de clássicos do rock progressivo do Emerson & Co. em suas apresentações ao vivo. Mas a paleta estilística das obras do Diapasão é muito mais ampla. Não é coincidência que o nome da banda signifique "alcance" em russo.O grupo foi fundado pelo tecladista Rodrigo Lana em 2002, quando um jovem de dezessete anos, que se aventurava na composição, começou a considerar uma carreira como artista profissional. A ideia do jovem foi apoiada pelo baixista/guitarrista Gustavo Amaral, amigo de Rodrigo da época da faculdade de música. Um terceiro "companheiro de armas" foi o baterista Fabiano Moreira, com quem Lana já havia colaborado na banda Mestiço . Os membros do projeto iniciante aprimoraram suas habilidades por meio de ensaios, tocando peças clássicas do art rock ao lado de standards de jazz atemporais. Tudo isso influenciou naturalmente a visão do compositor sobre o líder do Diapasão , cujas percepções composicionais serviram como base sólida para a criação de seu primeiro álbum completo. Agora, vamos ao conteúdo.
A faixa "Diapasão" define o tom do lançamento. Sua alquimia sonora transita por diversos subgêneros. A seção introdutória carrega uma carga progressiva: a seção rítmica emoldura as partes arrebatadoras do sintetizador de Rodrigo, alternando cores tonais de forma cativante — de simulações de cravo a sólidos rolos de órgão. Segue-se um componente de câmara brilhantemente executado, onde o único elemento instrumental é o piano, tocando um estudo com inspiração filarmônica. Na metade restante da peça, os espectros se alternam artisticamente, culminando em virtuosismo jazzístico. Motivos étnicos e um amor genuíno pela terra natal permeiam o interlúdio "Som do Brasil", onde a presença de instrumentos elétricos é mínima: Gustavo Amaral utiliza um violão e o baterista Fabiano é temporariamente substituído por seu irmão, o percussionista Pedro Moreira. Texturas sinfônicas expansivas definem o caráter intrigante do esboço "Sonata", demonstrando a notável flexibilidade do pensamento criativo do maestro Lana. Até a metade da peça, somos brindados com grandiosas narrativas orquestrais e para piano, mas então a história toma um rumo inesperado. E então o som inconfundível do Hammond entra em cena, e pausas de bateria com um baixo pulsante abrem caminho para um diálogo improvisacional, no qual, após alguns minutos, o piano também participa ativamente. A tela em desenvolvimento de "Do Céu ao Inferno" não necessita da assistência de Gustavo Amaral. Um duo de cordas convidado (Airan Oliveira nos violinos e Sergio Rabello no violoncelo) assume o protagonismo em sua complexa estrutura. Com um suporte tão poderoso, o gênio Rodrigo embarca em uma sublime viagem neorromântica além do ordinário, rumo ao reino transcendental de suas esperanças e desejos. Uma composição cativante, ricamente ornamentada segundo todas as regras da arte do arranjo. Amaral, de volta ao grupo, desempenha um papel fundamental no esboço "Fuga", escrito especificamente para guitarra e cravo. "Noite A La Caipirinha" é uma fusão sinfônica transparente e poderosa, que cativa tanto pela proeza técnica do trio quanto pelo subtexto lírico que emerge claramente da textura matizada. O jeito pianístico impecável de Lana é o centro das atenções na obra beneficente "Rock Espanhol". Claro, há uma certa dose de exibicionismo visual aqui. No entanto, isso se justifica pelo próprio estado de conservação do afresco. A paisagem sonora, simplesmente intitulada "Jazz", transporta o ouvinte, previsivelmente, para um mundo de swing infinito e quebra-cabeças de teclado impecáveis. E a coda, "Piccolo Finale", é uma obra-prima de humor musical de alta qualidade, uma espécie de catarse para três brasileiros precocemente sérios.
Em resumo: um programa soberbo, profundo e multidimensional, praticamente sem falhas. Recomendo.
Sem comentários:
Enviar um comentário