sábado, 15 de julho de 2023

Paêbirú: A História Do Disco Mais Caro Do Brasil, É Investigada Em Documentário

 


Inscrições rupestres misteriosas, mitos indígenas, boas doses de psicodelia, uma busca para reconstruir as obscuras origens de uma lenda da música brasileira… O roteiro tem elementos que parecem moldados para a ficção, algo como um Indiana Jones lisérgico. Mas “Nas paredes da pedra encantada”, filme de Cristiano Bastos e Leonardo Bonfim, é um documentário – um “road doc”, como define Cristiano – que investiga a história do raríssimo disco Paêbirú: Caminho Da Montanha Do Sol (1975), de Zé Ramalho e Lula Côrtes, lançado em 1975.

– Há vários motivos para se falar de Paêbirú (1975) – defende Cristiano. – É o disco mais caro do Brasil, sua última cotação está entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, o dobro do Louco Por Você (1961), o primeiro de Roberto Carlos (existe uma edição pirata, em vinil, de Paêbirú (1975), lançada na Europa, mas que não vem com o livro que acompanhava o original, trazendo estudos sobre a região e informações sobre a lenda do Caminho da Montanha do Sol). Mais que a raridade, ele é o fundador de uma psicodelia genuinamente brasileira, com elementos da cultura indígena. E sua história tem toda uma mística. Das únicas 1.300 cópias da prensagem original, 1.000 foram perdidas numa enchente em Recife. Nunca vi uma história tão fantástica como a que circunda esse álbum.

Zé Ramalho & Lula Côrtes

Jornalista, Cristiano tomou contato com a fantástica história quando fez uma reportagem para a revista “Rolling Stone” sobre o disco. Quando percebeu que sua apuração poderia render um documentário, se lançou com Leonardo Bonfim na aventura de tentar reconstituir os fatores que permitiram o surgimento do álbum. O termo “aventura” não é exagero. Cristiano morou entre Pernambuco e Paraíba por três meses, investiu dinheiro do seu bolso no filme – atualmente em fase de montagem – e penou para encontrar seus personagens. Mais que isso, quase foi preso durante as filmagens:

– Estávamos na cidade do Ingá do Bacamarte (município da Paraíba onde se localiza a Pedra do Ingá, onde estavam as inscrições que serviram de estopim para o processo criativo que gerou o disco) quando a polícia nos abordou, com vários carros e armas apontadas para nós. Estava havendo uma onda de assaltos a bancos na região, e eles, vendo aquele grupo andando de um lado para o outro e fazendo ligações, acharam que éramos ladrões. Tivemos que ser libertados pelo prefeito, que já sabia do projeto e inclusive colaborou com dinheiro para as filmagens.

Lps originais, lançados em 1975

O filme – ao qual O GLOBO teve acesso exclusivo – traz entrevistas com personagens como os músicos Lula Côrtes e Alceu Valença (que toca no disco), o arqueólogo Raul Córdula (que apresentou a Pedra do Ingá a Lula e a Zé Ramalho) e a cineasta Kátia Mesel (companheira de Lula então e sócia dele no selo Abrakadabra, que lançou o disco). As gravações registram muitos momentos musicais espontâneos e até cenas que reforçam as lendas em torno do disco.

– Cada lado do álbum duplo de “Paêbirú” tem um conceito: fogo, terra, ar e água. Cada um tem uma sonoridade. Fogo é o lado mais roqueiro, ar são músicas mais etéreas… No lado da água, tem uma parte que faz louvações a Iemanjá. No filme, quando Kátia Mesel canta isso, começa a chover – narra Cristiano, que alimenta mais um tanto a mística ao dedicar o filme ao deus Sumé (parte da mitologia de “Paêbirú”).

Zé Ramalho – que até hoje visita a Pedra e acredita que extraterrestres estão por trás de suas inscrições – não dá depoimento para o filme. Mas autorizou os diretores a usar todas as músicas para contar a história.

Lps e encarte originais, lançados em 1975

– Existe uma rusga entre Zé e Lula, e Zé preferiu não falar sobre o álbum. Mas todos no filme falam dele com muito carinho – nota Cristiano. – Apesar de negar a entrevista, Zé foi muito gente fina, fez um documento liberando a música… Só não queria ter a imagem dele hoje no filme. Ele pergunta por que não falaram do disco quando ele foi lançado (o álbum foi completamente ignorado na época). Aquilo foi muito decepcionante. Além de tudo, Zé Ramalho considera a obra que ele fez solo, posteriormente, muito mais importante. Como o disco tinha um aspecto coletivo, ele ali não tem o peso de ser o portador da mensagem, é só mais uma das vozes.

