quarta-feira, 13 de março de 2024

CRONICA - LARRY CORYELL | Lady Coryell (1968)

 

Se não há dúvida de que em suas colaborações o guitarrista Larry Coryell está na esfera do jazz, o passo é hesitante quando se trata de carreira solo.

Depois de deixar o Free Spirits, em 1967 juntou-se ao Quarteto do xilofonista de jazz Gary Burton. No ano seguinte assinou com a Vangard para imprimir seu primeiro álbum nas lojas no início de 1969. Intitulado Lady Coryell em homenagem à sua amada Julie Coryell, a guitarrista texana que além de fornecer vocais e baixo é apoiada pelo baterista Bob Moses, sobrevivente de Espíritos Livres. Mas também há a presença em algumas faixas do contrabaixista Jimmy Garrison e do baterista Elvin Jones, ambos conhecidos pela colaboração com o saxofonista John Coltrane, falecido recentemente.

A presença destes dois veteranos deverá, portanto, fornecer a direção para este primeiro esforço solo. Exceto que estamos longe do alvo. Composto por 10 faixas, este LP é um álbum de rock psicológico pesado que se volta para o jazz. Na verdade Larry Coryell está dividido entre o virtuosismo do jazz e a agressividade da guitarra blues rock personificada por Jimi Hendrix, Eric Clapton, Jeff Beck e até Jimmy Page. Em alguns lugares, ele até colidirá em um incêndio indomável.

O primeiro lado abre com “Herman Wright”, uma balada de blues vaporosa onde Larry Coryell luta para convencer nos vocais (parece que isso é intencional). O que se segue é a bad acid trip “Sunday Telephone” já gravada no único LP do Free Spirits em 67 num registo pop jazz. Aqui o guitarrista/vocalista dá uma versão rock pesada entre Cream e Blue Cheer com uma volubilidade desconcertante nos solos. Mantemos a pressão com o instrumental estratosférico “Two Minute Classical”. No country blues “Love Child is Coming Home”, Larry Coryell canta sobre a chegada de seu segundo filho. Chegam os 6 minutos do título homônimo. Instrumental que nos transporta para um acid rock jazzístico comparável ao Quicksilver Messenger Service e ao Grateful Dead bons para nos enviar ao planeta Marte.

O lado B inteiramente instrumental terá como foco o jazz. Começa com a relaxante “The Dream Thing” com uma atmosfera cool. Para “Treats Style”, Larry Coryell está em um trio com Elvin Jones e Jimmy Garrison a quem devemos o título com suas letras de blues mid-tempo. “You Don't Know What Love Is”, um cover de Carol Bruce, é mais silencioso. Em seguida vem talvez a faixa mais espetacular, “Stiff Neck”, onde o pistoleiro elétrico de seis cordas faz dueto com Elvin Jones. 7 minutos de swing liderados por uma bateria tocando instintivamente e uma guitarra saturada tocando brutalmente. Não é jazz-rock. É de facto uma faixa de jazz, na melhor das hipóteses hard jazz on acid onde o guitar hero demonstra imaginação harmónica e melódica mas acima de tudo um terrível tecnicismo. O caso termina com um cover arrebatador de Junior Walker, “Cleo's Mood” com delírio de free heavy jazz.

Ao ouvir este LP vanguardista, é difícil acreditar que Larry Coryell será uma estrela do jazz rock. Se sua discografia tivesse parado aí, Lady Coryell se encontraria na seção de hard rock psicodélico, como muitos fizeram na época. Um disco feito por um guitarrista de heavy metal querendo incorporar jazz em sua música. Ideal para metalúrgicos que desejam iniciar-se no jazz fusion. Mas isso não é nada comparado ao que vem a seguir.

Títulos:
1. Herman Wright
2. Sunday Telephone
3. Two Minute Classical
4. Love Child Is Coming Home
5. Lady Coryell
6. The Dream Thing
7. Treats Style
8. You Don’t Know What Love Is
9. Stiff Neck
10. Cleo’s Mood

Músicos:
Larry Coryell: guitarra, baixo, voz
Bob Moses: bateria
Elvin Jones: bateria
Jimmy Garrison: contrabaixo

Produzido por: Danny Weiss



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