domingo, 6 de novembro de 2022

Discos de Guitarristas


Ouve Isso Aqui: Discos de Guitarristas



 Resolvi colocar alguns dos discos que têm sido “meus companheiros” nesta jornada. Espero que meus amigos consultores também tenham gostado das escolhas.

Rory Gallagher – Deuce [1971]

Daniel: Disco sensacional de um dos guitarristas mais talentosos do rock setentista – e dos menos exaltados. Tendo o Rock como base, Gallagher flerta com o Folk e com o Blues, prioritariamente. Faixas cativantes e criativas como “Maybe I Will”, “Whole Lot of People” e “Crest of a Wave” são ótimos exemplos da forma agressiva e ‘elétrica’ com que Gallagher construiu as canções, tendo a guitarra como protagonista para realçar a beleza das mesmas.

André: Este é um dos grandes discos do irlandês fodão da guitarra. Muito blues, hard e como não podia deixar de faltar, uma pegada céltica típica da ilha principalmente nas partes mais acústicas. Particularmente gosto mais justamente destas músicas de levada mais folk como “I’m Not Awake Yet” e aquela delícia de canção western americana “Don’t Know Where I’m Going”. Rory nunca foi lá um grande vocalista, mas consegue se segurar razoavelmente nas vozes. Um ótimo disco que dá de todos apreciarem sem qualquer problema.

Davi: Grande guitarrista! Gosto bastante do trabalho dele. Dentro e fora do Taste. Deuce é seu segundo álbum solo e Rory queria que o disco capturasse a vibe de seus shows. Gallagher havia achado a sonoridade de seu primeiro álbum solo muito polida e queria corrigir isso. Sua jogada deu certo. A sonoridade do álbum é impactante. Musicalmente, os arranjos possuem influências variadas. “Out Of My Mind” traz influências de country na levada de violão. A gaita de “Don´t Know Where I´m Going” remete ao trabalho folk de Bob Dylan. “Shoud I´ve Learnt My Lesson” traz o músico caindo de cabeça no blues. Os momentos que mais gosto, contudo, são “In Your Town”, onde temos Rory Gallagher roubando a cena com sua slide guitar, e o rock sujo e honesto “Used To Be”, responsável por abrir o LP. Bom álbum!

Fernando: Essa foi uma das minha melhores descobertas recentes. Por algum motivo eu nunca tinha ouvido o Rory Gallagher e quando tomei conhecimento desse mesmo disco eu fiquei com aquele sentimento de recuperar o tempo perdido. Ouvi todos os discos de estúdio que ele gravou e também o Taste, sua banda anterior. Mas é claro que mesmo tendo ouvido tudo eu ainda não consegui captar todas as nuances de sua carreira solo. Deuce mesmo sendo o preferido de boa parte dos fãs não está no topo do pódio lá de casa. Acho o Tattoo (1973) melhor e mesmo seu disco de estreia roda mais lá em casa.

Mairon: Disco que dispensa apresentações. Outro mestre irlandês da guitarra fazendo misérias em um hard rock de primeira. Gosto muito das inspirações flamencas de “I’m Not Awake Yet”, até por que é raro ver e ouvir Rory ao violão, algo que ele faz também com um talento impecável em “Out Of My Mind” e na divertida “Don’t Know Where I’m Going”, quase dando uma de Bob Dylan com sotaque irlandês. Mas é o hardão de faixas emblemáticas do porte de “Used To Be”, “Maybe I Will” e “There’s A Light”, ou então solando ao slide em “In Your Time” e “Crest Of A Wave”, as mais Taste das canções de Deuce, e não por menos fortes candidatas a melhores do álbum, ou “Whole Lot Of People”, que fazem de Deuce um clássico atemporal, mostrando por que Rory é tão idolatrado ainda hoje. Ouça o blues “Should’ve Learnt My Lesson” e tente acreditar que é um irlandês quem está cantando/tocando. Baita disco de um artista que merece ser reconhecido muito mais do que alguns superestimados por aí.

Paul Kossoff – Back Street Crawler [1973]

Daniel: Eu adoro os álbuns do Free. Paul Kossoff, guitarrista da banda, morreu muito jovem e jamais saberemos em que nível poderia chegar. Sem as amarras que o baixista do seu antigo grupo, Andy Fraser, o que se ouve é o espírito livre de Kossoff e todo o sentimento que ele conseguia colocar em cada nota que tocava, especialmente nos solos. Basta sentir a ótima “Tuesday Morning”, uma espécie de Jam Session, na qual Kossoff exerce toda sua criatividade.

André: Esse faz uma falta danada ao rock. O brilhante guitarrista do Free felizmente deixou este belo disco, com grandes passagens de guitarra que faz qualquer um que ame blues rock molhar as calças de tesão. Todavia, minha preferida é justamente a faixa “Molten Gold” com Rodgers nos vocais e os caras do Free tocando, música que podemos até considerar como parte da banda. Kossoff é daqueles casos que a guitarra canta sozinha, demonstra sentimento em suas linhas e até parece que sinto o cara dando a alma ali naquelas gravações. Uma pena mesmo que o vício em drogas nos tirou muito cedo um grande músico.

Davi: Gosto muito do trabalho de guitarra que Paul Kossoff realizou ao lado do Free. E também lamento muito que tenha partido tão cedo. Gostaria de ter escutado mais álbuns solo dele, tenho certeza que teria realizado trabalhos brilhantes. Mesmo! “Tá, mas o que você pensa de Back Street Crawler”? Bem, esse é um trabalho que considero sua audição satisfatória, mas que possui poucos momentos que realmente me chamam a atenção. Para ser mais preciso, as faixas “I´m Ready” e “Molten Gold” são as duas que gosto realmente de escutar. Essa última, aliás, nada mais é do que um outtake do álbum Free At Last e está registrado ao lado de seu ex-grupo. Resumindo: disco, sem dúvidas, agradável, mas que esperava mais por ter sido realizado por um músico desse calibre.

