
Resenha
Diamond Dogs
Álbum de David Bowie
1974
CD/LP
Em 1973 David Bowie, assassina seu alter ego Ziggy Stardust em pleno palco do Hammersmith Odeon e parte para novos projetos. Após a gravação de um excelente disco de covers, denominado Pin Ups, David começa a explorar novos horizontes musicais em sua vitoriosa carreira. O músico havia sido impactado pelo livro 1984 de George Orwell, que conta a história de um futuro distópico, onde as pessoas são vigiadas 24 horas pelo Big Brother (Mais atual impossível). Bowie decidiu fazer um disco conceitual baseado na obra do escritor. Para isso criou um novo personagem: Trata-se de Halloween Jack, morador da apoteótica Hunger City, cidade onde se desenrola toda a trama. Embora tenha trazido um novo personagem à tona, as semelhanças com Ziggy são inúmeras, do visual andrógino a postura, tudo lembrava o antigo e celebrado personagem de David. Porém, os problemas surgiram antes mesmo do inicio das gravações, quando a viúva de Orwell, Sonia, se negou a ceder os direitos do livro a Bowie. Irritado, o músico decidiu criar seu próprio cenário apocalíptico, usando o livro apenas como inspiração, ao lado de obras de outro renomado escritor inglês, William S. Burroughs. Bowie havia acabado com sua banda The Spiders from Mars, e se afastou de seu produtor Ken Scott. Sem banda e produtor, David resolveu assumir sozinho a produção do álbum e a execução da maior parte dos instrumentos. O camaleão toca todas as guitarras, saxofones, sintetizadores, mellotron além de fazer os vocais principais e de apoio. Bowie teve ajuda de alguns poucos músicos, como o baixista Herbie Flowers (T. Rex), o tecladista Mike Garson e os bateristas Tony Newman e Aynsley Dumbar. Diamond Dogs apresenta uma sonoridade mais densa e perturbadora, que se traduz nas letras apresentadas. A guitarra aparece mais crua e direta, resultado da ausência de seu guitarrista Mick Ronson e da postura mais agressiva de David. A vinheta de abertura “Future legends” prepara o ouvinte para o que virá a seguir; Na faixa titulo que vem a seguir, o novo herói Halloween Jack anuncia em meio a sonoridade stoneana que “isso não é rock n´ roll, é genocídio”; “Sweet Thing” traz uma harmonia densa, arrastada, com ecos lisérgicos e progressivos; A canção é completada pela faixa seguinte, “Candidate”, onde sax e guitarra dividem espaço para criar um caos controlado, onde os vocais ratificam o cenário apocalíptico apresentado nas letras. Bowie usa o saxofone de modo mais cru e enérgico, fazendo um contraponto com o piano melódico de Garson; “Sweet Thing” retorna para finalizar a trilogia; “Rebel, Rebel” fecha o primeiro lado do disco. Com seu riff característico, a canção foi um dos grandes sucessos da carreira do artista; “Rock 'n' Roll with Me” abre o lado dois do álbum, é uma balada mais solta, recheada de teclados e com boas intervenções de guitarra; “We Are the Dead” traz de volta o clima tenso do disco, mas a canção parece que ficou espremida entre a balada e a canção seguinte, “1984” um dos pontos altos do disco, onde o cantor exterioriza as influências do citado livro de Orwel, juntamente com a canção seguinte, “Big Brother”. Alguns teclados e andamentos utilizados pelo músico são semelhantes a trilhas sonoras dos grandes filmes dos anos 70; “Chant of the Ever Circling Skeletal Family” é outra vinheta com o intuito de encerrar o trabalho. A curta faixa possui um excelente jogo de vocais de David; Diamond Dogs foi lançado em maio de 1974 e marcou o fim da fase glam do artista. O álbum foi um sucesso de vendas, impulsionado pelo single “Rebel, Rebel”. A crítica especializada ficou dividida, enquanto alguns disseram ser o melhor trabalho do artista até então, outros se mostraram desapontados com o direcionamento musical e até a falta de sua banda de apoio. Passados quase 50 anos de seu lançamento, o álbum pode ser considerado um dos grandes clássicos da discografia do músico.
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