domingo, 9 de março de 2025

Artista: George Harrison; Álbum: Dark Horse

 


Artista: George Harrison
Álbum: Dark Horse
Ano: 1974
Gênero: Rock

Depois que o sonho acabou, os quatro Beatles seguiram suas carreiras-solo com características bem diferentes umas das outras. John lançou Plastic Ono Band em 1970, um ótimo trabalho minimalista e cru de perfil autobiográfico e quase terapêutico. Paul McCartney já havia lançado seu debut McCartney em 1970, e nele estavam duas das melhores músicas de toda a sua carreira: Junk e Maybe I'm Amazed. Ringo Starr, no mesmo ano do fim dos Beatles (1970) lançou dois álbuns: Sentimental Journey e Ringo; o segundo reuniu todos os beatles em diferentes faixas e foi um sucesso de vendas.

Foi George Harrison quem lançou o debut mais vendido de todos: All Things Must Pass, de 1970. Um álbum triplo de material rejeitado pelos outros beatles (principalmente Paul) e considerado por muitos o melhor álbum que um dos Beatles lançou em carreira solo. Em seguida lançou o também aclamado Living In The Material World, de 1973. E em seguida veio o álbum tratado aqui: Dark Horse, de 1974.

Por que incluir Dark Horse na categoria "Música Estranha e Boa"? Simples: é estranho porque George gravou o disco todo sem ter se recuperado completamente de uma grave laringite. E é bom porque é George Harrison.

A vida pessoal de George Harrison em 1974 estava repleta de novidades. Além do fim de seu relacionamento com a então esposa Pattie Boyd (que iria se casar com um dos melhores amigos de George, Eric Clapton, que inclusive participa do disco), George estava arrastando suas asas para cima de Olivia Arias, que seria sua companheira até a morte em 2001. E aliado a tudo isso está a já citada laringite, que deixou a voz de George completamente rouca. Mas vamos às canções.

Hari's On Tour (Express) é a faixa de abertura. Um belo instrumental, cheio de saxofones e slides. Muito animada, técnica e sem dúvida uma ótima abertura. E em seguida começa uma das músicas mais bonitas da carreira solo de George: Simply Shady. Uma letra filosófica e uma melodia muito trabalhada servem de fundo para uma voz rouca, que se esforça muito para alcançar cada nota mais aguda.

So Sad tem algo de sonhador, como Lucy In The Sky With Diamonds de John. Mais uma vez a música é diretamente influenciada (piorada/melhorada?) pela voz estranha de George. Não sei porque, mas sinto que a banda brasileira Supercordas (eles ainda vão ter uma resenha aqui) foi muito influenciada por essa música. Mais uma letra transcendental de George.

Bye, Bye Love é no mínimo irônica. Como já disse, foi em 1974 que Pattie Boyd (ex-mulher de George) trocou o ex-beatle por Eric Clapton, seu melhor amigo. Foi uma separação traumática, principalmente para Pattie, mas aqui o triângulo amoroso aparece junto, neste cover modificado da música dos Everly Brothers, de 1957. George alterou alguns versos para que a música fizesse referência ao ocorrido, e chamou Pattie para fazer os backing vocals e Eric para tocar guitarra. Situação estranha, ótima música.

Māyā Love é um belo rock and roll, com a participação de Billy Preston e mais uma vez é gritante a dificuldade que George tem para cantar a música, devido à laringite. Ding Dong é curiosa por ser uma música de ano novo. Boa parte da melodia se baseia nos tradicionais sinos, aqueles mesmos que Paul McCartney utilizou no início da famosa Let'em In. Entretanto, a música de George é alegre e traz uma letra quase infantil.

Dark Horse é um country rock, e talvez tenha sido a faixa mais castigada pelas condições da voz de George (inclusive, alguns críticos maldosos apelidaram o álbum de Dark Hoarse. "Hoarse" significa "rouco"). É uma faixa muito bem arranjada e com um refrão pegajoso, mas... ok, não falo mais que a voz de George prejudicou a música.

