sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Tito Falaschi - Maiden Folk (Acoustic) - 2025

 


Tito Falaschi - Maiden Folk (Acoustic) - 2025

Ultranova - Ultranova - 2014

 


ORQUESTRA PATAFÍSICA

 



Excelente trio catarinense oriundo da bela cidade de Joinville que compõe um som puramente autoral que vem para agradar aos adeptos da psicodelia setentista em um formato contemporâneo de extremo bom gosto. 

De forma muito criativa, os músicos conseguem mesclar fragmentos da música brasileira, passando pelo Rock Psicodélico, Fusion e ainda alguns traços da música eletrônica. 

Deixo abaixo um Release oficial da banda para uma melhor compreensão. Segue também as principais fontes de divulgação. 

Mais uma vez o Progrockvintage usa seu espaço para mais uma disseminação do que há de melhor na música autoral, pouco valorizada pelos apreciadores da boa música. 

"Trio Joinvilense, essencialmente baseado em temas autorais.

O projeto musical se iniciou em 2017, como um duo (guitarra, percussão); tendo como elemento central o uso de guitarra para criar música ambiente e soundscapes. Nesse formato, foram criados temas orgânicos, remetendo à música contemplativa oriental, música experimental brasileira - sempre permeados por improvisos. Desde então, com frequência acompanhamos aulas de ioga ao ar livre em parceria a um projeto chamado sábado Zen e também de pequenos eventos e festas de amigos.

Em março de 2019, ocorreu uma expansão da sonoridade com a entrada de novos integrantes e elementos - direcionando a sonoridade para o Jazz-rock e rock psicodélico - baseada em elementos do fim da década de 1960, tendo como referências principais: Gong, Soft Machine, Pink Floyd, King Crimson e Jimi Hendrix.

Em maio lançamos nosso EP, com cerca de 17 minutos que de certa forma conta a história e evolução sonora do projeto: música experimental (faixa1), passando pelas paisagens sonoras (faixa2) e culminando no jazz-rock-psicodélico (faixa3). O EP teve boa repercussão e recepção pelo público roqueiro local. Participamos do festival Brotar em Joinville". 

Fonte: Divulgação banda


- O EP do trio formado por Thyago Kiam (guitarra, loops), Heitor Carneiro (contrabaixo) e Felipe Raffaeli Muller (bateria, clarinete e programações), pode ser encontrado na íntegra no site Bandcamp.










EMERSON LAKE & PALMER - Stomping Encore - 1971

 



Desde que aderi ao Rock Progressivo, sempre tive o ELP no topo da minha lista de bandas essenciais. Trio de extrema criatividade, liderada por grandiosos nomes que tiveram colaboração mais que indispensável para toda cena britânica da época. Todos os três membros vieram de bandas que abriram as portas para esse gênero musical que tanto nos impressiona mesmo com o passar de tantos e tantos anos. 

Carl Palmer, começou muito bem ao lado do excêntrico Arthur Brown; o tão saudoso Keith Emerson foi de relevante importância para o sucesso do Nice entre os anos de 1967 e 1971;  Greg Lake, que também nos faz muita falta, foi essencial com a presença de sua tenra e marcante timbragem de voz. Tornou-se membro fundador do Crimson, uma das bandas de extrema importância nascida no fim dos anos 60 que, juntamente com outros nomes, foi peça fundamental para o surgimento da cena progressiva européia que, há mais de 50 anos, ainda é venerada por muitos ao redor do mundo.

O registro a seguir é dividido em duas datas distintas. A primeira gravação aconteceu na cidade de Nova York em 1° de Setembro de 1971 e conta com ótimas versões dos dois primeiros álbuns da banda. Talvez essa tenha sido uma das primeiras aparições do trio em terras norte-americanas. A versão de Tarkus nesse setlist é certamente uma das melhores já 'vistas', na minha opinião, apesar da instável qualidade do áudio. 

A segunda gravação pertence a um pequeno registro gravado na cidade de Birmingham na Inglaterra e conta com faixas do disco Trilogy, lançado no ano seguinte a essa apresentação. Aqui encontramos uma gravação menos precária e também uma linda versão de Howdown, minha favorita de todos os tempos do trio. 

Como disse, a qualidade do áudio não é das melhores mas em se tratando de mais um raro registro, vale a pena compartilhar com todos vocês.


