quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Ketil Bjørnstad "Before the Light" (2002)

O formato convencionalmente descrito como uma trilha sonora imaginária está atraindo cada vez mais a atenção de músicos estetas. Um dos primeiros a adotar essa prática foi o compositor/pianista norueguês Ketil Bjørnstad . Sua obra "Before the Light" é um exemplo exemplar desse tipo de gravação. O contexto artístico do programa não é divulgado. Mas isso é irrelevante, já que a ideia central de qualquer produto conceitual dessa natureza é atrair o ouvinte como um potencial colaborador. O resto depende diretamente da rica imaginação do artista. Como você provavelmente já deve ter adivinhado, "Before the Light" é um disco exclusivamente instrumental. Bjørnstad (piano, sintetizadores) colaborou com uma equipe notável de profissionais renomados no mundo da música fusion e experimental para dar vida à obra: a violista Nora Taksdal , o guitarrista Eivind Aarseth e o mestre dos sintetizadores e samplers, Kjetil Bjerkestrand . O resultado são dezessete seções sonoras, unidas por títulos e um subtexto confidencial, especulativo e filosófico. Vamos mergulhar nesta galeria de estudos não verbais. Após uma análise mais atenta, o seguinte se torna evidente: o panorama aparentemente holístico do álbum é, na verdade, dividido em vários ciclos significativos e interconectados. Primeiro, temos "Before the Light", cujas quatro fases emolduram o espaço geral da peça. A construção inovadora dessas miniconstruções evoca imediatamente uma mistura profundamente refinada de tendências estilísticas distintamente opostas: música eletrônica ambiente, o trabalho melódico de guitarra do maestro único Aarseth, o pianíssimo clássico do gênio criativo e a interpretação tradicionalmente em tom menor, característica dos artistas da escola escandinava. A segunda série mais significativa de variações sonoras é intitulada "Taipei Nights" e consiste em três partes espalhadas pela paleta sonora. Estruturalmente semelhante ao grupo anterior, mas com uma diferença significativa: cada um de seus segmentos se baseia na exploração do mesmo motivo de maneiras diferentes. Wizard Björkestrand apresenta camadas de trip-hop que servem de pano de fundo para os solistas – Eivind, Nora e Kjetil, que se apresentam em turnos. As outras faixas são uma coleção de esboços atmosféricos inspirados, gravitando ora em direção à intimidade (a peça positiva para teclado "Alai's Room"; o comovente esboço lírico para cordas e piano "Intimacy"; a tocante "Cookie's Face", dividida em duas partes e que faz referência indireta aos projetos conjuntos de sucesso da dupla Björnstad/Darling ), ora em direção a experimentos de art-noise, sem deixar de lado sequências românticas ("Cake's Taxi Dreams", "Seeing Things", "Neon"). Em resumo: uma jornada vibrante e imaginativa, trazida à vida por pessoas incrivelmente talentosas.Recomendo muito que você dê uma olhada.





Sonic Youth - "Dirty" (1992)

 

"As guitarras do Sonic Youth não giram e gritam:
elas repicam e se fundem.
As cordas são devolvidas a coleções incomuns de tons,
melodias são reduzidas a fragmentos mal controláveis,
harmonias saem de sincronização e se acumulam em clusters oníricos(...)
O Sonic Youth dá ao seu ruído veleidades artísticas"
Alex Ross,
crítico musical
autor dos livros "O Resto é Ruído" e "Escuta Só"



Frequentemente renegado pelos fãs, 'acusado' de ser muito concessivo, "Dirty", de 1992, dos novaiorquinos do Sonic Youth é na verdade um grande injustiçado.
Todos os elementos que fizeram do Sonic Youth um dos nomes mais importantes do cenário alternativo e uma das bandas mais influentes dos últimos tempos estão ali. O barulho, o experimentalismo, os longos interlúdios, as atmosferas, a fúria, a sensualidade, a inteligência, a criatividade, a provocação, e a genialidade. Tudo lá.
É bem verdade que faixas como a ótima "100 %" que abre o disco, com seu estilo verso-resposta, meio turma de Seattle; o punk adocicado "Sugar Kane"; ou a igualmente boa "Youth Against the Fascism", com seu baixo distorcido, porém fácil e palatável, tinham um apelo comercial mais acentuado. Mas mesmo quando o Sonic Youth se deixa ser mais acessível, os diferenciais que os fizeram tão respeitados e influentes em seu meio ficam evidentes e se sobressaem. E de mais a mais, coisas como "Expressway for Yr. Skull', "Teen Age Riot" ou "Dirty Boots", por mais elaboradas que sejam não são também de audibilidade bastante aceitável, por assim dizer, no mínimo?
Implicância!
"Dirty" é um baita álbum!
Pra mim, um dos 10 melhores dos anos 90.
Tem grandes momentos como a espetacular "Drunken Butterfly", um misto de fúria, loucura e sensualidade na voz inebriante de Kim Gordon; "Orange Rolls, Angel's Spit" conduzida por uma guitarra estridente e hipnótica; a frenética cover dos Untochables, "Nic Fit"; a vigorosa "Purr"; a arrastada "JC"; "On the Strip" que faz jus às longas passagens de tempo características da banda; e o final com a lenta, delicada e gostosa "Crèmme Brûllèe, a cereja no bolo para fechar o disco.
A barulheira está lá, as guitarras, as camadas, a fúria está lá, o experimentalismo está lá.
Comercial? Não! "Dirty" é a prova que uma banda, mesmo alternativa, pode alcançar o público sem deixar de lado suas características ou abandonar sua identidade.
Muito limpo? Que nada!
O som continuava sujo, como de costume!
Sujo!
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FAIXAS:
  1. "100%" (letra Gordon/vocal Moore) – 2:28
  2. "Swimsuit Issue" (letra/vocal Gordon) – 2:57
  3. "Theresa's Sound-World" (letra/vocal Moore) – 5:27
  4. "Drunken Butterfly" (letra/vocal Gordon) – 3:03
  5. "Shoot" (letra/vocal Gordon) – 5:16
  6. "Wish Fulfillment" (letra/vocal Ranaldo) – 3:24
  7. "Sugar Kane" (letra/vocal Moore) – 5:56
  8. "Orange Rolls, Angel's Spit" (letra/vocal Gordon) – 4:17
  9. "Youth Against Fascism" (letra/vocal Moore) – 3:36
  10. "Nic Fit" (Untouchables cover) (vocal Moore) – 0:59
  11. "On the Strip" (letra/vocal Gordon) – 5:41
  12. "Chapel Hill" (letra/vocal Moore) – 4:46
  13. "JC" (letra/vocal Gordon) – 4:01
  14. "Purr" (letra/vocal Moore) – 4:21
  15. "Créme Brûlèe" (letra/vocal Gordon) – 2:33