Far East Man tem um toque Pink Floyd, muito parecido com aquele de muitas faixas do All Things Must Pass. Deliciosa de se ouvir, leve e com os vocais muito bem executados (apesar de... enfim). E o gran finale fica por conta da religiosa It Is He (Jai Sri Krishna). Faixa alegre, como a maioria das músicas religiosas, e a voz de George parece não estar tão prejudicada. Traz até tablas, em referência à cultura hindu. Nada mais George Harrison que isso.

Dark Horse é um ótimo álbum. Certamente não é o melhor da carreira de George, mas é o mais curioso por trazer todos esses fatores já citados. Em breve postarei o artigo traduzido de Pattie Boyd para o Daily Mail.

O tracklist é o seguinte:
1. Hari's On Tour (Express)
2. Simply Shady
3. So Sad
4. Bye Bye, Love
5. Māyā Love
6. Ding Dong
7. Dark Horse
8. Far East Man
9. It Is He (Jai Sri Krishna)



Artista: Tom Zé; Álbum: Todos Os Olhos

 


Artista: Tom Zé
Álbum: Todos Os Olhos
Ano: 1973
Gênero: MPB; Tropicália

Tom Zé é demais. Tive a felicidade de conhecê-lo pessoalmente na última passagem dele por Bauru e o que era pra ser uma entrevista de cinco minutos virou um bate papo de mais de meia hora sobre a vida dele e sua experiência tropicalista. Mas vamos falar de Todos Os Olhos.

Este álbum foi lançado em 1973, quase dez anos após o início da ditadura militar no Brasil. Gil e Caetano já haviam deixado o tropicalismo de lado, mas Tom Zé seguia firme e forte. Não por fidelidade a uma ideologia ou coisa semelhante. Segundo o próprio, ele segue até hoje compondo nesse estilo porque "não sabe fazer outra coisa". O uso das guitarras elétricas, o lirismo ímpar e as diversas excentricidades estão encravadas nesta figura.

A capa de Todos Os Olhos é tema de inflamadas discussões até hoje. Por anos, foi um ânus (sem trocadilhos) com uma bolinha de gude. Mas aí a Carta Capital lançou uma matéria com o fotógrafo da capa do disco e ele contou que, na verdade, é uma boca. Chegaram a fotografar o famoso outro orifício, mas ficou muito óbvio do que se tratava e resolveram fotografar a bolinha de gude na boca da modelo. Muita gente ficou desapontada, mas o que importa é que, sem querer, Tom Zé gerou a polêmica: existe tanta diferença assim entre os dois?

Voltando. Todos Os Olhos é um disco fantástico. Traz algumas de suas melhores músicas (na opinião de quem vos escreve, lógico) e uma enorme variedade de experiências muito a frente de sua época. A começar pela faixa de abertura: Cademar não tem mais de um minuto e sua letra foi composta em parceria com o poeta concretista Augusto de Campos. É uma música truncada, parecendo um metrônomo. Nada convencional para uma abertura de disco.

Então começam os cavacos e a faixa título, Todos Os Olhos. Um samba meio esquisito, com violões de 12 cordas e uma letra tomzeana. "De vez em quando todos os olhos se voltam prá mim / De lá de dentro da escuridão / Esperando e querendo apanhar / Querendo que eu bata / Querendo que eu seja um Deus."

Dodó e Zezé conta com a participação de Odair Cabeça de Poeta. É praticamente folclórica, trazendo o diálogo entre dois personagens: um indaga (Dodó) e o outro sempre tem a resposta na ponta da língua (Zezé), geralmente irônica e muito crítica à sociedade. "-Sorrisos, creme dental e tudo / E por que é que a felicidade anda me bombardeando? / Diga Zezé / -Isso é pra todo mundo saber que ninguém mais tem o direito de ser infeliz, / viu Dodó? / -Ahn...". Na conversa que ele teve conosco, ele disse que isso é uma referência à "obrigatoriedade" do povo brasileiro ser feliz mesmo em plena ditadura militar. Nas palavras do próprio, "o cara aponta uma arma e fala 'seja feliz, filho da puta, senão eu te mato'". Simples assim.

