quarta-feira, 6 de março de 2024

Fleetwood Mac, ao vivo e voando alto: revisão

 

Fleetwood Mac estava voando alto quando eles começaram um caso de três noites no Forum em Los Angeles em agosto de 1977. Seu álbum homônimo de 1975, que liderou as paradas , catapultou o grupo para o status de superstar e seu sucessor, Rumours , já era número 1. sucesso internacional que venderia mais de 40 milhões de cópias, tornando-se um dos discos de maior sucesso comercial de todos os tempos.





O primeiro desses shows do Forum foi lançado em 8 de setembro de 2023, como Rumors Live , um título que vende menos do que o conteúdo, já que o álbum inclui não apenas nove das 11 músicas de Rumours , mas também oito das 11 do Fleetwood Mac . Também é apresentada “Oh Well”, uma composição do membro original Peter Green que Fleetwood Mac gravou pela primeira vez em 1969, cerca de cinco anos antes de Lindsey Buckingham e Stevie Nicks se juntarem à banda.

Ouça uma versão ao vivo inédita de “Dreams” do Rumours Live

O material é todo inédito, exceto “Gold Dust Woman”, que apareceu como faixa bônus na edição deluxe de 2021 de Live , gravação de um show de 1980 que foi lançado originalmente naquele ano. Quase todas as músicas do Rumors Live também aparecem naquele outro show, entretanto, e a maioria dos arranjos são bastante semelhantes. Para fãs casuais, portanto, um ou outro desses álbuns deveria ser suficiente.

Dito isso, porém, a banda está em alta velocidade durante Rumours Live , e o material - que inclui várias contribuições importantes de três de seus membros - consiste em grande parte em sucessos de sucesso e favoritos de rádio que você provavelmente conhece de cor. Entre as músicas, muitas das quais se relacionam com as complicações românticas internas da banda: “Say You Love Me”, “You Make Loving Fun” e “Over My Head” de Christine McVie; “Go Your Own Way” e “Monday Morning” de Buckingham; e “Dreams” e “Rhiannon” de Nicks. Isso é algo consistentemente notável, e os viciados sérios em Mac podem ser perdoados se quiserem todas as versões que puderem, independentemente das semelhanças.

Review: Paganizer – Cadaver Casket (On a Gurney in Hell) (2013, reedição 2018)

 


Formada em 1998, a banda sueca Paganizer possui uma longa trajetória, período esse em que equilibrou momentos onde soou dentro do que chamamos de death metal e outros onde pisou em terrenos mais alinhados com o death melódico tão popular no seu país e que deu ao mundo nomes como Dark Tranquillity, Amon Amarth e Arch Enemy.

Este EP, lançado em 2013, conversa mais com a linguagem do death tradicional. Com apenas sete músicas, o disco foi lançado no Brasil em 2018 pela Cianeto Discos e é um dos raros itens da banda disponíveis em edição nacional  - talvez até seja o único, me corrijam se estiver enganado. A versão brasileira vem com duas músicas a mais em relação ao original sueco – “Deranged World” e “Into the Wastelands”.

A agressividade dá o tom no Paganizer, com canções rápidas e extremamente pesadas, que alternam dinâmicas e fazem uso de breakdowns para tornar a eficiência ainda mais forte. O vocal bastante gutural é um dos atrativos, tornando as músicas ainda mais violentas. “Rot” tem um riff cíclico que conversa com o black metal norueguês, enquanto o restante das canções traz blast beats em alguns momentos e andamentos acelerados na maior parte do tempo. A produção é muito boa, com tons maciços de graves, o que torna a música ainda mais pesada.

Se você é fã de death metal, recomendo.



Review: Barão Vermelho – Viva (2019)

 


O Barão Vermelho começa a terceira fase de sua carreira com Viva. Primeiro álbum com canções inéditas das banda carioca em 15 anos, desde o auto intitulado disco lançado em 2004, o trabalho é o primeiro com o vocalista e guitarrista Rodrigo Suricato, que substituiu Roberto Frejat em 2017. O trio restante possui história longa: o baterista Guto Goffi (um dos fundadores da banda), o tecladista Maurício Barros (co-fundador do grupo) e o guitarrista Fernando Magalhães (desde 1986 no Barão).

