sábado, 21 de fevereiro de 2026

Andrew Stockdale: crítica de Keep Moving (2013)

 



O Wolfmother foi uma grande banda. O Wolfmother gravou ao menos um grande disco. A estreia dos australianos, lançada em 2005, é um dos melhores álbuns dos anos 2000. O segundo trabalho, Cosmic Egg (2009), ainda que não apresentasse o mesmo primor do debut, garantiu momentos de diversão e qualidade e solidificou o respeito em relação à banda liderada pelo vocalista e guitarrista Andrew Stockdale.

E então as coisas saíram dos trilhos. Turnês, mudanças de formação, comunicados, falsos finais, discussões. Até que, no início deste ano, o grupo anunciou que iria dar uma parada e não tinha data para retomar as suas atividades. A questão é que, no meio disso tudo, o terceiro disco já estava praticamente pronto. O que fazer com ele? Simples: lançar como um  álbum solo de Stockdale.

Essa é a história de Keep Moving, primeiro disco solo de Andrew e que chegou às lojas no início de junho. Gravado durante exaustivos dois anos anos, traz o capitão do Wolfmother acompanhado pela última formação da banda, Ian Peres (baixo) e Will Rockwell-Scott (bateria), mais as participações de Elliott Hammond (bateria), Vin Steele (guitarra), Hamish Rosser (bateria), Alex Markwell (guitarra), Dave Atkins (bateria, também ex-Wolfmother) e Joe Howman (trompete).

Com uma história dessas e com um line-up tão amplo, é fácil imaginar que Keep Moving trata-se de um disco irregular. E ele é mesmo. Produzido pelo próprio Stockdale, o álbum transparece a tensão e todo o vai e vem que envolveu o Wolfmother nos últimos anos. Porém, ainda que esteja longe de ser uma obra-prima, entrega boas canções e é um disco de rock agradável.

O tracklist é longo. São dezessete faixas inéditas. A sonoridade segue a cartilha setentista apresentada nos dois álbuns da banda, porém com uma presença maior de outros elementos, como o funk. Há canções interessantes como “Long Way to Go”, o blues torto da faixa-título (com grande influência de Johnny Winter), “Vigarious”, o country “Suitcase (One More Time)” (com a alma de Gram Parsons pairando durante toda a sua duração) e a zeppeliana “Let It Go”, porém o excesso de faixas torna o disco bastante irregular, dando a impressão que Stockdale e sua turma rasparam todo o arquivo do Wolfmother e o colocaram aqui. Um filtro maior, uma enxugada nas coisas, tornaria Keep Moving muito mais coeso e forte.

Porém, mesmo com essas escorregadas, trata-se de um play que merece uma conferida. Afinal, quem gravou uma pérola como aquele disco de 2005 merece sempre atenção.


Faixas:
1 Long Way to Go
2 Keep Moving
3 Somebody’s Calling
4 Vigarious
5 Year of the Dragon
6 Meridian
7 Ghetto
8 Suitcase (One More Time)
9 Of the Earth
10 Let It Go
11 Let Somebody Love You
12 She’s a Motorhead
13 Standing on the Corner
14 Country
15 Black Swan
16 Everyday Drone
17 It Occured to Me






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