quarta-feira, 3 de agosto de 2022
POEMAS CANTADOS POR RUI VELOSO
Não Me Mintas
Rui Veloso
Eu queria unir as pedras desavindas
escoras do meu mundo movediço
aquelas duas pedras perfeitas e lindas
das quais eu nasci forte e inteiriço
Eu queria ter amarra nesse cais
para quando o mar ameaça a minha proa
e queria vencer todos os vendavais
que se erguem quando o diabo se assoa
(refrão)
tu querias perceber os pássaros
Voar como o jardel sobre os centrais
Saber por que dão seda os casulos
Mas isso já eram sonhos a mais
Conta-me os teus truques e fintas
Será que os Nikes fazem voar
Diz-me o que sabes não me mintas
ao menos em ti posso confiar
Agora diz-me agora o que aprendeste
De tanto saltar muros e fronteiras
Olha p'ra mim vê como cresceste
Com a força bruta das trepadeiras
Põe aqui a mão e sente o deserto
Tão cheio de culpas que não são minhas
E ainda que nada à volta bata certo
eu juro ganhar o jogo sem espinhas
(refrão)
Não percas o teu mistério
Rui Veloso
Não percas o teu mistério
Quem te avisa é teu amigo
Rega-o bem todos os dias
Que o viço esteja contigo
Dobra-o como quem dobra
Lençóis de linho lavados
É ele que nos vai valer
Quando estivermos cansados
Olha que mesmo a brincar eu digo
Coisas que são do foro mais sério
Ouve este teu desmesurado amigo
E não percas o teu mistério
Eu ouço a voz a clamar
Do vândalo que tenho em mim
Alguém que só pensa em roubar
Essa caixinha de marfim
Onde guardas o império
Cujo esplendor o arrasta
Ele quer todo o mistério
Porque o teu amor não basta
Olha que mesmo a brincar eu digo
Coisas que são do foro mais sério
Ouve este teu desmesurado amigo
E não percas o teu mistério
Não queiras saber de mim
Rui Veloso
Não queiras saber de mim
Esta noite não estou cá
Quando a tristeza bate
Pior do que eu não há
Fico fora de combate
Como se chegasse ao fim
Fico abaixo do tapete
Afundado no serrim
Não queiras saber de mim
Porque eu estou que não me entendo
Dança tu que eu fico assim
Hoje não me recomendo
Mas tu pões esse vestido
E voas até ao topo
E fumas do meu cigarro
E bebes do meu copo
Mas nem isso faz sentido
Só agrava o meu estado
Quanto mais brilha a tua luz
Mais eu fico apagado
Dança tu que eu fico assim
Porque eu estou que não me entendo
Não queiras saber de mim
Hoje não me recomendo
Amanhã eu sei já passa
Mas agora estou assim
Hoje perdi toda a graça
Não queiras saber de mim
Álbuns de Chris Cornell entre os mais vendidos após a sua morte
Álbuns de Chris Cornell entre os mais vendidos após a sua morte
Em maio de 2017 fomos obrigados a dar uma notícia triste que não queríamos dar: o falecimento de Chris Cornell, um dos fundadores do movimento grunge e nome que se tornou icónico no Mundo da Música por dar voz a projetos musicais como os Soundgarden, Temple of the Dog e Audioslave, além de uma carreira a solo bem sucedida.
No entanto, como se tem verificado nas últimas décadas, a morte de uma estrela é capaz de se repercutir de forma incrível por todo o mundo, gerando um efeito que por vezes até nos passa ao lado. Hoje, é sobre esse mesmo fenómeno que vamos falar.
Parece que se está a tornar regra: sempre que morre um músico muito acarinhado pelo público, as vendas e streams das suas músicas e álbuns mais populares disparam e catapultam rapidamente para os tops das tabelas.
As razões para o aumento de tais vendas variam, claro: os fãs mais devotos dos trabalhos de tais músicos querem ouvir as suas músicas favoritas uma vez mais numa tentativa de encontrar algum tipo de consolo nas palavras e voz de quem partiu; por outro lado, os fãs casuais ou aqueles que poderão nem sequer conhecer o trabalho do artista atrevem-se a fazer o investimento (seja através de tempo ou dinheiro) para entender o porquê de tamanha comoção.
Foi isto que aconteceu com Chris Cornell. O efeito que a morte do artista gerou nas redes sociais e nos media é de facto notável. Durante alguns dias após o falecimento do artista vimos notícias serem partilhadas no nosso feed, tributos em forma de texto ou de partilha de música e assistimos ainda à reviravolta infeliz quando surgiram notícias que davam conta de que o artista não tinha morrido por causas naturais, mas sim cometido suicídio.
No entanto, em termos de vendas da sua música, que diferenças se notaram? É isso mesmo que procuramos entender nos próximos parágrafos.
Álbuns de Chris Cornell entre os mais vendidos após a sua morte
Streaming

