sexta-feira, 7 de março de 2025

East of Eden - Mercator Projected

 




Mulher Centauro - ela tem forma humana, mas sua cabeça é como a de um unicórnio.
Mulher Centauro ao contrário, corpo lindo, mas rosto de cavalo.
Um álbum incrível de um ano incrível – 1969. O ano em que a música cruzou aquela linha invisível para arenas progressivas mais elevadas.

Proto-prog bem sem graça.

Uma obra que merece estar entre as grandes de seu tempo, sua performance e seu conceito conseguem ser bastante interessantes e até visionários com tudo o que representavam até então, impossível de ignorar. Em sua música encontraremos infinitos detalhes, nuances e texturas. É uma daquelas obras que estavam à frente do seu tempo e tinham uma visão bastante ampla. A atmosfera eclética de toda a coisa da época (puro surrealismo) às vezes fazia com que parecesse mais um terreno ART-ROCK; Composto por arranjos bizarros, mudanças de tempo e fusões, foi estabelecido como um álbum progressivo eclético. "Mercator Projected" foi até certo ponto um álbum inovador e ouso dizer até revolucionário, porém nunca teve uma aceitação total, hoje é desvalorizado e até esquecido, não foi reconhecido como um desses expoentes ferozes da grande era de transição, na minha opinião acho que isso se deveu ao conceito ainda "primitivo" que tinham, comparado a outras bandas de sua época (Colosseum, Genesis ou King Crimson), estas eram de certa forma muito mais maduras e apostavam em uma nova fórmula, e abordavam ferozmente novos terrenos (rock progressivo), talvez por isso East of Eden tenha ficado ofuscado de certa forma. Alguns dizem que isso se deve à imaturidade e falta de experiência, bom, não vou jogar culpas nem pedras, só digo que acho esse álbum muito corajoso e verdadeiramente inovador, e hoje o reivindico porque é uma dessas peças "chave" para entender a evolução do rock progressivo.

Considero Mercator Projected uma obra extremamente fascinante e excepcional, e posso dizer que em determinado momento ela atinge um nível absoluto de CULT. Com uma performance arrebatadora de arranjos fantasiosos e adornada com dispositivos sonoros, o álbum vibra com uma atmosfera de misticismo. Uma peça delicada e temperada com um clímax intenso onde jazz, folk, blues, música com tons orientais e uma abordagem pós-psicodélica se misturam e se tornam uma demonstração de "gênio primitivo". O ouvinte consegue se exaltar com toda a explosão sonora que o álbum oferece, já que de alguma forma a música se t


orna uma experiência intensa. É um trabalho muito dedicado, apaixonado e excêntrico. Devo admitir que a performance é magistral e muito versátil, e sua execução instrumental é multifacetada, e OJO é o ponto forte do álbum, já que a banda utilizou uma variedade impressionante de instrumentos (violino elétrico, flauta, gaita de foles, fitas e saxofone) que naquela época ainda não eram comuns no mundo do rock, portanto o som do álbum produz um clímax profundo. Em si, uma obra com um encanto espiritual que recomendo fortemente. Até mais. 

Minidados:
*Originalmente a banda se chamava Pictures of Dorian Gray, até que em 1968 quando se mudaram para Londres para assinar um contrato com a gravadora Deram, decidiram mudar o nome da banda para East of Eden, talvez porque estivessem procurando algo que soasse atraente e que vendesse, coisas de seu representante certamente.

*Recomenda-se que você adquira a reedição do selo Esoteric, pois ela tem 3 bônus muito interessantes e é muito completa, as demos dos clássicos Waterways e In The Stable Of The Sphynx são gravações ESSENCIAIS, e o single Eight Miles High é uma delícia daquela época.


01. Northern Hemisphere
02. Isadora
03. Waterways
04. Centaur Woman
05. Bathers
06. Communion
07. Moth
08.In The Stable Of The Sphinx






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