
Para promover You Are the Music… We're Just The Band, lançado pela Threshold em 1972, o Trapeze saiu em turnê como banda de abertura do Deep Purple, então em crise. O vocalista Ian Gillian está saindo e o baixista Roger Glover quer entrar na produção. Impressionado com a atuação de Glenn Hughes no palco, ele recebeu uma oferta irrecusável: tornar-se baixista (e aliás cantor) do Deep Purple. Decepção que parece marcar o fim do Trapézio.
Só que o guitarrista Mel Galley não vê as coisas dessa forma e decide resolver o problema com as próprias mãos. Ajudado pelo baterista Dave Holland, ele recrutou Pete Wright, um baixista quase desconhecido, para substituí-lo. Para dar um novo fôlego, os membros restantes aumentaram a hierarquia trazendo o guitarrista Rob Kendrick, também desconhecido.
Auxiliada pelo saxofonista Chris Mercer, pelo tecladista Terry Rowley, pelo percussionista John Ogden e pelos backing vocals Kenny Cole e Misty Browning, esta nova formação mudou de rótulo ao assinar com a Warner Bros e lançou Hot Wire em 1974, onde observamos um sundae de sorvete com cores bastante quentes. Uma vontade de que o quarteto sopre quente e frio.
Com Hot Wire , o grupo tenta fundir a receita hard/funk de You Are the Music… com a complexidade de Medusa editado em 1970. O resultado é excelente, fazendo-nos esquecer a ausência de Glenn Hughs.
Composto por 8 músicas, abre de forma arrasadora com “Back Street Love”, riffs cativantes de Southernrock que deixariam Lynyrd Skynyrd com solos pálidos, sangrentos e melódicos. Depois, há essa voz de Mel Galley, engajada, nervosa e com alma estranhamente parecida com a de Glenn Hughs, embora em tom mais baixo. Sem avisar, o combo mantém a pressão com a revigorante e afiada “Take It on Down the Road” cheia de emoção com um saxofone terminando com um refrão encantador. Uma grande introdução cheia de adrenalina feita com coragem e convicções. Regressamos ainda ao registo soutnernrock com “Wake Up, Shake Up” um pouco de country ou a leve e quente “Steal a Mile” com os seus aromas funk, atravessados por um sax jazzístico.
Mas o combo oferecerá faixas precursoras do hardcore fusion, provavelmente ouvidas pelos futuros Red Hot Chili Peppers, Living Color e Bad Brain. Com os seis minutos de “Midnight Flyer” ultra funky e muito ousado, beirando o jazz fusion, é uma demonstração de força. Assim como “Turn It On”, mas mais tenso, mais sombrio, mais heavy metal com efeitos cósmicos através do sintetizador. No processo podemos evocar o arrepiante e tenso “Goin' Home” com a sua ruptura alucinatória e estratosférica. O caso termina com os 8 minutos de “Feel It Inside” em ritmo médio entre blues pesado, soul e atmosfera gospel. É como se Led Zep tocasse com Sly Stone.
Em suma, à chegada um disco fácil de ouvir e que ficará no 146.º lugar da Billboard 200 americana. O suficiente para motivar a equipe a voltar ao estúdio.
Títulos:
1. Back Street Love
2. Take It On Down The Road
3. Midnight Flyer
4. Wake Up, Shake Up
5. Turn It On
6. Steal A Mile
7. Goin’ Home
8. Feel It Inside
Músicos:
Mel Galley: Guitarra, Vocais
Rob Kendrick: Guitarra
Pete Wright: Baixo
Dave Holland: Bateria
+
Chris Mercer: Saxofone
Terry Rowley: Teclados
John Ogden: Percussão
Kenny Cole, Misty Browning: Backing vocals
Produção: Neil Slaven, Trapézio
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