Fernando: Óbvio que eu gosto do Free, mas nunca me passou pela cabeça ouvir um disco solo de seu guitarrista. No fim, porém, foi o disco que mais gostei de ter ouvido. Os outros da lista, exceto o do Gary Moore, eu já conhecia, então eu já sabia o que esperar, mas desse eu não tinha ideia o que viria. Aí no início da faixa de abertura eu fiquei ressabiado vendo que seriam 16 minutos e pensei que seria duro chegar até o fim. Mas não…eu estava enganado!!! Gostei do modo como ele variou tempos, estilos e abordagens ao longo da faixa. Também fiquei curioso quando vi que tinham músicas cantadas também, mas esperava que o próprio Kossof tivesse cantado, mas nesse caso me frustrei, apesar das faixas serem muito boas e cantadas por quem conhece do ofício. No geral é um belo disco!

Mairon: A guitarra do Free seguindo carreira solo. O álbum por si só é uma prova de luta de Kossoff, que parece ter gravado o mesmo batalhando contra seu vício em drogas. O lado A é dedicado para a jam “Tuesday Morning”, com uma performance sensacional de Alan White na bateria, e claro, Kossoff rasgando a guitarra em bends épicos, duelando com o órgão de John “Rabbit” Bundrick, além de muito feeling, e por que não, algumas engasgadas que não fazem parte do que acostumamos a ouvir dele no Free, mas que aqui caem bem dentro da questão que estamos curtindo um improviso viajandão. Apesar do improviso de “Back Street Crawler (Don’t Need You No More)”, o lado B é mais “pop”, tendo ainda a dançante “I’m Ready”, e a cria de Free “Molten Gold”, onde Paul Rodgers solta seu vozeirão, Andy Fraser aparece no baixo e Simon Kirke comanda a bateria. Ou seja, é o Free enrustido na carreira solo de Kossoff, fazendo uma baladaça. A melhor faixa do LP para mim também está no lado B, a delirante “Time Away”, onde Kossoff faz a guitarra gemer como Jeff Beck faria, esbanjando feeling. Bom disco de um dos grandes nomes do hard setentista, e que fazia um bom tempo que não ouvia.

Steve Hackett – Voyage of the Acolyte [1975]

Daniel: O extraordinário guitarrista do Genesis, com seu estilo elegante, em uma obra que é uma verdadeira ode ao rock progressivo. Com muita criatividade, Hackett impõe sua própria personalidade neste excelente disco, demonstrando sua categoria em faixas como “Star of Sirius” e a épica “Shadow of the Hierophant”. Um álbum excelente e uma ótima porta de entrada para quem conhecer todo o requinte do rock progressivo.

André: Dentre os discos de guitarristas, este foi o que eu mais gostei. Acho que é porque ando numa fase bem progueira nos últimos meses. Basicamente, este aqui é o Genesis sem o Tony Banks. E pelo que disseram, estas músicas foram descartadas pela banda e do qual Steve resolveu gravar em seu primeiro solo. Collins e Rutherford participaram também e Collins fez alguns vocais pouco antes de os assumir no Genesis logo depois. Disco bem sinfônico, muitas quebras e solos, com os de guitarra obviamente se sobressaindo. Gostei de todas as faixas. O disco passou voando e tudo foi muito agradável. Hackett nunca me decepciona.

Davi: Esse é o primeiro álbum solo do ex-guitarrista do Genesis. Trabalho que, inclusive, foi lançado quando esse ainda fazia parte da cultuada banda. Trata-se de um álbum majoritariamente instrumental, muito bem tocado, como era de se esperar, mas que por algum motivo, não me cativou. A pegada progressiva se faz presente, não achei os arranjos exagerados (algo que me agrada), mas sei lá, as canções não me emocionaram. Para não dizer que não gostei de nada, gostei de algumas passagens de “Shadow Of The Hierophant” e achei a faixa cantada “Star Of Sirius” muito bonita. Essa, inclusive, tem a participação especialíssima de Phil Collins nos vocais. Trabalho muito bem feito, sem dúvidas, mas sei lá, não me pegou. Talvez precise ouvir mais.

Fernando: Esse é um clássico! Obrigatório ouvir esse disco, principalmente para quem está entrando na estrada no início da viagem pela longa estrada do rock progressivo. Praticamente um disco de sobras do Genesis que ele resolveu gravar como álbum solo. E pelas sobras dá de ter a noção do quanto a banda estava produzindo em alta qualidade naquela época. Até acredito que o sucesso desse disco solo tenha sido a chave de virada para a sua saída da banda. Não fique com medo de ouvir um disco completamente instrumental. Para quem já ouve o Genesis com suas longas passagens instrumentais em várias de suas músicas não vai nem sentir isso.

Mairon: Essa belezinha está na minha coleção há algum tempo. Um Hackett inspiradíssimo, e muito bem acompanhado (inclusive dos colegas Mike Rutherford e Phil Collins, mas destacando o irmão John Hackett nos teclados, assim como John Acock no mellotron e piano), cria um álbum magistral de rock progressivo. “Ace of Wands”, faixa que abre Voyage of the Acolyte, é uma obra-prima digna de ser chamada de Maravilha Prog, com diversas variações. O álbum é um espetáculo diverso, trazendo por exemplo a sutileza do violão, mellotron e flauta nas lindas duas partes de “Hands of the Priestess”, as claras referências de Genesis em “Star of Sirius”, com a participação de Phil Collins nos vocais, e aqueles dedilhados encantadores do violão de Hackett, a intrincada  “A Tower Struck Down”, e a beleza de “Shadow of the Hierophant”, com os sopranos vocais de Sally Oldfield.  “The Hermit” é a oportunidade de ouvirmos Hackett aos vocais, em uma linda canção ao violão, e claro, ele também nos brinda com mais uma linda composição ao violão clássico na fantástica “The Lovers”. Outro álbum em que a guitarra não é o centro das atenções, mas que a criatividade do guitarrista é fantástica.

