Terminando essa pequena série de postagens sobre artistas latino-americanos, mais uma pérola obscura vinda do México. O trio Peck-Smyth & Off tem história pouco conhecida e lançou apenas um disco em 1976 e sumiu do mapa, recentemente aconteceram alguns relançamentos em CD. O álbum Love traz 8 faixas, maioria curtas, de rock progressivo, com leves influências psicodélicas, mas longe do rock latino e com forte ligação ao som feito na Inglaterra e Europa. Instrumental e vocais bem trabalhados caracterizam o som, na maioria do tempo melódico e sinfônico, dominado por teclados e piano, mas com boas passagens de guitarra. As letras são todas em inglês. Destaque para as faixas "Love", "Masacre", "Death" e "Jenny", apesar de ser um trabalho sólido. Pérola recomendada para fãs de rock progressivo, especialmente sinfônico.
Track listing: Intro Interview/Jump/ Lil’ Boys in do Hood / Warm It Up / The Way of Rhyme / Party / We’re in do House / A Real Bad Dream / It’s a Shame / Can’t Stop the Bum Rush / You Can’t Get with This / I Missed the Bus / Outro / Party (Krossed Mix) / Jump (Extended Mix)
23 de maio de 1992, 2 semanas (não consecutivas)
A história do Kris Kross parece uma versão hip-hop dos anos 90 da atriz Lana Turner, que, segundo a lenda, foi descoberta na lanchonete da farmácia Schwab's em Hollywood. Chris Smith, de 13 anos, e Chris Kelly, de 12, estavam passeando em um shopping em sua cidade natal, Atlanta, quando cruzaram com um produtor de 18 anos chamado Jermaine Dupri, que estava fazendo compras com o grupo feminino de rap Silk Tymes Leather. "Eu e o Chris estávamos só passeando no shopping e o Jermaine perguntou se a gente fazia rap e dançava", lembra Chris Smith.
A partir daquele dia, Dupri apadrinhou os dois jovens aspirantes a rappers. Segundo Dupri, eles tinham talento natural. "Eles conseguiam acompanhar", diz ele. "Eu escrevia as letras. Gravava as letras em fita e eles iam para casa estudar. Eles só precisavam entrar no ritmo de se tornarem verdadeiros rappers todos os dias, então comecei a levá-los comigo para sair em boates."
Kelly adotou o apelido de “Mack Daddy”, enquanto Smith optou por “Daddy Mack”. Aparentemente, o treinamento de hip-hop de Dupri funcionou. Não demorou muito para que uma demo garantisse à dupla um contrato com a Ruffhouse Records, distribuída pela grande gravadora Columbia. Kris Kross gravou a maior parte de Totally Krossed Out em uma semana no Studio 4, na Filadélfia. Embora a dupla achasse que o álbum estava completo, Dupri tinha outros planos. “Precisávamos de mais uma música”, lembra Dupri. “Fui para casa e a compus rapidinho.” Essa música era um hit de hip-hop intitulado “Jump”, que lançaria a carreira de Kris Kross.
A canção conquistou as paradas de singles, saltando do número 61 para o topo em apenas três semanas, em parte graças à estreia da dupla na televisão nacional no programa In Living Color, da Fox .
Mas Kris Kross não se resumia apenas ao som. Os rappers baixinhos também chamavam a atenção com seu estilo peculiar. A dupla preferia roupas largas e usadas ao contrário.
Segundo Dupri, a dupla testou a tendência da moda em um shopping. "As pessoas no shopping ficaram impressionadas", ele lembra. "Tipo, 'Eles estão vestindo as roupas do avesso'. E nós pensamos: 'É isso aí! Temos algo que vai chamar a atenção das pessoas.'"
Apesar do sucesso pop e do apelo adolescente inerente, o Kris Kross não queria ser conhecido apenas como mais um grupo infantil. A dupla tentou emular seus rappers favoritos do gênero hardcore, incluindo Run-DMC e NWA, em faixas como “Lil' Boys in da Hood”. Kelly afirma: “Nosso primeiro álbum não tinha nada a ver com pop. Ele simplesmente fez sucesso, e todo mundo disse que era pop. Mas nós não entramos no estúdio dizendo que queríamos fazer um disco pop.”
