sábado, 11 de junho de 2022
De Recortes&Retalhos
As melhores letras da música Portuguesa Parte 22
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| Sétima Legião |
Sétima Legião
Por quem não esqueci
Há uma voz de sempre,
Que chama por mim.
Para que eu lembre,
Que a noite tem fim.
Ainda procuro,
Por quem não esqueci.
Em nome de um sonho,
Em nome de ti.
Procuro à noite,
Um sinal de ti.
Espero à noite,
Por quem não esqueci.
Eu peço à noite,
Um sinal de ti.
Quem eu não esqueci…
Por sinais perdidos,
Espero em vão.
Por tempos antigos,
Por uma canção.
Ainda procuro,
Por quem não esqueci.
Por quem já não volta,
Por quem eu perdi.
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| GNR |
GNR
Dunas
Dunas, são como divãs,
Biombos indiscretos de alcatrão sujo
Rasgados por cactos e hortelãs,
Deitados nas Dunas, alheios a tudo,
Olhos penetrantes,
Pensamentos lavados.
(refrão)
Bebemos dos lábios, refrescos gelados
Selamos segredos,
Saltamos rochedos,
Em câmara lenta como na TV,
Palavras a mais na idade dos “porquê”
Dunas, como que são divãs
Quem nos visse deitados de cabelos molhados bastante enrolados
Sacos camas salgados,
Nas Dunas, roendo maçãs
A ver garrafas de óleo boiando vazias nas ondas da manhã
Bebemos dos lábios, refrescos gelados,
nas dunas!
Em câmara lenta como na TV,
Nas dunas..(4 X’s)
Refrescos gelados…
Como na Tv.
Nas dunas..
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| Tim & Rui Veloso |
Voar
Tim + Rui Veloso
Eu queria ser astronauta,
O meu país não deixou,
Depois quis ir jogar à bola,
A minha mãe não deixou.
Tive vontade de voltar à escola,
Mas o doutor não deixou,
Fechei os olhos e tentei dormir,
Aquela dor não deixou…
Ó meu anjo da guarda,
Faz-me voltar a sonhar,
Faz-me ser astronauta,
E voar…
O meu quarto é o meu mundo,
O ecran é a janela,
Não choro em frente à minha mãe,
Eu que gosto tanto dela.
Mas esta dor não quer desaparecer
Vai-me levar com ela…
Ó meu anjo da guarda,
Faz-me voltar a sonhar,
Faz-me ser astronauta,
E voar…
Acordar meter os pés no chão,
Levantar, pegar no que tens mais à mão,
Voltar a rir, voltar a andar, voltar, voltar…
Voltarei… (8 x’s)
Acordar, meter os pés no chão,
Levantar, pegar no que tens mais à mão,
Voltar a rir, voltar a andar, voltarei…
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| Zeca Afonso |
Zeca Afonso
Maria Faia
Eu não sei como te chamas
Oh Maria Faia!
Nem que nome te hei-de eu pôr
Oh Maria Faia, oh Faia Maria!
Cravo não, que tu és rosa
Oh Maria Faia!
Rosa não, que tu és flor
Oh Maria Faia, oh Faia Maria!
Não te quero chamar cravo
Oh Maria Faia!
Que te estou a engrandecer,
Oh Maria Faia, oh Faia Maria!
Chamo-te antes espelho
Oh Maria Faia!
Onde espero de me ver
Oh Maria Faia, oh Faia Maria!
O meu amor abalou
Oh Maria Faia!
Deu-me uma linda despedida,
Oh Maria Faia, oh Faia Maria!
Abarcou-me a mão direita
Oh Maria Faia!
Adeus oh prenda querida
Oh Maria Faia, oh Faia Maria!