Gary Moore – After Hours [1992]

Daniel: Eu sou fã da obra do Gary Moore, especialmente de seus discos voltados para o Blues. After Hours é o meu favorito. São 11 faixas, sendo 7 composições próprias, em um trabalho em que é possível perceber todo o sentimento que o guitarrista colocava em seus solos (como em “Story of the Blues”). A parceria com o mestre BB King, em “Since I Met You Baby” é um dos pontos altos do disco, bem como “The Blues Is Alright”, a qual conta com o também monstruoso Albert Collins. Para não dizer que tudo são flores, eu não curto muito a balada “Separate Ways”.

André: Apesar de, no geral, eu curtir mais a fase aorzenta oitentista do Moore, cara, esse disco me conquistou com o bom humor do norte irlandês, um repertório excelente e uma performance excepcional. Aqui ele conseguiu uma bela contribuição do gênio B.B.King em “Since I Met You Baby” mas a canção que mais gostei foi a lindíssima balada final “Nothing’s the Same”, com uma voz açucarada de Moore levada principalmente no teclado e com solos belíssimos de poucas notas à la David Gilmour pelos quais amo demais. Segundo melhor da lista.

Davi: Sem dúvidas, esse é meu trabalho favorito da lista. Sempre fui muito fã do Gary Moore e adoro essa fase. After Hours, nada mais é do que uma continuação de seu antecessor, o clássico Still Got The Blues. A sonoridade segue a mesma lógica. A mescla de rock e blues continua presente, o diferencial acredito que seja o uso dos metais, que já aparecia no anterior em canções como “Oh Pretty Woman”, mas que aqui aparecem mais encorpados. O tracklist não possui nenhuma canção que tenha tocado tanto quando “Still Got The Blues”, mas traz bastante momentos marcantes como “Cold Day In Hell”, “Story Of The Blues” e “Jumpin´ At The Shadows”. Isso sem contar nas participações especialíssimas de B.B. King em “Since I Met You Baby” e Albert Collins em “The Blues Is Alright”. Discaço!

Fernando: Nunca tinha ouvido a carreira solo do Gary Moore. Esse disco é indicado para quem gosta desse blues rock mais eletrificado e cheio de distorção que aparece em alguns momentos da carreira do Eric Clapton. É música para levantar o clima de qualquer lugar. “Story of the Blues” é excelente! A participação de B. B. King em “Since I Met You Baby” nos leva de volta lá para as raízes do rock and roll. “Separate Ways” é daquelas músicas que um professor deve colocar para seus alunos quando for ter uma aula de blues.

Mairon: Depois dos anos 80 bastante recheados de altos e baixos, Gary Moore entrou nos anos 90 contudo, e nesse álbum, traz o blues como base para criação de faixas espetaculares ao lado de ícones como B. B. King (“Since I Met You Baby”, animadíssima) e Albert King (“The Blues Is Alright”, uma aula de solo dos músicos), ou sozinho em “Cold Day In Hell”. Desprezando as chatinhas “The Hurt Inside” e “Separate Ways”, que nada acrescentam ao disco, o resto é de alto nível. Por vezes, parece que estamos ouvindo o também saudoso Stevie Ray Vaughan comandando as guitarras. Melhores faixas para a dolorida “Jumpin’ At Shadows”, para cortar os pulsos com tanto drama, a baladaça bluesy “Story of the Blues”, linda demais, e com Gary Moore fazendo a guitarra gemer sem sentir dor, em um dos melhores solos de sua carreira, bem como a paulada “Only Fool In Town”, pesada mas bluesy como só Moore conseguia criar. Ainda temos a animada “Don’t You Lie To Me (I Get Evil)”, comandada pela presença dos metais, e a arrepiante “Nothing’s The Same”, que apesar de não ser uma faixa de blues, fecha o álbum em alto nível, com uma letra que me emociona muito. É uma surpresa ter After Hours como indicação para um Ouve Isso Aqui no quesito Gary Moore, já que há outros grandes discos do guitarrista em sua carreira. Mas isso não significa que After Hours não seja um belo disco de guitarras.

Kiko Loureiro – Universo Inverso [2006]

Daniel: Para aqueles que apenas conhecem a faceta “metaleira” de Kiko Loureiro, este disco é surpreendente. Foi o meu caso. Eu não acompanhava sua carreira solo e, quando ouvi este álbum pela primeira vez, fiquei positivamente surpreso. E isto foi há muito pouco tempo. As influências brasileiras estão presentes por aqui, mas o que pega, pelo menos para mim, é a fusão do Jazz com a Música Latina, e esta mistura é muito saborosa aos meus ouvidos. Um trabalho que eu curti bastante e do qual estou cada vez mais fã.

André: Muita gente reclamaria de “como um músico de metal espadinha vai se atrever a gravar um álbum de fusion”? Nunca tive esse preconceito, muito pelo contrário, admiro ainda mais quando músicos saem da segurança do estilo de sua banda principal e buscam outros gêneros e inspirações para o seus discos solo. Universo Inverso se destaca mais ainda no repertório de Kiko justamente por fugir do prog/power do Angra. Uma pena que eu sou minoria. Adorei a delicadeza e simplicidade de “Recuerdo”. Esqueçam o passado do músico em questão e admire a obra pelo que ela realmente apresenta.