+"Stalker" (letra/vocal Moore) (faixa bônus apenas no vinil) – 3:01*



Sonic Youth - "Daydream Nation" (1989)

 


"Depois daquilo,
eu sabia que precisava ser música.
Voltamos para casa
sem darmos um pio, assustadíssimos."
Kim Gordon contando sobre
um show do Suicide que assistiu
e que a incentivou a ter uma banda 



Não há como se falar em música alternativa sem falar do Sonic Youth. Eles são praticamente sinônimo e síntese do termo. Eles não 'invetaram a roda', não criaram aquelas sinfonias de ruídos que já se ouvia com Hendrix, Velvet, Kinks, Sonics, Stooges, mas deram a estes elementos sua assinaratura e hoje em dia, sempre que se ouve aquelas guitarras insistentes, estáticas, aquelas barreiras sonoras densas, intransponíveis se associa logo a Sonic Youth.
Mesmo com uma discografia bem consistente na qual pode-se destacar vários álbuns, “Daydream Nation” de 1989 destaca-se e pode ser apontado como a obra-prima da banda. Seu punk rock é encorpado, suas melodias transitam entre o belo e o corrosivo, os vocais, principalmente os de Kim Gordon, seduzem ao mesmo tempo que cospem fogo, e suas guitarras explodem em passagens de tempo e transições longas e caóticas.
“Teen Age Riot “ abre o disco com acordes suaves e adoráveis mas logo ganha corpo adquirindo uma pegada mais consistente sem deixar de ser jovial; “Candle”, outra excelente, também passeia no limite do belo e do furioso. A destruidora “'Cross the Breeze” é a melhor do disco partindo de uma introdução lenta e leve que acelera abrupatamente transformando-se num hardcore violento, impiedoso e sensacional. "Kissability" é sexy; "Rain King" é retumbante; "Eric's Trip" é outra das melhores do disco e da banda; e “Trilogy” que encerra a obra traz em cada uma de suas partes, “The Wonder”, "Hyperstation” e “Eliminator Jr” características diferentes mas que harmonica e desarmonicamente compõe, por fim, uma perfeita unidade.
Disco indispensável de uma das bandas mais importante e influentes dos últimos tempos.
Sinônimo de alternativo!
Sonic Youth=Underground.
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FAIXAS:
  1. "Teen Age Riot" (letra/vocal Moore, Gordon na introdução) – 6:57
  2. "Silver Rocket" (letra/vocal Moore) – 3:47
  3. "The Sprawl" (letra/vocal Gordon) – 7:42
  4. "'Cross the Breeze" (letra/vocal Gordon) – 7:00
  5. "Eric's Trip" (letra/vocal Ranaldo) – 3:48
  6. "Total Trash" (letra/vocal Moore) – 7:33
  7. "Hey Joni" (letra/vocal Ranaldo) – 4:23
  8. "Providence" (vocal Mike Watt) – 2:41
  9. "Candle" (letra/vocal Moore) – 4:58
  10. "Rain King" (letra/vocal Ranaldo) – 4:39
  11. "Kissability" (letra/vocal Gordon) – 3:08
  12. Trilogy: – 14:02
a) "The Wonder" (letra/vocal Moore) – 4:15
b) "Hyperstation" (letra/vocal Moore) – 7:13
z) "Eliminator Jr." (letra/vocal Gordon) – 2:37

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Ouça:
Sonic Youth Daydream Nation





Som Imaginário - “Matança do Porco” (1973)


A capa original, em cima,
e a da reedição de 2003
“Foi uma época de muita coisa.
 Eu voltei da Europa na turnê que eu fiz com o Paulo Moura,
logo depois do show do Bituca com o ‘Clube da Esquina’.
É um disco que eu compus todo na Europa,
chamado ‘Matança do Porco’.
 Música que, inclusive, tem no disco ao vivo do Milton,
o ‘Milagre dos Peixes Ao Vivo’.
 Você vê que as ideias estavam ali.
Foi a nossa época de laboratório mesmo.
Serviu para o resto das nossas vidas.”
Wagner Tiso


Milton Nascimento foi sempre o cabeça e congregador do chamado Clube da Esquina, esse time de artistas de Minas Gerais que mudou a cara da MPB desde a conturbada segunda metade dos anos 60 de Ditadura Militar no Brasil. Em torno de Bituca – e muitas vezes até motivados por ele, como no caso de Fernando Brant e Lô Borges – se configurou a movimentação musical que trouxe novas linguagem e referências à música brasileira e até mundial se se considerar seu pioneirismo naquilo que passou a se chamar tempo depois de world music. Wayne Shorter, Sarah Vaughan, Quincy Jones, Eric Clapton, Paul Simon, Carminho entendem isso muito bem. Porém, dos diversos talentos surgidos à época e/ou junto com Bituca, um deles é quase tão fundamental: o maestro Wagner Tiso. Surpreendentemente autodidata (o saxofonista e clarinetista Paulo Moura, exímio arranjador, apenas lhe deu toques sobre teoria), é naturalmente dono de um estilo de tocar piano e de orquestrar que bebe no colorido de Claude Debussy e na força expressiva de Richard Wagner, além de sua veia sacra, a qual adquiriu ainda pequeno nas igrejas do interior de Minas que frequentava. Se Milton é o símbolo do Clube da Esquina, principal compositor e propulsor da cena, Tiso é o centro harmônico, o homem que aperfeiçoou a ideia e lhe deu lastro.

