segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Beto Guedes - 50 Anos Ao Vivo (2002)


O álbum "50 Anos Ao Vivo" de Beto Guedes é um registro especial da carreira do renomado cantor e compositor mineiro. Lançado em 2002, este trabalho foi gravado em um show no dia 11 de setembro de 2001, no Teatro Francisco Nunes, em Belo Horizonte (MG). A gravação marcou a celebração dos 50 anos de vida de Beto Guedes, que ele havia completado em 13 de agosto daquele ano.

Este álbum ao vivo reúne muitos dos grandes sucessos de Beto Guedes, oferecendo aos fãs a oportunidade de reviver a atmosfera de suas apresentações. Acompanhado por participações especiais, o trabalho destaca a atemporalidade de suas canções e a sua forte conexão com o Clube da Esquina.

Faixas do álbum:
01. Amor de Índio (Ao Vivo)
02. Era Menino (Ao Vivo)
03. Dias Assim (Ao Vivo)
04. No Céu Com Diamantes (Ao Vivo)
05. Nascente (Ao Vivo)
06. Quando Te Vi (Till There Was You) (Ao Vivo)
07. Cantar (Ao Vivo)
08. As Vitrines (Ao Vivo)
09. Gabriel (Ao Vivo)
10. Espelhos D' Água (Ao Vivo)
11. Feira Moderna (Ao Vivo)
12. Maria Solidária (Ao Vivo)
13. Lumiar (Ao Vivo)
14. Pedras Rolando (Ao Vivo)
15. O Sal Da Terra (Ao Vivo)
16. Andaluz (Ao Vivo)
17. Sol De Primavera (Ao Vivo)




Benito Di Paula – Benito Di Paula (1978)


Em 1978 lançou com o seu LP com músicas, que em bastante tempo, não foram para as mais tocadas do ano. isso se deu pelo motivo de que com o passar do tempo, elas começaram a se tornar mais romântico-melancólicas, assim como no início de sua carreira nos anos 60. Mas apesar disso, ainda haviam músicas animadas como "Ave de Rapina"" e "Viva O Sol", que e tornou o tema de abertura do seu programa que teve anos dois anos depois.

Benito Di Paula – Benito Di Paula (1977)


No ano de 1977 lançou uma música no seu disco "Benito di Paula" intitulada de "Osso duro de Roer", onde, fazia uma clara declaração de que ainda estava vivo, pois os que o chamavam de "brega", "cafona" e "fora de moda" também haviam dito que Benito estava com leucemia e que até mesmo havia morrido. Esses críticos, criaram a rotulação pejorativa de "samba-joia" para o tipo de música que Benito fazia, sempre existiram como dito antes, mas a cada momento se tornavam mais frequentes com o passar do tempo que ele se tornava mais famoso, mas ele nunca deixou de se defender, chamando-os de "donos do Samba". No mesmo disco havia a música "De Tombar Caminhão" e "Proteção as Borboletas", que também foram para entre as mais tocadas do ano. Além de também ter feito "Assobiar ou Chupar Cana", uma música que foi feita para os atores, esportistas e outros que ganharam notoriedade na TV, que se aventuravam como intérpretes musicais e se dizendo cantores e compositores.

Faixas do álbum:
01. Assobiar Ou Chupar Cana
02. Osso Duro De Roer
03. Canção De Viver Com Você
04. Bahia
06. Proteção As Borboletas
07. De Tombar Caminhão
08. Razão Pra Viver
09. Otelo
10. Eu Vou Pedir




UFO - Live (1972)

 


A história do hard rock tem nome: UFO! É claro que foi escrita por outros autores, mas o UFO merece a glória da edificação desta música até os dias de hoje, diante da perpetuação da música, com os seus “filhos” nascendo e crescendo.

O UFO não recebeu à altura o crédito como as consagradas Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, entre outras, coisas do mercado fonográfico, creio. Não somente a música pesada teve a assinatura, a pedra fundamental do UFO, mas o heavy metal, estilo que ganharia popularidade no início dos anos 1980, ampliando as raízes de sua música de vanguarda àqueles músicos jovens que construiriam as suas bandas e músicas. 

É incontestável a sua importância para o hard rock, para o heavy rock, para o heavy metal. Em todas as vertentes pesadas, a frondosa árvore sonora do UFO se fez e faz presente. O UFO, antes chamada de Hocus Pocus, teve seu nome modificado logo para UFO e tinha na formação Phil Moog no vocal, Mick Bolton na guitarra, Pete Way no baixo e Andy Parker, o subestimado e excelente baterista. 