Davi: Kiko Loureiro sempre foi um dos meus ídolos e tive o prazer de receber esse CD das mãos do mesmo, quando estive presente na sede da revista Rock Brigade para realizar uma entrevista com o famoso guitarrista no ano de 2006. Sucedendo o (bom) No Gravity, seu segundo trabalho solo mantinha elementos do rock e do fusion, e se distanciava de tudo que já havia feito antes por adicionar doses cavalares de jazz, música brasileira e música cubana. Os músicos são excelentes e fiquei muito feliz pela participação de outro músico que admiro muito, o baterista Cuca Teixeira. Musicalmente, esse é o álbum que menos gosto de Kiko, ainda que tenha alguns momentos brilhantes como “Feijão de Corda”, “Camino a Casa” e “Havana”. De todo modo, estou curioso para ver os comentários dos colegas sobre o disco.

Fernando: Quando vi que o tema seria álbuns de guitarristas eu imaginei que teríamos uma série de discos gravados por músicos virtuosos tocando para outros músicos. Até aqui isso não tinha acontecido e acredito que o Daniel quis brincar com isso quando escolheu o tema e os discos que entrariam. Mas esse é o representante de disco de guitarrista para guitarristas da lista. Gosto muito do Kiko Loureiro, as coisas que ele fez com o Angra fazem parte da minha vida como fã de metal, adorei o Distopia com o Megadeth, mas ultimamente eu tenho preguiça de ouvir esses discos. Só que Kiko é um guitarrista fantástico e mesmo que você não goste dos estilos que ele aborda em algumas músicas a audição te prende pela curiosidade de saber o que vem depois na música. Quem conhece a carreira dele e e já viu pelo menos uma entrevista sabe que ele tem todo esse background de música brasileira e latina. Apesar de tocar metal ele sempre foi interessado nisso e o próprio Angra foi criado para que esses estilos fossem de alguma forma agregados no tipo de som que o André e o Rafael estavam querendo fazer. Por isso Kiko foi o cara perfeito para aquela hora da banda.

Mairon: Kiko Loureiro vem usando de inspirações latinas pra criar um álbum bem interessante. De cara, “Feijão de Corda” já mostra traços nordestinos no estilo de tocar do rapaz, em uma ótima faixa que equilibra solos melodiosos com um acompanhamento jazzy muito bom, principalmente por conta do piano de Yanel Matos, para mim o principal nome do CD, ao lado dos membros da Point of View (Cuca Teixeira na bateria e Carlinhos Noronha no baixo). O Brasil é a principal fonte de inspiração de Kiko, com o samba jazz de “Samba da Elisa”, com um piano maravilhoso, a leve “Realidade Paralela”, o samba “Espera Aí”, com Kiko ao cavaquinho, “Anastácia”, uma das mais fracas do disco, e na dupla “Arcos da Lapa” / “Monday Mourning”, sendo que a última certamente poderia ter sido concebida pela mente de Tom Jobim, enquanto admirava a baía de Guanabara durante uma segunda pela manhã.  “Ojos Verdes” advém do tango, e novamente, é a Point of View quem dá seu show, assim como a belíssima e dolorida “Recuerdos”, na qual o casamento do piano com o violão é simplesmente perfeito. Já “Camino a Casa” é o momento onde Carlinhos brilha no baixo, e as inspirações advém de uma milonga uruguaia com elementos brasileiros, principalmente pela presença da cuíca. “Havana” vem com inspirações da terra do charuto, e é uma das faixas onde Kiko mais se solta. Um álbum que me surpreendeu positivamente, e essa banda que acompanha Kiko aí, bah, seria perfeita para assistir em um boteco enfumaçado e com um bom uísque. Disco muito bom, onde apesar da guitarra ser o instrumento central, é exatamente quando ela se ausenta onde o álbum cresce mais.



IRON KINGDOM - THE BLOOD OF CREATION (2022)

 

Os extraordinários Iron Kingdom estão de volta com outro autolançamento de power metal uber-underground. Isso é incrível, o metal ainda prospera e oferece músicas arrepiantes. Mas vamos cair na real, não são os emocionantes anos 90, são os miseráveis duplos anos 20. No entanto, a moda é real: “ The Blood of Creation ” é uma overdose de clássico power metal, uma homenagem aos heróis do power metal do final dos anos 80 - 90: HELLOWEEN , GAMMA RAY , HEAVEN'S GATE , SCANNER , início dos CHINCHILA (lembras desses músicos?), EDGUY com um toque de coisas americanas como R ΙΟΤ .
Os IRON KINGDOM existem há bastante tempo e provaram serem mais do que uma banda de tributo. O estilo deles combina tudo isso, misturado de uma maneira muito especial para desenvolver um estilo pessoal reconhecível: seriam estruturas de música sólidas com as guitarras principais dominando e vocais distintos de “amor/ódio” (eu os amo). O trabalho de guitarra dupla é o destaque do álbum, basta ouvir “ Hunter and Pray ” ou a devastadora “ Sheathe the Sword ”, elas soam como se fossem fazer seus alto-falantes explodirem. Já faz muito tempo desde que eu senti um impacto tão grande de um álbum.
“ Queen of the Crystal Throne ” e “ Witching hour ” oferecem um destaque mais melódico, mid-tempo, com sons de clássico metal como BLACK SABBATH , enquanto “ In the Grip of Nightmares ” é uma mistura entre velocidade e melodia com um refrão memorável . Aparentemente, o single de sucesso do álbum e por uma razão muito boa. “ Primordial ” é um instrumental curto onde os eixos duplos são afiados para a última faixa “ Blood of Creation ” um épico de treze minutos onde a banda acerta: eles soam como se tivessem chegado ao final climático de um longo show e deveriam empurrar sua força além das fronteiras da capacidade humana. Não é apenas incrível, mas também revela a conexão secreta entre IRON KINGDOM e bandas de power metal underground como STEEL WARRIOR, TROPA DE SHOCK, HROM e a banda grega HATRED. Esse é o som underground que eu desejo.
É realmente uma pena que os IRON KINGDOM não tenham se destacado entre outras bandas da sua idade, mas acredito que isso seja por uma boa razão: chegar ao convencional significa que eventualmente tu murchas e morres. Como mencionei, os IRON KINGDOM estão por aí, este é o seu sexto lançamento, o que significa que eles já trilharam seu caminho.
1. Tides of Desolation 01:13
2. Sheathe the Sword 05:25
3. Queen of the Crystal Throne 04:58
4. Hunter and Prey 05:25
5. Witching Hour 05:44
6. In the Grip of Nightmares 05:23
7. Primordial 01:40
8. The Blood of Creation 13:38