Mais de duas décadas após o sucesso estrondoso que os levou ao topo das paradas, Kelly foi encontrado morto em sua casa em Atlanta, vítima de uma aparente overdose de drogas. Ele tinha 34 anos.
OS CINCO MELHORES Semana de 23 de maio de 1992
1. Totally Krossed Out , Kris Kross 2. Adrenaline , Def Leppard 3. Blood Sugar Sex Magik , Red Hot Chili Peppers 4. Ropin' The Wind , Garth Brooks 5. Classic Queen , Queen
A cantora e compositora inglesa Joss Stone transformou o clássico garage rock do White Stripes, "Fell In Love With a Girl", em uma música funk sensual e cheia de soul nesta incrível versão de 2004. A artista, então com 16 anos, inverteu os gêneros no título e trouxe seu próprio toque único a este hino de paixão juvenil, desejo e romance. Ela infunde sua voz com muita sensualidade e atitude. E é acompanhada pela aclamada banda de hip-hop/neo-soul The Roots. Questlove ancora a batida com um ritmo poderoso, e Adam Blackstone entrega uma linha de baixo incrivelmente funky. Seu baixo está conectado a um pedal MoogerFooger Bass MuRF, dando-lhe um toque sedutor e envolvente. E o guitarrista "Captain" Kirk Douglas acentua o groove com alguns riffs saborosos. Esta faixa provou ser perfeita para o estilo vocal cheio de soul de Stone, e foi uma ótima maneira de apresentar a talentosa jovem cantora ao mundo.
"Fell In Love With a Boy" foi o primeiro single do álbum de estreia multiplatina de Stone, The Soul Sessions , lançado em 16 de setembro de 2003 pela S-Curve Records. A música foi produzida por Questlove, Betty Wright, Michael Mangini e Steve Greenberg. Foi lançada nos EUA em 12 de janeiro de 2004 e no Reino Unido em 26 de janeiro de 2004. Estreou e alcançou a 18ª posição na parada de singles do Reino Unido. Também obteve bom desempenho nas paradas da Nova Zelândia (23ª posição), Holanda (2ª posição), Itália (36ª posição), Escócia (18ª posição) e Bélgica (16ª posição).
O single recebeu críticas muito positivas da crítica especializada, que elogiou a produção autêntica de soul e funk retrô e a forte performance vocal de Stone. O compositor da música, Jack White, deu seu aval entusiasmado. "Ele me disse que adorou e que, quando toca ao vivo, prefere a minha versão à dele!", disse Stone em uma entrevista de 2007 para a revista Q. "Que elogio, hein? Um cara muito legal, o Jack White!"
Após o lançamento de The Soul Confessions , a estrela de Stone continuou a ascender de forma constante. Seu segundo álbum, Mind Body & Soul (lançado em 15 de setembro de 2004) , também alcançou o status de multi-platina, recebendo elogios de fãs e críticos. A maioria de seus álbuns subsequentes foi bem recebida tanto pelo público quanto pela crítica. Ela se consolidou como uma voz importante na música soul e R&B clássica, conquistando inúmeros prêmios e reconhecimentos por seu trabalho, incluindo um Grammy e dois Brit Awards. A artista já vendeu mais de 15 milhões de álbuns em todo o mundo e se apresentou ao lado de lendas da música como James Brown, Gladys Knight, Stevie Wonder, Sting e Van Morrison. Seu som dinâmico abrange soul, reggae, R&B, funk, pop, blues e world music.
A turnê "Less Is More" de Stone, prevista para 2026, começa no dia 3 de fevereiro no histórico Balboa Theatre em San Diego, Califórnia. Para mais informações sobre a turnê, visite o site oficial dela .
Joss Stone interpretando "Fell In Love With a Boy" na série VH1 Divas 2004.
Em 1988, Os Paralamas do Sucesso já não eram mais “aquela banda de Vital e Sua Moto”. Depois de Selvagem?, disco que expandiu seu som para muito além do rock carioca, Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone se viam no meio de uma encruzilhada criativa. Haviam experimentado ritmos afro-caribenhos, conquistado plateias na América Latina, tocado no Festival de Montreux, gravado ao vivo fora do país e começavam a despertar o interesse da matriz inglesa da EMI. Mas havia também algo mais íntimo moldando o que viria: o fim do relacionamento de Herbert com Paula Toller, vocalista do Kid Abelha.
