sábado, 17 de janeiro de 2026

CRONICA - TRAFFIC SOUND | Traffic Sound (1970)

 

Após o sucesso de crítica e a maturidade artística de Virgin em 1970, o Traffic Sound retornou com um terceiro álbum, autointitulado, naquele mesmo ano, em um Peru ainda governado pelo regime militar de Juan Velasco Alvarado. O país permanecia sob rígida vigilância, mas a cena cultural urbana de Lima, particularmente nos bairros de Miraflores e San Isidro, continuava a prosperar, impulsionada por uma juventude curiosa e aberta à música psicodélica, ao rock britânico e às experimentações sonoras dos Estados Unidos e da Europa.

Neste clima de criatividade acirrada, o Traffic Sound, fortalecido por sua reputação e identidade musical agora firmemente estabelecida, prepara-se para dar um novo passo. Sob o impulso do pianista/produtor Otto De Rojas, Manuel Sanguinetti (vocal, percussão), Willy Barclay (guitarra solo), Freddy Rizo Patrón (guitarra rítmica), Jean Pierre Magnet (saxofone), Willy Thorne (baixo) e Luis Nevares (bateria) aventuram-se em território experimental ainda mais ousado, onde a psicodelia, o garage rock, o folk e as influências latinas se encontram em um equilíbrio mais ambicioso, em busca de uma assinatura sonora única, resolutamente peruana e desinibida.

No entanto, as viagens psicodélicas que te levavam a Marte desapareceram, dando lugar a um som rock com tendências progressivas. Começando com “Tibet's Suzettes”, uma faixa de heavy rock onde o saxofone pende para o jazz. Uma abertura que claramente segue os passos do Colosseum, como demonstrado em “Yesterday's Game”, mesmo que o riff de guitarra lembre os Beatles.

Mas o destaque do álbum continua sendo "Chicama Way", a faixa de encerramento com quase sete minutos de duração. Um verdadeiro laboratório de estilos, essa música funde funk, jazz e tropicalia: a flauta serpenteia por uma atmosfera etérea enquanto os metais explodem em ondas cósmicas, criando uma mistura cativante e transcendental. O ritmo pulsante e envolvente impulsiona toda a música, enquanto as texturas sonoras experimentais conferem à faixa uma qualidade quase visionária, revelando a ambição da banda de transcender os limites do rock sul-americano tradicional.

No centro estão a balada bucólica “Those Days Have Gone” e sua flauta suave, a nostálgica “America” com seu piano de conto de fadas e “What You Need And What You Want” com mudanças de ritmo e humor, indo do percussivo ao doce e delirantemente exótico.

Ouça sem moderação.

Títulos:
1. Tibet’s Suzettes     
2. Those Days Have Gone    
3. Yesterday’s Game 
4. America     
5. What You Need And What You Want     
6. Chicama Way

Músicos:
Manuel Sanguinetti: Vocais, Percussão
Willy Barclay: Guitarra, Vocais
Freddy Rizo Patrón: Guitarra
Jean Pierre Magnet: Saxofone
Willy Thorne: Baixo
Luis Nevares: Bateria

Produção: Traffic Sound




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