Vendas de discos em Portugal 1992
Vendas de discos 1992
1 - Palavras Ao Vento - Resistência
2 - Rock In Rio Douro - GNR
3 - Nevermind - Nirvana
4 - Use Your Illusion II - Guns N' Roses
5 - Greatest Hits II - Queen
6 - Live At Wembley 86 - Queen
7 - Still Loving You - Scorpions
8 - ABBA Gold: Greatest Hits - ABBA
9 - Stars - Simply Red
10 - Earthrise - Vários (Polygram)
Fonte: AFP
Álbuns em destaque:
Greatest Hits II - Queen (6#1)
Waking Up The Neighbours - Bryan Adams (2#1)
Ela Só Quer, Só Pensa Em Namorar - Onda Choc - #3
Greatest Hits I - Queen - #3
Palavras Ao Vento - Resistência (15#1)
Se Você Quer... - Roberto Carlos - #3
Human Touch - Bruce Springsteen - #2
Stars - Simply Red - #2
Seven - James - #3
Still Loving You - Scorpions (2#1)
Rock In Rio Douro - GNR (10#1)
Live At Wembley 86 - Queen (3#1)
Use Your Illusion I - Guns N' Roses - #3
Use Your Illusion II - Guns N' Roses (1#1)
The One - Elton John - #2
Nevermind - Nirvana (1#1)
Earthrise - Vários (Polygram) (4#1)
Us - Peter Gabriel - #2
ABBA Gold - ABBA (8#1)
Unplugged - Eric Clapton - #2
Greatest Hits - Police - #2
The Best Of - Joe Cocker - #2
Live - AC/DC - #2
++
Singles em destaque:
Don't Cry - Gun'N'Roses (8#1)
Taras e Manias - Marco Paulo (2#1)
Radio Song - REM - #3
Black Or White - Michael Jackson - #3
Live And Let Die - Gun N Roses - #2
Mysterious Ways - U2 (1#1)
Colour Of Love - Snap - #3
Don't Let The Sun... - George Michael (18#1)
Let's Talk About Sex - Salt N Pepa (1#1)
Human Touch - Bruce Springsteen - #3
I Can't Dance - Genesis - #3
One - U2 - #3
Still Loving You - Scorpions - #3
High - Cure - #2
Nasce Selvagem - Resistência - #2
Maubere - Rui Veloso (18#1)
Good Stuff - B 52's - #2
Lenda do Mar - Ritual Tejo - #2
Knocking On Heavens Door - Gun N roses (1#1)
The One - Elton John - #2
Smells Like Teen Spirit - Nirvana - #2
November Rain - Guns N Roses - #2
Even Better Than The Real Thing - U2 - #2
My Name Is Prince - Prince - #2
Erotica - Madonna - #2
Chuva Dissolvente - Xutos & Pontapés (2#1)
Sangue Oculto - GNR - #3
Easy Come And Go - Joker (1#1)
++
92-79090-[Nos primeiros seis meses deste ano, a venda dos singles registou uma quebra de 25 por cento, a dos álbuns em vinil 31 por cento, a das cassetes 14 por cento e a dos vídeos musicais 12 por cento.
92-299530-São os Lx-90, os Sitiados, os UHF e todos os novos contratados pela empresa dirigida por Tózé Brito, mas sobretudo os Resistência -- que mantêm o primeiro lugar do top da AFP desde o concerto na Aula Magna, em Fevereiro passado -- que provam que quem vende mais música em Portugal são os portugueses; que são os seus concertos que fazem vender discos.
92-617924-Se ao nível da facturação total, em relação ao último trimestre de 1991, a Polygram mantém um quarto de mercado, a EMI-Valentim de Carvalho (EMI-VC), por seu lado, caíu para 19,94 por cento, e a Edisom, para cerca de cinco por cento, enquanto a BMG subiu para 17,8. Assim, a EMI-VC, embora descendo em relação ao último trimestre, conserva a liderança, com 43 por cento das vendas de música portuguesa. Mas a Polygram, que há pouco mais de um ano discutia quase taco a taco essa primazia, caíu agora para os 16,23 por cento -- descida em que é acompanhada pela Edisom, que não vai além dos 2,34 por cento (no final de 1991 já descera para menos de oito por cento).
92-691730-O grupo pop portuense GNR recebeu, na passada quinta-feira, um disco de platina referente a vendas da ordem dos quarenta mil exemplares do seu último LP "Rock In Rio Douro".
92-843812-A campeã da música portuguesa é a EMI-Valentim de Carvalho, posicionada em segundo lugar nas vendas globais, com menos dois pontos percentuais que a Polygram. No ranking de vendas das principais editoras discográficas, o primeiro lugar é da Polygram, com um pouco mais de 25 por cento do total facturado no primeiro semestre (750 mil contos), liderando de muito longe o segmento de música clássica.
