| Martinho da Vila |
Não Chora Meu Amor
Martinho da Vila
Não chora meu amor, não chora
Não chora porque seu amor não vai embora
Português lhe diz não chore
Porém, eu digo não chora
Sua mãe diz não namore
Mas, eu digo me namore
Você diz pra voltar cedo
Eu só chego ao romper da aurora
Não chora meu amor ...
Já é hora vou me embora
Quero ficar, mas eu vou
Vou levar o meu pandeiro
Vou levar meu agogô
Vou levar a minha cuíca
Vou levar meu afoxé
Se sobrar uma graninha
Eu trago um presente pra você
Não chora meu amor ...
Aqui já não tem mais bonde
Vou em outra condução
A batalha é bem longe
Eu vou pegar meu avião
Tome conta do que eu deixo
Feche a janela e a porta
A saudade me maltrata
A saudade me conforta
Não Tenha Medo, Amigo
Martinho da Vila
Não tenha medo amigo
Não tenha medo
É
Como falou o poetinha Vinicius
"São demais os perigos dessa vida"
Mas o sangue brobulha nas veias
E eu tenho que andar na rua
Gosto de enfrentar o mundo cara-a-cara
Olhar as pessoas no olho
Tenho que estar nos botequins, nas favelas
Nos palcos, nas platéias
Nos campos, nas cidades, nos sertões
Aqui e acolá, como gente
Pés no chão, no meio do povo
Cautelosamente sem cautela
Receiosamente sem receio
Distraidamente distraído
Mas sem medo
Não tenha medo meu amigo, não tenha medo
Porque o medo é o seu maior inimigo
Admiro medrosos sem medo
Detesto valentes
De heróis desconfio
Do mundo eu não tenho medo
Mas viver a vida é um desafio
Não tenha medo
Não tenha medo amigo
É amigo
A vida é um segmento de reta sinuoso
Um vai e vem
Todo mundo tem que ser viandante
Pois "barco parado não faz frete"
- Tá lá nos caminhões
Fé em Deus e pé na tábua
Seguindo o destino
Moldando o destino, transando com ele
Sem medo do que você tem e do que você pode ter
Do que você é e do que você será
Vá em frente amigo
Amando a mulher amada
Dando amor a muitas mulheres
Caminhando em busca do infinito
Sem mitos, sem metas
Sem medo
Não tenha medo
Porque o medo é o seu maior inimigo
Não tenha medo de ficar doente
De ser impotente
Ou de levar um chifre
Confie no amor da amante
E na honestidade da mulher de casa
Não é mais tempo do duelo nobre
Ou de lavar a honra com florete ou sabre
Não tenha medo do clamor divino
E nem do capeta e seu inferno em brasa
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