TRACKS:

DISCO I:

01. The Barbarian 
02. Take A Pebble 
03. Tarkus (Eruption, Stones Of Years, Iconoclast, Mass, Manticore, Battlefield, Aquata Rkus) 
04. Knife Edge 
05. Rondo- Drum Solo*

DISCO II:

01. Fugue 
02. Hoedown 
03. Tarkus (Eruption, Stones Of Years, Mass, Manticore, Battlefield, Aquatarkus) 







ARCPELAGO - SIMBIOSE - 2016

 



 O retorno do Quaterna Requiem aos palcos  foi uma realização pessoal, indo direto para a lista dos memoráveis shows aos quais tive a oportunidade de assistir e não foram poucos...

 O surgimento do projeto Cena Carioca de Música Progressiva, muitas vezes divulgado por aqui, também é um claro exemplo de que nem tudo está perdido. Desse projeto foram reveladas bandas de alto nível, lançando materiais impecáveis, proporcionando também o ressurgimento de alguns competentes músicos, muito respeitados por aquelas terras e que merecem o devido destaque.

Desse projeto, divulgo hoje o primeiro disco lançado pela banda Arcpelago que, na minha modesta opinião, foi a mais grata surpresa de 2016. Trabalho com produção impecável e notável preocupação com a qualidade de cada arranjo executado nas seis belas faixas que compõem o disco. 

Antes mesmo do processo de finalização do CD para gravação, tive acesso a algumas faixas demo que hoje guardo com muito apreço. São gravações ao vivo em estúdio que naquela época já me aguçava a curiosidade do que viria pela frente. O resultado final foi certeiro. Foram lançadas 200 cópias que rapidamente se esgotaram e a banda teve que providenciar uma nova leva para atender aqueles que ainda procuravam pelo disco, destacando também uma certa notoriedade em países como Inglaterra, Canadá e Japão.
Foto: Patricia Soransso
 Arcpelago nos remete ao que há de melhor no progressivo sinfônico, com fortes influências a importantes bandas como Pink Floyd, King Crimson e Eloy. Apesar dessa formação mais clássica, torna-se clara a inovação em suas composições, com variações em conjunto onde cada instrumento se funde em perfeita harmonia. Infelizmente sou leiga quanto a assuntos técnicos e não toco nenhum instrumento, procuro apenas prestar atenção naquilo que escuto e creio que posso dizer que estamos vivendo a era do progressivo moderno, sem perder aquela nuance do progressivo setentista. 

A primeira faixa vem com certo impacto. Introdução de Moog muito bem arranjada pelo tecladista Ronaldo Rodrigues, que no decorrer da faixa intercala lindas passagens de Hammond, entrelaçadas a bela guitarra de Eduardo Marcolino. As fortes linhas de baixo de Jorge Carvalho também são um show a parte, afinal não é qualquer músico que domina um baixo poderoso e imponente como o Rickenbacker.
'Sopro Vital' é a mais longa do disco, seus onze minutos de duração sofrem variações instrumentais bastante precisas e de extrema qualidade. Mais para o fim, entra o delicado porém um tanto proeminente vocal de Ronaldo Rodrigues, que dá um toque a mais de beleza a abertura deste belo trabalho.

A segunda faixa, predomina o dueto entre o forte baixo Precision e os solos de guitarra nos remetendo a uma fase mais 'Crimsoniana', por assim dizer. Principalmente nos minutos iniciais, surge uma atmosfera mais obscura fazendo lembrar algumas passagens do álbum 'Red' de 1974. Ao fundo, um suave piano elétrico apenas como um luxuoso acompanhamento para a quebradeira que se segue. 

O maestro responsável por conduzir a banda com uma habilidade e destreza invejáveis, fica por conta do baterista Renato Navega. Não conheço outros trabalhos do Renato mas sem dúvida existe aí fortes influências a Bill Brufford e Carl Palmer. O primeiro por sua técnica bastante característica e o segundo pela habilidade com o instrumento, qualidades estas que escuto de longe no Renato. 

A terceira faixa 'Ebulição dos Tempos' é a menos progressiva do disco, quebrando um pouco a complexidade do gênero e partindo para um estilo mais pesado com nítidas influências ao Rush no início dos anos 80. 

As faixas 'Cidade Solar' e 'Universos Paralelos' são inteiramente instrumentais e, de novo, muito bem executadas, sendo a segunda um composição exclusiva de Eduardo. O que impressiona é a dedicação e o alto nível de detalhes como escolha de timbres, composições e arranjos que nitidamente foram selecionados a dedo para que saíssem como planejado.