UFO em 1971

Essa era a gênese da banda, a formação original que era a menos conhecida, aquela que não ganhou tanta projeção, quando da entrada de músicos do naipe de Michael Schenker, na guitarra, Paul Raymond na guitarra base e teclados, por exemplo. Todavia, não será esta a fase a ser colocada em destaque por aqui e sim a sua formação mais obscura e esquecida, a do início dos tempos, dos primórdios do UFO, entre 1969 e 1972.


O primeiro álbum da banda, chamado de “UFO I”, foi lançado em 1970 e mescla um rock psych, com hard rock e blues rock, sendo considerado, em minha humilde percepção, como um dos pilares da música pesada e que não conta com tanta publicidade em relação aos álbuns de bandas como Led Zeppeli, Grand Funk Railroad, Deep Purple, por exemplo.

UFO I (1970)

Mas a guinada veio com o segundo trabalho, de 1971, chamado de “Flying”. Um álbum que destoa de toda a característica discográfica que viria depois do UFO, mas que o torna essencial e importante para a história de um estilo que ainda estava em consolidação, era embrionário: o space rock

"Flying" (1971)

Essa música estava sendo praticada por bandas psicodélicas na Inglaterra e Estados Unidos como Pink Floyd, por exemplo, mas eram rascunhos de experimentalismo e sons sinistros caracterizados por ruídos ou coisa do tipo e com o “Flying” do UFO, juntamente, é claro com o segundo álbum do seminal Hawkwind, “In a Search of Space”, também lançado em 1971, elevaram o nível e encorpou o que se convencionou “space rock”. Era, mais uma vez, o UFO fazendo história e não sendo devidamente creditado por suas façanhas.

E foi com essa formação original que esses dois álbuns foram concebidos. E também foi com essa formação que a fama do UFO em fazer grandes performances nos palcos, ao vivo, começou a ser construída, sobretudo na Alemanha e Japão que receberam muito bem o "Flying", mas na Inglaterra e outros "centros" o trabalho foi muito criticado o chamando, inclusive, de "lixo". 

E com base nessas afirmações, não podemos negligenciar a sua história nos palcos, mas há um registro, uma gravação ao vivo que é obscura, pouco conhecida e que contempla uma fase da banda esquecida, que é a fase discográfica compreendida entre os anos de 1970 e 1972, que contempla os seus primeiros álbuns com a sua clássica formação.

Falo do “Live 1972”, gravado na cidade de Tóquio, no Japão, em 1972. Esta rara apresentação conta com seis performances excepcionais da banda e que conta com alguns covers e que foram gravados no seu primeiro álbum, como “C'mon Everybody”, de Eddie Cochran e “Who do you Love”, de Bo Diddley.

Foi graças ao "Flying" e a percepção positiva do público germânico e nipônico pelas longas suites e viagens psicodélicas e progressivas que o UFO recebeu o convite de tocar no Japão abrindo os shows da Three Dog Night. Chegando em terras japonesas o UFO é impactado por uma surpresa: o Three Dog Night cancelou seus shows. E para não deixar os produtores locais em problemas o UFO acabou sendo elevado a condição de banda principal.

O UFO fez vários shows pelo Japão com ingressos esgotados, casas cheias. As regalias de banda principal também tinha, mas tinha, sobretudo, apresentações avassaladoras, intensas, como deveria ser. O sucesso da excursão ao Japão foi tamanha que a banda teve que agendar um show extra no Hybia Park, em Tóquio, onde a banda se apresentou para mais 20.000 pessoas.

E como consequência desse feedback tão positivo a Beacon Records teve que, claro, lançar oficialmente uma apresentação da banda ao vivo e foi exatamente essa última apresentação e por lá chamada de "UFO Landed Japan" e relançado como "UFO Live" ou "UFO Live in Japan".


É um álbum que mostra a banda ainda buscando a sua identidade musical, a sua formação mais crua e direta, mostrando um hard rock competente e vigoroso, com alguns resquícios do rock psicodélico e um bom blues rock. 

O álbum começa com “C'mon Everybody” que já vem com uma sonora porrada com riffs de guitarra pesado de Bolton seguidos de solos mais crus e diretos mas que proporcionavam peso e agressividade a música.

"C'mon Everybody"

“Who do you Love” dá sequência ao show, com uma introdução bluesy na guitarra que logo se descamba para uma levada mais funkeada, dançante e que logo irrompe em uma hecatombe pesada e bem cadenciada. Loving Cup”, outro cover de Paul Butterfield, é mais classic rock, uma levada mais rock, genuíno, tendo a “cozinha instrumental” em uma ótima sinergia e afiada entre Parker e Pete Way, com Bolton fazendo a guitarra “chorar” com solos longos, encorpados e pesados.

