas ainda assim um trabalho de alta qualidade. No final de 72, Dean saiu da banda e foi substituído por Karl  Jenkins (que também tocava teclados, além dos saxes). Dean era um grande improvisador e estava ficando insatisfeito com as composições de Ratledge e Hopper, presas a riffs e ritmos, e ele desejava uma direção mais solta e livre. 
"Six", lançado em fev/73, totalmente instrumental e com metade contendo material ao vivo. Foi um álbum duplo e o primeiro com Karl Jenkins (que eventualmente se tornaria o líder da banda e seu principal compositor após a saída do último membro original, Mike Ratledge, em 76). Tanto Karl Jenkins, quanto o baterista John Marshall haviam anteriormente sido companheiros no Nucleus, banda inglesa de Jazz-Rock liderada pelo trompetista Ian Carr. Agora, não existia mais a Soft Machine da época de Robert Wyatt. A banda era puro Jazz Fusion bem distante de qualquer coisa que parecesse Rock psicodélico. Esta "era Jazz" da Soft Machine, que começara no "Fourth", com estruturas musicais de improvisação livre dentro de um formato Fusion relativamente restrito, mudou muito com o novo membro Karl Jenkins, com seus saxes e suas composições, e seu foco total no Fusion. Metade ao vivo (gravado em Brighton e Guildford, em out-nov/72) e metade em estúdio (gravado no CBS Studios, em Londres, entre nov-dez/72), "Six" nunca irá interessar aos partidários da "era clássica", mas a dupla Jenkins-Marshall conduziu os veteranos Ratledge-Hopper através de exercícios Fusion até bem bacanas (para fãs do gênero).
Karl Jenkins, John Marshall, Mike Ratledge e Hugh Hopper
Hugh Hopper saiu em mai/73 (ele trabalharia com diversos outros grupos: East Wind, Isotope, Gilgamesh, Carla Bley Band, projetos cooperativos de Elton Dean, Pip Pyle, Phil Miller, diversos grupos voltados ao Jazz-Rock). As inevitáveis mudanças de direção musical e principalmente a perceptível diminuição de uma "estranheza" no som da anda levaram à saída de Hopper. Assim, ele explicou: "A Soft Machine se tornou uma banda de Jazz-Rock bastante comum, sem peculiaridades ou estranhezas suficientes. Eu era muito influenciado pelo 'Uncle Meat' e 'Hot Rats' do Zappa, mas todo aquele território Jazz-Rock depois foi se tornando bem desvalorizado. Para mim, as melhores composições eram uma soma de estranheza com boas ideias. Zappa era assim. Mas éramos bons músicos tecnicamente, porém sem aquela estranheza. Eu realmente não estava interessado na música que Jenkins, Ratledge e Marshall estavam interessados. E eles nem eram particularmente meus amigos. Então, as duas razões para se estar na banda desapareceram, isto é, tocar boa música que te interessa e ser amigo dos caras que estão contigo". Ele foi substituído por Roy Babbington (outro ex-Nucleus), que tocava um baixo de seis cordas, enquanto Karl Jenkins virou líder e principal compositor. As gravações para o álbum seguinte aconteceram em jul/73 no CBS Studios, em Londres.
Lançado em out/73, "Seven", manteve a linha Jazz Fusion (seria o último álbum deles com a sequência de títulos numerados e também o último pela Columbia Records). Jenkins impôs uma noção de que a banda deveria continuar avançando no Fusion. Ele pilotou o oboé, sax (barítono e soprano), gravadores, pianos (Fender Rhodes e Hohner Pianet), entretanto sem igualar Elton Dean como improvisador. Em "Seven", sete das doze faixas eram composições dele. Ratledge só compôs quatro e claramente abriu mão de sua liderança. Após o lançamento deste álbum, a banda trocou de gravadora (Columbia por Harvest). Em dez/73, Karl Jenkins pinçou o guitarrista Allan Holdsworth (outro ex-Nucleus) e a Soft Machine se tornou um quinteto: Roy Babbington (baixo), Allan Holdsworth (guitarra), Karl Jenkins (sopros e líder), John Marshall (bateria) e Mike Ratledge (teclados). A entrada de Holdsworth representou significativa mudança na sonoridade da banda já que a guitarra se tornou um instrumento proeminente (lembrando às vezes a Mahavishnu Orchestra, de John McLaughlin), diferenciando o novo som de tudo o que a banda já havia gravado antes (considerando-se também que a guitarra era um instrumento ausente dos álbuns da Soft Machine desde o "Volume Two", de 69). 
Karl Jenkins, Mike Ratledge e John Marshall (atrás), Allan Holdsworth e Roy Babbington (frente)
Esta formação gravou "Bundles" em jul/74 (o álbum foi lançado em mar/75). Tendo somente Mike Ratledge como membro fundador e todos os demais membros tendo feito parte do Nucleus (um combo de Jazz-Rock inglês), este trabalho foi outro choque. Sim, na discografia da banda, esta fase Jazz-Rock é menos respeitada do que os três primeiros com Robert Wyatt. Há quem não goste de "Fourth" porque Wyatt não canta nele (e os vocais do baterista eram de uma lindeza extraordinária). Há quem não curta a banda depois que Hugh Hopper substituiu Kevin Ayers. Há quem deteste tudo após a entrada de Karl Jenkins. "Bundles" faz parte dos três últimos que a Soft Machine lançaria (seria o último com Mike Ratledge) - ainda haveria "Softs", de 76, e "Land of Cockayne", de 81. "Bundles" foi como um novo começo, considerando a mudança de gravadora, até mesmo o nome da álbum (quebrando a tradição de números), a adição do guitarrista Allan Holdsworth... Aliás, Holdsworth não perdeu tempo em impressionar com sua chegada. Tocando notas únicas em "Hazard Profile, Part One" (faixa de abertura baseada numa composição de Jenkins para o Nucleus), ele arrepiava insanamente rápido de uma maneira que qualquer outro teria dificuldades em acompanhar (putz, Holdsworth se colocava no nível de Fusion guitar players ases como John McLaughlin e Al di Meola, sem dúvida). E isto forneceu imediatamente o exato choque necessário. Se "Seven" era algo sem brilho, com Jenkins tocando seus sopros de maneira moderada e pouco assertiva, agora em "Bundles" aquela mesma formação acrescida de Holdsworth se tornara incendiária. Mike Ratledge abandonou seu antigo órgão com Fuzz e o trocou por um sintetizador analógico. Sim, o papel do tecladista vinha sendo cada vez menor, mas além do novo guitarrista, o baterista Marshall também resolveu soltar a mão conquistando o centro das atenções (vide na faixa "Four Gongs Two Drums"). No todo, "Bundles" trouxe um Jazz-Rock elegante e aerodinâmico que não remetia à clássica fase da Soft Machine, mas que abria uma tremenda nova perspectiva de futuro para a banda. Infelizmente, as coisas não fluíram tão bem assim e Holdsworth iria embora antes mesmo do álbum seguinte (na primavera de 75 para ingressar no The New Tony Williams Lifetime - banda fundamental no desenvolvimento do Fusion que contou com vários músicos notáveis ​​de Jazz e do Rock), assim como Ratledge (em mar/76). 



