segunda-feira, 11 de março de 2024

Discografias Comentadas: Sepultura – Parte II

 Discografias Comentadas: Sepultura – Parte II

Após a “Era Max” terminar com a saída do vocalista e guitarrista, o Sepultura tentou continuar como um trio, com Andreas Kisser assumindo os vocais. Mas acabou encontrando no americano Derrick Green (que havia passado por algumas bandas de hardcore de pouca relevância antes de juntar-se aos mineiros) o frontman ideal para continuar sua trajetória. Começava assim a “Era Derrick” na maior banda de heavy metal do Brasil!


Against [1998]

A estreia de Derrick Green pode ser considerada uma continuação de Roots, o último disco com Max Cavalera, com o grupo mantendo o uso de muitas percussões nas músicas e o estilo de vozes do novo cantor não tão diferente do vocalista anterior.

O álbum começa muito bem com a porradaria da curta faixa título, seguida de “Choke“, até hoje presente nos shows, mas depois tem uma queda de qualidade. Algo que nunca entendi foi a banda ter gravado uma versão para “F.O.E.”, há anos usada como tema do programa “Globo Repórter”, e que pouco acrescenta ao track list, assim como as instrumentais “Kamaitachi”, gravada ao lado do grupo de percussão japonês Kodo, “Tribus”, que até saiu em single, e “T3rcermillennium”, com seu clima de jam acústica.

A hardcore “Reza“, com a participação de João Gordo, do Ratos de Porão, as agressivas “Boycott” e “Drowned Out”, as variações de climas de “Unconscious” e a veloz “Hatred Aside“, com participação de Jason Newsted (na época ainda integrante do Metallica), também se destacam em um álbum bastante irregular. A versão nacional contou com os bônus “Gene Machine/Don’t Bother Me” (cover do Bad Brains) e “Prenúncio”, gravada ao vivo com os vocais declamados pelo lendário Zé do Caixão, que inclusive havia sido citado na letra de “Ratamahatta”. Against representou uma queda de qualidade e de vendas na carreira da banda, mas manteve o nome do Sepultura vivo e importante na cena metálica mundial após a conturbada troca de vocalistas.


Nation [2001]

O segundo álbum com Derrick nos vocais introduziu o conceito de uma nação formada pelos fãs do Sepultura, a “Sepulnation” da faixa de abertura, que foi apresentada aos fãs ainda antes do lançamento oficial do disco, quando da participação do grupo no Rock in Rio III.

As letras retratam o que seria o cotidiano desta nação, com seus lados bons e ruins. Musicalmente, os experimentalismos parecem ter evoluído (“Water”, por exemplo, foi gravada com quatro baixos e sem guitarras), e as partes com percussão ganharam ainda mais força (como, por exemplo, em “Uma Cura”, com letra em inglês apesar do título), bem como não se pode reclamar do peso das composições.

Até mesmo vocais limpos foram usados em várias partes, como em “The Ways of Faith”, para surpresa de alguns fãs. As faixas são de difícil assimilação em uma primeira ouvida, devido a suas muitas variações, e os destaques vão para a já citada abertura, o hardcore de “Revolt” e “Human Cause” (com a participação de Jamey Jasta, do Hatebreed), “Saga” (onde os vários climas se encaixam muito bem) e a instrumental “Valtio“, o hino da fictícia nação, que foi composto e executado pelo Apocalyptica.

Como destaques negativos, além da grande variação da maioria das composições (que as tornam meio sem pé nem cabeça), cito os solos de Andreas, que aparecem em número bastante reduzido, e em grande parte mais compostos de barulhos que de melodia ou recursos técnicos, sendo que “Vox Populi” tem um riff principal que beira o ridículo, e “Tribe to a Nation” (com a participação de Dr. Israel – de quem nunca ouvi falar antes) tem até toques de reggae (!), o que a aproxima mais do Soulfly que do Sepultura. Além disso, nem a participação de Jello Biafra, ex-vocalista do Dead Kennedys, consegue salvar a chatinha “Politricks”, com seus vocais discursados e muita lentidão.

