quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Steven Wilson - Hand. Cannot. Erase. (2015)

 


Há dois anos, escrevi que Steven Wilson era um sujeito incansável. E nesse meio tempo, continuando com o seu trabalho de dar um novo tratamento aos clássicos do rock progressivo em meio à uma de suas mais bem sucedidas turnês, pouca coisa mudou.

The Raven That Refused To Sing se tornou uma das obras mais importantes de sua carreira, no mesmo patamar do que a discografia do Porcupine Tree. O que torna Hand. Cannot. Erase. um trabalho ainda mais interessante: a megalomania da amálgama de jazz e rock progressivo setentista, principais condutores do álbum anterior, abrem espaço para uma sonoridade mais moderna, menos complexa, porém focada na criação de uma atmosfera pesada, condizente com seu conceito: baseado no caso real de Joyce Carol Vincent, que permaneceu desaparecida por três anos e ninguém sentiu sua falta, nem mesmo família e amigos. Wilson escreve uma história sob o ponto de vista da própria, a sua vida desde o início, suas experiências, seu isolamento e como tudo se encerrou, em uma impactante reflexão sobre a humanidade nos dias de hoje. 


As camadas de ruídos, programações e notas dispersas se acumulam gradativamente no nascimento em “First Regret”, a representação de uma vida que surge e cresce para “3 Years Older”. Ainda com reminiscências do jazz do passado, ela se inicia com reverência ao Rush, até ser bruscamente interrompida pela simplicidade de arranjos acústicos combinados com piano, de inevitável semelhança ao Porcupine Tree quando este se aproximava mais de suas influências tranquilas e eletrônicas. A violência com que o instrumental se desenvolve proporciona o início de uma imersão em lembranças que já ilustram de forma clara o tom do álbum.


A repetição à exaustão de uma mesma melodia, sobre loops eternos de dedilhados e percussões robóticas fazem de “Hand Cannot Erase” uma sucessão de sutis mudanças, a atmosfera criada apresentando resquícios do Anathema recente em um ensaio sobre como estamos cada vez mais solitários (ou talvez mais egoístas), o tema de ligação entre todas as faixas. Isso se torna ainda mais evidente na nostálgica narração de “Perfect Life”, o meio termo entre o belo e o brutal capaz de transportar e fazer imaginar cada verso, um sentimento carregado pelo ritmo marcial sob a incessante lembrança de uma época melhor, que jamais abandona.


A sempre presente considerável dose da ironia inglesa aparece em “Routine”, com a combinação das vozes de Wilson e da cantora israelense Ninet Tayeb presas ao seu cotidiano, ao processo que subtrai cada vez mais o inesperável da vida. Há a sensação de saber que tem algo de errado na situação, mas ao mesmo tempo há o desespero de não saber como seria diferente. A alternância entre a tranquilidade conduzida pelo piano, uma seção que remete diretamente ao experimental mais soturno e assustador (um fantasma do Storm Corrosion, talvez), e o desenvolvimento que atinge o seu clímax e sua queda em forma de total desespero (novamente lembrando Anathema, principalmente quando Lee Douglas toma a frente), soa extremamente real e perturbadora, um questionamento inevitável pelo qual todos passam.


Em uma sucessão que vai de um início dreamtheatesco e atravessa uma seção que mais lembra o Opeth em sua personificação mais rústica, “Home Invasion” é carregadíssima de efeitos sobre um ritmo funkeado, com aura de artificialidade extremamente coerente com o conceito lírico e a noção de como a tecnologia deixa tudo ao alcance e distancia ao mesmo tempo, uma crítica à futilidade quase no mesmo nível de Kingdom of Loss, do Pain of Salvation. O mergulho se torna ainda mais profundo na jornada proporcionada pelo instrumental “Regret #9” e sua atmosfera cibernética, a base para as interpretações do Moog de Adam Holzman e da guitarra de Guthrie Govan sobre as viagens ceifadoras de realidade pelo mundo virtual.