Mesmo antes da finalização, os diretores já receberam convites para apresentar o filme em festivais.

– Nosso desejo é estrear no “É tudo verdade” – diz Cristiano. – Seria ótimo também ter a exibição na TV, num espaço como o Canal Brasil.

Eles contam com a força da história. E os poderes de Sumé.

Outros olhos voltados para Zé Ramalho
Além do documentário sobre Paêbirú (1975), há outros olhos voltados para a história do autor de “Admirável Gado Novo”. O diretor Elinaldo Rodrigues filmou “Zé Ramalho – O Herdeiro De Avôhai“, lançado em DVD e exibido em festivais no ano passado, e a jornalista Christina Fuscaldo prepara uma biografia sobre o músico.

Detalhe do encarte

O filme tem como guia um depoimento de Zé Ramalho, que é cruzado com entrevistas dadas por amigos seus da época em que ele tocava em conjuntos de bailes, colegas da infância, produtores e músicos como Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo.

– Vejo Zé como símbolo do povo nordestino, que encontra na arte seus instrumentos mais poderosos. Ele superou todos os desafios, como artista e como pessoa. Houve a pobreza no início, o desejo da família que queria que ele fosse médico, e mesmo assim ele largou o curso em busca de seu sonho. Depois foram inúmeros outros até lançar um disco, vieram a dependência química, o desinteresse das gravadoras mesmo depois de todo o sucesso… – diz o diretor.

Uma trajetória que Christina pretende detalhar em sua biografia, atualmente em fase de coleta de depoimentos e pesquisa. Ela tem a carta branca do compositor, que entregou em suas mãos todo o seu arquivo pessoal. A autora destaca – assim como Elinaldo e Cristiano – a força do mito de Zé Ramalho e o tamanho de seu público espalhado pelo Brasil, mas tem dificuldades para encontrar uma editora interessada.

– Um editor chegou a me dizer que Zé Ramalho venderia apenas dois livros – conta. – Sua vida é riquíssima, única, assim como seu caminho na MPB.

Veja logo abaixo o trailer do documentário:





BOOTLEG

 

                                       Pink Floyd - 1968-1969 - French TV



BOUTON ROUGE (broadcast 24Feb68)
- Astronomy Domine
- Flaming
- Set The Controls For The Heart Of The Sun
- Let There Be More Light

SAMEDI ET COMPAGNIE (broadcast 21Sep68)
- Let There Be More Light
- Remember A Day

TOUS EN SCENE (broadcast 26Nov68)
- Let There Be More Light
- Flaming

SURPRISE PARTIE (broadcast 31Dec68)
- Let There Be More Light

FORUM MUSIQUES (broadcast 15Feb69)
- Set The Controls For The Heart Of The Sun
- A Saucerful Of Secrets

MUSICA&SOM












The Pretenders - Hamburg 06-23-2009 Germany

 




The Pretenders

2009-06-23

Laeiszhalle

Hamburg. Germany

FM Broadcast

MUSICA&SOM

CD 1:

01. DJ Intro

02. Chinese Plastic

03. Don't Cut Your Hair

04. The Message Of Love

05. Talk Of The Town

06. Love's A Mystery

07. Don't Lose Faith

08. Kid

09. Back On The Chain Gang

10. Nothing Maker

11. Rosale

12. I Go To Sleep

13. Don't Get Me Wrong

14. Stop Your Sobbing

15. Tequila

16. DJ Outro


CD 2:

01. DJ Intro

02. Night In My Veins

03. Brass In Pocket

04. Thumbelina

05. Break Up The Concrete

06. I'll Stand By You

07. Middle Of The Road

08. Cuban Slide

09. Precious

10. The Wait

11. Up The Neck

12. DJ Outro


LINE-UP:

Chrissie Hynde - vocals, guitar

James Walburne - guitar

Nick Wilkinson - bass

Martin Chambers - drums

Eric Heywood - pedal steel guitar





Este concierto fue transmitido en do partes por la estación NDR2 del norte de Aleman

Bruce Springsteen - 2009-06-27 - Glastonbury

 




