
No Peru, onde o rock era considerado subversivo pela ditadura militar, El Álamo teve uma presença passageira. No entanto, o único disco do grupo se consolidou, com o tempo, como um álbum lendário da cena psicodélica peruana dos anos 1970.
A banda foi formada em 1970 no bairro de Magdalena, em Lima. Era composta por Luis Iturry (vocal e guitarra), Tino Pow Sang (guitarra), Ricardo Allison (bateria) e Arturo Montenegro (baixo). O quarteto rapidamente construiu uma sólida reputação e dividiu o palco com alguns dos principais artistas locais, incluindo Pax, nos poucos clubes onde ainda era possível tocar rock. Em abril de 1971, o grupo adotou oficialmente o nome El Álamo. Alguns meses depois, em dezembro, os músicos gravaram Malos Pensamientos em um único dia para o selo Décibel.
Com o apoio de Jaime Salinas no órgão e Aníbal López Ríos na percussão, este álbum cantado em inglês é uma verdadeira joia do acid rock latino, febril e sombrio, flertando por vezes com o rock progressivo.
Desde a faixa de abertura, “Candy”, El Álamo se apropria dos refrões deslumbrantes de Crosby, Stills & Nash e os reinterpreta em uma atmosfera mariachi, saturada de efeitos alucinógenos. É uma maneira sutil de lembrar ao trio californiano que a psicodelia que eles celebram também deve muito à região sul do continente americano. Aqui, a linhagem se inverte: a América Latina não copia, ela reafirma suas raízes.
Mais adiante, encontramos a influência de CS&N em “Sweet My Woman”, que tem quase sete minutos de duração. Uma faixa longa, fresca, luminosa e descontraída, que evoca espaços abertos antes de avançar brevemente para depois se acalmar novamente. O piano é nostálgico, as harmonias vocais são cativantes, a guitarra cria refrões envolventes, enquanto os vocais são imbuídos de uma melancolia profunda.
No coração do álbum, “Can You See Me” e “Good Night” são duas baladas agridoce, etéreas, tensas, oníricas e quase angelicais. Em contrapartida, “Pusher Men” mergulha num som de rock latino pesado que lembra Santana. Mais selvagens e emotivas, “Listen Me” e “Borgoña” incorporam um funk rock noturno que nos transporta para os bairros quentes e úmidos de Lima. Uma balada celestial e pungente, “I Cry” é, sem dúvida, a canção mais bela do álbum.
O LP termina com a faixa homônima, que se estende por quase seis minutos. Um final prog pesado, épico e cósmico, que revela uma banda capaz de compor peças ambiciosas sem jamais recorrer a exibicionismo gratuito.
Embora algumas de suas músicas tenham sido tocadas em rádios locais, a pressão exercida pelo regime militar acabou desanimando os membros do El Álamo, que preferiram seguir caminhos separados.
Um registro raro e luminoso, um reflexo da juventude peruana em busca de liberdade, capturado pouco antes do silêncio se instaurar.
Títulos:
1. Candy
2. Can You See Me
3. Pusher Men
4. Good Night
5. Sweet My Woman
6. Listen Me
7. I Cry
8. Borgoña
9. Malos Pensamientos
Músicos:
Arturo Montenegro: Baixo
Ricardo Allison: Bateria
Luis Iturri: Voz, Guitarra
Tino Pow Cantou: Guitarra
Jaime Salinas: Órgão
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Aníbal López Ríos: Percussão
Produção: El Alamo
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