Elegia Sanjoanina
Rui Veloso
Foi no ano passado
Na noite de São João
Andava o baile animado
E eu todo engatatão
Fui parar ao braços dela
No meio da confusão
Fitei-a lá bem nos olhos
Não mais a larguei da mão
Dançamos num rodopio
Bebemos vinho e cerveja
Acordamos manhã alta
Nas traseiras duma igreja
Ela disse "Estou quilhada
O meu pai vai-me matar"
E eu disse "Está descansada
Que eu vou lá para o enfentar"
Tenho pena, mas sou um teso
Nada tenho para te dar
A não ser um lume aceso
Para te abrasar
Falei-lhe de homem para homem
Quais as minhas intenções
Eu trabalho e sou honesto
Mas sem grandes ambições
Ai eu cá para a minha filha
Quero alguém que tenha peso
Não gastei tanto a criá-la
Para a vir casar com um teso
Ela é boa na costura
E sabe cozinha francesa
Toda ela é finura
Bom trato e delicadeza
Já ganhou um concurso
Do vestido de Cheeta
Queria você um "Sem Curso"
Levar coisa tão bonita
Tenho pena, mas sou um teso
Nada tenho para te dar
A não ser um lume aceso
Para te abrasar
Disseste que eu era demais
Quase me chamas-te artista
Nas carícias dos portais
Mas era tudo fogo de vista
Hoje talvez nada te falte
O teu homem é Doutor
Mas o teu olhar perdeu
Daquela noite o fulgor
Tenho pena mas sou um teso
Nada tenho para te dar
A não ser um lume aceso
Para te abrasar
Estrela De Rock And Roll
Rui Veloso
Não quero ser o tão falado detergente
Para dissolver o teu vazio suavemente
Talvez cantar todo o meu sonho
Num castelo de rimas
Sem ter glutões milagrosos
Na patente dos meus enzimas
Viver em estampa no peito da tua camisola
Autocolante no couro da tua sacola
Estrela distante
No céu da tua memória
Mito coroado com a poeira
E com a espuma da glória
Não tenho jeito para estrela de rock and roll
Não tenho jeito para estrela de rock and roll
Vaguear no palco perdido entre as luzes
Sangue e vinil na febre louca do show biz
Quando eu morrer talvez triplique
A minha fama
A overdose do costume
Só para dar mais um toque ao drama
Não tenho jeito para estrela de rock and roll
Não tenho jeito para estrela de rock and roll .
Fado do Ladro Enamorado
Rui Veloso
Vê se pões a gargantilha
Porque amanhã é domingo
E eu quero que o povo note
A maneira como brilha
No bico do teu decote
E se alguém perguntar
Dizes que eu a comprei
Ninguém precisa de saber
Que foi por ti que a roubei
E se alguém desconfiar
Porque não tenho um tostão
Dizes que é uma vulgar
Joia de imitação
Nunca fui grande ladrão
Nunca dei golpe perfeito
Acho que foi a paixão
Que me aguçou o jeito
Por isso põe a gargantilha
Porque amanhã é domingo
E eu quero que o povo note
A maneira como brilha
No bico do teu decote
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