sábado, 21 de fevereiro de 2026

Baroness: crítica de Live at Maida Vale (2013)

 



Live at Maida Vale, EP lançado pelo Baroness no último dia 23 de julho, fecha um ciclo na carreira da banda norte-americana. O disco é o último a contar com o baixista Matt Maggioni e, principalmente, com o baterista Allen Blickle, membro fundador do grupo ao lado do vocalista e guitarrista John Baizley. O guitarrista Peter Adams completa o quarteto.

Gravado nos estúdios da BBC, em Londres, em 13 de julho de 2012, o EP é o registro dos últimos momentos da banda antes do terrível acidente sofrido pelos músicos e equipe em agosto do ano passado. Aliás, Maggioni e Blickle deixaram a banda justame

O grupo estava promovendo o seu espetacular último disco de estúdio, Yellow & Green (2012), quando teve a sua trajetória forçadamente interrompida em razão do ocorrido. A aparição na BBC foi justamente uma das ações de divulgação do  álbum, com a banda tocando quatro canções presentes no trabalho. Live at Maida Vale traz o registro ao vivo dessas quatro faixas - “Take My Bones Away”, “March to the Sea”, “Cocainium” e “The Line Between”.

Particularmente, não gosto muito quando as gravações ao vivo perdem o refinamento daquelas registradas em estúdio, entregando versões mais sujas das músicas. E isso acontece aqui. Todas as quatro faixas de Live at Maida Vale apresentam essa “queda” em relação às versões originais - repito, “queda” no meu ponto de vista -, soando mais ásperas e cruas. Essa característica faz bem para um faixa como “Take My Bones Away”, por exemplo, que é rápida e agressiva, mas acaba não soando tão apropriada para uma composição mais contemplativa e cheia de sutilezas como “Cocainium”.

Apesar disso, trata-se de um EP bastante forte, além de um documento sobre um período que já faz parte da história do Baroness, tanto pelo alto nível alcançando em Yellow & Green quanto por tudo que veio depois.

Além das músicas, o principal atrativo do EP está no fato de ele ter sido lançado apenas em vinil (e em quantidade limitada) e com quatro diferentes artes no picture disc que o acompanha, todas de cair o queixo. Um item de colecionador na verdadeira acepção da palavra, e que entrega, além de um excelente trabalho gráfico, música de qualidade inquestionável.



Abaixo, algumas imagens de Live at Maida Vale para vocês sacarem sobre o que estou falando:




Faixas:
A1 Take My Bones Away
A2 March to the Sea

B1 Cocainium
B2 The Line Between







Andrew Stockdale: crítica de Keep Moving (2013)

 



O Wolfmother foi uma grande banda. O Wolfmother gravou ao menos um grande disco. A estreia dos australianos, lançada em 2005, é um dos melhores álbuns dos anos 2000. O segundo trabalho, Cosmic Egg (2009), ainda que não apresentasse o mesmo primor do debut, garantiu momentos de diversão e qualidade e solidificou o respeito em relação à banda liderada pelo vocalista e guitarrista Andrew Stockdale.

E então as coisas saíram dos trilhos. Turnês, mudanças de formação, comunicados, falsos finais, discussões. Até que, no início deste ano, o grupo anunciou que iria dar uma parada e não tinha data para retomar as suas atividades. A questão é que, no meio disso tudo, o terceiro disco já estava praticamente pronto. O que fazer com ele? Simples: lançar como um  álbum solo de Stockdale.

Essa é a história de Keep Moving, primeiro disco solo de Andrew e que chegou às lojas no início de junho. Gravado durante exaustivos dois anos anos, traz o capitão do Wolfmother acompanhado pela última formação da banda, Ian Peres (baixo) e Will Rockwell-Scott (bateria), mais as participações de Elliott Hammond (bateria), Vin Steele (guitarra), Hamish Rosser (bateria), Alex Markwell (guitarra), Dave Atkins (bateria, também ex-Wolfmother) e Joe Howman (trompete).

