domingo, 9 de julho de 2023

BIOGRAFIA DE Morrissey

 

Morrissey

Steven Patrick Morrissey (Davyhulme, 22 de maio de 1959), conhecido mononimamente como Morrissey, é um cantor, compositor e autor britânico. Ganhou proeminência como letrista e vocalista da banda The Smiths, ativa entre 1982 e 1987. Desde então, empreendeu em uma bem sucedida carreira solo. A música de Morrissey é caracterizada por sua voz barítona e letras distintas com temas recorrentes de isolamento emocional, desejo sexual, humor negro e autodepreciativo e posturas antissistema.

Morrissey é filho de imigrantes irlandeses da classe trabalhadora de Davyhulme, Lancashire, Inglaterra; a família morava em Queen's Court perto do convento de Loreto em Hulme e sua mãe trabalhava próximo do Hulme Hippodrome. Eles se mudaram por causa das demolições de quase todas as casas da era vitoriana em Hulme na década de 1960, e ele cresceu nas proximidades de Stretford.[5] Na infância, desenvolveu um amor por literatura, realismo kitchen sink e música pop da década de 1960. No fim dos 1970, ele liderou a banda punk rock The Nosebleeds de pouco sucesso antes de iniciar uma carreira no jornalismo musical e escrever vários livros sobre cinema e música no começo dos anos 1980. Ele formou os Smiths junto de Johnny Marr em 1982 e o grupo logo atraiu atenção nacional com seu álbum de estreia autointitulado. Como líder da banda, Morrissey conquistou espaço com seu topete característico e letras inteligentes e sarcásticas. Evitando deliberadamente o machismo do rock, ele cultivou a imagem de estranho sexualmente ambíguo e abraçou o celibato. Os Smiths lançaram mais três álbuns—Meat Is MurderThe Queen Is Dead e Strangeways, Here We Come—e uma série de singles bem sucedidos. A banda foi aclamada criticamente e atraiu seguidores cult. Diferenças pessoais entre Morrissey e Marr resultaram na separação do grupo em 1987.

Em 1988, Morrissey estabeleceu sua carreira solo com Viva Hate. Esse e os três próximos álbuns—Kill Uncle (1991), Your Arsenal (1992) e Vauxhall and I (1994)—foram muito bem colocados na parada britânica e resultaram em vários singles de sucesso. Ele se associou a Alain Whyte e Boz Boorer como co-compositores para substituir Marr. Durante esse tempo, sua imagem começou a mudar para a de uma figura corpulenta que brincava com imagens patrióticas e a masculinidade da classe trabalhadora. Na metade final dos anos 1990, os álbuns Southpaw Grammar (1995) e Maladjusted (1997) também chegaram às paradas, mas não foram tão bem recebidos como os anteriores. Após se mudar para Los Angeles, ele iniciou um hiato entre 1998 e 2003 antes de lançar um bem sucedido álbum de retorno, You Are the Quarry, de 2004. Os anos seguintes viram o lançamento de álbuns como Ringleader of the Tormentors (2006), Years of Refusal (2009), World Peace Is None of Your Business (2014), Low in High School (2017), California Son (2019) e I Am Not a Dog on a Chain (2020), além de sua autobiografa e seu primeiro romance, List of the Lost (2015).

Altamente influente, Morrissey foi creditado como uma figura seminal no surgimento do indie popindie rock e Britpop. Em uma votação de 2006 para o Culture Show da BBC, Morrissey foi eleito o segundo maior ícone cultural britânico vivo.[6] Sua obra tem sido objeto de estudo acadêmico.[7][8] Tem sido uma figura controversa ao longo de sua carreira devido às suas opiniões diretas e natureza franca, endossando vegetarianismo e direitos dos animais e criticando a realeza e políticos proeminentes. Ele também apoiou o ativismo de extrema-direita em relação à herança britânica e defendeu uma visão particular de identidade nacional enquanto criticava os efeitos da imigração no Reino Unido.[9]

Primeiros anos

Infância: 1959–1976

Eu me perdi em meio à música desde muito cedo, e lá permaneci . . . Me apaixonei pelas vozes que ouvi, sejam elas masculinas ou femininas. Eu amava aquelas pessoas. Eu realmente, realmente amava aquelas pessoas. Por essa contribuição, dei a elas minha vida . . . minha juventude. Além do perímetro da música pop houve uma queda no fim do mundo.

— Morrissey, 1991.[10]

Steven Patrick Morrissey nasceu em 22 de maio de 1959[11] no Hospital Park em Davyhulme, Lancashire.[12] Seus pais, Elizabeth Dwyer e Peter Morrissey,[12] eram católicos irlandeses[13] que haviam imigrado de Dublin para Manchester com sua única irmã, Jacqueline, um ano antes de seu nascimento.[12] Morrissey afirma que foi nomeado em homenagem ao ator estadunidense Steve Cochran,[14] apesar de provavelmente ser em referência a um tio paterno que morrera na infância, Patrick Steven Morrissey.[15] A primeira casa em que morou foi uma council house na rua Harper, 17 em Hulme, interior de Manchester, até sua demolição.[16][17][5] Vivendo naquela área durante a infância, ele foi altamente afetado pelos assassinatos de Moors, em que várias crianças locais foram mortas; os crimes deixaram uma profunda marca nele e serviram de inspiração para a canção "Suffer Little Children".[18] Também teve contato com o sentimento anti-irlandês na sociedade inglesa contra os imigrantes.[19] Em 1970, após a renovação urbana que destruiu casas da Era Vitoriana em Hulme, a família se mudou para outra council house na King's Road, 384 em Stretford.[20]

Após concluir a educação primária na St Wilfred's Primary School,[20] Morrissey não logrou êxito em seu exame Eleven-Plus[21] e se transferiu para a St Mary's Secondary Modern School, uma experiência tida por ele como desagradável.[22] Se destacou em educação física,[23] porém era impopular e solitário na escola.[24] Ele foi crítico à educação formal que recebera, declarando posteriormente, "A educação que recebi foi basicamente maldosa e brutal. Tudo que aprendi foi a não ter autoestima e me sentir envergonhado sem saber por quê".[23] Deixou a escola em 1975, sem receber qualificações formais.[25] Continuou seus estudos na Stretford Technical College,[25] onde teve destaque em literatura inglesa e sociologia.[26] Em 1975, visitou uma tia que morava em Staten Island, Estados Unidos.[5] O relacionamento de seus pais estava abalado, resultando em um divórcio em dezembro de 1976, e seu pai mudou-se da casa da família.[27]

