sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Disco Inmortal: King Crimson – In the Court of the Crimson King (1969)

 Disco Imortal: King Crimson - Na Corte do Rei Carmesim (1969)

Island Records/Atlantic Records/EG Records, 1969

Em 1969, o álbum “In the Court of the Crimson King” foi lançado. Que é composto por apenas cinco músicas, que, apesar de seu pequeno número, renderam ao álbum o distintivo imortal de "o primeiro álbum progressivo da história do rock". Título discutível, mas ficará para outra ocasião. O que nos interessa aqui é revelar a importância e influência deste álbum ao longo dos anos e quais são as suas principais virtudes.

Vamos nos situar no contexto, em 1969, a psicodelia estava quase em seu apogeu, encarnada principalmente com os Rolling Stones do lado britânico e do lado americano Jimi Hendrix fez sua guitarra queimar, junto com o altamente inspirado Jefferson Airplane. O Led Zeppelin flertou com o blues assim como o Cream, apesar de compartilhar esse caso de amor com a psicodelia. ITCOTCK abre fogo com '21st Century Schizoid Man'. Uma mistura tremendamente bem conseguida de hard rock intercalada com toques muito jazzísticos em sua parte instrumental. Quase como se a banda estivesse pedindo paciência para o que viria a seguir.

O álbum continua com uma notável queda de decibéis encarnada na música "I Talk to the Wind" a harmonia alcançada com as frases da flauta e do órgão se confundem com a conversa entre dois homens que se consultam e se revelam. Entrega realmente notável e diametralmente oposta à primeira faixa, mas não é por isso que é negativa, pelo contrário, a mudança de ritmo entre uma música e outra não produz o choque que pode ser pensado por quem gosta de um corte um pouco mais pesado e reivindica que um álbum continua no mesmo caminho até chegar ao fim. Ao contrário, '21st...', é a exceção em um álbum carregado de melancolia e misturas sonoras entre rock, jazz, psicodelia, etc.

'I Talk to the Wind' é o prelúdio mais polido -talvez- do ponto mais alto do álbum: 'Epitaph'. Se a faixa anterior enche os ouvidos de belas harmonias, Epitaph traz à tona o melhor da simplicidade traduzida em uma imensa tristeza causada por suas letras, que são bastante trágicas, assim como os acompanhamentos de violino que criam uma atmosfera carregada de melancolia e tristeza. Esta música é a mais pura demonstração de que para fazer música da melhor qualidade não é preciso recorrer à vertigem e a grandes e eternos solos virtuosos, é um recurso válido, mas hoje não é o caso. Enorme sentido nostálgico evoca o hard sense da música, metaforicamente chamando o fim dos conflitos bélicos que ocorriam naquela época,

O álbum continua seu curso com “Moonchild”, uma entrega muito metafórica e bonita de três minutos e uma fração que se torna uma tremenda improvisação dos membros da banda. A improvisação dura cerca de sete minutos.

O álbum fecha com a faixa-título 'In the Court of the Crimson King'. Mais uma excelente entrega de nove minutos, tremenda e tremendamente orquestrada, uma grande demonstração de como fechar uma grande produção. Os conceitos musicais são curtos para tal entrega, suas letras, o sentido metafórico do rei carmesim, a busca pela música clássica misturada com o rock acabam nos dando um broche mais que dourado: a sensação de que realmente com este álbum uma nova faceta está aberto para futuros que foram abraçados por bandas como Yes e Pink Floyd -elevando o progressivo a níveis impensáveis-.

King crimson passou por várias formações, estranhamentos, tempos limite, membros diferentes, etc. Mas, apesar de tudo, seu único elemento constante tem nome e sobrenome: Robert Fripp. Homem responsável por imprimir seu próprio selo - e tremendamente virtuoso - na hora de encarar as seis cordas e criar música.

A banda, em suas próprias palavras, não é uma banda como tal, mas é sua própria maneira de ver a música de acordo com seu estado de espírito e, acima de tudo, seu momento ao longo de sua vida. O King Crimson não é uma banda como tal, mas sim uma experiência e acumulação de vida, nas mãos do seu homem mais importante.