A edição brasileira trouxe vários bônus, tendo como destaque a cover para as clássicas “Bela Lugosi’s Dead”, do Bauhaus, e “Rise Above”, do Black Flag. Mais experimental e com músicas mais lentas em relação ao seu antecessor, não é um disco que me agrade muito, e parece que os fãs concordam com isso, pois o álbum vendeu ainda menos que Against, o que fez com que o Sepultura deixasse a Roadrunner, assinando com a SPV

Igor Cavalera, Paulo Jr., Derrick Green e Andreas Kisser.

Roorback [2003]

Este foi por muito tempo o meu disco favorito da “Era Derrick”. Com composições mais diretas e concisas que os dois lançamentos anteriores, o álbum agradou em cheio aos fãs, continuando o estilo mais percussivo iniciado em Roots.

As faixas mais constantes nos repertórios dos shows do grupo, como “Come Back Alive“, “Apes of God” e “Mind War” (que ganhou um vídeo clipe), acabam sendo as mais conhecidas e, neste caso, as melhores do track list, mas não se pode deixar de citar as excelentes “Corrupted”, “Leech” e “Activist” dentre os destaques.

Em um aspecto praticamente inexistente enquanto Max Cavalera estava ao microfone, mais uma vez Derrick usa bastante de vozes limpas ao longo do disco, como em partes de “More of the Same”, “As It Is” e “Bottomed Out”, que é bem diferente do estilo tradicional dos mineiros. Praticamente sem pontos negativos, Roorback é um excelente disco, que só perde em qualidade para os discos da “Era Max” registrados pela Roadrunner. A edição nacional trouxe como bônus a cover para “Bullet The Blue Sky”, do U2, além de um vídeo para esta mesma música.


Revolusongs [2003]

Não sei o motivo pelo qual o Sepultura resolveu gravar este EP de covers, a princípio lançado apenas no Brasil e no Japão, mas ainda bem que o fizeram.

Paradoxalmente, acabou se tornando um dos melhores lançamentos da “Era Derrick”, mostrando que o grupo estava em grande forma após o lançamento de Roorback. Das músicas compostas por Hellhammer (“Messiah“) e Exodus (a clássica “Piranha“), já se esperava que ficasse algo bom, e, embora sem melhorar as versões originais, o grupo não pisou na bola aqui.

O tratamento dado a composições como “Angel” (do Massive Attack) ou “Bullet the Blue Sky” (do U2, que ganhou até clipe, incluído como bônus da edição nacional do disco anterior), tão distantes do estilo do Sepultura, foi surpreendente, e o resultado ficou excelente. Um pouco mais abaixo vem “Mongoloid”, do Devo, e “Mountain Song”, do Jane’s Addiction, que também são diferentes do que se esperaria do grupo (se bem que até Bob Marley eles já haviam gravado antes, então…), mas não ficaram tão legais quanto as outras.

A única pisada na bola de verdade ficou com a ridícula “Black Steel in the Hour of Chaos”, do grupo de rap Public Enemy, que conta com a participação do rapper Sabotage e do DJ Gonzales, e ficou quase inaudível. A brincadeira com as músicas do Metallica na “faixa escondida” lembra o que o grupo americano fez com “Run To The Hills”, do Iron Maiden, no famoso The $5.98 E.P.: Garage Days Re-Revisited, e ficou bem engraçada. Revolusongs seria depois incluído na versão digipak de Roorback (sem a brincadeira com as músicas do Metallica), e é um lançamento menor na discografia da banda, mas um dos que possui maior qualidade.

No ano de 2005, o Sepultura lançou o CD/DVD Live In São Paulo, registrando os vinte e cinco anos do grupo (contados a partir do lançamento de Bestial Devastation), em um show que teve muitas participações especiais (como Alex Camargo, do Krisiun, João Gordo, do Ratos de Porão, e Jairo Guedz, o mesmo Jairo Tormentor dos dois primeiros discos), sendo o segundo registro ao vivo oficial do grupo, e o único (até agora) com Derrick nos vocais. O DVD ainda conta com um documentário sobre os anos de estrada e alguns vídeo clipes.

Andreas Kisser, Paulo Jr., Derrick Green e Jean Dolabella.

Dante XXI [2006]

Dante XXI é um álbum conceitual, baseado na obra “A Divina Comédia”, do poeta renascentista italiano Dante Alighieri. É outro disco que começa muito bem, com a curta “Dark Wood of Error” (logo após a intro “Lost”), “Convicted in Life”, o maior destaque do play (com direito a clipe), “City of Dis“, com um trabalho excepcional de Igor no bumbo duplo, e a porradaria de “False“, com uma parte mais lenta no final.