A mãe de Morrissey era bibliotecária e incentivou o interesse do filho pela leitura.[28] Ele passou a apreciar a literatura feminista,[29] além do escritor irlandês Oscar Wilde, quem passou a enxergar como um ídolo.[30] O jovem Morrissey era fã da soap opera Coronation Street, que focava na classe trabalhadora de Manchester; ele mandou propostas de roteiros e histórias para a companhia por trás da produção, a Granada Television, mas todos foram recusados.[31] Ele também era fã da peça teatral A Taste of Honey, de Shelagh Delaney, e sua adaptação cinematográfica de 1961, que era um drama focado na vida da classe operária de Salford.[32] Muitas de suas futuras canções citaram diretamente A Taste of Honey.[33]

Na juventude, Morrissey disse, "A música pop era tudo o que eu sempre tive e estava completamente entrelaçada com a imagem da estrela pop. Lembro-me de sentir que a pessoa que cantava estava realmente comigo e compreendia a mim e minha situação".[34] Mais tarde, revelou que o primeiro disco que comprou foi o single "Come and Stay With Me" de Marianne Faithfull, de 1965.[35] Tornou-se fã de glam rock na década de 1970,[36] apreciando o trabalho de artistas ingleses como T. RexDavid Bowie e Roxy Music.[37] Também era fã de artistas estadunidenses de glam rock, como SparksJobriath e New York Dolls.[38] Ele formou um fã-clube britânico para esse último, atraindo membros por meio de pequenos anúncios nas últimas páginas de revistas musicais.[39] Foi por meio do interesse do New York Dolls por cantoras pop da década de 1960 que Morrissey também desenvolveu um fascínio por tais artistas,[40] como Sandie ShawTwinkle e Dusty Springfield.[41]

Primeiras bandas e livros publicados: 1977–1981

Morrissey idolatrava o ator estadunidense James Dean e publicou um livro sobre ele

Tendo deixado a educação formal, Morrissey passou por uma série de empregos, como balconista do serviço público e depois da Receita Federal,[42] como vendedor em uma loja de discos e como porteiro de hospital, antes de abandonar o emprego e reivindicar o seguro-desemprego.[43] Ele usou muito do dinheiro desses empregos para comprar ingressos para shows, assistindo a apresentações de Talking HeadsRamones e Blondie.[44] Frequentava regularmente concertos, tendo um interesse particular pela cena musical alternativa e pós-punk.[45] Tendo conhecido o guitarrista Billy Duffy em novembro de 1977, Morrissey concordou em se tornar o vocalista de sua banda punk, The Nosebleeds.[46] Morrissey co-escreveu uma série de canções com a banda[47]—"Peppermint Heaven", "I Get Nervous" e "I Think I'm Ready for the Electric Chair"[46]—e se apresentou com eles em apoio a Jilted John e Magazine.[40] O grupo logo se desfez.[48]

Após a separação dos Nosebleeds, Morrissey seguiu Duffy para se juntar a Slaughter & the Dogs, substituindo brevemente o vocalista original Wayne Barrett. Ele gravou quatro músicas com a banda e eles fizeram um teste para uma gravadora em Londres. Depois que a audição falhou, Slaughter & the Dogs se tornou Studio Sweethearts, já sem Morrissey.[49] Ele passou a ser conhecido como uma figura secundária dentro da comunidade punk de Manchester.[50] Em 1981, ele se tornou grande amigo de Linder Sterling, a vocalista do grupo punk-jazz Ludus; suas letras e estilo de cantar o influenciaram.[51] Por intermédio de Sterling, conheceu Howard Devoto e Richard Boon.[50] Na época, o melhor amigo de Morrissey era James Maker; ele visitava Maker em Londres ou eles se encontravam em Manchester, onde visitavam os bares e clubes LGBT da cidade, certa vez tendo que escapar de uma gangue de agressores de homossexuais.[52]

Querendo se tornar um escritor profissional,[53] Morrissey considerou uma carreira no jornalismo musical. Ele frequentemente escrevia cartas para a imprensa musical e acabou sendo contratado pela revista Record Mirror.[45] Escreveu vários livros curtos para a editora local Babylon Books: em 1981, lançou um livreto de 24 páginas que havia escrito sobre o New York Dolls, que vendeu três mil cópias.[54] Esse foi seguido por James Dean is Not Dead, sobre o astro do cinema estadunidense James Dean.[45] Morrissey desenvolveu um amor por Dean e cobriu seu quarto com fotos da estrela.[55]

The Smiths

Ver artigo principal: The Smiths

Formação: 1982–1984

Em agosto de 1978, Morrissey foi brevemente apresentado a Johnny Marr, então com 14 anos, por conhecidos em comum numa apresentação de Patti Smith realizada no Apollo Theatre em Manchester.[47] Alguns anos depois, em maio de 1982, Marr apareceu na porta da casa de Morrissey para perguntar se ele estava interessado em fundar uma banda.[56] Marr ficou impressionado com o fato de Morrissey ter escrito um livro sobre o New York Dolls,[57] e foi inspirado a aparecer em sua porta seguindo o exemplo de Jerry Leiber, que formou sua parceria com Mike Stoller depois de fazer o mesmo.[58] De acordo com Morrissey: "Nós nos demos muito bem. Tínhamos uma conduta similar".[59] No dia seguinte, ele ligou para Johnny para confirmar que estava interessado na proposta.[60] Steve Pomfret–que serviu como primeiro baixista–logo abandonou o grupo, sendo substituído por Dale Hibbert.[61] Nesse período de formação, Morrissey decidiu que seria conhecido publicamente apenas por seu sobrenome,[62] com Marr referindo-se a ele como "Mozzer" ou "Moz".[63] Em 1983, proibiu as pessoas ao seu redor de usar o nome "Steven", que ele detestava.[63] Ele também foi responsável por escolher o nome "The Smiths",[64] mais tarde informando a um entrevistador que "era o nome mais comum e achei que era hora de as pessoas comuns do mundo mostrarem seus rostos".[65]

Além de comporem suas próprias canções, eles também faziam uma versão de "I Want a Boy for My Birthday", da banda The Cookies, refletindo seu desejo deliberado de transgredir as normas estabelecidas de gênero e sexualidade no rock, inspirados pelos New York Dolls.[66] Em agosto de 1982, gravaram sua primeira demo no Decibel Studios,[67] e Morrissey a ofereceu a Factory Records, mas eles não se interessaram.[68] No verão de 1982, Mike Joyce foi escolhido baterista após uma audição.[69] Em outubro de 1982, fizeram sua primeira aparição pública, em apoio a Blue Rondo à la Turk no The Ritz.[70] Hibbert, entretanto, estava insatisfeito com o que considerava a estética gay da banda; por sua vez, Morrissey e Marr estavam insatisfeitos com seu estilo de tocar baixo, então ele foi removido da banda e substituído por Andy Rourke, amigo de escola de Johnny.[71]