Grandes canções: Elastica - "Line Up" (1994)

 

"Line Up", canção clássica da banda inglesa Elastica, foi lançada em jan/94 como segundo single de seu álbum de estreia (autointitulado "Elastica", lançado em mar/95). Justine Frischmann e Justin Welch, ambos ex-Suede (sim, a banda liderada por Brett Anderson) formaram a banda Elastica em meados de 1992. Justine, por sua vez, já havia criado o Suede junto com Brett em 1988, enquanto ainda faziam juntos a University College London. Juntos com Mat Osman (baixo), um amigo de infância de Brett, o trio formou o núcleo da primeira fase do Suede. No início, eles passavam horas tocando covers de Roxy Music, The Smiths, David Bowie e The Cure. Mas nem Justine, nem Brett tinham habilidade para serem guitarrista principal da banda. Um anúncio foi colocado no NME em out/89, que atraiu interesse do jovem Bernard Butler, de 19 anos. Foi aí que surgiu o nome "Suede". Inicialmente, a banda usou uma bateria eletrônica. Assim, fizeram pequenos shows em Camden Town, em Londres. Uma demo enviada para um programa de rádio abriu-lhes as portas para um contrato de gravação com o selo indie RML. Justin Welch, por pouco tempo, virou baterista, mas resolveu sair para integrar outra banda (Spitfire). Outro anúncio atraiu ninguém menos do que Mike Joyce (ex-baterista do The Smiths), que desistiu ao perceber que a banda ainda tinha que forjar sua própria identidade. Em jun/90, o Suede encontrou Simon Gilbert, o baterista certo. Entretanto, na primavera de 91, Brett Anderson e Justine Frischmann brigaram e, ato contínuo, ela passou a sair com Damon Albarn (do Blur). Sem a presença de Justine, Brett e Bernard Butler se tornaram amigos próximos e passaram a compor diversas canções juntos. Então, Justine se juntou a Welch, mais a baixista Annie Holland e a guitarrista Donna Matthews para formar o Elastica.

