quarta-feira, 15 de junho de 2022

Biografia de Capital Inicial

Capital Inicial

Capital Inicial é uma banda de rock brasileira formada em 1982 na cidade de Brasília, por Dinho Ouro Preto (vocal), Fê Lemos (bateria), Flávio Lemos (baixo) e Yves Passarell (guitarra), além de Robledo Silva (teclados) e Fabiano Carelli (guitarra), músicos de apoio.

História

Início

Em 1978, Fê Lemos, voltou de uma estadia na Inglaterra para Brasília, onde seu pai dava aulas na Universidade de Brasília (UnB).[1] Ele se juntou a um grupo de jovens fãs de punk rock do conjunto de quatro prédios, apelidado "Turma da Colina",[2] que incluía Renato Russo.[1] Os dois mais o sul-africano André Pretorius fundaram a banda Aborto Elétrico, com Renato no baixo, André na guitarra e Fê na bateria. A banda não possuía ninguém no vocal.[1] Pretorius teve de voltar para a África do Sul para cumprir o serviço militar, então Renato se tornou guitarrista e cantor, enquanto que o irmão de Fê, Flávio Lemos, assumiu o baixo.[3] A banda logo se tornou uma das mais populares de Brasília, e um dos seus maiores fãs era Dinho Ouro Preto, um velho amigo de Renato que comparecia a todos os shows.[4]

Surgimento da banda (1983-1985)

Em 1983, Fê e Renato se desentenderam, causando a saída do cantor e a extinção do Aborto Elétrico. Os irmãos Lemos chamaram o ex-guitarrista da Blitx 64, Loro Jones, e uma cantora, Heloísa, para formar outra banda, o Capital Inicial. Depois de um mês tocando em um teatro da Associação Brasiliense de Odontologia com a Plebe Rude e a nova banda de Renato, a Legião Urbana, por pressão dos pais Heloísa sai da banda. Os Lemos fazem uma audição para um novo cantor, e Dinho Ouro Preto assumiu o cargo. Dinho insistiu para que a banda incluísse canções do Aborto no repertório, e mais tarde chamou Renato para concluir a letra de "Música Urbana", que se tornaria um dos primeiros sucessos do Capital.[4] Dinho e Jones haviam antes tocado juntos na banda Dado e o Reino Animal, que incluía os futuros membros da Legião Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. Três meses depois, em julho de 1983, estreiam com um show na Unb, tocando em seguida em São Paulo (SESC Pompeia) e no Rio de Janeiro (Circo Voador).[5]

A banda segue em constantes viagens e apresentações nos principais palcos do underground do rock brasileiro. Em 1984, o ritmo cada vez maior de viagens indica a necessidade de estarem mais próximos do seu principal mercado, as regiões Sudeste e Sul. No final do ano assinam seu primeiro contrato fonográfico, com a CBS (atual Sony), e se mudam para São Paulo no início de 1985. Logo em seguida lançam seu primeiro registro em vinil, o compacto duplo Descendo o Rio Nilo/Leve Desespero. Ainda neste ano integram o elenco da trilha sonora do primeiro "filme-rock" brasileiro, Areias Escaldantes, de Francisco de Paula, ao lado de Ultraje a RigorTitãsLobão e os RonaldosIra!MetrôLulu Santos e May East.

Primeiros discos

O primeiro LPCapital Inicial, já pela Polygram, foi lançado em 1986 e recebeu ótimas críticas. "Um rock limpo, vigoroso, dançante e sobretudo competente, a quilômetros de distância da mesmice que assaltou a música pop brasileira nos últimos tempos", assim o jornalista Mário Nery abre a crítica ao disco na Folha de S.Paulo.[6] O álbum trazia faixas como "Música Urbana", "Psicopata", "Fátima", "Veraneio Vascaína", "Leve Desespero" entre outras. Em 1987, contando com o tecladista Bozzo Barretti em sua formação, o Capital Inicial lança seu segundo disco, Independência, emplacando "Prova", "Independência" e a regravação de "Descendo o Rio Nilo".