Leighton Holmes - Bass, Vocals (backing)
Chris Osterman - Guitars (lead), Vocals (lead)
Megan Merrick - Guitars
Max Friesen - Drums
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DRAGONHAMMER - SECOND LIFE (2022)

 

Depois de mais de 20 anos de história da banda, os músicos dos Dragonhammer podem se considerar, com razão, entre os pilares do Power Metal italiano.
As expectativas do último trabalho Second Life são correspondentes, que novamente deveria oferecer insanos ajustes de guitarra com música de fundo sinfónica bombástica em combinação com canções de batalha épicas.
Com coisas para a banda sonora do filme
Já a introdução Prelude To Conquest não decepciona em nada e apresenta o álbum com sons cinematográficos, que são acompanhados por tambores de batalha. Então, com Kingdom Of The Ghosts, que foi publicado anteriormente, as habilidades instrumentais dos protagonistas são imediatamente descompactadas. Guitarras solo ultrarrápidas, bateria desportiva e vocais poderosos típicos do género, bem como um ou outro solo de teclado se misturam num hino grandioso e poderoso. Diamond Of Peace, por outro lado, tira o pé do acelerador e convence com passagens de ritmo médio e um refrão groovy. Mas então é bom descansar novamente porque Into The Warrior's Mind aumenta o controle novamente e apresenta outra faixa sólida de Epic Power Metal.
A banda passa de sucesso em sucesso num total de onze faixas e cumpre todos os clichês que geralmente são atribuídos ao género sem se tornar banal ou chato. Sejam baladas como The Rising e Fallen Brother ou os temas de potência máxima como Sickness Divine e a faixa-título Second Life. Finalmente, há um outro de cinco minutos chamado Ending Legacy, que lembra os créditos finais de um sucesso de bilheteira.
Com Second Life, Dragonhammer adiciona outro grande trabalho à sua discografia já pródiga. O álbum não oferece uma única música fraca e convence com destaques individuais, como a incrível Kingdom Of The Ghosts, que deve trazer lágrimas de alegria aos olhos de todos os fãs do género.

01. Prelude To Conquest
02. Kingdom Of The Ghosts
03. Diamond Of Peace
04. Into The Warrior’s Mind
05. Shattering Hofe
06. Fallen Brother
07. Sickness Divine
08. The Rising
09. Silver Feathers
10. Second Life
11. Ending Legacy

Gar Amodio – Baixo
Flaio Cicconi – Guitarra
Alessandro Mancini – Guitarra, orquestração
Fiulio Cattivera – Keyboards, backing vocals
Marco Berrettoni – Bateria
Mattia Fagiolo – Vocalista
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sábado, 5 de novembro de 2022

25 DE ABRIL DISCOS

 CONJUNTO ANTÓNIO MAFRA


ORFEU - ATEP 6573 - 1974

Não Deixes Que Calem Mais A Tua Voz (António Mafra) - O Sol Que Vem Da Serra (António Mafra) - Menina Dança, Dança (João MR de Azevedo) - Ó Ramos Hoje Cá Estamos (António Mafra)


PELA REVOLUÇÃO PELO TRABALHO


RODA - RPE 1386 - 1975

Trabalho (Ary dos Santos/Fernando Tordo) - Viva A Liberdade (Tino Flores) - Cantiga do Trabalho, do Pão, do Dinheiro e do Patrão (Nuno Gomes dos Santos) - Hino do Trabalho (António F. Castilho/Shegundo Galarza)

A Equipa é formada por Irene Fernandes, Margarida Amaral, Jaime Nascimento, José Manuel Silva e ramon Galarza, com acompanhamento de Instrumental Dez.

Arranjo e direcção de Shegundo Galarza.

A CANTIGA É UMA ARMA


VOZES NA LUTA - VL-1 003

A Cantiga É Uma Arma (José Mário Branco) - Viva A Guiné-Bissau Livre e Independente (José Mário Branco)


RESISTIR DE NOVO


OVAÇÃO - 840CD - 2014

Resistir de Novo (José Jorge Letria/Carlos Alberto Moniz) - Mariazinha (José Mário Branco) - Qualquer Dia (F. Miguel Bernardes/José Afonso) - Trova do Vento que Passa (Manuel Alegre/António Portugal) - Jornada (José Gomes Ferreira/Fernando Lopes Graça) - Os Vampiros (José Afonso) - É Preciso Acreditar (Leonel Neves/Luiz Goes) - E Um Dia Fez-se Abril (José Jorge Letria/Carlos Alberto Moniz) - Canta, Canta Amigo Canta (António Macedo) - Ao Que Isto Chegou (Alfredo Vieira de Sousa/Carlos Alberto Moniz) - Livre (Carlos de Oliveira/Manuel Freire) - Cantata da Paz (Sophia de Mello Breyner/Rui Paz) - As Mulheres na República (José Jorge Letria/Carlos Alberto Moniz) - Canto Moço (José Afonso)

Este disco foi editado no dia 20 de Março de 2014 e, como ter sorte dá muito trabalho, estava por acaso na Associação 25 de Abril quando os primeiros examplares chegaram.