Hoje ele volta para nos dar mais do seu talento, reunido sob outro nome, mas com vários membros dos mais importantes que se alinharam com KC, mas sempre dentro da corte do rei carmesim.


Universo do Vinil

 

1967

Uau!! O tempo voa… Quase nem percebemos o quanto rápido viajamos nessa máquina até quando chegamos à certo ponto e tomamos aquele susto. O que dizer então de um tempo um tanto maior, estou falando de um tempo mais longo que a minha própria existência, meia década?

Quando chegamos a essa idade não temos pressa, é como se quiséssemos desacelerar essa “máquina” implacável do tempo. Mas, por outro lado, tenho sentido uma certa vontade de chegar aos 50, afinal, é uma idade marcante, bastante simbólica, histórica, pois não é para qualquer um completar esse grande ciclo.

Bom, mas não estou aqui para falar de mim, não especificamente, mas de alguns discos que chegaram, ou estão chegando, aos seus aniversários de 50 anos de lançamento. Alguns poucos, os meus preferidos, aqueles que de alguma forma, em algum momento, entraram na “trilha sonora” da minha vida.

Não foi à toa essa ideia, não por acaso, mas especificamente por duas razões. A primeira foi algo que me incomodou há alguns dias e me fez pensar a respeito; a outra começou no final do ano passado, mas que por algumas razões, foi protelada.

Há poucos dias muito se falou sobre o álbum “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles, e desde janeiro que também se comenta bastante sobre o primeiro disco do The Doors, ambos aniversariantes, e este último inclusive ganhou um relançamento digno de seu valor, um box com um Lp e três Cds.

No entanto, é o disco dos Beatles que é considerado, por muitos, o melhor daquele ano, e vai além, pois há quem o considere também um marco na história do rock, chegam a dizer que “mudou o mundo”. Nossa!! Isso é algo tão grandioso se levarmos em consideração os fatos que geraram tal transformação.

 

Escute nosso podcast do Programa Conversa de Vinil: 1967 – 50 anos!

 

Eu não estava lá naquele ano, nem senti as mudanças nos anos seguintes, então fica difícil perceber essa “força”. Porém, sei que os Beatles “mudaram o mundo”, causaram uma revolução na música e na juventude, isso é fato, mas foi esse disco o responsável? Isso me intriga, sobretudo porque também gosto muito da banda, tenho a maioria dos seus discos, e não o coloco como melhor do grupo, embora seja excelente. Já a arte da capa sim, essa é espetacular, a melhor e mais marcante de toda a carreira do Beatles.

Vamos então voltar a 1967, analisar apenas aquele ano. Foram doze meses de uma explosão criativa que atingiu vários cantos do mundo, uma avalanche musical. Naquela época o mundo era “maior”, as distancias enormes, e os impactos desses lançamentos demoravam um pouco a atingir todos os cantos do planeta.

Os Beatles e os Stones já faziam sucesso, eram de grandes gravadoras e tinham distribuição mundial, então era muito mais fácil serem vistos, e os holofotes da mídia estavam mirados naqueles que o mundo adotou, não mostravam o nascimento de tantos outros artistas e álbuns que foram e seriam tão relevantes quanto aqueles, a exemplo do surgimento, na América, dos Doors, com seu estupendo primeiro álbum, e ainda, senão tão impactante, mas tão importante, o“The Piper at the Gates of Dawn”, do Pink Floyd, que por extrema coincidência foi gravado durante o mesmo período e no mesmo estúdio que o “Sgt Peppers…”. Dizem, inclusive, que os músicos “espionavam-se” nas salas vizinhas.

E a chegada de Jimi Hendrix? Ah! Isso sim mudou o mundo!
Era tanta fertilidade que Jimi lançou logo dois petardos, “Are you experienced?” “Axis: Bold as Love”. Dois discos inovadores de um músico excepcional que viria a ser considerado o maior de todos, quase por unanimidade.

Disputando o frenesi com os Beatles, quase num mesmo patamar de gloria, estavam os Rolling Stones. Os Stones foram ainda mais ousados ao lançar três discos naquele ano, um deles, a meu ver, excelente:”Flowers”.