92-1301390-De facto, anteontem, o Coliseu recebeu uma multidão disposta a cantar até à exaustão os temas que fizeram de "Palavras ao Vento" [dos Resistência] o mais recente duplo disco de platina da música portuguesa.
92-1302245-Em simultâneo com o espectáculo do grupo no Armazém 22, no Porto de Lisboa, e a entrega do disco de platina pelas vendas de "Palavras ao vento" -- mais de 80 mil exemplares no prazo de um ano.
92-1403534-(...) "We Can't Dance", o décimo sétimo editado pelo grupo [Genesis] e o seu primeiro disco de platina em Portugal.
92-1450010-Tem-se verificado a comercialização de fonogramas, cujas capas pela sua apresentação gráfica induzem à confundibilidade dos nomes de autores, artistas, intérpretes e executantes originais, provocando enganos no consumidor.
Público, 1992
93-335659-O prémio máximo, isto é, o disco de platina correspondente a vendas superiores a 40 mil exemplares, foi no passado conferido a mais artistas estrangeiros do que a portugueses, sendo vencedores máximos Bryan Adams, com "Waking Up the Neighbours" (cinco vezes o disco de platina), e os Queen, com "Greatest Hits II" (quatro vezes o disco de platina). O máximo que os portugueses conseguiram foi tripla platina, conquistada por "Palavras ao Vento" dos Resistência, logo seguida da dupla platina dos GNR com "In Vivo".
93-214193-Venderam-se pouco mais de 47 mil singles em 1992, o que há dez anos atrás seria um número modesto para um 45 rotações dos Táxi, por exemplo.
93-167795-Como é bem sabido, até a uma dada altura, eram os singles que faziam vender os álbuns, não só pela sua maior maleabilidade em termos de consumo, como pela questão do tempo de antena radiofónica -- que era e ainda continua a ser dado preferencialemente (sobretudo em AM) às canções.
93-167795-Ora se os singles praticamente deixaram de existir (tornado-se um objecto mais ou menos obsoleto para a indústria instituída) ou se simplesmente os álbuns deixaram de ter canções propícias para edição neste formato, torna-se mais difícil a rádio focalizar-se sobre uma nova edição, acabando por serem os artistas mal divulgados.
93-188007-O dado que falta, que sabemos mas não entra nas contas da IFPI, é que muitas das cassetes vendidas em Portugal são mini ou baratas e são elas que, de facto, estão a substituir os singles
93-198665-Os discos de vinil continuam a descer -- menos 433, 39 por cento nos álbuns e menos 33,54 nos singles -- e também nas cassetes (menos 8,97 por cento).
93-749070-O ano em que um grupo português, os Resistência, com o seu álbum de estreia "Palavras ao Vento", assomou ao top dos cem discos mais vendidos na Europa. Em que surgiram a concorrer para os primeiros postos do top português uma série de discos nacionais que ultrapassaram decididamente o plano da produção caseira.
A companhia vencedora em 1992 foi a EMI-VC, com 23,49 por cento, e aí a tendência é mais evidente, uma vez que esta editora foi responsável por quase metade das vendas do ano passado do total de música portuguesa.
Só a Polygram teve um bom ano ditado pelas estrelas internacionais, sendo a segunda no ranking das editoras, com 23,48 por cento, mas com não mais de 18 por cento de quota no reportório português.
93-917979-Registou-se um crescimento na facturação, mas o número de fonogramas vendidos entre nós em 1992 indica que a crise internacional do mercado da música não vai poupar Portugal.
Público, 1993
Os melhores musicais de todos os tempos
Os melhores musicais de todos os tempos
Os Miseráveis (2012)
Caminhos da Floresta (2014)
Todos Dizem Eu Te Amo (1996)
Os Irmãos Cara-de-Pau (1980)
Natal Branco (1954)
Fados e fadistas menos divulgados
Urias Macedo - A minha voz e a minha guitarra no Fado
Artistas de rua, os anfitriões do centro das cidades
Artistas de rua, os anfitriões do centro das cidades
Os centros das cidades de Lisboa e do Porto são a segunda casa de dezenas de artistas de rua que, com o presente recolhimento obrigatório, perderam a sua principal fonte de rendimento. Antes do atual confinamento, o Espalha-Factos saiu à rua para os conhecer e perceber de onde vem a motivação para envergarem pela arte de rua.