Para encerrar, entra a minha faixa favorita do disco. 'Dentro de Si' aparece como uma atmosfera calma e melancólica para depois evoluir a uma instrumentação mais complexa. O curioso dessa faixa é a ênfase dada a cada instrumento. O solo final de Hammond Moog é de tirar o fôlego, fechando o disco com extrema maestria.

Vale destacar também a arte gráfica de muito bom gosto que ficou por conta da gravurista e fotógrafa Fernanda Pio.  


Foto: Carlos Vaz

Espero sinceramente que este seja apenas o começo de uma longa carreira. Qualquer um sabe o quão difícil é manter uma banda desse nível nos dias atuais. Já cansei de ver, não só bandas nacionais a lançarem um disco maravilhoso, muito bem recebido pelo público e depois desaparecer. Espero que com o Arcpelago seja diferente. Mesmo com algumas mudanças enfrentadas pela banda nos últimos meses e por mais triste que tenha sido a saída do Eduardo da banda, os músicos logo trataram de correr atrás de outro guitarrista que se encaixou perfeitamente a proposta estabelecida. Creio que o jovem talentoso Diogo Albano tenha vindo para ficar e já está correspondendo muito bem durante os shows feitos no Rio, aos quais tiveram sua lotação esgotada. 

Confio muito no projeto Cena Carioca de Música Progressiva que tem servido como um alicerce para manter um gênero musical ao qual agrada a poucos mas esses poucos são completamente apaixonados pelo o que ouvem e valorizam por demais as boas e escassas bandas nacionais. 


 
TRACKS:

1. Sopro Vital 
2. Distância Entre Um Dia E Outro 
3. Ebulição dos Tempos
4. Cidade Solar 
5. Universos Paralelos 
6. Dentro De Si 




Brainstorm - Ambiguity (2000)

 



Origin: Germany

Tracklist:
1.Crush Depth
2.Tear Down the Walls
3.Beyond My Destiny
5.Coming Closer
6.Darkest Silence
8.Far Away
10.Revenant (bonus track)
11.Lost Unseen
12.Perception of Life

MUSICA&SOM ☝




quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Brainstorm - Metus Mortis (2001)

 


Dynazty - Bring the Thunder [2009] + Knock You Down [2011]

 



E a Suécia segue oferecendo Hard Rock de primeiríssima qualidade, firmando-se como país referência para a atual geração. A nova surpresa da terra dos vikings é o Dynazty. Bring the Thunder é um discaço, que tem tudo para agradar fãs de bandas como Whitesnake (fase “laquê no cabelo loiro do Coverdale”), Skid Row, Danger Danger, Tyketto e outras do gênero. Na produção, os músicos contaram com ninguém menos que Chris Laney, cada vez mais conceituado. E agora, com essa verdadeira pérola, o carequinha vai se destacando como a grande figura na cena do Rock pesado underground dos tempos atuais.

Sobre o álbum, temos aqui um verdadeiro masterpiece do estilo. Parece ter saído diretamente de uma máquina do tempo, vindo de vinte anos atrás, com riffs de guitarra em propulsão, refrães gritados e melodias cativantes. Um play que conta com espírito Hard Rocker. Humanamente impossível destacar alguma faixa, todas merecem ser ouvidas com total atenção. Obviamente, não vingou como deveria fora de suas dependências. Mesmo assim, todo fã do estilo que se preze não pode deixar de conferir. Para figurar entre os favoritos no playlist de todos os adeptos. Saudosistas de plantão, não deixem passar um dos melhores álbuns de 2009!


Nils Molin (vocals)
Rob Love (guitars)
John Berg (guitars)
Joey Fox (bass)
George Egg (drums)

01. Bring The Thunder
02. Catch The Night
03. Lights Out (In Candyland)
04. Far Away
05. Top Of The Line
06. Monkey Wants, Monkey Needs
07. Adrenaline
08. Take Me Down
09. The Devil's Shake
10. Higher N' Higher
11. Sail Away (Bonus Track)


Com um guitarrista a menos, a fórmula foi mantida em Knock You Down, novo álbum, mesclando riffs pesados e boas melodias, como fica claro desde a faixa de abertura, “Sleeping With the Enemy”. A cadenciada “Get It On” possui sangue norte-americano total, com seu estilo de arena, pronto para fazer sucesso com a platéia em apresentações. A agitada e direta “Mr. Money” é outro destaque, com suas paradinhas e backing vocals muito bem executadas.

