sábado, 5 de outubro de 2024

DE Under Review Copy (CHATEAU ROYALE)

 

CHATEAU ROYALE

A ideia de formar um grupo teria sido já congeminada em 1989, ano em Luís Garcês e Adozinda Peguincha trabalhavam na Jukebox e davam uma mão no Rock Rendez Vous. Essa experiência ter-lhes-ia dado a verdeira percepção de quão dificil era formar um grupo em Portugal e, mais ainda, conseguir leva-lo avante. É nessas circunstâncias que, ainda antes do virar da década, assumem a decisão de emigrar para Londres, se bem que ainda sem a intenção imediata de dar origem imediata ao projecto. Apesar de terem iniciado uma fase de composição de temas durante 1991, só em Janeiro de 1992 é que nascem os Chateau Royale, tendo Garcês - que se ocupava dos teclados, programações rítmicas e coros - optado por assumir a designação artística de Cyrus. Adozinda, que assumiu as vozes e teclados, passa a apresentar-se como Ady. O nome que adoptaram para o colectivo pretendia reflectir um certo imaginário poético-romântico, ao mesmo tempo que a opção pelo idioma francês reforçava essa ideia, emprestando-lhe uma certa ressonância musical. Acolhendo no seu seio o baixista Manson, começam a trabalhar no primeiro registo. Das sete canções que haviam composto, gravam quatro, durante Julho e Agosto, constituíndo estas a sua primeira demo, a que apelidaram de "Forest of Gates". Povoada de boas melodias, negras, nostálgicas, mas com uma leveza e simplicidade próxima do synth-pop, a cassete apresenta uma sonoridade original que, apesar do minimalismo de recursos (teclados, baixo e caixa de-ritmos), consegue apresentar-se densa e elaborada. O único senão do registo prende-se com o nível das vocalizações, que se apresentam, em vários trechos, inseguras e com alguma dissonância. Apesar disso, o registo esgota rapidamente e é objecto de uma segunda edição (mais tarde, a banda retira-la-á do mercado, devido a insatisfação com o resultado final do trabalho). Setembro assiste à sua primeira actuação ao vivo, sendo que pouco tempo após a mesma, o grupo fica sem Manson, que abandona o projecto, sendo substituído por Charles, seu irmão e até aí técnico de luzes da banda. Já em Dezembro, os Chateau Royale regressam a estúdio para gravar novo trabalho, "Angel", que virá a ser editado ainda durante esse mês. Continuando a desenvolver a matriz de ideias anteriormente exploradas, este registo apresenta, porém, uma notória melhoria do registo vocal, que agora surge muito mais seguro, contundente, afirmativo e enquadrado, arriscando-se mesmo por paisagens mais etéreas. Essa segurança vocal permite, aliás, que a banda registe uma faixa apenas com voz, "Dreamfield". Durante 1993 conseguem arranjar mais alguns concertos e participam em várias colectâneas como "Call of the Banshee" (com "Believe Me"), "T-Secret Sessions Vol.5" (com "Christiane F"), "Gotisch I" (com "Tell Me Why"), "Dead By Dawn I" (com "Christiane F") e "The Skull Series Vol.I" (com "Tell Me Why"). Entretanto, em meados do ano, montam o seu próprio estúdio e fundam a editora Christus Release. Ainda em 1993, Charles abandona o grupo não sendo substituído. Luís, agora conhecido por Baron Garcês, ocupar-se-á do registo do baixo em estúdio. Em Janeiro de 1994, o grupo inicia os trabalhos de gravação de um CD-Single que virá a ser intitulado de "In Mourning". Contendo três temas, apresenta uma nova vertente do som que vinham a desenvolver, mais ambiental e com arranjos mais subtis e complexos, repescando algum do espírito medieval e do canto gregoriano que os seus membros lhe desejavam imprimir. O trabalho será editado já pela sua própria editora, tendo sido objecto de boas crónicas. Ainda durante esse ano, vai sair, via Enochian Calls, uma cassete que compila temas dos três registos anteriores: "Believe Me" (retirado de "Forest of Gates"), "Angel", "Christian F" (ambas retiradas de "Angel") e "She’s Dying" (retirado de "In Mourning"). Após terem contribuido com "She’s Dying" para a compilação "In Articulo Mortis" durante 1995, lançam, no ano imediatamente seguinte, pela Christus Records, uma edição CD de "Angel", incluindo mais uma faixa que a versão em cassete apresentava. A versão regravada de "Believe Me", com novos e mais complexos arranjos e nova vocalização, tornando o tema ainda mais forte. No entanto, após este lançamento, nada mais se soube deste projecto que, entretanto, foi ganhando algum culto nos meios mais underground. [Paulo Martins]
DISCOGRAFIA