Numa manhã de inverno, em frente ao emblemático café ‘A Brasileira do Chiado’, várias são as pessoas que param para ouvir o saxofone de Diego Lima. O brasileiro de 38 anos chegou a Portugal em 2018 e deixou-se contagiar pelo ambiente do coração da cidade lisboeta: “Vi tantos artistas de rua cá e achei o cenário inspirador para fazer este tipo de trabalho. Há uma energia que a gente dá e recebe também e isso é muito legal”, refere. O músico destaca que a parte mais interessante de atuar na rua são as crianças, pela sua autenticidade. “São puras, quando vêm, é porque gostam”, refere.
A pandemia não impediu o saxofonista de continuar a levar o jazz e a bossa nova ao Chiado cerca de cinco dias por semana. Apesar de ter outro trabalho, afirma que precisa do retorno financeiro que a rua lhe dá e que há situações que o põem em causa: “Por vezes, a polícia chega e apreende diretamente os nossos instrumentos e caixas de som”. Diego ressalva que tem outra profissão, mas que há quem dependa apenas disto. “Complica muito a nossa vida”, desabafa.

No caminho em direção à Rua do Carmo, ouvem-se duas vozes poderosas. Florência Ribeiro, de 31 anos, e André Navarro, de 33, cantam ópera à porta dos Armazéns do Chiado. Ninguém fica indiferente ao talento da uruguaia e do chileno.
Os cantores líricos conheceram-se numa ópera na Argentina, em janeiro de 2018, e decidiram fazer uma tour de concertos por vários países da Europa. Acabaram por ficar em Portugal a viver e há um ano e meio que atuam na baixa lisboeta com o projeto “street ópera”. Em 2020, concorreram ao Got Talent Portugal e chegaram à final do concurso. “Foi uma ótima experiência”, recordam.
Os artistas que estavam habituados às salas de espetáculo veem o espaço urbano a virar palco, uma vivência distinta: “Na rua vemos a emoção das pessoas, vemos as pessoas rir, vemos as pessoas chorar, vêm conversar connosco. Num palco só se consegue ouvir as palmas”, expressam. Este contacto próximo com o público trouxe memórias que jamais esquecerão: “Chegámos a receber presentes. No verão estava a cantar, estava cheia de calor e um senhor reparou e foi comprar uma garrafa de água para mim”, conta Florência, com um sorriso no rosto.

No Porto, o cenário é idêntico e o rio Douro é o pano de fundo de Bruna Costa que, acompanhada pela sua guitarra e pelo seu amplificador, atua para as dezenas de pessoas que passam junto do Cais da Ribeira. A artista natural da Maia participou no The Voice Portugal e refere que a experiência no programa a ajudou a ter a certeza que queria seguir música.
O busking (arte de rua) surgiu na vida de Bruna já em contexto de pandemia. A jovem de 20 anos que estava habituada a cantar em bares e restaurantes – que acabaram por cancelar a música ao vivo e, em alguns casos, foram obrigados a encerrar – viu na rua uma oportunidade de não ficar sem o seu trabalho: “Apesar das coisas estarem um bocado condicionadas mesmo na rua, pareceu-me o momento certo para arriscar”, admite.
A Ribeira e a Rua de Santa Catarina são os palcos de Bruna desde julho, palcos que se distinguem, segundo a artista, dos demais locais onde atuou: “Quem vai a um concerto, seja num bar, seja num jantar com música ao vivo, seja mesmo num espaço preparado para isso, vai à espera de ver música, mesmo que não seja para te ver a ti, está à espera de um concerto. Na rua, as pessoas estão lá com outro propósito: ou estão de passagem, ou estão a visitar a cidade. De repetente cruzam-se contigo. É completamente diferente”.
A artista diz que o que a faz voltar no dia seguinte são as pessoas: “Vou tendo reações e feedbacks diferentes todos os dias, chego sempre a pessoas distintas e é bonito ver a forma como cada um reage. E vou também mesmo pelas pessoas que sabem que estou lá, porque me viram e voltam para me ouvir”. Nos últimos seis meses, Bruna cruzou-se com pessoas de todo o mundo que estavam de férias em Portugal e que passaram a acompanhar o seu trabalho à distância, através das redes sociais.
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