Uma típica camisa usada por Morrissey no palco na década de 1980, em exibição no Hard Rock Cafe de Barcelona

Após a grande editora EMI os recusar,[72] Morrissey e Marr visitaram Londres para entregar uma fita cassete de suas gravações a Geoff Travis da gravadora independente Rough Trade Records.[73] Embora não tenha assinado um contrato imediatamente, ele concordou em lançar a canção "Hand in Glove" como single.[74] Morrissey escolheu um design de capa homoerótico na forma de uma fotografia de Jim French.[75] A banda logo gerou polêmica quando Garry Bushell, do tabloide The Sun, alegou que o lado B "Handsome Devil" fazia apologia à pedofilia.[76] Eles negaram, com Morrissey afirmando que a música "não tem nada a ver com crianças e certamente nada a ver com abuso sexual infantil".[77] Na sequência do single, a banda realizou seu primeiro show significativo em Londres, ganhou airplay nas rádios com uma sessão no programa de John Peel e obteve suas primeiras entrevistas nas revistas musicais NME e Sounds.[78]

Os singles seguintes, "This Charming Man" e "What Difference Does It Make?", se saíram melhor ao alcançarem os números 25 e 12, respectivamente, na parada de singles do Reino Unido.[79] Auxiliados por elogios da imprensa musical e uma série de sessões de estúdio para Peel e David Jensen na BBC Radio 1, os Smiths começaram a adquirir uma base de fãs dedicada. Em fevereiro de 1984 eles lançaram seu álbum de estreia autointitulado, que alcançou o número 2 na parada de álbuns britânica.[79]

Como vocalista dos Smiths, Morrissey—descrito como "esguio, de fala mansa, enfeitado e de óculos"[80]—subverteu muitas das normas associadas à música pop e rock.[81] A simplicidade estética da banda foi uma reação ao excesso personificado pelos New Romantics ("novos românticos"),[82] e, enquanto Morrissey adotou uma aparência andrógina como os New Romantics ou os roqueiros glam anteriores, a dele era muito mais sutil e discreta.[83] De acordo com um comentarista, "ele era estudioso; usava óculos dados pelo NHS e aparelho auditivo no palco; era celibatário. Pior de tudo, ele era sincero", com sua música sendo "tão inebriantemente melancólica, tão perigosamente pensativa, tão sedutoramente engraçada que atraía seus ouvintes... para um relacionamento com ele e sua música em vez do mundo".[84] Em um trabalho acadêmico sobre a banda, Julian Stringer caracterizou os Smiths como "um dos grupos mais abertamente políticos do Reino Unido",[85] enquanto em um estudo sobre a obra deles, Andrew Warns os chamou de "a mais anticapitalista das bandas".[86] Morrissey foi particularmente duro em suas críticas a então primeira-ministra Margaret Thatcher; após o atentado no Grand Brighton Hotel em 1984, ele comentou que "a única tristeza" foi "que Thatcher escapou ilesa".[87] Em 1988, ele afirmou que a Seção 28, legislação anti-LGBT aprovada em seu governo, "incorpora a própria natureza de Thatcher e seu ódio bastante natural".[87]

Ascenção e queda: 1984–1987

Os Smiths trouxeram realismo ao seu romance e moderaram sua angústia com os toques mais leves. Os tempos foram personificados em seu líder: rejeitando todas as máculas do machismo do rock and roll, ele aproveitou a estranheza social do desajustado e do forasteiro, seus vocais suavemente assombrosos subindo repentinamente em um falsete, vestido com camisas femininas grandes, ostentando óculos do National Health ou um enorme aparelho auditivo estilo Johnnie Ray. Esse jovem encantador era, no vernáculo da época, a própria antítese de um "rockista"—sempre conscientemente mais próximo do gentil irônico Alan Bennett, ou do autodestruidor diarista Kenneth Williams, do que de um licencioso Mick Jagger ou drogado Jim Morrison.

— Paul A. Woods, 2007.[88]

Em 1984, a banda lançou dois singles sem álbum: "Heaven Knows I'm Miserable Now" (o primeiro top 10 no Reino Unido) e "William, It Was Really Nothing". O ano foi encerrado com o lançamento da coletânea Hatful of Hollow. Ela reuniu singleslados B e as versões que haviam sido gravadas ao longo do ano anterior para os programas de Peel e Jensen. No começo de 1985, lançaram seu segundo álbum, Meat Is Murder, que fora o único a liderar as paradas de seu país natal. O single de "Shakespeare's Sister" chegou à 26ª posição na parada, apesar de o único single de promoção do álbum, "That Joke Isn't Funny Anymore", ter sido menos sucedido, mal entrando no top 50.[79] "How Soon Is Now?" foi originalmente o lado B de "William, It Was Really Nothing" e estava entre as faixas de Hatful of Hollow e nas edições estadunidense, canadense, australiana e da Warner britânica de Meat Is Murder.[89] Lançado tardiamente como single no Reino Unido em 1985, "How Soon Is Now?" alcançou a posição 24 na parada.

Durante 1985, a banda empreendeu longas turnês pelo Reino Unido e Estados Unidos enquanto gravava o próximo disco de estúdio, The Queen Is Dead. Foi lançado em junho de 1986, logo após o single "Bigmouth Strikes Again". Ficou na segunda colocação da parada britânica.[79] No entanto, nem tudo estava bem dentro da banda. Uma disputa legal com a Rough Trade atrasou o álbum em quase sete meses (ele foi concluído em novembro de 1985), e Marr estava começando a sentir o estresse da exaustiva turnê e agenda de gravações.[90] Enquanto isso, Rourke foi expulso no início de 1986 por conta de seu vício em heroína.[91] Ele foi temporariamente substituído por Craig Gannon, mas reintegrado depois de apenas quinze dias. Gannon continuou com o grupo, passando para a guitarra rítmica. Este quinteto gravou os singles "Panic" e "Ask" (com Kirsty MacColl no vocal de apoio) que alcançaram o número 11 e 14, respectivamente, no Reino Unido,[79] e excursionou pelo país. Ao término da turnê em outubro de 1986, Gannon os deixou. Frustrados com a Rough Trade, buscaram um contrato com uma grande gravadora, assinando com a EMI, o que atraiu críticas de alguns dos fãs da banda.[90]

No início de 1987, "Shoplifters of the World Unite" foi lançado, chegando à 12ª posição no Reino Unido.[79] Seguiu-se de uma nova coletânea, The World Won't Listen, que ficou em segundo lugar[79]—e do single "Sheila Take a Bow", o segundo (e último antes do fim do grupo) top 10.[79] Apesar de seu sucesso contínuo, diferenças pessoais dentro da banda—incluindo o relacionamento cada vez mais tenso entre Morrissey e Marr—os levaram à beira da separação. Em julho de 1987, Marr deixou a banda e as audições para encontrar um substituto foram infrutíferas.