ANGEL [Tape, Edição de Autor, 1992]


FOREST OF GATES [Tape, Edição de Autor, 1992]

 
IN MOURNING [CD, Christus Release, 1994]

ANGEL [CD, Christus Release, 1995]


CHATEAU ROYALE [Tape, Enochian Calls, 1995]

COMPILAÇÕES


CALL OF THE BANSHEES [Tape, No Control Torture, 1993]

 
T SECRET SESSIONS 05 [Tape, Peresgótika, 1993]
GOTISCH I [Tape, Bats And Red Velvet, 1993]

 
IN ARTICULO MORTIS [Tape, Requiem Productions, 1993]
T SECRET SESSIONS 09 [Tape, Peresgótika, 1995]



DE Under Review Copy (CENSURADOS)

 

CENSURADOS

Os Censurados, banda já extinta, merecem ficar para a história da música rock independente portuguesa como um emblema de uma época. Como qualquer banda punk que se preze, seja da Califórnia ou de Alvalade, os Censurados foram sempre um perfeito exemplo de DIY. Por isso, acabaram quando lhes faltou a independência. E também por isso ficaram como pioneiros ao colocar num disco, lançado em 1990, influências até aí circunscritas ao underground do nosso país: beberam a herança dos Xutos e a rebeldia dos Crise Total/Kú de Judas e todos os cultos e angústias de uma geração. E na altura em que os Censurados acabavam em Portugal, o punk renascia a nível internacional. Estranha coincidencia? Os Censurados foram criados em 1988, pelo antigo vocalista dos Kú de Judas, João Ribas, que a seu cargo tem a Voz e a Guitarra, a ele se juntou o Guitarrista Orlando Cohen, o ex membro dos Peste & Sida, o Baterista Samuel Palitos e ainda o Baixista Fred Valsassina. Conseguiram, em 1990, o lançamento do primeiro álbum que dava pelo nome de "Censurados" e que tirou a banda do anonimato, muito em parte graças ao single com o nome do álbum. Em 1993, e após vários anos de estrada, vem o álbum "Sopa" que conta com o single homónimo e com uma participação de Jorge Palma no tema "Estou Agarrado a Ti" ao qual emprestou Voz e Letra. Em 1994 dá-se o fim dos Censurados, que acabam em grande com a participação no disco "Filhos da Madrugada", tributo a Zeca Afonso, para o qual reeditaram uma das musicas mais famosas deste cantor de intervenção, "O Que Faz Falta. [João Pedro Batista]

DISCOGRAFIA

 
CENSURADOS [LP, El Tatu, 1990]

 
CONFUSÃO [LP, El Tatu, 1991]

 
SOPA [CD, EMI-VC, 1993]

 
AO VIVO EM COIMBRA 1999 [CD, Carbono, 2003]

COMPILAÇÕES

 
FEEDBACK [LP, Feedback, 1990]

 
JOHNNY GUITAR [CD, EMI-VC, 1993]

 
OS FILHOS DA MADRUGADA CANTAM JOSÉ AFONSO [2xLP, BMG, 1994]

