segunda-feira, 12 de maio de 2025

Sebastian Bach – Kicking & Screaming [2011]

 



Foi tanto falatório, que não tinha como não criar expectativa. Mas o fato é que Sebastian Bach venceu muitas barreiras desde que lançou Angel Down. Aquela figura chamada de Barbie por alguns roqueiros das antigas passou a ser reconhecida pelas gerações posteriores, forçando até mesmo o respeito dos barbados e pançudos que se acham eternos sabedores. Algum tempo depois, ele retorna com Kicking & Screaming. Não, Tião – como ficou carinhosamente conhecido por esses lados – jamais apagará a imagem de vocalista do Skid Row. Mas pode conviver com ela, assim como outros cantores lendários já fizeram.

Aqui, podemos percebê-lo mais melódico, menos agressivo em comparação ao trabalho anterior. Mas sem perder um pingo de qualidade. E o grande trunfo está no novato Nick Sterling, um talento acima da média. O garoto manda ver riffs e solos com a categoria de um veterano, formando uma dupla e tanto com o dono da festa. Isso já fica claro na faixa-título, misturando todas as características que encontramos no play. E a levada de Bobby Jarzombek é simplesmente delirante. O peso com toques britânicos aparece em “My Own Worst Enemy”, verdadeiro convite ao headbanging com linhas de guitarra emocionantes.

“Tunnelvision” traz a participação de John 5. E apesar de seu trabalho mais conhecido ser com Marylin Manson, execrado pelos mais radicais, é inegável que trata-se de um dos maiores talentos de sua geração. Certo toque de modernidade é notado, mas trata-se de um Hard Rock potente, dos bons, lembrando até algo do álbum Live To Win, de Paul Stanley, que também teve John participando. Só que o bicho pega para valer é na seguinte, “Dance On Your Grave”, cacetada certeira com baixo pulsante. Vibração totalmente oitentista, com Bach fazendo sua tradicional gritaria. Mantendo o nível lá em cima, “Caught In a Dream” mostra todo o entrosamento do trio.


Um clima mais Rock and Roll toma conta em “As Long As I Got The Music”, uma ode à vida típica de um músico. Um momento mais calmo aparece em “I’m Alive”, apenas preparando terreno para “Dirty Power” e sua pegada matadora, navegando até mesmo por mares mais pesados que o habitual. “Live The Life” possui um instrumental que parece derivado de “Monkey Business”. Mas claro que, como todo filho, tem alguma característica diferente do pai. No entanto, a lembrança é inevitável. Falando em inevitável, é claro que o disco não poderia passar sem uma balada. E “Dream Forever” cumpre seu papel com louvor, embora Tião já tenha se saído bem melhor nessa área.

Um groove de primeira dá as caras em “One Good Reason”, outra que remete aos velhos tempos sem perder o sabor de novidade. Outra que vai para o lado mais moderno é “Lost In The Night”, onde Nick parece ter tomado uns goles de Black Label, se é que vocês me entendem. Natural, afinal de contas ele possui influências mais atuais que as de Sebastian, o que é muito saudável para a parceria. Fechando de vez, a sentimental “Wishin’”, trazendo um pouco de romance ao ambiente. Com um belo arranjo, poderia facilmente figurar entre os hits nas rádios de antigamente. Belo modo de fechar a conta.

É difícil traçar um simples paralelo de Kicking & Screaming com os grandes clássicos da carreira de Sebastian Bach, especialmente os dois primeiros do Skid Row. É outra época, outra realidade e o que entrou para a história dificilmente será subtituído, até pelo impacto que teve. Até por isso, o recomendável é escutar sem ter pré-conceitos estabelec idos em mente. O que não muda é a capacidade de fazer um Hard/Heavy pegajoso e competente. E isso já basta.

Sebastian Bach (vocals)
Nick Sterling (guitars, bass)
Bobby Jarzombek (drums)

01. Kicking & Screaming
02. My Own Worst Enemy
03. Tunnelvision
04. Dance On Your Grave
05. Caught In A Dream
06. As Long As I Got The Music
07. I'm Alive
08. Dirty Power
09. Live The Life
10. Dream Forever
11. One Good Reason
12. Lost In The Night
13. Wishin'




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