O número de streams da música de Chris Cornell subiu significativamente após a sua morte. Aliás, o número de streams continua a crescer de dia para dia!
Segundo a Nielsen Music (devidamente citada pela Billboard), as vendas e o número de streams da discografia de Chris Cornell cresceram cerca de 550% na semana após a sua morte. Pela altura em que este artigo era escrito, o crescimento já estava confirmado para 2093%.
O streaming está de facto a dominar o mercado e é nestas situações que assistimos ao verdadeiro impacto desta forma de se consumir música. Em plataformas de streaming como o Spotify, a Apple Music e a Pandora, a totalidade das músicas que Cornell gravou coletivamente ou a solo foram transmitidas cerca de 32,5 milhões de vezes. De notar aqui que As escutas das canções dos Soundgarden subiram 980%, seguidos pelas dos Audioslave, que subiram 727%.
Um número gigantesco e que se torna mais significante ainda se pusermos a seu lado os números registados na semana anterior à notícia do falecimento. Nessa semana, as faixas eram reproduzidas cerca de 5 milhões de vezes: um número que, mesmo sendo bastante bom para um artista que não estava a promover novos trabalhos, mostra o crescimento que se deu após a sua morte.
Álbuns físicos

O físico não ficou indiferente a este fenómeno. Na mesma semana foram vendidos 38 mil álbuns de Chris Cornell (novamente, entre os quais os seus trabalhos coletivos), número esse que se traduz num ganho de cerca de 1700% nas vendas. Na semana anterior à sua morte, o número de vendas físicas estava estimado para 2 mil álbuns.
Música digital

DISCOS PERDIDOS
Loira sobre Loira
![]() |
| BLONDE ON BLONDE - " Contrasts " (Reino Unido 1969) |
Em Contrastes, tanto as guitarras elétricas quanto as acústicas e a inclusão da cítara em algumas músicas se destacam como instrumentação principal. Álbum essencial para todos os amantes da música pop e psicodélica. RALPH DENYER...guitarra e vocais - LES HICKS...percussão e bateria - RICHARD HOPKINS...baixo e teclados - GARETH JOHSON...guitarra
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Adeus
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| BLONDE ON BLONDE - "Rebirth" (1970) |
Você nunca vai me conhecer
Perguntas sobre cores
Castelos no céu
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| LESLIE GARETH RICHARD JOHN DAVID THOMAS |
terça-feira, 2 de agosto de 2022
FONES: soft punk marcante e intenso da América Latina
FONES: soft punk marcante e intenso da América Latina
Guitarras timbradas flertando com o rock inglês e o garage rock, cozinha de presença e vozes suaves e melancólicas marcam a nova fase do FONES, banda de Sorocaba-SP que anunciou o seu retorno recentemente com a música “Tiros em Columbine“.
Com uma nova formação – agora com os integrantes Mauricio Barros (guitarra) e Gabriel Wiltembutg (bateria), além de Renan Pereyra (guitarra/voz) e Paulo Augusto (bateria) – o grupo tem se destacado pela sonoridade inédita, chamada por muitos de “soft punk”.
O grupo despontou em 2012, ainda com Jefferson Viteri na bateria, lançando o impactante EP Revólver. O trio ficou conhecido na época principalmente por sua ligação com o grunge e também pelas suas apresentações frenéticas, recebendo comparações a The Vines e Nirvana.
Um novo momento para a banda soft punk Fones

Neste novo momento, a banda abandona alguns velhos hábitos, mas continua determinada a fazer “música com espírito punk” e a conquistar novos fãs por conta da sua postura política em cima dos palcos – ou mesmo fora deles.
“Tiros em Columbine”, por exemplo, retrata “o avanço do pensamento fascista e critica todas as formas de opressão”. Inspirado no massacre de Columbine, que deu forma ao documentário Bowling For Columbine (Michael Moore), o single relembra a tragédia do Colorado (EUA) e também “muros de Berlim” – além da falta de amor e empatia pelo próximo.
“Existe um elo sobre toda essa onda de violência que nos cerca. O ápice da barbárie se encontra no discurso de figuras políticas repugnantes, que incitam o ódio contra as minorias a todo instante”, conta Pereyra.
O Fones está em estúdio preparando um novo registo que tem “Tiros em Columbine” como carro-chefe. Ainda não se sabe exatamente se a banda lançará um full album ou um EP, mas o quarteto adianta que pretende trabalhar numa extensa tour pelo Brasil. “Tiros em Columbine” foi gravada no Back Studio, em Sorocaba-SP, e a mixagem e masterização são assinadas pelo baterista Wiltemburg. A produção ficou por conta do próprio Fones, no bom e velho esquema do it yourself.
Ouça “Tiros em Columbine” abaixo e confira também o primeiro EP da banda, Revólver.
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