
O nome MENTAL AS ANYTHING pode não significar muito para a maioria dos leitores francófonos do site, mas tenho quase certeza de que já ouviram pelo menos uma música (ou até duas) desse grupo porque o título em questão aparece na trilha sonora de um filme de meados dos anos 80 que foi bem na época. Não vou dar mais spoilers e manter o suspense até o final. Ao mesmo tempo, se algumas pessoas virem a que título me refiro (ou acabarem descobrindo), pedirei que não revelem nada e mantenham a resposta em segredo, ela será revelada quando chegar a hora...
MENTAL AS ANYTHING é um grupo australiano de Sydney formado em 1976 em torno de músicos que se conheceram em uma escola de arte. O grupo começou se destacando ao fazer covers de músicas de Elvis PRESLEY e artistas dos anos 60 como Roy ORBISON e THE MONKEES no palco. Assinado com a Regular Records, um selo independente local, MENTAL AS ANYTHING lançou um EP em setembro de 1978 intitulado Mental As Anything Plays At You Party , então impresso em 1.200 cópias. Então o grupo de Sydney deu mais um passo ao lançar seu primeiro álbum de estúdio em 1º de novembro de 1979, intitulado Get Wet e que foi produzido por Cameron Allan, que não é outro senão o cofundador do selo Regular.
Este primeiro álbum do MENTAL AS ANYTHING contém 14 faixas, o que pode parecer muito se comparado ao contexto da época. Porém, entre esses títulos, 11 duram menos de 3 minutos. E se este grupo australiano toca uma música que oscila entre o Pop-Rock e o New-Wave como tantos outros do final dos anos 70, destaca-se pelo facto de 4 dos seus 5 membros cantarem neste disco. Martin Plaza, um dos 2 guitarristas, canta 6 faixas solo (mais uma em dueto com um de seus parceiros); Reg Mombassa, o outro guitarrista, canta em 4 faixas solo (mais uma em dueto com, portanto, Martin Plaza); Greedy Smith, aliás tocador de gaita e tecladista, canta em duas faixas, enquanto o baixista Peter O'Doherty se contenta em cantar em uma única faixa.
Vou começar falando das músicas cantadas por Martin Plaza. “The Nips Are Getting Bigger”, uma composição entre Post-Punk e New-Wave caracterizada por algumas camadas de teclados que sustentam as guitarras, é bastante bacana e foi o primeiro single do grupo, tendo também alcançado o 16º lugar nas paradas australianas. "Possível tema para uma futura série dramática de TV" (então, esse é o maldito título!) é uma peça na veia New-Wave/Pop-Rock no espírito da época que coloca ênfase na habilidade dos músicos no nível melódico e pela simplicidade e que teve o seu pequeno impacto à escala nacional (57º no Top Singles da época). O mid-tempo 'Spanish Gardener' com seu tom Pop-Rock vê cada instrumento chegando um por um no início, é bastante curto, mas bem planejado, indo direto ao ponto e até permitindo que o baixista se solte sem complexos. Liberando um perfume decididamente mais retrô, mais precisamente do final dos anos 60, "Sheilah", ao mesmo tempo enraizado e indiferente, destaca as raízes blues dos músicos e os coros que apoiam Martin Plaza por toda parte. “Fringe Benefits”, apoiado por um ritmo contínuo e melodias despreocupadas, enquadra-se perfeitamente no espírito da época. Por fim, o mid-tempo "Wolf At Your Door", que se inclina mais para o Pub-Rock e tem algumas dicas de Garage-Rock, reativa o fantasma dos anos 60, ao mesmo tempo que antecipa o que será uma parte do Rock Alternativo na década seguinte e vira parece ser um achado interessante. Já Reg Mombassa toca "Business And Pleasure", uma peça rítmica também com sabor retrô, clima típico do final dos anos 60, carregada ainda por melodias leves e despreocupadas, além de alguns estalos de dedos; “Fala com o Menino Jesus”, título apoiado numa gaita que lhe confere um encanto particular, mas que também se revela cativante e alegre; “Can I Come Home”, uma peça Post-Punk/Pub-Rock comovente, nervosa, alegre, cheia de entusiasmo com guitarras avançadas, um solo expedito que manda e por fim “Empty Hearts/Open Wounds”, que é contra uma Nova -Composição de ondas que é tudo menos comum. Quanto à famosa dupla de cantores Martin Plaza/Reg Mombassa, eles estão trabalhando em “Egypt”, um título introduzido por melodias antes de se desviar para um Pop-Rock/New-Wave mid-tempo embelezado com algumas teclas de piano que lhe dão mais vitaminas para um resultado muito agradável. Greedy Smith canta em "Another Man's Sitting In My Kitchen", uma composição Pop-Rock rítmica e colorida que se adapta mais ou menos ao espírito da época, é impregnada de despreocupação, também tem um lado um pouco encantador, além de no mid-tempo “Insurance Man” com melodias claras, leves, às vezes distorcidas, que é habilmente disfarçada como uma balada com sua atmosfera falsamente romântica e acaba sendo interessante. Já a única faixa cantada pelo baixista Peter O' Doherty, "Love Is Not A Gift", é uma peça rítmica e revigorante,
No geral, este primeiro álbum mantém-se bem e, embora 4 músicos diferentes tenham começado a cantar, revela-se bastante homogéneo, com alguns títulos agradáveis e fixes, bem como ideias interessantes. O MENTAL AS ANYTHING surgiu em 1979 como um grupo que ainda poderia ser melhorado, mas mostrando coisas promissoras, além de uma clara vontade de fazer as coisas da melhor maneira possível. Após seu lançamento, Get Wet subiu para a posição 19 na Australian Top Albums Chart e alcançou a marca de ouro.
Tracklist:
1. The Nips Are Getting Bigger
2. Spanish Gardener
3. Business And Pleasure
4. Sheilah
5. Possible Theme For A Future TV Drama Series
6. Talk To Baby Jesus
7. Egypt
8. Another Man’s Sitting In My Kitchen
9. Can I Come Home?
10. Fringe Benefits
11. Insurance Man
12. Empty Hearts/Open Wounds
13. Love Is Not A Gift
14. Wolf At Your Door
Formação:
Martin Plaza (vocal, guitarra)
Greedy Smith (vocal, teclado, gaita)
Reg Mombassa (guitarra, vocal)
Peter O'Doherty (baixo, guitarra, vocal)
Wayne De Lisle (bateria)
Gravadoras : Regular Records/Virgin
Produtor : Cameron Allan
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