quinta-feira, 28 de março de 2024

KENNELMUS - FOLKSTONE PRISM (1971)

 

Folkstone Prism é um álbum que consegue nos surpreender agradavelmente com suas composições, arranjos, melodias, atmosferas e estruturas melódicas. Por si só, este trabalho de Kennelmus apresenta uma performance bastante aceitável, pois é possível perceber: ambientes psicodélicos bastante interessantes e “pitorescos” e uma postura ácida muito deslumbrada pela essência folk. Em si, um álbum “delicioso” que apresenta um lado totalmente instrumental e outro com alguns desenvolvimentos estranhos que pendem para um som Acid Folk denso e por vezes extravagante. Em resumo, todo o conceito de Kennelmus poderia ser definido como um álbum Psych Folk com conotações “Pesadas” e salpicado de momentos progressivos. 1971 é sem dúvida o ano das transições.


Minhas impressões sobre este álbum são medianas, nunca fico completamente cheio, embora reconheça que o álbum tem momentos bastante interessantes dentro de toda aquela confusão lisérgica. Aprecio mais o lado A (instrumental) do que o lado B (músicas), mas CUIDADO, muitas dessas músicas têm algo próprio porque são capturadas sob um prisma multicolorido que de certa forma se torna uma experiência agradável. Infelizmente não conseguem se destacar ou se destacar dentro de toda a maquinaria que se oferece, são canções com um tom folk ácido com toques de pseudo-progressivismo. Na minha opinião considero esse lado uma espécie de Folk Prog primitivo, portanto o definiria como uma obra de natureza proto-progressista até certo ponto, já que a transição de uma época pode ser vista na sua performance.

Devo admitir que o som está bastante atrasado, se tivesse sido lançado em 68/69 teria dado um bom golpe, mas sendo 71 um tempo em plena transição tira pontos, porém com limitações ou não, preste atenção no 2 lados da moeda. No final o álbum é atraente tem um ar fresco é experimental bebe da lisergia da época tem uma performance cuidada e apresenta um lado voltado para o surf rock e outro ligado aos slings do acid Folk portanto não deixará frio para quem se aventurar com o álbum. Por si só, muita coisa pode ser resgatada se você souber onde levar esse trabalho do CULTO. Mas é curioso para mim que com seus benefícios surjam coisas como esta: “LIXO total. Soa exatamente como afirma o encarte; “Alguns caras foram para o deserto, se drogaram com peiote e outras ervas e fizeram um álbum muito esquecível, cheio de efeitos sonoros estúpidos e até as músicas ‘originais’ são estúpidas.”

 Bom, o que posso dizer, o álbum não é esquecível mesmo não mostrando nada de fora do comum dentro de uma época rica em experimentação e exploração, daí o valor que tem dentro de sua performance rudimentar. Que eles usaram drogas, bom, sim, é um álbum influenciado pelo LSD, e portanto a letra pode ter vários caminhos, mas dizer que é um lixo total é outra coisa.

 Voltando ao Folkstone Prism, direi que a primeira vez que ouvi chamou minha atenção, tinha um sabor meio agridoce, não me deixou com frio, pelo menos com o lado A, o lado B tinha uma certa graça, mas não era algo digno de nota., é o que é, sua graça psicodélica, suas posturas com o folk e suas inclinações com o surf rock o deixam à deriva em um mar de incertezas.

A banda é de Phoenix, Arizona, e formada em 1970, Kennélmus era uma dupla formada por Ken Walker e Bob Nerloch. Gravaram 2 álbuns, em estúdios com gravadoras muito limitadas.  Apenas 1000 cópias foram lançadas em 1971, e em 1995 mais uma edição de 300 cópias, felizmente em 1999 foi lançado em formato CD pelo selo Sundazed Music. Aliás, no ano passado o álbum foi lançado nos dois formatos (CD/LP) pelo selo Modern Harmonic.


               

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