Nesse ano, é convidado para abrir os shows da turnê do cantor inglês Sting em São Paulo (estacionamento do Anhembi), Rio de Janeiro no MaracanãBelo Horizonte no Estádio Independência, Brasília no Estádio Mané Garrincha e Porto Alegre no Estádio Olímpico MonumentalVocê não Precisa Entender chega as lojas de todo o país em 1988, com "A Portas Fechadas", "Pedra Na Mão" e "Fogo". O ano de 1989 marca o lançamento do álbum Todos os Lados, com as faixas "Todos os Lados", "Mickey Mouse em Moscou" e "Belos e Malditos". Em 1990 participam do festival Hollywood Rock, realizado em São Paulo e no Rio de Janeiro. O álbum Eletricidade, lançado em 1991, marca o início de mudanças no Capital Inicial, começando pela gravadora. O álbum, lançado pela BMG, trazia uma versão para "The Passenger", de Iggy Pop, batizada de "O Passageiro", e composições como "Cai a Noite", "Kamikaze" e "Todas as Noites". Neste mesmo ano, participam da segunda edição do festival Rock in Rio. O clipe "O Passageiro", foi todo gravado utilizando uma câmera PXL-2000 que armazenava imagens em preto e branco em uma fita cassete de áudio.

Divergências

Em 1992, Bozzo Barretti deixa o grupo, e em 1993, divergências musicais e pessoais levam o vocalista Dinho Ouro Preto a seguir carreira solo. Enquanto isso, o Capital Inicial, agora com o santista Murilo Lima (ex-banda Rúcula) nos vocais, lança Rua 47 em 1995.

Em 1996 a banda lança Capital Inicial Ao Vivo, o primeiro pela Qualé Cumpadi Records, gravadora independente que a banda monta, e o segundo pela Rede Brasil Discos, atual Alpha Discos.

A volta da formação original

Em março de 1998 em São Paulo, após o lançamento, pela Polygram, do álbum O Melhor do Capital Inicial, os quatro integrantes originais decidem voltar aos palcos. Dinho Ouro PretoFê LemosFlávio Lemos e Loro Jones voltam à estrada com um novo show, uma comemoração aos 15 anos da banda e aos 20 anos do nascimento do rock candango. O repertório traz sucessos, faixas pouco conhecidas e composições de bandas que fizeram parte da cena de Brasília nos anos 80, como Plebe Rude e Legião Urbana.

Em julho do mesmo ano a banda assina com a gravadora Abril Music, e em setembro ruma para Nashville no TennesseeEUA, onde gravam Atrás dos Olhos. Este disco é produzido por David Zá, que entre outros trabalhou com artistas como PrinceBilly Idol e Fine Young Cannibals. Este mesmo ano de 1998 assiste ainda ao lançamento de mais duas coletâneas pela Universal (ex-PolyGram): um álbum da série Millennium, com vinte músicas pinçadas dos quatro primeiros discos, e um álbum de canções do grupo remixadas por produtores e DJs famosos do Brasil.

O ano de 1999 é dedicado à turnê brasileira. Surge a ideia de fazer um disco ao vivo, juntando novos e antigos sucessos. Rapidamente esta ideia se transforma no projeto de um disco acústico, em parceria com a MTV Brasil. O ano 2000 começa com a gravação do especial Acústico MTV: Capital Inicial, no dia 21 de março com a participação de Kiko Zambianchi. Lançado em 26 de maio do mesmo ano, o álbum foi um grande sucesso comercial (3× disco de platina pela ABPD), marcando o ressurgimento da banda.[7]

Em 2001, ainda com a turnê de seu Acústico MTV, a banda fez um aclamado show no Rock in Rio, com uma plateia de 250 mil pessoas.[5]

Em 2002, Loro Jones deixa o grupo, reclamando do excesso de tempo trabalhando,[8] com mais de 150 shows na década recém-iniciadas, e o agravante do fato de que ao contrário dos companheiros de banda Jones ainda residia em Brasília, levando-o a constantes deslocamentos para São Paulo. Yves Passarell, da banda Viper, assumiu o posto.[5]

Recentemente

O álbum Eu Nunca Disse Adeus é lançado em 2007, com o primeiro single homônimo "Eu Nunca Disse Adeus".

Em 2008, é lançado o terceiro álbum ao vivo e quarto DVD da carreira da banda, Multishow ao Vivo: Capital Inicial, em comemoração aos seus 25 anos da carreira. O DVD foi gravado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, no dia 21 de abril daquele ano, aniversário de 48 anos da cidade e que contou com mais de 1 milhão de pessoas na plateia. Participaram do show os músicos convidados Robledo Silva e Fabiano Carelli. O primeiro single de trabalho do álbum foi "Algum Dia", e a segunda "Dançando com a Lua".