Com uma história dessas e com um line-up tão amplo, é fácil imaginar que Keep Moving trata-se de um disco irregular. E ele é mesmo. Produzido pelo próprio Stockdale, o álbum transparece a tensão e todo o vai e vem que envolveu o Wolfmother nos últimos anos. Porém, ainda que esteja longe de ser uma obra-prima, entrega boas canções e é um disco de rock agradável.

O tracklist é longo. São dezessete faixas inéditas. A sonoridade segue a cartilha setentista apresentada nos dois álbuns da banda, porém com uma presença maior de outros elementos, como o funk. Há canções interessantes como “Long Way to Go”, o blues torto da faixa-título (com grande influência de Johnny Winter), “Vigarious”, o country “Suitcase (One More Time)” (com a alma de Gram Parsons pairando durante toda a sua duração) e a zeppeliana “Let It Go”, porém o excesso de faixas torna o disco bastante irregular, dando a impressão que Stockdale e sua turma rasparam todo o arquivo do Wolfmother e o colocaram aqui. Um filtro maior, uma enxugada nas coisas, tornaria Keep Moving muito mais coeso e forte.

Porém, mesmo com essas escorregadas, trata-se de um play que merece uma conferida. Afinal, quem gravou uma pérola como aquele disco de 2005 merece sempre atenção.


Faixas:
1 Long Way to Go
2 Keep Moving
3 Somebody’s Calling
4 Vigarious
5 Year of the Dragon
6 Meridian
7 Ghetto
8 Suitcase (One More Time)
9 Of the Earth
10 Let It Go
11 Let Somebody Love You
12 She’s a Motorhead
13 Standing on the Corner
14 Country
15 Black Swan
16 Everyday Drone
17 It Occured to Me






Five Finger Death Punch: crítica de The Wrong Side of Heaven and the Righteous Side of Hell Volume 1 (2013)

 




Dentre as mais bem sucedidas bandas da chamada New Wave of American Heavy Metal (controversa categoria que agrega tanto o Fear Factory como o Avenged Sevenfold), os californianos do Five Finger Death Punch estão em uma meteórica ascensão desde a sua fundação, em 2005, com cada um de seus discos alcançando posições cada vez mais altas em questão de vendas, colocando-os ao lado de grandes nomes, especialmente no mercado norte americano.

Mantendo praticamente a mesma fórmula sem maiores inovações, The Wrong Side of Heaven and the Righteous Side of Hell é o novo projeto da banda, audaciosamente – ou talvez nem tanto – dividido em dois volumes, de forma que a segunda parte deve ser lançada até o final de 2013. Produzido novamente por Kevin Churko (o mesmo responsável pelos últimos discos do Ozzy, entre outros), o  álbum foi lançado no último dia 30 de julho pela Prospekt Park.

E se os caras não são lá os mais criativos no que diz respeito à riffs de guitarra ou às estruturas das músicas (boa parte segue o molde padrão, sem grandes novidades), por outro lado é inegável que eles são capazes de criar melodias vocais fortes, entregando sempre um verso ou refrão que inflama a sua mente. Isso é mais do que evidente na primeira faixa, “Lift Me Up”, que conta com a participação de ninguém menos do que Rob Halford, e que havia sido executada pela primeira vez no Golden Gods Awards desse ano. Em “Watch You Bleed”, porém, prevalece um ritmo menos acelerado e excessivamente constante, como um meio termo entre hard rock e o som já tradicional do Five Finger Death Punch.

“You”, por outro lado, traz aqueles toques de hardcore mais presentes em seus primeiros trabalhos, sendo mais direta, de poucas variações e relativamente maçante, completamente diferente da sempre típica balada, aqui protagonizada por “Wrong Side of Heaven”, belíssima e com forte conteúdo lírico. A estupidez agressiva já volta com tudo em “Burn MF” e seus insultos sendo despejados a torto e direito sobre uma base quase death metal, e também nas linhas que beiram o thrash em “I.M. Sin

Mais cadenciado, e em alguns momentos fora do tradicional da banda, “Anywhere But Here” tem um clima bem melancólico e denso, catalisado pela curtíssima participação de Maria Brink, vocalista do In This Moment. Novamente no limiar entre o hardcore e o nu metal, “Dot Your Eyes”, volta ao estilo mais frenético, enquanto “M.I.N.E. (End This Way)” parece estar perdido em algum espaço próximo tanto ao groove metal quanto do southern rock mais contemplativo (ok, talvez isso seja bem sutil e apenas em algumas melodias). O ligeiro momento de tranquilidade é seguido por uma versão pesadíssima de “Mama Said Knock You Out”, faixa título do álbum de 1990 do LL Cool J, e conta ainda com o rapper Tech N9ne dividindo os vocais com Ivan Moody.