Mais um devaneio de memórias até então perdidas, mas que representam profundas marcas no inconsciente, “Transience” é praticamente um interlúdio acústico belíssimo, como um curto conto de terror envolto por um espírito envelhecido, perigosamente próximo ao indie rock. Esse clima sombrio permanece em “Ancestral”, um dos momentos mais melancólicos e contemplativos, com algo de drone, industrial e shoegaze em pequenos detalhes se enveredando através do progressivo que se desenvolve através de muitas faces, de referências italianas e canterburianas que soam como uma torrente de pensamentos e paranoias dispersas e incontroláveis de uma mente problemática. 


“Happy Returns” e “Ascendant Here On…” encerram a obra deixando a impressão de um final feliz. Mas basta uma leitura um pouco mais cuidadosa nas entrelinhas, que é possível encontrar um desfecho antagônico e de profunda tristeza, uma carta sobre uma vida vazia deixada em aberto e extremamente impactante (principalmente em seu último verso). 


São infinitas camadas de som e instrumentos diversos, dos mais tradicionais aos mais artificiais, utilizados por um conjunto de músicos não apenas indiscutíveis em questões técnicas e de execução, mas que seguem a risca o roteiro de criar a base musical para o conceito em Hand. Cannot. Erase.. Mesmo não sendo o mais complexo trabalho de Steven Wilson (incluindo a época de Porcupine Tree), é notável como mesmo após décadas o inglês permanece aderindo a novos elementos, arriscando com influências inesperadas e desenvolvendo a sua habilidade lírica e de contar histórias. 


A dramaticidade e as metáforas aqui superam mesmo as letras de The Incident ou dos contos narrados em The Raven That Refused To Sing, talvez pela combinação muito mais natural com o instrumental. Os versos constroem uma peça reflexiva, mas ao mesmo tempo carregada de críticas sociais (em especial às gerações mais recentes – na qual eu mesmo estou incluído) que de alguma forma se adaptam a realidade de todos, com cada faixa parece representar um momento na vida da personagem - o que explica como cada faixa tem sua própria identidade.


Em 2015, Steven Wilson continua incansável. Em sua jornada pelo rock progressivo, tentando agregar diferentes itens (ainda que já utilizados esparsamente ao longo da história por outras bandas), empurrar o estilo para o cenário contemporâneo e mantê-lo interessante sem se libertar das amarras de suas raízes. Talvez nem todos encarem essa ideia com bons ouvidos, principalmente pelo esbarro no pop e no indie, pela influência que ele invariavelmente acaba tendo ao produzir outros grupos (Anathema e Opeth parecem já estar em seu DNA), ou talvez aleguem que não há aqui nada além de juntar tudo o que já foi feito antes. Mas há de se admitir que poucas artistas do estilo permanecem relevantes hoje em dia, e ainda com importantes mensagens a passar como ele.


Afinal de contas, não importa onde você esteja ouvindo o álbum. Pode ser em casa, no trabalho, no ônibus ou no metrô, no carro ou caminhando pela rua, na mais tumultuada cidade ou em uma esquecida estrada do interior. Olhe ao seu redor. 


Você já chegou a se perguntar quem realmente sentiria a sua falta se você simplesmente desaparecesse hoje?






Solefald - World Metal: Kosmopolis Sud (2015)

 



Quando o heavy metal vai ao encontro de sonoridades distantes de seu universo, o resultado costuma variar entre dois extremos: o desastre completo ou o nascimento de uma música inspirada e de inegável qualidade. Felizmente, o caso da banda norueguesa Solefald se enquadra no segundo grupo.


Nascida na cidade de Kristiansand em 1995 e formada pela dupla Cornelius Von Jakhelln Brastad (vocal, guitarra e baixo) e Lars Nedland (vocal, teclado e bateria), o Solefald sempre caminhou pelos lados do metal avant-garde, com experimentações e inovações constantes em seus sete discos anteriores. World Metal: Kosmopolis Sud, oitavo trabalho do duo, foi lançado no início de fevereiro e é um dos  álbuns mais inovadores em que coloquei meus ouvidos nos últimos anos. Tendo como ponto de partida o black metal, Cornelius e Lars levam a sua música a caminhos distantes, inserindo as mais variadas infuências no processo.