Vale destacar que nenhuma faixa ultrapassa os quatro minutos e meio, fazendo com que o play flua de maneira agradável para os adeptos do gênero, sem enrolações e presepadas. O groove de “Throne Of China” convida o ouvinte a bangear. A sensação agradável se mantém em “The Devil’s Playground” e sua pegada à la KISS fase Hot in the Shade. A mais curta de todas, “Brand New Day”, traz uma abordagem mais europeia, com guitarras próximas ao Heavy Metal. “Hunger For Love” conta com uma sonoridade contemporânea sem descaracterizar a proposta. O refrão seria pule de dez para rodar em alguma rádio Rock menos ortodoxa.

A faixa-título acaba sendo uma das escorregadas, sem muito a acrescentar. A quebrada “New Sensation” e a melódica “Wild Nights” (mais uma com algo de KISS da fase oitentista) recuperam o fôlego. O Rock and Roll mais cru surge em “The Great Delusion”, que deixa uma boa impressão, preparando terreno para “Too Much Is Not Enough”, baladinha acústica que não poderia faltar, encerrando o tracklist normal. Ainda há duas bônus exclusivas para o Japão. “One In a Million” e “Stand as One” mantém o nível, com destaque para o estilo festeiro da primeira.




Nils Molin (vocals)
Rob Love Magnusson (guitars)
Joel Fox Apelgren (bass)
George Egg (drums)

01. Sleeping With The Enemy
02. Get It On
03. Mr. Money
04. Throne Of China
05. The Devil’s Playground
06. Brand New Day
07. Hunger For Love
08. Knock You Down
09. New Sensation
10. Wild Nights
11. The Great Delusion
12. Too Much Is Not Enough
13. One In A Million (Japanese Bonus Track)
14. Stand As One (Japanese Bonus Track)



Kiss - Crazy Nights [1987]

 



Enquanto "(Music From) The Elder" e "Carnival Of Souls" ganharam o status de "clássico cult", "Crazy Nights" permanece como uma ovelha negra e, muitas vezes, até como uma incógnita na carreira do Kiss. O tempo muda e a sonoridade também, ninguém pode viver de passado. Mas a mudança apresentada no décimo quarto álbum de estúdio da discografia, por mais que tenha sido apresentada progressivamente nos registros anteriores, pode parecer muito brusca para os ouvintes de primeira viagem.

"Crazy Nights" tem pouco do que consagrou a banda na década de 1970. Correto, porque os integrantes não eram os mesmos: Bruce Kulick assumiu a guitarra solo em 1984 e Eric Carr, as baquetas em 1980. Todavia, é notável que a sonoridade pra lá de Hard Rock oitentista e farofeira foi adotada durante o disco para incrementar as vendas do mesmo, visto que o antecessor "Asylum" vendeu pouco mais de meio milhão de cópias nos Estados Unidos - número baixo para os padrões dos ex-mascarados.

Da esquerda pra direita: Eric Carr,
Paul Stanley, Gene Simmons, Bruce Kulick

Caro leitor, por mais avesso a esta fase do Kiss que você possa ser, é inegável que este disco contém ótimas músicas. O problema de "Crazy Nights" é o contexto histórico, em vários sentidos. O baixista Gene Simmons estava dedicando mais tempo para sua carreira de produtor musical e ator do que para a banda. Além disso, a segunda metade da década de 1980 representa o auge do famigerado Hair Metal no mainstream. Isso justifica a orientação comercial das composições e até mesmo a escolha do produtor Ron Nevison, competente, porém deslocado por aqui. E aí está a principal deficiência sonora do registro: a produção.

Faixas como My Way e Turn On The Night trazem uma cama de teclados exuberante o bastante para ofuscar o peso da bateria e das guitarras. Os solos de guitarra de Bruce Kulick, por mais que estejam inspiradíssimos (aqui tem seu melhor trabalho de guitarra depois de "Revenge"), apresentam uma timbragem enfática nos agudos, o que torna a audição de alguns deles bem chata e datada. O próprio direcionamento comercial se torna um problema em canções pouco inspiradas como a enjoada Bang Bang You.