CRONICA - BILLY IDOL | The Cage (2022)

Um ano depois de The Roadside, Billy Idol lança um segundo EP Divertindo este EP à moda que parece estar de volta em força, sem dúvida devido ao consumo geral do grande público via serviços de streaming (bouuuu!). Por outro lado, dói mais na bunda quando preferimos os CDs, porque usar esse formato apenas para quatro títulos é mesmo um desperdício... Mas quanto valem esses quatro títulos? Em primeiro lugar, vamos tranquilizar a todos, sim, Steve Stevens está no jogo. E o guitarrista nos regala com seus riffs de “Cage”, um título de Rock com uma sensibilidade pop cujo refrão parece calibrado para rake o mais amplo possível. Não podemos culpar o cantor, pois sua personalidade ainda está presente. E então, não podemos realmente dizer que ele alguma vez afirmou ser um artista underground. Depois de uma introdução que faz você temer uma balada da Adele, "Running From The Ghost" endurece um pouco o tom com uma bateria bem presente e uma guitarra que, quando está lá, é particularmente mordaz. Sempre encontramos essa sensibilidade Pop contemporânea, mas interpretada com instrumentos de Rock. Se ele pode apresentar os jovens ao Idol, por que não. Dito isso, a melhor faixa do EP é a terceira, "Rebel Just Like You" que, não, não é uma regravação de "Rebel Yell" (como "Postcards From The Past" já tinha Se ele pode apresentar os jovens ao Idol, por que não. Dito isso, a melhor faixa do EP é a terceira, "Rebel Just Like You" que, não, não é uma regravação de "Rebel Yell" (como "Postcards From The Past" já tinha Se ele pode apresentar os jovens ao Idol, por que não. Dito isso, a melhor faixa do EP é a terceira, "Rebel Just Like You" que, não, não é uma regravação de "Rebel Yell" (como "Postcards From The Past" já tinhaReis & Rainhas do Subterrâneo ). Se o ritmo é Disco, o riff é puro Rock 'n' Roll muito imundo. Quanto ao refrão, é realmente imparável. Nota para o registro que este título é para a neta do cantor, Poppy Rebel. De qualquer forma, este título é o melhor que o Idol lançou em… muito tempo! Terminamos com “Miss Nobody”, um belo título de Dance Rock com a sensualidade úmida de uma boate. É, portanto, um Billy Idol muito adequado que encontramos aqui. Pessoalmente, acho este The Cage mais bem sucedido do que The Roadside .Notaremos também uma grande diversidade em termos de títulos, mantendo uma certa homogeneidade. Não vai mudar sua carreira com certeza, mas é bom vê-lo ainda neste nível hoje.

Títulos:
1. Cage
2. Running From The Ghost
3. Rebel Like You
4. Miss Nobody

Músicos:
Billy Idol: Vocais
Steve Stevens: Guitarra, baixo
Erik Eldenius: Bateria
Butch Walker: Baixo, guitarra, bateria, teclados
Joe Janiak: Piano
Grant Michaels: Teclados

Produtor: Zakk Cervini (1-3) e Butch Walker (4)

CRONICA - KLAUS SCHULZE | Cyborg (1973)

Klaus Schulze, após Join Inn , deixou o Ash Ra Tempel de vez para se dedicar integralmente à carreira solo, que começou em 1972 com Irrlicht . No ano seguinte, publicou seu segundo álbum, Cyborg , pela Ohr, que foi duplicado com uma faixa por lado para seguir os passos de Tangerine Dream, seu antigo grupo com o Zeit , que também foi duplicado e também teve uma faixa por lado. Só que Klaus Schulze prolonga o prazer. Com efeito, as quatro peças que ocupam o Zeit não ultrapassam os 20 minutos cada. Enquanto em Cyborg oscila entre 23 e 25 minutos. O compositor alemão usa os mesmos ingredientes que em IrrlichtOu seja, um órgão adulterado, gravações de um ensaio de uma orquestra clássica tocadas ao contrário, bem como um amplificador danificado para filtrar e alterar os sons misturados na fita para dar uma sinfonia cósmica em quatro tempos. Mas novidade e não menos importante, é adicionado o sintetizador VCS3 comprado de Florian Frick, líder do Popol Vuh.

Começa com "Synphära" em uma passagem linear e interminável variando sutilmente, salpicada de pulsações cósmicas, efeito vertiginoso, ondulação do sintetizador, mas sobretudo dominada por um órgão inebriante e celeste que nos mergulha em uma catedral interestelar. Aqui estamos, sugados por uma massa espacial, sufocante e misteriosa.  

"Conphära" é mais sombrio, mais opressivo onde uma ameaça não deixa de pairar, também faz ondulações mas desta vez pesados, zangões esquizofrênicos e zumbidos agonizantes para uma atmosfera claustrofóbica e alarmista, mergulhando-nos num transe insalubre. Uma aparência de melodia vaporosa tenta desesperadamente romper esse clima de terror. Em vão.

A ameaça do passado é a desolação como o cenário que se apresenta em "Chromengel" ocupando todo o lado C. Uma peça espectral e monótona que nos transporta para o desconhecido, para um universo nebuloso e fantasmagórico, invadido por criaturas aterrorizantes, terminando por ondas sonoras.

A única saída diante desse clima mortal é a evacuação, como o tenso “Neuronengesang” pode descrevê-lo. Fugindo de um espaço onde a ameaça é sempre palpável, destruída mas sempre atacada por pulsações espaciais, vestida de uma melodia linear e desencantada, além de ondas eletrônicas e batidas eletrostáticas para acabar na hostilidade do cosmos infinito.

Em suma, outra obra-prima que requer várias escutas para apreciá-la plenamente.

