ERIC BURDON ''ULTIMATE RARITIES, VOL. 2'' FEBRUARY 27 2008 45:55 MUSICA&SOM ********** 1 - Crawling King Snake/10:55 2 - The Road/4:45 3 - Power Company/4:32 4 - Wall Of Silence/3:07 5 - NYC/5:24 6 - Yes Indeed Yeah/6:20 7 - We've Gotta Get Out Of This Place/3:50 8 - It's Too Late/3:58 9 - Let It Be/4:07 10 - The Royal Canal/0:47
Perdemos Chris Squire, baixista dos Yes, que passou para um plano mais elevado deixando órfãos uma legião de fãs espalhados pelo planeta e que até o momento, aparentemente ainda não se conformaram com tamanha perda, pois passado uns quarenta e cinco dias da data fatídica, as manifestações de carinho e apreço pelo músico não pararam nas redes sociais.
Esta resenha não se trata de uma homenagem póstuma de forma alguma, tendo em vista que sou radicalmente contra este tipo de manifestação, pois não há coisa pior do que a criação, evocação e adoração de um “mártir”, portanto minha homenagem é direcionada a ele, apenas como reconhecimento por toda uma vida dedicada ao rock.
Acredito que ele tenha sido um dos maiores, senão o maior baixista da história do rock em todos os tempos, pois ele teve a capacidade de elevar a categoria de seu instrumento que normalmente é considerada como um coadjuvante para o centro dos holofotes, tendo em vista o modo único de manipulá-lo com sua técnica inigualável.
Fora isto, tinha uma capacidade de criação muito grande, muito além da média, sendo um dos mentores intelectuais de tudo de bom que rolou dentro do Yes, mesmo nos momentos mais solitários e difíceis que banda passou ao longo destas mais de quatro décadas de dedicação ao rock.
Ele é o autor de um álbum solo absolutamente perfeito e fantástico, intitulado “Fish out of Water” lançado em 1975, onde seus dotes de vocalista foram revelados em suas músicas de consistência complexa e sofisticada que o levaram merecidamente ao 69º lugar do “Billboard Pop Albuns” e 25º lugar no “UK Albuns Chart” em 1976, apesar de ser um álbum progressivo até a alma.
Sua presença no palco era simplesmente carismática do alto de seus quase dois metros de altura que tive a oportunidade de assistir em duas ocasiões, sendo uma em 1985 no primeiro “Rock in Rio” e anos depois, em 1999 no “Olympia” em São Paulo e nas duas ocasiões seu vigor ao empunhar seu baixo foi percebido claramente.
Provavelmente o álbum, “At The Mesa Arts Center”, lançado no princípio de agosto deste ano, seja um dos últimos ou mesmo o último registro da presença de Chris Squire à frente da banda, composto originariamente por dois CDs e um DVD com a integra do show.
Este show é feito literalmente em cima de dois álbuns altamente emblemáticos e legendários, “Close To Edge” e “Frigile” que dispensam maiores apresentações dada a sua longevidade, lirismo e poesia que contagiam até hoje os velhos dinossauros do rock e suas proles mais recentes.
As músicas foram executadas com alto padrão de qualidade que é exigido dada a complexidade e sofisticação de seus arranjos, portanto cabe ressaltar o esforço hercúleo de Geoff Downes e Jon Davison, pois não é uma tarefa nada fácil estarem substituindo duas lendas vivas do rock (só para lembrar: Rick Wakeman e Jon Anderson respectivamente) com tamanha dignidade.
Há tempos atrás já havia feito algum comentário a respeito da velocidade de execução de alguns trechos de música que aparentemente estão um pouco mais lentos e neste álbum, continuo a ter esta mesma sensação, mas isso é apenas uma demonstração de minha personalidade rabugenta, dada a minha elevada longevidade, portanto, não deem crédito ao que disse e aproveitem muito este álbum, pois ele é muito bom, bom não, é ótimo!!!
ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!