Bruce Springsteen

& the E-Street Band

2009-06-27 

Glastonbury Festival 

The Pyramid

Worthy Farm

Pilton, England

Webcast Recording

MUSICA&SOM


01. Badlands

02. Prove It All Night

03. Outlaw Pete

04. Out In The Street

05. Working On A Dream

xx. Johnny 99 (missing)

xx. Because The Night (missing)

06. Waitin' On A Sunny Day

07. The Promised Land

08. The River

09. Born To Run

10. Thunder Road

11. American Land

12. Glory Days

13. Dancing in the Dark






Taj Mahal - R&B

 



Henry Saint Clair Fredericks (nascido em 17 de maio de 1942), que usa o nome artístico de Taj Mahal, é um músico de blues americano, cantor, compositor e compositor de filmes que toca violão, piano, banjo, gaita e muitos outros instrumentos. Ele muitas vezes incorpora elementos da world music em suas obras e fez muito para remodelar a definição e o escopo da música blues ao longo de sua carreira de mais de 50 anos, fundindo-a com formas não tradicionais, incluindo sons do Caribe, África e Pacífico Sul.

Depois de uma série de álbuns infantis e outros projetos paralelos, Taj Mahal retorna às suas raízes com Like Never Before - uma variedade eclética de estilos com capas tradicionais e um novo lote de originais.


1991 - Like Never Before







Go Graal Blues Band (Portugal)

 


A Go Graal Blues Band faz a sua aparição em 1975, integrando João Allain (guitarra), Artur Paes (baixo), Zito (bateria), Tony Sousa (guitarra) e José Carlos Cordeiro (voz) e definiam-se como um grupo que se dedicava a tocar e a cantar blues. Após várias experiências a formação estabiliza com Paulo Gonzo (voz e harmónica), João Allain (guitarra solo), Raúl Barrigas dos Anjos (bateria), Augusto Mayer (harmónica), António Ferro (baixo), João Esteves (guitarra) e José Carlos Cordeiro (voz principal). Em 1979 assinam contracto com a Imavox e lançam, ainda nesse ano, Go Graal Blues Band, o seu primeiro LP, onde o grupo assume totalmente uma postura dedicada ao blues eléctrico, notório em temas como "Baby, I Wanna…", "The Fault Is Her Own" e "The Last One". Nesse ano entra Tó Andrade para o lugar de baixista. A 22 de Setembro, a convite de José Nuno Martins realizam o primeiro concerto com raios laser no Instituto Superior de Agronomia. Este concerto foi transmitido em directo pela RTP 1 e consta dos arquivos da RTP.


                                                                         (CLICK NO TIULO DOS DISCOS)


Em 1980 lançam o single "They Send Me Away", apresentando um som mais rock, muito próximo do estilo dos Dr. Feelgood. O apresentador do programa Rock Em Stock, Luís Filipe Barros, produz o single "Lay Down", vindo este a atingir o primeiro lugar do Top no Rock Em Stock. 




Em 1982 é lançado o segundo LP da banda, "White Traffic". Da formação original já só restam Paulo Gonzo e João Allain. O baixo está a cargo de Fernando Delaere e a bateria de Hippo Birdie. Deste LP fazem parte temas como "N'Roll", "Lonely" e "Guetto Drunk". A evolução musical do grupo é notória e o sucesso mede-se não tanto pelas vendas de discos, mas sim pelo número de espectáculos.


Divergências internas quanto à autoria dos temas levam à saída de Delaere e Birdie que vão para os Roxigénio e novos membros são recrutados. Entra para a bateria Mário Pereira (Márito) e Henrique Leite fica encarregue do baixo. É editado o Mini-LP "Blackmail" onde se podem escutar temas de blues/rock como "Champagne All Night", "Love Fashion" e "Midnight Killer". 






Em 1984 é editado o Máxi-Single Dirty Brown City com temas como "Dirty Brown City", "Fast Flirt" e "Wild Beat Blues". Nesse ano dá-se a reentrada de Tó Andrade para o baixo, a convite de João Allain. 




Em 1987,é lançado o último álbum da banda, "So Down Train", com uma sonoridade mais amadurecida mas longe do sucesso de outras épocas. O último disco da Go Graal traz-nos temas como "They Don't Give A Damn", "A Little Bit" ou "City Lights".



