A artista canadiana voltou a Cascais para reencontrar "velhos amigos". A 17ª edição do festival decorre até 30 de julho.
A noite começou serena, com os acordes intimistas da dupla de guitarristas Frankie Chavez e Peixe. Os Miramar, que somam dois álbuns na prateleira de discos enquanto dupla, tocaram para uma plateia que esteve, sobretudo, atenta enquanto seguia, em silêncio, a nobre arte do dedilhar - neste caso com a obra nas mãos de dois grandes guitarristas portugueses. Foi o começo de uma noite - à beira-mar semeada - com músicos de mão-cheia. E assim continuou.
Minutos antes do início do concerto de Diana Krall, os dois ecrãs, posicionados nas laterais do palco, projetavam algumas indicações que, resumidas, esclareciam que não era possível captar imagens. Talvez para motivar o público a preservar a experiência, com os sentidos direcionados somente para o palco e sem intermediários tecnológicos a atrapalhar. Sem distrações, os últimos retoques no palco aconteceram então à vista de um recinto cheio de gente, que se foi acomodando nas cadeiras e na relva do recinto que Krall já deve tratar por tu. É "artista da casa" no EDP Cool Jazz e fez questão de sublinhar a afinidade com o espaço. A cantora e pianista canadiana voltou a sentar-se ao piano, em Cascais, para dar ao público um punhado de canções de outrora que nunca perdem a pertinência e tão pouco a relevância histórica. Nas mãos de Krall e dos três músicos que a acompanham ao vivo são temas bem embebidos na fruição do jazz e nas reminiscências do blues. Escutámos mais de duas mãos cheias de clássicos - avivados na voz, por vezes sussurrada, de Krall e pelas proezas de Anthony Wilson (guitarra), Robert Hurst (contrabaixo) e de Karriem Riggins (bateria).
A presença da pianista parece conhecer os cantos à casa. Vai-se espraiando, com elegância, pelo recinto, enquanto as canções vão sendo reveladas. O repertório passeia, sobretudo, pelo cancioneiro da América do Norte. De Nat King Cole a Tom Waits. De Peggy Lee a Joni Mitchell. O trio de músicos - de alto gabarito - esteve em palco durante praticamente todo o concerto. Nem por um segundo Krall tapou o brilho aos companheiros. Deu espaço às proezas instrumentais de cada um, ficando sozinha, a dar vida ao piano, apenas por breves momentos.
'Where or When', de Richard Rodgers e Lorenz Hart, foi a primeira a ser tocada. Seguiram-se 'I Don't Know Enough About You', canção imortalizada por Peggy Lee, e 'All or Nothing at All' - clássico "itinerante" que andou a viajar pelas vozes de Frank Sinatra, Billie Holiday ou Bob Dylan. Foi também uma das canções a merecer uma ovação da plateia, graças à longa conversa instrumental que a foi construindo.
"Como estão", perguntou a cantora, a dada altura. "Estou muito entusiasmada por estar de volta", disse, relembrando essa alegria do retorno "ao aconchego" ao longo de todo o espetáculo. 'You Call It Madness (But I Call It Love)' e 'L.O.V.E.' demoraram-se no universo de Nat King Cole e 'I've Got You Under My Skin', mais uma a recolher aplausos à chegada, passou pelo de Cole Porter. Ainda houve espaço no alinhamento para 'I Was Doing All Right' (de George Gershwin), para o mais agitado 'Jockey Full of Bourbon', do profundo Tom Waits, ou para 'Amelia', canção emprestada da entidade da folk: a senhora Joni Mitchell, conterrânea de Krall.
'East of the Sun (and West of the Moon)' e 'Cheek to Cheek' - que se estendeu até aos aplausos de pé - levaram o público ao solicitado encore que foi servido com 'How Deep Is The Ocean' e 'Cry Me a River'.
O EDP Cool Jazz continua no Hipódromo Manuel Possolo até dia 30 de julho. A 28, a noite estará a cargo de Jordan Rakei e Moses Boyd. No dia 30, o último de 2022, a celebração da música a céu aberto será com o brasileiro Jorge Ben Jor e com a portuguesa Jéssica Pina.