Mas, daí para frente, as músicas novamente caem de qualidade, perdidas em experimentalismos (como o uso de trompas e violinos em “Ostia”, que não é de toda ruim, e em “Still Flame”), e solos cada vez mais distantes da qualidade dos executados por Andreas na “Era Max”. Além das citadas, me agradam a empolgante “Buried Words” e a porradaria da curta “Crown and Miter”.

Um disco dentro da média da segunda fase do grupo, mas longe da qualidade produzida na primeira metade da carreira, e que foi também o último a contar com o monstruoso (no bom sentido) Igor Cavalera na bateria, sendo que ele deixou a banda para se dedicar a projetos pessoais, e alguns anos depois se juntou a seu irmão Max no Cavalera Conspiracy, que já lançou dois álbuns sensacionais. Mas, mesmo com apenas Paulo Jr. da formação original, o Sepultura seguiu em frente!


A-Lex [2009]

A estreia do baterista Jean Dolabella no Sepultura é outro álbum conceitual, desta vez inspirado na obra “A Laranja Mecânica” (1962) de Anthony Burgess, sendo seu nome (“Sem Lei”, em latim), um trocadilho com o do personagem principal do livro.

Após a curta intro “A-Lex I”, a veloz “Moloko Mesto” abre os trabalhos com tudo, sendo um dos maiores destaques do track list, além de possuir um dos melhores solos de Andreas em anos.

A pesada e cadenciada “We’ve Lost You!” gerou o primeiro clipe de divulgação do disco, e também pode ser incluída nos destaques, ao lado de “Paradox” (uma das melhores composições da “Era Derrick”, lembrando os tempos de Chaos A.D.), “What I Do!” (que também mereceu clipe), “A-Lex II”, “Ludwig Van” (baseada a Nona Sinfonia de Beethoven) e “The Treatment”.

A partir desta faixa, o disco cai bastante de qualidade, e as muitas variações dentro de uma mesma música acabam prejudicando a audição das mesmas, embora não se possa dizer que nenhuma seja desprezível. Jean se saiu muito bem em estúdio, ainda que as partes percussivas (tão importantes na sonoridade do grupo desde Roots) tenham diminuído bastante, ganhando mais destaque apenas em “Filthy Rot”, e a ausência de Igor acabou nem sendo tão sentida. Não foi o álbum que fez o Sepultura recuperar o prestígio de outrora, mas foi uma evolução em relação ao disco anterior.


Kairos [2011]

Os anúncios deste disco na mídia propagavam que ele “faria frente a Arise e Chaos A.D.“. Balela pura! Apesar de ser o melhor registro da “Era Derrick”, Kairos fica abaixo dos álbuns lançados pela Roadrunner com Max nos vocais.

É o primeiro lançamento pela Nuclear Blast, após a saída da SPV, e o último com o baterista Jean Dolabella, que deixou a banda pouco menos de seis meses após o play chegar ao mercado. Neste registro, os mineiros parecem ter resgatado a fase dos anos 90, e ecos dos discos citados (bem como de Roots e Beneath The Remains) aparecem com frequência em certas partes.

Abandonando a ideia de álbuns conceituais, o grupo montou um track list onde é difícil apontar destaques, pois o nível de qualidade é bem alto, mas indico a faixa título (com um excelente trabalho de bateria – Jean mostrou mais uma vez que, pelo menos em estúdio, podia sim substituir Igor muito bem), “Relentless” (que me lembra muito as músicas de Arise), a porradaria de “Mask”, a agitada “Born Strong” e a harcore “No One Will Stand“.

Além dessas, pela primeira vez desde Against uma cover faz parte do track list oficial de um disco do Sepultura (pois “Bullet the Blue Sky” saiu como bônus apenas em algumas edições de Roorback), no caso, a versão para “Just One Fix“, do Ministry, que também ficou excelente. “Structure Violence (Azzes)” tem foco no percussão e trechos em português, e em “Dialog” Derrick novamente usa vozes limpas em algumas partes.

