
Inegavelmente uma grande cantora, Lady Gaga domina como poucos outra área essencial da música pop: a imagem. Stefani Joanne Angelina Germanotta, seu nome verdadeiro, ficou para trás há anos. E, em seu lugar, emergiu uma das figuras mais icônicas, emblemáticas e polêmicas surgidas na indústria musical nos últimos tempos. Gaga é o Michael Jackson do nosso tempo, no sentido de saber usar a sua imagem como uma ferramenta complementar à sua música - e, muitas vezes, até mais importante do que ela.
Artpop, que acaba de chegar às lojas, é o seu terceiro álbum, sucedendo The Fame (2008, e que um ano depois foi relançado com o título The Fame Monster) e Born This Way (2011). Assinado por um combo de produtores que inclui nomes como Rick Rubin, David Guetta, will.i.am, Infected Mushroom e outros, além dela própria, Artpop é superior, musicalmente, aos trabalhos anteriores da cantora. Fica clara a maturidade alcançada por Lady Gaga, com canções consistentes e muito bem construídas, que lançam mão de colagens, samplers e sintetizadores em profusão, mas sempre mantendo uma característica forte: a melodia nas linhas vocais e os refrões permanentemente fortes. Esses fatores são essenciais para tornar não só Artpop, mas a própria música de Gaga, algo que, se não é único, ao menos possui uma identidade perceptível e marcante - vide megahits como “Poker Face”, “Bad Romance”, “Born This Way” e “Judas”.
O disco é um exemplo prático de como o pop funciona hoje em dia. Com participações especiais (poucas, para não ofuscar a estrela principal -> T.I., Too Short e Twista em “Jewels n’ Drugs” e R. Kelly em “Do What U Want”), DJs e produtores consagrados colocando suas grifes sonoras (os já citados David Guetta e will.i.am) e canções que variam entre 3 e 4 minutos, jamais passando deste tempo (o ideal para tocar em rádios, emissoras de TV e qualquer outro veículo de divulgação). A questão é que, além de se assumir sem maiores pudores como uma estrela pop, Lady Gaga consegue produzir música de qualidade e com valor artístico em um cenário onde tais qualidades são cada vez mais incomuns.
Talvez o maior exemplo disso seja a deliciosa “Do What U Want”, uma jóia pop com influência de Alphaville e Human League e excelentes vocais. Mas “Do What U Want” não brilha sozinha. A faixa-título é outro grande exemplo da maturidade atingida por Lady Gaga, com influência de nomes como Kraftwerk e outros pioneiros da música eletrônica. “Donatella” é construída sobre uma batida urbana tribal e conduzida com primor pela voz de Gaga, enquanto “Aura”, faixa de abertura, traz influências mexicanas e espanholas para o caldeirão musical do álbum.
Mas é ao se despir de (quase) todo o aparato eletrônico que a rodeia que Lady Gaga voa alto e comprova que toda a celebração do público em torno do seu nome não é em vão. Como já havia ocorrido em Born This Way com a balada hair metal “You and I”, em Artpop a cantora emociona mais uma vez com a linda “Dope”. Levada ao piano e conduzida de maneira sublime pela voz de Gaga, “Dope”, produzida por Rick Rubin, traz características soul e uma excepcional performance vocal, capaz de emocionar até uma pedra. Uma música linda, e que a maioria das pessoas jamais pensaria em encontrar em um álbum como esse.
Artpop está longe de ser uma obra-prima, mas igualmente também está distante de ser o que imaginam os ouvintes que, sem ter contato com a música de Lady Gaga, já constróem uma opinião pré-concebida do que irão encontrar na obra da artista nova-iorquina. Gaga segue ostentanto apelo visual, jogando peças do seu quebra-cabeça para o público. E, no caminho, mantém a qualidade de sua música, soando sempre inventiva e ousada. Isso, para uma estrela pop como ela, não é pouco.