Show do Capital Inicial em 2015

No dia 31 de outubro de 2009, a banda estava fazendo um show em Patos de MinasMinas Gerais, quando Dinho Ouro Preto teve uma queda de três metros de altura do palco. Dinho sofreu traumatismo craniano leve e uma fratura na costela; e após cinco dias de internação, o cantor voltou para a UTI por causa de uma infecção. No dia 30 de novembro, Dinho saiu do hospital, depois de quase um mês internado. Após deixar o hospital Dinho e os integrantes da banda entraram em estúdio para a gravação do décimo quinto álbum do grupo Das Kapital. O disco traz algumas canções que contam um pouco do drama vivido por Dinho. Lançado no dia 2 de junho de 2010, o primeiro single do álbum foi "Depois da Meia Noite", liberado para as rádios de todo Brasil, e depois "Como se Sente", "Vivendo e Aprendendo" e "Vamos Comemorar" a pedido dos fãs. Segundo Dinho, Das Kapital marca o início de uma terceira fase do Capital, depois da inicial e do retorno, "dos discos mais com a nossa cara, com o tipo de som que a gente gosta".[5]

A banda também tocou no Rock in Rio IV, no dia 24 de setembro de 2011, abrindo o show para os californianos do Red Hot Chili Peppers. O show foi lançado em CD e DVD em 2012, com a parceria da Artplan e MZA Music.

No dia 10 de dezembro de 2012, lançam um novo álbum, Saturno. O disco teve a produção de David Corcos, e contém 13 faixas, incluindo os singles "O Lado Escuro da Lua" e "Saquear Brasília". No ano seguinte são confirmados no Rock in Rio 2013, no dia 14 de setembro, mesmo dia da banda Muse.

Em 2015, o Capital Inicial decidiu gravar um segundo álbum acústico em Nova YorkAcústico NYC teve na maior parte do seu repertório canções gravadas após o Acústico MTV, fora três composições inéditas, uma canção dos anos 80, "Belos e Malditos", e covers de Legião Urbana e Charlie Brown Jr. Lenine e Seu Jorge fizeram participações especiais, e os violões tiveram as adições do produtor Liminha e do ex-Charlie Brown Thiago Castanho.[9]

No dia 15 de abril de 2016, em um show em ManausDinho comentou a participação do músico Lenine no disco.

"Quando convidamos o Lenine, pensamos que ele fosse querer tocar nossas músicas mais complicadas. Mas foi exatamente o contrário, logo no nosso primeiro encontro ele pediu para cantar algumas das nossas canções mais populares", revelou Dinho, referindo-se a "Não olhe para trás" e "Tempo perdido", da Legião Urbana.

Em 2017, em plena turnê do álbum Acústico NYC, a banda preparou um show elétrico com set-list passando por todas as fases das três décadas de carreira, investiu em pirotecnia e arte visual nos telões, se apresentando na 7ª edição do Rock in Rio VII. A apresentação foi eleita o melhor show nacional do Rock in Rio VII.

No dia 25 de maio de 2018, a banda lançou em todas rádios do país, o single "Não Me Olhe Assim", primeiro single de trabalho do álbum Sonora, produzido por Lucas Silveira, vocalista e guitarrista da banda Fresno. Em junho do mesmo ano, a banda deu início à nova turnê, começando pelo Rio de Janeiro.

No dia 30 de março de 2022, a banda gravou o sexto álbum ao vivo e sétimo DVD da carreira, Capital Inicial 4.0, em comemoração aos 40 anos de carreira. Com uma plateia recheada de fãs de todo o Brasil e participações especiais, o espetáculo aconteceu na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro e contou com muita emoção e momentos marcantes. O show contou com as participações especiais de Ana GabrielaCarlinhos BrownPittySamuel Rosa e Vitor Kley.