Após “Diary of a Deadman”, que está mais para um interlúdio instrumental entre os dois volumes de The Wrong Side of Heaven and the Righteous Side of Hell, temos versões diferentes para algumas das faixas que já apareceram no álbum. A saber, elas não diferem em nada das anteriores no que diz respeito ao instrumental, mas poderiam facilmente ser as oficiais, já que os resultados com Max Cavalera cantando em português em “I.M. Sin”, o dueto com Maria Brink mais presente em “Anywhere But Here”, e a participação de Jamey Jasta em “Dot Your Eyes”, são muito mais interessantes do que as originais.


Mas a grande verdade nua e crua? O Five Finger Death Punch lançou um álbum praticamente igual ao seu anterior, American Capitalist, mantendo sempre um pé no groove metal e as melodias simples. Porém, permanece a incômoda sensação de estar sendo socado pela mesma coisa incessantemente e de já ter ouvido algo parecido em outro disco deles está sempre presente. 


Um trabalho sem grandes surpresas, mas bem construído, de fácil audição, aonde letras mais densas e subjetivas (reflexo dos problemas de alcoolismo do vocalista Ivan Moody durante as últimas turnês) dividem espaço com aquele típico discurso irônico e dramático da adolescência americana. E, talvez por estes fatores, ele se mostra divertido em um primeiro momento, e aos poucos vai se tornando gradativamente descartável, de forma que você passa a ouvir apenas algumas de suas faixas.


E o Five Finger Death Punch é uma banda nova demais para já apresentar indícios de estar acomodada dessa maneira. Aguardemos os próximos anos.


Faixas:
01. Lift Me Up
02. Watch You Bleed
03. You
04. Wrong Side Of Heaven
05. Burn MF
06. I.M.Sin
07. Anywhere But Here
08. Dot Your Eyes
09. M.I.N.E. (End This Way)
10. Mama Said Knock You Out
11. Diary of a Deadman
12. I.M.Sin (com Max Cavalera)
13. Anywhere But Here (com Maria Brink)
14. Dot Your Eyes (com Jamey Jasta)





Cinco discos para você conhecer de Neil Young

 



Neil Young é um dos grandes nome do rock cuja carreira brilhante soma meio século desde o começo no Buffalo Springfield, no CSNY e finalmente na sua carreira solo muitas vezes assinando grandes álbuns com o Crazy Horse parceria muito bem sucedida de longa data que rendeu clássicos e mais clássicos. A sonoridade caminha entre o acústico e o elétrico na mais absurda distorção e vai lá nas alturas afinal de contas rock é mesmo. Uma simbiose perfeita entre blues, country, folk e rock tinge o som desse cara. 



Aqui para apresenta-lo aos inciantes, eu fiz uma lista básica de uma discografia que conta com mais de quarenta álbuns só de estúdio e mais alguns ao vivo. A lista é simples não tem nada de complexo e obviamente reflete o meu gosto pessoal é mais honesto assim. O cara caminha para os seus setenta anos e ainda tem lenha de sobra para queimar e para mostrar aos mais novos como é que faz rock com honestidade e principalmente com o coração. 

É impossível ficar indiferente a música desse sujeito legendário, que ao meu ver nunca decepcionou e cada disco tem sua personalidade e acima de marca de qualidade acima de qualquer suspeita e por isso pessoal eu vos convido a conferir a minha humilde lista que é verdadeira e sincera e que julgo ser um grande apanhado desses anos todos de uma cara que nunca desistiu do sonho hippie, das causas sociais e da ecologia e a partir desse momento é com você. 



