quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

A música pop perfeita : The Carpenters - Horizon (1975).

Demorei a curtir a música dos Carpenters, muito porque meu irmão mais velho ouvia constantemente e meu barato era o Rock à época, e não o pop. Também demorei a perceber o quão vistoso era o grave de Karen, uma cantora completa, uma estrela, uma das vozes femininas mais marcantes da música moderna do século XX.

Horizon é o sexto álbum de estúdio da banda e para mim, o petardo pop perfeito da dupla.


Se Richard apenas tivesse escrito "Aurora / Eventide" - músicas que abrem e fecham o disco, já poderia levar um prêmio especial. Estas pequenas composições carregam uma aura de divindade / angelitude extremas. Não são deste mundo. Sobrenatural a harmonia e interpretação de Karen, já valeriam o disco.

"Please Mr. Postman" alcançou o topo da parada de singles da US Billboard, se tornando um mega sucesso mundial, assim como "Happy" - ambas composições de terceiros e a estrondosa "Only Yesterday" com uma inflexão grave magnífica (!) de Karen logo no primeiro verso. Esta última alcançou o quarto lugar da Billboard. Todas as três foram responsáveis pelo sucesso do álbum em vários países, incluindo o Brasil.

"Desperado", uma releitura da dupla dos Eagles, poderia bem estar na trilha sonora de obras como "Paris, Texas" de WinWenders ao lado dos instrumentais de Ry Cooder, pois a harmonia com gaita de Tommy Morgan abrindo e fechando a faixa dentro do belo arranjo e o tema da letra remetem a distanciamento e drama. Uma pérola.

Outra que merece destaque no álbum é "Solitaire" - terceiro single do´álbum. Com magnífica performance de Karen - redundância né? - e mais um belíssimo arranjo do duo. 


"I can´t dream, can´t I" e "Love me for what I am" são outras duas releituras mais calmas na interpretação e com arranjo mais modesto, digamos assim. Destaque para o solo brevíssimo de Tony Peluso na guitarra nesta última.

Já "Goodbye and I love you" é uma gostosua com os arranjos vocais típicos da dupla, numa bela composição de Richard com o parceiro John Bettis.

Este álbum, no geral, é bem reflexivo, dentro da característica dramática e melancólica presente na voz de Karen. A revista Rolling Stone, na época, aclamou a obra como a mais sofisticada do duo até então. No Japão e Inglaterra, o petardo chegou ao 1° lugar da parada.







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