domingo, 8 de fevereiro de 2026

CRONICA - O TERÇO | Terço (1973)

 

O Brasil, mais conhecido por sua paixão pelo futebol, bossa nova, favelas, floresta amazônica e Carnaval do Rio, dificilmente é reconhecido como um pilar da música progressiva na década de 1970, assim como o resto da América Latina. Influenciado pela América do Norte, o pop exótico brasileiro, conhecido como Tropicália, produziu algumas excelentes bandas de rock psicodélico em meados da década de 1960, sendo a mais famosa, sem dúvida, Os Mutantes.

No entanto, no início dos anos setenta, estava prestes a surgir "o" grupo de rock sinfônico com um toque brasileiro: O Terço.

Formado em 1968 após a fusão de vários grupos, o O Terço lançou seu álbum de estreia homônimo em 1970, que  rapidamente alcançou sucesso nacional. Composto por canções curtas, este disco se destacou dos álbuns de bandas como Os Mutantes, Blow-Up e Spectrum, inspirando-se no pop inglês de Pink Floyd, Moody Blues, Procol Harum e Caravan.

Após algumas mudanças na formação, o trio se estabilizou em torno do guitarrista Sergio Hinds, do baixista Cezar De Mêces e do baterista Vinicius Cantuaria, e tomou um rumo mais complexo e progressivo com o álbum Terço , de 33 rpm .

Lançado em 1973, este segundo álbum oscila entre o hard rock à la Led Zeppelin e o rock sinfônico ao estilo do Yes. É dividido em duas partes. A primeira consiste em canções curtas. Estas variam do rock progressivo pesado, como em "Lagoa Das Lontras" e "Deus", com seu excelente solo de saxofone, ao rock ao estilo dos Rolling Stones com "Rock Do Elvis" e a balada "Estrada Vazia", ​​incluindo também uma pegada latina com "Voce Ai", que também apresenta um saxofone.

Mas a melhor é "Amanhecer Total", que ocupa toda a segunda metade do álbum. Essa faixa épica, com mais de 19 minutos de duração, é sem dúvida a mais complexa. Variando seus humores, começa calmamente com uma voz feminina acompanhada por um violão discreto, porém suave, e uma percussão sutil, um tanto metálica e dissonante, que nos imerge em um exotismo pacífico reforçado pelos vocais em português. Delicadamente, as vozes se impõem, mantendo uma certa tranquilidade e atmosfera envolvente. Então, surge um sintetizador vagamente inquietante, etéreo e cósmico. Aqui, os vocais se tornam mais incantatórios, quase religiosos. O que se segue é uma mistura de Black Sabbath e Yes onde, sustentado por uma guitarra pesada quase ameaçadora, o órgão evoca Rick Wakeman em seus voos sinfônicos de fantasia, ainda que de forma mais contida. O final nos retorna ao tema inicial, mas em uma veia pop mais alegre. O círculo se completa.

Esta é uma obra repleta de exotismo e cores que pode encantar os fãs de hard rock e prog, assim como os curiosos. Quanto a O Terço, a aventura estava apenas começando.

Títulos:
01. Deus
02. Voce Ai
03. Estrada Vazia
04. Lagoa Das Lontras
05. Rock Do Elvis
06. Amanhecer Total

Músicos:
Sergio Hinds – Guitarra, Vocal
Cezar de Merces – Baixo, Vocal
Vinícius Cantuária – Bateria
+
Luiz Paulos Simas; Sintetizador
Patricia Do Valle – Voz
Chico Battera – Percussão
Maran Schagen – Piano
Paulo Moura – Saxofone

Produção: Ramalho Neto




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