Suricato possui um timbre semelhante ao de Frejat, e isso ameniza, em alguns aspectos, o sentimento de vazio ao ouvir o primeiro álbum da extensa trajetória do Barão – a banda foi fundada em 1981 no Rio de Janeiro – sem o vocalista e guitarrista. Se nos seus primeiros anos a banda dava forma às letras incríveis de Cazuza, no longo período com Frejat à frente o Barão foi do mergulho no rock e no blues até momentos descaradamente pop e que descaracterizaram o som do grupo, vide Puro Êxtase (1998).

Em Viva, que foi produzido pelo próprio Maurício Barros e traz uma linda capa criada por Alberto Pereira, temos um disco essencialmente de rock, com um clima ensolarado e letras que olham para o passado enquanto apontam para o futuro. As canções fazem questão de enfatizar a união da formação atual – ouça a letra de “Jeito”, por exemplo – e, musicalmente, trazem uma sonoridade enxuta e crua, um rock básico e cheio de energia e que contrasta com a época em que o falecido Peninha encorpava as canções da banda com a sua percussão personalíssima.

A maior curiosidade dos fãs fica por conta da participação de Rodrigo Suricato, e ele não decepciona. Confesso que nunca acompanhei o seu trabalho anterior na banda que levava o seu sobrenome, mas em Viva Suricato assume o controle e leva o Barão Vermelho por um novo caminho promissor e que, ainda que não alcance o nível da clássica época com Cazuza ou de obras-primas como Na Calada da Noite (1990) e Carne Crua (1994), mostra autenticidade e tesão para seguir em frente.

Entre as músicas, destaque para o clima blues na estrada da ótima “Eu Nunca Estou Só” (com participação do rapper BK), o pop rock de “Por Onde Eu For” (com ótima letra), a cativante “Jeito”, o rock cru e bem Stones de “Tudo por Nós 2”, a balada “A Solidão Te Engole Vivo” e o doce encerramento com “Pra Não Te Perder”, com participação de Letrux.

Viva é um retorno inesperado de uma banda que fez história e é fundamental para o rock brasileiro. E melhor: o disco é muito melhor do que todos estavam esperando.

Assim como o rock, o Barão segue vivo. E isso é demais!


Review: Ozzy Osbourne – The Ultimate Sin (1986)

 


Quarto álbum de Ozzy Osbourne, The Ultimate Sin é um dos trabalhos mais peculiares do vocalista inglês. Lançado em 22 de fevereiro de 1986, o disco traz uma sonoridade muito influenciada pelo hard rock californiano em voga na época, resultando em um som mais acessível e repleto de refrãos marcantes.

O responsável por esse direcionamento foi o guitarrista Jake E. Lee. O músico estreou na álbum anterior de Ozzy, Bark at the Moon (1983), iniciando uma nova época na carreira do Madman após a trágica morte de Randy Rhoads em março de 1982. Ozzy passou grande parte do ano de 1985 internado na clínica Betty Ford Center, e quando retornou encontrou Jake com várias músicas prontas. No entanto, o guitarrista só aceitou cedê-las para Ozzy após a assinatura de um contrato onde o cantor se comprometia a dar crédito para Lee, já que Jake alega até hoje que contribuiu muito em Bark at the Moon e não foi creditado em nenhuma das oito faixas daquele disco.

Com o problema resolvido, o baixista Bob Daisley (Uriah Heep, Rainbow, Gary Moore) passou a trabalhar nas letras junto com Ozzy, enquanto o trio Jake E. Lee, Daisley e Jimmy DeGrasso (Megadeth, Y&T) aprimorou as músicas, registrando-as em uma versão inicial em estúdio. A banda que gravaria o LP seria essa, porém Ozzy foi chamado para cantar com o Black Sabbath no Live Aid e isso atrapalhou os planos. Daisley e DeGrasso foram então substituídos por Phil Soussan (Billy Idol, Jimmy Page, Richie Kotzen) e Randy Castillo (Mötley Crüe, Lita Ford).