Tiso, sempre muito ligado a Milton Nascimento (ambos são naturais de Três Pontas), já era o principal arranjador e regente dos trabalhos deste desde o LP “Milton”, de 1970, mesmo ano em que, juntamente com Luis Alves (baixo), Frederyko (guitarra) e Robertinho Silva (bateria) forma uma banda de apoio para o parceiro. Assim surgiu a Som Imaginário, para a qual ainda foram convocados para completar o grupo nada mais, nada menos que três craques: Tavito (violão), Zé Rodrix (voz, órgão, flautas) e Naná Vasconcelos (percussão). Um time de primeira. Além das essenciais participações nos trabalhos de Milton e na de gente do calibre de MPB-4, Marcos Valle, Gal Costa, Odair José, Sueli Costa, dentre outros, a banda mantinha também carreira própria. Depois de dois discos em que Rodrix comandava os microfones (“Som Imaginário”, de 1970, e “Nova Estrela”, de 1971) a Som Imaginário, sem este e Naná, sintetiza sua sonoridade psicodélica e até lisérgica e compõem um álbum totalmente instrumental: “Matança do Porco”, de 1973. Nele, a MPB se junta com felicidade ao rock progressivo, ao jazz e à música clássica em seis canções assinadas por Tiso em que todos os músicos se esmeram nos instrumentos. Solos magníficos, arranjos deslumbrantes e orquestrações idem, cujas regências tiveram ainda a fina colaboração de Moura, maestro Gaya e Arthur Verocai. Este último trabalho de estúdio do grupo é uma obra-prima da música instrumental no Brasil.

“Armina”, com sua melodia valseada e melancólica, não apenas abre o disco com o piano altamente erudito de Tiso como, igualmente, recorta-o todo, aparecendo em vinhetas/excertos entre os outros cinco temas durante todo o decorrer, desfechando-o também, inclusive. A canção dá o clima do álbum, cujo peso do rock, o swing do samba-jazz e a energia do fusion são ciclicamente reconduzidos à atmosfera do tema-tronco, o qual traça uma linha entre o litúrgico e o a herança modernista do folclórico bachiano de Villa-Lobos. Entretanto, na alquimia natural da Som Imaginário, de cara se ouve um potente jazz-rock de baixo-guitarra-bateria-órgão, que faz um pequeno preâmbulo para, aí sim, dar lugar ao piano de Tiso. Depois de um lindo solo, que traz delicadeza ao número, a banda retorna vigorosa – a melodia lembra “I Want You (She's So Heavy)”, dos Beatles, na parte do “She so heavyyyy...”, para ver o nível de grandioculência – para um exímio e longo solo da guitarra rasgante de Frederyko, ao estilo de John McLaughlin. Por volta de 4 minutos e meio, param todos os instrumentos elétricos para novamente ouvir-se o dedilhado acústico do piano, fazendo ressurgir a valsa tristonha.

Agora sob o som de um piano elétrico, “A 3”, extremamente moderna, sintoniza com o que Hermeto Pascoal, Airto Moreira e João Donato vinham fazendo nos Estados Unidos àquela época e embasbacando os gringos: um jazz brasileiro com ritmo, harmonias complexas e uma habilidade musical peculiar dos trópicos. Show de perícia de toda a banda, que, levados pelos teclados, ganham o acompanhamento da percussão do mestre Chico Batera e da flauta de outro professor, Danilo Caymmi. Uma curta e orquestrada “Armínia”, arregimentada por Verocai – e na qual se notam os toques de sua sofisticação harmônica, principalmente na predileção pelos metais ouvidos ao final –, antecipa “A nº 2”, que inicia como um samba cadenciado conduzido por uma linha de órgão. Vão se adicionando as melodiosas vozes dos Golden Boys, solos da guitarra e cordas, num crescendo de emoção. Até que, pouco antes dos 5 minutos, o baixo de Luis manda um groove e a música dá uma virada para um jazz-funk estupendo. Tiso troca o órgão para o Hammond; Luis e Fredera, mantendo a base em repetições ágeis; Robertinho; segurando o ritmo na variação caixa/prato de ataque. Arrasador. Digno de um “Headhunters”, de Hancock, ou “On the Corner”, de Miles Davis.

A faixa-título, que eu conheci no disco de Milton, “Milagre dos Peixes Ao Vivo” (1974), surpreendendo-me por demais já daquela feita, não perde em nada no estúdio. Aliás, até ganha, tendo em vista que os registros ao vivo da época eram deficitários tecnologicamente (o caso). Além do mais, o próprio Bituca empresta aqui a sua voz. Então: serviço completo, nada faltando. Sugestivo, o título remete ao arcaico ritual de abate de suínos típico do folclore português e que, obviamente, devido a seus requintes de crueldade, exprime algo de visceral e funesto vivido à época no Brasil de Regime Militar. Como se tratava de uma canção “sem letra”, os milicos a consideraram inofensiva e deixaram passar pela censura. Isso faz com que “Matança do Porco”, música e disco, alinhem-se, pela via de um “silêncio resistente”, a “Milagre dos Peixes” de estúdio, daquele mesmo ano de 1973, que os militares censuraram praticamente todas as letras, transformando-o, forçadamente, num álbum semi-instrumental. Este aqui é instrumental de propósito, pois não há palavras para exprimir o sentimento nefasto que se presenciava. Os sons, dados à imaginação, falam por si.

