A lenda
Letra de Silva Nunes
Escrita a pedido do diretor da “Voz de Portugal”
Desconheço se esta letra foi gravada.
Publico-a na esperança de obter informação credível
Letra transcrita do livro editado pela Academia da Guitarra e do FadoEscrita a pedido do diretor da “Voz de Portugal”
Desconheço se esta letra foi gravada.
Publico-a na esperança de obter informação credível
Morou na Rua da Rosa
A Mariquinhas do fado
Que teve alma e coração
Foi mais linda do que airosa
E teve um quarto alugado
Na rua do Capelão
Criou fama, cantou fados
Pelos becos e travessas
A Mariquinhas do fado
Que teve alma e coração
Foi mais linda do que airosa
E teve um quarto alugado
Na rua do Capelão
Criou fama, cantou fados
Pelos becos e travessas
E apesar do porte rude
Soube remir os pecados
Cumprindo as suas promessas
Soube remir os pecados
Cumprindo as suas promessas
À Senhora da Saúde
Dava-se bem na balbúrdia
E o seu corpo de mulher
Dava-se bem na balbúrdia
E o seu corpo de mulher
Nunca temia a navalha
Por isso, às vezes, na estúrdia
Trocava um conde qualquer
Por isso, às vezes, na estúrdia
Trocava um conde qualquer
Por qualquer outro canalha
Mesmo assim, olhava o céu
Pedindo pela filhinha
Mesmo assim, olhava o céu
Pedindo pela filhinha
Que era a sua luz do dia
Que era pura como o véu
Que cobre aquela santinha
Que era pura como o véu
Que cobre aquela santinha
Da Capelinha da Guia
Já se foi a enterrar
Quem me contou tudo isto
Já se foi a enterrar
Quem me contou tudo isto
Sem falar nas tabuinhas
Dizem que prá mãe salvar
Foi noiva de Jesus Cristo
Dizem que prá mãe salvar
Foi noiva de Jesus Cristo
A filha da Mariquinhas
A lenda da cotovia
Manuel Andrade / Cavalheiro Jnr *fado menor do porto*
Repertório de Bela Bueri
Uma linda cotovia
Libertina e mariola
Conta a lenda, certo dia
Foi presa numa gaiola
E a linda cotovia
Costumada a vadiar
Cantou de noite e de dia
Pois não sabia chorar
E à voz da passarada
Que de vago, ao longe ouvia
Respondia em desgarrada
A todos entristecia
À quarta noite passada
Já risonho o sol nascia
Morreu de dor e cansada
Essa linda cotovia
Onde ela foi enterrada
Um cravo negro vingou
Depois disso a passarada
Nunca mais ali cantou
A lenda do fado
António Mendes / Franklim Godinho
Repertório de Ana Maurício
Dizem que o fado nasceu
Numa noite triste e fria
Na mais humilde viela
Quando uma estrela do céu
Foi cair na Mouraria
Nos degraus da porta dela
Cota a lenda dessa era
Que esse menino sagrado
Repertório de Ana Maurício
Dizem que o fado nasceu
Numa noite triste e fria
Na mais humilde viela
Quando uma estrela do céu
Foi cair na Mouraria
Nos degraus da porta dela
Cota a lenda dessa era
Que esse menino sagrado
Que veio à terra por bem
Entrou dentro da Severa
Porque ela chamou-lhe fado
Entrou dentro da Severa
Porque ela chamou-lhe fado
E o fado chamou-lhe mãe
Há quem se atreva a contar
Quando a Severa morreu
Há quem se atreva a contar
Quando a Severa morreu
E o deixou na orfandade
O fado pôs-se a chorar
A boa mãe que perdeu
O fado pôs-se a chorar
A boa mãe que perdeu
E assim nasceu a saudade
Por isso é que o fado é triste
Porque chora muitas vezes
Por isso é que o fado é triste
Porque chora muitas vezes
E também nos faz chorar
É porque a tristeza existe
Na alma dos portugueses
É porque a tristeza existe
Na alma dos portugueses
Quando ouve o fado cantar
Sem comentários:
Enviar um comentário