Títulos:
1. Synphära
2. Conphära
3. Cromengel
4. Neuronengesang

Músico:
Klaus Schulze: Órgão, Sintetizador, Eletrônica

Produtor: Klaus Schulze

ROXY MUSIC - SIREN (1975)

OST)



ROXY MUSIC
''SIREN''
1975
42:30
**********
01 Love Is the Drug 04:11 (Bryan Ferry, Andy Mackay)
02 End of the Line 05:14 (Bryan Ferry)
03 Sentimental Fool 06:14 (Bryan Ferry, Andy Mackay)
04 Whirlwind 03:38 (Bryan Ferry, Phil Manzanera)
05 She Sells 03:39 (Bryan Ferry, Eddie Jobson)
06 Could It Happen to Me? 03:36 (Bryan Ferry)
07 Both Ends Burning 05:16 (Bryan Ferry)
08 Nightingale 04:11 (Bryan Ferry, Phil Manzanera)
09 Just Another High 06:31 (Bryan Ferry)
**********
Bryan Ferry/Voices, Keyboards
Andrew Mackay/Oboe, Saxophone
Paul Thompson/Drums
Phil Manzanera/Guitar
Edwin Jobson/Strings, Synthesizer, Keyboards
John Gustafson/Bass

Abandonando a mistura inebriante de art rock e glam-pop que distinguiu Stranded e Country Life, Roxy Music concentra-se na personalidade suave e encantadora de Bryan Ferry para a elegante e moderna Siren. Como o disco de abertura "Love Is the Drug" deixa claro, Roxy abraça a dança e o pop descarado em Siren, tecendo-os em seu som elegante e artístico. Isso vem às custas de suas inclinações artísticas, o que é parte do que distingue Roxy, mas o resultado final é cativante. Sem as músicas consistentemente incríveis de seu antecessor, Siren tem uma consistência temática que funciona a seu favor e ajuda a elevar suas melhores músicas - "Sentimental Fool", "Both Ends Burning", "Just Another High" - bem como o álbum em si para o reino dos clássicos.


STRANGER VISION - WASTELAND (2022)

 

Stranger Vision é uma banda de metal melódico. Seu som é baseado em riffs poderosos enriquecidos com arranjos melódicos e orquestrais. Isso é aprofundado pela pesquisa sobre o tema das letras, que são baseadas na literatura e na poesia antiga e moderna.
Clássico melódico moderno power-prog metal é como eu tentaria descrever este novo lançamento dos Stranger Vision. Cheio de guitarras rasgadas, bateria estrondosa e paisagens sonoras eletrônicas únicas, há muito o que tirar deste lançamento. Existem muitas bandas no respectivo género, mas poucas que soam tão únicas quanto Stranger Vision, e acredito que isso diz muito sobre o trabalho colocado neste álbum musicalmente. Como sugeri antes, muitas bandas desse género lançam o mesmo som de álbum um após o outro e não oferecem nada de novo para impulsionar a si mesmos ou o estilo adiante.
A produção é extremamente complementar à música e aos músicos em cada faixa e fornece uma qualidade quase “hino” para certas faixas como “Desolate Sea”.
Os vocais ajudam o álbum de forma monumental e são sempre fortes, claros e concisos. O estilo vocal e a chama se encaixam muito bem na instrumentação, nunca tirando o ouvinte da música.
O álbum está cheio de sons orquestrais e eletrônicos que sublinham a maioria das músicas. Nunca parece forçado ou rombo, mas parece um tecido subjacente do álbum, que é a maneira como ele deve ser apresentado.
Eu sinto que é uma conquista por si só, sendo que muitas vezes as bandas usam ajudas eletrônicas, mas geralmente vão longe demais e ultrapassam a mixagem. A única desvantagem para mim é o fluxo do álbum.
Às vezes, sinto que as faixas devem ser organizadas numa ordem diferente para garantir uma melhor experiência de audição. Em suma, este é um trabalho sólido dos Stranger Vision.

01. At The Gates
02. Wasteland (feat. Hansi Kürsch)
03. Handful Of Dust
04. The Road
05. Anthem For Doomed Youth
06. Desolate Sea
07. Under Your Spell
08. Fire
09. Neverending Waves
10. The Deep (feat. Tom S Englund)
11. The Thunder
12. Peace: The Mad Jester And The Fisher King

Ivan Adami - Vocals - See also: ex-Angels Fall, ex-Majester, ex-Knightlord
Daniele Morini - Bass
Riccardo Toni - Guitars
Alessio Monacelli - Drums - See also: Hellcome!, Kalah, ex-Death Riders, Hidden Lapse, ex-Imago Imperii
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Os que deram as palavras à expressão fadista

 

A poesia do fado é um mundo ecléctico, povoado por versejadores mais ou menos iletrados, poetas cultos, letristas, dramaturgos revisteiros, romancistas.

Até meados do século XX, as palavras do fado eram um território quase exclusivamente ocupado pelos chamados poetas populares, expressão um tanto vaga, já que nela se tende a incluir autores com níveis de literacia bastante diversos, e cujos versos demonstram também diferentes graus de sofisticação literária. Era o tempo do grande Linhares Barbosa (1893-1965) - outro autor de fados da época, Carlos Conde, fez-lhe o epitáfio - "A fadistagem chora, anda saudosa/ Pela falta do seu vate consagrado./ A morte de João Linhares Barbosa/ Roubou-nos meio século de fado!" -, de Frederico Brito (1894-1977), vulgo Britinho, de José Galhardo (1905-1967), autor do Fado Malhoa, do farmacêutico alentejano Alberto Janes (1909-1971), a quem se deve o Foi Deus, expressamente escrito para Amália Rodrigues, ou, entre muitos outros, do autor de peças revisteiras Aníbal Nazaré (1909-1975), em cujo célebre Tudo isto é fado, Vasco Graça Moura encontra uma espécie de Cesário Verde travestido em fadista: "Almas vencidas,/ Noites perdidas,/ Sombras bizarras./ Na Mouraria/ Canta um rufia,/ Choram guitarras./ Amor, ciúme,/ Cinzas e lume,/ Dor e pecado./ Tudo isto existe,/ Tudo isto é triste,/ Tudo isto é fado".