O primeiro single surgiu em out/93, "Stutter/Pussycat", que se beneficiou da visibilidade dada pelo DJ da radio one da BBC e dono do selo Deceptive Records Steve Lamacq. Logo depois, surgiu "Line Up/Vaseline/Rockunroll/Annie", que catapultou a banda para tocar em diversos programas de rádios inglesas. O relacionamento de Justine e Damon também virou alvo intenso das manchetes dos tabloides. O álbum de estreia da banda, lançado em mar/95, entrou direto no nº. 1 das paradas inglesas se tornando o álbum de vendas mais rápidas desde "Definitely Maybe", do Oasis (recorde que permaneceu até "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not", do Arctic Monkeys, em 2006). 

Line Up / Alinhar
Drivel Head wears her glad rags / Drivel Head veste seus alegres trapos
She's got her keys, money and fags / Ela tem suas chaves, dinheiro e cigarros
I know that her mind is made up / Eu sei que ela está decidida
To get rocked / Para se embalar

Drivel Head needs a new man / Drivel Head precisa de um novo homem
As only a drivel head can / Como só uma cabeçuda pode ter
He's a hormonal nightmare / Ele é um pesadelo hormonal
So beware / Então cuidado

Another victim of line up in line / Mais uma vítima de alinhar na fila
Line up in line is all I remember / Alinhar na fila é tudo que me lembro
Oh, how their favours change / Oh, como seus favores mudam
You could have been kinder / Você poderia ter sido mais gentil
Yes, yes, line up in line / Sim, sim, alinhar em linha
Line up in line is all I remember / Alinhar na fila é tudo que me lembro
Oh, how their favours change / Oh, como seus favores mudam
You could have been kinder / Você poderia ter sido mais gentil

Drivel Head knows all the stars /  Drivel Head conhece todas as estrelas
Loves to suck their shining guitars / Adora chupar suas guitarras brilhantes
They've all been right up her stairs / Todos eles subiram as escadas dela
Do you care? / Você se importa?
 
Drivel Head knows all the bands / Drivel Head conhece todas as bandas
Knows them like the back of her hands / Conhece-os como a palma da mão
You can't see the wood for the trees / Você não pode ver o todo das árvores
On your knees / De joelhos

Another victim of line up in line / Mais uma vítima de alinhar na fila
Line up in line is all I remember / Alinhar na fila é tudo que me lembro
Oh, how their favours change / Oh, como seus favores mudam
You could have been kinder / Você poderia ter sido mais gentil
Yes, yes, line up in line / Sim, sim, alinhar em linha
Line up in line is all I remember / Alinhar na fila é tudo que me lembro
Oh, how their favours change / Oh, como seus favores mudam
You could have been kinder / Você poderia ter sido mais gentil



Santana: aclamados pioneiros da combinação Blues, Rock e música latina

 