Poderia ainda lembrar de vários outros que são pouco conhecidos, embora sejam também excelentes, pena não terem sido divulgados para atingirem o lugar merecido. O Buffalo Springfield lançou “Again”, um belo disco; o Cream, o grande power trio inglês explodiu com “Disraeli Gears”; e também o “Surrealistic Pillow”, do Jefferson Airplane“Forever Changes”, do Love, bandas que bebiam do acid rock; além dos primeiros discos do Ten Years After e do Velvet Underground, esse último, também estupendo.

Bom, se eu tivesse que escolher um período, ou uma década, como o mais criativo, inovador e melhor da música, seria justamente entre 1967 e 1977. Alguns até consideram o ano de 67 como o mais importante, não sei, mas foi, sem dúvida, muito fértil e inesquecível. Lembrá-lo e comemorá-lo é uma delícia, é voltar no tempo sem sentir o quão distante ele está. Viajar por 50 anos de música da mais alta qualidade é um prazer imenso.

Sinto por aqueles que só conseguem enxergar e ouvir o saudoso “Sgt. Peppers…”, pois há muito mais, muito mais cores e sabores a serem explorados, salgados e doces a serem degustados nessa grande festa

Ouvir músicas atuais da Cantora Capicua


Capicua é Ana Matos Fernandes. Nasceu na freguesia de Cedofeita, cidade do Porto, no ano em que Michael Jackson muda o mundo com “Thriller” e Gabriel García Márquez ganha o Nobel da Literatura pelo “Cem anos de solidão”. Cresce a gostar de rimas e de palavras ditas ao contrário, da “Canção de Embalar” do Zeca e de ouvir o Pai a dizer os poemas dos outros. Com 15 descobre o Hip Hop, primeiro pelos desenhos nas paredes, depois pelas rimas em cassetes, até chegar aos microfones


Capicua Mão Pesada

Capicua Mão Pesada (2014)




Capicua Sereia Louca

Capicua Sereia Louca (2014)




Capicua Maria Capaz

Capicua Maria Capaz (2012)




 

Discos raros de Frank Zappa celebram o Génio de um Pioneiro Musical

 

frank zappa

Discos raros de Frank Zappa celebram o Génio de um Pioneiro Musical

Duas dezenas de gravações raras e limitadas de Frank Zappa serão disponibilizadas em todo o mundo, depois do acordo estabelecido entre o Zappa Family Trust e a Universal Music para a distribuição dos seus discos. Estes discos serão lançados digitalmente.

Aproveitando este lançamento essencial para os fãs de Frank Zappa – que podem agora disfrutar da oportunidade de ouvir de novo os temas do artista, em versões remasterizadas – decidimos que seria pertinente recordar a vida do artista e do legado que deixou ao mundo da música.

Para a história da música, Frank Zappa será sempre relembrado como um dos mais controversos e geniais músicos de sempre. O pioneirismo e a visão de vanguarda de Zappa fizeram dele uma figura pioneira no rock ao ponto de ser impossível imaginar o género sem o contributo que nos deu através da sua guitarra.

Nascido a 21 de dezembro de 1940, Frank Vincent Zappa viveu na Califórnia e nutriu desde a sua infância um interesse especial pela música. Deixando a faculdade antes de terminar os estudos, começa a encarar o modelo tradicional de ensino com algum desdém e a dedicar maior tempo à sua maior paixão: a música. Esta, no entanto, era uma relação algo amarga já que não era especialmente fácil ter sucesso profissional neste meio.

No entanto, o sonho persiste e continuando a procurar ofertas de emprego, consegue assinar um acordo para compor a banda sonora do filme Run Home Slow. Este foi o trabalho que lhe permitiu dedicar-se ao seu sonho a tempo inteiro, montando o seu próprio estúdio e  especializando-se em gravações. Entretanto, casa-se com Gail Zappa e participa no programa televisivo The Steve Allen Show, em 1963, onde usa uma bicicleta como instrumento musical.



Não muito depois é convidado para integrar o The Soul Giants e em pouco tempo torna-se líder da banda, compondo as músicas originais tocadas pelo grupo. A banda é ainda batizada com um novo nome nome, The Mothers, pouco antes de começarem a atuar em pequenos bares locais. Estas atuações, que lhes permitiram dar-se a conhecer ao mundo, foram a oportunidade ideal para que um produtor da MGM Records os encontrasse e lhes oferecesse um contrato.