Sem restrições, sem preconceitos e com muita criatividade, o Solefald entrega um álbum cuja sonoridade irrestrita soa às vezes metal, às vezes eletrônica, às vezes jazz, às vezes pop - mas sempre excelente, não importa o caminho seguido. Essa ausência de pudor é a principal qualidade do duo, que usa com inteligência as influências do passado na criação de uma música singular e cativante.

Iniciando com uma melodia de piano que remete ao jazz, o álbum logo despeja uma quantidade massiva de peso sobre o ouvinte, acompanhada de sinuosas inserções das mais variadas influências, esculpindo um som plural e inovador. Há reminiscências de nomes como Kraftwerk, Herbie Hancock, a cena dance music do final da década de 1990 e início dos anos 2000, Rammstein e outros, além do já mencionado background black metal.

Tudo isso faz de World Metal: Kosmopolis Sud um disco apaixonante, daqueles que mostram que tudo é possível e permitido na música quando a criatividade é forte e a inovação marca presença. 

Se você gosta de música, eis aqui um disco que irá agradar em cheio os seus ouvidos.





Demis Roussos – Demis (2009)


O retorno de Demis Roussos neste novo álbum, composto essencialmente pelo jovem francês Picci, no qual é acompanhado por Little Barrie e Dirty Feel, com um trabalho de tendência soft rock.

Em suas próprias palavras, Demis Roussos está "de volta às raízes, de volta aos trilhos". Um álbum de rock, essencialmente composto pelo jovem francês Picci, que evoca tanto os sucessos de sua lendária primeira banda, "Aphrodite's Child" (Rain and Tears, It's Five O'Clock, I Want to Live, End of the World, etc.), quanto o revival do soul-rock britânico atual. "Eu sou a imagem, mas não pertenço ao mundo da variedade; eu sou um roqueiro."

Excelente álbum, altamente recomendado!

Tracklist:

01. September (I’m On My Way)
02. On My Pillow
03. Love Is
04. What They Say
05. Hello, Hello
05. Hit Me
06. I’ll Be Home
07. Spoiled Brat
08. Help Me
09. Who Gives A Fuck





Dee Dee Bridgewater – Red Earth (A Malian Journey) (2007)


"Red Earth – Uma Jornada pelo Mali ". Um título que vem da paisagem que Dee Dee avistou de seu quarto de hotel na primeira manhã de sua visita ao Mali, na África. Depois de vários álbuns dedicados a grandes músicos de jazz, Dee Dee aventurou-se pela música do Mali em busca de suas próprias raízes.

Com sons africanos e acompanhado por vários músicos locais, como Cheick Tidiane Seck (que selecionou canções tradicionais do Mali), este é um projeto musical, político e espiritual. Por exemplo, "No More (Bambo)" é uma canção com uma mensagem política e social que levou o governo do Mali a abolir os casamentos forçados na década de 1960.

Mas além disso, Bridgewater conta com o repertório de Nina Simone ( Four Women ), Mongo Santamaría ( Afro Blue”) e Wayne Shorter (“Footprints ).






Dee Dee Bridgewater – Dear Ella (1997)


Dee Dee Bridgewater nasceu em Memphis em 27 de maio de 1950 e é uma fantástica cantora de jazz que também se mistura com frequência a outros estilos contemporâneos. Ela tem sido uma das vocalistas femininas mais importantes desde meados da década de 1990. Seu repertório é principalmente de standards de jazz, embora ela constantemente se arrisque com interpretações improvisadas.

No final da década de 1980, suas gravações para a Verve começaram a fazer sucesso em seu país natal. Seu álbum tributo a Horace Silver, de 1995, levou a uma turnê pelos EUA que a redescobriu para o público local. Ela teve outro grande sucesso, incluindo um Grammy em 1997, com seu tributo a Ella Fitzgerald, apresentado aqui.

Uma homenagem a Ella Fitzgerald é uma tarefa difícil para qualquer cantora. Mas essa foi a tarefa que Dee Dee Bridgewater enfrentou ao assumir este projeto, e acho que a virtude deste álbum reside justamente em não querer cantar como Ella . Em vez disso, capturou a essência da Grande Diva: seu calor, sua jovialidade e sua graça.