Integrantes

Formação atual

Músicos de apoio

  • Robledo Silva: teclados, violão e vocal de apoio
  • Fabiano Carelli: guitarra, violão e vocal de apoio

Ex-integrantes

  • Bozo Barretti: teclados e vocal de apoio (1987 - 1992)
  • Murilo Lima: vocal (1993 - 1997)
  • Loro Jones: guitarra (1982 - 2001)

Discografia

Ver artigo principal: Discografia de Capital Inicial

Álbuns de estúdio




Biografia de Chris Tomlin

Chris Tomlin

 Christopher Dwayne Tomlin (nascido em 4 de maio de 1972)[1] é um premiado cantor americano de Música Cristã Contemporânea, líder de louvor e compositor de Grand Saline, Texas, Estados Unidos.[2] Suas canções mais conhecidas são " How Great Is Our God", "Good Good Father", "Jesus Messiah" e "Amazing Grace (My Chains Are Gone)", "Jesus", " God's Great Dance Floor".

Biografia

Tomlin nasceu em Grand Saline (TexasEUA) em 1972, filho de Connie e Donna Tomlin. Ele tem dois irmãos mais novos, Ryan e Cory. Chris Tomlin aprendeu como tocar violão ouvindo e praticando as músicas de Willie Nelson.

Tomlin escreveu sua primeira canção de adoração aos 14 anos. Ele planejou entrar para faculdade para estudar fisioterapia, porém ele diz que sentiu Deus o chamando para algo maior. Em meados dos anos 1990, Tomlin foi líder de adoração nas Conferências Dawson McAllister de Juventude, bem como em vários campos da igreja no Texas.

Tomlin frequentou a Tyler Junior College e a Texas A&M University. Depois da faculdade, Tomlin e sua banda desenvolveu um trabalho com o Harvest Ministry at The Woodlands United Methodist Church em The WoodlandsTexas no final dos anos 1990.

Em 1997, o jovem palestrante Louie Giglio perguntou se ele estaria interessado em trabalhar com a Passion Conferences. Tomlin está nesse movimento desde então.

Ele foi premiado como Melhor Vocalista Masculino em 2006, 2007 e 2008 no GMA Dove Awards. Ele também foi nomeado Artista do Ano em 2007 e 2008. Tomlin lançou seu quinto álbum de estúdio Hello Love dia 2 de setembro de 2008. Ele é um dos membros do Compassionart, uma instituição de caridade fundada por Martin Smith ex-membro da banda Delirious? e sua esposa, Anna.

Vida Pessoal

Chris Tomlin casou com Lauren Bricken em 9 de Novembro de 2010.

Em Maio de 2011, Tomlin anunciou que ele e Lauren estavam esperando seu primeiro filho. Ele anunciou, através do Twitter, que a filha do casal, Ashlyn Alexandra Tomlin, havia nascido em 22 de Setembro de 2011. O cantor usou mais uma vez o Twitter para apresentar a mais nova integrante da família: Madison Amore Tomlin, que havia nascido em 7 de Outubro de 2014.

Discografia

Álbuns de estúdio




História da Bossa Nova

 HISTÓRIA DA BOSSA NOVA

História da bossa nova

História da Bossa nova: Bossa Nova é um movimento da música popular brasileira do final dos anos 50 lançado por João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e jovens cantores e compositores de classe média da zona sul carioca, derivado do samba e com influência do jazz.

De início, o termo era apenas relativo a um novo modo de cantar e tocar samba naquela época, ou seja, a uma reformulação estética dentro do moderno samba carioca urbano. Com o passar dos anos, a Bossa Nova tornou-se um dos movimentos mais influentes da história da música popular brasileira, conhecido em todo o mundo. Um grande exemplo disso é a música Garota de Ipanema composta em 1962 por Vinícius de Moraes e Antônio Carlos Jobim. 

Origem da bossa nova

História da Bossa Nova
Nara Leão, Musa da Bossa Nova. By GlevumSunday

A palavra bossa apareceu pela primeira vez na década de 1930, em Coisas Nossas, samba do popular cantor Noel Rosa: O samba, a prontidão/e outras bossas,/são nossas coisas (…). A expressão bossa nova passou a ser utilizada também na década seguinte para aqueles sambas de breque, baseado no talento de improvisar paradas súbitas durante a música para encaixar falas.

Alguns críticos musicais destacam uma certa influência que a cultura americana do Pós-Guerra, de músicos como Stan Kenton, combinada ao impressionismo erudito, de Debussy e Ravel, teve na bossa nova, especialmente do cool jazz e bebop. Embora tenha pouca influência de música estrangeira como o Jazz, a Bossa Nova possui elementos de samba sincopado. Além disso, havia um fundamental inconformismo com o formato musical de época. Os cantores Dick Farney e Lúcio Alves, que fizeram sucesso nos anos da década de 1950 com um jeito suave e minimalista (em oposição a cantores de grande potência sonora) também são considerados influências positivas sobre os garotos que fizeram a Bossa Nova.