Após o lançamento desse LP, Paulo Gonzo abandona a banda para se lançar numa carreira a solo. É substituído por João Melo, passando a banda a ser constituida por João Melo, João Allain, Tó Andrade, Leonel Cardoso (sax), Fernando Costa (teclas) e Chico Cardoso (bateria). Após cerca de seis meses, regressa Mário Pereira à bateria e o 1º cantor José Carlos Cordeiro.


Devido ao fracasso comercial do LP "So Down Train", reflectindo-se na diminuição do número de espectáculos, o grupo toma a decisão de se dissolver, levando, no ano de 1989, à extinção de um dos grupos mais marcantes de blues/rock em Portugal. Tiveram uma carreira recheada de espectáculos, onde se destacam a primeira parte do espectáculo dos The Shirts em Lagos, a 1ª parte de Jan Akkerman no Dramático de Cascais, a 1ª parte da Blues Band no Coliseu e um concerto memorável no Coliseu de Lisboa como cabeça de cartaz.





 


Big Joe Fitz - Blues Harmonica (USA)

 



O nome Big Joe Fitz tem sido sinônimo de música com alma no Hudson Valley de Nova York por mais de 30 anos e há uma boa razão para isso. Quando você vir Big Joe Fitz & The Lo-Fi's em uma apresentação, você não apenas experimentará uma musicalidade excepcional e uma lista de reprodução eclética que varia de Bobby Bland a Johnny Mercer, Ernest Tubb e além, mas também se divertirá com um show ao vivo que é sempre caloroso, sempre envolvente e sempre divertido. Big Joe e os caras amam o que fazem, e fazem muito bem.

Cantor, homem da gaita, líder de banda e personalidade lendária do rádio por 30 anos no WDST em Woodstock, NY...







sexta-feira, 14 de julho de 2023

Cazuza - Só Se For A Dois [1987]

 



Nem sempre Cazuza foi chamado de “poeta”, “mito”, “exagerado” ou qualquer outra nomeação hiperbólica, fato tão comum e inescapável quando lemos algo sobre sua carreira e seu fim tão triste e abrupto. Houve tempo em que Cazuza era apenas um integrante do Barão Vermelho ou, mais ainda, um ex-vocalista de banda, em busca de um caminho só seu, dada a circunstância de seu carisma ter ultrapassado as fronteiras às vezes pequenas e limitadoras de uma banda de Rock. Poucos sabem que Cazuza foi o último integrante a fazer parte do nascente grupo carioca, que ensaiava na casa do tecladista Maurício Barros, durante as tardes do início dos anos 80. Leo Jaime, então conhecido como Leo Guanabara, recebera o convite para integrar o Barão, mas declinara e decidira colocar Frejat, Guto, Mauricio e Dé em contato com seu amigo Cazuza, que ele conhecia das noites do Baixo Leblon e do grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone. Quando o quarteto ouviu os vocais derramados e intensos de Cazuza, descobriu que havia encontrado o frontman que tanto buscara.

Em 1985, logo após o Rock In Rio, Cazuza deixou a banda. Teve uma carreira vitoriosa à frente do Barão, cravara hits eternos do Rock oitentista como Beth Balanço, Maior Abandonado e Pro Dia Nascer Feliz mas era hora de seguir sua trajetória solo. O primeiro disco, Exagerado, lançado pela Som Livre ainda em 1985, teve na faixa título um hit nacional, parceria com Leoni, então egresso do Kid Abelha. Além dela, Codinome Beija-Flor também cravou a imagem de um Cazuza entre o furioso e o lírico, sempre caracterizado pela dicotomia e pela oscilação. Medieval II, Mal Nenhum (com Lobão) e Só As Mães São Felizes também fizeram bonito neste primeiro disco, mas o ápice viria com o trabalho seguinte, espremido entre a estreia e a delimitação de novos espaços como artista solo e a superexposição que viria com o terceiro álbum, Ideologia, a ser lançado em 1988, em meio às suspeitas sobre Cazuza estar com AIDS, algo que ele admitiria logo em seguida.