Nos mais de 11 minutos da canção “Matança do Porco”, ponto alto do disco, deságuam boa parte da musicalidade construída pela turma do Clube da Esquina. Seguindo a atmosfera erudita que domina o álbum, trata-se de um pequeno réquiem transgressor, entre o rock e o jazz. Traz o vigor de um rock progressivo, que lembra o Pink Floyd psicodélico pré-"Wish You Were Here", ainda mais pela novamente excelente performance de Frederyko debulhando a guitarra – e não deixando nada a dever a um David Gilmour. O primeiro “movimento” inicia lento com acordes 2/2 de Tiso ao piano, que exercita uma breve introdução (Kyrie e Gloria) enquanto vão entrando aos poucos os outros instrumentos até chegar na guitarra, que, distorcida, se adona do campo. São quase 5 minutos de um solo dividido em dois momentos (algo que se poderia intitular como “A Preparação”, Credo, e “A Desforra”, Sanctus) que vai num crescendo e toma uma carga emotiva tamanha com o poder de carregar consigo os outros integrantes, ao final igualmente em êxtase. Robertinho dá um show de rolos e condução; Tiso, centro da peça, lança impressionantes ataques e improvisos jazzísticos. O ritual de morte chega a seu ápice. O sangue escorre. Morte.

Valendo-se fartamente de seu conhecimento erudito, Tiso corta mais uma vez a canção para, numa fusão para um segundo ato, arregimentar a partir dali uma volumosa orquestra Odeon (conduzida por Gaya), a qual toca uma melodia triste (um Benedictus), como uma prece à ignorância humana. Entram o coro dos Golden Boys formando um cantochão gregoriano. Junto, para realçar ainda mais a beleza melancólica do tema, a guitarra volta a marcar a base e Milton soma ao coro o seu inconfundível timbre, executando vocalises arrepiantes. O final, no órgão, desfecha-a num evidente tom fúnebre de Missa dos Defuntos, até voltar ao toque quase de cantiga de roda dos primeiros acordes. Agnus Dei. Um desbunde. O porco e o cidadão brasileiro, perseguidos e sem voz, foram abatidos. “Quem é animal e quem é gente?”, fica a pergunta.

Depois de tanta magnitude, uma gostosa “Armina” com ares de bossa-nova ameniza o astral visitando Tom Jobim e Billy Blanco. “Bolero”, na sequência, é uma balada com riff bem rural escrita em parceria com Luis, Robertinho e Milton, este último de quem evidentemente partiu a ideia do violão-base tocado por Tavito, outro dos coautores. Nova mostra de habilidade dos músicos em que Tiso, principalmente, se destaca manipulando os dois pianos, assim como a flauta de Danilo Caymmi. O filho do gênio baiano é quem dá os primeiros acordes de “Mar Azul”, outro samba-jazz moderníssimo feito para os dedos de Tiso maravilharem num Hammond, tanto quanto Tavito ao violão 12 cordas. Da segunda metade para o fim, é geral o show de improvisos. Jazz brasileiro puro.

A intensidade orquestral finaliza este histórico álbum com a quarta e última seção de “Armina”, novamente com o toque de Verocai, que carrega nas cordas e metais no início para, aos poucos, verter a sonoridade para as madeiras, numa transição extremamente apurada e apenas perceptível quando a flauta entoa a última nota, haja vista que aumenta um tom para terminar não num registro suave, mas grave como deveria ser. Na capa da reedição em CD, de 2003, vê-se um plano geral de uma mesa dá bem a dimensão do período de tristeza e decadência que o País um dia se colocou: copos, garrafas de cerveja e de uísque, todos vazios, acompanham um cinzeiro lotado de cinzas e baganas e um papel surrado sobre um dos copos – que bem pode ser uma carta a um ente querido impossível de ser postada por causa do cerco da ditadura ou uma confissão de suicídio.

Naquele 1973, o enganoso “milagre brasileiro” do governo Médici escondia ainda mais as torturas, perseguições e exílios promovidos desde o AI-5, de cinco anos antes. As guerrilhas eram enfraquecidas e a população, quando não ignorante, se calava à força. Sem precisar dizer quase nenhuma palavra, “Matança do Porco” e “Milagre dos Peixes” formam um dos mais potentes libelos contra a opressão da ditadura militar no Brasil, duas sinfonias em nome da liberdade que todo brasileiro decente de então merecia. É o poder da música, é a magia dos sons. Sons capazes de despertar o imaginário de quem consegue entender o que é dito pelo coração.
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FAIXAS:
01. Armina
02. A3
03. Armina (Vinheta)
04. A n° 2
05. A Matança do Porco
06. Armina (Vinheta 2)
07. Bolero (Tiso/Milton Nascimento/ Robertinho Silva/Tavito/Luis Alves)
08. Mar Azul (Tiso/Alves)
09. Armina (Vinheta 3)
todas as músicas compostas por Wagner Tiso, exceto indicadas.



Ray Alder – What The Water Wants



Enquanto o novo álbum dos Fates Warning não sai, neste hiato, Ray Alder decide lançar o seu primeiro álbum a solo. Como um dos mais importantes vocalistas dos últimos 30 anos, Alder – tendo uma panóplia de estilos ao seu dispor com a sonoridade progressiva e exímia dos icónicos Fates Warning e o metal melódico dos Redemption, onde esteve durante 12 anos até ter saído em 2016 – lança um disco previsível, mas que apresenta uma sonoridade fresca e dinâmica que varia entre temas melódicos e mais lentos, e temas progressivos com um som mais pesado e técnico.

What The Water Wants apanha parte do que são os Fates Warning e os Redemption, mas não deixa de ter um cunho pessoal de Alder que introduz uma vivacidade lírica mais melódica, mas ao mesmo tempo progressiva, mostrando uma polivalência realmente interessante. Acaba por ser um longa-duração para todos os gostos, satisfazendo os mais esfomeados por metal progressivo ou os mais esfomeados por rock melódico, a roçar as baladas altamente instrumentalizadas. O álbum começa muito morno, fundamentalmente lento e melódico e introspectivo, com a excepção da faixa “Lost” que é muito inspirada nas tiradas dos álbuns mais recentes dos Fates Warning. Como tal, “Crown of Thorns” e “Some Days” mostram um disco que parece ser mais melódico e lento do que depois se vem a verificar. O metal progressivo e a diversidade é introduzida em “Shine”, estendendo-se até à linda e profunda “The Road” que introduz uma componente pesada, mas fortemente emocional e pessoal. Esta mesma emoção é exaltada no tema “The Killing Floor” que acaba por terminar o lançamento de estreia de Ray Alder num registo mais acentuado e pesado, com guitarradas fortes e uma bateria galopante.

