sábado, 6 de agosto de 2022

Universo do Vinil

 

Frequentar lojas de discos? Isso é bacana! Podes crer!

Nos anos anteriores ao início do Séc XXI, frequentar lojas de discos era o maior barato. As pessoas não iam apenas para ver as novidades em matéria de álbuns, mas também iam para jogar conversa fora, faziam ponto de encontro entre amigos e falavam de música, falavam muito de música! Era o point de muitas gerações, principalmente nos finais da tarde e sábados pela manhã.

Quem viveu isso sabe o sentimento que refere esse parágrafo acima. Era a magia da música em um de seus templos: as lojas de discos!

Dos anos 2000 em diante essas lojas começaram a fechar em decorrência da crise que a entrada da música digital criou no mercado fonográfico. Houve uma troca na matriz do formato de compra ou aquisição da melodia gravada. Dos discos de vinil para os CDs e depois dos CDs para os downloads ilegais de arquivos musicais ou a pirataria dos álbuns em Compact Disc graváveis. Ninguém precisava mais sair de casa para obter o som que queria, bastava um computador ou estar em qualquer lugar nas ruas para que alguém ofertasse um disco pirata.

Sabemos que a fita K7 já era pirateada e até com o vinil haviam casos, mas o montante não chegava a incomodar a indústria fonográfica e muito menos lojistas.

O fato é que essa pirataria digital trouxe enormes prejuízos para a indústria e o comércio de discos. Selos e gravadoras faliram e incontáveis lojas fecharam a ponto de quase extinguirem este tipo de comércio. Famílias e mais famílias perderam seu ganha pão, seja como o proprietário da loja, sejam os empregados. Praticamente um modelo de comércio de muitos e muitos anos passava a sumir de cena.

Muitos vão dizer que isso faz parte da evolução da economia e da troca natural da tecnologia com os avanços das novas descobertas e a implantação de novas formas de trabalho. Obviamente, isso é normal! Aconteceu com o sistema financeiro quando os softwares e máquinas computacionais passaram a fazer o trabalho que um humano exercia, com as fábricas em geral com a entrada da robótica e vários e vários outros exemplos. Porém, com a música o ocorrido foi diferente, pois o que foi inventado para trazer mais lucro e consequentemente melhorar a cadeia econômica e do trabalho para a indústria fonográfica acabou dizimando com ela mesma – não foi uma mudança no formato, como foi com os bancos, por exemplo, mas quase o seu fim!

Não foram somente perdas de postos de trabalho, foi o fechamento quase integral de todo um sistema cultural e econômico. Lojas fechavam, fábricas idem, gravadoras faliam, artistas perdiam uma forma de ganhar dinheiro, empregados eram demitidos e os fãs dos discos perdiam seus locais de encontro…

Como consequência disso, apenas as gravadoras mais ricas conseguiram sobreviver. Hoje temos apenas 3 grandes gravadoras no mundo todo (Sony, Universal e Warner) e nomes importantes deste cenário foram fundidos nestas 3 grandes por aquisição ou, simplesmente, faliram e sumiram do mapa. Sem contar as gravadoras locais que praticamente tiveram seu modelo de negócios inviável. Imaginem as lojas?

Porém, isso tudo hoje é história! Certo que é uma história para não repetirmos e aprendermos com ela, contudo, marcou para sempre a venda de música e as pessoas envolvidas!

Todavia, dizem que o mundo dá voltas e, neste caso, vem dando mesmo! O que era para ter desaparecido, paradoxalmente, é quem está salvando essa economia da música: os discos de vinil!

O aumento das vendas e, logicamente de consumidores, criou um clima propício para o ressurgimento do comércio varejista de discos ou o incremento daqueles pouquíssimos sobreviventes. Isso vem gerando maior abertura de postos de trabalho e a melhoria na forma que se compreende a música. As pessoas estão voltando a “bater ponto” nestes empreendimentos comerciais e o papo sobre som vem voltando paulatinamente a um dos seus templos: as lojas!

E qual a razão disso ser importante?