YES:
Chris Squire / bass
Steve Howe / guitars Alan White / drums Geoff Downes / keyboards Jon Davison / vocals
Tracks:
Disc: 1 01. Close To The Edge 02. And You And I 03. Siberian Khatru Disc: 2 01. Roundabout 02. Cans and Brahms 03. We Have Heaven 04. South Side Of The Sky 05. Five Per Cent For Nothing 06. Long Distance Runaround 07. The Fish (Schindleria Praematurus) 08. Mood For A Day 09. Heart Of The Sunrise
Como nem só de rock progressivo vive o homem (no caso, eu) e o álbum em questão é no mínimo um registro histórico da banda mais famosa do mundo, claro que eu me refiro a “The Beatles”, com direito a gritaria histérica da mulherada ao fundo de todas as músicas e tudo mais, conferindo a autenticidade do que relato agora, dou uma parada na minha praia progressiva e parto para o puro e saudável Rock’n Roll.
A gravação está da melhor qualidade, o que é um fato raro, tendo em vista à época em que os shows foram gravados, portanto desde já, nossos maiores agradecimentos aos homens da remasterização deste álbum.
Hollywood Bowl
Este álbum, "Why Don’t We Do It In The Bowl” nos brinda com três shows realizados no não menos legendário Hollywood Bowl, a mais famosa concha acústica do planeta, situada em Los Angeles, CA, USA, no dia 23 de agosto de 1964 e nos dias 29 e 30 de agosto de 1965.
Obviamente há uma repetição de músicas entre os shows, mas em se tratando dos “Fab Four”, não é um incomodo, é um prêmio e como qualidade sonora das gravações está muito boa, pela gritaria dá para imaginar a loucura que foi um show desses, com casa cheia, a mulherada completamente enlouquecida com os quatro carinhas, fazendo o que de melhor faziam naqueles tempos, tocar de forma franciscana, o mais simples o possível, sem pirotecnias ou qualquer tipo de intervenção externa que não fosse a própria música.
Acredito que como num alinhamento dos planetas com o sol, tudo conspirou para que estes quatro jovens músicos se tornassem uma lenda (algumas vivas e outras não) e talvez esse fenômeno esteja ligado diretamente à época em que surgiram, pós Segunda Grande Guerra, Guerra do Vietnam, as mudanças comportamentais da que a sociedade passava, logicamente tudo isto somado a inteligência musical que tinham e que é inegável.
As músicas realmente são um fenômeno pela simplicidade com que foram criadas inicialmente, utilizando-se de temas diversos, com curta duração, mas que no inconsciente coletivo, cada uma delas virou um hino em nossas mentes e este fenômeno parece que não quer acabar, pois até as gerações mais recentes também se rendem a elas.
Com toda esta simplicidade eles não só mudaram os rumos da música nos anos sessenta, como também influenciaram as demais gerações que vieram no aspecto comportamental, na moda e logicamente a música nunca mais foi a mesma com o surgimento deles e talvez pelo fim prematuro, o que abriu as portas dos anos setenta para a proliferação de vertentes musicais de toda a sorte e bandas de rock que até hoje habitam nossas mentes.
A separação deles é algo muito traumático até hoje, entretanto não podemos negar que com a separação, ganhamos quatro gênios musicais que isoladamente a sua maneira nos proporcionaram uma overdose musical sem precedentes na história da música contemporânea, pois será que com eles juntos, teríamos por exemplo, um momento tão mágico como foi o “The Concert For Bangladesh” de George Harrison, ou mesmo o surgimento de uma banda como foi o Wings de Paul MacCartney ou até mesmo será que teríamos tido o privilégio de escutar uma música como “Imagine” de John Lennon no auge de sua simplicidade, ou seja, o que se percebe é que de uma forma ou de outra eles mudaram o mundo.
Apenas abrindo um parêntesis, nem só de simplicidade eles viveram, pois à partir de 1967, se levarmos em conta álbuns como, “Magical Mistery Tour”, “White Album”, “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”, "Yellow Submarine" e "Abbey Road", todos muito influenciados pelo surgimento do movimento psicodélico nos final dos anos sessenta e principalmente pelo encontro que tiveram nesta época com o guru indiano, Maharishi Mahesh Yogi que os elevou a um outro plano espiritual através da meditação transcendental, contribuindo para o amadurecimento da banda.
Tem uma música em especial dos "The Beatles", chamada “Tomorrow Never Knows”, que está disponível no álbum “Revolver” de 1966, que de tanto que já foi regravada, dá até para fazer uma resenha só para ela com suas diversas versões gravadas por grandes nomes de rock como, “Jimi Hendrix”, “Collage”, “Phil Collins” (pasmem, a versão é ótima), "Tangerine Dream", “The Mission”, “Living Colour”, “Herbie Hancock” e tantos outros.