Quando Eu Era Sem Ninguém é uma baião animadíssimo, cheio de triângulos e coros, e é um contraste imenso quando, ao seu término, começa Brigitte Bardot, uma bossa melancólica e filosófica sobre a musa dos anos 60 e que, segundo Tom Zé, estava ficando velha. "Envelheceu antes dos nossos sonhos. / Coitada da Brigitte Bardot, que era uma moça bonita. / Mas ela mesma não podia ser um sonho / para nunca envelhecer (...) / Será que algum rapaz de vinte anos vai telefonar / na hora exata em que ela estiver com vontade de se suicidar?" E, do nada e por pouco tempo, a música cresce, dando um fundo sombrio para "suicidar". Genial, perfeito casamento entre letra e música.

Uma das letras mais poéticas de Tom Zé (formalmente falando) é a do samba Augusta, Angélica e Consolação. Tom Zé retrata as características de alguns locais da cidade de São Paulo através de personificações e paranomásias. Segundo ele, os versos mais lindos que já escreveu na vida são "Quando eu vi que o Largo dos Aflitos / não era bastante largo / prá caber minha aflição, / eu fui morar na Estação da Luz / porque estava tudo escuro / dentro do meu coração". A música, em si, fica na cabeça. Um dos mais belos sambas já escritos.

Novamente um contraste. Logo após o lirismo de Augusta, temos a irreverência crítica de Botaram Tanta Fumaça. A música trata das conseqüências da modernização descontrolada, e entre estas estão os olhos ardendo, a cuca quente e a consciência podre. Em seguida temos O Riso e a Faca (em uma versão diferente da presente no disco anterior, entitulado Tom Zé) , e o que mais me chama a atenção nesta música é a maneira como ele trabalha as sílabas do fim de cada palavra no refrão. Algo como: "Fiz meu ber-ço-na / viração. / Eu / só descan / so-na / tempesta / de / só / adorme / ço-no / furacão". Até eu entender que ele não falava "só adormeço nu" foi um longo caminho.

"Um 'Oh!' e um 'Ah!'" não tem letra, apenas, como diz o título, "Oh", "Ah" e (surpresa!) "parakatizum". E depois desse interlúdio temos a porrada na cara: "Complexo de Épico" é uma alfinetada a muita gente da música. Faço questão de colocar a letra na íntegra logo abaixo:

Todo compositor brasileiro é um complexado
Por que então esta mania danada, esta preocupação
De falar tão sério,
De parecer tão sério
De ser tão sério
De sorrir tão sério
De chorar tão sério
De brincar tão sério
De amar tão sério?

Ai, meu Deus do céu, vai ser sério assim no inferno!

Por que então esta metáfora-coringa
Chamada "válida"
Que não lhe sai da boca, como se algum pesadelo
Estivesse ameaçando os nossos compassos
Com cadeiras de roda, roda, roda, roda?
E por que então esta vontade de parecer herói
Ou professor universitário
(Aquela tal classe que,
ou passa a aprender com os alunos - quer dizer, com a rua –
ou não vai sobreviver)?
Porque a cobra já começou a comer a si mesma pela cauda,
Sendo ao mesmo tempoa fome e a comida.

Sensacional. Não precisa nem comentar: a letra fala por si mesma.

Enfim, Todos Os Olhos é uma obra-prima e talvez o melhor disco de Tom Zé. Logo, está recomendadíssimo.

Tracklist:

1. Cademar
2. Todos os Olhos

3. Dodó e Zezé
4. Quando Eu Era Sem Ninguém
5. Brigitte Bardot
6. Augusta, Angélica e Consolação
7. Botaram Tanta Fumaça
8. O Riso e a Faca
9. Um "Oh" e um "Ah"
10. Complexo de Épico





Banda: Templo Radha-Krsna de Londres; Álbum: Chant And Be Happy!