Com as músicas voltadas eminentemente para o individual (os MP3 players e o streaming), o contato tête-à-tête com outros amantes das melodias praticamente tinha sido jogado para outros locais (alguns já eram usados antes, como as mesas de bar, por exemplo) e diminuída a sua discussão entre os indivíduos e, por isso, sua função social passou a sofrer algumas modificações.

Não vamos entrar aqui na sociologia da música, mas é importante  rapidamente compreendermos o que é a função social e o que gera nas pessoas: “a atividade coletiva permite ao indivíduo interpretar os diversos significados da música de maneira independente e individual, sem com isso afetar a integridade do fazer musical coletivo. E, é claro, ao reforçar a identidade social, reforça-se também a identidade individual. (ILARI, 2007). Ou seja, falar de música é importante, colocar seu ponto de vista, idem, pois, isso tudo gera conhecimentos que vão moldando e recriando a forma como pensamos a música e como ela nos dá identidade.

Sem as lojas ficamos muito à mercê do que recebemos como informação sem a possibilidade do diálogo (os noticiários por exemplo e no formato de hoje, os editores dos serviços de streaming). Não há interação para a troca de ideias. O que é dito é apenas avaliado por aquele que recebe a informação sem a mínima possibilidade de dar seu retorno.

Não que as lojas resolvem este problema da possibilidade ou impossibilidade do diálogo, mas elas amenizam. Elas ajudam a disseminar o encontro entre pessoas no assunto específico que é a música!

É óbvio que um MP3 player recheado de músicas é bom, um celular com um serviço de streaming na ponta do dedo, idem. Não queremos tirar essa praticidade da vida, apenas queremos mostrar que ao frequentar uma loja de discos nós estamos ajudando a disseminar a música a partir do diálogo e da troca de informações entre pessoas que gostam deste assunto.

Nos dias de hoje para solucionar a falta do diálogo, as tentativas estão nos blogs, nas publicações das playlists dos usuários nos serviços de streaming e nas redes sociais, porém, estes formatos estão numa agulha no palheiro que é a Internet. Até você achar aquele que te representa e, assim, poder trocar uma ideia via chat, nos fóruns de discussão ou respondendo os posts, é difícil. Numa loja de discos, você já encontra interlocutores na hora, no exato momento que chega à ela, nem que sejam os funcionários e/ou o proprietário. É um papo que flui, que adentra horas e horas.

E para quem gosta do comércio digital, as lojas virtuais estão aí firmes e fortes e com certeza, pela experiência que temos, seus proprietários e funcionários estão atentos às suas trocas de mensagens. Ou seja, na loja  física ou na loja virtual você será ouvido! E isso é muito importante e faz com que seu ponto de vista seja levado em conta, tanto é que muitas destas lojas trabalham com serviços de encomendas para agradar seus frequentadores. No streaming isso não é possível – uma pessoa não consegue solicitar um determinado álbum e no download de MP3 você sabe como fazer, apenas solicitamos que não haja ilegalmente… E também acrescentamos as feiras de discos e os sebos – ambos locais que são essenciais para falarmos do nosso assunto predileto: os discos e suas músicas!

Usando uma expressão da época áurea das lojas de discos, frequentar um local destes é o “supra sumo” da troca de ideias, do conhecer, do dialogar e do trato aconchegante envolto em discos e mais discos, sem contar que ajuda a gerar riqueza e aumentar a oferta de postos de trabalho…

Falamos isso tudo para mostrar o quanto é legal frequentar uma loja de discos e como ela é importante para disseminar a boa música e até mesmo fazer novas amizades. Os “das antigas” sabem disso e, com certeza, vão se familiarizar com esta Conversa de Vinil de hoje.

Vida longa aos discos de vinil e às suas lojas!