Seu conteúdo já carregava um pouco do psicodelismo que começava a surgir, conferindo-lhe uma atmosfera intrigante, envolvente e hipnótica, talvez sendo uma das músicas mais complexas e sofisticadas que eles já criaram e uma das versões que mais gosto, está no álbum, “801 live” de "Phil Manzanera", simplesmente e absolutamente fantástica.
Finalmente!!!! Demorou, mas finalmente saiu o álbum tão esperado da Anderson Ponty Band, intitulado, “Better Late Than Never” (nunca vi um título ser tão preciso quanto este) que eu já havia mencionado aqui no blog em agosto do ano passado em uma longa resenha que se comentava a reunião destes dois astros do rock.
Para quem está pegando o bonde andando e não está entendendo nada, eu estou me referindo a Jon Anderson e a Jean Luc Ponty, duas gemas preciosíssimas do universo rock que a praticamente cinquenta anos continuam a encantar com o seu talento.
Ainda não deu tempo de escutá-lo com calma, mas o que se observa em um primeiro momento, é que há poucas músicas inéditas e na sua grande maioria foram usados antigos sucessos de ambos os músicos com uma nova roupagem e no caso das músicas de Jean Luc Ponty que tiveram seus nomes alterados, se já eram muito boas na versão original, agora com o vocal de Jon Anderson, ganharam mais cem anos de vida.
Esse álbum, assim como aconteceu com último álbum do Pink Floyd, “The Endless River” foi criado a partir de temas já conhecidos e consagrados dos dois artistas, o que de forma alguma é um problema, muito ao contrário, pois as músicas que não tinham voz criadas por Jean Luc Ponty, ganharam a alma de Jon Anderson.
Por outro lado, as músicas de Jon Anderson, ganharam um elemento que nunca tiveram, o mágico violino de Jean Luc Ponty, um mago insubstituível em seu instrumento, portanto ganham todos, principalmente nós, o destino final desta loucura toda, que por conta destes dois gênios, poderemos nos deliciar com este novo trabalho.
Vale ressaltar a força de vontade que tanto Jon como Jean tiveram em produzir um álbum depois dos setenta anos, pois realmente não é fácil, levando se em conta que depende de muita dedicação, criatividade e até uma certa dose de coragem, pois como as músicas são em sua maioria releituras e acréscimos sobre temas conhecidos, o balanço das críticas positivas e negativas, possa ser um incomodo.
Entretanto eu não acredito que isto possa acontecer, pois como são duas figurinhas extremamente queridas no meio artístico e principalmente por seus fãs que não são poucos acrescidos do talento nato que tem, mensurados em nível estratosférico, acho muito pouco provável que possam ter este trabalho crucificado por conta da falta de um álbum conceitual inédito.
Particularmente eu prefiro escutar este tipo de álbum do que escutar uma nova criação que geralmente soa inconsistente, fora de seu tempo, com vícios que se no passado eram a tônica, o máximo, hoje causam certo desconforto, pois a comparação é inevitável e muitas vezes nesta hora, somos cruéis e implacáveis com nossos ídolos, o que não é muito legal de nossa parte, mas infelizmente acontece.
Por fim, a única coisa que posso afirmar a respeito deste álbum neste momento, é que ele é extremamente agradável de se escutar, da primeira à última faixa, talvez até pelo vínculo muito íntimo que temos com seus criadores e suas músicas que são de conhecimento popular, portanto fica o convite feito a escutarem este belo álbum que tem tudo para agradar a todas as tribos espalhadas pelo globo terrestre.
ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!
Anderson Ponty Band: Jon Anderson - vocals, guitar Jean-Luc Ponty - violin Rayford Griffin - drums, Jamie Glaser - guitar, Wally Minko - keyboards Baron Browne - bass
Tracks:
01. Intro
02. One In The Rhythm Of Hope 03. A For Aria 04. Owner Of A Lonely Heart 05. Listening With Me 06. Time And A Word 07. Infinite Mirage 08. Soul Eternal 09. Wonderous Stories 10. And You And I 11. Renaissance Of The Sun 12. Roundabout 13. I See You Messenger 14. New New World
Após "The Sentinel", o primeiro álbum de estúdio do PALLAS em uma grande gravadora e um álbum clássico no gênero Neo-Progressivo, gravar um novo disco deve ter sido uma tarefa bastante difícil. Infelizmente o PALLAS não obteve o mesmo sucesso no sucessor "The Wedge" em 1986. Agora a banda traz um som muito próximo ao AOR e Pop Rock muito distante do poderoso Neo-Prog de seu início e de "The Sentinel". A nova abordagem musical deve ter sido uma grande decepção para os fãs e pode ter sido resultado da pressão da gravadora para a banda excursionar no Pop Rock. É um álbum muito New Wave, Technopop, muito na linha de bandas como DURAN DURAN, DEPECHE MODE e outras nessa linha, etc. Isso significa muita bateria eletrônica, banhos de teclados e produção cafona. Não é de admirar que a banda tenha implodido logo após o lançamento.