Quando o quarto álbum, Strangeways, Here We Come, foi lançado em setembro, a banda se separou. Morrissey atribuiu a separação da banda à falta de uma figura gerencial—em entrevista com o então fã adolescente Tim Samuels.[92] Strangeways chegou ao número 2 no Reino Unido, mas teve pouco impacto nos Estados Unidos,[79][93] apesar de ter feito mais sucesso nesse país do que os álbuns anteriores.

Carreira solo

Quando a banda terminou em 1987, Morrissey desenvolveu uma carreira solo bem-sucedida e é um dos poucos artistas a ter músicas no Top 10 de Vendas de Discos do Reino Unido em três décadas diferentes.

Seu primeiro disco solo, Viva Hate foi lançado em março de 1988, seis meses após a separação dos Smiths. Seu parceiro musical neste disco foi o produtor de sua ex-banda, Stephen Street, e teve a participação do guitarrista Vini Reilly, do Durutti Column. As músicas "Suedehead" e "Everyday is like Sunday" (seus dois primeiros singles na carreira solo) fizeram bastante sucesso.

Depois de alguns singles como "The Last of the Famous International Playboy", "Interesting Drug", "November Spawned a monster", Morrissey lançou sua primeira coletânea de singles e b sides, Bona Drag, em 1990.

Em 1991, com um novo parceiro, Mark E. Nevin, do Fairground Attraction, Morrissey lança Kill Uncle.

Morrissey então inicia uma parceria duradoura com os guitarristas Alain Whyte e Boz Boorer, e lançaria seus melhores trabalhos: Your Arsenal (1992), produzido pelo ex-guitarrista de David Bowie, Mick Ronson, e Vauxhall and I em 1994. Ele gravou em 1994 um single não-álbum "Interlude" com uma de suas cantoras favoritas Siouxsie Sioux de Siouxsie And The Banshees. "Interlude" foi publicado sob o banner Morrissey & Siouxsie. Em 1995 lança Southpaw Grammar e em 1997 Maladjusted.

Morrissey fica um período sem gravadora, mas continua excursionando. Em 2000 fez cinco shows no Brasil. O primeiro foi no Bar Opinião, em Porto Alegre, no dia 31 de março. Na sequência, no dia 1º de abril se apresentou no The Forum, em Curitiba. Nos dias 3 e 4 de abril Morrissey fez shows, no Olympia, em São Paulo e, finalmente, no dia seguinte, 5 de abril tocou no Rio de Janeiro, na casa de shows ATL Hall.

Em 2004 assina com a gravadora Sanctuary Records e lança You Are the Quarry, produzido por Jerry Finn, com grande sucesso de crítica e público.

Em 2006 lança Ringleader of the Tormentors, produzido por Tony Visconti, e inicia novas parcerias com o guitarrista Jesse Tobias.

Em 16 de Dezembro de 2006, no concurso televisivo inglês Britain's Greatest Living Icon, "O Maior Ícone Britânico Vivo" (numa escolha realizada por meio de votos do público em geral). Morrissey classificou-se em segundo lugar apenas atrás de Sir David Attenborough, ficando à frente de nomes importantes, como Paul McCartney, entre outros.

Em 2009, Morrissey lança mais um disco de músicas originais a que chamou de Years of Refusal.

Os concertos de Morrissey ficaram célebres devido ao número incrível de pessoas que constantemente invadiam o palco para poderem tocar no seu herói. Várias vezes os seus shows tiveram que ser interrompidos por causa da quantidade de invasores presentes no palco que tentavam agarrar o cantor.

Em 17 de outubro de 2013, a autobiografia de Morrissey, intitulado “Autobiografia”, foi publicada. O lançamento do livro causou polêmica, porque foi publicado pela editora Penguin Classics, que até então só publicava clássicos da literatura de autores consagrados. O livro entrou na lista dos mais vendidos do Reino Unido em número um, com cerca de 35.000 cópias apenas na primeira semana.

Em 10 de novembro de 2017, Los Angeles declarou a data como Morrissey Day, reconhecendo a importância do cantor que há muitos anos vive na cidade. Morrissey também inaugurou uma loja pop-up em 8250 Melrose Ave em Los Angeles para celebrar o novo álbum Low in High School entre os dias 17 e 19 de novembro deste mesmo ano. A loja contou com diversos itens como roupas, discos, canecas e com as versões coloridas do novo álbum.

Em janeiro de 2020, Morrissey anunciou o lançamento de seu 13º álbum de estúdio, intitulado I Am Not a Dog on a Chain, para 20 de março. O primeiro single, "Bobby, Don't You Think They Know?", que conta com a participação da cantora de soul Thelma Houston, foi disponibilizado em sites de streaming.[94]

Vida pessoal

Ao longo de sua carreira, Morrissey manteve uma vida pessoal intensamente privada.[95] Residente de longa data de Los Angeles, Estados Unidos, ele também tem casas na Itália, Suíça e Reino Unido.[96] Em 2017, Los Angeles declarou 10 de novembro como "Dia de Morrissey".[97] Amigos referem-se a ele como "Morrissey",[98] e ele não gosta do apelido "Moz", dizendo a um entrevistador que "soa como algo que você esguicharia no chão da cozinha".[98] Sua mãe, Elizabeth Anne Dwyer, morreu em agosto de 2020 aos 82 anos de câncer de vesícula biliar.[99]

Stringer caracterizou Morrissey como um homem com vários traços contraditórios, sendo "uma 'anti-estrela' comum da classe trabalhadora que, no entanto, adora monopolizar os holofotes, um homem bom que diz as coisas mais desagradáveis sobre outras pessoas, um homem tímido que também é um narcisista ultrajante".[85] Ele ainda sugeriu que parte do apelo de Morrissey era que ele transmitia a imagem de um "cavalheiro inglês culto (e sendo cada centímetro do 'cavalheiro' tipicamente inglês, ele é perfeitamente representativo da aversão desse tipo por hipocrisia, e sua sexualidade frágil, quase-gay)".[100] Da mesma forma, o biógrafo David Bret o descreveu como sendo "quintessencialmente inglês",[95] enquanto Simpson o chama de little englander (termo usado para se referir a nacionalistas ingleses).[101] Durante a década de 1980, o entrevistador Paul Morley afirmou que Morrissey "se propõe a ser um homem decente e consegue porque é isso que ele é".[102] Eddie Sanderson, que entrevistou Morrissey para The Mail on Sunday em 1992, disse que "por baixo de toda a embalagem de estrela do rock, Morrissey é na verdade um cara muito legal, excelente companhia, perfeitamente disposto e capaz de falar sobre qualquer assunto que alguém queira com ele".[103] Depois de fotografá-lo em 2004, Mischa Richter o descreveu como "genuinamente adorável".[104]