Carlos Santana, Marcus Malone, Bob “Doc” Livingston (sentado),
Gregg Rolie e David Brown
A banda Santana foi formada em 1966 a partir do guitarrista mexicano Carlos Santana. Tudo começou quando ele trocou o México por San Francisco/CA, onde descobriu o movimento Hippie e a contracultura e logo se viu querendo fazer parte de toda aquela nova onda. No final daquele ano, ele montou uma banda. Na primeira formação, havia Sergio "Gus" Rodriguez no baixo, Danny Haro na bateria e Michael Carabello nas percussões. Em um mês, o grupo se expandiu com a adição de Tom Frazer na guitarra/voz, que também trouxe Gregg Rolie para os teclados/voz. Entretanto, tudo parou quando Carlos foi hospitalizado com tuberculose por várias semanas. A então Santana Blues Band retomou com uma formação volátil até que se firmou em Carlos, Rolie, o baixista David Brown, o baterista Bob "Doc" Livingston e o percussionista Marcus Malone. O promotor de eventos Bill Graham, então, os descobriu e passou a relacionar a banda nos shows em seu Fillmore. Porém, em jun/67, Graham brigou com a banda depois que alguns membros chegaram atrasados para um show abrindo para The Who. O incidente levou Carlos a procurar músicos mais comprometidos, mantendo Rolie com ele. No final daquele ano, a banda abreviou o nome para apenas "Santana". Em jun/68, Graham voltou a agendar shows do Santana em seu Fillmore West e, no final de 68, a banda conseguiu um contrato de gravações com a Columbia Records (houve um teste organizado tanto para a Columbia, quanto para a Atlantic Records, mas Carlos recusou a Atlantic porque desejava ficar no mesmo selo que Miles Davis e Bob Dylan - veja só).
Uma série de concertos no Fillmore foram gravados (o biógrafo Simon Leng aponta que estes shows marcaram o movimento da banda se distanciando de suas raízes blueseiras e no R'n'B para uma direção rumo ao "Santana Sound" com destaque de uma sonoridade afro-cubana - estas gravações seria lançadas em 1997). Mas no início de 69, Marcus Malone precisou deixar o grupo após ser condenado por homicídio culposo. O grupo finalmente se estabilizou em mai/69 com Carlos, Rolie, Carabello (percussões), David Brown (baixo), Michael Shrieve (bateria) e Jose 'Chepito' Areas (mais percussões), que se tornaria conhecida como a formação clássica da banda. Esta encarnação gravou o álbum de estreia autointitulado "Santana", em SF em mai/69, após três tentativas falhas de produzir o resultado desejado. As sessões contaram com Alberto Gianquinto no piano, que também ajudou nos arranjos das faixas. Ele rapidamente percebeu o principal problema do grupo: os solos eram muito longos (na origem, a banda era puramente de jams de forma livre). Por sua sugestão (também aprovada pelo empresário Bill Graham), a banda compôs canções mais convencionais para obter maior impacto, mas mantendo a essência da improvisação musical. Graham apresentou à banda "Evil Ways" (gravada pelo percussionista de Jazz Willie Bobo) e sugeriu que gravassem uma versão da canção.
Michael Shrieve, Carlos Santana, Gregg Rolie (abaixado), 
Jose “Chepito” Areas, David Brown, Michael Carabello




Álbum gravado, Graham providenciou para que a banda fizesse uma turnê pelo Meio-Oeste norte-americano (com abertura de Crosby, Stills & Nash), o que expandiu o perfil do Santana para fora da Costa Oeste. Nesta mesma época, Graham foi convidado para ajudar a organizar o então vindouro Woodstock Festival, concordando em promovê-lo desde que o Santana fosse incluído no projeto. Por isso, a banda conseguiu uma vaga de 45 minutos na tarde de 16/ago/69 (segundo dia do festival). A performance catapultaria a banda para a fama internacional e o álbum "Santana" seria lançado em 30/ago alcançando o número 4 nas paradas dos EUA. A cena de Rock de SF buscava inspiração no improviso do Blues, na energia do Rock psicodélico e adicionava tinturas orientais. Santana adicionou música latina nesta mistura mudando para sempre o curso da história do Rock. Este álbum de estreia foi totalmente inovador, apresentando o grupo injetando percussões latinas nos grooves roqueiros de maneira retumbante. A guitarra de Carlos, de estilo único, alternadamente cortante e líquido, competia com as múltiplas percussões pelo foco sonoro. Ao contrário de esforços posteriores, este primeiro álbum do Santana trouxe abundância de composições soltas, livre e de desempenho coletivo baseadas em riffs simples ("Jingo", "Soul Sacrifice"). Essa abordagem permitiu que Carlos e seus companheiros flexionassem seus talentos para improvisação com grande efeito. O alto nível de energia era contagiante e a sensação descontraída de outros grupos de SF dos anos 60 decididamente não era a praia de Carlos e cia. Um álbum emocionante, com ambição, alma e convicção absoluta - cada momento tocado direto do coração. Um dos melhores álbuns de Rock de todos os tempos e o sucesso foi enorme. Em out/69, Graham apresentou a banda no The Ed Sullivan Show aumentando ainda mais a exposição nacional do grupo. O single "Evil Ways" alcançou o número 9 nas paradas. 





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