A faixa de abertura, "Dance through the fire é bem na linha AOR. "Win or Lose", é pouco mais que uma simples balada, com alguma emoção, ainda permitindo que Reed demonstre sua habilidade vocal. "The Executioner" tenta ser Prog, cabendo várias mudanças de tempo e intervalos instrumentais em seus 5 minutos, mas a música em si não é forte o suficiente. "A Million Miles Away (Imagination)" é uma faixa AOR completa, como JOURNEY ou STYX. A faixa é quase salva por um solo de sintetizador. "Rat Racing" finalmente encontra a banda no modo Full Prog. Ela apresenta alguns trabalhos de guitarra inspirados, teclados adoráveis e ótimos vocais. A faixa final do álbum original, "Just a Memory" também é uma bela peça melódica, no entanto é mais do mesmo e o álbum poderia ter sido muito melhor. As três faixas finais do CD foram originalmente lançadas no EP "Knightmoves". "Stranger" é mais uma faixa básica de Pop Rock AOR, talvez com um pouco do início da ASIA. "Sanctuary" mais uma vez tem um bom trabalho de guitarra e, na verdade, é uma faixa muito boa para ficar escondida por tanto tempo em um EP. "Nightmare" não apresenta nada além de um sintetizador gritante!
Em suma, um disco muito abaixo do que o PALLAS poderia proporcionar, infelizmente se distanciando dos grandes grupos Neo-Prog contemporâneos.
Tracks:
1. Dance Through the Fire (4:48)
2. Throwing Stones at the Wind (5:15)
3. Win or Lose (4:37)
4. The Executioner (Bernie Goetz a Gun) (5:38)
5. A Million Miles Away (Imagination) (4:40)
6. Rat Racing (8:00) ◇
7. Just a Memory (5:30)
Time: 38:28
Bonus tracks on CD releases (from the 1985 EP "The Knightmoves"):
Em 1986, o OUTER LIMITS lançou pela Made in Japan Records o seu segundo álbum intitulado "A Boy Playing the Magical Bugle Horn". Tsukamoto, Takashi Kawaguchi e Takashi Aramaki eram os membros regulares da banda, embora o álbum tenha participações de Tadashi Sugimoto no contrabaixo mais uma pronunciada seção de cordas com Masako Hara, Yuko Sato e Yumiko Koakutu convidados nos violinos e violoncelo e mais três convidados, que contribuíram com backing vocals.
Uma seção de cordas mais dominante, a presença pesada de sintetizadores crescentes e a exibição de um conceito por meio de vocais e narrações regulares ou distorcidos mostram uma mudança da banda do estilo muito etéreo de sua estréia para um som mais sombrio e misterioso com muita influência de KING CRIMSON e da banda UK, embora toques de THE ENID e GENESIS ainda sejam aparentes. As paisagens sonoras românticas e as texturas sinfônicas agora são parcialmente substituídas por arranjos de violino sombrios com uma sensação de música de câmara e uma presença de guitarra mais complexa com tons de Robert Fripp e de bandas que poderiam realmente combinar melodias sinfônicas com poder técnico e valores atmosféricos sinistros. O OUTER LIMITS substituiu seu som sinfônico anterior e um som grandioso por ideias mais sombrias e bombásticas. Alguns momentos são excelentes, mas como um todo esse esforço soa um pouco inconsistente.
Aqui há ainda um valioso trabalho de Prog dos anos 80, extremamente complexo e instrumentalmente desafiador com um forte gosto teatral. Indicado para fãs de UK, GENESIS e KING CRIMSON. Calorosamente recomendado.
