quarta-feira, 3 de agosto de 2022

DE RECORTES & RETALHOS

 

Musica e Som Nº 38 Concertos / Negócios 1978




POEMAS CANTADOS POR RUI VELOSO

Não Me Mintas

Rui Veloso


Eu queria unir as pedras desavindas

escoras do meu mundo movediço

aquelas duas pedras perfeitas e lindas

das quais eu nasci forte e inteiriço


Eu queria ter amarra nesse cais

para quando o mar ameaça a minha proa

e queria vencer todos os vendavais

que se erguem quando o diabo se assoa


(refrão)

tu querias perceber os pássaros

Voar como o jardel sobre os centrais

Saber por que dão seda os casulos

Mas isso já eram sonhos a mais


Conta-me os teus truques e fintas

Será que os Nikes fazem voar

Diz-me o que sabes não me mintas

ao menos em ti posso confiar


Agora diz-me agora o que aprendeste

De tanto saltar muros e fronteiras

Olha p'ra mim vê como cresceste

Com a força bruta das trepadeiras


Põe aqui a mão e sente o deserto

Tão cheio de culpas que não são minhas

E ainda que nada à volta bata certo

eu juro ganhar o jogo sem espinhas


(refrão)


Não percas o teu mistério

Rui Veloso


Não percas o teu mistério

Quem te avisa é teu amigo

Rega-o bem todos os dias

Que o viço esteja contigo


Dobra-o como quem dobra

Lençóis de linho lavados

É ele que nos vai valer

Quando estivermos cansados


Olha que mesmo a brincar eu digo

Coisas que são do foro mais sério

Ouve este teu desmesurado amigo

E não percas o teu mistério


Eu ouço a voz a clamar

Do vândalo que tenho em mim

Alguém que só pensa em roubar

Essa caixinha de marfim


Onde guardas o império

Cujo esplendor o arrasta

Ele quer todo o mistério

Porque o teu amor não basta


Olha que mesmo a brincar eu digo

Coisas que são do foro mais sério

Ouve este teu desmesurado amigo

E não percas o teu mistério


Não queiras saber de mim

Rui Veloso

 

Não queiras saber de mim

Esta noite não estou cá

Quando a tristeza bate

Pior do que eu não há

Fico fora de combate

Como se chegasse ao fim

Fico abaixo do tapete

Afundado no serrim


Não queiras saber de mim

Porque eu estou que não me entendo

Dança tu que eu fico assim

Hoje não me recomendo


Mas tu pões esse vestido

E voas até ao topo

E fumas do meu cigarro

E bebes do meu copo

Mas nem isso faz sentido

Só agrava o meu estado

Quanto mais brilha a tua luz

Mais eu fico apagado


Dança tu que eu fico assim

Porque eu estou que não me entendo

Não queiras saber de mim

Hoje não me recomendo


Amanhã eu sei já passa

Mas agora estou assim

Hoje perdi toda a graça

Não queiras saber de mim


Álbuns de Chris Cornell entre os mais vendidos após a sua morte

 

álbuns de chris cornell

Álbuns de Chris Cornell entre os mais vendidos após a sua morte

Em maio de 2017 fomos obrigados a dar uma notícia triste que não queríamos dar: o falecimento de Chris Cornell, um dos fundadores do movimento grunge e nome que se tornou icónico no Mundo da Música por dar voz a projetos musicais como os SoundgardenTemple of the Dog e Audioslave, além de uma carreira a solo bem sucedida.

No entanto, como se tem verificado nas últimas décadas, a morte de uma estrela é capaz de se repercutir de forma incrível por todo o mundo, gerando um efeito que por vezes até nos passa ao lado. Hoje, é sobre esse mesmo fenómeno que vamos falar.

Parece que se está a tornar regra: sempre que morre um músico muito acarinhado pelo público, as vendas e streams das suas músicas e álbuns mais populares disparam e catapultam rapidamente para os tops das tabelas.

As razões para o aumento de tais vendas variam, claro: os fãs mais devotos dos trabalhos de tais músicos querem ouvir as suas músicas favoritas uma vez mais numa tentativa de encontrar algum tipo de consolo nas palavras e voz de quem partiu; por outro lado, os fãs casuais ou aqueles que poderão nem sequer conhecer o trabalho do artista atrevem-se a fazer o investimento (seja através de tempo ou dinheiro) para entender o porquê de tamanha comoção.

Foi isto que aconteceu com Chris Cornell. O efeito que a morte do artista gerou nas redes sociais e nos media é de facto notável. Durante alguns dias após o falecimento do artista vimos notícias serem partilhadas no nosso feed, tributos em forma de texto ou de partilha de música e assistimos ainda à reviravolta infeliz quando surgiram notícias que davam conta de que o artista não tinha morrido por causas naturais, mas sim cometido suicídio.

No entanto, em termos de vendas da sua música, que diferenças se notaram? É isso mesmo que procuramos entender nos próximos parágrafos.

Álbuns de Chris Cornell entre os mais vendidos após a sua morte

Streaming

O número de streams da música de Chris Cornell subiu significativamente após a sua morte. Aliás, o número de streams continua a crescer de dia para dia!

Segundo a Nielsen Music (devidamente citada pela Billboard), as vendas e o número de streams da discografia de Chris Cornell cresceram cerca de 550% na semana após a sua morte. Pela altura em que este artigo era escrito, o crescimento já estava confirmado para 2093%.