A edição brasileira trouxe os bônus “Point of No Return” e “Firestarter”, original do L7, mas que ficou mais conhecida pela versão registrada pelo The Prodigy. Ao lado de Roorback, talvez seja o único álbum imprescindível da “Era Derrick”, e deixa uma esperança de um futuro ainda relevante para o Sepultura.

Andreas Kisser, Paulo Jr., Derrick Green e Eloy Casagrande.

Com a definição do fenômeno Eloy Casagrande para o posto de baterista (ele que já tocou na banda solo de Andre Matos e no Gloria, além de outros grupos de menor expressão), o Sepultura segue firme e forte na estrada do metal, e um novo lançamento com esta formação já é bastante aguardado pelos fãs.

Resta-nos esperar que o grupo continue com a qualidade demonstrada em seu mais recente álbum, e continue a nos orgulhar não só por seu passado, mas também pelo seu presente. Afinal, como Max já anunciava nos shows (tradição que Derrick manteve), este é o “Sepultura do Brasil”!

Discografias Comentadas: Sentenced

 

 

Shadows Of The Past [1991]

Lançado no auge da primeira onda do death metal, o primeiro disco do Sentenced deixa clara toda a inflûencia que bandas como o Death, o Bolt Thrower e o Paradise Lost exerciam sobre o grupo. Lembremos que estamos falando de 1991, e de discos como Spiritual HealingWarmaster Gothic, e não dos mais recentes destas bandas.

A faixa de aberura, “When The Moment Of Death Arrives”, é rápida, pesada e tem a aura old school que estes mesmos discos possuem. Outros destaques são “Rot To Dead” and “Rotting Way Of Misery”, onde o guitarrista Miika Tenkula já começava a demonstrar que era um músico diferenciado, como os lançamentos futuros do grupo provariam. Vale ainda ressaltar que este é o único álbum da banda onde os vocais ficaram a cargo do guitarrista, sendo gravados pelo baixista Taneli Jarva nos discos seguintes.


North From Here [1993]
 

Com seu segundo lançamento, North From Here, o Sentenced acelerou ainda mais o andamento das canções e refinou bastante o trabalho das guitarras, deixando de lado o death metal tradicional do disco de estréia e investindo no que seria chamado de death metal melódico, numa linha bem próxima ao que o Dark Tranquillity adotaria dois anos depois em The Gallery

Os riffs são técnicos e ríspidos, demontrando até uma certa influência do black metal de bandas como Immortal, e o vocal do baixista Taneli Jarva se encaixou perfeitamente na nova proposta. Os principais destaques do disco são a fantástica “Awaiting The Winter Frost”, “Capture Of Fire” e “My Sky Is Darker Than Thine”, todas donas de riffs inspiradíssimos. Os solos de guitarra também são excelentes, e mostram a evolução técnica que a dupla Miika Tenkula e Sami Lopaka teve em apenas dois anos. Em resumo, North From Here mistura o peso, técnica e velocidade com melodias marcantes, obtendo resultados excelentes.


Amok [1995]
 

O terceiro álbum do Sentenced surpreendeu todos os seus fãs. Em uma mudança radical de estilo, o grupo abandonou por completo o death metal e passou a investir em composições mais cadenciadas, com estruturas mais simples, com foco nos riffs de guitarra e em melodias cativantes, remetendo a bandas como o Mercyful Fate da fase Don’t Break The Oath ou ao Metallica de Ride The Lightning.

A reação dos fãs foi extremada, com uma parcela abandonando o grupo e outra que adorou o novo estilo adotado pela banda. Contudo, independente da sonoridade adotada anteriormente, é inegável que Amok possui diversas qualidades. A abertura com “The War Ain’t Over” é excelente, com ótimos riffs de Tenkula e Lopaka, e uma linha vocal interessantíssima de Taneli Jarva. Aliás, os vocais são outro ponto alto do disco, deixando o gutural de lado, mas mantendo a força e agressividade necessárias.

O disco segue com músicas mais cadenciadas, como as excelentes “Phenix” e “Nepenthe”, que mostrava o caminho que a banda seguiria no futuro, e outras mais aceleradas, como “New Age Messiah” e “Dance On The Graves”. Contudo, o principal destaque do disco é o belíssimo trabalho de guitarras de Tenkula e Lopakaa, com riffs marcantes e solos extremamente melódicos e memoráveis. Uma resenha mais detalhada do álbum pode ser lida aqui.


