O formato convencionalmente descrito como uma trilha sonora imaginária está atraindo cada vez mais a atenção de músicos estetas. Um dos primeiros a adotar essa prática foi o compositor/pianista norueguês Ketil Bjørnstad . Sua obra "Before the Light" é um exemplo exemplar desse tipo de gravação. O contexto artístico do programa não é divulgado. Mas isso é irrelevante, já que a ideia central de qualquer produto conceitual dessa natureza é atrair o ouvinte como um potencial colaborador. O resto depende diretamente da rica imaginação do artista. Como você provavelmente já deve ter adivinhado, "Before the Light" é um disco exclusivamente instrumental. Bjørnstad (piano, sintetizadores) colaborou com uma equipe notável de profissionais renomados no mundo da música fusion e experimental para dar vida à obra: a violista Nora Taksdal , o guitarrista Eivind Aarseth e o mestre dos sintetizadores e samplers, Kjetil Bjerkestrand . O resultado são dezessete seções sonoras, unidas por títulos e um subtexto confidencial, especulativo e filosófico. Vamos mergulhar nesta galeria de estudos não verbais. Após uma análise mais atenta, o seguinte se torna evidente: o panorama aparentemente holístico do álbum é, na verdade, dividido em vários ciclos significativos e interconectados. Primeiro, temos "Before the Light", cujas quatro fases emolduram o espaço geral da peça. A construção inovadora dessas miniconstruções evoca imediatamente uma mistura profundamente refinada de tendências estilísticas distintamente opostas: música eletrônica ambiente, o trabalho melódico de guitarra do maestro único Aarseth, o pianíssimo clássico do gênio criativo e a interpretação tradicionalmente em tom menor, característica dos artistas da escola escandinava. A segunda série mais significativa de variações sonoras é intitulada "Taipei Nights" e consiste em três partes espalhadas pela paleta sonora. Estruturalmente semelhante ao grupo anterior, mas com uma diferença significativa: cada um de seus segmentos se baseia na exploração do mesmo motivo de maneiras diferentes. Wizard Björkestrand apresenta camadas de trip-hop que servem de pano de fundo para os solistas – Eivind, Nora e Kjetil, que se apresentam em turnos. As outras faixas são uma coleção de esboços atmosféricos inspirados, gravitando ora em direção à intimidade (a peça positiva para teclado "Alai's Room"; o comovente esboço lírico para cordas e piano "Intimacy"; a tocante "Cookie's Face", dividida em duas partes e que faz referência indireta aos projetos conjuntos de sucesso da dupla Björnstad/Darling ), ora em direção a experimentos de art-noise, sem deixar de lado sequências românticas ("Cake's Taxi Dreams", "Seeing Things", "Neon"). Em resumo: uma jornada vibrante e imaginativa, trazida à vida por pessoas incrivelmente talentosas.Recomendo muito que você dê uma olhada.
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Sonic Youth - "Dirty" (1992)
elas repicam e se fundem.
As cordas são devolvidas a coleções incomuns de tons,
melodias são reduzidas a fragmentos mal controláveis,
harmonias saem de sincronização e se acumulam em clusters oníricos(...)
O Sonic Youth dá ao seu ruído veleidades artísticas"
crítico musical
autor dos livros "O Resto é Ruído" e "Escuta Só"
Frequentemente renegado pelos fãs, 'acusado' de ser muito concessivo, "Dirty", de 1992, dos novaiorquinos do Sonic Youth é na verdade um grande injustiçado.
Todos os elementos que fizeram do Sonic Youth um dos nomes mais importantes do cenário alternativo e uma das bandas mais influentes dos últimos tempos estão ali. O barulho, o experimentalismo, os longos interlúdios, as atmosferas, a fúria, a sensualidade, a inteligência, a criatividade, a provocação, e a genialidade. Tudo lá.
É bem verdade que faixas como a ótima "100 %" que abre o disco, com seu estilo verso-resposta, meio turma de Seattle; o punk adocicado "Sugar Kane"; ou a igualmente boa "Youth Against the Fascism", com seu baixo distorcido, porém fácil e palatável, tinham um apelo comercial mais acentuado. Mas mesmo quando o Sonic Youth se deixa ser mais acessível, os diferenciais que os fizeram tão respeitados e influentes em seu meio ficam evidentes e se sobressaem. E de mais a mais, coisas como "Expressway for Yr. Skull', "Teen Age Riot" ou "Dirty Boots", por mais elaboradas que sejam não são também de audibilidade bastante aceitável, por assim dizer, no mínimo?
