Os australianos do AVALANCHE, banda de rock 'n' roll com pegada forte e energia contagiante, lançaram hoje seu álbum de estreia, "Armed To The Teeth", sem pedir desculpas por sua selvageria e estridência. Repleto de atitude, caos e riffs empolgantes, "Armed To The Teeth" é pura energia do hard rock de pub australiano, capturando o espírito de uma noite que sai gloriosamente do controle.
Com músicas curtas e impactantes, construídas em torno de ritmos pulsantes e refrões para cantar junto, perfeitas para locais lotados e festivais, o álbum oferece 40 minutos (perfeitos!) de puro rock and roll. É alto, ousado e assumidamente direto ao ponto – exatamente como o Avalanche pretende.
Desde que surgiu em 2018, o quarteto liderado pelo casal Veronica e Steven Campbell, Blake Poulton e Bon Lowe construiu uma reputação formidável através de turnês incessantes e performances explosivas. De shows como atração principal na Austrália e Ásia a dividir o palco com grandes nomes do rock, o Avalanche vem conquistando seu espaço como uma banda feita para ambientes barulhentos e noites inesquecíveis. 2026 promete ser o seu maior ano até agora. Após o lançamento de "Armed To The Teeth", o Avalanche levará seu show eletrizante para a Europa e o Reino Unido, abrindo os shows da banda australiana de rock Airbourne na turnê Gutsy European Tour. Este é um marco importante para a banda e uma oportunidade de levar seu espetáculo de rock a toda velocidade para alguns dos maiores palcos do continente.
Do início ao fim, "Armed To The Teeth" exala aquele rock'n'roll cru, energético, orgulhoso, visceral e sem frescuras que os australianos sempre fizeram tão bem ao longo das décadas. Não há muita variedade aqui, além de rápido ou mais rápido, mas cada faixa te atinge em cheio como uma viga de ferro. A soberba "On The Bags Again" abre o álbum de forma explosiva, com seu rock'n'roll selvagem, visceral e estridente, canalizando o espírito do auge do Rose Tattoo, enquanto "Going For Broke", "The Hand That Feeds" e "Blondie" mantêm o público batendo o pé no ritmo.
A faixa-título do álbum já foi aclamada por Joel O'Keeffe, do Airbourne, como a melhor música de rock and roll que ele ouviu em muito tempo, e de fato, com sua abertura no estilo de "Thunderstruck" e um refrão grandioso e emblemático, a influência de AC/DC e Airbourne é evidente. Canções como "Ride or Die", "Open To Retaliation" e "Kick Your Heels Back" demonstram ainda mais a influência do AC/DC da era Bon.
'Armed to the Teeth' é um álbum de rock furioso, divertido e eletrizante. O Avalanche certamente não está reinventando a roda, mas sim dando continuidade à tradição do hard rock australiano cru, estridente e visceral, com maestria. Se você curte rock no estilo de bandas como AC/DC, Rose Tattoo, The Angels e Airbourne, ou seus equivalentes europeus como Krokus e Bullet, este é um álbum que você definitivamente precisa conferir. Altamente recomendado.
01 – On The Bags Again 02 – Armed To The Teeth 03 – Down For The Count 04 – Going for Broke 05 – Dad, I Joined A Rock N' Roll Band 06 – The Hand That Feeds 07 – Ride Or Die 08 – Open To Retaliation 09 – Blondie 10 – Kick Your Heels Back 11 – Hell's Getting Hotter With You 12 – Bottle Of Sin
Steven Campbell – Baixo, Vocal; Veronica Campbell – Guitarra Solo e Rítmica; Blake Poulton – Guitarra Rítmica; Bon Lowe – Bateria
Aqui está o nono álbum do concerto beneficente Farm Aid de 2025. É um set de John Mellencamp.
Estou quase terminando de postar todos os sets do show que receberam votos suficientes na enquete que criei. Quanto mais tarde no festival, maiores os nomes das estrelas e, às vezes, mais longos os sets.