Down [1996]
 

Com a saída do baixista e vocalista Taneli Jarva, a sonoridade do Sentenced mudou radicalmente mais uma vez. Em Down, lançado em 1996, o grupo apostava em uma sonoridade ainda mais lenta, cadenciada, muito próxima ao doom, mas ainda assim extremamente melódico e cativante, plantando as sementes do estilo que adotaria até o fim de sua carreira.

O novo vocalista, Ville Laihala, tinha um timbre bem próximo ao de James Hetfield, e se encaixou muito bem na nova proposta da banda. A faixa de abertura, “Noose”, também trazia uma característica que seria constante até o fim do grupo, as letras com referências ao suicídio, e se tornou um clássico da banda. Outros destaques são a direta “Bleed”, a melódica “Sun Won’t Shine” e a climática “Keep My Grave Open”, que tem a participação de Vorph, do Samael, nos vocais. Down foi o disco que definiu o estilo que o Sentenced adotaria no resto da carreira, e é até hoje um dos favoritos dos fãs.


Frozen [1998]
 

Com o sucesso de Down, o Sentenced manteve o estilo adotado neste álbum em Frozen, de 1998. Contudo, a produção mais limpa tirou o peso de várias faixas, o que evidenciou as belas melodias do disco, mas causou reclamações por parte de alguns fãs, que até hoje acham que o disco poderia ser melhor.

A temática suicida ganhou ainda mais força, e boa parte das letras do álbum gira sobre este tema. O disco abre com a instrumental “Kaamos”, e tem sequência com a ótima “Farewell”, onde a capacidade do grupo para forjar excelentes refrões fica nítida.

“The Suicider” mostra o lado mais pesado de direto da banda, enquanto “The Rain Comes Falling Down” apresenta a faceta mais climática e viajante do conjunto. O disco ainda guarda duas pérolas no seu fim, a melódica “Drown Together” e a pesada “Let Go (The Last Chapter)”, que encerram o álbum em grande estilo.


Crimson [2000]
 

Cada vez mais seguros e confortáveis com a sonoridade adotada desde Down, o grupo lançou em Crimson um belíssimo apanhado de canções, que coroavam o bom momento da carreira da banda.

O disco abre com a excelente “Bleed In My Arms”, que tem um ótimo refrão e linhas de guitarra interessantíssimas. Outros destaques são as fortes “Fragile” e “Broken”, que também têm refrões fortes e marcantes, assim como o single “Killing You, Killing Me”.

Contudo, a melhor faixa do álbum é “Dead Moon Rising”, que é climática, soturna e inesquecível. O nível do disco cai um pouco em sua segunda metade, mas ainda assim Crimson é um dos principais lançamentos da carreira da banda, e expandiu ainda mais o nome da mesma no mundo todo.


The Cold White Light [2002]
 

Lançado em 2002, The Cold White Light seguia exatamente de onde Crimson havia parado. Mantendo a mistura de hard rock, heavy metal e goth rock que a banda vinha adotando, o disco abre com a ótima “Cross My Heart And Hope To Die”, seguindo o padrão Sentenced de compor ótimos refrões.

“Excuse Me While I Kill Mylself”, mais rapida e direta, se tornaria uma das favoritas dos fãs, e uma constante nos shows da banda, assim como “Brief Is The Light”. A música de trabalho do disco foi a balada “No One There”, onde o talento do vocalista Ville Laihala e dos guitarrista Miika Tenkula e Sami Loppaka ficam bastante claros. Em resumo, The Cold White Light trouxe poucas novidades à sonoridade do grupo, mas agradou aos fãs devido à qualidade das composições.


The Funeral Album [2005]
 

Com um nome forte na cena, fazendo turnês como headliners e com diversas apresentações em festivais pela Europa, foi uma surpresa quando o Sentenced anunciou que encerraria suas atividades, e que seu próximo disco, propositalmente intitulado The Funeral Album, seria também seu último.

E a despedida foi em grande forma. mantendo o estilo que o grupo vinha adotando nos últimos 10 anos, The Funeral Album apresenta a mistura entre hard rock, heavy metal e gótico que a banda sempre fez tão bem, repleta de belas melodias e refrões marcantes. Músicas como “May Today Become The Day”, “Ever Frost” e “Vengeance Is Mine” fazem jus a carreira do grupo, e são os principais destaques do disco. Há ainda uma pequena ode ao passado death metal da banda, na curta instrumental “Where Waters Fall Frozen”.