Foi nesse contexto de expansão geográfica e recolhimento emocional que nasceu Bora Bora, o quarto álbum de estúdio da banda — uma obra em que sol e sombra se dividem em lados quase antagônicos: de um lado, a vibração ensolarada e dançante dos metais; de outro, a introspecção dolorida e melancólica de quem escreve com o coração em ferida aberta.
Gravado no estúdio da EMI-Odeon, no Rio, em fevereiro de 1988, e mixado no sofisticado Townhouse Studios, em Londres — onde, entre uma sessão e outra, os Paralamas cruzavam com Eric Clapton e ouviam ecos de Boy George nos corredores —, o álbum representou a primeira experiência de produção própria do trio, com o apoio do fiel escudeiro Carlos Savalla. Foi também a obra que cravou, definitivamente, os sopros na identidade sonora do grupo, com participações de Mattos Nascimento (trombone), Humberto Araújo (saxofone) e Don Harris (trompete), além dos convidados internacionais Peter Metro (toast jamaicano) e Charly García (piano).
O título, tirado da faixa homônima, evocava exotismo tropical, mas também ironia: a imagem de um paraíso distante contrastava com letras sobre amores naufragados e desilusões políticas. Era, como Herbert definiria, “uma mistura de falência de sonhos e anúncios vagabundos de paraísos tropicais”.
A capa, assinada por Ricardo Leite, era um choque cromático diante do preto e branco urbano de Selvagem?. Multicolorida, quase cartunesca, refletia a face caribenha do disco. O lado A, com seu sotaque afro-latino, era a festa na praia; o lado B, a ressaca na madrugada.
Os Paralamas do Sucesso em Paris, em 1987, quando se apresentaram no Olympia. A foto da banda na frente da casa de espetáculo parisiense serviu de capa para o álbum D, gravado ao vivo no mesmo ano no Festival de Montreux, na Suíça.
Nos arranjos, o reggae seguia sendo o alicerce, mas com novas camadas: ska, dub, calipso, guitarrada, baião e até um pé na música congolesa. O baixo de Bi continuava a pulsar com firmeza; a bateria de Barone, mais solta e inventiva; e Herbert, além das guitarras, se aventurava como cronista romântico e político, sem separar muito uma coisa da outra.
Mas Bora Bora não foi apenas uma questão de som. Nos bastidores, houve drama técnico: as fitas de 24 canais usadas na gravação, importadas da Alemanha, apresentaram defeitos e se deterioraram, soltando óxido. O problema só foi percebido na mixagem em Londres, e todo o material original se perdeu para sempre. A fabricante atribuiu à “umidade brasileira” a culpa e limitou-se a pedir desculpas. A ironia: um disco que falava de memória afetiva e perda começava sua vida já marcado pela ausência física de seu registro bruto.
Na abertura, a faixa “O Beco” funciona como editorial do disco: metais agressivos, reggae político e um riff que poderia ter saído tanto das ruas de Kingston quanto de Salvador. Depois, “Bundalelê”, instrumental que mistura carimbó e charanga, abre alas para a parte mais dançante do LP: é o som do mercado popular invadindo o estúdio. A faixa-título, “Bora Bora”, traz a ironia ensolarada do disco — ritmo alegre, letra amarga, imagem de um paraíso contrastando com o abandono amoroso. Já “Sanfona” é um cruzamento improvável entre forró e Caribe: música de fronteira, global e nordestina ao mesmo tempo.
Em “Um a Um”, os Paralamas recriam Jackson do Pandeiro (1919-1982) com espírito pop e arranjo de sopros vibrantes, reforçando o vínculo orgânico com a matriz brasileira. Na sequência, “Fingido” inaugura o clima introspectivo que se consolidará no lado B: uma balada contida, arranjo delicado, melancolia sem drama. “Don’t Give Me That” encerra o lado A com groove jamaicano e participação de Peter Metro, denunciando o uso de cocaína — reggae em estado puro, com cheiro de dub londrino.