Morrissey é conhecido por suas críticas à imprensa musical britânica, à realeza, a políticos e a pessoas que comem carne.[105] De acordo com Bret, seus "ataques fulminantes" contra aqueles de quem ele não gosta são normalmente feitos de maneira "descontraída".[106] Ele é católico não praticante[107] e já criticou a Igreja Católica.[108] In 1991, afirmou acreditar em vida após a morte.[109] Ele é primo do futebolista irlandês Robbie Keane e comentou certa vez, "Assistir a ele em campo–andando como um leão, tão leve quanto um astronauta–é terapia pura".[110][111] Também é admirador de boxe.[112] Ele descreveu ter depressão clínica, para o qual buscou ajuda profissional.[113]

Sexualidade

Em sua autobiografia, Morrissey afirmou ter tido relacionamento com um fotógrafo, revelando sua bissexualidade.[114]

Controvérsias

Morrissey atualmente está tendo mais destaque por suas opiniões, posições políticas e declarações controversas.[115][116] Em setembro de 2010, o cantor fez uma declaração polémica no jornal britânico The Guardian, chamando os chineses de sub-espécie devido à maneira como tratam os animais, privando-os de qualquer direito ou dignidade.[117]

Critica a Família Real Britânica frequentemente, além de já ter disparado contra PJ HarveyBryan Ferry e Tony Blair.[118][119]

O músico já se envolveu em uma série de polêmicas nos últimos anos. As opiniões públicas de Morrissey o fizeram alvo de várias críticas e até boicotes ao redor do mundo.[120]

Discografia solo

Álbuns de estúdio
Colectâneas
  • Bona Drag (1990)
  • World of Morrisey (1995)
  • Suedehead: The Best of Morrissey (1997)
  • My Early Burglary Years (1998)
  • The Best of Morrissey (2001)
  • Greatest Hits (2008)
  • Swords (2009)
Ao vivo
  • Beethoven Was Deaf (1993)
  • Live at Earls Court (2005)
  • Who put the "M" in Manchester (2005) - DVD
  • Morrissey 25: Live (2013) - DVD

Review: UFO – Strangers in the Night (1979)

 


Strangers in the Night
 é um álbum ao vivo monumental. Originalmente lançado em janeiro de 1979 embalado em um encarte desenhado pelo estúdio Hipgnosis, para muitos críticos e fãs supera outros registros ao vivo icônicos da década de 1970 como o lendário Live and Dangerous do Thin Lizzy e o energético If You Want Blood You’ve Got It do AC/DC, o controverso Unleashed in the East do Judas Priest e a explosão definitiva do Kiss em Alive!.

Não há momentos fracos da gravação, que foi originalmente capturada por Ron Nevison ao longo de seis noites em outubro de 1978 no coração da América enquanto os ETs do UFO abalavam Chicago, Kenosha, Youngstown, Cleveland, Columbus e Lousiville.

O plano original previa um disco simples ao vivo, no entanto, baseado nas fortes vendas de Live and Dangerous, os chefões da gravadora Chrysalis deram a Nevison luz verde para expandir Strangers in the Night para um álbum duplo. E que sacada foi essa! Como resultado, para preencher os quatro lados inteiros do vinil, "Mother Mary" e "This Kid's" foram gravadas no estúdio Record Plant e Nevison habilmente mixou o ruído gravado da multidão do show de 13 de outubro em Chicago, no International Amphitheatrer.

O resultado mostra o UFO voando a alturas inimagináveis. O setlist se beneficia de uma riqueza de canções fortes vindas dos cinco LPs de estúdio lançados pela banda nos anos 1970 pela Chrysalis, devidamente turbinadas pela experiência das turnês passadas. A formação clássica com o vocalista Phil Mogg, o guitarrista Michael Schenker, o baixista Pete Way, o baterista Andy Parker e o tecladista Paul Raymond leva cada música a um novo nível até então inédito.

Apresentando a implacável "Let it Roll", a imponente "Love to Love", a contagiante "Natural Thing", a ricamente arranjada "Out in the Street", o rock de arena "Only You Can Rock Me", o hard clássico de "Doctor Doctor", a cativante "I'm a Loser", o violento ataque de "Lights Out", a devastadora "Rock Bottom", o hino "Too Hot to Handle" e a ação final de" Shoot Shoot", Strangers in the Night é um assalto antológico de hard rock de proporções épicas.

Infelizmente, o disco marcou o fim da linha para o temperamental Michael Schenker, quando o introvertido guitarrista alemão deixou o UFO após o lançamento do LP duplo em 1979 e embarcou em sua carreira solo, com retornos ocasionais à banda.

O melhor álbum ao vivo de todos os tempos? Não sei, mas que é um forte candidato, isso é.



Review: Scorpions – World Wide Live (1985)


Em 1978, o guitarrista Uli John Roth deixou o Scorpions porque não estava satisfeito com a direção musical da banda. Rudolf Schenker, líder do quinteto e seu parceiro nas seis cordas, queria tornar a música dos alemães mais direcionado pelos riffs e mais cativante e amigável para as rádios, mas ainda pesada e sem perder a energia que caracterizava o grupo.

Com o lançamento de Lovedrive (1979) o mundo foi apresentado a essa nova visão de Schenker e ao novo som do Scorpions, que agora contava com Mathias Jabs no lugar de Roth. Nos três álbuns seguintes - Animal Magnetism (1980), Blackout (1982) e Love at First Sting (1984) - a banda aprimorou seu novo estilo à perfeição, começou a vender mais discos e se tornou uma atração com poder para encher arenas em todo o mundo. Entre 1979 e 1984 o Scorpions teve muitos singles de sucesso como "The Zoo", "No One Like You", "Blackout" e, especialmente, canções como “Rock You Like a Hurricane”, “Big City Nights” e “Still Loving You”. O sucesso arrebatador de Love at First Sting levou os alemães ao seu pico em termos comerciais e fez os músicos perceberem que o momento era perfeito para um novo álbum ao vivo que eternizasse essa bem sucedida nova fase.

World Wide Live traz dezenove faixas gravadas em 1984 durante a turnê de Love at First Sting em shows realizados em San Diego, Paris, Colonia, Costa Mesa e Los Angeles. As melhores versões foram escolhidas e tudo foi editado para que soasse como um concerto único. O álbum duplo é totalmente focado nas músicas gravadas pela banda entre 1979 e 1984 e não traz nenhuma faixa da época com Uli Jon Roth. Isso tornou o disco ainda mais interessante para os fãs, já que não há nenhuma canção aqui que tivesse sido registrada no ao vivo anterior da banda, o antológico Tokyo Tapes (1978) – esse sim, totalmente focado no período com Uli.