A primeira fadista que, sem deixar de interpretar o património poético tradicional do fado, vai, de modo sistemático, procurar alternativas na lírica culta, é Amália Rodrigues, que canta poemas de autores tão distantes no tempo como os trovadores medievais (que foram, na verdade, os primeiros song writers), o inescapável Camões ou poetas do século XX, como José Régio, Sidónio Muralha, Vasco de Lima Couto, Luís de Macedo, Alexandre O"Neill, Manuel Alegre ou Ary dos Santos. E deixa-se para o fim dois poetas que deram as suas palavras a algumas das mais extraordinárias interpretações da fadista: Pedro Homem de Mello e David Mourão-Ferreira.

No fado pós-Amália

Alguns destes poetas vão escrever expressamente para fado, levando-lhe uma qualidade literária que nunca tinha possuído. Mas a diferença flagrante ente estes dois registos só se torna verdadeiramente óbvia lendo-se os textos lado a lado, e não tanto ouvindo-os nas vozes dos fadistas. Há razões para isso. A primeira é que um poema banal pode ser convertido, pelo mérito de quem o musica e de quem o interpreta, numa canção notável. A segunda prende-se com o facto de os poetas eruditos que escreveram fados partilharem deliberadamente com os autores populares algumas predilecções métricas - que facilitam o canto -, um léxico limitado e um conjunto bastante cerrado de tópicos: a omnipotência trágica do destino - no antigo panteão nórdico, o destino está acima dos deuses -, o namoro, o ciúme, as traições e outras variantes da relação amorosa -, uma Lisboa castiça de que hoje pouco resta, e ainda o próprio fado, que sempre foi tema de si próprio, jogando com a ambiguidade entre a designação de um tipo de canção e o substantivo sinónimo de sina.

No pós-Amália, esta ligação entre o fado e a poesia culta vai decaindo, apesar de exemplos como o de Carlos do Carmo, amigo e intérprete de muitos poetas, sobretudo de Ary dos Santos, ou de João Braga, que se atreveu mesmo a cantar os poemas da Mensagem de Fernando Pessoa. Mas é novamente reactivada nos últimos anos, num movimento que se inicia com Mísia, que conseguiu mesmo arrancar um fado, bastante notável, As garras dos sentidos, à romancista Agustina Bessa-Luís - "Não quero cantar amores,/ Amores são passos perdidos./ São frios raios solares, /Verdes garras dos sentidos". É surpreendente, aliás, a disponibilidade dos romancistas, alguns deles sem nenhuma produção poética anterior conhecida, como Lobo Antunes (cantado, sobretudo, por Katia Guerreiro) ou Lídia Jorge, para escrever fados. Outros ficcionistas, mas estes já com currículo lírico, que escreveram fados são, por exemplo, Mário Cláudio, cantado por Mísia, ou Hélia Correia, que escreveu designadamente para Cristina Branco.

Entre os poetas, o também romancista Vasco Graça Moura é o caso mais singular, com o seu livro Letras do Fado Vulgar (1997), cujos poemas fazem conviver os temas e as métricas tradicionais do fado com alusões cultistas descaradas ou veladas, como sucede no texto que fecha o livro, fado do amanhecer, onde uma citação truncada de T. S. Eliot se intromete sem se dar por ela na descrição muito fadista de uma despedida amorosa. Alguns destes fados foram já cantados, outros aguardam quem lhes pegue. E alguns bem o mereciam, como o madrigal do peixe fresco, em que descreve assim uma peixeira de mercado invejada pelas vizinhas: "(...) fazem um grande escabeche/ com inveja da mais pura/ dos tabuleiros de peixe/ que te chegam à cintura/ a rematar-te a figura/ e a pôr-lhe um brilho que mexe/ de escamas a meia altura".

Célebres e desconhecidos

O exemplo de Mísia foi seguido por outras fadistas, como Cristina Branco, que canta, no seu disco Kronos, poemas de Álvaro de Campos, Manuel Alegre, Hélia Correia ou Júlio Pomar - o divertido Fado do mal passado é apenas uma das incursões fadistas do pintor -, ou Aldina Duarte, com o seu singular trabalho Contos do Fado, para o qual pediu a autores como Manuela de Freitas, Maria do Rosário Pedreira, José Mário Branco ou José Luís Gordo que escrevessem fados a partir de obras literárias. Das muitas fadistas que também escrevem algumas das letras que cantam, Aldina Duarte é provavelmente a que tem textos mais conseguidos, ainda que talvez nenhuma fadista tenha até hoje produzido um poema comparável ao Estranha forma de vida, de Amália Rodrigues.

A par destes escritores que também criam canções, há ainda especialistas do ofício, uma espécie de sucessores escolarizados dos poetas populares do fado tradicional, como José Luís Gordo, marido da cantora Maria da Fé, para quem escreveu o célebre Até que a voz me doa, Tiago Torres da Silva, um engenheiro zootécnico que se apaixonou pelo meio teatral, ou ainda o guionista e encenador Mário Rainho. Estes "poetas do fado", para usar a expressão consagrada num dos prémios atribuídos pela Fundação Amália Rodrigues, são tão célebres no mundo fadista como desconhecidos no meio literário. Embora alguns deles tenham livros publicados, raramente são bons poetas, ainda que os seus poemas possam funcionar lindamente na voz de quem os canta. Há uma notória excepção: a actriz, diseuse e letrista Manuela de Freitas, autora de grandes poemas-canções, interpretadas por Camané, José Mário Branco e outros cantores. A título de exemplo, leia-se esta primeira quadra do seu Fado Penélope: "Sagrado é este fado que te canto/ do fundo da minh"alma tecedeira/ da noite do meu tempo me levanto/ e nasço feito dia à tua beira".



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