quinta-feira, 14 de março de 2024

FADOS do FADO...letras de fados

 



A noite e a rosa

Vasco de Lima Couto / Jorge Barradas
Repertório de Fernando João

Fiz da noite a rosa 
P’las mãos do pecado
No tempo da rosa 
Sorrindo a teu lado
Falei-te por mim
Ouviste por ti
E os ramos surgiram 
Depois que te vi

As mulheres da noite 
Rasgaram as luas
E eu e tu fugimos 
Por todas as ruas
Olhaste o meu rosto 
Marcado p'la fama
E abriste o meu peito 
No fogo e na chama

Pedaços de rosa beijaram a cama 
Que dói por que dói 
Quando o amor nos chama
Pedaços de rosa beijaram a cama

Fiz do nosso dia
Depois da partida
Um lago desfeito 
Onde deixei a vida
Que a vida eras tu 
Nos campos da história
Abrindo essa rosa 
Chamada memória

Falei com amigos 
De ontem como hoje
Chamando o teu corpo 
Que em meu corpo foge
E a mãe que eu já 
Tive abriu-se no mar
P'ra que o meu amor 
Se fosse deitar

E a rosa era a noite e a noite era a o dia 
Rasgando as palavras 
Que ninguém sabia
Que a rosa era a noite e a noite era o dia

A noite é meu abrigo

Maria de Lurdes Brás / Joaquim Campos *fado puxavante*
Repertório de Maria de Lurdes Brás

Mal o sol se vai embora
Surge a lua lá no céu
É na noite que ele mora
Esse fado que é tão meu

Com o fado me entretenho 
Nele encontro um bom amigo
É na noite que eu tenho 
Esse meu eterno, abrigo

Esta força de viver 
Que me dá a noite escura
Vivo a noite com prazer 
Sinto alegria e ternura

Na madrugada se acoite 
Esta minha solidão
É no abrigo da noite 
Que guardo o meu coração

Se a noite me dá guarida 
Meu coração está consigo
Se ao fado entrego a vida 
Faço da noite um abrigo

A noite e o dia

Jacinto Lucas Pires / Alfredo Duarte *fado cuf*
Repertório de Camané


Ai foi a vida que invadiu a noite
Ou foi a noite que invadiu o dia
A chuva contra o vidro, leve açoite
Quase saudade ou triste alegria

Minha alma quieta em desassossego
Já madrugada ou ainda manhã
Nenhuma sombra sobre o mundo cego
E no entanto, a escuridão que há

O tempo fraco ou o tempo forte
Luz do que foi, dor do que há-de vir
Simples vazio ou amor de morte
Verdade a chuva e os céus a fingir

Ai foi o dia que invadiu noite
Ou foi a noite que inventou o dia
Chove no meu destino, duro açoite
Clara saudade, ou negra alegria




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