"Who do you Love", Live in Japan (1972)

E eis que surge “Prince Kajuku / The Coming Of Prince Kajuku”, faixa do segundo álbum “Flying”, de 1971. Aqui ela ganha vida nova, mais peso, agressiva, direta, crua, irreverente, com velocidade, diria se tratar de um heavy metal de vanguarda tamanho é o seu peso e temos que creditar reverências a sessão rítmica. Todos os instrumentos em uma convergência sonora impressionante.


"Prince Kajuku / The Coming of Prince Kajuku", Live in Japan (1972)

“Boogie For George”, do primeiro álbum, “UFO I”, traz o hardão setentista típico de volta e com o anúncio do solo denso e poderoso de Bolton a música vai dizendo a que veio, com peso e agressividade. É de dilacerar os ouvidos! Fora que ganhou uma linda extensão de improvisação que só garantiu mais atrativos a faixa. 

"Boogie For George" 

“Follow You Home” fecha o show com maestria, com Phil Moog conclamando o público e fazendo o que sempre fez na sua história como frontman, cativando o público, os tendo em sua mão, com muita empatia e carinho. Há de se fazer um parêntese de Moog neste show, vocal perfeito, limpo, altivo, como até hoje, convenhamos.

Após o sucesso da turnê no Japão o UFO tentava conquistar seu espaço no seu país natal, a Inglaterra, mas não conseguia de jeito nenhum, sendo intensamente criticados pela imprensa local. Então Mogg decide investir no glam rock, o que assustou o tímido e discreto Mick Bolton, sendo despedido da banda em 1971. Uma perda que parecia irreparável. 

A busca por um novo guitarrista acontece e chegam ao experiente Larry Wallis que havia tocado em bandas como o Lancaster e Blodwyn Pig. A nova formação faz uma série de shows pela Europa, mas não durou muito tempo, por causa de uma briga pesada entre Wallis e Mogg que culminou com a saída do guitarrista. Dessa formação há uns "bootlegs" espalhados pelo mercado obscuro. Wallis tocou no Pink Fairies e participou da primeira formação do Motorhead quando Lemmy Kimilster foi expulso do Hawkwind.

Larry Wallis

No final de 1972 um jovem guitarrista chamado Bernie Marsden, que hava tocado no Skinny Cat, entrou para a banda, depois de algumas boas audições. Partem então por mais uma turnê fugindo da Inglaterra, resolvendo excursionar na segunda terra onde eram venerados, a Alemanha. Porém, alguns problemas mudariam a história do UFO para o resto do tempo. 

Com problemas particulares, Bernie teve que ficar em Londres para resolvê-los antes de partir para a Alemanha. Assim, Way, Mogg e Parker foram de balsa, e esperariam Bernie, que iria de avião, já na Alemanha. Só que o guitarrista acabou esquecendo o passaporte na hora do embarque, e teve que ficar na Inglaterra.

UFO com Bernie Marsden

Com as datas já marcadas, mais um incidente ocorre poucas horas antes da apresentação. A bombástica notícia era que todo o material da banda, trazendo o PA e alguns instrumentos, havia sido roubado. 

A solução encontrada foi alugar o PA e os instrumentos da banda de abertura, uma iniciante chamada Scorpions, além de pedir emprestado também o guitarrista, o jovem e talentoso Michael Schenker, enquanto que Bernie acabaria surgindo posteriormente na mais famosa encarnação do Whitesnake.

Michael Schenker

Sem falar uma palavra em inglês, Michael acabou aceitando graças a insistência de seu irmão, Rudolph, e então, em apenas 20 minutos, Way passava todo o repertório do show para o garoto. Foi o suficiente para o mundo do UFO ser transformado. Naquela noite, o mundo ganhava um dos mais talentosos criadores de riffs da história do rock, e o UFO finalmente arrancava as cordas que o prendia e conseguia voar não somente na Inglaterra, mas conquistando todo o planeta.

Infelizmente Bolton não teve um bom prosseguimento de sua carreira como guitarrista, mas conta-se que em 1980 ele voltou a trabalhar com a banda como técnico de guitarra na turnê de ‘No Place to Run’, lançado naquele mesmo ano. O “Live 72” foi relançado em 2008, na coletânea “Flying, The Early Years” junto com todos os outros trabalhos pré-Schenker da banda. Excelente álbum que dignifica a história do UFO.