Implicância!
"Dirty" é um baita álbum!
Pra mim, um dos 10 melhores dos anos 90.
Tem grandes momentos como a espetacular "Drunken Butterfly", um misto de fúria, loucura e sensualidade na voz inebriante de Kim Gordon; "Orange Rolls, Angel's Spit" conduzida por uma guitarra estridente e hipnótica; a frenética cover dos Untochables, "Nic Fit"; a vigorosa "Purr"; a arrastada "JC"; "On the Strip" que faz jus às longas passagens de tempo características da banda; e o final com a lenta, delicada e gostosa "Crèmme Brûllèe, a cereja no bolo para fechar o disco.
A barulheira está lá, as guitarras, as camadas, a fúria está lá, o experimentalismo está lá.
Comercial? Não! "Dirty" é a prova que uma banda, mesmo alternativa, pode alcançar o público sem deixar de lado suas características ou abandonar sua identidade.
Muito limpo? Que nada!
O som continuava sujo, como de costume!
Sujo!
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FAIXAS:
- "100%" (letra Gordon/vocal Moore) – 2:28
- "Swimsuit Issue" (letra/vocal Gordon) – 2:57
- "Theresa's Sound-World" (letra/vocal Moore) – 5:27
- "Drunken Butterfly" (letra/vocal Gordon) – 3:03
- "Shoot" (letra/vocal Gordon) – 5:16
- "Wish Fulfillment" (letra/vocal Ranaldo) – 3:24
- "Sugar Kane" (letra/vocal Moore) – 5:56
- "Orange Rolls, Angel's Spit" (letra/vocal Gordon) – 4:17
- "Youth Against Fascism" (letra/vocal Moore) – 3:36
- "Nic Fit" (Untouchables cover) (vocal Moore) – 0:59
- "On the Strip" (letra/vocal Gordon) – 5:41
- "Chapel Hill" (letra/vocal Moore) – 4:46
- "JC" (letra/vocal Gordon) – 4:01
- "Purr" (letra/vocal Moore) – 4:21
- "Créme Brûlèe" (letra/vocal Gordon) – 2:33
Sonic Youth - "Daydream Nation" (1989)
eu sabia que precisava ser música.
Voltamos para casa
sem darmos um pio, assustadíssimos."
um show do Suicide que assistiu
e que a incentivou a ter uma banda
Não há como se falar em música alternativa sem falar do Sonic Youth. Eles são praticamente sinônimo e síntese do termo. Eles não 'invetaram a roda', não criaram aquelas sinfonias de ruídos que já se ouvia com Hendrix, Velvet, Kinks, Sonics, Stooges, mas deram a estes elementos sua assinaratura e hoje em dia, sempre que se ouve aquelas guitarras insistentes, estáticas, aquelas barreiras sonoras densas, intransponíveis se associa logo a Sonic Youth.
Mesmo com uma discografia bem consistente na qual pode-se destacar vários álbuns, “Daydream Nation” de 1989 destaca-se e pode ser apontado como a obra-prima da banda. Seu punk rock é encorpado, suas melodias transitam entre o belo e o corrosivo, os vocais, principalmente os de Kim Gordon, seduzem ao mesmo tempo que cospem fogo, e suas guitarras explodem em passagens de tempo e transições longas e caóticas.
“Teen Age Riot “ abre o disco com acordes suaves e adoráveis mas logo ganha corpo adquirindo uma pegada mais consistente sem deixar de ser jovial; “Candle”, outra excelente, também passeia no limite do belo e do furioso. A destruidora “'Cross the Breeze” é a melhor do disco partindo de uma introdução lenta e leve que acelera abrupatamente transformando-se num hardcore violento, impiedoso e sensacional. "Kissability" é sexy; "Rain King" é retumbante; "Eric's Trip" é outra das melhores do disco e da banda; e “Trilogy” que encerra a obra traz em cada uma de suas partes, “The Wonder”, "Hyperstation” e “Eliminator Jr” características diferentes mas que harmonica e desarmonicamente compõe, por fim, uma perfeita unidade.
Disco indispensável de uma das bandas mais importante e influentes dos últimos tempos.
Sinônimo de alternativo!
Sonic Youth=Underground.