O disco termina com a melancólica “End Of The Road”, que é triste, lenta e soturna como deveria ser, encerrando o disco e a carreira de uma das mais interessantes bandas das décadas de 90 e 00.


ROCK ART


 

Tenko - Slope. Gradual Disappearance (1987)


- Tenko / voz, bateria, guitarra
- Fred Frith / guitarra, baixo, piano, bateria, violino
- Ned Rothenberg / Saxofone [Alto], flur
-David Moss/vocal
- David Licht / Bateria [Caixa] -
- Zeena Parkins / harpa [elétrica], acordeão
- Wayne Horvitz / piano, sintetizador [Dx7, Dx100]
-Arto Lindsay/guitarra

um pequeno exército de músicos pioneiros de Nova York convocados sob os "comandos" de TENKO, um vocalista japonês que partiu de origens tradicionais, artísticas e japonesas, para se desenvolver através de incríveis idéias e habilidades de som bucal... um som semi-improvisado, extremo, mas mundo frequentemente familiar de acrobacias vocais, diálogos falados afiados, antíteses polifônicas, canções de ninar assombradas, fundos murmurantes, auras verbais ou não verbais e belo canto convencional... encontrado nos experimentos de ruído dos anos 80 e na vanguarda. TENKO trabalhou com projetos de improvisação e viajou muito com conjuntos vocais experimentais, então "Slope gradual desaparecimento" não foi apenas um LP de estreia (!) apaixonado e vanguardista, mas também um trabalho de conhecimento e experiência destilados, rico em influências multiculturais. e referências históricas/mitológicas globais. Não evite o contato com Slope Gradual Disappearance...TENKO irá levá-lo a espaços vocais que teriam ficado, sem ela, vazios, vazios. 



Anonima Sound Ltd.- Red Tape Machine (1972)

 


Formado em 1964 na cidade italiana de Urbino, o ANONIMA SOUND era um trio de beat-pop que gravou quatro singles, incluindo o single "Fuori piove", lançado em 1967. Em 1970, o vocalista e guitarrista Ivan Graziani saiu para seguir carreira. como artista solo, o que o tornaria um dos cantores e compositores italianos mais populares dos anos oitenta.

Neste ponto, após ter recrutado novos membros, a banda mudou seu nome para ANONIMA SOUND LTD. Após o lançamento do single “Io prendo amore” em 1971, eles se tornaram um sete integrantes que incluía um músico inglês e dois americanos, e mudaram completamente sua orientação musical. Em 1972 lançaram o álbum "Red Tape Machine", inteiramente cantado em inglês e influenciado pela psicodelia britânica e pelo rock progressivo. É um trabalho interessante, com influências óbvias do JETHRO TULL: o cantor tenta em alguns momentos imitar Ian Anderson, e um dos principais instrumentos utilizados pela banda é a flauta. No entanto, ANONIMA SOUND LTD. também foram uma das bandas de som mais distintas da cena prog italiana do início dos anos setenta.

Anonima Sound Ltd. é um exemplo raro e muito interessante de uma banda italiana de prog dos anos setenta influenciada mais pela psicodelia do que pelo prog sinfônico.




Jean-Jacques Birgé, Francis Gorgé, Shiroc - Défense de (1975)

 


O álbum cult (Défense de pertence à Nurse With Wound List) de 1975, reeditado em 2004 pela MIO Records, pela primeira vez em CD com material inédito das mesmas sessões. O conjunto inclui um DVD que traz, também pela primeira vez, o filme vanguardista/psicodélico La nuit du phoque, realizado por Jean-Jacques Birgé e Bernard Mollerat em 1974 (legendas em inglês, francês, hebraico, japonês) e Sessões de junho , 6 horas de música feita pelo trio/quarteto entre 1975-1976.
  • Jean-Jacques Birgé - sintetizador ARP 2600, teclados, fitas, sax alto, flautas, cordas, percussão
  • Francis Gorgé - guitarra, baixo, violoncelo, percussão
  • Antoine Duvernet - sax tenor (em 1, 3)
  • Jean-Louis Bucchi - piano Fender Rhodes (em 4,7,8)
  • Shiroc - bateria, percussão (em 2, 4,7,8, Studioscope)
  • Gilles Rollet - bateria, percussão (no Studioscope)
MIO continua o que parece ser uma campanha para reeditar todas as joias perdidas da lista Nurse With Wound com este documento seminal e há muito esquecido da cena progressista francesa. Birgé Gorgé Shiroc eram Jean-Jacques Birgé, Francis Gorgé e Shiroc antes dos dois primeiros formarem o principal coletivo progressivo Un Drame Musical Instantane. Gravado em 1975, Défense de é o seu único disco sob o nome BGS, entrando nos braços da obscuridade apenas um ano antes de Un DMI se tornar ativo. Como tal, o disco traça um retrato de Birgé e Gorgé numa fase inicial do seu desenvolvimento, mas já transbordando de boas ideias.