A estreia oficial da banda acontece com o álbum Freak Out, onde Frank Zappa apresenta as características mais vincadas do seu estilo musical. O segundo trabalho, Absolutely Free, conquistou de vez a Europa com as suas críticas e a ironia latente nas letras enquanto os Estados Unidos se mantinham mais relutantes em aplaudir um trabalho repleto de um humor tão crítico como o de Zappa. No entanto, mesmo que a atenção dos fãs não correspondesse ao desejado, a banda de Frank Zappa começa a receber cada vez mais contratos para atuações.

Em 1969, o músico inaugura a sua própria editora, a Bizarre Records – que contrata Alice Cooper -, e o Mothers Of Invention desfaz-se apenas para voltar pouco depois. Neste período intermédio, grava um de seus maiores clássicos, Hot Rats, ao lado de  lado de Ian Underwood. O regresso da banda dá-se então, agora apenas chamada de Mothers novamente, com outra formação e Frank Zappa produz mais alguns trabalhos até que vende a Bizarre Records à Warner. O fim definitivo da Mothers é confirmado.

Em meados dos anos 70, Zappa uma nova banda juntando os melhores músicos que já tinham trabalhado consigo e grava então Over Nite Sensation, um dos seus maiores sucessos. Tranca-se então no estúdio para compor sem parar, saindo de lá apenas para se apresentar durante curtos períodos. Consegue totalizar 5 álbuns que entrega de uma só vez para a Warner, cumprindo o seu contrato e montando novamente uma editora com nome próprio.

Relança seu catálogo da Bizarre Records em 1987 e interrompe a tour iniciado no ano seguinte, alegando fortes dores. Candidata-se ao cargo de presidente nas eleições norte-americanas e lança sua biografia, The Reel Frank Zappa Book, em 1989.


Após assinar um contrato em que permite que toda sua discografia seja transformada em CD, Zappa anuncia publicamente que sofre de cancro na próstata. O músico faleceu no dia 4 de Dezembro de 1993, em sua casa na Califórnia, deixando a mulher Gail Zappa e quatro filhos.

Grande parte do trabalho de Frank Zappa está agora prestes a chegar de novo ao mercado. Entre os álbuns que agora serão editados conta-se Dance Me This, 100.º lançamento de Zappa, ou o muito celebrado disco ao vivo Roxy by Proxy, que nunca tinha sido disponibilizado para download, sendo que ambos nunca estiveram até então disponíveis em streaming.

Esta coleção inclui alguns títulos prediletos da grande base de fãs de Zappa, bem como alguns discos vencedores de prémios Grammy que saíram originalmente por editoras independentes, como a Barkin Pumpkin, Vaulternative Records e Zappa Records, compreendendo mais de 20 anos de lançamentos, recuando-se até Civilization Phaze III, lançado postumamente, em 1994.

“Ao longo de mais de duas décadas o único local onde era possível aceder a álbuns exclusivos de Frank Zappa era através da nossa conta de e-mail ou do website. Estamos muito entusiasmados por podermos disponibilizar estes títulos a fãs espalhados por todo o mundo, com a ajuda dos nossos amigos da Universal”, diz Ahmet Zappa.

Os álbuns que agora serão disponibilizados nas lojas de todo o mundo, nas plataformas digitais e serviços de streaming incluem uma coleção diversa de lançamentos, até então com uma edição limitada, compostos por concertos ao vivo, gravações de ensaios, tesouros vindos do arquivo extenso e extraordinário de Zappa, documentários áudio, gravações de arquivo, a célebre série “Corsaga” e outros discos muito entusiasmantes.

Estes lançamentos abrangem toda a carreira de Zappa, desde as primeiras gravações com os Mothers of Invention até às últimas composições e projetos em que o músico trabalhou.

Destaque

Buttercup - Baby Love Affair (LP South Africa 1975)

Buttercup - Baby Love Affair  (LP Emi / Brigadiers LSS 42 - 1975)  Members:  Lefty Damelis – vocals  Stephen Swann – Lead Guitar  Philip Col...