 
XX ANOS XX BANDAS: XUTOS & PONTAPÉS TRIBUTO [CD, EMI-VC, 1999]

 
RARIDADES 01 [7"EP, Infected-Zerowork, 2009]



"Reggatta de Blanc" (A&M,1979), The Police

 


Em 1978, o The Police estourou no cenário musical britânico com seu álbum de estreia, Outlandos d'Amour, impulsionado pelo sucesso do single "Roxanne" tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos. Esta faixa, com sua mistura distinta de energia punk e influências de reggae, marcou a chegada de uma banda que estava preparada para redefinir o cenário musical. O som fresco e a energia bruta do álbum capturaram a atenção do público e da crítica, garantindo ao The Police um lugar no crescente movimento pós-punk e estabelecendo grandes expectativas para seu sucessor. 

O trio britânico, formado por Sting (vocais e baixo), Andy Summers (guitarra) e Stewart Copeland (bateria), adentrou o ano de 1979 impulsionado pelo sucesso de "Roxanne" nas paradas britânicas. O panorama musical britânico naquele ano mostrava-se vibrante e eclético, com a ferocidade inicial do punk dando lugar a atos mais experimentais e de mistura de gêneros do pós-punk. Assim como o The Police, bandas como The Clash e The Jam também faziam seus experimentos ao fundir punk e reggae, flertando com a new wave, tendência que emergia como uma força indomável. 

A expectativa pelo segundo álbum do The Police era palpável. Fãs e críticos se perguntavam se a banda poderia replicar o sucesso de Outlandos d'Amour e expandir seu som inovador. O trio enfrentou o desafio de não apenas atender, mas superar as expectativas estabelecidas em sua estreia. 

Sting, Summers e Copeland começaram a gravar material para o segundo álbum em fevereiro de 1979, no Surrey Sound, em Leatherhead, uma pequena cidade a 27 km de Londres. O álbum foi gravado em quatro semanas, espaçadas entre fevereiro e agosto de 1979, tendo na produção Nigel Gray (1947-2016), proprietário do Surrey Sound e que trabalhou na engenharia de som do primeiro álbum do Police.

The Police em 1979, da esquerda para a direita: Andy Summers,
Sting e Stewart Copeland.


Diferente da gravação de Outlandos d'Amour, onde havia um farto material, a quantidade de canções compostas para o segundo álbum era limitada. Para suprir essa escassez, o trio teve que resgatar canções antigas ou esquecidas, algumas delas da época em que Sting integrava a Last Exit, banda anterior ao The Police. 

Reggatta de Blanc, o tão esperado segundo álbum, foi lançado em 5 de outubro de 1979. O título, uma mistura divertida de francês e inglês, se traduz como "reggae de branco", refletindo a fusão inovadora de elementos de rock e reggae da banda. Composto por 11 faixas, o álbum mostra ao longo de cerca de 41 minutos uma mistura mais aprimorada de rock e reggae, incorporando também elementos de punk e new wave. 

Comparado a Outlandos d'AmourReggatta de Blanc apresenta um som mais refinado e maduro. Enquanto o álbum de estreia foi cru e energético, o segundo álbum beneficia de uma melhor qualidade de produção e de uma visão musical mais coesa. O crescimento da banda como músicos e compositores fica evidente ao longo do álbum. 

As letras de Reggatta de Blanc abordam temas que vão desde solidão e amor até reflexões existenciais. "Message In A Bottle" trata do isolamento e do desejo de conexão, enquanto "Bring On The Night" reflete sobre o medo da mortalidade e do desconhecido. O conteúdo lírico, muitas vezes introspectivo e pessoal, é complementado pelos arranjos musicais dinâmicos da banda, valorizando ainda mais o conteúdo das letras. 

Cena do videoclipe de "Message in the Bottle".

