A velha praia do tempo
José Fernandes Castro / Armando Machado *fado maria rita*
Repertório de Filomeno Silva
Na velha praia do tempo
Há uma onda feroz
Que teima em não desmaiar
A voz soberba do vento
Nem sequer chega a ser voz
É apenas suspirar
As areias são o chão
Aonde irá repousar
A memória duma vida
Há uma velha embarcação
Que teima em não flutuar
Na onda desfalecida
A noite vem, lentamente
Trazer a luz natural
Que antecede a madrugada
Há um brilho diferente
Que nos diz que o vendaval
Vai chegar, não tarda nada
Enquanto o luar perdura
Uma onda caprichosa
Enfrenta a fúria do mar
Uma noite, mesmo escura
Tem a cor harmoniosa
Que a vida lhe soube dar
A ver as vistas
João Monge / Pedro de Castro
Repertório de Ana Margarida Prado
Subi ao castelo a ver as vistas
Que vão do Tejo até onde a vista alcança
Dizem que Lisboa é das modistas
Que a vestiram com saudade e com a esperança
Ao colo dos velhos moradores
Lembranças de uma eterna viagem
Chegam turistas, chegam doutores
E vem o povo que chega da outra margem;
Chegam fadistas e outros piores
Mas vêm todos com Lisboa na bagagem
Quem viu a luz à beira Tejo
Foi batizado nas vielas
Chegam varinas, chegam da estiva
E vêm todos com a marcha nas canelas;
Vim de lá longe, vim à deriva
Sou de Lisboa e agora é que são elas
Subi ao castelo a ver as vistas
Que vão da gente até gente mais além
Cheira a caril e a floristas
E é por isso que Lisboa cheira bem
O mundo desagua no Rossio
E todos falam pelos cotovelos
Com fatiotas que ninguém viu
E os camones filmam tudo de chinelos;
Um carteirista diz que faliu
E deixa a malta da esquadra p’los cabelos
Repertório de Ana Margarida Prado
Subi ao castelo a ver as vistas
Que vão do Tejo até onde a vista alcança
Dizem que Lisboa é das modistas
Que a vestiram com saudade e com a esperança
Ao colo dos velhos moradores
Lembranças de uma eterna viagem
Chegam turistas, chegam doutores
E vem o povo que chega da outra margem;
Chegam fadistas e outros piores
Mas vêm todos com Lisboa na bagagem
Quem viu a luz à beira Tejo
Foi batizado nas vielas
Chegam varinas, chegam da estiva
E vêm todos com a marcha nas canelas;
Vim de lá longe, vim à deriva
Sou de Lisboa e agora é que são elas
Subi ao castelo a ver as vistas
Que vão da gente até gente mais além
Cheira a caril e a floristas
E é por isso que Lisboa cheira bem
O mundo desagua no Rossio
E todos falam pelos cotovelos
Com fatiotas que ninguém viu
E os camones filmam tudo de chinelos;
Um carteirista diz que faliu
E deixa a malta da esquadra p’los cabelos
A ver passar os dias
Jorge Fernando / José Pereira *fado latino*
Repertório de Jorge Fernando
Fico aqui a ver passar os dias
Hoje é sombra onde antes fora luz
As memórias p'lo tempo esmaecidas
Espelham-me a vida inteira á contraluz
Anoiteceu em mim e o meu viver
É um ocaso que não reclama o dia
É um certo não ter de acontecer
Que não faz acontecer nem me alivia
Como se um sopro quente embaciasse
Um vidro, donde olhasse o meu passado
E um copo sempre cheio embriagasse
Meu corpo, sobre a mesa debruçado
É pois a minha vida um duro inverno
Por entre os quentes dias a passar
Será que é isto o tão temido inferno
Onde a vida se escorre devagar?
Repertório de Jorge Fernando
Fico aqui a ver passar os dias
Hoje é sombra onde antes fora luz
As memórias p'lo tempo esmaecidas
Espelham-me a vida inteira á contraluz
Anoiteceu em mim e o meu viver
É um ocaso que não reclama o dia
É um certo não ter de acontecer
Que não faz acontecer nem me alivia
Como se um sopro quente embaciasse
Um vidro, donde olhasse o meu passado
E um copo sempre cheio embriagasse
Meu corpo, sobre a mesa debruçado
É pois a minha vida um duro inverno
Por entre os quentes dias a passar
Será que é isto o tão temido inferno
Onde a vida se escorre devagar?
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