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FAIXAS:
- "Teen Age Riot" (letra/vocal Moore, Gordon na introdução) – 6:57
- "Silver Rocket" (letra/vocal Moore) – 3:47
- "The Sprawl" (letra/vocal Gordon) – 7:42
- "'Cross the Breeze" (letra/vocal Gordon) – 7:00
- "Eric's Trip" (letra/vocal Ranaldo) – 3:48
- "Total Trash" (letra/vocal Moore) – 7:33
- "Hey Joni" (letra/vocal Ranaldo) – 4:23
- "Providence" (vocal Mike Watt) – 2:41
- "Candle" (letra/vocal Moore) – 4:58
- "Rain King" (letra/vocal Ranaldo) – 4:39
- "Kissability" (letra/vocal Gordon) – 3:08
- Trilogy: – 14:02
b) "Hyperstation" (letra/vocal Moore) – 7:13
z) "Eliminator Jr." (letra/vocal Gordon) – 2:37
Ouça:
Sonic Youth Daydream Nation
Som Imaginário - “Matança do Porco” (1973)
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| A capa original, em cima, e a da reedição de 2003 |
Ray Alder – What The Water Wants
Enquanto o novo álbum dos Fates Warning não sai, neste hiato, Ray Alder decide lançar o seu primeiro álbum a solo. Como um dos mais importantes vocalistas dos últimos 30 anos, Alder – tendo uma panóplia de estilos ao seu dispor com a sonoridade progressiva e exímia dos icónicos Fates Warning e o metal melódico dos Redemption, onde esteve durante 12 anos até ter saído em 2016 – lança um disco previsível, mas que apresenta uma sonoridade fresca e dinâmica que varia entre temas melódicos e mais lentos, e temas progressivos com um som mais pesado e técnico.
What The Water Wants apanha parte do que são os Fates Warning e os Redemption, mas não deixa de ter um cunho pessoal de Alder que introduz uma vivacidade lírica mais melódica, mas ao mesmo tempo progressiva, mostrando uma polivalência realmente interessante. Acaba por ser um longa-duração para todos os gostos, satisfazendo os mais esfomeados por metal progressivo ou os mais esfomeados por rock melódico, a roçar as baladas altamente instrumentalizadas. O álbum começa muito morno, fundamentalmente lento e melódico e introspectivo, com a excepção da faixa “Lost” que é muito inspirada nas tiradas dos álbuns mais recentes dos Fates Warning. Como tal, “Crown of Thorns” e “Some Days” mostram um disco que parece ser mais melódico e lento do que depois se vem a verificar. O metal progressivo e a diversidade é introduzida em “Shine”, estendendo-se até à linda e profunda “The Road” que introduz uma componente pesada, mas fortemente emocional e pessoal. Esta mesma emoção é exaltada no tema “The Killing Floor” que acaba por terminar o lançamento de estreia de Ray Alder num registo mais acentuado e pesado, com guitarradas fortes e uma bateria galopante.
A estreia é das boas, Ray Alder faz um bom aquecimento para o próximo álbum dos Fates Warning, que se espera que saia em 2020. O lançamento apresenta um registo conhecido e familiar, com uma diversidade fresca e que prende o ouvinte com umas faixas melódicas e outras instrumentalmente pesadas e progressivas, para tal basta ouvir “A Beautiful Lie”, “Wait” e “What The Water Wanted” que se demonstram com uma riqueza sonora mais similar ao trabalho realizado por Alder nos seus anos de músico. Este é de facto um disco que agradará a gregos e a troianos, não deixará ninguém indiferente e é claramente um excelente começo na carreira a solo do icónico vocalista e ‘frontman’. What The Water Wants tem um pouco de tudo, desde baladas melódicas e emocionais a faixas mais ricas instrumentalmente com enorme destaque para o duo de guitarras de Mike Abdow e Tony Hernando, e a potente bateria de Craig Anderson. É uma estreia que não se estranha e que se entranha desde a primeira audição, pode apaixonar quem gosta de músicas mais emotivas e liricamente mais comerciais, mas também pode interessar aos seguidores de um metal progressivo mais pesado.
ROD STEWART
Rod Stewart VIÑA 2014 HD
Destaque
Ketil Bjørnstad "Before the Light" (2002)
O formato convencionalmente descrito como uma trilha sonora imaginária está atraindo cada vez mais a atenção de músicos estetas. Um dos prim...
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