The Ultimate Sin iria se chamar Killer of Giants, nome de uma de suas faixas, mas Ozzy mudou de ideia no último minuto. O disco foi produzido por Ron Nevison (The Who, Bad Company, Led Zeppelin) e traz nove canções escritas por Ozzy, Lee e Daisley. A única exceção é “Shot in the Dark”, principal single do álbum, cuja autoria é de Ozzy e Phil Soussan. As canções de The Ultimate Sin trazem uma inequívoca influência do hard rock norte-americano dos anos 1980 e soam distintas do metal sombrio e carregado de letras de horror que Ozzy sempre praticou em sua carreira. As faixas soam mais ensolaradas, com melodias onipresentes e refrãos vigorosos. Em relação às letras, temas políticos surgem com força em músicas como “Thank God for the Bomb” e “Killer of Giants”, ambas com temática anti-guerra.

O disco abre com as batidas tribais da música título, um hard rock cativante construído a partir de um riff simples de Jake E. Lee. Ozzy Osbourne surge em uma linha vocal fortíssima, uma das marcas registradas de sua carreira. “Secret Loser” é glam metal e não esconde isso em nenhum momento, porém trata-se de um hard farofa com o pedigree de Ozzy. O refrão gruda de imediato, assim como as melodias. A veia hard de Lee surge com autoridade em “Never Know Why” e “Thank God for the Bomb”, enquanto “Never” traz uma pegada mais metal.


O lado B do vinil abria com “Lightning Strikes”, uma das canções mais consistentes do play. Ela é seguida pela espetacular “Killer of Giants”, uma das mais lindas composições que Ozzy Osbourne gravou na vida e que é o grande momento do disco. Com um arranjo crescente, a faixa inicia com uma introdução dedilhada de Jake E. Lee, e quando Ozzy surge rebate qualquer comentário equivocado sobre a qualidade de seu trabalho vocal. A emoção que o Madman coloca nessa música é de arrepiar! O refrão é outro ponto de destaque, assim como a letra. Lee faz um trabalho incrível de guitarra durante os quase seis minutos de duração, culminando com um solo muito bonito e uma explosão instrumental na parte final que é de emocionar até o mais durão dos metalheads.

“Fool Like You” vem a seguir e é conta com um riff-solo ou um solo-riff de Lee na introdução, e é outra que vai na linha mais hard. O disco fecha com “Shot in the Dark”, uma das canções mais acessíveis que Ozzy gravou na vida. Escrita em parceria com o baixista Phil Soussan, foi o principal single do disco e chegou à décima posição na parada mainstream dos Estados Unidos e no número 68 do Billboard Hot 100. Um ótimo encerramento para um álbum que até hoje soa fora da curva na longa discografia de Osbourne.

The Ultimate Sin vendeu mais de 2 milhões de cópias e recebeu disco de platina dupla no mercado norte-americano. Apesar do enorme sucesso comercial – até então o maior da trajetória solo de Ozzy -, o vocalista demitiu Jake E. Lee em 1987 por motivos até hoje mal explicados. Phil Soussan também saiu fora e a banda do Madman foi reformulada com a chegada do guitarrista Zakk Wylde, o retorno de Bob Daisley e a permanência de Randy Castillo, lançando No Rest for the Wicked no final de setembro de 1988.

A capa de The Ultimate Sin, com Ozzy retratado como uma espécie de dragão ao lado de uma sensual mulher, foi criada pelo artista peruano Boris Vallejo, famoso por suas ilustrações eróticas e de fantasia.


A edição original brasileira em vinil de The Ultimate Sin vinha com uma moldura com a inscrição "Heavy Metal Heart", estratégia adotada pela gravadora Epic/CBS em diversos lançamentos da época para capitalizar em cima da explosão de popularidade que o metal teve no país após a primeira edição do Rock in Rio, em janeiro de 1985. O álbum foi relançado em uma edição remasterizada em 1995, seguindo o padrão estético das capas desse relançamento, com a arte menor e o nome de Ozzy enorme ao lado. Essa versão remaster apresenta uma versão ligeiramente diferente de “Shot in the Dark”, que sofreu um corte entre o primeiro refrão e o segundo verso, provavelmente por questões envolvendo uma disputa entre direitos autorais.