O álbum abre com a já citada "Message In A Bottle", faixa que rapidamente se tornou um marco no repertório do The Police. É uma introdução perfeita ao álbum, mostrando o talento da banda em misturar melodias cativantes com temas líricos profundos. A letra fala de um náufrago em uma ilha que envia uma mensagem numa garrafa pedindo ajuda. Um ano depois, ele descobre numa praia milhões de garrafas com pedidos de ajuda trazidas pela maré. O náufrago se dá conta de que, assim como ele, há muitos outros náufragos pelos mares. Seria a letra uma metáfora sobre a solidão nos grandes centros urbanos? 

A faixa seguinte, "Reggatta de Blanc", que dá nome ao álbum, é uma faixa instrumental hipnótica que ressalta as influências do reggae da banda. Esta música surgiu de improvisações ao vivo enquanto tocavam "Can't Stand Losing You", um dos grandes sucessos do primeiro álbum. "Reggatta de Blanc" destaca a capacidade dos membros do The Police em criar músicas atraentes sem depender de letras. 

"It's Alright for You" mostra o The Police de volta às suas raízes punks, porém com mais polimento pop. O reggae-rock "Bring on the Night" foi reciclado de uma antiga canção de Sting, "Carrie Prince (O Ye of Little Hope)", da época em que o vocalista integrava a Last Exit. A música mergulha em sentimentos de incerteza e na busca por significado. 

O lado 1 do álbum termina com "Deathwish". A música traz um tema sombrio em seus versos, abordando o comportamento imprudente do eu lírico em dirigir perigosamente durante uma viagem à noite, como se quisesse desafiar a morte. 

Detalhe da contracapa do álbum Regatta de Blanc.

O lado 2 do álbum começa com o reggae "Walking on the Moon", um dos maiores sucessos da carreira do The Police, com uma linha de baixo fenomenal. A letra retrata de maneira metafórica a sensação de leveza e euforia do eu lírico quando está ao lado da pessoa que ama, como se estivesse "andando na Lua". 

"On Any Other Day" mostra o lado new wave do The Police, cuja letra trata de maneira bem-humorada um dia desastroso de um indivíduo, marcado por uma série de infortúnios. "The Bed's Too Big Without You" é outra faixa presente no álbum e criada por Sting na época do Last Exit. A música é um reggae sobre solidão e fim de relacionamento, baseada num incidente com a primeira namorada de Sting, que, após o término, não conseguiu superar a dor e, num ato desesperado, pôs fim à própria vida. 

"Contact", um pop rock com "vernizes" new wave, traz uma sonoridade grave e tensa criada por sintetizador e trata dos contratempos e dificuldades do eu lírico em estabelecer contato. Em "Does Everyone Stare", o The Police faz uma incursão sutil na ópera e no jazz, com Andy Summers mostrando sua habilidade no piano e Stewart Copeland fazendo a segunda voz. 

O álbum termina com o ritmo frenético e nervoso de "No Time This Time", onde Sting canta de forma estridente sobre a falta de tempo e a pressa constante da vida moderna: "Não há tempo para as complexidades da conversa / Não há tempo para sorrir, não há tempo para conhecer / Não há tempo para as complexidades da explicação / Não há tempo para dividir, muito menos para mostrar / Se eu pudesse / Eu desaceleraria o mundo todo". 

Após seu lançamento, Reggatta de Blanc recebeu críticas positivas da imprensa musical. Os críticos elogiaram o álbum por seu som inovador e pela capacidade da banda de misturar diferentes gêneros de forma eficaz, e apontaram as faixas de destaque e notaram a consistência e coerência do álbum. Reggatta de Blanc foi visto como um avanço significativo para o The Police, mostrando seu crescimento e maturidade como artistas. 

Gravada pelo The Police para o álbum Reggatta de Blanc,
 "The Bed's Too Big Without You" foi composta por Sting quando
integrava a banda Last Exit ( ele é o primeiro à esquerda foto).

