quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

CRONICA - ALMENDRA | Almendra (1970)

 

Figura emblemática e fundadora do rock nacional argentino, a banda Almendra foi formada em 1967 no bairro de Belgrano, em Buenos Aires. O grupo reunia quatro jovens músicos destinados a um futuro brilhante: Luis Alberto Spinetta (guitarra, gaita, voz), Emilio del Guercio (baixo, flauta, voz), Edelmiro Molinari (órgão, guitarra, vocais de apoio) e Rodolfo García (bateria, vocais de apoio).

Após uma bem-sucedida turnê de verão, o grupo foi convidado a se apresentar no Festival de Ancón, no Peru. Entre 1968 e 1969, o Almendra gravou uma série de singles que consolidaram seu estilo emergente. Entre eles, a inesquecível “Muchacha (Ojos de Papel)”, uma balada folclórica de pungente doçura, íntima e luminosa, que se tornou um verdadeiro fenômeno na Argentina. Esse sucesso proporcionou ao grupo a oportunidade de finalmente gravar seu primeiro álbum de estúdio, lançado em janeiro de 1970 pela RCA.

Abrindo com  Muchacha (Ojos de Papel)”, este álbum é muito mais do que apenas um disco de estreia. É um dos verdadeiros certificados de nascimento do rock argentino. Em 1970, enquanto a cena argentina ainda tateava entre adaptações de grupos anglo-saxões e os primórdios psicodélicos liderados por Los Gatos, Almendra ousou oferecer uma proposta completamente nova: um rock introspectivo, poético e melódico, enraizado na sensibilidade sul-americana e livre da imitação servil de modelos britânicos.

Com “Figuración”, “Fermín” e “Plegaria Para Un Niño Dormido”, os músicos oferecem magníficas canções folclóricas com uma atmosfera bucólica e acolhedora, apresentando uma flauta suave, um piano melancólico e, sobretudo, delicados violões. “Que El Viento Borró Tus Manos” poderia ser considerada na mesma linha, mas Almendra injeta um swing leve, conduzido por uma flauta que flerta com o jazz, enquanto “Laura Va”, entre violino e acordeão, encerra o LP em um clima totalmente outonal.

O grupo também mostra um lado mais animado com “Ana No Duerme”, uma faixa garage-pop vibrante e irresistivelmente cativante. “A Estos Hombres Tristes”, uma canção blues-folk com nuances de jazz, prova que a banda também domina composições mais complexas sem jamais perder o charme.

Mas o grande destaque do álbum é, sem dúvida, "Color Humano", com quase nove minutos de duração. Uma faixa elástica e envolvente que nos leva a uma viagem psicodélica que beira o rock progressivo. Almendra explora territórios sombrios, estranhos e nebulosos, porém de intensa beleza melódica e poética. Uma odisseia elétrica e acústica, impulsionada por uma guitarra com riffs vaporosos e solos de blues/rock ácido saturados com wah-wah, assombrada pela sombra de Jimi Hendrix. Os vocais, teatrais e vibrantes, adicionam uma dimensão quase dramática a essa deriva alucinatória e lírica.

Um álbum profundamente pessoal e fundamental, uma verdadeira pedra angular do rock nacional.

Títulos:
1. Muchacha (Ojos De Papel)          
2. Color Humano      
3. Figuración 
4. Ana No Duerme    
5. Fermín       
6. Plegaria Para Un Niño Dormido  
7. A Estos Hombres Tristes  
8. Que El Viento Borró Tus Manos  
9. Laura Va

Músicos:
Luis Alberto Spinetta: guitarra, gaita, voz
Emilio del Guercio: baixo, flauta, voz
Edelmiro Molinari: guitarra, órgão
Rodolfo García: bateria, piano

Produzido por: Luis Alberto Spinetta




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