World Wide Live é um ao vivo essencial dos anos 1980 e mostra porque o Scorpions foi uma das bandas mais importantes daquela década. Os músicos estavam realmente no auge de seus poderes e apresentam performances enérgicas de seus hits. Klaus Meine canta bem em todo o álbum e a dupla Mathias Jabs e Rudolf Schenker consegue recriar o som de guitarra único presente nas gravações de estúdio. Todas as versões presentes no disco são muito boas, com destaque para a abertura “Coming Home”, a instrumental “Coast to Coast”, a acústica “Holiday”, a bela “Still Loving You”, a energética “Dynamite” e os riffs monstruosos “Rock You Like a Hurricane” e “The Zoo”.

Essencial!

  




Nita Strauss lança o seu novo álbum ‘The Call of the Void’

 

Este é o 2° trabalho solo da guitarrista que ficou conhecida por tocar na banda de Alice Cooper Demi Lovato, Femme Fatale e The Iron Maidens

A guitarrista Nita Strauss lançou ontem, via Sumerian Records, o seu 2º full-lenght, intitulado “The Call of the Void”, que ao contrário de seu 1º disco, desta vez o trabalho conta com vocalistas convidados, não sendo puramente instrumental.

Sobre o título do trabalho, ela mesma explicou em nota. 

Você já esteve no topo de um prédio alto e teve um pensamento fugaz: ‘… eu poderia pular agora?’ Esse sentimento às vezes é chamado de ‘O Chamado do Vazio’, também conhecido como ‘fenômeno do lugar alto’. Não é um impulso suicida, mas exatamente o oposto, uma decisão subconsciente de viver sua vida, dar um passo para trás e assumir o controle. Como a pesquisadora April Smith disse apropriadamente: ‘Um desejo de pular afirma o desejo de viver.’

 


Tracklist:

  • 01. Summer Storm
  • 02. The Wolf You Feed (feat. Alissa White-Gluz)
  • 03. Digital Bullets (feat. Chris Motionless)
  • 04. Through The Noise (feat. Lzzy Hale)
  • 05. Consume The Fire
  • 06. Dead Inside (feat. David Draiman)
  • 07. Victorious (feat. Dorothy)
  • 08. Scorched
  • 09. Momentum
  • 10. The Golden Trail (feat. Anders Fridén)
  • 11. Winner Takes All (feat. Alice Cooper)
  • 12. Monster (feat. Lilith Czar)
  • 13. Kintsugi
  • 14. Surfacing (feat. Marty Friedman).

The Beach Boys – Surfin’ U.S.A. (1963)

 


Querem evocar a candura do início dos anos 60? Nada melhor do que o veraneante Surfin’ U.S.A..

“Ah e tal, os Beach Boys do início são incipientes, só o vetusto Pet Sounds interessa.” Balelas! A primeira fase da banda é uma delícia, e o segundo álbum, Surfin’ in U.S.A., é o que mais transborda de Verão e vitalidade adolescente.

Nesta altura do campeonato, não havia ainda a dicotomia entre som em estúdio e som ao vivo, que seria a norma mais tarde: eram uma e a mesma banda, sem truques nem músicos de sessão, e essa espontaneidade rock’n’roll sente-se a cada instante.

Surfin’ U.S.A. é, acima de tudo, um disco de guitarradas. Cinco dos temas nem sequer têm qualquer voz, uma homenagem ao surf rock instrumental de Dick Dale e suas guitarras aquáticas. Até a rebentação de “Misirlou” é aqui revisitada, como quem adivinha que três décadas depois haveria o estrondo de Pulp Fiction.

Nos outros temas, os Beach Boys expandem o léxico da surf music com as suas doces harmonias vocais. Onde as guitarras trémulas e húmidas de reverb convocam as ondas do mar, as suas vozes entrelaçadas são macias como a areia da praia.

Os rapazes do surf music foram, são, e serão um marco na História da música.

O disco abre com o hino “Surfin’ U.S.A.”, tão maravilhosamente soalheiro que lhe perdoamos o plágio descarado a “Sweet Little Sixteen”. O solo de guitarra é de uma economia encantadora, apenas meia dúzia de salpicos de mar refrescando-nos a cara. Foi esta canção que pôs o país inteiro a sonhar com pranchas de surf, mesmo que o mar mais próximo estivesse a milhares de quilómetros de distância. O surf da Califórnia não como coisa tangível mas como uma utopia de sol de plasticina.

“Lonely Sea” é a carta fora do baralho, uma balada melancólica linda de morrer, criminosamente excluída de todos os best of da banda. Quando o falsete dolente de Brian Wilson desemboca nas outras vozes, tudo conjugado numa harmonia perfeita, parece que morremos e que a nossa alma ascende aos céus. Um tema que aparece do nada, prenunciando o génio introspectivo de Pet Sounds.

Surfin’ U.S.A. extravasa a tórrida Califónia e conquista o país, subindo ao segundo lugar da tabela de vendas. A banda-sonora perfeita para a inocência e optimismo que pairava no ar, quando Kennedy ainda estava vivo, e a horda de bárbaros ingleses ainda não tinha tomado a América de assalto. Foi breve a estadia no jardim do Éden mas se fecharmos os olhos, e pusermos o disco a rodar, parece que nunca saímos de lá…





Nas – Illmatic (1994)

 

Se Um Homem na Cidade de Carlos do Carmo é o disco que melhor canta Lisboa e o Mutantes S.21 é um disco que pinta um fresco bastante aproximado da realidade de uma Europa suburbana, Illmatic, a obra-prima de Nas e do hip-hop nova-iorquino, é a crónica mais certeira de Nova Iorque suburbana pré-pós-moderna, antes de milhares de filmes e séries a terem transformado em zona não só habitável, mas até mesmo turisticamente atractiva.

Muitos anos antes das empresas de tecnologia ou do beef com Jay Z, Nasty Nas era um miúdo que andava pelos clubes de Nova Iorque a rapar e a impressionar a comunidade mais underground, recebendo mesmo comparações com o génio da métrica Rakim. Mas tudo mudou quando, a 23 de Maio de 1992 o seu parceiro nos pratos, o DJ Willy “Ill Will” Graham foi baleado. Não aplaudindo a morte de um jovem, a verdade é que não fosse este acontecimento e Nas poderia nunca ter conhecido DJ Premier, o homem que viria a ajudá-lo a conseguir a sonoridade crua de Illmatic. E é logo na crueza alicerçada de “N.Y. State of Mind” que testemunhamos a importância desta aliança.