 


Banda: Templo Radha-Krsna de Londres

Álbum: Chant And Be Happy!
Ano: 1971
Gênero: Música Religiosa Indiana

Antes de tudo gostaria de esclarecer que o rótulo de música "estranha" se aplica a este álbum pelo fato de não ser um estilo difundido e popular entre a maior parte dos ouvintes. Não quero rebaixar o estilo de música, muito menos os mantras ou qualquer elemento ligado ao hinduísmo e suas vertentes.

Falar desse disco sem falar do que o levou a ser gravado seria imprudente, então vamos lá. Em 1966, um homem chamado Bhaktivedanta Swami Prabhupada chegou aos Estados Unidos e fundou a instituição ISKCON (International Society for Krishna Consciousness), que, simplicando muito, teria o objetivo de divulgar alguns ideais do hinduismo para a civilização ocidental - são os famosos "hare krishna". Eis que, em 1969, Bhaktivedanta se encontrou com John Lennon e George Harrison, este buscando a filosofia oriental desde a metade dos anos 60, o que se intensificou com a visita dos Beatles ao guru espiritual Maharishi Mahesh entre 1967 e 1968. George havia produzido os singles Hare Krishna Mantra (com a ajuda de Paul e Linda McCartney e do baterista Ginger Baker) e Govinda na metade de 69 junto com membros do templo Radha-Krishna, de Londres. Após o encontro com Prabhupada, George adotou a filosofia Hare Krishna, em particular o Japa Yoga (um tipo de meditação que funciona quase como o rosário cristão, no qual se ora repetidamente; no caso do Japa Yoga, repete-se os nomes de Deus diversas vezes com o fim de aumentar a consciência do religioso a respeito Dele). Ao escutar Govinda, Prabhupada foi às lágrimas e ordenou que a música fosse tocada toda manhã no templo, e assim é feito até hoje, mesmo trinta anos após a sua morte.

Mas voltando, George iniciou um grande envolvimento com o templo Radha-Krsna de Londres (algo como a "sede" do movimento ISKCON no Reino Unido), e foi questão de tempo para que ele produzisse um álbum completo com os membros do templo. Em 1971 foi lançado o álbum de estúdio do templo Radha-Krsna, e posteriormente este registro ficaria conhecido como Chant And Be Happy!.

Quem é fã dos Beatles e conhece as composições do George já não é 100% leigo no estilo da música indiana. George começou a tocar cítara nas gravações do filme Help! (1965) e, no mesmo ano gravou sua parte em Norwegian Wood com o instrumento no álbum Rubber Soul. No ano seguinte, 1966, teria sua primeira música que seguia o estilo tradicional indiano: Love You To, inteiramente gravada com músicos indianos e com o próprio Harrison; a música é repleta de cítaras, inteiramente em um tom (Dó) e traz um belíssimo solo. A paixão de Harrison pela música oriental se manifestaria até os últimos trabalhos de sua vida. A música Brainwashed, que fecha o disco homônimo e póstumo, termina com uma reza a Shiva, deus hindu da renovação.

Mas voltando ao disco desta resenha, são sete músicas que entoam diversos mantras. A faixa de abertura é justamente a já citada Govinda. Começa com um slide guitar muito sutil, um órgão e bateria bem leve. Eis que a belíssima voz da vocalista começa a entoar a letra, que é repetida através de grande parte da música: Govindam/adi-purusham/tam aham bhajami. Isso significa "Eu louvo Govinda (o ser superior, Deus), o senhor primordial". A melodia vai se repetindo, cada vez mais densa, mais profunda, e é difícil ficar indiferente à canção.

Em seguida temos Sri Guruvastakam. Ao contrário de Govinda, é possível identificá-la como religiosa logo no início. Traz os tradicionais chocalhos, que tocam em um ritmo constante durante o refrão. A música seguinte, Sri Isopanishad, não tem percussão e é guiada, basicamente, pelo violão de George. A voz calma da vocalista e os licks de violão de George são belíssimos.

Bhaja Bhakata/Arati é inteira em um tom só, cantada por dois vocalistas (um homem e uma mulher). Mais uma vez traz os chocalhos, e após os três minutos é acelerada quase de repente, e os duetos ficam mais intensos, sempre sendo seguidos pelo coro dos membros do templo. A música se extende por oito minutos e meio.