Assim como Dave Matthews, que foi a estrela do show anterior, Mellencamp não havia lançado um álbum nos dois anos que antecederam o concerto. Ele se concentrou principalmente em sucessos antigos, sendo a música mais recente "Lawless Times", lançada em 2014 no álbum "Plain Spoken".
Quarto álbum de Naná Vasconcelos, nesse registro figura o mestre da percussão solando majestosamente com o seu berimbau, a percussão fina e vocais intrincados ao lado de orquestra e de Gismonti.
Esse disco é marcado por ideias da infância, é quase um álbum de memórias das sensações, das euforias, dos medos e das descobertas, embalado por um conjunto com notórios e competentes músicos.
Faixas da Edição em CD 6 - Ilustrações Marco Antônio Araújo 7 - Cavaleiro - Trilha do Balé Cantares Marco Antônio Araújo 8 - Sonata para Cello e Violão Marco Antônio Araújo
Músicos
Marco Antônio Araújo - Mário Castelo - Ivan Corrêa - Alexandre Araújo - Antônio Maria Pompeu Viola - Max Magalhães - Eduardo Delgado - Oiliam Lana
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Esse é o segundo álbum de Marco Antônio Araújo. Obviamente, as referências à banda Pink Floyd são literais em algumas faixas. Mas não é algo que diminua a produção desse grande músico, falecido tão precocemente. O diálogo entre o rock progressivo e a música erudita com sotaque mineiro garante a marca de originalidade de Araújo. Essa postagem contém as faixas do LP (com a ordem original), além dos bônus da edição em CD. Conforme atesta Paulo Roberto de Andrade, autor da biografia “Marco Antônio Araújo – Entre a música e o silêncio”, lançada em agosto de 2023, ainda há muitas peças inéditas, em número suficiente para três álbuns. Oxalá, em breve, sejam disponibilizadas para a nossa alegria.
Desengane-se quem lhes venha à cabeça temas com três acordes e orelhas demasiado grandes. É outro o trilho que Bernardo percorre, com aquelas harmonias complexas e invulgares de quem já enfiou muito vinil do Sérgio Godinho e do José Mário Branco no bucho.
Talvez por timidez de iniciado, a maior parte das letras não são suas, mas o apurado gosto dos seus convivas apenas engrandece o disco. Metade delas foi escrita por Joana Barra Vaz, escriba tão sofisticada que nunca sabemos muito bem onde acaba a letra pop e começa a poesia; a outra metade foi gentilmente roubada a poetas consagrados como Boris Vian, Sophia de Mello Breyner, Oioai e Os Pontos Negros. Aliás, se há adjectivo que define como nenhum outro Turista! é justamente “literário”, tal é o amor com que Bernardo trata cada uma das mil quinhentas e sessenta e sete palavras que canta (mais do que as que há na discografia completa dos Ramones), todas escolhidas com o carinho e o rigor de quem sentiu antes na mão o peso exacto de cada uma.
A letra é sempre o seu ponto de partida, o novelo de lã emaranhado onde tudo começa. Depois, Bernardo vai desenrolando, com paciência e desenvoltura, o fio de melodia que encontra latente nas palavras-mãe. Em seguida, encontra-lhes uma atmosfera, o tom emocional que a canção respira. Em “Já Não Dá”, para dar apenas um exemplo, Bernardo descobre desespero, e através do seu soberbo arranjo, cheio de pesados e dolorosos silêncios, dá uma dimensão épica, quase apocalíptica, à canção. Não é segredo para ninguém que a poesia e a música são artes irmãs mas poucos são os que como Bernardo Barata levam tão longe este incestuoso matrimónio.
Sendo tão diversas as fontes literárias de que faz serventia, seria de esperar alguma dispersão de conjunto. Ora, não é isso que acontece, existindo uma surpreendente unidade – de tom e de conteúdo – em todo o disco. São os temas da alienação, da incomunicabilidade, da angústia, do desejo de evasão, que espreitam a cada canto, num registo desencantado que apenas admite fugaz escape na ilusão da arte e do amor. Que um disco tão denso e amargo se chame Turista! é uma das suas mais deliciosas ironias.