Este disco é da primeira banda dele quando ainda estava no Canadá e com ele estava Stephen Stills futuro companheiro de banda dele com quem gravariam um clássico que representou a década de 1970. Aqui o som é aquele rock característico dos anos de 1960 e já trazia o clássico o clássico Mr. Soul que tornaria-se obrigatório nos sets de seus shows solo, que aliás leva outros clássicos dessa banda. 

Qualquer pessoa que se interesse conhecer a carreira de Neil Young de ponta a ponta tem como missão escutar esse disco e de preferência reservar um cantinho especial para todos os outros porque clássicos são eternos assim como os diamantes. 


Depois de cair do Buffalo Springfield, Neil Young juntou-se com Stills na banda Crosby, Stills Nash que já tinha lançado um álbum auto-intitulado em 1969. Essa parceria rendeu Deja Vú e ao contrário do significado da palavra, os efeitos causados por ele devido ao seu impacto nunca tinha sido sequer vislumbrados antes. Neste breve fase, o tom da festa era o folk e o rock muito misturados e o resultado disso é um disco calmo, tranquilo, mas pungente e crítico. 

Ouvir faixas como Helpless, Woodstock, Teach Your Children e as demais era de arrepiar, ir a loucura nos seus mais profundos sentimentos. Pena que essa parceria durou apenas este álbum de estúdio, pois ela funcionava em paralelo a incipiente carreira solo de Neil Young que nesta altura já tinha dois álbuns lançados e bem recepcionados e caminhava para o seu terceiro. 


Este é o segundo álbum solo de Neil Young e o primeiro da parceria com a Crazy Horse e o saldo desse álbum é uma coletânea de músicas clássicas que embalaram os fãs dele durante a década de 1970 e algumas tornaram-se obrigatórias nos sets acústicos ou elétricos das turnês do cidadão. Aqui o rock com guitarras ultra distorcidas e com o volume lá no máximo com partes country e blues contrastavam com o folk que também entrou na dança. 

Faixas longas no estilo jam característica presente até hoje nos álbuns lançados por eles você encontrar nas longas Down By the River e Cowgirl in the Sand  e também outro hit Cinnamon Girl que já foi coverizada por inúmeros artistas. As demais são excelentes e mantém o nível do álbum. Enfim, é o disco do sonhos da banda dos sonhos para os fãs do sonho cujo sonho nunca acabou e jamais acabará. 
  

   
Clássico nasce clássico e vive eternamente nos corações e não há nada que desfaça esse laço de paixão. Harvest é o primeiro sucesso comercial da carreira solo de Neil Young. Ele supera After Gold Rush de longe tanto na sonoridade quanto nas letras que aparecem cada vez mais pungentes e esse fator ajuda a emplacar mais algumas canção clássicas e obrigatórias no repertório dos shows do cidadão. 

A colheita aqui é praticada não com um ceifador, mas com faixas do calibre de Out of the Weekend, Heart of Gold, a pungente Old Man (escrita para o caseiro de sua fazenda e não o pai dele como pensam muitos) e a sentimental The Needle and Damage Done. Nesta concha recheada de pérolas a riqueza é desmedida e coração é mais do que de ouro. 


Praticamente todos os artistas passam por fases de autos e baixos, mas é justamente nesse segundo caso que as coisas esquentam. Quando a fase é ruim é ruim mesmo e nada dá certo e para Neil Young nos anos 80 as coisas não fáceis e até processo da Geffen tomou justificando que ele não era ele absurdo não? 

Só que o abismo não é eterno para alguns e estes alguns conseguem voltar e renascer e voltam a brilhar para a alegria dos seus fãs e Freedom é esse grito de liberdade, de independência de revolta contra o mundo e também é um aviso de que o sonho hippie ainda está ai, e que devemos pensar localmente para pensar globalmente e para manter tudo girando a esperança de um mundo melhor capitaneado pelo amor e pela liberdade está registrado na rebeldia de Rockin' in the Free World, que foi o combustível de muitas das minhas noites em que sonhei e desejei desesperadamente pelos paraísos não artificiais.  




Destaque

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