A banda:

Phil Moog no vocal
Andy Parker na bateria
Mick Bolton na guitarra
Pete Way no baixo


Faixas:

1 - C'mon Everybody
2 - Who do you Love?
3 - Loving Cup
4 - Prince Kajuku / The Coming Of Prince Kajuku
5 - Boogie for George
6 - Follow you Home 



UFO - "Live" (1972)

domingo, 31 de agosto de 2025

Rafael Denardi - Adios Rick (2020)

 


Sabe aquele moleque, tipicamente brasileiro, que se espelha nos jogadores endinheirados e craques do futebol mundial e fala: quero ser um Neymar! Quero ganhar dinheiro e jogar no Barcelona e fazer muitos gols e fazer muito sucesso! Sim, o futebol faz parte da nossa cultura e as escolinhas de futebol espalhadas pelo Brasil é um celeiro de sonhos de crianças que querem ganhar o mundo. 

Mas, para variar, sempre há as ovelhas desgarradas que seguem o caminho mais difícil e que parece fazer questão de ser um marginal, caminhar nos subterrâneos utópicos e decide fazer música! E pior: fazer rock n’ roll sem amarras, que deixa fluir a criatividade, sem se tornar um produto pasteurizado. Assim é o multi-instrumentista RAFAEL DENARDI!

Rafael Denardi

Rafael é o exemplo do “operário do rock” fiel, na verdadeira acepção da palavra. Sofre como muitos músicos que não vivem de jabás da indústria fonográfica ou que vende a alma sonora para ter sua música nos dials radiofônicos, para mostrar a sua arte, batendo de porta em porta para viabilizar seu sonho e ter uma carreira e viver dela, da sua música. 

Trabalham de sol a sol, tem seus reveses, é pouco reconhecido. Mas segue! Segue lutando, porque acredita no que faz, é persistente porque encontra as suas verdades em cada nota musical que concebe que cria. E essa situação se reflete perfeitamente no seu segundo e belíssimo trabalho, lançado em 2020, chamado “Adios Rick”. Mas antes de falar desse EP do Rafael Denardi, é preciso voltar no tempo para explicar o Rafael músico, o Rafael moleque que, ao contrário de muitos outros que empunhavam uma bola e que queria ser um astro do futebol, ele começou a querer, desde cedo e, incentivado pelo pai e vizinho, a ser um músico. 


O rock progressivo foi a segunda vertente que ele descobriu. Claro que o garoto, além de querer ser músico, ouvia música pesada, heavy metal e afins. E, vale conferir o último trabalho do cara, também lançado em 2020, chamado “Two Handfuls of Rock”, um verdadeiro petardo que mescla hard rock setentista, stoner rock e hardcore. Tendo ainda outro álbum, o seu debut, lançado em 2014, chamado de "One".

"Two Handfuls of Rock"

O pai ouvia algumas coisas, conhecia algo aqui ou acolá, mas ele tinha um vizinho que tinha uma invejável coleção de CDs de rock progressivo, que ia de Gentle Giant até Ozric Tentacles. Então o jovem Rafael pediu ao seu vizinho para gravar algumas cópias das bandas que ele mais apreciava e ouviu até dizer chega, até os CDs ficarem gastos. 

“Adios Rick” é um resultado de suas peraltices de criança marginalizada e desgarrada que preferia ouvir rock progressivo a jogar bola nas ruas de São Caetano do Sul, onde nasceu e vive até hoje. Nas palavras do próprio Rafael Denardi: “Quis criar algo progressivo e setentista porque foi exatamente esse gênero e esse período que me tornaram um apaixonado pela música, por baixo e pelo Rickenbacker.” 

É um compilado de sua vida, de sua infância pouco ortodoxa. O EP traz influências sólidas e evidentes de bandas do submundo do hard progressivo alemão, da agressividade germânica, da complexidade pesada do Emerson, Lake & Palmer e do velho Galo Atômico, do Atomic Rooster dos tempos mais viscerais do grande vocalista e guitarrista John Du CannA propósito Rafael Denardi se comparou ao vocal, segundo ele, esganiçado, de Du Cann! 


John Du Cann

O rapaz definitivamente é muito humilde, uma humildade que se rompe pelo talento que tem. E esse talento se multiplica pelos instrumentos que toca sozinho neste trabalho. É isso mesmo: Rafael toca todos os instrumentos em “Adios Rick”! A bateria virtual, o seu melhor amigo, o baixo Rickenbacker, os teclados virtuais, assinou a produção (caseira e artesanal) e a concepção do álbum, compôs as músicas, como um trabalhador brasileiro, fez e faz tudo, sem esmorecer! 