A música é altamente improvisada, com fortes laços com o free jazz e a fusão da época, tornada progressiva quase que sozinha através da obsessão de Birgé por sons bizarros de sintetizadores e sua capacidade de incorporar uma enorme variedade de instrumentos exóticos, brinquedos, fitas e até mesmo cantos de pássaros. A mistura. Grande parte do álbum soa como Herbie Hancock da era Crossings / Sextant, com um toque psicodélico e corajoso, onde passagens mínimas e fervilhantes são interrompidas por surtos agrupados em vez de reviravoltas ágeis de funk. Com menos de 45 minutos, o Défense de precisava de um pouco de acolchoamento para a reedição e o MIO foi mais do que generoso. Ao CD eles adicionaram meia hora bônus de gravações de sessões do álbum, e o pacote também inclui um DVD com seis horas de fitas caseiras e material ao vivo, além de 40 minutos. filme de Birg? e o amigo da escola de cinema Bernard Mollerat chamado La Nuit Du Phoque ("A Noite do Selo"). Previsivelmente, esta música inédita, apelidada coletivamente de “The June Sessions”, explica o carinho de Stapleton pelo grupo muito melhor do que o álbum, a única coisa que ele poderia ter ouvido. Eles mostram o BGS em sua forma mais aventureira, mergulhando em tudo, desde texturas sombrias e proto-industriais, até ascensões de guitarra frippianas, até as versões estendidas e vagas do drama musical que informam seu trabalho como Un DMI A abordagem aberta da banda para construir suas composições em múltiplas camadas foram, sem dúvida, o que atraiu os ouvidos de Stapleton, e essas sessões disponibilizam investigações quase exaustivas sobre o "processo" do grupo. O filme também é bom, uma hilária viagem dadaísta por Paris e arredores, com legendas em inglês e uma trilha sonora que isola a abordagem mais ambiental e textural de Birgé ao som de sintetizador e órgão. A enormidade desta reedição é suficiente para garantir seu apelo aos fãs de qualquer coisa progressiva, e os admiradores de Un Drame Musical Instantane ficarão chocados com o fato de um cache desse tamanho ter lhes escapado por tanto tempo. 




John Cale - Shifty Adventures in Nookie Wood (2012)

 


Em “December Rain”, a sexta música do novo álbum de John Cale, Shifty Adventures in Nookie Wood, Cale canta uma frase sobre “O Google está te irritando”. Ele não explica, então nunca descobrimos o que ele acha que pode nos irritar no Google: o Google Docs (que frequentemente apaga dados importantes, percebi)? Google Reader (apertado, visualmente desagradável)? Ele apenas diz "Google". O fato de ele cantar através do Auto-Tune dá ao momento um toque de paródia. Cale está na vanguarda do art-rock há décadas; ele é a única pessoa no centro da nuvem de tags “John Cage”, “Aaron Copland”, “Lou Reed”, “Patti Smith” e “Sham 69”. Seu cover de "All My Friends" do LCD Soundsystem rivaliza com o original. Você não quer ouvi-lo parecer fora de alcance.

Depois, é claro, há o título do álbum, que existe, magnificamente, além do domínio do gosto e julgamento normais. “Nookie Wood”, a julgar pela respiração pesada de Cale na música titular, é um lugar sombrio e assustador onde feras vagam e homens são devorados inteiros. Nookie Wood é definitivamente estranho, em outras palavras. O que não é, infelizmente, é terrivelmente interessante: assim como David Byrne e St. A recente colaboração de Vincent, Love This Giant, Shifty Adventures parece bem composta, imaculadamente organizada e curiosamente inerte.

