Poucos artistas estão tão intimamente ligados aos fundamentos da música country quanto Willie Nelson. Antes do movimento outlaw, antes das tranças e bandanas, Nelson era um compositor de Nashville que absorvia o trabalho de Hank Williams, Ernest Tubb e Merle Travis.
Lançado originalmente em 2010 e produzido por T Bone Burnett, Country Music é sua homenagem direta a essa linhagem. Foi seu primeiro álbum composto inteiramente por clássicos do country, um tributo às canções que o moldaram antes de se tornar um nome conhecido por todos.
O relançamento atual pela Craft Recordings e HighTone Records dá ao álbum um novo enfoque. O relançamento da HighTone tem se concentrado em títulos essenciais da música americana, e este disco se encaixa perfeitamente nessa tradição. Country Music abre com o próprio single de Nelson de 1959…
…“Man With the Blues”, uma reconexão com seus primeiros trabalhos gravados. A partir daí, ele segue para “Seaman's Blues”, de Ernest Tubb, interpretada com um ritmo relaxado que mantém intacta a essência honky-tonk. “Dark as a Dungeon”, de Merle Travis, é um dos momentos mais fortes do álbum, com Nelson deixando que a letra cautelosa sobre a mineração de carvão fale por si só. “House of Gold”, de Hank Williams, é puro Willie, uma balada lenta acompanhada por violino country tradicional e pedal steel. “Pistol Packin' Mama”, de Al Dexter, mantém seu swing divertido, e em “Drinking Champagne”, de Bill Mack, Nelson abraça a atmosfera lounge-country de meados do século sem exageros.
O repertório tradicional acrescenta profundidade. “Satan Your Kingdom Must Come Down” e “Nobody's Fault but Mine” são apresentadas com acompanhamento minimalista, mais próximas do gospel tradicional do que do country polido de estúdio. “I Am a Pilgrim”, outro clássico, reforça a temática espiritual presente em grande parte da música country dos primórdios. Outras escolhas, como “My Baby's Gone”, de Hazel Houser, e “Ocean of Diamonds”, de Lefty Frizzell (popularizada por George Jones), reforçam a profunda inspiração de Nelson no repertório essencial do gênero. Faixas mais animadas, como “Freight Train Boogie”, criam um bom equilíbrio com algumas das baladas mais lentas.
A produção de Burnett mantém tudo propositalmente conciso: violão, contrabaixo, pedal steel, bandolim e violino. Essa abordagem contribui para que Country Music soe despojado, no melhor sentido da palavra, mais como um grupo de amigos tocando juntos no Luck Ranch do que em um estúdio. O violão de cordas de nylon de Nelson permanece central, e seu fraseado ligeiramente fora do tempo confere às canções uma sensação de vivência. Após seu lançamento original, Country Music estreou em posições altas nas paradas e recebeu uma indicação ao GRAMMY de Melhor Álbum Americana. Mais importante ainda, reforçou o lugar de Nelson na tradição que ele ajudou a redefinir. Com mais de 100 álbuns em sua carreira e lançamentos contínuos até os noventa anos, Willie Nelson permanece um ícone, um inovador e um historiador.















