"La Máquina de Hacer Pájaros" (tradução: a máquina de fazer pássaros) foi a banda criada por Charly García no início de 1976, após a dissolução de seu grupo anterior, o "Sui Generis" (1972-75, em parceria com Nito Mestre e que fez três álbuns que se tornaram hinos para gerações de argentinos). Foi o projeto que deixou o Folk-Rock do Sui Generis para trás e mergulhou no Prog Rock sinfônico. Em sua curta vida, dois álbuns foram gravados, "La Máquina de Hacer Pájaros", de 76, e "Películas", de 77. No início, era um quarteto (Charly García nos teclados e vocais, José Luis Fernández no baixo, Carlos Cutaia nos teclados e Oscar Moro na bateria) e, com esta formação (todos músicos de alto calibre), tudo começou num night club chamado "La Bola Loca" em Buenos Aires, em mai/76. O nome foi tirado de uma tirinha do cartunista argentino Crist. Logo, Charly decidiu incorporar o guitarrista Gustavo Bazterrica, que deu a sonoridade final à formação. "La Máquina..." foi uma das bandas argentinas com sonoridade mais trabalhada contando com a genialidade de Charly e sua vontade de experimentar. "Nesta banda, eu fiz o que eu queria", lembrou ele depois. Inspirado no Rock elegante do Steely Dan, pelo virtuosismo do Yes e no aspecto mais aventureiro e sinfônico do Genesis, Charly formou uma das melhores bandas de Prog-Rock da Argentina, uma verdadeira academia musical. "Nós éramos o Yes do Terceiro Mundo", sintetizou García.
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| Charly, Carlos, Oscar, José Luis e Gustavo |
Durante o inverno, "La Máquina..." se fixou um porão e moldou um segundo álbum, "Películas", outro belíssimo registro. O jornal "La Opinión" passou a acusar Charly de fazer música com "estrangeirizações" que nada tinha a ver com o "sentimento nacional" argentino. Este segundo álbum veio bem na mesma veia da estreia, com um Prog melódico com elementos jazzísticos. Excelente também, fluído, coeso, sofisticado, banda solta, mantendo todo o Prog sinfônico, outro discaço de alta qualidade. A qualidade de som em ambos discos era muito boa e notavelmente melhor do que qualquer outro álbum gravado na Argentina até então. Porém, assim como a estreia, passou totalmente batido no gosto do grande público (aliás, demorou um bom tempo para que este projeto de Charly García fosse reconhecido por seu valor na própria Argentina). O grupo ensaiava diariamente visando aprimorar cada vez mais suas performances ao vivo. O guitarrista Gustavo Bazterrica faltou a alguns desses ensaios e Charly o demitiu logo depois de um grande show em Montevidéu. Em seu lugar, colocou Alejandro "Golo" Cavotia, ocorrem mais um par de apresentações, mas Charly resolve acabar com tudo e vir morar por um tempo no Brasil.
Seu casamento com María Rosa havia acabado (apesar do nascimento do filho Miguel Ángel, em mar/77) e Charly lutava para lidar com a nova realidade de pai e todo o foco em sua música (o novo par de María Rosa era Nito Mestre, até então o melhor amigo de Charly). Nesse momento de dificuldades, ele conheceu Marisa "Zoca" Pederneiras, uma bailarina brasileira (de 17 anos) da companhia de dança contemporânea do coreógrafo argentino Oscar Araiz. Zoca seria sua parceira até o final da década de 80 e inspiraria-lhe diversas canções. Aqueles meses finais de 1977 representaram um ponto de virada na vida de Charly. Com toda a crise sentimental e artística, todo o clima de censura e repressão imposto pela ditadura militar, ele iria parar na casa de Zoca em Belo Horizonte. Ali, a família dela o recebeu de braços abertos (os Pederneiras eram uma família artística que logo ficou cativada pelo talento de Chalry). Ele estava influenciado por músicos brasileiros (especialmente Milton). Com o amigo David Lebón, colega dos tempos de Sui Generis, alugou por três meses uma casa em Búzios/RJ, onde viveu uma vida focada na natureza e voltou a tocar, compor e planejou um novo projeto (que viria a ser o Serú Girán, uma das bandas mais importantes da história da música argentina pela qualidade musical e letras, incluindo canções desafiadoras à ditadura militar, que assombrava o país naquela época).







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