A estreia é das boas, Ray Alder faz um bom aquecimento para o próximo álbum dos Fates Warning, que se espera que saia em 2020. O lançamento apresenta um registo conhecido e familiar, com uma diversidade fresca e que prende o ouvinte com umas faixas melódicas e outras instrumentalmente pesadas e progressivas, para tal basta ouvir “A Beautiful Lie”, “Wait” e “What The Water Wanted” que se demonstram com uma riqueza sonora mais similar ao trabalho realizado por Alder nos seus anos de músico. Este é de facto um disco que agradará a gregos e a troianos, não deixará ninguém indiferente e é claramente um excelente começo na carreira a solo do icónico vocalista e ‘frontman’. What The Water Wants tem um pouco de tudo, desde baladas melódicas e emocionais a faixas mais ricas instrumentalmente com enorme destaque para o duo de guitarras de Mike Abdow e Tony Hernando, e a potente bateria de Craig Anderson. É uma estreia que não se estranha e que se entranha desde a primeira audição, pode apaixonar quem gosta de músicas mais emotivas e liricamente mais comerciais, mas também pode interessar aos seguidores de um metal progressivo mais pesado.


ROD STEWART

 



Roderick David "Rod" Stewart CBE (Highgate, Londres, 10 de janeiro de 1945) é um cantor e compositor britânico, com ascendência escocesa.

Conhecido por sua voz áspera e rouca, Rod Stewart começou a ficar conhecido no final dos anos 60 quando participou da Jeff Beck Group e depois juntou-se ao The Faces, iniciando paralelamente sua carreira solo que já dura cinco décadas.

Ao longo de sua carreira, Rod atingiu várias vezes as paradas de sucesso, principalmente no Reino Unido, onde ele atingiu o primeiro lugar com seis álbuns e por 24 vezes ficou entre o top 10 e seis vezes na posição número 1 entre as músicas mais executadas, e 9 vezes nº1 a nível mundial. Rod Stewart já vendeu 265 milhões de álbuns desde o início de sua carreira ,[1][2]

Tem hits como : "Maggie May", "Da Ya Think I'm Sexy?" , "I Don't Want to Talk About It" , "Sailing" , "Young Turks" , "Baby Jane" , "Have I Told You Lately" , "Tonight is The Night" , "The First Cut Is The Deepest" , "You're in My Heart" , "Rhythm of My Heart " , "Forever Young" , "Downtown Train" , "Hot Legs" , "Passion" , "Some Guys Have All The Luck" "Tonight I'm Yours (Don't Hurt me)" , "People Get Ready" , "Every Beat Of My Heart" , "My Heart Can´t Tell You No" e "It's Over".



Rod é o 23º na lista de melhores artistas da história e 17º na de mais bem sucedidos de todos os tempos.[3] Com 2 Grammy vencidos tornou uma das figuras mais irreverentes do mundo.

Sua canção mais vendida foi o hit "Da Ya Think I'm Sexy?" de 1978, que atingiu o número 1 em praticamente todos os países e vendeu mais de 4 milhões em todo mundo.[4]

Primeiros Anos

Roderick Stewart era o mais novo de cinco filhos do casal Robert e Elsie Stewart.[5] Rod foi o único dos filhos do casal a nascer na Inglaterra depois que a família se mudou da Escócia. Frequentou a William Grimshaw School em Hornsey.[6]




O estímulo musical surgiu da família Stewart, que era grande fã do cantor Al Jolson. Rod colecionava seus álbuns, lia livros sobre ele e exerceu grande influência em seu estilo.[7]. Rod decidiu aprender a tocar guitarra e, aos 11 anos, formou um grupo de skiffle com colegas da escola chamado Kool Kats[7], tocando canções de Lonnie Donegan e Chas McDevitt.
1960–1969

Depois de deixar a escola, Rod Stewart trabalhou pouco tempo como pintor de silk screen[7], além de jogar futebol no Brentford Football Club (situado em Londres).[5] Trabalhou também como coveiro[8], entre outras coisas. Rod apoiava a campanha de desarmamento nuclear e participou de um protesto em Aldermaston, onde foi preso [7]. No início dos anos 60, ele passou com o cantor de folk Wizz Jones e viajou por toda Europa como busker (pessoa que toca em lugares públicos em troca de dinheiro). Ele foi deportado da Espanha por vadiagem.[


Na primavera de 1962, Rod ajudou a fundar o The Ray Davies Quartet, que tinha entre os integrantes Ray Davies - que faria sucesso com a banda The Kinks. Ele tocou com a banda em uma ocasião, mas logo largou-a devido a reclamações sobre sua voz e também por diferenças pessoais e musicais com o resto da banda.

Depois de voltar a Londres ele juntou-se a Jimmy Powell & the Five Dimensions em 1964 como vocalista onde também tocava gaita. Juntos eles gravaram um single pela Pye Records. Long John Baldry descobriu Rod tocando em trens por dinheiro ("busking") e o convidou para juntar-se na The Hoochie Coochie Men com a qual gravou um single "Good Morning Little Schoolgirl". The Hoochie Coochie Men evoluiu para a Steampacket com Rod Stewart, Long John Baldry, Julie Driscoll, Brian Auger, Mickey Waller e Rick Brown. A Steampacket viajou com os Rolling Stones e os the Walker Brothers na tournê de verão de 1965. Eles também gravaram canções que não foram lançadas em um álbum até 1970, depois que Rod Stewart tornou-se bem conhecido no meio musical. Nos anos 60, Rod Stewart ganhou o apelido de "Rod the Mod" devido a sua aparição em um documentário da BBC sobre o estilo de vida dos Mods.



O Steampacket acabou em 1966 e Rod Stewart juntou-se ao Shotgun Express como líder vocal junto a Beryl Marsden. Entre os integrantes do Shotgun Express estavam Mick Fleetwood e Peter Green (que formariam o Fleetwood Mac), além de Peter Bardens. Shotgun Express lançou somente um single antes de acabar.