Tom Waits disse um dia que o mundo é um lugar infernal e que a má escrita está a destruir a qualidade do nosso sofrimento. Felizmente para nós que Turista! apenas nos serve para o jantar angústia filet mignon, de tão bem escrita e musicada que está. Já que não podemos ser felizes, saibamos ao menos saborear a nossa tragédia com todo o requinte que ela nos merece, diz-nos a cada instante o inesperado disco de estreia de Bernardo Barata. Venham mais cinco iguais a este.
Num novelo de riffs pesados e devassa moral, os Eagles of Death Metal mantêm-se fiéis a si mesmos. Jesse “The Devil” Hughes e Josh Homme regressaram a este que muitos consideram, erradamente, um projecto paralelo de Queens of The Stone Age. Sete anos depois de Heart On, os EODM lançam Zipper Down e, apesar de muitas coisas se manterem iguais – como o à vontade de fazerem e dizerem o que lhes apetece, por exemplo -, este último álbum pode ser a prova que faltava de que Homme é uma das personagens mais influentes da música contemporânea.
Espancando a tarola como se fosse uma piñata, completando os arranjos vocais com back vocals semelhantes aos que fez em AM e, mais importante ainda, assinando todas as despesas da produção do disco, Homme injecta QOTSA em tudo o que toca. O rei Midas do rock conseguiu fazer com que EODM soasse ainda mais à banda que imponentemente lidera, dotando-a de guitarras mais agressivas mas melódicas, e fugindo um pouco à maluquice dos trabalhos mais antigos, onde andava tudo demasiado à solta, demasiado descontrolado. Temos um som mais maduro mas que não perde a genuinidade que se esconde atrás destas canções: a amizade de Josh e Jesse.
Conhecem-se há muitos anos e partilham uma visão do rock n’roll que já não é muito comum. O rock de cabedal, álcool, droga e mamas, que grandes senhores como ZZ Top, por exemplo, usavam como estandarte, mantém-se vivo com os EODM. A única diferença é o facto de não se levarem demasiado a sério. Fazem isto porque é divertido e por acaso até há uns quantos milhares de pessoas que também o acham. E isto sente-se.
De modo geral, Zipper Down é sólido, não vacila enquanto descarrega boas doses de rock dançável e até cantável. “Complexity”, o primeiro single e faixa de abertura, lança a toada para as coisas boas que se avizinham. O kitsch de “I Love You All The Time” acaba por ser bem recebido e a música que se segue, “Oh Girl”, é o primeiro verdadeiro cavalo vencedor da louca corrida que se desenrola em Zipper Down. Amor, traição e insegurança nunca soaram tão badass, escondidas atrás de um refrão poderoso, pleno em fuzz sumarento. “Got The Power” é música de pista de dança (ou de autoestrada) e na antepenúltima faixa do disco chegamos ao orgasmo. Jesse (ou Boots Electric) e Josh (ou Baby Duck), esbofetearam todo o azeite dos Duran Duran e trocaram-no por uma boa dose de tensão sexual condensada sob a forma de notas musicais. O clássico “Save a Prayer” ganha um par de botas de cowboy, calças de ganga esburacadas, casaco de cabedal, uma mão cheia de tatuagens e ameaça engatar todas as miúdas de todos os bares com mais espaço para estacionar choppers em vez de carros. “The Reverend”, a última música, sai prejudicada por se fazer seguir a “Save a Prayer” – é muito boa, mas a melhor veio primeiro.
Sexo, drogas e rock n’roll vivem nas entrelinhas deste disco raçudo de uma banda que cada vez mais se parece com outra mas que mantém a vivacidade que transpira dos seus dois grandes maestros. Diversão, catarse e confiança é o que se ganha desta mistela. Tudo elementos que fazem da música a coisa fantástica que é, tudo elementos que compõem o âmago dos Eagles of Death Metal. Que nunca o percam nem deixem que ninguém lhes tire.