Bhajahu Re Bana é a mais monótona do disco, e isso não é pejorativo para uma canção desse tipo. É uma única nota de harmônio (algo como um teclado modificado, muito usado em música indiana) com letras religiosas entoadas pela vocalista. A música tem quase nove minutos, mas passa muito rapidamente quando se escuta prestando atenção nas nuances da voz e da levíssima percussão que surge em determinados instantes.

A próxima é Hare Krishna Mantra, cuja letra é simplesmente Hare Krishna/Hare Krishna/Krishna Krishna/Hare Hare/Hare Rama/Hare Rama/Rama Rama/Hare Hare. Todos os presentes no momento da gravação se juntaram ao coro, e é realmente um dos momentos mais emocionantes do disco, independentemente da crença de quem está escutando. Esse é um dos mantras mais importantes do hinduísmo, e George chegou a usá-lo na famosa My Sweet Lord.

A última música do disco é Govinda Jaya Jaya. A parte instrumental é muito similar à de Bhaja Bhakata/Arati, trazendo a nota de harmônio e os chocalhos. Mas nesta música a vocalista parece está conduzindo a oração. Govinda jaya jaya/Gopala jaya jaya/Radha-ramana hari/Govinda Jaya Jaya - uma música de exaltação a Krishna (também conhecido como Govinda, Gopala e Hari).

A versão em CD traz ainda um diálogo entre Bhaktivedanta, John Lennon, Yoko Ono e George Harrison sobre meditação e mantra. Muito interessante de escutar.

Chant And Be Happy! é, no mínimo, uma experiência interessantíssima para quem nunca escutou músicas desse estilo. São músicas muito profundas e muito diferentes daquelas que a maior parte de nós está acostumado a escutar.

Eis a nota que George Harrison escreveu no encarte do disco (foram mantidos os maísculos originais):

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Todo mundo está procurando por Krishna.
Alguns não percebem que estão, mas estão.
Krishna é DEUS, a Fonte de tudo o que existe, a Causa de tudo o que é, foi ou será.
Como Deus é ilimitado, ELE tem muitos nomes.
Alá, Buda, Jeová, Rama: todos são Krishna, todos são UM.
Deus não é abstrato, ele tem tanto os aspectos impessoais quanto os pessoais de sua personalidade, que é SUPREMA, ETERNA, IMENSAMENTE FELIZ, e repleta de conhecimento. Como uma única gota de água tem as mesmas qualidades de um oceano completo, nossa consciência tem as qualidades da consciência de DEUS... mas durante nossa identificação e apego com a energia material (corpo físico, prazeres sensoriais, posses materiais, ego, etc.) nossa verdadeira CONSCIÊNCIA TRANSCENDENTAL foi poluída e, como um espelho sujo, é incapaz de refletir nossa imagem pura. Com muitas vidas, nossa associação com o temporário aumentou. Este corpo impermanente, um saco de ossos e carne, é inadequado para nossa verdadeira essência, e nós aceitamos como final esta condição temporária.
Por todas as idades, grandes santos permaneceram como provas vivas de que este não-temporário, permanente estado de CONSCIÊNCIA DE DEUS pode ser revivido em todas as almas vivas. Cada alma é potencialmente divina.
Krishna fala no BHAGAVAD GITA: "Firmado no Ser, sendo libertado de toda a contaminação material, o yogi alcança o estado mais avançado da felicidade em contato com a Consciência Suprema. YOGA (um método científico de realização de DEUS (própria)) é o processo pelo qual purificamos nossa consciência, impedimos futuras poluições e chegamos no estado da Perfeição, com SABEDORIA e FELICIDADE plenas.
Se há um Deus, eu quero vê-lo. Não faz sentido acreditar em algo sem prova, e a Consciência de Krishna e a meditação são métodos pelos quais você pode efetivamente obter a percepção de DEUS. Você realmente pode ver DEUS, e ouví-lo, e interagir com ELE. Pode parecer loucura, mas ELE realmente está lá, realmente com você.
Existem diversos caminhos yogis, Raja, Jnana, Hatha, Keyia, Karma, Bhakti, que são aclamados pelos MESTRES de cada método.
SWAMI BHAKTIVEDANTA é, como seu título diz, um yogi BHAKTI seguindo os caminhos da DEVOÇÃO. Servindo a DEUS em cada pensamento, palavra e ação e cantando seus nomes sagrados, o devoto rapidamente desenvolve a Consciência de Deus. Cantando:
HARE KRISHNA, HARE KRISHNA,
KRISHNA KRISHNA, HARE HARE
HARE RAMA, HARE RAMA
RAMA RAMA, HARE HARE
inevitavelmente se chega à consciência de KRISHNA. (A prova do pudim está na degustação!)
DÊ UMA CHANCE À PAZ
TUDO O QUE VOCÊ PRECISA É DE AMOR (KRISHNA) HARI BOL
GEORGE HARRISON 31/03/1970
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Recomendadíssimo.