“N.Y. State of Mind” é uma sequência onírica que nos leva, através de um beat repetitivo e viciante, à vida de um gangster que foge dos seus inimigos depois da pistola que carrega ter encravado. A quantidade de rimas por estrofe é absurda, mostrando Nas a razão para ser, a par de Rakim, um dos rappers com a melhor lírica do hip-hop. Mas não é só a lírica que seduz. O flow em stacatto, a atitude na entrega e, acima de tudo, aquela frase certeira que nos faz expirar de alívio por não a conseguirmos sentir na pele: “I never sleep, ‘cause sleep is the cousin of deaht”. A vida de gangster que Nas adoptara antes de se tornar rapper não permitia que pudesse dormir descansado, por medo de retaliações dos seus inimigos. 26 anos depois, pessoas com a mesma tez da do rapper têm de temer a polícia ou tipos que curtem mascarar-se de fantasmas. É que um encontro com estes pode significar o fim da linha.

Já na terceira canção do disco, “Life’s a Bitch”, o beat é muito menos asfixiante do que o primeiro, até porque na verdade é uma canção de vitória: Nas tinha conseguido chegar aos 20 anos. Esse sentimento de triunfo que pode parecer ter uma fasquia tremendamente baixa é sublinhado por um dos refrões mais reconhecíveis de todo o hip-hop: ““Life’s a bitch and then you die, that’s why we get high / ’cause you never know when you’re gonna go”.

A capa do disco, na qual aparece um jovem Nasir Jones já com o cenho cerrado, como se aos sete anos a vida lhe tivesse dado a provar todas as amarguras que não desejamos para os que amamos, era já um prenúncio do que iríamos encontrar neste conjunto de canções. Amigos que são assassinados por minudências (“my man was shot for a sheep coat”), a grande praga de crack que assolou Nova Iorque (“I lay puzzled as I backtrack to earlier times”) ou o medo da a morte estar sempre a espreitar ao virar da esquina (“Straight up, shit is real/ And any day could be your last in the jungle”).

Nas surge no hip-hop tarde o suficiente para se pôr em cima dos ombros de gigantes. Run-DMC, Public Enemy, N.W.A., Wu-Tang Clan ou Erik B. & Rakim tinham já desbravado o caminho para Illmatic se tornar uma das maiores jóias do hip-hop norte-americano. Nas apenas o levou mais longe, contribuindo com mais uns metros de altura que foram escalados pelos Notorious B.I.G., por Mos Def ou Kendrick Lamar.

E os ombros de Nas são largos o suficiente para aguentar o peso. Até porque sabemos que quando canta “The World Is Yours”, está na verdade a dar espaço para partilharem do mundo que a ele lhe pertence.

Quando foi editado, Illmatic só vendeu 330 mil cópias. Mas isso não o impediu de ser um dos discos mais edificantes de todo o hip-hop. Infelizmente, é o pináculo de toda a criação de Nas que, apesar de algumas canções incríveis pelo caminho, não conseguiu nunca repetir a qualidade atingida aqui.

Apesar de toda a produção pós-1994 não ser assim tão edificante, Illmatic seria mais do que suficiente para catapultar Nas para o Olimpo de rappers. O miúdo de Queensbridge tinha algo a declarar: um amor pelo rap, por ténis, por miúdas, mas também algo a relatar: a vida dura que tanto ele como os seus amigos viveram e os sonhos que acalentavam.



David Bruno – Raiashopping (2020)


Após a experiência que foi O Último Tango em Mafamude (2018), em Miramar Confidencial (2019), David Bruno encontrou o seu espaço como autor. Agora, em Raiashopping, expande e constrói sobre as suas memórias de infância.

Este é mais um vídeo-álbum, ou como quem diz, um disco em que cada canção foi criada com um vídeo a acompanhar. É o terceiro lançamento em três anos e conta com o já habitual Marco Duarte nas guitarras melosas, mas este é um disco pessoal, assume o artista. Todas as canções se relacionam com passar a infância na raia.

Este é o nome comumente dado à fronteira luso-espanhola e onde um jovem David passou muitas férias na terra dos seus avós. Mais uma vez o autor faz uma declaração de amor a uma cultura e a um Portugal que não termina em Lisboa ou Porto. Cafés com cheirinho e pancadaria, a única discoteca na terra, emigrantes em férias e ir comprar produtos mais baratos ao outro lado da fronteira são algumas das imagens que populam o imaginário deste disco. Na “Introdução” ouvimos um poema de Miguel Torga sobre a infância – como se não fosse óbvio o tema – que nos instala confortavelmente nas memórias de um jovem David Bruno.

O disco é entre cortado com quatro “momentos”. Temas instrumentais com imagens caseiras ou retiradas de reportagens. O primeiro com imagens de um café, o segundo com baile, o terceiro com um jovem David Bruno em 1994 e o quarto uma reportagem sobre emigrantes a voltar a Portugal no verão pela fronteira de Vilar Formoso. São, como nos trabalhos anteriores, momentos em que o autor centra e mantém presente o tema sem que se perca o fio à meada ou que soem como uma quebra musical desnecessária. Já o tinha feito anteriormente com álbuns de Conjunto Corona, fazendo crer no disco como um todo, em vez de um conjunto de canções separadas.

O sampling analógico – vamos chamar-lhe assim – continua a ser uma imagem de marca nos discos de David Bruno, utilizando várias influências para criar uma atmosfera de familiaridade, como por exemplo, riffs de Guns ‘n’ Roses no “Café Central” ou a referência a Dire Straits em “Flan Chino Mandarim”. Se em Miramar Confidencial a inspiração vem de um graffiti em Vila Nova de Gaia que levou a uma narrativa de construtores patos-bravos dos anos 90, em Raiashopping as referências são mais soltas e são, como de costume, a prova de um carinho genuíno pelas terras e tradições.

David Bruno
David Bruno tem regado a música portuguesa com doses iguais de Azeite Gallo, bagaço e perfume patchouli.

O maior problema é que, embora David Bruno o assuma como o mais pessoal dos seus trabalhos a solo, este Raiashopping não se destaca grandemente do trabalho anterior. A estética a atirar para o vaporwave está lá, as letras simples e com piada também, mas desta feita já não é nada de novo ou surpreendente, com a estrutura de canções a ser um pouco previsível. Música até metade da duração da faixa, depois DB canta/declama/fala e há um solo de guitarra.

Sem dúvida uma declaração de amor à cultura e dia a dia de quem vive na fronteira, é um disco para os portugueses com família na terra, que no verão vêem os primos “avecs”, ouvem as histórias da “Avó Maria”, jogam à sueca com o primo Paulo e vão meter gasolina no país vizinho. É uma boa opção para meter no rádio do carro enquanto se faz para cima de 300km nas férias.


