Em 1979, um ano após o lançamento de Parallel Lines, seu álbum de sucesso nos EUA que incluía hits como "Heart of Glass" e "One Way or Another", o Blondie enfrentou o desafio de superar esse enorme êxito. Como eles conseguiram? De acordo com o guitarrista e co-compositor Chris Stein, eles usaram a fórmula de outro grande álbum da época para "Dreaming", o primeiro single de Eat to the Beat. "Dreaming" é praticamente uma cópia de "Dancing Queen", disse Stein ao EW.com no início deste ano. "Não sei se começamos por aí ou se acabou soando assim por acaso." Com todo o respeito a Stein, não parece haver muita semelhança entre as duas músicas, além do fato de ambas serem exuberantemente melódicas. Além disso, nenhuma música do ABBA jamais teve uma batida de bateria tão enérgica quanto a que Clem Burke cria em "Dreaming". Stein compôs a música e também deu à vocalista do Blondie, Debbie Harry, uma vantagem inicial na composição da letra.
Desde a primeira nota de "Dreaming", fica claro que esta é uma das faixas mais experimentais do Blondie. A introdução instrumental suave e fluida se transforma lentamente em um ritmo vibrante, preparando o terreno para a jornada emocionante que a música oferece. Com guitarras envolventes, sintetizadores oníricos e uma linha de baixo pulsante, a faixa transporta o ouvinte sem esforço para uma paisagem onírica surreal. Como o título sugere, elementos de disco, rock e psicodelia do final dos anos 60 se misturam perfeitamente, tornando "Dreaming" futurista e nostálgica ao mesmo tempo. A característica mais marcante da música é sua melodia quase hipnótica, que cativa o ouvinte imediatamente. Os riffs de guitarra dinâmicos se combinam com os vocais etéreos, porém poderosos, de Debbie Harry, criando uma atmosfera que parece ao mesmo tempo de outro mundo e íntima. Enquanto faixas como "Atomic" podem ter recebido mais atenção por sua influência disco, "Dreaming" adota uma abordagem diferente, fundindo sons de várias décadas em algo que soa novo, fresco e atemporal. Liricamente, "Dreaming" captura a essência do escapismo e uma sensação de desconexão plena. A voz de Harry, ao mesmo tempo lúdica e cativante, convida os ouvintes a um estado onírico. A letra é uma reflexão poética sobre esse estado de espírito onírico, onde a realidade se desvanece e as emoções afloram. De certa forma, a canção soa como uma ode à liberdade e à fantasia que acompanham a imersão em pensamentos, distantes das amarras do mundo real. O refrão é inesquecível: "Dreaming is free, dreaming is free" (Sonhar é livre, sonhar é livre). Ele nos lembra que no reino dos sonhos não há limites, tudo é possível e a imaginação pode voar. Isso se encaixa perfeitamente com os temas recorrentes de libertação pessoal e rebeldia contra as normas que o Blondie frequentemente explorava em sua música. A voz etérea de Debbie Harry, suave e precisa, intensifica a atmosfera mágica da canção. Ela é, sem dúvida, uma das vocalistas femininas mais singulares e cativantes da história do rock.
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