Tracklist:
1. Govinda
2. Sri Guruvastakam
3. Sri Ishopanishad
4. Bhaja Bhakata/Arati
5. Bhajahu Re Mana
6. Hare Krishna Mantra
7. Govinda Jaya Jaya
8. Room Conversation Excerpts (Bhaktivedanta, John Lennon, Yoko Ono and George Harrison)

Eis um vídeo de Govinda:




Banda: Dengue Fever; Álbum: Dengue Fever

 


Banda: Dengue Fever
Álbum: Dengue Fever
Ano: 2003
Gênero: Rock Psicodélico

Continuando nossa jornada pelo oriente (pelo amor de deus, que clichê...), vamos falar de uma banda que tem tudo a ver com o Camboja, esse país de quase 15 milhões de habitantes localizado no sudeste asiático. É a Dengue Fever.

Banda de seis integrantes formada em 2001, nos EUA. "Então por que cazzo você falou do Camboja?", você deve estar se perguntando. Simples: a vocalista Chhom Nimol é cambojana e todas as letras da banda são em khmer, língua oficial do Camboja. Além disso, a música da banda tem diversos elementos da música cambojana e seu primeiro CD, que é justamente o deste post, traz alguns covers de música cambojana. Portanto, pode-se considerar o Dengue Fever uma banda americana que toca música cambojana com elementos ocidentais.

Os integrantes do Dengue Fever são a já citada Chhom Nimol (vocalista), Zac Holtzman (guitarra e vocais), Ethan Holtzman (órgão), Senon Williams (baixo), David Ralicke (metais) e Paul Smith (bateria).

O álbum de estréia auto-intitulado foi lançado em 2003, e é um belíssimo debut. Várias músicas do Dengue Fever poderiam estar em filmes do Quentin Tarantino, dando aquele clima retrô tão interessante. É muito difícil listar todas as influências dessa banda, mas temos surf music, música oriental, rock sessentista/setentitsta, jazz, entre muitas outras coisas. São muitas peculiaridades; além da voz aguda na dose certa de Chhom, o órgão é um importante diferencial no som da banda. Uma curiosidade: entre as principais influências da banda estão Os Mutantes.

A faixa de abertura é a ótima Lost In Laos. A introdução marcante, com todos os instrumentos entrando junto e o destaque para o saxofone de Ralicke logo se transforma em uma quase-bossa nova, com a voz de Chhom dando o tempero único da música oriental. A faixa seguinte, I'm Sixteen, tem um tom melancólico apesar do ritmo de surf music; grande parte por conta do órgão de Ethan Holtzman. É interessante a mudança de ritmo no meio da música, principalmente quando a guitarra chorosa recebe o apoio do órgão.

Um dos destaques do disco é a bela Hold My Hips, com belos vocais e um ótimo solo de guitarra. O riff entre os versos fica na cabeça, e o baixo repetitivo lembra muito a fase de transição entre o início e o meio da carreira dos Beatles em músicas como If I Needed Someone e Rain.

