sexta-feira, 29 de março de 2024

Review: Trapeze - You Are the Music ... We’re Just the Band (1972)

 


Power trio maravilhoso de hard rock dos anos 1970, o Trapeze era uma máquina. Bom, olha só quem estava na linha de frente: Glenn Hughes (baixo e vocal, futuro Deep Purple, Black Sabbath, Black Country Communion), Mel Galley (guitarrista que tocou, dentre outros, com o Whitesnake nos anos 1980) e Dave Holland (bateria, futuro Judas Priest). Cercado por gente da pesada (B. J. Cole na guitarra e Rod Argent nos piano e teclados), este é o melhor trabalho da banda na opinião de muitos.

“Keepin’ Time” abre o disco com Holland fazendo o que sabe de melhor: descendo a ladeira - estilo que seria fundamental no Judas. Um hardão pesado que encaixou bem com o estilo daquele que é conhecido por muitos como "a voz do rock": Mr. Hughes. “You are the Music”, que fecha o disco, tem levadas funkeadas  e sentimentalismo com qualidade, sem perder a classe. Um dos pontos altos ao lado da delicada “Coast to Coast”, uma aula de soul de Hughes em todos os aspectos.

E o álbum tem o groove incrível de “What is a Woman's Role”, o peso de “Way Back to the Bone” (com uma guitarra pra lá de marcante) e a tocante “Feeling’ So Much Better Now”, um hard digno da batera de Dave Holland. 

Não podemos deixar de lado a balada “Will Our Love End”, que pisa com força na soul music (a grande paixão de Hugues) e que aqui ganha ares elegantes com as participações especiais de Frank Ricotti e Jimmy Hastings, no vibrafone e no sax respectivamente. “Loser” é outra canção com um riff marcante e a voz de Hughes que segura não apenas no gogó, mas também nas quatro cordas um ritmo swingado que só ele é capaz de fazer. 

Além do peso e do groove no seu som, o Trapeze sempre teve o pé no jazz e é nas músicas mais lentas que este detalhe emerge com mais evidência. Glenn Hughes foi o líder por ter a voz, saber manejar seu baixo com maestria e a sua versatilidade, conseguindo usar seu registro mais alto sem desafinar nem um segundo.


Este seria o último trabalho de Hughes com o trio, que só por este disco entrou para a história musical mundial.  No ano seguinte ele foi convidado pelo Deep Purple para substituir ninguém menos que o genial Roger Glover - e quem diria não neste momento? O Purple se transformou no que seria a chamada  Mark III, ou terceira formação, com o clássico Burn (1974) logo de cara, mas o Trapeze seguiu adiante. Ou pelo menos tentou. O novo Trapeze não conseguiu se equilibrar muito com Rob Kendrick (guitarras) e Pete Wright (baixo) lançando o álbum Hot Wire em 1974 e o auto intitulado Trapeze no ano seguinte, mas sem Hughes não teve conversa e o Trapeze descansou em paz.  

O disco é indicado para aqueles que só conhecem Hughes do seu trabalho subsequente com o Deep Purple. Um aviso: vocês  podem se surpreender ao ouvir este álbum e entender, de uma vez, porque ele foi chamado por Blackmore e companhia para fazer parte do Purple.

Se tivesse que ouvir uma única música deste disco? Bem, escute “Coast to Coast”. Não tem pra ninguém.



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