Um embrião do movimento, já na década de 1950, eram as reuniões casuais, frutos de encontros de um grupo de músicos da classe média carioca em apartamentos da zona sul, como o de Nara Leão, na Avenida Atlântica, em Copacabana. Nestes encontros, cada vez mais frequentes, a partir de 1957, um grupo se reunia para fazer e ouvir música. Dentre os participantes estavam novos compositores da música brasileira, como Billy Blanco, Carlos Lyra, Roberto Menescal e Sérgio Ricardo, entre outros. O grupo foi aumentando, abraçando também Chico Feitosa, João Gilberto, Luiz Carlos Vinhas, Ronaldo Bôscoli, entre outros.

Primeiro movimento musical brasileiro egresso das faculdades, já que os primeiros concertos foram realizados em âmbito universitário, pouco a pouco aquilo que se tornaria a bossa nova foi ocupando bares do circuito de Copacabana, no chamado Beco das Garrafas.

No final de 1957, numa destas apresentações, no Colégio Israelita-Brasileiro, teria havido a ideia de chamar o novo gênero – então apenas denominado de samba sessions, numa alusão à fusão entre samba e jazz, devido a um recado escrito num quadro-negro, provavelmente escrito por uma secretária do colégio, chamando as pessoas para uma apresentação de samba sessions por uma turma “bossa-nova”. No evento participaram Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Sylvia Telles, Roberto Menescal e Luiz Eça, onde foram anunciados como “(…) grupo bossa nova apresentando sambas modernos”.

Movimento que ficou associado ao crescimento urbano brasileiro – impulsionado pela fase desenvolvimentista da presidência de Juscelino Kubitschek (1955-1960) -, a bossa nova iniciou-se para muitos críticos quando foi lançado, em Agosto de 1958, um compacto simples do violonista baiano João Gilberto (considerado o papa do movimento), contendo as canções Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e Bim Bom (do próprio cantor).

Meses antes, João participara de Canção do Amor Demais, um álbum lançado em Maio daquele mesmo ano e exclusivamente dedicado às canções da iniciante dupla Tom/Vinicius, interpretado pela cantora carioca Elizeth Cardoso. De acordo com o escritor Ruy Castro (em seu livro Chega de saudade, de 1990), este LP não foi um sucesso imediato ao ser lançado, mas o disco pode ser considerado um dos marcos da bossa nova, não só por ter trazido algumas das mais clássicas composições do gênero – entre as quais, Luciana, Estrada Branca, Outra Vez e Chega de Saudade-, como também pela célebre batida do violão de João Gilberto, com seus acordes dissonantes e inspirados no jazz norte-americano – influência esta que daria argumentos aos críticos da bossa nova.

História da bossa nova
Vinicius de Moraes em 1970. foto: Ricardo Alfieri

Outras das características do movimento eram suas letras que, contrastando com os sucessos de até então, abordavam temáticas leves e descompromissadas – exemplo disto, Meditação, de Tom Jobim e Newton Mendonça. A forma de cantar também se diferenciava da que se tinha na época. Segundo o maestro Júlio Medaglia, “desenvolver-se-ia a prática do canto-falado ou do cantar baixinho, do texto bem pronunciado, do tom coloquial da narrativa musical, do acompanhamento e canto integrando-se mutuamente, em lugar da valorização da ‘grande voz'”.

Em 1959, era lançado o primeiro LP de João Gilberto, Chega de saudade, contendo a faixa-título – canção com cerca de 100 regravações feitas por artistas brasileiros e estrangeiros. A partir dali, a bossa nova era uma realidade. Além de João, parte do repertório clássico do movimento deve-se as parcerias de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Consta-se, segundo muitos afirmam, que o espírito bossa-novista já se encontrava na música que Jobim e Moraes fizeram, em 1956, para a peça Orfeu da Conceição, primeira parceria da dupla, que esteve perto de não acontecer, uma vez que Vinícius primeiro entrou em contato com Vadico, o famoso parceiro de Noel Rosa e ex-membro do Bando da Lua, para fazer a trilha sonora. É dessa peça, baseada na tragédia Grega Orfeu, uma das belas composições de Tom e Vinícius, “Se todos fossem iguais a você”, já prenunciando os elementos melódicos da Bossa Nova.