O streaming está de facto a dominar o mercado e é nestas situações que assistimos ao verdadeiro impacto desta forma de se consumir música. Em plataformas de streaming como o Spotify, a Apple Music e a Pandora, a totalidade das músicas que Cornell gravou coletivamente ou a solo foram transmitidas cerca de 32,5 milhões de vezes.  De notar aqui que As escutas das canções dos Soundgarden subiram 980%, seguidos pelas dos Audioslave, que subiram 727%.

Um número gigantesco e que se torna mais significante ainda se pusermos a seu lado os números registados na semana anterior à notícia do falecimento. Nessa semana, as faixas eram reproduzidas cerca de 5 milhões de vezes: um número que, mesmo sendo bastante bom para um artista que não estava a promover novos trabalhos, mostra o crescimento que se deu após a sua morte.

Álbuns físicos

O físico não ficou indiferente a este fenómeno. Na mesma semana foram vendidos 38 mil álbuns de Chris Cornell (novamente, entre os quais os seus trabalhos coletivos), número esse que se traduz num ganho de cerca de 1700% nas vendas. Na semana anterior à sua morte, o número de vendas físicas estava estimado para 2 mil álbuns.

Música digital

DISCOS PERDIDOS

 

Loira sobre Loira


BLONDE ON BLONDE - " Contrasts " (Reino Unido 1969)
Formado em Newport (South Wales) em meados da década de 1960 sob o nome de Blonde on Blonde em homenagem ao álbum lançado em 1965 por Bob Dylan assim intitulado Contrasts foi o primeiro dos álbuns que o grupo gravou; um segundo trabalho Rebirth e outro mais recente Reflection On A Life completam a lista dos três álbuns que lançaram em pouco tempo; um recorde por ano.
Em Contrastes, tanto as guitarras elétricas quanto as acústicas e a inclusão da cítara em algumas músicas se destacam como instrumentação principal. Álbum essencial para todos os amantes da música pop e psicodélica. RALPH DENYER...guitarra e vocais - LES HICKS...percussão e bateria - RICHARD HOPKINS...baixo e teclados - GARETH JOHSON...guitarra




























                                                                                                              
                                                                      


Portada do terceiro LP "Reflection On A Life"
                          
Roda de fiar                                                                                                
                                                                           Adeus

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BLONDE ON BLONDE - "Rebirth" (1970)
Já aqui neste segundo trabalho dos anos setenta, a formação sofre uma modificação junto com o tom musical; nada como Contrasts, mais pesado, mais rock e menos psicodélico com a ausência de violões e mais destaque para o elétrico. O baterista Leslie Hicks e Gareth Johnson permanecem da formação anterior, enquanto Richard Hopkins e Ralph são substituídos por RICHARD JOHN no baixo e DAVE THOMAS na guitarra.   Círculos
                                                    
                                                                            
                                                                Você nunca vai me conhecer


                                                                       Perguntas sobre cores
                                                                      Castelos no céu

 LESLIE GARETH RICHARD JOHN DAVID THOMAS

terça-feira, 2 de agosto de 2022

FONES: soft punk marcante e intenso da América Latina

 

soft punk

FONES: soft punk marcante e intenso da América Latina

Guitarras timbradas flertando com o rock inglês e o garage rock, cozinha de presença e vozes suaves e melancólicas marcam a nova fase do FONES, banda de Sorocaba-SP que anunciou o seu retorno recentemente com a música “Tiros em Columbine“.

Com uma nova formação – agora com os integrantes Mauricio Barros (guitarra) e Gabriel Wiltembutg (bateria), além de Renan Pereyra (guitarra/voz) e Paulo Augusto (bateria) – o grupo tem se destacado pela sonoridade inédita, chamada por muitos de “soft punk”.

O grupo despontou em 2012, ainda com Jefferson Viteri na bateria, lançando o impactante EP Revólver. O trio ficou conhecido na época principalmente por sua ligação com o grunge e também pelas suas apresentações frenéticas, recebendo comparações a The Vines e Nirvana.

Um novo momento para a banda soft punk Fones

Neste novo momento, a banda abandona alguns velhos hábitos, mas continua determinada a fazer “música com espírito punk” e a conquistar novos fãs por conta da sua postura política em cima dos palcos – ou mesmo fora deles.

“Tiros em Columbine”, por exemplo, retrata “o avanço do pensamento fascista e critica todas as formas de opressão”. Inspirado no massacre de Columbine, que deu forma ao documentário Bowling For Columbine (Michael Moore), o single relembra a tragédia do Colorado (EUA) e também “muros de Berlim” – além da falta de amor e empatia pelo próximo.

“Existe um elo sobre toda essa onda de violência que nos cerca. O ápice da barbárie se encontra no discurso de figuras políticas repugnantes, que incitam o ódio contra as minorias a todo instante”, conta Pereyra.

Fones está em estúdio preparando um novo registo que tem “Tiros em Columbine” como carro-chefe. Ainda não se sabe exatamente se a banda lançará um full album ou um EP, mas o quarteto adianta que pretende trabalhar numa extensa tour pelo Brasil“Tiros em Columbine” foi gravada no Back Studio, em Sorocaba-SP, e a mixagem e masterização são assinadas pelo baterista Wiltemburg. A produção ficou por conta do próprio Fones, no bom e velho esquema do it yourself.

Ouça “Tiros em Columbine” abaixo e confira também o primeiro EP da banda, Revólver.


Destaque

Pip Pyle's Bash! - Belle Illusion (2004)

  E continuamos com mais Canterbury em mais um post curto e direto. Se o Soft Heap estava apenas nos dando as boas-vindas, com "Belle I...