Só Se For A Dois foi gravado no fim de 1986 e lançado no ano seguinte por conta de problemas com a gravadora. A Som Livre, braço das Organizações Globo, era dirigida por seu pai, João Araújo, e estava dispensando seu elenco para se dedicar apenas ao lançamento de trilhas sonoras de novelas. Cazuza teve seu segundo disco lançado pela Polygram, que o contratou logo após. A musicalidade dele já se mostrava muito mais evoluída, cada vez mais distante das sonoridades perpetradas pelo Barão Vermelho. A banda que Cazuza arregimentara para o novo trabalho também fazia a diferença, sobretudo pela presença do baixista Nilo Romero e do guitarrista Rogério Meanda. O próprio Cazuza diria estar exercitando um lado “cantor de churrascaria” no disco, algo fora do Rock. E estava mesmo. As interpretações são mais cuidadosas, mais contidas e elegantes. Canções como Lobo Mau da Ucrânia ou Balada Do Esplanada, que não chegaram a fazer sucesso, são pequenos achados dentro da poesia típica do cantor. Assim também o são Heavy Love e a faixa título.

O grande fascínio de Só Se For A Dois reside numa trinca de canções que estão no Top 5 da carreira de Cazuza. O primeiro hit do disco, O Nosso Amor A Gente Inventa (Uma Estória Romântica) é um pequeno primor de beleza, parceria de Cazuza com Nilo Romero e o tecladista João Rebouças. Versos como te ver não é mais tão bacana quanto a semana passada ou o teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer, o meu, poesia de cego, você nem pode ver são exemplos da evolução da estética cazuziana no que diz respeito a letras de amor. Neste mesmo caminho segue a segunda grande canção do disco, Solidão Que Nada, parceria com o kid abelha George Israel e Nilo Romero, que vai num arranjo mais lento e melancólico. O refrão on the run traz viver é bom nas curvas da estrada, solidão, que nada, bem no espírito do Rock nacional oitentista amadurecendo em meio aos holofotes da superexposição.

O grande momento do álbum vem em Vai À Luta, que se vale de arranjo Pop Soul, com metais e andamento curvilíneo. A letra de Cazuza fala sobre a fama fácil, o deslumbramento como consequência natural e se encaixa perfeitamente na melodia criada pelo guitarrista Rogério Meanda. Os versos originais eu te avisei, vai à luta, marca o teu ponto na justa foram subvertidos em um programa na Rádio Transamérica FM da época para eu te avisei, vai à luta, marca um encontro com a Xuxa, do tempo em que havia shows ao vivo nas rádios em programas especiais, feitos com visitas dos artistas aos estúdios das emissoras.

Em 1986/87, este escriba partia para o fim dos estudos no Colégio Santo Agostinho. Lembro de um colega querido que, ao ver o anúncio do show de lançamento do disco no Teatro Ipanema, me falou, entristecido: “poxa, eu queria ir ao show, mas não vai dar”. Eu perguntei o motivo e ele respondeu: “eu não tenho com quem ir”. Mesmo sabendo que ir sozinho a um show pode ser uma experiência melancólica, ainda o animei, dizendo que, se ele estava a fim de ver, deveria ir mesmo sozinho. Meu amigo, hoje médico de sucesso, ex-vereador na cidade de Macaé, me disse: “mas só podem entrar casais, o show é só se for a dois”. Sim, ele havia confundido o nome do espetáculo/disco com uma improvável exigência para assisti-lo.

Depois desse álbum, Cazuza se descobriria portador do vírus da AIDS e sua carreira iniciaria uma lenta decadência. Ainda haveria espaço para três discos, Ideologia (1988), O Tempo Não Para (1989) e Burguesia (1990). Só Se For A Dois foi editado em CD nos anos 2000, depois incluido em uma caixa comemorativa, junto com toda a discografia de Cazuza, ambos já fora de catálogo. Pode ser encontrado à venda em sites da internet por preços camaradas, que não ultrapassam R$ 30,00. É um belo registro de um Cazuza humano, normal, nada mais que um popstar brasileiro em seu tempo.



A1 Só Se For A Dois 4:00
A2 Ritual 2:45
A3 O Nosso Amor Agente Inventa 3:31
A4 Culpa De Estimação 3:00
A5 Solidão Que Nada 3:53
B1 Completamente Blue 3:18
B2 Vai À Luta 3:44
B3 Quarta Feira 3:49
B4 Heavy Love 3:00
B5 Lobo Mau Da Ucrânia 2:17
B6 Balada Do Esplanada







CYKLUS - Planet of Two Suns - 1979

 



Antes de iniciar esta publicação, peço que não julguem o disco pela capa e que não o depreciem pelo seu ano de lançamento. 