Faixas:
1 Aura
2 Venus
3 G.U.Y.
4 Sexxx Dreams
5 Jewels n’ Drugs
6 MANiCURE
7 Do What U Want
8 Artpop
9 Swine
10 Donatella
11 Fashion!
12 Mary Jane Holland
13 Dope
14 Gypsy
15 Applause
Artpop, que acaba de chegar às lojas, é o seu terceiro álbum, sucedendo The Fame (2008, e que um ano depois foi relançado com o título The Fame Monster) e Born This Way (2011). Assinado por um combo de produtores que inclui nomes como Rick Rubin, David Guetta, will.i.am, Infected Mushroom e outros, além dela própria, Artpop é superior, musicalmente, aos trabalhos anteriores da cantora. Fica clara a maturidade alcançada por Lady Gaga, com canções consistentes e muito bem construídas, que lançam mão de colagens, samplers e sintetizadores em profusão, mas sempre mantendo uma característica forte: a melodia nas linhas vocais e os refrões permanentemente fortes. Esses fatores são essenciais para tornar não só Artpop, mas a própria música de Gaga, algo que, se não é único, ao menos possui uma identidade perceptível e marcante - vide megahits como “Poker Face”, “Bad Romance”, “Born This Way” e “Judas”.
O disco é um exemplo prático de como o pop funciona hoje em dia. Com participações especiais (poucas, para não ofuscar a estrela principal -> T.I., Too Short e Twista em “Jewels n’ Drugs” e R. Kelly em “Do What U Want”), DJs e produtores consagrados colocando suas grifes sonoras (os já citados David Guetta e will.i.am) e canções que variam entre 3 e 4 minutos, jamais passando deste tempo (o ideal para tocar em rádios, emissoras de TV e qualquer outro veículo de divulgação). A questão é que, além de se assumir sem maiores pudores como uma estrela pop, Lady Gaga consegue produzir música de qualidade e com valor artístico em um cenário onde tais qualidades são cada vez mais incomuns.
Talvez o maior exemplo disso seja a deliciosa “Do What U Want”, uma jóia pop com influência de Alphaville e Human League e excelentes vocais. Mas “Do What U Want” não brilha sozinha. A faixa-título é outro grande exemplo da maturidade atingida por Lady Gaga, com influência de nomes como Kraftwerk e outros pioneiros da música eletrônica. “Donatella” é construída sobre uma batida urbana tribal e conduzida com primor pela voz de Gaga, enquanto “Aura”, faixa de abertura, traz influências mexicanas e espanholas para o caldeirão musical do álbum.
Mas é ao se despir de (quase) todo o aparato eletrônico que a rodeia que Lady Gaga voa alto e comprova que toda a celebração do público em torno do seu nome não é em vão. Como já havia ocorrido em Born This Way com a balada hair metal “You and I”, em Artpop a cantora emociona mais uma vez com a linda “Dope”. Levada ao piano e conduzida de maneira sublime pela voz de Gaga, “Dope”, produzida por Rick Rubin, traz características soul e uma excepcional performance vocal, capaz de emocionar até uma pedra. Uma música linda, e que a maioria das pessoas jamais pensaria em encontrar em um álbum como esse.
Artpop está longe de ser uma obra-prima, mas igualmente também está distante de ser o que imaginam os ouvintes que, sem ter contato com a música de Lady Gaga, já constróem uma opinião pré-concebida do que irão encontrar na obra da artista nova-iorquina. Gaga segue ostentanto apelo visual, jogando peças do seu quebra-cabeça para o público. E, no caminho, mantém a qualidade de sua música, soando sempre inventiva e ousada. Isso, para uma estrela pop como ela, não é pouco.
Faixas:
1 Aura
2 Venus
3 G.U.Y.
4 Sexxx Dreams
5 Jewels n’ Drugs
6 MANiCURE
7 Do What U Want
8 Artpop
9 Swine
10 Donatella
11 Fashion!
12 Mary Jane Holland
13 Dope
14 Gypsy
15 Applause
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