Além de Chega de saudade, os dois compuseram Garota de Ipanema, outra representativa canção da bossa nova, que se tornou a canção brasileira mais conhecida em todo o mundo, depois de Aquarela do Brasil (Ary Barroso), com mais de 169 gravações, entre as quais de Sarah Vaughan, Stan Getz, Frank Sinatra (com Tom Jobim), Ella Fitzgerald entre outros. É de Tom Jobim também, junto com Newton Mendonça, as canções Desafinado e Samba de uma Nota Só, dois dos primeiros clássicos do novo gênero musical brasileiro a serem gravados no mercado norte-americano a partir de 1960.

História da Bossa Nova
Sylvinha Telles, Dindi foi uma cantora brasileira e uma das intérpretes dos primórdios da bossa nova.

Em meados da década de 1960, o movimento apresentaria uma espécie de cisão ideológica, formada por Marcos Valle, Dori Caymmi, Edu Lobo e Francis Hime e estimulada pelo Centro Popular de Cultura da UNE. Inspirada em uma visão popular e nacionalista, este grupo fez uma crítica das influências do jazz norte-americano na bossa nova e propôs sua reaproximação com compositores de morro, como o sambistaZé Ketti. Um dos pilares da bossa, Carlos Lyra, aderiu a esta corrente, assim como Nara Leão, que promoveu parcerias com artistas do samba como Cartola e Nelson Cavaquinho e baião e xote nordestinos comoJoão do Vale. Nesta fase de releituras da bossa nova, foi lançado em 1966 o antológico LP “Os Afro-sambas”, de Vinicius de Moraes e Baden Powell.

Entre os artistas que se destacaram nesta segunda geração (1962-1966) da bossa nova estão Paulo Sérgio Valle, Edu Lobo, Marcos Vasconcelos, Dori Caymmi, Nelson Motta, Francis Hime, Wilson Simonal, entre outros…

Um dos maiores expoentes da bossa nova comporia um dos marcos do fim do movimento. Em 1965, Vinícius de Moraes compôs, com Edu Lobo, Arrastão. A canção seria defendida por Elis Regina no I Festival de Música Popular Brasileira (da extinta TV Excelsior), realizado no Guarujá naquele mesmo ano. Era o fim da bossa nova e o início do que se rotularia MPB, gênero difuso que abarcaria diversas tendências da música brasileira até o início da década de 1980 – época em que surgiu um pop rock nacional renovado.

A MPB nascia com artistas novatos, da segunda geração da bossa nova, como Geraldo Vandré, Edu Lobo e Chico Buarque de Holanda, que apareciam com frequência em festivais de música popular. Bem-sucedidos como artistas, eles tinham pouco ou quase nada de bossa nova. Vencedoras do II Festival de Música Popular Brasileira, realizado em São Paulo em 1966, Disparada, de Geraldo, e A Banda, de Chico, podem ser consideradas marcos desta ruptura e mutação da bossa em MPB.

História da Bossa nova: O legado 

O fim cronológico da bossa não significou a extinção estética do estilo. O movimento foi uma grande referência para gerações posteriores de artistas, do jazz (a partir do sucesso estrondoso da versão instrumental de Desafinado pela dupla Stan Getz e Charlie Byrd) a uma corrente pós punk britânica (de artistas como Style Council, Matt Bianco e Everything but the Girl).

No rock brasileiro, há de se destacar tanto a regravação da composição de Lobão, Me chama, pelo músico bossa-novista João Gilberto, em 1986, além da famosa música do cantor Cazuza composta por ele e outros músicos, Faz parte do meu show, gravada em 1988, com arranjos fortemente inspirados na Bossa Nova.

Seu legado é valioso, deixando várias joias da música nacional, dentre as quais Chega de Saudade, Garota de Ipanema, Desafinado, O barquinho, Eu Sei Que Vou Te Amar, Se Todos Fossem Iguais A Você, Águas de março, Outra Vez, Coisa mais linda, Corcovado, Insensatez, Maria Ninguém, Samba de uma nota só, O pato, Lobo Bobo, Saudade fez um Samba.












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