A banda russa HORIZONT foi criada em Gorky (Nizhny Novogrod)) em meados da década de 70. Tudo começou como uma banda escolar que tocava apenas Rock puro, até que passaram para a música clássica barroca e no final dos anos 70, estavam incursionando pelo estilo RIO. Seu primeiro álbum, "Summer in Town", é uma pequena jóia do Rock sinfônico dos anos 70 com um forte toque clássico (Prokofiev). Possui tapetes de teclados, vozes atmosféricas (sem vocais), melodias harmônicas, guitarras suaves à la Steve Hackett, passagens inquietantes tipo ELP mais mellotrons e flauta em abundância.
Aqui temos um ótimo trabalho, um prazer grande na audição se você gosta de Rock com influências de Música Clássica e sintetizador. Outros mencionam "conjunto instrumental de câmara" e, de fato, essa é a impressão que se tem ao ouvir essa banda. E pode se supor que os membros da banda estudaram Música Clássica formalmente.
O disco abre com "Snowballs", que lembra muito o YES. É uma faixa alegre e com um som muito clássico. "Chaconne" também lembra YES, embora menos do que "Snowballs". É uma peça mais lenta, ainda agradável, construída lenta e sombriamente; depois uma guitarra mais leve entra melodiosamente como se o sol tivesse rompido as nuvens, amparada por um teclado repetitivo e uma linha de baixo. "Summer In Town", a faixa-título se assemelha a um distante ELP, provavelmente devido às várias partes de sintetizador, às vezes soando muito fortes (som do sintetizador analógico reverberante!). Parte da faixa se arrasta um pouco. Ao contrário das outras duas faixas, "Summer in Town" tem um final muito insípido. Embora se mencione o YES algumas vezes acima, a banda não é uma imitadora desta: eles têm um som muito próprio.
Em resumo "Summer in Town" não é uma obra-prima, mas é muito agradável de ouvir e, a julgar pelas breves vocalizações na última faixa, a banda gostou de fazê-la. Definitivamente vale a pena adquiri-lo, principalmente se você gosta de Prog sinfônico com longo instrumental e com influência clássica, provavelmente não desapontará.
O Gong teve seu início quando o saudoso Daevid Allen se mudou de Paris para a Inglaterra em 1961 onde alugou um quarto em uma pequena aldeia nas proximidades de Kent e conheceu lá o filho do proprietário da casa, nada menos que Robert Wyatt, na época com apenas 16 anos. Formaram então o Daevid Allen Trio que, mais tarde se juntaria aos remanescentes do Wilde Flowers (leia-se Kevin Ayers e Wyatt) e formariam o embrião do Soft Machine.
Após uma tour pela Europa, Allen tem problemas com seu visto e é impedido de entrar novamente na Inglaterra tendo assim que retornar a Paris.
Chegando lá conheceu sua eterna musa e parceira Gilli Smyth, os dois formaram a primeira encarnação do Gong, que se desmanchou durante a Revolução Estudantil de 1968, quando Allen e Smyth foram obrigados a ir para Majorca, na Espanha. Lá eles conheceram o saxofonista Didier Malherbe, que morava em uma caverna na aldeia de Deya.
Durante esse período o cineasta Jerome La Perrousaz os convidou para voltar à França para gravar trilhas sonoras para seus filmes. Eles também conseguiram um contrato com a gravadora independente BYG, gravando os discos 'Magick Brother, Mystic Sister' e 'Bananmoon', este último um trabalho solo de Allen.
Em 1971, a banda decola com o lançamento do 'Camembert Electrique' que foi o primeiro álbum a retratar a mística história do personagem central, Zero The Hero incluindo os Pot Head Pixies do Planeta Gong e o Radio Gnome Invisible.
Entre os anos de 73 e 74 lançaram a trilogia Radio Gnome Invisible (Flying Teapot, Angels Egg, You) onde se continuava a saga de Zero The Hero. Todos os personagens,lugares e situações foram criados por Allen e Smyth durante muitas de suas viagens psicodélicas.
Vale lembrar que esses três registros contam com a ilustre participação de Steve Hillage que, em minha modesta opinião, é um dos melhores guitarristas de todos os tempos e que muito contribuiu para o bom andamento do movimento Canterbury no começo dos anos 70.
Outro nome que vale a pena ser citado é o de Tim Blake (Hawkwind), exímio tecladista que conduzia um VCS 3 como poucos, era capaz de fazer com que a timbragem desse poderoso sintetizador soasse ainda mais ácida e psicodelicamente absurda.