Reggatta de Blanc foi um sucesso comercial, alcançando os primeiros lugares das paradas de álbuns de vários países. O sucesso dos singles "Message In A Bottle" e "Walking On The Moon" ajudou a impulsionar as vendas do álbum, que acabou se tornando multi-platina. 

O segundo álbum do The Police chegou ao 1° lugar na parada de álbuns do Reino Unido, da Austrália e da Holanda. No Canadá, Reggatta de Blanc alcançou o 2° lugar na parada de álbuns, enquanto que na Nova Zelândia ficou em 3°. Na parada da Billboard 200, nos Estados Unidos, o álbum ficou em 25°. 

As vendas de Reggatta de Blanc foram excelentes. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, o álbum alcançou a marca de 1 milhão de cópias vendidas. Na França foram 400 mil cópias vendidas e na então Alemanha Ocidental 250 mil cópias. 

Os singles de Reggatta de Blanc também tiveram um ótimo desempenho. No Reino Unido, o single "Message In A Bottle" alcançou o 1° lugar, foi 2° na parada de singles do Canadá e 5° na da Austrália. O single "Walking On The Moon" chegou ao topo das paradas de singles do Reino Unido e da Irlanda, enquanto que na França e na Austrália ficou em 9° lugar. 

The Police ao vivo no Danforth Music Hall, em Toronto, Canadá, em
novembro de 1979. A apresentação fez parte da turnê
do álbum Reggatta de Blanc.

Entre agosto de 1979 e abril de 1980, o The Police realizou uma longa turnê internacional para promover Reggatta de Blanc. A turnê passou pelos Estados Unidos, Canadá, Bélgica, Reino Unido, Alemanha Ocidental, Holanda, França, Grécia, Itália, Espanha, Japão, Nova Zelândia, Austrália e até países que então raramente faziam parte da rota dos grandes astros da música internacional, como Egito, Índia e China. Isso comprova o imenso alcance de popularidade que Reggatta de Blanc proporcionou ao The Police. 

O legado de Reggatta de Blanc transcende seu sucesso inicial, marcando profundamente o desenvolvimento dos gêneros new wave e pós-punk. A fusão inovadora de rock e reggae estabelecida neste disco não só abriu novos caminhos para outros artistas, como também se destaca como um dos pontos altos na discografia do The Police. 

A mistura ousada de estilos presente no álbum influenciou uma geração de músicos e ajudou a moldar os movimentos musicais do início dos anos 1980. Canções icônicas como "Message In A Bottle" e "Walking On The Moon" não apenas se tornaram clássicos atemporais, mas também continuam a ser amplamente reproduzidas e reinterpretadas por novos artistas. 

Reggatta de Blanc é uma demonstração clara da capacidade do The Police de inovar e evoluir, solidificando seu status como uma das bandas mais importantes e influentes de sua era. Este álbum permanece um testemunho da visão criativa e da habilidade musical da banda britânica, capturando um momento de ascensão em sua carreira e continuando a ressoar profundamente entre os ouvintes ao longo do tempo.

 

Faixas

Lado 1

  1. “Message In A Bottle” (Sting)
  2. “Reggatta De Blanc” (Stewart Copeland / Sting / Andy Summers)
  3. “It's Alright For You” (Stewart Copeland / Sting)
  4. “Bring On The Night” (Sting)
  5. “Deathwish” (Stewart Copeland / Sting / Andy Summers)

 

Lado 2

  1. “Walking On The Moon” (Sting)
  2. “On Any Other Day” (Stewart Copeland)
  3. “The Bed's Too Big Without You” (Sting)
  4. “Contact” (Stewart Copeland)
  5. “Does Everyone Stare?” (Stewart Copeland)
  6. “No Time This Time” (Sting)

 