Parte do problema vem das escolhas de produção de Cale, que parecem menos desta época do que o final dos anos 1980 e início dos anos 90: os sons de bateria quadradão, a superfície texturizada e os sons de teclado rígidos e pegajosos me lembram, especificamente, de Us, de Peter Gabriel. O brilho adulto-contemporâneo não faz as músicas aqui, que estão repletas de sons interessantes, nenhum favor. Cale trabalha duro, batendo pianos e MPCs, executando sons de bateria ao contrário e preenchendo as margens com falhas e loops. Sua viola serpenteia e se mistura com uma voz frequentemente levemente autoajustada. Mas a superfície laqueada do álbum reveste o caos e impõe uma ordem indesejável. É como ver um homem não conseguir arrancar uma camisa social excessivamente engomada.

Se Cale tivesse trazido músicas mais memoráveis, Shifty Adventures poderia ter conseguido sair dessa meia distância. Mas a composição é sinuosa e vaga, parecendo menos escrita do que extraída de um arsenal de truques de estúdio. Como o recente trabalho solo de Brian Eno para Warp, Shifty Adventures tem uma sensação de quadro completo e sem pintura: o single principal "I Wanna Talk 2 U" (co-produzido por Danger Mouse), é um rock acústico de ritmo médio mecânico e obediente, sem uma única virada inesperada.

Cale às vezes pica o ar com uma frase comovente - 'Eu sempre me agarrei ao pensamento / Que se eles te amassem por tempo suficiente / Eles descobririam o que estava faltando quando finalmente descobrissem seu blefe', é a triste salva de abertura em "Hemingway" - mas grandes trechos do álbum passam sem dar a você um bom motivo para prestar atenção, a não ser notar um loop de bateria tátil e pegajoso aqui ("Face to the Sky") ou uma bela explosão de sol acústico guitarras lá ("Living With You"). Isso é o que acontece, às vezes, quando um produtor se perde no estúdio e se esquece de escrever um álbum, e Shifty Adventures parece mais uma coleção de gadgets do que de músicas.



 

Snatch (1983)

 


Snatch era originalmente se o News of The World fosse se chamar Cho-Cha antes que o nome sexualmente ambíguo de Snatch fosse definido. Snatch foram Patti Palladin e Judy Nylon, duas expatriadas dos EUA:

"Conheci Judy por telefone. Eu estava tendo uma conversa transatlântica ao telefone com um amigo em Londres. Eu estava em Nova York na época e Judy estava em seu estúdio. Quando cheguei a Londres, por volta de 1974, nos tornamos bons amigos. Estávamos tentando o nosso melhor para fazer algo funcionar, nós dois éramos garotas criativas... Nós dois tínhamos algum tipo de ideia.

Para duas garotas estrangeiras que moram em Londres, o que realmente há para fazer? Então é por isso que Rock & Roll! Era a coisa óbvia para sair do tédio. Pensamos em formar uma banda juntos. Trabalhamos em letras, melodias e coisas básicas. Mas foi difícil tentar encontrar pessoas que entendessem de onde viemos. Naquela época, todos os punks começaram a aparecer de repente. Todo mundo dizia: “Eu sou um punk. Sou legal, sou agressivo, vamos mudar isso” e toda essa merda. "Entrevista com John Savage. Pesquisar e destruir # 8

Eles certamente tinham uma atitude revigorante e blasé em relação ao negócio do rock'n'roll. Shows esporádicos e singles esporádicos quando sentiram necessidade, de 1976 a 80, e uma colaboração em um single de Brian Eno. Eles até alcançaram o 54º lugar nas paradas com All I Want, mas não fizeram nenhum esforço para lucrar. Tanto Judy quanto Patti eram indivíduos obstinados e comprometidos que nunca exploraram sua sexualidade ou a indústria musical em que se encontravam, ao contrário da maioria de seus contemporâneos punk da época. Foi tudo nos termos deles.

Snatch nunca foi uma configuração permanente. Na verdade, foi realmente uma colaboração entre Patti, Judy e quem mais. Eventualmente, eles seguiram caminhos separados. Ambos continuam gravando e nas artes até hoje.




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