segunda-feira, 3 de março de 2025

POEMAS CANTADOS DE CAETANO VELOSO

O Nome da Cidade

Caetano Veloso


Ôôôôôôô ê boi! ê bus!


Onde será que isso começa

A correnteza sem paragem

O viajar de uma viagem

A outra viagem que não cessa


Cheguei ao nome da cidade

Não à cidade mesma, espessa

Rio que não é rio: imagens

Essa cidade me atravessa


Ôôôôôôô ê boi! ê bus!


Será que tudo me interessa?

Cada coisa é demais e tantas

Quais eram minhas esperanças?

O que é ameaça e o que é promessa?


Ruas voando sobre ruas

Letras demais, tudo mentindo

O Redentor, que horror! Que lindo!

Meninos maus, mulheres nuas


Ôôôôôôô ê boi! ê bus!


A gente chega sem chegar

Não há meada, é só o fio

Será que pra meu próprio rio

Este rio é mais mar que o mar?


Ôôôôôôô ê boi! ê bus!

Sertão, sertão! ê mar!


Ó Paí, Ó

Caetano Veloso


Ó po sol como se põe

E cobre de cobre o mar

Ó o frevo que se compõe

Ó pa lá


Ó pa aqui, ó po meu olho

Ó pa eu te olhando me olhar

Encara a cara da vida

Ói sangue sobre a avenida

Ijexá.


Milhões e cada um é um

Milhões e cada um é só


Ó paí, ó paí, ó

Ó paí, ó


Ó paí, ó paí, ó

Ó paí, ó


Ó po jeito do Ilê

Ói preto no camarote

Ó pa a cobra dando o bote

Cordeiro de Oxumaré

Ói homem sendo mulher

Ó pa a igreja universal

Do guerrilheiro Muzenza

Ói que quenga


Ói que deusa veio do Rio

Saiu da televisão

Ó po poder do negão

Ó pa fila da PM

Ó pos meninos sem casa

Ó pos rapazes sem rua

Ó pa a modéstia da lua

Perdida atrás do farol

Ói que nó.


Ó paí, ó paí, ó

Ó paí, ó


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