domingo, 11 de janeiro de 2026

Tedeschi Trucks Band: crítica de Made Up Mind (2013)

 




Superar o dito teste do segundo disco foi das tarefas mais fáceis para a Tedeschi Trucks Band. Basta ouvir as primeiras notas de "Made Up Mind", canção que abre e dá nome ao novo  álbum, para rapidamente perceber que o duo Derek Trucks e Susan Tedeschi é realmente iluminado. Tão iluminado a ponto de, em apenas dois anos, retornar com um trabalho estupendo e igualmente genial à estreia com Revelator (2011).

Se alguém tinha dúvida de que o casal conseguiria manter o elevado nível em sua nova incursão, pode se preparar para vê-la sendo dissipada ao longo de onze belas canções que mostram uma mistura única de blues, soul, southern rock, jazz, country e generosas doses de pop. Apontar se 
Made Up Mind é superior ou inferior a Revelator é, basicamente, um exercício de puro gosto pessoal. De concreto, fica o fato de que ele é tão rico e encantador quanto o antecessor.


O que é plausível de análise e se apresenta bastante nítido é que Made Up Mind é bem mais ganchudo. Mais cativante no sentido de ir direto ao ponto e ser um tanto quanto fácil de digerir. As músicas são mais simples e fisgam de imediato. Não que a veia experimental e jazzística de Revelator tenha sido limada, abandonada. Ela apenas não é mais o ponto central da música idealizada pela Tedeschi Trucks em estúdio. Jams e longas improvisações são guardadas para o palco, como no ao vivo Everybody's Talking' (2012). Uma decisão acertada e que abre caminho para a banda ser alçada ao mainstream a qualquer momento.

Como supracitado, "Made Up Mind" abre o homônimo disco com a energia lá em cima. Simples, direta e, sobretudo, animada. O jogo já começa ganho. É uma espécie de "Bound For Glory" do novo trabalho. Aliás, essa correlação entre as músicas dos dois  albuns acontece em diversos momentos. Alguns exemplos são: "Idle Wind" e sua proximidade com "Midnight in Harlem", a melancolia de "It's so Heavy", já vista anteriormente em "Simple Things", o peso e a  guitarra incendiária em "Whiskey Legs", quase idêntica a "Learn How To Love", dentre outros. Não que a banda esteja tão somente se repetindo. Tem muito mais a ver com a identidade que se criou. Marcas que remetem ao próprio som.


"Do I Look Worried", a segunda do tracklist, lembra "Don't Let Me Slide", mas se destaca mesmo é por escancarar toda a beleza da guitarra de Derek Trucks, que apresenta com destreza o que talvez seja seu melhor solo no disco. Simplesmente acachapante. Falar da qualidade de Derek é chover no molhado, mas necessário. Ainda com apenas 34 anos, o guitarrista, além de ser o principal nome de sua geração, caminha a passos largos para figurar entre os grandes do instrumento em todos os tempos. Mais alguns trabalhos nesse mesmo ritmo, e isso estará consumado. Derek é a prova viva da força do legado de Duane Allman.


"Misunderstood" possui um groove matador. Mais soul sulista impossível. "Part of Me" retoma o clima ensolarado e é a mais dançante do disco. Bastante próxima do que o Alabama Shakes fez em 
Boys and Girls (2012), é a faixa certa para você apresentar a banda para aquela garota que há tempos quer conquistar. James Brown ficaria lisonjeado. "All That I Need" tem o melhor refrão do álbum, bem como o poder de salvar um dia que esteja péssimo. É a síntese do som da Tedeschi Trucks Band: alegria, vento no rosto e a sensação de estar vivo.


Porém, não se pode falar de Derek Trucks e Susan Tedeschi sem mencionar o combo de nove músicos que os acompanha desde o início dessa trajetória retumbante. Instrumentistas de alto quilate, que fazem a cama para que o casal sobressaia. Seja nos teclados, nos backing vocals ou no naipe de metais. Escolhendo apenas uma das onze canções para exemplificar a concretização desse processo, não resta dúvidas de que a mais apropriada é "Idle Wind", dona de flautas em profusão e um excelente trabalho de arranjos.


A cereja do bolo fica com a voz de Susan e sua interpretação, verdadeiro show à parte. Tudo é belo em 
Made Up Mind, mas nada se compara ao encanto da americana de 43 anos. Lançado em 19 de agosto, o disco se encerra com a singela "Calling Out To You", que comprova a excelência da cantora em uma música bucólica à la "Over The Hills and Far Way", do Led zeppelin. Convenhamos, não dava para o desfecho ser melhor. Vida longa ao casal e sua trupe.






Faixas


1 Made Up Mind 3:53

2 Do I Look Worried 4:33
3 Idle Wind 5:10
4 Misunderstood 5:41
5 Part of Me 4:06
6 Whiskey Legs 4:04
7 It's So Heavy 4:56
8 All That I Need 5:11
9 Sweet And Low 5:02
10 The Storm 6:34
11 Calling Out To You 3:46







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