Os melhores musicais de todos os tempos
Labirinto: A Magia do Tempo (1986)
![]() |
| Celeste Rodrigues |
Maria Celeste Rebordão Rodrigues ComIH, celebrizada como Celeste Rodrigues (Fundão,[1] 14 de março de 1923 – Lisboa, 1 de agosto de 2018) foi uma fadista portuguesa, irmã mais nova de Amália Rodrigues.
Celeste Rodrigues nasceu a 14 de março de 1923 no Fundão, (distrito de Castelo Branco). Irmã de Amália Rodrigues, os seus pais vieram para o lisboeta bairro de Alcântara quando Celeste tinha 5 anos.[2]
Após estar empregada numa fábrica de bolos, trabalha com a sua irmã num ponto de venda de artigos regionais no Cais da Rocha.[2] Teve o seu primeiro amor aos 17 anos, um romance de três anos com o cavaleiro tauromáquico Zé Casimiro.[3]
Numa noite em que canta fado na Adega Mesquita, o empresário musical e proprietário de várias casas de fado José Miguel ouve-a cantar e insiste que se profissionalize como fadista. Com 22 anos Celeste Rodrigues estreia-se em 1945 no Casablanca, (actual Teatro ABC), no Parque Mayer.[2] Foi Amália, a sua irmã três anos mais velha, quem, como tradicional madrinha de fado, lhe colocou o xaile preto nos ombros.[3]
Um par de meses depois da sua estreia, Celeste é seguir é convidada para uma companhia teatral e parte em digressão para o Brasil que vai durar um ano e onde participa, com Amália, no elenco da opereta Rosa Cantadeira e da revista Boa Nova.[2][3] A partir daqui recusa outros convites para integrar peças de teatro mas ainda subiria aos palcos teatrais para cantar, por exemplo em Cabelo Branco É Saudade (2005) ou em Sombras (2010).[2][4]
Com 25 anos Celeste conhece Varela Silva, actor português, com quem casaria com 30 anos e com quem teria duas filhas.[2][3] Ambos abrem uma casa de fados na Rua das Taipas: "A Viela", projecto que abandonariam após quatro anos.[2][3] Estavam na década de 1950 e Celeste atingia a notoriedade com o tema "Olha a Mala", de Manuel Casimiro.[3][5]
Após "A Viela", Celeste cantou durante por mais uma década na "Parreirinha de Alfama", de Argentina Santos, passando depois a integrar o elenco da "Taverna do Embuçado", de João Ferreira-Rosa longo de 25 anos.[2][3]
Depois da Revolução dos Cravos, passou meio ano no Canadá, acabando por divorciar-se do seu primeiro e único marido.[3]
O seu último trabalho discográfico a ser lançado foi o CD Fado Celeste. Foi editado na Holanda em 2007[2].
Em 2010 é apresentado o documentário Fado Celeste, realizado por Diogo Varela Silva, debruçando-se sobre a vida e a obra de Celeste Rodrigues.[2]
Celeste Rodrigues morreu em 1 de agosto de 2018, em Lisboa, indo a sepultar no Talhão dos Artistas do Cemitério dos Prazeres.[6]
Celeste Rodrigues gravou 58 discos, entre LPs e singles.[3]
![]() |
António ZambujoAntónio ZambujoPica Do 7De manhã cedinho eu salto do ninho A cada repique, que soa do clique Ninguém acredita no estado em que fica Que triste fadário e que itinerário tão infeliz Ninguém acredita no estado em que fica |
Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
Tão concreta e definida
Como outra coisa qualquer
Como esta pedra cinzenta
Em que me sento e descanso
Como este ribeiro manso
Em serenos sobressaltos
Como estes pinheiros altos
Que em verde e oiro se agitam
Como estas aves que gritam
Em bebedeiras de azul
Eles não sabem que sonho
É vinho, é espuma, é fermento
Bichinho alacre e sedento
De focinho pontiagudo
Em perpétuo movimento
Eles não sabem que o sonho
É tela, é cor, é pincel
Base, fuste ou capitel
Arco em ogiva, vitral,
Pináculo de catedral,
Contraponto, sinfonia,
Máscara grega, magia,
Que é retorta de alquimista
Mapa do mundo distante
Rosa dos ventos, infante
Caravela quinhentista
Que é cabo da boa-esperança
Ouro, canela, marfim
Florete de espadachim
Bastidor, passo de dança
Columbina e arlequim
Passarola voadora
Pára-raios, locomotiva
Barco de proa festiva
Alto-forno, geradora
Cisão do átomo, radar
Ultra-som, televisão
Desembarque em foguetão
Na superfície lunar
Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que o homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos duma criança
![]() |
| Miguel Gameiro |
Dá-me um abraço que seja forte
E me conforte a cada canto
Não digas nada que o nada é tanto
E eu não me importo
Dá-me um abraço fica por perto
Neste aperto tão pouco espaço
Não quero mais nada, só o silêncio
Do teu abraço
Já me perdi sem rumo certo
Já me venci pelo cansaço
Estando longe, estive tão perto
Do teu abraço
(instr.)
Dá-me um abraço que me desperte
E me aperte sem me apertar
Que eu já estou perto abre os teus braços
Quando eu chegar
É nesse abraço que eu descanso
Esse espaço que me sossega
E quando possas dá-me outro abraço
Só um não chega
Já me perdi sem rumo certo
Já me venci pelo cansaço
Estando longe, estive tão perto
Do teu abraço
Já me perdi sem rumo certo
Já me venci pelo cansaço
Estando longe, estive tão perto
Do teu abraço
(…)
Já me perdi sem rumo certo
Já me venci pelo cansaço
Estando longe, estive tão perto
Do teu abraço
Estando longe, estive tão perto
Do teu abraço
Quem conhece "As Viagens de Gulliver", de Jonathan Swift, provavelmente se lembra do ardiloso e invejoso Flimnap, Lorde Chance...