Apesar de o disco ser bem linear, seria injusto usar o termo "enjoativo". Outro destaque é o belíssimo cover Ethanopium, originalmente composta pelo músico etíope Mulatu Astatke. É um instrumental com incríveis linhas de trompete e órgão, e novamente o baixo característico citado acima. Não desmerecendo Chhom, mas talvez seja a melhor faixa do disco.

Outros destaques são Glass Of Wine, com os vocais alternados entre Chhom e Zac, a frenética Pow Pow, com um quê de jovem guarda, e New Year's Eve, com os mais que competentes vocais de Chhom.

Recomendadíssimo!

Tracklist:
1. Lost in Laos
2. I'm Sixteen
3. 22 Nights
4. Hold My Hips
5. Flowers
6. Thanks-a-Lot
7. New Year's Eve
8. Ethanopium
9. Glass of Wine
10. Shave Your Beard
11. Pow Pow
12. Connect Four

Abaixo, um vídeo de I'm Sixteen ao vivo:



Banda: Supercordas; Álbum: Seres Verdes Ao Redor: Música Para Samambaias, Animais Rastejantes e Anfíbios Marcianos

 


Banda: Supercordas
Álbum: Seres Verdes Ao Redor: Música Para Samambaias, Animais Rastejantes e Anfíbios Marcianos
Ano: 2006
Gênero: Rock Psicodélico

Já que falei tanto de rock psicodélico cambojano no post sobre o debut da Dengue Fever, vamos voltar para uma terra mais próxima, conhecida mundialmente como Rio de Janeiro, na nossa pátria amada, Brasil. O assunto ainda é rock psicodélico, mas a banda da vez é o Supercordas.

O Supercordas tem 5 integrantes: Bonifrate (vocal/guitarra), Valentino (vocal/baixo/guitarra), Kauê (baixo/guitarra/vocal), Giraknob (guitarra) e Wakapot (bateria). Segundo o site oficial, a banda foi congelada nos anos 60 para sair das cápsulas no fim do século XX, retomando o "espírito psicodélico da época em que haviam adormecido". Lançaram seu primeiro álbum (A Pior das Alergias) em 2003, seguido por um EP (Satélites no Bar) de 2005 e o álbum resenhado aqui, entitulado "simplesmente" de Seres Verdes Ao Redor: Música Para Samambaias, Animais Rastejantes e Anfíbios Marcianos, de 2006.

O clima psicodélico já fica explícito logo na primeira faixa, E o Sol Brilhou Sobre o Verde. A música é praticamente uma seqüência de harmonias vocais misturada a violões de doze cordas e sintetizadores. Então a faixa dá espaço à primeira música com letra do disco, A Charneca. Os ruídos dos sintetizadores continuam, e o estilo do Supercordas é bem explorado: uma letra bucólica e psicodélica, repleta de harmonias vocais e melodias tristonhas e belíssimas. Ruradélica, a faixa que dá seqüência ao disco, é mais animada e tem um belo refrão, que combina perfeitamente com o tema do disco: "Um caldeirão de folhas me faria mais feliz do que esse rio cheio de bolhas e espumas".

O ponto mais alto do disco é, na minha humilde opinião, 3000 Folhas. A letra surrealista misturada à melodia sessentista e ao vocal repleto de ecos parece saído do disco A Gift From A Flower To A Garden, do Donovan. Arrisco-me a dizer que esta música é uma das melhores do rock brasileiro dos últimos 10 anos. "Pelos rios de cá corre o leite/E à tarde sempre chove mel/Mas meus olhos 'inda são de três mil folhas brancas de papel". Belíssima.

Outro destaque do disco é a ótima Sobre o Frio, com seu toque retrô e clima otimista. Frog Rock e a faixa de encerramento, Fotossíntese ("todo ser é planta artificial"), também merecem atenção especial.

Recomendadíssimo.