The Ultimate Sin, apesar de produção um pouco datada – pessoalmente, me incomoda o timbre muito aberto da bateria -, segue soando um ótimo trabalho passados 33 anos de seu lançamento. Um disco fora do convencional e diferente de tudo que Ozzy Osbourne gravou na vida. Suas músicas são cativantes e fortes, e mostram um Ozzy flertando com o glam metal e acertando em cheio na sua intenção.



Review: Pink Floyd – A Momentary Lapse of Reason (1987)

 


Décimo-terceiro álbum do Pink Floyd, A Momentary Lapse of Reason marca o início da fase em que David Gilmour assumiu o controle criativo total da lendária banda inglesa e é também o primeiro disco do grupo a não contar com Roger Waters. Mas, antes de falarmos sobre o álbum é preciso contextualizar tudo que envolveu o Pink Floyd na primeira metade dos anos 1980.

Ao longo dos anos, Roger Waters foi gradativamente assumindo cada vez mais o protagonismo dentro do grupo. Isso se refletiu em um controle sobre o direcionamento criativo da banda, levando a uma obra-prima como The Wall (1979) – onde ele compôs praticamente todo o material, dividindo a parceria com Gilmour em apenas três músicas: “Young Lust”, “Comfortably Numb” e “Run Like Hell” – e a um trabalho não tão bem sucedido assim, o controverso The Final Cut (1983). Controverso porque, na verdade, The Final Cut foi concebido como um álbum solo de Waters, tanto que traz no encarte a frase “A requiem for the post war dream by Roger Waters, performed by Pink Floyd”. O disco é inspirado na história do pai de Waters, que lutou na Segunda Guerra Mundial, e é dedicado a todos que perderam a vida no conflito. Na prática, o Pink Floyd havia se transformado na banda de apoio de Roger Waters.

O conflito entre Waters e Gilmour então se intensificou e a banda entrou em uma pausa, com o baixista e o guitarrista lançando novos álbuns solos. Em 5 de março de 1984 chegou às lojas o segundo disco de David Gilmour, About Face, e em 30 de abril foi a vez de Roger Waters lançar The Pros and Cons of Hitch Hiking. As turnês que promoveram ambos os discos tiveram baixa venda de ingressos, e a gravadora da banda, a CBS, sugeriu que os músicos se reunissem e gravassem um novo álbum do Pink Floyd, o que o baixista não aceitou. Em dezembro de 1985 Roger anunciou oficialmente a sua saída da banda, que ele definiu como “uma força criativamente já gasta”. A CBS se uniu então com Gilmour e Nick Mason e tentou forçar Waters a gravar um novo trabalho com o grupo, ameaçando-o de processo se ele não fizesse isso. Logicamente o baixista não aceitou a pressão, e então foi confrontado por David: “Eu disse para Waters antes de ele sair: cara, se você sair, nós vamos seguir em frente. Não faça nada sobre isso, porque nós iremos continuar com a banda”. A resposta do baixista foi um categórico “você nunca faria isso”. Paralelamente a todos esses fatos, Roger Waters também dispensou os serviços do então manager do Pink Floyd, Steve O’Rourke, e assinou um contrato com Peter Rudge, que passou a gerenciar a sua carreira. Isso foi visto por Gilmour e Mason como um sinal de que eles estavam livres para seguir em frente com o nome da banda.


Como a batalha pelos direitos de uso do nome Pink Floyd foram parar em uma disputa legal, David Gilmour começou a trabalhar em músicas que pretendia utilizar em seu terceiro disco solo. O produtor Bob Ezrin e o tecladista Jon Carin ajudaram nesse processo, e “Learning to Fly” surgiu de uma jam entre Gilmour e Carin. A CBS soube que o guitarrista estava trabalhando em novas músicas junto com Ezrin e enviou o executivo Stephen Ralbovsky para tentar convencer Gilmour a lançar o material não como um álbum solo, mas sim como um novo disco do Pink Floyd. Ralbovsky se encontrou com Gilmour e Ezrin em novembro de 1986 para ouvir as novas músicas e afirmou para ambos, sem meias palavras, que “elas não parecem em nada com o Pink Floyd”. Mais tarde, o próprio David Gilmour admitiu que o processo de composição foi especialmente trabalhoso porque ele não conseguiu encontrar novos parceiros com quem tivesse uma afinidade tão profunda quanto a que tinha com Waters.

