domingo, 3 de dezembro de 2023

FADOS do FADO...letras de fados...

 



A lenda

Letra de Silva Nunes
Escrita a pedido do diretor da “Voz de Portugal”
Desconheço se esta letra foi gravada.
Publico-a na esperança de obter informação credível

Letra transcrita do livro editado pela Academia da Guitarra e do Fado

Morou na Rua da Rosa
A Mariquinhas do fado
Que teve alma e coração
Foi mais linda do que airosa
E teve um quarto alugado
Na rua do Capelão

Criou fama, cantou fados
Pelos becos e travessas 
E apesar do porte rude
Soube remir os pecados
Cumprindo as suas promessas 
À Senhora da Saúde

Dava-se bem na balbúrdia
E o seu corpo de mulher 
Nunca temia a navalha
Por isso, às vezes, na estúrdia
Trocava um conde qualquer 
Por qualquer outro canalha

Mesmo assim, olhava o céu
Pedindo pela filhinha 
Que era a sua luz do dia
Que era pura como o véu
Que cobre aquela santinha 
Da Capelinha da Guia

Já se foi a enterrar
Quem me contou tudo isto 
Sem falar nas tabuinhas
Dizem que prá mãe salvar
Foi noiva de Jesus Cristo 
A filha da Mariquinhas

A lenda da cotovia

Manuel Andrade / Cavalheiro Jnr *fado menor do porto*
Repertório de Bela Bueri

Uma linda cotovia
Libertina e mariola
Conta a lenda, certo dia
Foi presa numa gaiola

E a linda cotovia 
Costumada a vadiar
Cantou de noite e de dia 
Pois não sabia chorar

E à voz da passarada 
Que de vago, ao longe ouvia
Respondia em desgarrada 
A todos entristecia

À quarta noite passada 
Já risonho o sol nascia
Morreu de dor e cansada 
Essa linda cotovia

Onde ela foi enterrada 
Um cravo negro vingou
Depois disso a passarada 
Nunca mais ali cantou

A lenda do fado

António Mendes / Franklim Godinho
Repertório de Ana Maurício

Dizem que o fado nasceu
Numa noite triste e fria
Na mais humilde viela
Quando uma estrela do céu
Foi cair na Mouraria
Nos degraus da porta dela

Cota a lenda dessa era
Que esse menino sagrado 
Que veio à terra por bem
Entrou dentro da Severa
Porque ela chamou-lhe fado 
E o fado chamou-lhe mãe

Há quem se atreva a contar
Quando a Severa morreu 
E o deixou na orfandade
O fado pôs-se a chorar
A boa mãe que perdeu 
E assim nasceu a saudade

Por isso é que o fado é triste
Porque chora muitas vezes 
E também nos faz chorar
É porque a tristeza existe
Na alma dos portugueses 
Quando ouve o fado cantar


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