Tracklist:
1. E o Sol Brilhou Sobre o Verde
2. A Charneca
3. Ruradélica
4. 3000 Folhas
5. Mofo
6. Sobre o Frio
7. Ricochete
8. Musgo
9. Frog Rock
10. Sobre o Calor
11. Mangue
12. Fotossíntese




Artista: Israel Kamakawiwo'ole; Álbum: E Ala E

 


Artista: Israel Kamakawiwo’ole (Brudda Iz)
Álbum: E Ala E
Ano: 1995
Gênero: Música Havaiana

Depois de dois posts sobre discos de rock, vamos acalmar um pouco nosso espírito, sentar e ouvir Israel Kamakawiwo'ole (esse sobrenome se pronuncia "Kamakavivole") tocar seu ukulele e cantar com sua voz inacreditável.


Israel, também conhecido pelo simpático apelido "Brudda Iz", era um cantor havaiano de quase 1 e 90 de altura e nada menos que 343 kg - ele era morbidamente obeso, e isso causou a sua morte no dia 26 de julho de 1997, aos 38 anos. Além disso, foi um dos músicos havaianos mais influentes de todos os tempos, e sem dúvida o mais famoso fora do Havaí.

O que caracteriza a música de Kamakawiwo'ole como estranha aos nossos ouvidos tão acostumados com as rádios? Diversos fatores. Prá começar, o idioma. Israel cantava em inglês em diversas músicas, mas em muitas outras canta em havaiano. Aliás, ele era defensor ferrenho da independência do Hawaii em relação aos EUA, chegando a gravar o hino da independência do Hawaii como abertura de seu álbum mais famoso (que não é o tratado aqui), Facing Future, foi o único álbum havaiano a atingir disco de platina, vendendo mais de um milhão de cópias. Foi o único civil da história do Havaí a ter luto oficial e bandeira a meio mastro por três dias. Outro motivo: o uso do ukulele, um instrumento que raramente escutamos fora deste estilo musical.

E Ala E foi lançado em 1995, dois anos antes da morte de Iz. Logo na primeira faixa (que dá título ao álbum), ele deixa bem claro a que veio na letra forte que contrasta a melodia suave: We, the warriors, born to live/On what the land and sea can give/Defend our birthright to be free/Give our children liberty (traduzindo: Nós, os guerreiros, nascemos para viver/Naquilo que a terra e o mar podem oferecer/Defendendo nosso direito de nascença de sermos livres/Dando liberdade às nossas crianças). Os sons da multidão ao fundo dão um clima épico à canção, que termina com uma suave cantiga em havaiano.

Após o quase-reggae de Ulili E temos a maravilhosa Kaleohano, extremamente lenta e com um arranjo vocal impecável, inteiramente em havaiano. Eis que o improvável cover de Wind Beneath My Wings, de Bette Midler, rouba a cena mesclado com He Hawai'i Au, e é um dos momentos mais belos de todo o álbum.

A faixa seguinte é uma belíssima homenagem a Chad Haaheo Rowan, Fiumalu Penitani e Saleva'a Fuauli Atisano'e, também conhecidos como Akebono, Musashimaru e Konishiki. São lutadores de sumô nascidos no Havaí e em Samoa e que alcançaram o título de Yokozuna, o maior título possível no esporte. A música se chama Tengoku Kara Kaminari (Thunder From Heaven), e o refrão é simplesmente "Akebono, Musashimaru and Konishiki". Durante a letra, Israel conta a saga desses "gigantes gentis" (apelido do próprio Iz), enfrentando a saudade da família e de casa para se tornarem heróis e ídolos no Japão. Emocionante, para dizer o mínimo.
Outros destaques do disco são a bela Kamalani e a distoante Theme From Gilligan's Island, a versão de Iz para a abertura de um de seus seriados favoritos.

É um ótimo disco, principalmente quando se quer relaxar e se imaginar em uma praia no Havaí.

Recomendadíssimo.

Tracklist:

  1. E Ala Ē
  2. ʻUlili E
  3. Kaleohano
  4. Wind Beneath My Wings / He Hawaiʻi Au
  5. Tengoku Kara Kaminari (Thunder from Heaven)
  6. Kamalani
  7. Aloha Ka Manini
  8. Maui Medley
  9. Hele On To Kauai
  10. Kauai Beauty
  11. Theme from Gilligan's Island
  12. I Ke Alo O Iesu
  13. A Hawaiian Like Me

Abaixo, um clip de E Ala E:



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