A Momentary Lapse of Reason foi gravado em diversos estúdios, sendo o principal o Astoria, estúdio que o guitarrista montou dentro de um barco e utiliza até hoje. Os bateristas Jim Keltner e Carmine Appice foram contratados, já que Nick Mason não se sentia à vontade para gravar devido ao longo período que estava sem praticar o instrumento. A bateria eletrônica também foi bastante utilizada no disco. O tecladista Richard Wright, que havia deixado o Pink Floyd em 1979 devido a desentendimentos com Waters, também participa do disco, além de uma seleção de instrumentistas excepcionais onde se destaca o baixista Tony Levin, do King Crimson.

As gravações foram interrompidas devido à intensa batalha jurídica entre Waters e Gilmour pelo direito de uso do nome Pink Floyd. Waters visitou duas vezes as sessões de gravação no Astoria, já que ainda era acionista da Pink Floyd Music, e conseguiu bloquear os trabalhos. A banda então foi para Los Angeles e retomou a gravação no A&M Studios. O longo conflito entre David Gilmour e Roger Waters só foi enfim resolvido no final de 1987, fora dos tribunais. O guitarrista ficou com o direito do nome Pink Floyd e o baixista ficou com a propriedade de The Wall e do icônico porco da banda.


A Momentary Lapse of Reason foi lançado em 7 de setembro de 1987, antes da conclusão da disputa entre os músicos, em uma jogada arriscada da gravadora CBS. A capa foi criada por Storm Thorgerson, que possuía longa associação com a banda e é o autor das capas icônicas de clássicos como The Dark Side of the Moon (1973), Wish You Were Here (1975) e Animals (1977). A imagem traz 700 camas de hospital dispostas em uma praia de Los Angeles, mesma locação das cenas de guerra presentes na adaptação cinematográfica de The Wall lançada em 1982 e dirigida por Alan Parker, e custou cerca de 500 mil dólares para ser produzida, transformando-se em uma das imagens mais icônicos da banda.

O disco traz onze músicas e possui uma produção bastante carregada, com timbres típicos daquela metade da década de 1980. A sonoridade é um tanto artificial, com o uso exagerado de teclados e baterias eletrônicas que não contribuem para a percepção mais orgânica do material. Entre as faixas há bons momentos como o single “Learning to Fly”, a climática “The Dogs of War”, a balada “On the Turning Away” e “Sorrow”, que fecha o álbum. O excesso de interlúdios e o trabalho de composição abaixo do que a banda sempre fez foram percebidos pela crítica, que recebeu o LP com avaliações medianas. O público, no entanto, estava sedento por material inédito do Pink Floyd e conduziu A Momentary Lapse of Reason para o terceiro posto nos Estados Unidos e na Inglaterra, com o disco vendendo mais de 5 milhões de cópias em todo o planeta. Analisado com o distanciamento do tempo, A Momentary Lapse of Reason mostra-se bastante inferior ao que a banda faria sete anos depois em The Division Bell (1994), já sem todo o contexto da briga com Waters e mais leves para criar algo que sobrevivesse ao teste do tempo. Mesmo assim é um disco que reserva bons momentos, como as faixas citadas acima.


A turnê gerou o duplo Delicate Sound of Thunder, primeiro álbum totalmente ao vivo do Pink Floyd – Ummagumma, de 1969, possui apenas um de seus dois LPs com gravações ao vivo. Lançado em 22 de novembro de 1988, se tornou um sucesso de vendas e audição obrigatória nos toca-discos da época, com uma performance primorosa de David Gilmour, Nick Mason, Richard Wright e banda.