A noite começou serena, com os acordes intimistas da dupla de guitarristas Frankie Chavez e Peixe. Os Miramar, que somam dois álbuns na prateleira de discos enquanto dupla, tocaram para uma plateia que esteve, sobretudo, atenta enquanto seguia, em silêncio, a nobre arte do dedilhar - neste caso com a obra nas mãos de dois grandes guitarristas portugueses. Foi o começo de uma noite - à beira-mar semeada - com músicos de mão-cheia. E assim continuou.
Minutos antes do início do concerto de Diana Krall, os dois ecrãs, posicionados nas laterais do palco, projetavam algumas indicações que, resumidas, esclareciam que não era possível captar imagens. Talvez para motivar o público a preservar a experiência, com os sentidos direcionados somente para o palco e sem intermediários tecnológicos a atrapalhar. Sem distrações, os últimos retoques no palco aconteceram então à vista de um recinto cheio de gente, que se foi acomodando nas cadeiras e na relva do recinto que Krall já deve tratar por tu. É "artista da casa" no EDP Cool Jazz e fez questão de sublinhar a afinidade com o espaço. A cantora e pianista canadiana voltou a sentar-se ao piano, em Cascais, para dar ao público um punhado de canções de outrora que nunca perdem a pertinência e tão pouco a relevância histórica. Nas mãos de Krall e dos três músicos que a acompanham ao vivo são temas bem embebidos na fruição do jazz e nas reminiscências do blues. Escutámos mais de duas mãos cheias de clássicos - avivados na voz, por vezes sussurrada, de Krall e pelas proezas de Anthony Wilson (guitarra), Robert Hurst (contrabaixo) e de Karriem Riggins (bateria).
A presença da pianista parece conhecer os cantos à casa. Vai-se espraiando, com elegância, pelo recinto, enquanto as canções vão sendo reveladas. O repertório passeia, sobretudo, pelo cancioneiro da América do Norte. De Nat King Cole a Tom Waits. De Peggy Lee a Joni Mitchell. O trio de músicos - de alto gabarito - esteve em palco durante praticamente todo o concerto. Nem por um segundo Krall tapou o brilho aos companheiros. Deu espaço às proezas instrumentais de cada um, ficando sozinha, a dar vida ao piano, apenas por breves momentos.
'Where or When', de Richard Rodgers e Lorenz Hart, foi a primeira a ser tocada. Seguiram-se 'I Don't Know Enough About You', canção imortalizada por Peggy Lee, e 'All or Nothing at All' - clássico "itinerante" que andou a viajar pelas vozes de Frank Sinatra, Billie Holiday ou Bob Dylan. Foi também uma das canções a merecer uma ovação da plateia, graças à longa conversa instrumental que a foi construindo.
"Como estão", perguntou a cantora, a dada altura. "Estou muito entusiasmada por estar de volta", disse, relembrando essa alegria do retorno "ao aconchego" ao longo de todo o espetáculo. 'You Call It Madness (But I Call It Love)' e 'L.O.V.E.' demoraram-se no universo de Nat King Cole e 'I've Got You Under My Skin', mais uma a recolher aplausos à chegada, passou pelo de Cole Porter. Ainda houve espaço no alinhamento para 'I Was Doing All Right' (de George Gershwin), para o mais agitado 'Jockey Full of Bourbon', do profundo Tom Waits, ou para 'Amelia', canção emprestada da entidade da folk: a senhora Joni Mitchell, conterrânea de Krall.
'East of the Sun (and West of the Moon)' e 'Cheek to Cheek' - que se estendeu até aos aplausos de pé - levaram o público ao solicitado encore que foi servido com 'How Deep Is The Ocean' e 'Cry Me a River'.
O EDP Cool Jazz continua no Hipódromo Manuel Possolo até dia 30 de julho. A 28, a noite estará a cargo de Jordan Rakei e Moses Boyd. No dia 30, o último de 2022, a celebração da música a céu aberto será com o brasileiro Jorge Ben Jor e com a portuguesa Jéssica Pina.
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