2017: o ano em que Drake bateu o recorde de Adele no Billboard Music Awards

 


2017: o ano em que Drake bateu o recorde de Adele no Billboard Music Awards

O nome de Drake tem-se consolidado no Mundo da Música e o ano de 2017 foi a prova de que o talento do artista não tem fim. Natural do Canadá, Drake estreou-se nas artes performativas na série televisiva Degrassi: The Next Generation. Ainda assim, mesmo tendo participado em mais de 130 episódios, o sucesso pelo qual veio a ser conhecido em todo o mundo foi mesmo aquele que alcançou com a sua música.

O caminho que percorreu desde que lançou a sua primeira mixtape em 2006 é digno de nota. Nesse ano lança For Improvement, pela gravadora All Things Fresh, sucedida no ano seguinte por Comeback Season e, por fim, So Far Gone, em 2009. A evolução musical era notável de mixtape para mixtape, tal como a atenção que ia chamado. Não é por acaso que a mixtape contém participações de rappers como Lil Wayne e Bun B.

O primeiro álbum de estúdio marca uma nova fase da sua carreira em 2010, quando Thank Me Later chega às lojas e nos apresenta os singles Over e Find Your Love, trazendo também colaborações de rappers como Jay-Z e Lil Wayne. Se foi aplaudido pelo seu primeiro álbum, mais aplausos recebeu quando o álbum Take Care chega em 2011 e lhe vale o Grammy de melhor álbum de rap.

Nothing Was The Same, o terceiro álbum de estúdio, chega dois anos depois mas rapidamente é abaraçado pelo público. Os singles Started from the Bottom e Hold On, We’re Going Home marcam a carreira do autor. Em fevereiro de 2015 lança a sua quarta mixtape, If You’re Reading This It’s Too Late. O projeto foi primeiramente classificado como o quarto álbum de estúdio de Drake, mas o próprio rapper afirmou numa entrevista que o projeto era apenas uma mixtape e que o seu quarto álbum de estúdio só seria lançado em 2016.


Domínio total de Drake nos Billboard Music Awards

E assim foi. Em 2016, Views chega ao mercado com os singles Hotline Bling, One Dance, Pop Style, Controlla e Too Good, tornando-se em poucas semanas no álbum mais vendido da carreira de Drake. A confirmação deste sucesso foi ainda reconhecida durante a cerimónia dos Billboard Music Awards, na qual foi distinguido com 13 vitórias, superando o recorde que Adele mantinha desde 2012.

Drake, que venceu nas categorias melhor artista, melhor artista homem e melhor álbum de rap por Views, depois posou para fotógrafos rodeado por seus troféus em formato de microfone.

A cerimónia de três horas – apresentada pelo artista de hip-hop Ludacris e pela protagonista do filme High School Musical, Vanessa Hudgens – contou ainda com apresentações de Miley Cyrus, Chainsmokers, Nicki Minaj e Imagine Dragons.

Beyonce e Twenty One Pilots ganharam cada um cinco prémios, embora estivessem ausentes da cerimónia. A banda Chainsmokers levou quatro, incluindo melhor colaboração e melhor música “Hot 100” por “Closer” com Halsey.

Tens o Skill. Mas já ouviste Skills And The Bunny Crew?

 

Tens o Skill. Mas já ouviste Skills And The Bunny Crew?


Parece que foi ontem que estes quatro nababos que ‘curtem o róque’ se juntaram para umas patifarias musicais ao estilo Rage meets Cypress Hill meets Buckley greets Red Hot. Na verdade, o ontem já conta um decénio, meus caros.

Quem são os Skills And The Bunny Crew e porque é que ainda não encheram Coliseus ou tocaram em festivais de ponta lá fora?

A “cena começou” como que… não é preciso dizer muita coisa porque quase todas as bandas – ou 99% das bandas, playlistadas ou não – começaram da mesma forma: uma “cena” e uma “brincadeira” normalmente estão lá na primeira chapa de grupo, na primeira jola durante-ensaio, no segundo prego… #fazparte

Alfredo Costa dá o seu aka à banda, tal como Bruce Springsteen tocava com a E Street BandBob com Wailers ou… “Max Weinberg and The Max Weinberg 7, Max!” do Conan O’Brien que ainda não tinha cenas de viagens na Netflix.