Lista de faixas:

01. A Tisket, A Tasket
02. Mack the Knife
03. Undecided
04. Midnight Sun
05. Let's Do It (Let's Fall In Love)
06. How High the Moon
07. If You Can't Sing It, You'll Have To Swing It (Mr. Paganini)
08. Cotton Tail
09. My Heart Belongs To Daddy
10. I'd Like To Get You On A Slow Boat To China
11. Oh, Lady, Be Good!
12. Stairway to The Stars
13. Dear Ella






David Lebon – Deja Vu (2009)


David Lebón é um músico de rock progressivo nascido em Buenos Aires, Argentina, em 5 de outubro de 1952. Sua guitarra é marcadamente blues e rock (e, na minha opinião, uma das três melhores da história da música argentina). Ao longo de sua carreira, ele fez parte de muitas bandas, tocando os quatro instrumentos básicos: guitarra, baixo, bateria e teclado, embora sempre tenha sido conhecido por sua sensibilidade para tocar guitarra elétrica. Ele é um dos melhores e mais importantes músicos de rock da Argentina.

No final dos anos 60, conheceu Pappo , que em 1970 o incorporou como baixista na primeira formação de seu grupo Pappo's Blues . Em 1972, Lebón se juntou ao grupo Pescado Rabioso , fundado pelo guitarrista Luis Alberto Spinetta . No final de 1975, criou o Polifemo , uma banda de puro rock and roll, com Juan Rodríguez na bateria e Rinaldo Rafanelli no baixo, ambos vindos do Sui Generis .

Entre 1978 e 1982, integrou o Serú Girán , ao lado de Charly García, Pedro Aznar e Oscar Moro , período em que foi premiado como Melhor Violonista por cinco anos consecutivos. Com a separação do Serú Girán , sua produção solo aumentou, com uma série de álbuns excelentes.

Sete anos após seu último álbum de estúdio, ele marcou seu retorno com este álbum que apresentamos aqui.  Luis Alberto Spinetta lhe presenteou com 766 desenhos. Lebón passou um mês escolhendo um deles, que se tornou a capa deste álbum. Recomendo especialmente "En una hora" (com Ricardo Mollo), "Déjennos vivir" (Vivamos), "Viernes 3AM" (um cover da música de Seru Giran) e "Buenos Aires Blues " .

Músicos:

David Lebón: guitarra elétrica, voz
Silvio Furmanski: guitarras
Panchi Lebón: bateria
Leandro Bulacio: teclados
Hernán Gravelloni: baixo

Convidados:
Hilda Lizarazu: backing vocal
Ricardo Mollo: guitarra em “In an Hour” e “I Don’t Want to Lock Myself Up
Juanse: guitarra em “Let Us Live”






Fluido Rosa # 2: Live (2005) & 4 lustri (2013)

 



TRACKLIST:

01. Terminal Frost
02. Learning To Fly
03. Astronomy Domine
04. Atom Heart Mother - Echoes
05. Mother
06. Time
07. The Great Gig In The Sky
08. Money - Us And Them
09. Avviso di tempesta


Perdoem-me, mas quero aproveitar enquanto o ferro está quente (um famoso provérbio italiano que significa "aproveite as oportunidades quando elas surgem"). Neste caso específico, as oportunidades têm surgido. Depois da postagem bem recente dedicada ao Fluido Rosa e seu CD de estúdio de 2016, "Le vie dei sogni", e meu apelo final para pesquisa e compartilhamento de "4 lustri", ontem chegaram os arquivos do CD duplo mencionado pelos amigos Adix e Roberto (obrigado, San Gennaro!), assim como — entre os comentários — a menção de Cimabue ao álbum ao vivo de 2005. Muito obrigado, amigos, isso é colaboração e participação. 