The Police Sting (baixo, vocal, vocal de apoio, baixo duplo e sintetizadores), Andy Summers: guitarra, piano e sintetizadores) e Stewart Copeland (bateria, vocal de apoio, guitarra e vocal principal em "On Any Other Day" e "Does Everyone Stare")


Ouça na íntegra o álbum Reggatta de Blanc


"Message In The A Bottle"
(videoclipe oficial)


"Walking On The Moon" 
(videoclipe oficial)

Martha & The Muffins “Echo Beach” (1980)

 

Esta foi talvez a praia mais ouvida (e dançada) no verão de 1980. Assinada pelos canadianos Martha & The Muffins (que na verdade não voltaram a conhecer um sucesso desta dimensão, apesar de estarem ainda no ativo), Echo Beach é uma das mais solarengas memórias do pós-punk norte-americano na fronteira entre 70 e 80.

O grupo tinha surgido em Toronto em 1977 e em 1978 lançaram numa pequena editora independente o single Insect Music que cativou atenções suficientes para lhes valer o interesse da Dindisc, uma etiqueta da Virgin Records. Em 1979 mudaram-se pontualmente para Londres para aí gravar o álbum Metro Music, que seria editado já em 1980.

Echo Beach foi o primeiro single extraído como avanço do álbum e causou em pouco tempo um fenómeno de sucesso que cruzou fronteiras. A praia a que se refere a canção não é, apesar do mapa apresentado na capa do single, um local real mas antes uma referência imaginária de um espaço para escape para onde se deseja poder ir, algures no espaço e no tempo.



Martha & The Vandellas “Dancing In The Street” (1964)

De Marvin Gaye (um dos autores) a Martha Reeves (com as Vandellas), passando pelos Kinks até chegar a uma nova versão clássica com David Bowie e Mick Jagger, “Dancing In The Streets” surgiu em 1964 e mostra uma notável resistência à erosão do tempo. 

A ideia nasceu numa tórrida noite de Verão em Detroit… Mikey Stevenson via as pessoas a refrescar-se junto a água que jorrava de bocas de incêndio em plena rua. E escreveu uma primeira letra, pensando numa balada. Ao ler as palavras Marvin Gaye sentiu uma outra vida para a canção que ali podia nascer, imaginando-a com um ritmo de dança. Entregue pouco depois a Martha Reeves, que a adaptou a um arranjo vocal seu, Dancing In The Street chegou às lojas de discos em finais de Julho de 1964, em gravação pelo trio vocal Martha and the Vandellas, para se transformar num dos grandes êxitos desse verão e, ao mesmo tempo, numa canção de referência na história da Motown Records.

A canção rapidamente conquistou depois um segundo sentido. Se numa primeira leitura (a que inspirara) tinha nascido como uma mera celebração do verão, do calor, e do sentido de liberdade que lança em todos nós, a verdade é que a evolução da história política e social dos Estados Unidos durante a década de 60 acabou por transformá-la num hino em favor do movimento de luta pelos direitos civis.



O tempo passou e novas versões continuaram a surgir. Uma delas, logo em 1965 pelos Kinks, que a colocaram a abrir o lado B do seu segundo álbum, Kinda Kinks. Um ano depois, em 1996, também os The Mamas & The Papas gravavam uma versão para o seu segundo álbum, chegando mesmo a editá-la também num single, partilhando aí o alinhamento com Words of Love. Ainda em 1966 os suecos Tages incluíam uma versão da canção no seu segundo álbum (Tages 2), editando-a depois em single em 1967. Os Grafeful Dead, que por essa altura começara, também a tocar uma versão da canção nos seus concertos, acabariam por fixar a sua visão numa faixa do álbum Terrapin Station, mudando a grafia para Dancin’ in the Streets. Já na década de 80 teve destaque uma versão assinada pelos Van Halen, que começou por surgir no álbum Diver Down e teve depois vida a 45 rotações, num single. Mas apesar de toda esta multidão de versões, a que mais fez história depois da original surgiria em meados dos anos 80, juntando dois veteranos.