A Momentary Lapse of Reason foi remasterizado em 2011 e incluído no box Discovery, além de poder ser adquirido separadamente. Com ele, o Pink Floyd teve a sua terceira troca de comando. Os tempos sob o crivo de Syd Barrett ficarem distantes, a epopéia criativa de Roger Waters transformou a banda em uma lenda e a condução de David Gilmour manteve essa lenda viva e pulsante para uma nova geração de ouvintes.


Review: Détente – Recognize No Authority (1986, reedição 2019)

 


O Détente surgiu em Los Angeles em 1984 e lançou o seu disco de estréia em agosto de 1986. Recognize No Authority traz uma alquimia entre speed e thrash metal e possui status de cult entre fãs de metal dos anos 1980. Os principais atrativos para isso estão na voz de Dawn Crosby e a presença de Ross Robinson na guitarra. Sim, o mesmo Ross Robinson que faria carreira a partir do final daquela década e se transformaria em um dos maiores produtores do metal contemporâneo assinando clássicos como Life is Peachy do KoRn, Roots do Sepultura e o debut do Slipknot.

Recognize No Authority está sendo lançado pela primeira vez no Brasil, e a responsável por isso é a sempre competente Hellion Records. A edição nacional vem com seis faixas bônus e é idêntica à versão comemorativa que saiu em 2016 pela Cognitive Records.

O som, como já dito, une a velocidade do speed metal com a técnica, andamentos elaborados e o peso do thrash. O vocal de Crosby é bem agudo, porém repleto de agressividade, enquanto as guitarras apresentam um trabalho interessante. E é bastante curioso conhecer as origens de Robinson, que fez história como um dos arquitetos do nu metal e aqui mostra uma faceta totalmente diferente da sua relação com a música.

Um item histórico e que ganha uma edição caprichada e com preço acessível. Se você curte metal oitentista, não preciso nem dizer que é imperdível.



Assista agora: “When The Pills Wear Off” de Willi Carlisle

 O videoclipe “When The Pills Wear Off” de Willi Carlisle é um complemento impecável ao lindo e devastador single do LP recém-lançado do cantor folk, Critterland . Filmado em Hot Springs, Arkansas, por Mike Vanata, do Western AF , o vídeo reflete a música que Carlisle chama de “Um amálgama de histórias queer que ouvi, vivi e vi”.

Assista agora: “When The Pills Wear Off” de Willi Carlisle

Estando perfeitamente ciente de quão comovente é a música que ele compartilhou, Carlisle também a tem usado para trazer alegria de volta ao mundo. Desde o lançamento inicial de “When The Pills Wear Off”, Carlisle tem doado uma parte dos lucros das transmissões e compras de “When the Pills Wear Off” para Hope in the Hills , uma instituição de caridade com sede em West Virginia focada na recuperação e bem-estar nos Apalaches.

“Depois de perder amigos por overdose, depois de testemunhar o estresse que vidas ocultas e o desespero silencioso causam às pessoas, decidi que queria cantar sobre o vício”, diz Carlisle. “Então, estou fazendo parceria com a Hope in the Hills para aumentar a conscientização e financiar para ajudar os necessitados. Grande parte da música country glorifica o abuso, o assassinato e a pobreza em nome do choque e das vendas, e quero lutar contra os estereótipos. Vamos compartilhar músicas sobre nossa luta e triunfo! Vamos celebrar o amor e lamentar os mortos.”


“Willi é honesto com sua música e com seus ouvintes”, diz Vanata. “Ele não faz rodeios nem deixa você ignorar as partes imperfeitas da vida. Sempre admiramos isso nele. Às vezes, essa honestidade aparece de uma forma despreocupada, 'Rocks Don't know', e às vezes é a reviravolta de perder o amor para a grande indústria farmacêutica. Quando ele nos perguntou sobre trabalhar neste vídeo, largamos tudo para estar lá. O amor que Willi traz para esta história é complicado e catártico. Sempre significará muito trabalhar com Willi Carlisle.”

“When The Pills Wear Off” foi inicialmente lançado como single antes do LP de Carlisle, Critterland , produzido por Darrell Scott , que a Rolling Stone chamou de “Um belo documento folk do cálculo e da redenção americana” e Stereogum apelidou de “… penetrante, nitidamente observado e inabalavelmente específico.” 