The Bunny Crew entretanto associada dá pelos nomes de Pedro Mourato (cordas 1, guitarra), José Garcia (cordas 2, baixo) e Paulo Silva (percussão 0-100, batera man e ainda vozes).

Skills And The Bunny Crew, de nome e som completo, é aquilo que vocês acharem que é: seja hip hop de ‘porão’, com o speed não de uns Aerosmith com Run DMC – de todo, por favor… – mas talvez mais próximo da banda dos anos 90 – à vossa escolha, sirvam-se – de rap rockrock raprapckrop, epá, escolham, porque também há funk, há baladinhas a murro, há hip hop que fala grosso – politicamente engajado, passe o pleonasmo – e se calhar só não há trip fado porque Skills e Tropa (o aka do Paulo Silva) ainda só devem ter falado Nunca sobre isso.

Eu acompanho a banda desde a sua inception, já fui vê-los um pouco por todo o lado e soube deles em vários registos: os manolas até ao Estoril já foram em modo ‘Mafalda Veiga’: desligaram a corrente e roda lá Skills Unplugged. Claro que isto foi no ano dois mil e Bieber, ou dois Mia Rose. Mas… diz bem da escola de estrada que estes indivíduos carregam aos costados.

Ora diz que há novo material, dentro do baú de 10 anos que poderão visitar no channel de youtube da banda – que levou um lift visual, eu por exemplo só reparei há bem pouco tempo que o ‘E comercial’ caiu, não sei se por castigos de Google mas… achei apenas curioso – que inclui, por exemplo, a chanson Dá-Lhe Com Alma, cujo teledisco deixo em infra e recomendo.

Não é Childish Gambino nem precisa: estamos em Portugal, ouve-se Toy, enchem-se Coliseus das Flores ao Luxemburgo para se aplaudir um Tony, temos um Presidente que qualquer dia faz anúncios para a Huawei e uma apresentadora de televisão da Malveira que é mais ‘dona disto tudo’ que o Vieira da Silva.

Eu próprio não acho, dentro daquilo que eu sei que eles podem dar. E não é por ter jogado Tony Hawk ou Need For Speed: Porsche Unleashed. É porque não é muito comum, na praça sonora nacional, ouvirmos pérolas Deste nível:

LUZ DO POETA

ou raridades Desta categoria

VALSA

e desta

VERMELHO SANGUE

e, porque eu sei que eles sabem que vocês não conhecem, que dizer desta ‘faixa escondida’ que nunca viu nem a ‘Luz do Poeta’, nem a luz do dia?

HYBRIS, A NOVA MENSAGEM

(Português Mais Inglês sem ser a la millenial ou hip hop tuga 90s, um instrumental que pode perfeitamente ser parido e ouvido em Ten ou Blood Sugar Sex Magik mas que resulta em pleno)

Para as ladies, porque ultimamente quando há uma “cena” de banda, também convém que… tipo coiso, os Skills And The Bunny Crew também servem:

LUTO

(das melhores letras da música portuguesa, ‘mãos para baixo’!)

A MINHA VIDA NUM POEMA

(nem sei se não foi música de novela… é capaz; é aquela música que vos faz tropeçar aqui, mas, como já disse em supra, vocês gostam daquilo que quiserem pá, ninguém obriga a puto?

E no fundo é isto.

Skills And The Bunny Crew.

Uma “cena” com dez anos.

Novos sons.

Nova ‘parceria’.

Epá e sobretudo, novos palcos caraças.

Para quem definitivamente merece pela novidade sonora, pelo poder vocal, pela consistência e conformidade dos instrumentistas (tinha de arranhar aqui um Rui Miguel Abreu) e porque… epá porque #naoqueremossertoy.

Skills And The Bunny Crew.

Destaque

Johnny Bristol ‎- 1976 – Bristol’s Creme

  A estreia de Johnny pela Atlantic em 1976 apresenta o sucesso "  Do It to My Mind  ", que chegou ao Top 5, além de uma série de ...