Vinte e um anos depois do single do trio Martha & The Vandellas, integrando o programa do mega-concerto Live Aid, uma nova versão, assinada por David Bowie e Mick Jagger, devolveu Dancing In The Street à linha da frente das atenções, afirmando-se novamente como um hino de verão, desta vez para o ano de 1985.



A ideia inicial era a de fazerem um dueto ao vivo em pleno Live Aid. Bowie em Londres. Jagger em Filadélfia. Mas a ligação por satélite obrigava a um segundo de delay, tornando a interação impraticável ao vivo… E para não obrigar nenhum deles a fazer um playback, optaram por um plano B. Bowie estava então, por esses dias, a gravar em Abbey Road as canções para a banda sonora de Absolute Beginners e, numa tarde, Mick Jagger voou até a Londres e ali passou para que gravassem uma versão da canção. Na mesma noite, com David Mallett, foram para a rua e, nas Docklands, registaram, entre uma série de takes, a matéria prima para o teledisco que seria assim o espaço de revelação da canção no Live Aid. Em meio dia um single e um teledisco nasceram assim. As imagens foram exibidas em direto para todo o mundo. E pouco depois depois era o single que estava na rua.

Prefab Sprout “The King Of Rock’n’Roll” (1988)

 

Já com o mês de agosto a bater à porta recuperamos hoje uma das canções mais célebres da obra dos Prefab Sprout. The King Of Rock’N’Roll surgiu originalmente no alinhamento do álbum de 1988 From Langley Park To Memphis e teve depois edição em single poucas semanas após a edição do álbum.

A canção foi composta juntamente com outra – Cars and Girls – que curiosamente serviu de single de avanço do álbum, antecedendo assim igual destino para este The King Of Rock’N’Roll. Conta-se que Paddy MacAloon terá composto a canção depois de ter lido, no NME, um texto sobre uma versão feira por Edwyn Collins do tema Rock and Roll (I Gave You the Best Years of My Life), canção de 1973 de Kevin Johnson.

Com produção assinada por Thomas Dolby (que trabalhara já com os Prefab Sprout no álbum anterior Steve McQueen), esta canção representou o maior sucesso do grupo no seu mercado natal (o britânico) e serviu de banda sonora a um teledisco invulgar no qual vemos o grupo em volta de uma piscina, entre sapos que servem bebidas e cachorros quentes que dançam…




Scritti Politti “The Word Girl” (1985)

 

A história dos Scritti Politti conheceu, durante a década de 80, “saltos” (ler mudanças de rumo) que muito devem a duas breves sabáticas. A primeira em inícios da década, com Green Gartside (natural da Cornualha) a regressar a “casa” para um retiro que abriu caminho à luminosidade pop mais arrumada que depois levaria ao histórico álbum de estreia Songs To Remember (disco de 1983 que incluía o belíssimo The Sweetest Girl e uma canção dedicada a Jacques Derrida).

A segunda, pouco depois, levou desta vez o vocalista aos EUA, alargando os horizontes da música do grupo às genéticas da soul, do funk, do reggae (que se materializaria nos álbuns Cupid & Psyche ’85 e Provision, respectivamente de 1985 e 1988). O segundo álbum dos Scritti Politti, editado em 1985, apresentava então os primeiros sinais dessa evidente aproximação do grupo aos territórios de uma pop mais luminosa, sugerindo ao longo do alinhamento momentos de diálogo com outros espaços, do R&B e do funk ao reggae.

É por estes últimos trilhos que de desenhava The Word Girl, um dos vários singles extraídos de Cupid & Psyche ’85 que hoje aqui recordamos.




Destaque

Malefic Oath – The Land Where Evil Dwells (Demo 1992)

  Country: Netherlands   Tracklist   1. Intro 01:04 2. Prediction Of The Unborn Son 04:34 3. The Endless Way To The Unknown 03:11 4. Garde...