Os fãs podem assistir ao videoclipe de “When The Pills Wear Off” hoje neste link e transmitir ou comprar Critterland aqui mesmo . Carlisle acabou de terminar a primeira etapa de sua turnê de 2024, mas pegará a estrada novamente em abril, com paradas em Asheville, Nashville e muito mais, antes de uma série de datas em junho para apoiar Tyler Childers. Uma lista completa das datas da turnê pode ser encontrada abaixo ou em willicarlisle.com .

Keith Urban lança novo single ‘Messed Up As Me’

 Promessas feitas, promessas cumpridas e mais músicas do quatro vezes vencedor do Grammy, Keith Urban . “Messed Up As Me”, lançado este mês, é outro lançamento de seu álbum ainda sem nome. 

Keith Urban lança novo single ‘Messed Up As Me’

OUÇA “MESSED UP AS ME” AQUI


“Vamos colocar desta forma”, diz Urban, que estreou a música durante o CRS no The Ryman Auditorium, parte do almoço anual do Team UMG.

Ele continua: “A maioria de nós já esteve em relacionamentos disfuncionais antes, onde não há muita compatibilidade, exceto naquela área em que é tão bom que você aguenta todo o resto. Um telefonema ou uma noitada e você estará de volta onde não deveria estar.”

Musicalmente há uma qualidade não resolvida na música. Assim como um relacionamento disfuncional, é um ciclo de sempre voltar ao que você conhece. “Messed Up As Me”, é produzido por Urban e co-produtor de longa data Dann Huff, e segue o lançamento de “Straight Line” no mês passado. Espera-se que ambos estejam no álbum de Urban, previsto para ser lançado ainda este ano.

Livin' It Up é um álbum de hard bop jazz do organista Jimmy Smith lançado em 1968


 Livin' It Up é um álbum de hard bop jazz do organista Jimmy Smith lançado em 1968. Oliver Nelson foi o arranjador e maestro desta banda cheia de estrelas. Os jogadores incluídos estavam Howard Roberts na guitarra. Ray Brown no baixo normal e Carol Kaye no baixo Fender. Uma seção de cordas também apareceu. A primeira impressão ao ouvir este álbum, é que todas as características básicas da interpretação de Smith estão lá e não são ofuscadas pela orquestração. Para o meu ouvido, uma das faixas mais legais é o tema da série de TV Mission Imposible. Foi dito que o compositor Lalo Schifrin caiu no estúdio enquanto a faixa estava sendo gravada e admirava o tratamento incomum da música desde a duplicação de seu comprimento até a sua assinatura de 5/4 vezes. Outras duas canções notáveis são Big Boss Man e o tema de Valley of the Dolls.



Ney Matogrosso - ...Pois é (1983)

 


Comemorando 10 anos de carreira, Ney Matogrosso realizou um disco divertido como os seus dois anteriores que abria com um imenso pot-pourri de sucessos antigos e trazia pelo menos duas faixas que tocaram bastante nas rádios. Diga-se de passagem, muito divertidas: a faixa-título, pinçada de uma peça teatral e o rock Pro dia nascer feliz, que catapultou a carreira do Barão Vermelho e de Cazuza, seu vocalista e grande amigo do cantor.

Faixas do álbum:
01. Cubanakan/ América do Sul/ Açúcar candy
02. Usina de prata/ Trepa no coqueiro/ Sangue latino
03. Mulheres de Atenas/ Deixa a menina/ Não existe pecado ao sul do Equador
 4. Paranpanpan/ Bandido corazón/ Bandolero
5. Idade de ouro/ Vida, vida/ Homem com H
6. Pois é
7. Coração civil
8. Me abrace mais
09. Babalu
10. Pro dia nascer feliz
11. Cobra Manaus
13. Fogo e Risco
14. Calúnias (Telma Eu Não Sou Gay) (Tell Me Once Again)
15. Até o Fim




Destaque

David Russell

  David Russell O violonista clássico David Russell é reconhecido mundialmente por sua magnífica maestria musical e sua inspirada habilidade...