Bem, dito isso, hoje temos o prazer de ouvir Fluido Rosa (obviamente derivado de "Pink Floyd"), uma das maiores bandas cover de Pink Floyd de renome internacional, com duas gravações ao vivo impressionantes. Seu primeiro álbum, "Live" (lançado em 2005, embora eu não tenha certeza da data), não aparece nas discografias oficiais (as pouquíssimas disponíveis); no entanto, está disponível em algumas plataformas online. Então, vamos incluí-lo no "catálogo" da Stratosfera, o que não custa nada. A seleção de músicas do Pink Floyd neste CD, que poderíamos chamar de uma espécie de "The Best", é simplesmente deslumbrante e cobre com elegância uma longa série da produção do Floyd. Gostaria de destacar o medley "Atom Heart Mother" / "Meddle" e as versões de "Mother" e, especialmente, "The Great Gig In The Sky", com os vocais esplêndidos de Cristiana Polegri e Roberta Lombardini. Foram emocionantes. O guitarrista Maurizio Perfetto fala por si. Ele não tem nada a invejar da classe e técnica de David Gilmour. O show encerrou com uma música original, uma composição do grupo intitulada "Avviso di tempesta". Abaixo, algumas fotos tiradas no palco. 






Fluido Rosa - 4 lustres (2013)


TRACKLIST CD 1:

01. Breathe - 4:17
02. Dogs - 8:33
03. Shine On You Crazy Diamond - 12:09
04. See Emily Play - 2:55
05. Any Color You Like - 3:40
06. Brain Damage - 3:49
07. Eclipse - 1:43
08. What Do You Want From Me - 4:09
09. On The Turning Away - 6:07
10. Sheep - 3:46
11. One Of These Days - 8:21
12. Comfortably Numb - 11:29


TRACKLIST CD 2:

01. Across The Universe - 7:06
02. Being For The Benefit Of Mr Kite! - 3:35
03. A Day In The Life - 5:24
04. Because - 4:38
05. Blue Jay Way - 4:19
06. Lucy In The Sky With Diamonds - 5:07
07. I Am The Walrus - 3:52
08. I Me Mine - 6:07
09. Eleanor Rigby - 4:32
10. Goodbye Blue Sky - 3:44


FORMAÇÃO:

Gabriele Marciano - voce e chitarra acustica
Maurizio Perfetto - chitarre
Adriano Lo Giudice - basso
Danilo Cherni - tastiera e voce
Derek Wilson - batteria
Cristiana Polegri - voce e sax
Roberta Lombardini - voce


"4 Lustri" foi lançado como CD duplo em 2013 pelo selo P&C Fluido Rosa Music e é uma compilação de outros grandes covers. Especificamente, o primeiro CD contém 12 faixas ao vivo do Pink Floyd, não incluídas no "Live" anterior, enquanto o segundo disco contém nove faixas dos Fab Four, exceto a faixa de encerramento (Goodbye Blue Sky), também do Floyd. Os sete músicos ostentam currículos impressionantes e grandes colaborações. Só para citar alguns, Maurizio Perfetto trabalhou com Venditti, Zarrillo, Patty Pravo e muitos outros. Juntamente com Danilo Cherni e Adriano Lo Giudice, ele compôs sucessos para Venditti como "21 Ways to Tell You I Love You", "Welcome to Paradise", "Noi", "Raggio di Luna", "Parla Come Baci", "La coscienza di Zeman" e "Estate Rubìno". Derek Wilson, um escocês que vive na Itália há muitos anos, tocou com Keith Emerson, Vangelis, Zucchero, Venditti, Cocciante, Rino Gaetano e Ron. A lista continua. A banda é enriquecida pelas grandes vozes das já mencionadas Roberta Lombardi e Cristiana Polegri, esta última também no saxofone. 



Os covers do PF são quase perfeitos: assim como seu álbum anterior, "Live". Amplo espaço é dado às faixas épicas de "DSOTM" e, incomum para outras bandas cover, de "Animals", com " Dogs " e "Sheep" . A versão deles de "Shine", com mais de 12 minutos, é belíssima. Cada faixa merece uma resenha, mas deixo vocês ouvirem. Vocês podem fazer suas próprias avaliações ao final do álbum. Afinal, estamos falando do Fluido Rosa, não de qualquer banda cover. 