E o seu inseparável amigo, o baixo Rickenbacker, é a razão do nome de seu EP e aqui vale a pena ler a história. Rafael perdeu seu emprego no início de março deste ano, mas tinha umas reservas monetárias que logo se foi e se viu obrigado a vender seu inseparável baixo. Que decisão terrível para um músico! Começou a procurar compradores e um cara de São Paulo deu um lance e ainda ofereceu um Giannini AEB010, a réplica nacional do 4001. 

Então, desse sentimento de perda, saiu o “Adios Rick”, daí o nome. O processo de composição e gravação de “Adios Rick” veio no começo de junho, surgindo um riff no seu baixo rapidamente. Foi adequando as ideias ao seu estilo de tocar dando contornos ao trabalho. E é assim que começa a primeira parte do álbum, a faixa inaugural, intitulada “Adios Rick Part I e II”. 

Poderoso, dinâmico, avassalador, o baixão rickenbacker pulsando forte, a bateria marcada, teclados acompanhando o ritmo e trazendo uma atmosfera progressiva e complexa ao som que, ao mesmo tempo, é passional, visceral e agressiva. Rafael quis fazer versos mais memoráveis e fáceis de digerir porque sobre eles que construiu  toda a narrativa da música, então, segundo ele, não dá para encher o ouvido do seu público de informação. “E a segunda parte, mais bagunçada e agressiva, simboliza que algo realmente mudou. O panorama econômico mudou e o único bem que poderia se desfazer e que lhe daria um conforto financeiro por um tempo era o baixo”, então era uma transição natural entre dois momentos, completou Denardi sobre esse fragmento do “Adios Rick”.


“Adios Rick Part III”, mais curta, mais pesada e agressiva, traz o personagem principal, o bom e necessário “rick”, em um solo desconcertante e pesado que, nas palavras de Rafael Denardi significa, no contexto da mensagem, um momento para expurgar sentimentos ruins e a raiva que sente com a atual situação horrível pela qual o  Brasil passa deixando sua sociedade vulnerável e de joelhos, sendo capitaneadas por boçais governamentais. Com uma bateria introdutória mais jazzística, diria. Os teclados, mais frenéticos e caóticos, torna essa percepção mais tangível, nota-se uma evidente referência de Keith Emerson por aqui.


“Adios Rick Part IV e V” traz um belíssimo desfecho, mais elaborada, com uma “queda” para um progressivo mais genuíno com influências das bandas mais pesadas da Inglaterra, com o protagonismo do teclado e bateria, tendo o baixo como mero coadjuvante, dando uma camada menos densa e mais trabalhada a faixa, de quase oito minutos de duração. Mais o baixo logo ganha destaque na metade da música, fazendo um salutar dueto com o teclado. Rafael Denardi envelopa, com resquícios de raiva, o conceito da música, do EP.


O processo de gravação foi feita parte a parte, com a bateria virtual, depois os teclados que também é virtual e depois o baixo. Denardi confessa ainda que nunca tinha feito uma composição sequer de teclado e em “Adios Rick” foram doze solos! Um verdadeiro desafio que se permitiu fazer. Um trabalho ousado para a sua história, embora curta, mas cheia de significados e momentos pouco lineares. Nesse período oficializou a venda do seu tão querido baixo rickenbacker, conseguindo adquirir uma réplica. Tudo fora gravado e mixado em sua casa, gravando os vocais em um estúdio no Centro de São Paulo. “Adios Rick” teve duas capas: uma para lançamento e promoção, que foi feita pelo próprio Rafael Denardi e a outra pela ilustradora paulistana chamada Ingrid Koritar.

Capa de "Adios Rick" criada por Rafael Denardi

Capa concebida pela ilustradora Ingrid Koritar

Um trabalho concebido, como muitos na história do rock n’ roll, em momentos de adversidade, de dificuldades, de provações, que faz colocar á prova o músico, o homem, que olha para o seu passado, ainda se delineando pelas predileções pelo rock progressivo e o músico que vem tomando forma do presente. As várias personificações do Rafael Denardi se encarando, se olhando e, diante dos desafios da vida, vai edificando a sua verdade sonora. Assim é “Adios Rick”, a sua relação com a música e todos os reveses externos que o edifica.




A banda:

Rafael Denardi nos vocais, na bateria e teclados virtuais e no baixo rickenbacker

Faixas:

1 – Adios Rick Part I e II
2 – Adios Rick Part III
3 – Adios Rick Part IV e V






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