Rod Stewart então juntou-se ao Jeff Beck Group como vocalista, onde tocou com Ronnie Wood. Em 1968, o primeiro álbum da banda Truth tornou-se um sucesso. O segundo álbum Beck-Ola (Cosa Nostra) também foi um hit em 1969 mas os integrantes foram abandonando o grupo que chegou ao fim no final do mesmo ano.
1969–1975
O grupo norte-americano Cactus ofereceu a Rod um emprego como líder vocal mas ele e Ronnie Wood decidiram juntar-se ao The Faces (remanescentes do Small Faces depois que o cantor Steve Marriott deixou o grupo).

Rod Stewart também assinou um contrato solo para gravar com a Mercury Records. An Old Raincoat Won't Ever Let You Down foi seu primeiro álbum solo em 1969 (conhecido também como The Rod Stewart Album nos Estados Unidos). O álbum incluiu alguns covers entre eles a canção "Handbags and Gladrags".




O álbum de estréia do The Faces foi lançado em 1970, First Step com um rock similar ao estilo dos Rolling Stones distanciando-se do rock psicodélico do Small Faces. No mesmo ano, Rod Stewart lançou seu segundo álbum solo, Gasoline Alley, logo, Rod iniciou sua tournê solo. No mesmo ano, ele participou como cantor convidado na canção "In a Broken Dream" do grupo australiano Python Lee Jackson e quando a canção foi lançada em 1972 tornou-se um hit mundial.

Em 1971 Rod Stewart atingiu o primeiro lugar nas paradas de sucesso com a canção "Maggie May" e também com o álbum Every Picture Tells a Story tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido. Paralelamente a carreira solo, o segundo álbum do The Faces foi lançado no mesmo ano, Long Player (pouco meses antes do álbum solo Every Picture Tells a Story). O único sucesso do The Faces a atingir o Top 40 nos Estados Unidos foi a canção "Stay With Me" do terceiro álbum da banda, A Nod Is as Good as a Wink...To a Blind Horse lançado no final de 1971. O The Faces tinha uma turnê em 1972, mas a tensão no grupo crescia a cada instante na medida em que a carreira solo de Rod Stewart atingia mais sucesso que a banda. Stewart lançou outro álbum solo ainda no mesmo ano, Never a Dull Moment, repetindo a fórmula de Every Picture, o álbum atingiu o primeiro lugar no Reino Unido e o segundo nos Estados Unidos.




O The Faces lançou seu último álbum, Ooh La La, em 1973. O álbum atingiu o número 1 no Reino Unido e a vigésima primeira posição nos Estados Unidos. A última tournê do The Faces foi em 1974 e no ano seguinte a banda chegou ao fim com Ronnie Wood juntando-se aos Rolling Stones como guitarrista e Rod Stewart prosseguindo em sua carreira solo.

Ainda em 1974, Rod Stewart lançou seu quinto álbum solo, Smiler, que segundo a crítica foi o mais fraco da carreira solo durante a década de 70. Mas, mesmo assim, o álbum atingiu o número 1 no Reino Unido.
1975–1981

Em 1975 Rod Stewart mudou-se para os Estados Unidos e pediu a cidadania norte-americana devido ao romance que tinha com a atriz Britt Ekland. Ele lançou o álbum Atlantic Crossing por uma nova gravadora. Com Atlantic Crossing ele voltou ao Top 10 da Billboard. A canção de maior sucesso do álbum foi "Sailing" que acabou atingindo o número 1 no Reino Unido. Outra canção bem conhecida do álbum foi "I Don't Want To Talk About It".

Em 1976 teve grande sucesso com a canção "Tonight's the Night" que fez parte do álbum A Night on the Town, o primeiro álbum a ganhar um disco de platina pelas vendas. Outras duas canções do álbum "The First Cut is the Deepest", um cover de Cat Stevens, e "The Killing of Georgie (Part 1 and 2)" também fizeram muito sucesso.

O oitavo álbum de Rod Stewart, Foot Loose & Fancy Free de 1977 emplacou sucessos como "You're In My Heart" (primeiro lugar nos Estados Unidos), "Hot Legs" e "I Was Only Joking". A música "You're In My Heart", inclusive, foi dedicada ao seu amor ao seu país de origem, a Escócia. Esta paixão pode ser confirmada no videoclipe da música, onde as suas imagens dividem espaço com lances de partidas de futebol da Seleção da Escócia, que mostram a garra e a determinação de seus jogadores. Uma das cenas, por exemplo, mostra um atacante correndo atrás da bola e, sem deixá-la sair pela linha de fundo, consegue cruzá-la para a dentro da grande área.

Em 1978 lançou a canção "Da Ya Think I'm Sexy?" que em 2004 entrou na lista das 500 melhores canções da revista Rolling Stone (#301). A canção impulsionou o álbum Blondes Have More Fun...or do they? a vender 4 milhões de cópias e este foi o último álbum e Rod Stewart que chegou ao número 1 na Billboard. A canção perderia um processo por plágio para o cantor brasileiro Jorge Ben Jor, que a acusou de copiar o refrão de "Taj Mahal". Como punição Rod Stewart concordou em doar os royalties da sua canção para a UNICEF em 1979 e cantá-la no Music for UNICEF Concert feito na Assembléia Geral das Nações Unidas realizado ainda no mesmo ano.



Em 1980, Rod lançou o álbum, Foolish Behaviour, com influência new wave que não foi bem recebido. A influência new wave continuou no próximo álbum, Tonight I'm Yours que fez sucesso com as canções "Young Turks" assim como a que dava título ao álbum.