No entanto, há grandes momentos em "Crazy Nights". A própria My Way, apesar de muito teclado, contém uma das performances mais poderosas do vocal de Paul Stanley em quase 40 anos de KISStória. A radiofônica Crazy Crazy Nights, a bela balada Reason To Live, a paulada No, No, No, entre muitas outras que constituem a maioria do play, garantem a diversão do ouvinte. Vale deixar claro, inclusive, que o grande destaque é o Starchild: cantando e compondo muito, sua atuação se mostra inspiradíssima do começo ao fim.

A tática de vendas deu certo, pois "Crazy Nights" conquistou disco de platina nos Estados Unidos e Canadá, além de emplacar singles nas paradas de países como nos dois anteriormente citados, Reino Unido, Holanda, Austrália e Noruega. Vale a pena conferir esse registro e descobrir que trata-se de um grande álbum, prejudicado pelo já explicado "contexto histórico".


01. Crazy Crazy Nights
02. I'll Fight Hell To Hold You
03. Bang Bang You
04. No, No, No
05. Hell Or High Water
06. My Way
07. When Your Walls Come Down
08. Reason To Live
09. Good Girl Gone Bad
10. Turn On The Night
11. Thief In The Night

Paul Stanley - vocal (1, 2, 3, 6, 7, 8, 10), guitarra base
Gene Simmons - vocal (4, 5, 9, 11), baixo
Bruce Kulick - guitarra solo, backing vocals
Eric Carr - bateria, percussão, backing vocals

Músicos adicionais:
Phil Ashley - teclados
Tom Kelly - backing vocals





Pelican - The Cliff (2015)

 



Riffs torrenciais, explosões de bateria esparsas, sintetizadores melancólicos e evolução sonora gradual; esta é a fórmula base das construções (ou desconstruções) atmosféricas que envolvem o post-metal. Formado em 2001, o Pelican é um dos pilares (ao lado do Isis e Neurosis) desse gênero, graças a  álbuns como Australasia (2003). E o que os diferencia é a não utilização de vocais em suas músicas.

Uma das coisas que eu aprecio em canções instrumentais é como elas dão ao ouvinte a liberdade de aplicar as suas próprias interpretações para a música no lugar de letras. Mas em seu novo EP, a banda ousa utilizar vocalizações; antes, haviam feito isto apenas em “Final Breath”, do álbum What We All Come To Need (2009). Assim como há seis anos atrás, o responsável por isso é Allan Epley (Shiner, The Life And Times). Desta vez a banda revisitou a faixa “The Cliff”, do último disco Forever Becoming, e adicionou-lhe as partes do referido sujeito.

A primeira música é tranquilamente épica, construída lentamente e extasiando-se com cada cadência. Bateria hipnótica desce e sobe no decorrer do tempo com seus padrões de exalação, batendo um ritmo convincente que acena para você seguir adiante. As camadas de guitarras, uma marca do Pelican, são motivos de completa fixação e criam ondas cerebrais de esmagamento. Soma-se a isso os vocais de Epley, que tem mais a função de um instrumento adicional para a banda do que qualquer outra coisa. Se você não estiver familiarizado com o seu trabalho, Epley tem uma voz não muito diferente de um jovem Mark Lanegan (Screaming Trees). Sombrio, mas cheio de seriedade, os tons fortes de Epley soam tão pesados que contrastam bem com a emocional estrofe final.

Em seguida, temos um remix da mesma faixa feita por Justin Broadrick (Godflesch, Jesu), que elimina completamente esses vocais e nos leva a um passeio sinuoso, com uma sutileza mecânica, dando-nos um pouco de elementos modernos. Há um aspecto onírico que escapa das guitarras com sintetizadores e um mix de graves mais pesados é acrescentado. Um efeito de eco sobre a bateria dá uma sensação de surreal sonambulismo para o ouvinte.

A outra faixa é remixada por Aaron Harris e Bryant Clifford Meyer, ambos do Palms e ex-membros do finado Isis. Essa faixa acelera o ritmo, e acrescenta um fluxo mais dinâmico do que antes e enfatizando os vocais como uma textura adicional. Aos seis minutos, “The Wait” é uma boa maneira de acabar com o EP – um take melódico e reflexivo sobre tudo o que que define o Pelican, enquanto simultaneamente, lembra-nos o nome deste EP e não tira qualquer parte do foco que deve permanecer com as faixas anteriores.





Destaque

Chá de Gim – Comunhão (2015)

Não sabemos se algo de diferente tem vindo a ser misturado na água da cidade brasileira de Goiânia , mas parece. Carne Doce , Boogarins ou ...