A surpresa vem com o segundo CD, dedicado quase exclusivamente aos imortais Beatles. A escolha dos covers é decididamente original, com a inclusão de canções inusitadas como Blue Jay Way , Mr. Kite , A Day in the Life e I Am the Walrus , bastante difíceis de reproduzir. Classe não é água e Fluido Rosa encontra sem esforço o som certo, rearranjando clássicos dos Beatles com bom gosto e originalidade. Desde os primeiros compassos de Across the Universe percebemos que não estaremos testemunhando uma mera reprodução precisa e perfeita. Na verdade, sou tentado a dizer "When The Floyd Meets The Beatles" com a adição de um toque agradável de psicodelia. É como se o Pink Floyd tivesse decidido reinterpretar os Beatles. Este provavelmente seria o resultado. Uma acima de todas é a nova versão de I Me Mine . Um belo 30 com honras para a genialidade de Fluido Rosa. Para um fã dos Beatles (como eu (e espero que como muitos outros), ouvir essas preciosidades é um verdadeiro deleite. 



Bem, caros fãs do Stratosfera, nossa homenagem ao Fluido Rosa termina aqui. Estou curioso para saber a opinião de vocês sobre o assunto, supondo que estejam dispostos a dedicar um minuto do seu precioso tempo para deixar um comentário. Um blog prospera se também se tornar um fórum de conversa, onde vocês podem expressar suas ideias musicais e trocar ideias e opiniões. Não basta simplesmente baixar e dizer "adeus e obrigado", caso contrário, mais cedo ou mais tarde, alguém pode ficar entediado. Um conselho...
Divirta-se ouvindo .


MUSICA&SOM Ao Vivo (CD - 2005)
MUSICA&SOM 4 lustres (2 CDs - 2013)




Delirio Sonoro - Delirio Sonoro (CD, 1992)

 



TRACKLIST:

01. Intro: The Dream (7:03)
02. Strange Fruit (3:05)
03. Emily (9:14)
04. Tyrannical Rule (6:50)
05. Maoam (7:11)
06. Dark Father (4:46)
07. She Snapped the Stick Over Her Knee (3:46)
08. The Bonny Earl of Murray (5:38)
09. Emily Theme (3:43)


FORMAÇÃO:

Roberto Cruciani - basso
Alessandro Piscini - chitarra
Saulo Chiaramoni - voce
Daniele Santini - batteria, percussioni, computer, tastiere, voce

con
Antonio Pirolli - chitarra (track 3)
Cristiano Michelangeli - voce (track 2)



Outra banda do chamado "submundo musical" está trabalhando em seu primeiro álbum, um tributo inédito do nosso colaborador Osel. Obrigado por nos deixar descobrir essas preciosidades escondidas. O Delirio Sonoro foi formado em 1991 por Roberto Cruciani (baixo), Alessandro Piscini (guitarra), Saulo Chiaramoni (vocal) e Daniele Santini (bateria, percussão, computador, teclado, samples, fitas cassete, vocal). Seu primeiro esforço foi rearranjar e gravar as composições previamente escritas por Chiaramoni e Santini, que foram lançadas em 1992 como o álbum de estreia da banda. Este primeiro trabalho, simplesmente intitulado Delirio Sonoro, foi lançado em 1992 inicialmente como uma fita cassete de produção própria (veja as capas abaixo) e posteriormente lançado em CD pelo pequeno selo italiano TIBProd, especializado em música eletrônica, rock psicodélico e rock espacial. 


Delirio Sonoro lançou mais dois álbuns, "Bottiglie e tempo" (1996) e, após algumas mudanças na formação, "Atto Terzo" (2009). Mas não para por aí: além dessas gravações oficiais de estúdio, foram lançadas três coletâneas, uma em 2008 e duas em 2018, também contendo algumas faixas inéditas. Uma discografia no mínimo estranha. A partir deste primeiro álbum, Delirio Sonoro abordou sons psicodélicos, começando com os do Hawkwind, deixando para trás o progressivo e outros gêneros semelhantes. A guitarra de Alessandro Piscini desempenha um papel principal, esculpindo cada faixa com solos distorcidos e refinados. Com exceção de uma faixa decididamente fraca e chata ( Emily ), o resto do CD permanece em um nível decididamente alto. Um álbum lindo e envolvente.
E agora, encerrando esta longa seção dedicada ao new prog e afins, vamos mergulhar novamente nos grandes clássicos, grupos e músicos individuais (incluindo alguns grandes shows ao vivo), para promover um equilíbrio entre o passado e o presente. Enquanto isso, desejo a vocês uma boa audição.









Destaque

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