 

Classificação de todos os álbuns de estúdio de Jadakiss

 Jadakiss

De Yonkers, Nova York, Jason Phillips aumentou seu interesse no gênero hip-hop por meio do rap freestyle nas esquinas da cidade depois de observar como era feito por aqueles que ele assistia. Seria durante esse período que ele conheceria outros artistas de rap, Sheek Louch e Styles P. De 1994 a 2001, o trio se apresentou, gravou e fez turnês como The Lox. Então, a partir de 2001, Jadakiss se aventurou por conta própria como artista solo. Como solista, ele lançou um total de seis álbuns de estúdio, além de seis mixtapes, doze singles e onze videoclipes.

6. Ignatius


6 de março de 2020 marca a data de lançamento de (Ignatius), que é o sexto álbum de estúdio de Jadakiss. Originalmente, o álbum deveria sair uma semana antes, mas atrasou em respeito ao rapper de 20 anos, Bashar “Pop Smoke” Jackson, que acabara de ser assassinado por homens mascarados em uma casa que alugava em Hollywood Hills. em 19 de fevereiro. O álbum em si recebeu o nome de Ignatius Jackson, também conhecido como Icepick Jay. Ele foi produtor musical da Ruff Ryders Entertainment A&R, a gravadora com a qual Jadakiss trabalhou no início de sua carreira em 2001. Todo o álbum, nome, capa e música são dedicados ao seu ex-colega, mas também tem uma conexão com Pop Smoke devido a homenagem é prestada a homens que tiveram suas vidas abreviadas por motivos que desafiam a lógica.

5. Friday on Elm Street (featuring Fabolous)


Juntos, Fabolous e Jadakiss gravaram doze faixas para o que é o quinto álbum de estúdio de Jadakiss para seu crédito. Depois de 35.000 cópias vendidas, (sexta-feira na Elm Street) estreou na parada de álbuns da Billboard 200 dos EUA na décima posição. O álbum inteiro foi projetado para homenagear os personagens principais do gênero de filmes de terror, Jason da série de filmes Friday the 13th e Freddy Kruger da série de filmes Nightmare on Elms Street. Originalmente, os artistas de rap queriam intitular o álbum Freddy vs Jason, mas se depararam com questões legais que os impediram de fazê-lo. O álbum foi lançado em 24 de novembro de 2017, mas algumas músicas foram lançadas no início do ano. (Rapture) foi o primeiro, lançado em janeiro como single promocional. O primeiro single (Stand Up), que contou com a inclusão do talento rap de Future, foi lançado em 31 de outubro de

4. Top 5 Dead or Alive

 

O quinto álbum de estúdio de Jadakiss, (Top 5 Dead or Alive), foi lançado em 20 de novembro de 20215. Vendeu 60.000 cópias na primeira semana de sua data de lançamento, o que colocou o álbum em quarto lugar em sua estreia na Billboard 200 dos EUA. Foi classificado como número um na parada de álbuns Hot R&B/Hip-Hop da Billboard dos EUA. Nenhum dos singles lançados do álbum obteve sucesso nas paradas, mas recebeu críticas relativamente favoráveis ​​dos críticos musicais.

3. The Last Kiss

 

(The Last Kiss) foi lançado em 7 de agosto de 2009, como o terceiro álbum de estúdio de Jadakiss. Não era o título do álbum original que Jadakiss queria usar, mas por razões comerciais, teve que ser alterado para algo que os varejistas concordassem em vender nas prateleiras. Na Billboard 200 dos EUA, The Last Kiss estreou em terceiro lugar, vendendo 134.520 cópias na primeira semana de seu lançamento. Foi o número um na parada de álbuns de R&B/Hip-Hop da Billboard dos EUA. Havia quatro singles nas paradas que vieram com o álbum, começando com (By My Side) que apresentava Jadakiss e Ne-Yo tocando juntos. Ele alcançou a posição cinquenta e três na parada de canções de R&B/Hip-Hop da Billboard dos EUA. (Can't Stop Me) com Ayanna Irish foi o segundo hit, que alcançou a posição setenta e seis. (Carta ao BIG) com Faith Evans foi uma canção de dedicação ao falecidorapper , Notorious BIG, que alcançou a posição 25 na parada Bubbling Under R&B/Hip-Hop Songs. O single de sucesso final, (Who's Real) teve as performances combinadas de Jadakiss, Swizz Beatz e OJ da Juiceman. Ele alcançou a posição trinta e nove na parada de canções de R&B/Hip-Hop da Billboard dos EUA

2. Kiss tha Game Goodbye

 

Em 7 de agosto de 2001, Jadakiss lançou seu primeiro álbum de estúdio, (Kiss tha Game Goodbye) e estreou em quinto lugar na Billboard 200 dos EUA e em segundo lugar nas paradas de álbuns de R&B/Hip-Hop da Billboard dos EUA. Desde então, também se tornou ouro certificado pela Recording Industry Association of America. Das 500.000 vendas que o álbum fez para atingir esse patamar, mais de 204.000 cópias já foram vendidas na primeira semana de seu lançamento. O primeiro dos três singles nas paradas foi (We Gonna Make It), que foi tocado com seu ex-colega de banda Lox, Styles P. Ele alcançou a posição cinquenta e três na parada de canções de R&B/Hip-Hop da Billboard dos EUA. O segundo single foi (Knock Yourself Out), que alcançou a posição trinta e quatro na mesma parada. (Put Ya Hands Up) foi o terceiro single do álbum nas paradas, que apareceu no número oitenta.

1. Kiss of Death

 

Lançado em 22 de junho de 2004, (Kiss of Death) foi o segundo álbum de estúdio gravado e produzido por Jadakiss. Foi o álbum de maior sucesso dos seis que ele lançou, pois estreou como número um na Billboard 200 dos EUA e nas paradas de álbuns de R&B/Hip-Hop da Billboard dos EUA, vendendo mais de 246.000 cópias nos Estados Unidos durante a primeira semana. Também vendeu mais de 500.000 cópias nos Estados Unidos, o que a tornou a segunda vez que o artista de rap ganhou a certificação de ouro da Recording Industry Association of America. O álbum contou com vários artistas que gravaram com ele, mas foram os singles (Time's Up!) Com Nate Dogg, (Why) com Anthony Hamilton e (U Make Me Wanna) com Mariah Carey que apareceram nas paradas musicais. . Acabou o tempo!Gráfico de canções de R&B /Hip-Hop e número onze na Billboard Hot 100 dos EUA. U Make Me Wanna alcançou a posição vinte e um na Billboard dos EUA.



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