Cyklus veio da Alemanha, em carreira meteórica lançando um único disco no fim dos anos 70 e desapareceu sem deixar pistas. A banda surgiu após a saída de dois membros da excelente e também alemã Aera, incluindo o tecladista Achim Gieseler e o baixista Matz Steinke.

Som instrumental em sua totalidade partindo para um fusion mais descontraído, intercalado a esporádicas atmosferas de certo peso. A cozinha baixo/bateria funciona em perfeita consonância, seguida por suntuosos solos de guitarra de muita criatividade e qualidade, em constantes variações harmônicas. 

A banda não é adepta a nenhum tipo de metal, não faz uso de sax ou flauta por exemplo. Confesso que na primeira audição, notei que os diferentes timbres de teclado soavam um pouco defasados, não se contrastando com o bom entrosamento entre os outros instrumentos. 

Após ouvir novamente na íntegra e com uma percepção menos crítica concluí que, fatalmente trata-se um registro do fim dos anos 70 onde os órgãos analógicos já estavam começando a ficar um tanto ultrapassados. O progressivo e o fusion já começavam a respirar novos ares e começaram a aderir aos instrumentos digitais. 

Contudo, o criativo Achim Gieseler, conseguiu de certa forma, amenizar essa 'transição', contribuindo de forma essencial para o bom andamento do disco. As duas últimas faixas são belíssimas e conduzidas por um denso simulador de piano que paga por todo o registro. Vale lembrar que esse mesmo músico, tocou em duas faixas do disco RA da banda Eloy em 1988.

O disco foi lançado pela extinta gravadora alemã, Erlkönig em 1979 e não foi relançado em CD até o presente momento. Consegui essa cópia através de contato com um senhor alemão que, com muito capricho, me enviou há alguns anos, algumas cópias em CD muito bem gravadas direto de raros discos de vinil. 

Fico aqui com a certeza de que esse é um registro que certamente irá agradar a maioria dos que passam por aqui. Apenas dê uma chance, sem pré-julgamentos...


TRACKS:

01. Airflow
02. Nito 
03. Planet Of Two Suns
04. Funky Depression 
05. Zeitblende 
06. Wolken 
07. Water And Sun 
08. Ocean's Gift 







ATOMIC ROOSTER - 2nd. British Rock Meeting - 1972

 



Certamente, o Atomic Rooster foi uma das mais importantes bandas que pertenceram ao movimento progressivo britânico, principalmente durante a primeira metade da década de setenta. 

Sua formação original era um trio de peso que contava com Carl Palmer, o baixista Nick Graham e o virtuoso tecladista Vicent Crane, sendo este último seu principal membro. Crane foi a alma da banda desde seu término em 83. 

AT se tornou um dos primeiros nomes a se identificar com o Heavy Prog reunindo atmosferas intrincadas em poderosos solos de Hammond, compassados a diferentes variações instrumentais entre baixo, guitarra e bateria.  

Após o lançamento do disco homônimo em 70, Palmer deixa a banda para se juntar ao lendário ELP. Crane decide então acrescentar ainda mais intensidade convidando o guitarrista Steve Bolton para se juntar ao trio, juntamente com o baterista Paul Hammond. Essa formação trouxe a tona também em 70, o disco de maior sucesso e um de meus favoritos, intitulado como 'Death Walks Behind You'. Essa mesma faixa abre a audição e possui uma das melhores e mais sinistras introduções de piano que conheço. 

Porém, neste raro bootleg contamos apenas com uma faixa do disco citado que, na minha opinião, vale por todo o registro. Gershatzer, faixa instrumental que inclui um impressionante duo entre o poderoso Hammond sincronizado a intensos solos de bateria. 

O registro mescla faixas dos quatro primeiros discos lançados entre os anos de 1970 e 1972 e ainda inclui uma versão interessante do single 'Devil´s Answer', lançado em uma compilação de faixas para um registro da BBC. 

Gravado em 22 de Maio de 1972 na Alemanha em uma ilha as margens do rio Reno, chamada Grün,  durante o festival 2nd British Rock Meeting, que reuniu não somente os principais nomes do progressivo britânico mas também alguns nomes de peso vindos de terras alemãs. 


TRACKS:

01. Breakthrough
02. Save Me
03. A Spoonful Of Bromide Helps The Pulse Rate Go Down 
04. Black Snake
05. Stand by Me
06. The Devil´s Answer
07. Gershatzer






Destaque

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