Em 18 de dezembro de 1981 Rod Stewart tocou no Los Angeles Forum, com Kim Carnes e Tina Turner. Este show foi transmitido para o mundo todo chegando a uma audiência de 35 milhões de pessoas.
1982–2001

A carreira de Rod Stewart teve uma baixa entre os álbuns Tonight I'm Yours (1981) e Out of Order (1988) segundo os críticos embora tenha conseguido alguns sucessos mas em menor proporção dos anos anteriores. Em 1983 a canção "Baby Jane" do álbum Body Wishes tornou-se sua última canção a alcançar o número 1 no Reino Unido. Neste álbum, "What Am I Gonna Do (I'm so in Love with you)" também obteve sucesso porém modesto. No ano seguinte, o álbum Camouflage ganhou o disco de ouro no Reino Unido e as canções "Infatuation" e "Some Guys Have All The Luck" alcançaram certo sucesso. Rod também se reuniu com o velho amigo Jeff Beck para gravar a canção "People Get Ready".




Em janeiro de 1985 apresentou-se no Rock in Rio para uma audiência estimada de 100.000 espectadores. Em 1986 foi a vez do lançamento do álbum Every Beat Of My Heart, cuja canção homônima atingiu grande sucesso. Em 1988 lançou o álbum Out Of Order, produzido por Andy Taylor do Duran Duran e Bernard Edwards do Chic. "Forever Young" e "Lost in You" deste álbum foram significante hits na Billboard Hot 100. "Forever Young" foi uma inconsciente revisão da canção homônima de Bob Dylan e ambos concordaram em dividir os royalties.

Em 1989 Rod fez uma versão para a canção de Tom Waits, "Downtown Train" que atingiu o número 2 nos Estados Unidos em 1990. Esta canção foi lançada em single e depois em coletâneas. O álbum Vagabond Heart de 1991 trouxe alguns sucessos como "Rhythm of My Heart", "Motown Song", "Have I Told You Lately" e "It Takes Two" esta última gravada com Tina Turner.



Em 1993 gravou "All For Love" com Sting e Bryan Adams para a trilha sonora do filme Os Três Mosqueteiros. Ainda no mesmo ano, Rod Stewart reuniu-se com Ronnie Wood para gravar o especial MTV Unplugged. No ano seguinte, entrou para o Rock and Roll Hall of Fame, no dia 31 de dezembro tocou para 3,5 milhões de pessoas na Praia de Copacabana no Rio de Janeiro.

Em 1995, depois de 4 anos sem lançar um álbum gravado em estúdio Rod Stewart lança A Spanner in the Works sem muito sucesso. Em 1998, ele lançou seu último álbum pela Warner Bros. contendo versões de velhas canções suas e algumas inéditas. Em 2000 Rod Stewart deixou a Warner Bros. Records e mudou-se para a Atlantic Records. No mesmo ano lançou o álbum Human. Por causa das baixas vendas, a Atlantic Records cancelou o contrato com Rod Stewart e ele acabou assinando contrato com o produtor Clive Davis e a nova gravadora J Records.
2002 — atualmente
Rod Stewart em Zaragoza na Espanha em 2006.




Atualmente Rod Stewart têm se concentrado regravando canções dos anos 30 e 40 do "Great American Songbook". O "Great American Songbook" é um termo dado para canções dos musicais da Broadway escritas por compositores como Irving Berlin, Cole Porter, George Gershwin e Ira Gershwin. O primeiro álbum da série deste songbook foi It Had to Be You ... The Great American Songbook lançado em 2002, atingiu o número 1 nos Estados Unidos e oito no Reino Unido.

O segundo álbum da série, As Time Goes By: the Great American Songbook 2, atingiu o número 2 nos Estados Unidos e quatro no Reino Unido. Em 2004 foi lançado o terceiro álbum da série, Stardust ... The Great American Songbook 3 que atingiu o primeiro lugar nos Estados Unidos vendendo mais de 200.000 cópias em sua primeira semana. Em 2005 o álbum Thanks for the Memory: The Great American Songbook 4 foi lançado.

No ano seguinte, Rod Stewart retornou ao rock com o lançamento de Still the Same... Great Rock Classics of Our Time, novamente um álbum de regravações mas com alguns clássicos do rock como a canção do Creedence Clearwater Revival, "Have You Ever Seen The Rain".

Recentemente, em 2010, o cantor lançou o penúltimo álbum da série, Fly me to the Moon: The Great American Songbook 5. Em 2011, lançou o último álbum da série, The Best Of The Great American Songbook.

Em 15 de novembro de 2012, Rod Stewart se apresentou ao vivo em Basel, Suíça, para o festival Avo Session. O concerto foi gravado em alta-definição (HD) e sindicado para televisão por assinatura. O concerto durou 75 minutos e incluiu 15 canções: (1) Havin' A Party; (2) Tonight's The Night; (3) Some Guys Have All The Luck; (4) Forever Young; (5) Rhythm Of My Heart; (6) Downtown Train; (7) Have I Told You Lately; (8) The First Cut Is The Deepest; (9) I Don't Want To Talk About It; (10) Sweet Little Rock & Roller; (11) Proud Mary; (12) Maggie May; (13) Baby Jane; 14) Da Ya Think I'm Sexy?; e (15) Sailing. O concerto gravado não foi lançado em nenhum formato para venda no mercado. Algumas cópias de DVD apareceram no mercado à venda pela Internet e, apesar do produto parecer legítimo, as cópias não revelam representação nem de distribuidora ou gravadora legítima e são todos cópias piratas da transmissão televisiva.

Para o Natal de 2012, Rod lançou "Merry Christmas, Baby. Foi o primeiro álbum com músicas natalinas de Rod Stewart, lançado em outubro do mesmo ano. O CD inclui canções populares de Natal como: ""Santa Claus Is Coming to Town"; "White Chritmas"; e "Have Yourself a Merry Little Christmas;" e algumas canções sacras tradicionais sobre a Natividade de Jesus Cristo, como: "We Three Kings"; e "Silent Night"; num total de 13 seleções. Um mês após ter sido lançado, "Merry Christmas, Baby" foi premiado com certificado platina da Recording Industry Association of America, por vendas de mais de 1 milhão de unidades nos Estados Unidos. "Merry Christmas, Baby" estreou no terceiro lugar nas paradas de sucesso pela revista estadunidense Billboard, na primeira semana de vendas. "Merry Christmas, Baby" foi o 15º mais vendido álbum do ano nos EUA, de acordo com Billboard e o nono mais vendido, de acordo com a Nielsen Company. No Reino Unido o álbum estreou em 2º lugar pelo UK Albums Chart e, no Canada, "Merry Christmas, Baby" ficou 8 semanas entre as dez mais das paradas do Canadian Albums Chart, com 3 semanas consecutivas no primeiro lugar. "Merry Christmas, Baby" também teve grande sucesso na Europa, Escandinávia e Austrália. "Merry Christmas, Baby" foi produzido por Rod Stewart e co-produzido por David Foster.