É no lado B que o disco revela sua dor. “Uns Dias” abre como um golpe seco: Herbert canta ressentimento com voz baixa, mas o impacto é grande. O teclado de João Fera dá maturidade à faixa. Em seguida, vem o ápice emocional: “Quase um Segundo”, com o piano de Charly García, é MPB no sentido mais nobre — vulnerável, sofisticada, visceral. “Dois Elefantes” mantém o clima de desilusão, com bateria forte e uma das melhores metáforas de perda do repertório da banda. Ganhou uma releitura de Marina Lima no ano seguinte, no disco Próxima Parada (1989).
Gravada originalmente Jackson do Pandeiro, em 1954, "Um A Um" ganhou uma releitura dos Paralamas do Sucesso para o álbum Bora Bora, em 1988.
“Três” serve como interlúdio breve e estranho, quase um suspiro. Já “Impressão” segue o tom reflexivo, como uma carta nunca enviada. “O Fundo do Coração” traz o sax de George Israel e uma brisa soul que devolve sensualidade à reta final. O disco fecha com “The Can”, crônica bem-humorada sobre o “verão da lata” de 1987, com Peter Metro de volta, oscilando entre rap e reggae — uma despedida debochada após tanta ferida exposta.
Lançado em maio de 1988, Bora Bora vendeu cerca de 200 mil cópias, número expressivo para um disco que não se limitava a repetir a fórmula dos hits anteriores. A crítica reconheceu a ousadia, embora parte da imprensa apontasse a dualidade entre o lado A e o lado B como um sinal de “esquizofrenia musical” — algo que, para os fãs, era justamente seu charme.
Na revista Bizz, edição de agosto de 1988, o crítico musical Hagamenon Brito destacou a habilidade da banda em transitar do afro-baiano ao romantismo cinematográfico. Já Jean-Yves de Neufville, na mesma edição, comparou a versatilidade dos Paralamas a um camaleão, adaptando-se ao ambiente sonoro sem perder identidade. Ricardo Alexandre, no livro Dias de Luta – o rock e o Brasil dos anos 80, interpretou o disco como a consolidação de um “projeto estético” que cruzava as fronteiras entre rock e MPB — algo raro e arriscado na época.
Bora Bora foi um divisor de águas na trajetória dos Paralamas. Primeiro, porque consolidou o uso dos metais como elemento permanente no som da banda. Segundo, porque ampliou de vez a paleta rítmica, aproximando o trio do conceito de world music sem que isso soasse forçado. Terceiro, porque provou que era possível misturar festa e melancolia num mesmo álbum sem perder a coesão emocional.
No cenário musical brasileiro, o disco também foi um gesto político-estético: mostrou que o rock nacional podia dialogar com a MPB, o samba-reggae, o forró e o ska sem pedir licença a puristas de nenhum lado. No exterior, foi a peça-chave para a banda se posicionar como “o Clash brasileiro” ou “o Gang of Four africano”, como alguns jornalistas os definiram.
Passadas tantas décadas desde o seu lançamento, Bora Bora continua soando vivo. As faixas dançantes ainda incendiariam uma pista de baile; as baladas ainda cortam fundo. É um disco que guarda, em 48 minutos, o espírito de uma banda no auge criativo — pronta para conversar com o mundo, mas sem esquecer a rua da esquina.
Faixas
Todas as faixas por Herbert Vianna, exceto as indicadas.
Lado A
1."O Beco" (Bi Ribeiro/Herbert Vianna)
2."Bundalelê" (Bi Ribeiro/João Barone/Herbert Vianna)
3."Bora-Bora"
4."Sanfona" (Bi Ribeiro/Herbert Vianna)
5."Um a Um" (Edgar Ferreira)
6."Fingido"
7."Don't Give Me That" (Bi Ribeiro/Peter Clarke/Herbert Vianna)
Lado B
8."Uns Dias"
9."Quase Um Segundo"
10."Dois Elefantes"
11."Três"
12."Impressão" (Bi Ribeiro/João Barone/Herbert Vianna)
13."O Fundo do Coração"
14."The Can" (Bi Ribeiro/Peter Clarke/Herbert Vianna)
Os Paralamas do Sucesso: Herbert Vianna (guitarra e voz), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria e percussão).
Participações:
João Fera (teclados)
Mattos Nascimento (trombone)
Humberto Araújo (saxofone)
Don Harris (trompete)
George Israel (sax em "O Fundo do Coração")
Charly García (piano em "Quase um Segundo")
Peter Metro (toast em "Don't Give Me That" e "The Can")