O Bootleg a seguir conta com uma faixa do álbum 'Camembert Electrique' e o restante das obras-primas 'Flying Teapot' e 'Angel´s Egg', que viria a se tornar uma trilogia com o lançamento de 'You' em outubro de 1974.
O destaque desse registro gravado em 02 de Fevereiro de 1974, na cidade francesa de Brest, vai para a faixa Radio Gnome Invisible com uma versão estendida que ultrapassa seus treze minutos de pura viagem.
No livro lançado em 2009 e escrito por Allen, intitulado por 'Gong Dreaming 2: The Histories and Mysteries of Gong from 1969-1979', o autor cita que vivenciou uma memorável viagem de ácido no palco.
TRACKS:
DISCO I:
1. The Other Side Of The Sky
2. Dynamite (Bambule)
3. Castle In The Clouds
4. 6/8
5. Radio Gnome Invisible
6. Zero The Hero And The Witch's Spell (cut)
DISCO II:
1. Zero The Hero And The Witch's Spell (coda - cuts in)
“Ele foi tomado pela ansiedade, uma vontade de mudar de lugar …” A fala de Pushkin caracteriza perfeitamente a essência desta obra de Neil Campbell . O músico de Liverpool criou uma versão preliminar do álbum "The Outsider" na estrada. Praias desertas alternadas com campos densos, caminhos florestais da província inglesa - com rodovias desertas. Paisagens alinhadas em uma cadeia de impressões líricas, cuja essência Neil foi ajudado a expressar pelo livro que levou consigo. Um volume surrado do poeta, artista e pensador William Morris(1834–1896) "Notícias do nada, ou a era da tranquilidade". Uma utopia idílica (embora possa vir a ser um idílio utópico) sobre o tema da bela comunista (no sentido positivo do termo) está longe. É nesta maravilhosa Grã-Bretanha do futuro que viaja o alter ego do autor. Conhecendo compatriotas de um novo tipo, ele conduz conversas sobre temas de filosofia social, estética, psicologia, economia, ética, etc. Claro, em nossa sociedade urbana e muito cínica, é difícil imaginar tal coisa. Mas foram justamente essas cenas de encontros-diálogos que inspiraram o compositor a criar uma suíte conceitual mágica dedicada à memória de sua mãe, Patricia Ann Campbell.. A maioria das partes instrumentais do maestro (guitarras, baixo, cravo, harmônio, sintetizador, glockenspiel, percussão) foram executadas pessoalmente. O engenheiro de som John Lawton o ajudou ativamente na programação da bateria , o progressor Lawrence Cochiara habilmente descartou os violinos e Helen Maer percebeu a linha do acordeão em um dos episódios .
A brilhante introdução "A Morning Bath (incl. The Bridge)" nos mergulha em uma profusão de cores. A comoção orquestral-acústica é repentinamente interrompida por uma sutil elegia clássica, após a qual retorna à sua essência carnavalesca. Tetraptich "A Market by the Way" é marcado por um jogo verdadeiramente virtuoso e ao mesmo tempo emocional. Primeiro, Neil, na companhia de um ardente violinista italiano, diverte-se com figuras neobarrocas. Então ambos criam um romance de estudo sentimental de extraordinária beleza. A terceira imagem da série praticamente copia "A Market by the Way (Parte 1)". A passagem melancólica comovente com um pouco de impressionismo sonoro fecha a linha. No esboço pastoral "The Kensington Wood", a contemplação pura é desencadeada pela consideração. O que é compreensível, afinal, mesmo os esboços mais agradáveis \u200b\u200bdo talentoso mestre Campbell estão repletos de conteúdo ideológico. Assim, as manobras ágeis de "Children in the Road" não negam o drama, e por trás do espetacular jogo de cordas de "Mulleygrubs" adivinham-se enfileirados secretos de significado. O número sonhador "Clara" é complementado pelo esquema duplo "Sobre o amor (incl. Perguntas e respostas)", onde um amor silencioso e reverente coexiste com um motivo francês quebrado. A antiquada rigidez da alta sociedade do mural "Dinner in the Hall of the Bloomsbury Market" sucumbe ao esnobe sintetizador "How the Change Came"; as ondulações ensolaradas dos acordes em "Haymaking" resumem a serenidade de um alegre dia de verão. Para resumir: um ato artístico chique que combina discrição estrita e arte cativante em um sistema narrativo harmonioso. Altamente recomendado.