No ano seguinte, Rod Stewart lançou "Time." Gravado em estúdio, "Time" foi publicado pelos selos da Capitol, Decca e UCJ, sendo lançado em maio de 2013 no Reino Unido, estreando em primeiro lugar; Japão; EUA, onde estreou em décimo lugar; e no Canada. "Time" foi lançado com 12 faixas básicas e 3 faixas bonus na versão vendida pelas lojas Target e as vendidas no Reino Unido. No Reino Unido foi lançado também uma edição especial do "TIme", contendo um disco extra com 10 músicas a mais. Produzido por Rod Stewart, "Time" contém a maioria das canções originais de sua autoria.


Rod Stewart completou 70 anos em 2015 e tudo indica que ele está em ótima forma e a todo vapor. Sua agenda está repleta de concertos ao vivo pelo mundo todo em 2015, incluindo apresentações no Brasil, em 17 de setembro em Curitiba, na Arena da Baixada; em 18 de setembro em São Paulo, no Allianz Park; e em 20 de setembro no Rio de Janeiro, no palco do Rock in Rio.


Rod Stewart VIÑA 2014 HD   



1. This Old Heart of Mine (Is Weak for You) (0:03:58)
2. Some Guys Have All the Luck (0:11:01)
3. Tonight's the Night (Gonna Be Alright) (0:15:06)
4. Young Turks (0:18:40)
5. Rhythm of My Heart (0:23:29)
6. Baby Jane (0:29:44)
7. Just One More Day (0:34:02)
8. Forever Young (0:39:24)
9. The First Cut Is the Deepest (0:48:33
10. Have I Told You Lately That I Love You (0:53:47
11. I Don't Want To Talk About It (0:58:17
12. Sweet Little Rock & Roller (1:03:24)
13. Proud Mary (1:08:14)
14. You're in My Heart (The Final Acclaim) (1:12:59)
15. Hot Legs (1:17:57)
16. Maggie May (1:22:08)
17. Da Ya Think I'm Sexy? (1:33:08)
18. Sailing (1:39:01)

CURIOSIDADES
    Antes de fazer sucesso, Rod Stewart era coveiro.
    Rod Stewart casou-se três vezes e teve oito filhos:
        Casamento com Alana Hamilton: 1979-1984], com quem teve dois filhos.(Kimberly e Sean). Ex-mulher de George Hamilton ;
        Casamento com Rachel Hunter: 1990-2006 com com quem teve dois filhos (Renee e Liam).
        Casamento com Penny Lancaster: 2007 até hoje com com quem teve 2 filhos (Alastair Wallace)&(Aiden Stewart "born 16 February 2011").
        Rod teve mais dois filhos com duas namoradas (Susannah Boffey e Kelly Emberg)
    Aos 17 anos teve uma filha com Susannah Boffey, chamada Sarah. O cantor ainda vivia em casa dos pais e tocava harmónica em pub, no norte de Inglaterra, enquanto Susannah, de 17 anos, era uma estudante de arte. Depois de ter sido dada para adoção, Sarah passou vários anos em centros de acolhimento, até que foi adotada por um casal, quando tinha cinco anos. Aos 18, soube que Rod Stewart era seu pai[9].
    Em 1999 Rod Stewart foi diagnosticado com câncer na tireóide e por isso teve que fazer uma cirurgia em 2000[10].

    Ele é grande fã de futebol e torce para o clube escocês Celtic Football Club, tendo inclusivamente sido apanhado a chorar compulsivamente aquando a vitória deste clube contra o Barcelona, por 2-1, em jogo a contar para a fase de grupos da Champions League de 2012-13. Na Inglaterra, ele prefere o Manchester United.
    Em 2004 recebeu uma estrela com seu nome na Calçada da Fama.
    Em 2006 recebeu o título de Comandante do Império Britânico pela rainha Elizabeth II. Ele disse que estava muito feliz com o prêmio, quando recebeu a notícia em sua casa em Palm Springs, na California.
    Rod Stewart actuou cinco vezes em Portugal, em 1981 no Estádio do Restelo, em Julho de 2003 no Estádio do Restelo, em Julho de 2005 no Pavilhão Atlântico a 7 de Outubro de 2007 no Casino Estoril e a 1 de Junho de 2008 no Rock in Rio.
    Rod Stewart fez um show em 1994 na praia de Copacabana da cidade do Rio de Janeiro para 3,5 milhões de pessoas durante a comemoração do ano novo, um recorde histórico.
    A música Hard luck woman do Kiss, foi escrita para Rod Stewart, mas ele a rejeitou.
    A música Young Turks está presente no jogo Grand Theft Auto San Andreas , na rádio K-DST.
    Por causa de sua paixão pelo futebol, e sua amizade com os ex-craques Paulo Cesar Caju e Marinho Chagas, nos anos 70 o cantor declarou o seu amor pelo Rio de Janeiro e pelo Fluminense Football Club, que na época possuía um time de grandes jogadores como Rivelino, Dirceu, Doval, Paulo Cesar, Carlos Alberto Torres e onde posteriormente jogou Marinho Chagas.
    Rod Stewart recebeu em 11/10/2016 o título de "sir" no Palácio Buckingham, em Londres. O músico inglês foi condecorado pelo príncipe William, que reconheceu a contribuição do cantor com a música e suas obras de caridade.


Destaque

Ketil Bjørnstad "Before the Light" (2002)

O formato convencionalmente descrito como uma trilha sonora imaginária está atraindo cada vez mais a atenção de músicos estetas. Um dos prim...